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quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Lá vem o Brasil descendo a ladeira


E aí, vai encarar?
Emanoel Barreto

Moleque travesso, tinhoso, peralta.
Saiu da favela disposto a brigar.
Exibe sua força que é magra e rasteira.

É um brasilzinho de muque raquítico.

Moleque travesso, teimoso, assanhado.
Tem jogo de perna é bamba na vida.
De becos escuros em briga com a fome.
É o brasilzinho. Que dó que ele dá.

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Foto obtida no endereço https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhC2LJlLBqHCizL51vMEwR_fUDzEvL_cn_joinY9lo-jnB_xs7M1qnh76WI1ZAK5IkEg5sNeQzE93N20Hpvgvg8kNUJ88eITbP3JsG_AR6D75zo8Ri-wjagn0kXEz4Yj3CdnSGKeQ/s1600-h/!cid_F142B54B3E8C4B048EDA16A6B38785F5@Cida.jpg

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

E aí vem a polícia e diz: "Nossa greve é nosso berro!"

O crescimento da onda de protestos de policiais militares parece indicar tendência de que o movimento ganhe efetivamente contornos nacionais. Se os grevistas da Bahia, pelo menos uma parte deles, não são um bom exemplo, não se pode negar que em essência o movimento não tenha razão. Os governantes, quando candidatos, chamam a assessorá-los marqueteiros que preparam campanhas belíssimas apregoando que, eleito ou eleita, o governante ou a governante farão, pelo simples toque de suas mãos mágicas, um mundo perfeito. Não é bem assim e os governantes sabem disso muito bem.
http://www.google.com.br/imgres?q=policiais&hl=pt-BR&safe=off&client=firefox-

Tais promessas incluem a segurança e, em decorrência disso, segurança feita por pessoal bem remunerado e treinado. O policial é parte do povo; é o povo armado em defesa da sociedade, gente que certamente acreditou e votou nos dirigentes.  Mas, entre o mundo do marketing e o mundo real há uma diferença enorme, abissal, assustadora. E tal realidade abrange os salários dos funcionários armados, que precisam e devem ser compatíveis com os riscos que correm. Os policiais em pé de greve têm sim motivos para o encrespamento. Não para a baderna e o terror social, mas para reivindicar, dentro do bom senso e da prudência, sim. 

A tropa mal paga entra em processo de desagregação dos valores militares, cuja base são disciplina e hierarquia. Contaminada por sentimento desagregador tais valores vêm abaixo e dá-se o que vimos em Salvador.

O movimento nascido na  Bahia pode vir a se constituir em tendência, a levar-se em conta idêntica atitude da PM no Rio. E o que é tendência?  Tendência é propensão de alguém a alguma coisa, medindo-se tal propensão em atitudes visíveis e perceptíveis, com possibilidade de outros se reunirem a tal comportamento tornado socialmente simpático aos que dele possam se tornar adesistas. Então, parece haver uma tendência.

Os policiais, claro, se aproveitam da proximidade do carnaval, festa maior do povo brasileiro e acenam com a possibilidade de uma greve. No Rio isso poderia ter consequências bem maiores e bem piores que em Salvador face ao crime organizado enquistado na sociedade carioca. O governo federal deveria já estar encarando o problema, colocando-o como prioridade para ter solução. Uma política de segurança passa necessariamente por agentes bem remunerados ou próximos disso. Caso contrário vai valer, da parte dos policiais, o lema "nossa greve é nosso berro!"

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Jornalismo de excelência ou jornal não é guardião da honra de ninguém

O caso dos precatórios no Tribunal de Justiça, exposto a plena carga pela imprensa, reconfirma o papel do jornal como instituição essencial à democracia e à transparência do funcionamento dos Poderes. Até onde me informa o bom senso, tem sido de importância capital a presença dos jornais para que o assunto, ganhando espaço e força nas manchetes, ênfase e saliência na opinião pública, venha a ser apurado às últimas consequências.

O que a imprensa tem noticiado revela como a máquina burocrática do Tribunal de Justiça tinha falhas que permitiam a prática do desvio de dinheiro público. Por essas brechas, segundo se diz, atuavam os acusados. Os jornais mostram isso com notável precisão: os arranjos, o processo de fraude, a manipulação de documentos que, aparentemente cumprindo os trâmites exigidos, sugeriam legalidade ao gesto peculatário. 

Lembro palavras de Luís Maria Alves, o velho comandante do Diário de Natal: "Jornal não é guardião da honra de ninguém." Queria com isso dizer que o jornalismo se atém aos fatos e simplesmente os reproduz à luz do que constatou e apurou; sendo assim, cada um que zelasse pela sua reputação, pois aos jornais caberia denunciá-lo em caso de abuso qualquer que fosse. 

Claro, tal consigna está alicerçada na visão de objetividade, com todos os questionamentos que a envolvem, uma vez que um mesmo fato pode ser apresentado de variadas formas. Questão acadêmica à parte, o caso do TJ está sendo apresentado de forma objetiva. Não há como recusar que algo aconteceu, e isso obriga a Justiça e se fazer dentro da própria Justiça.

Os jornais estão cumprindo com rigor e isenção o dever de informar. Apuração é feita e pode ser percebida fartamente na forma como o noticiário é apresentado: matérias longas,detalhadas, divididas em retrancas - retrancas são matérias complementares - explicando como tudo se passou.

É importantíssima a ação dos jornais em casos como esse, quando já existe neste país uma sociedade civil atenta e indignada. Jornalismo é uma parte desse processo a que se chama sociedade civil, esse espaço social, público, onde se confrontam ideias e se propugna pela moralidade, combatendo-se, por isso mesmo, ideias e comportamentos em campo contrário. 

Silenciar, em tais circunstâncias, significa ser caviloso e alcoviteiro da indecência; cometer por omissão apoio ao esgarçamento da rede ética que deve servir de liame à vida na polis. Frente e isso, o jornal é a praça social para onde converge o olhar da cidadania, imerso o próprio jornal no mundo que noticia. Age, assim, em processo de representação do teatro do mundo ao mesmo tempo em que participa da tragédia histórica desse mesmo mundo. A notícia como meta-acontecimento. 

Pode-se compreender o que digo com um exemplo simples: é do senso comum dizer "deu no jornal". Ou seja: está nas ruas, é parte do rumor social. Com isso o jornal se torna uma espécie de entidade, um sujeito que, em sua virtualidade de sujeito, está para o cidadão como se fora outro cidadão. O noticiado passa a ser uma nova notícia, pulsante como o antigo grito dos gazeteiros: "Olha o jornal!"

Chamo a isso, a esse capacidade de noticiar e representar o mundo, de eficácia editorial, ou seja: potencialidade de influir junto à sociedade, fazer valer sua informação e sua opinião. Assim, se tal opinião e informação estão em sintonia fina com o que deseja a sociedade, cujos valores éticos e morais devem ter acolhida nas folhas, encontramos aí a repercussão, encontramos assim a eficácia editorial manifesta na perplexidade e, desta, na indignação das ruas.

Os valores pétreos da sociedade preexistem ao noticiário, são seus referentes. Quando atacados merecem o petardo das manchetes. A imprensa tem o dever da verdade. Não vou entrar aqui no debate do que seja esse conceito, filosoficamente. Quero dizer verdade na acepção de relato que coincide com o objeto que foi relatado, suas características, causas e consequências. E sou levado a supor, pelo que li, que as coisas estão sendo contadas conforme ocorreram.

Os jornais estão corretos em seu trabalho. É preciso levar adiante a luta. As pessoas acusadas, se confirmada a sua culpa, seriam responsáveis por crime de grande perversidade. De alguma forma o dinheiro desviado para uso suntuário faltará numa escolinha de bairro, na segurança pública, numa casa de parto, num grande hospital público, na conservação de estradas e outros bens públicos. De forma também perversa, tal prática enuncia a cultura da corrupção como naturalizada na máquina pública, quase uma praxe. Desta forma, será preciso ir a fundo nesse abismo. Sem medo de se ferir.

*  Minhas congratulações a Anderson Barbosa, do Novo Jornal, Isaac Lira, Marco Carvalho e Ricardo Araújo, da Tribuna do Norte, e Allan Darlyson e Paulo de Sousa, do Diário de Natal.



domingo, 22 de janeiro de 2012

Leio na Folha e compartilho

Carro da Globo é queimado em reintegração de posse em SP


 
Um veículo da TV Vanguarda, afiliada da Globo, foi queimado durante a reintegração de posse da invasão do Pinheirinho, em São José dos Campos (97 km de São Paulo), na manhã deste domingo. A ação da Polícia Militar deixou ao menos um ferido.
A área, onde vivem cerca de 6.000 pessoas, é alvo de uma disputa entre os invasores e a massa falida de uma empresa, proprietária do terreno. 

Procurada, a TV Vanguarda confirmou que o carro foi queimado e disse que não havia feridos. A emissora informou que ainda não tem detalhes da ocorrência.
Um outro veículo também foi queimado na entrada do bairro durante a reintegração na manhã deste domingo.

Mario Angelo/Sigmapress/Folhapress
Carra da TV Vanguarda, afiliada da Globo, é incendiado durante a reintegração de posse no Pinheirinho
Carra da TV Vanguarda, afiliada da Globo, é incendiado durante a reintegração de posse no Pinheirinho
FERIDO
Uma pessoa, ferida por bala, foi encaminhada para o hospital municipal, onde passou por uma cirurgia. De acordo com a Secretaria de Saúde, o estado do paciente é considerado estável.
A Polícia Militar chegou ao local por volta das 6h. Cerca de 1.800 agentes participam da ação, que conta com o apoio da tropa de choque, de helicópteros e de PMs da cidade de São Paulo. Segundo a polícia, os moradores montaram barricadas e estão resistindo à ação. 

As famílias afirmam que os policiais usaram balas de borracha e gás de pimenta. Ainda de acordo com o grupo, moradores de bairros vizinhos ao Pinheirinho entraram em confronto com a Guarda Civil, que está apoiando a PM, e quebraram o alambrado que cerca o Centro Poliesportivo do Campo dos Alemães. O local estava preparado para abrigar os moradores após a reintegração de posse. 


Lucas Lacaz Ruiz/A13/Folhapress
Tropa de choque da Polícia Militar chegou à área invadida por volta das 6h
Tropa de choque da Polícia Militar chegou à área invadida do Pinheirinho por volta das 6h
 
JUSTIÇA
 
O Tribunal Regional Federal da 3ª Região suspendeu na sexta-feira (20) a ordem de reintegração de posse da invasão Pinheirinho. A decisão também devolveu o caso para a Justiça Federal. 

O desembargador federal Antonio Cedenho, que analisou o caso, entendeu que a disputa envolve a União, já que o governo federal manifestou interesse em participar de uma solução do conflito. 

Ao longo da semana, um imbroglio entre diferentes esferas do Judiciário fez o caso ser transferido diversas vezes entre a Justiça Federal e estadual. Esta última foi a que concedeu para os proprietários a ordem de reintegração de posse.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

"O delegado sou eu"

Eu o vi duas ou três vezes: bêbado, mirrado, bracinho fino erguido e indicador apontado para o alto, bradando uma inútil advertência: "O delegado sou eu! O delegado sou eu!" Ninguém contestava, até porque nele ninguém prestava atenção, a não ser eu; não sei se perplexo ou estranhamente fascinado com aquela cena que oscilava entre o ridículo e o comovente.

Corriam os anos 60, e da minha casa eu o via seguir ladeira abaixo, Rua Princesa Isabel, centro de Natal. Ele passava na calçada do outro lado da rua e seus gestos hoje me lembram um Carlitos torto e anônimo, um brasileiro pobre que se dizia autoridade.

Não sei mas, na época, bem que eu poderia tê-lo presenteado - meninos, se você não sabe, podem tudo - com uma linda viatura policial que naqueles tempos eram chamadas de "tintureiras", para ele fazer valer sua disposição de Quixote e prender todo mundo. A tintureira seria toda pintada em preto e branco, e Delegado poderia cumprir mandados, fazer flagrantes, capturar os maus. 

E mais: eu poderia pedir ajuda aos meus amigos Zorro e Tonto, Billy the Kid, Kit Karson, Roy Rogers, o Fantasma, Búfalo Bill, Águia Negra, Falcão Negro, Daniel Boone, Dom Chicote, Cavaleiro Negro, Kid Colt e, claro, Jerônimo, Aninha e Moleque Saci. Se a coisa ficasse muito feia poderia chamar o Rei Artur e os cavaleiros da Távola Redonda e mais: El Cid, o imperador Carlos Magno e os Doze Pares de França. Athos, Porthos, Aramis e d'Artagnan também poderiam vir.

Eles eram invencíveis e jamais se negariam a me ajudar e ao Delegado. Eu daria a ele um dos meus revólveres de plástico, quem sabe até mesmo um de metal, o mais bonito, o que disparava espoletas. 

Com essas armas eu mesmo prendi muitos bandidos que habitavam esconderijos que somenete eu conhecia. Eu tinha até uma estrela de xerife, ganha numa promoção da Toddy chamada Patrulheiros Toddy. Eu era um Patrulheiro Toddy e bem poderia ter ajudado ao Delegado. E eu não fiz nada. Não chamei os caubóis meus amigos, nem os grandes espadachins, não lhe dei a tintureira, não lhe dei meu revólver, não saí galopando a seu lado rua abaixo. Nada, nada, nada; somente o vi passar, tão desamparado, maltrapilho e tão bêbado, um pobre brasileiro e se perder na pesada ladeira da Princesa Isabel.
E ele se dizia o delegado. É porque ele só queria respeito. Porque tinha a autoridade de ser povo, pobre e embriagado. 

Depois eu o vi duas ou três vezes. Então, nunca mais reencontrei o Delegado. E acho, somente hoje descobri, que ele também era meu amigo, e tão corajoso e firme como Jerônimo ou Zorro. Afinal, eun e o Delegado vivíamos em mundos paralelos, universos imaginários e queríamos ajudar, prendendo bandidos. Naquele tempo além de querer prender bandidos, eu tinha outra paixão: queria ser arqueólogo, pensava em ir ao Egito e fazer grandes descobertas.  

Hoje penso no meu amigo Delegado, reduzido a uma réstia de lembrança. E agora me vem, não sem um certo temor e uma fisgada de angústia: acho que quando ergo minha voz nestes textos de internet também estou descendo alguma ladeira e grito como o louco sublime: "O delegado sou eu! O delegado sou eu!"


sexta-feira, 25 de novembro de 2011

O petardo da Operação Sinal Fechado

A vida pública brasileira tem a marca da corrupção. Nosso DNA social agregou historicamente esse tipo de comportamento como gesto naturalizado, essencial quase ao exercício da coisa pública. A Operação Sinal Fechado vem comprovar, pelo menos a priori, essa assertiva. O noticiário é farto e chega a ser estarrecedor.

É assim, em situações desse tipo, que o jornalismo mostra sua importância. Algo houve. Compete ao Ministério Público a apuração e ao jornalismo a serena mas firme cobertura dos fatos. O que foi divulgado chega bem próximo a uma trama de filme policial; pessoas, agentes públicos em aparente conluio para lucro imoral e indevido. 

E tudo seguindo uma lógica que se apoiou apenas na aparente adequação à legislação que define o trabalho do Detran: empresa devidamente registrada ganha concessão de prestação de serviços de inspeção veicular. O noticiario, porém, detalha como isso se deu, de forma a favorecer a Ispar, empresa para tanto certificada. 

A Justiça deve cumprir com o seu papel, o jornalismo deverá fazer o mesmo.  

Abaixo, matéria da Tribuna do Norte

TN denunciou irregularidades da inspeção veicular no RN

A TRIBUNA DO NORTE veiculou, entre janeiro e junho deste ano, uma série de reportagens sobre o processo de implantação do sistema de inspeção veicular.  No total, foram 22 publicações sobre o tema. A primeira reportagem foi publicada no dia 5 de janeiro, cinco dias antes do início das inspeções veiculares obrigatórias.

 Um dia após a primeira publicação, o Ministério Público baseou-se em uma denúncia feita por um leitor da TRIBUNA DO NORTE, questionou a legalidade do processo licitatório. Os promotores identificaram 15  irregularidades nos documentos que originaram o certame e a consequente vitória do Consórcio Inspar. A Procuradoria Geral do Estado foi acionada pela governadora Rosalba Ciarlini para analisar a documentação encaminhada pelo Ministério Público. No mesmo dia, a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público recomendou a suspensão da licitação à chefe do Executivo Estadual.

CANCELAMENTO

A governadora Rosalba Ciarlini adotou as recomendações do Ministério Público e, em seguida, da Procuradoria Geral do Estado e suspendeu, no dia 8 de janeiro, a inspeção veicular por 45 dias inicialmente. Em fevereiro, o processo licitatório foi totalmente suspenso, após relatório da Procuradoria Geral do Estado corroborar a identificação das irregularidades apontadas pelo Ministério Público e, ainda, identificar mais transgressões à Lei de Licitações e à própria Lei 9.270/2009.

 A anulação oficial, porém, só foi publicada no Diário Oficial do Estado no dia 28 de maio. O Consórcio Inspar recorreu e entrou com um processo que ainda tramita na Justiça do Rio Grande do Norte.

Cronologia

Janeiro de 2011

Quarta-feira (5)

A TRIBUNA DO NORTE publica a primeira reportagem abordando o valor que seria arrecadado pelo Consórcio no primeiro ano de funcionamento - R$ 81,6 milhões. Deste montante, nenhum centavo seria repassado ao Governo do Estado.

Sexta-feira (7)

Uma denúncia feita ao Ministério Público por um leitor da TRIBUNA DO NORTE, fez com que o procurador-geral de Justiça, Manoel Onofre Neto, convocasse uma reunião com os promotores para a discussão do tema que teve ampla repercussão. A legalidade do processo seria avaliada.

Sábado (8)

Dois dias antes do início das inspeções, a governadora Rosalba Ciarlini adotou recomendações do Ministério Público e Procuradoria Geral do Estado e suspendeu, àquela época, a inspeção veicular por 45 dias. Os órgãos verificaram indícios de irregularidades na forma como o Plano de Controle de Poluição Veicular (PCPV), havia sido implementado no Estado.

Fevereiro de 2011

Quinta-feira (3)

O Ministério Público Estadual ajuizou ação civil pública com cópia de pedido de tutela antecipada contra os órgãos envolvidos na inspeção veicular. Os promotores solicitaram a anulação do processo licitatório que originou o contrato entre o Consórcio Inspar e o Governo do Estado.

Terça-feira (8)

O Consórcio Inspar pagou publicidade na imprensa local para anunciar que havia contratado o advogado José Augusto Delgado para atuar na defesa da concessionária. Delgado é ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça.

Quinta-feira (10)

Cancelado o contrato entre a Inspar e o Governo Estadual. A governadora Rosalba Ciarlini analisou a recomendação da Procuradoria Geral do Estado em Brasília e decidiu acatar as sugestões do então procurador-geral, Miguel Josino Neto.

Quarta-feira (23)

Confirmada a suspensão do contrato. A juíza Valéria Maria Lacerda Rocha, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Natal determinou a suspensão imediata do contrato de concessão de serviços de inspeção veicular. A medida foi baseada na documentação apresentada pelo Ministério Público.


 

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A violência trafega nas ruas de Natal: os bandidos dizem que é o PCC...

Natal viveu hoje sete ataques de criminosos a ônibus. Houve tentativa de incêndio aos veículos, passageiros aterrorizados. Depois de tudo isso, vejo na InterTV Cabugi o secretário de Segurança, Aldair Rocha, dizer que todos devem ficar tranquilos, que está tudo bem e parará, parará, parará... Ao ouvir a declaração pensei estar alucinado. Ou o inverso: estar o secretário alucinado. 

Após constatar que não estava louco, comecei a pensar que o secretário poderia estar ingressando em tal patamar. Sim, porque somente um alucinado, alguém que habite o mundo dos sonhos, espera viver tranquilo numa cidade onde ocorrem ações criminosas violentas, todas praticadas a partir de uma mesma matriz, sem que houvesse por perto qualquer aparelhamento policial para retaliar à altura.
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Num dos assaltos os bandidos picharam no ônibus as iniciais PCC, alusão a suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital, facção criminosa cuja alusão faz tremer. O Secretário disse que tal ligação não existe. Espero que sim, que tenha sido apenas uma atitude discursiva dos criminosos, voltada para aterrorizar Natal, uma vez que é conhecida a truculência, ferocidade e crueldade com que age o PCC no eixo Rio-São Paulo.

Agora, uma coisa é certa: os criminosos agiram sob certeza de que durante os assaltos não haveria polícia que os enfrentasse. Todos sabemos disso, os bandidos também: Natal é uma cidade despoliciada. Você costuma ver - ver com frequência, quero dizer - viaturas policiais nas ruas? Eu não. Foi apostando nisso que os grupos armados caíram em campo. 

Nós não temos uma política de segurança pública. A polícia é desequipada e desmotivada, seja pelos baixos salários, seja pela falta de apoio logístico. Não há dinheiro para garantir à polícia uma ação plena, cotidiana, diuturna. 

Devo dizer, todavia, que aplaudo a prisão de três suspeitos, conforme anunciou o Secretário, detalhando que estavam sob interrogatório. Foi uma forma de demonstrar agilidade e eficácia na reação. Mesmo assim insisto: deveria haver um plano de policiamento permanente. Isso daria aos grupos armados a sensação de insegurança às suas ações. A mesma sensação de insegurança que sentimos quando saímos às ruas e pensamos entre dentes: "Será que vou dar de cara com um assaltante?"


quarta-feira, 29 de junho de 2011

O crme do Vectra prateado

Não se vende uma menina

A elegante mulher desceu do carro prateado, deixou o motor ligado, foi até a favela do Maruim e parou aquele mundo de dor e lama: ali ninguém entendia o que uma senhora tão distinta, tão bonita, tão fina, fazia em meio a tanta pobreza, sujeira, lodo. Simples: ela procurava Dona Maria Oduvalda, até que ouviu: “Está falando com ela.” Sem esperar mais um segundo a mulher sacou uma pequena pistola da bolsa, mirou a mulher e acertou-a no meio da testa. 
A assassina correu, enquanto todos ficavam paralisados. Entrou no carro e fugiu. O crime do Vectra prateado, como o caso ficou conhecido, abalou Natal não apenas pelo fato em si, mas pelo envolvimento dos personagens, o confronto social, a elegância criminosa e a miséria ofendida, indefesa e morta.

Alguém anotou a placa? Não, ninguém anotara a placa, tal o pandemônio estabelecido na favela do Maruim. Mas na cidadde somente se falava na bela e seu Vectra fulminante. Passaram-se 15 dias, os jornais quase não tinham mais títulos para continuar segurando o assunto, até que ela pegou o telefone e ligou para o Delegado Eudóxio: “Doutor, amanhã vou me apresentar ao senhor. Matei aquele mulher. Não, não, não pergunte o meu nome. Apenas me espere às três da tarde que irei, sem escolta e sem medo, a seu gabinete.”

Dia seguinte, no horário aprazado, a elegante mulher chegou à Delegacia e foi direto à sala do delegado Eudóxio. Ele: “E então, por que a senhora matou aquela pobre mulher?” Ela disparou resposta aguda como lâmina de florete: “Matei porque ela era minha mãe.”

“Como?”, disse o delegado, que quase saltou da cadeira. Como seria possível que aquela mulher, finíssima, fosse filha de uma velha miserável, moradora da favela do Maruim? Ela explicou: a velha Oduvalda, viciada em álcool e faminta, a havia vendido ainda bebê a uma respeitável família natalense, família rica, porém impossibilitada de ter filhos. 

Oduvalda, bonita à época, disputada por todos os cafajestes da área, havia conseguido um bom dinheiro com a venda da criança e gastou todo ele em cachaça.

“Mas ela não lhe fez um bem? Não é hoje a senhora uma mulher rica, educada, bem de vida, tranqüila até o último dos seus dias?”, quis saber o delegado.

“Sim; mas não se vende  uma menina." Apontou a pistola para o delegado. E disparou.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Vejo, estarrecido, na Folha, que o governo de São Paulo acredita que, fechando delegacias, vai diminuir a criminalidade e acentuar a eficiência da segurança pública. Acho que tem gente, no governo, lendo Kafka demais. Leia a matéria:

SP reestrutura polícia e fecha delegacias

Pacote inclui fechamento de distritos policiais em cidades pequenas, onde a PM cuidará dos casos menos graves

Objetivo, segundo o governo, é otimizar o emprego dos recursos públicos e melhorar a qualidade do serviço

ROGÉRIO PAGNAN
DE SÃO PAULO
VENCESLAU BORLINA FILHO
DE RIBEIRÃO PRETO

O governo de São Paulo deu início a um pacote de mudanças na estrutura da segurança pública no Estado que deve afetar praticamente todas as 645 cidades paulistas e a forma de trabalhar das duas polícias estaduais.
A "reengenharia" do governo prevê o fechamento de delegacias nas cidades com menos de 10 mil habitantes e a aglutinação de distritos nas cidades de maior porte, o que inclui a capital.
Nas cidades pequenas, 43% dos municípios paulistas, a PM vai registrar boletins de casos de menor gravidade -que dispensam ação imediata dos investigadores.
Policiais civis que ficarão nas grandes cidades serão acionados quando houver crimes mais graves, como homicídios e flagrantes.
A reestruturação prevê a criação de polos -como se fossem superdelegacias- para atender a população.
Com o fechamento de pelo menos 96 delegacias no interior, 279 cidades ficarão sem unidades da Polícia Civil. O governo quer completar as mudanças até o final do ano.
"Há cidades que registram 80 ocorrências num ano", disse o delegado-geral, Marcos Carneiro Lima. "Isso não significa que elas deixarão de ser prestigiadas."
O plano incluiu a transferência do Detran para a Secretaria de Gestão Pública e a transferência de 1.349 policiais do órgão para a pasta da Segurança Pública.
O objetivo do governo, é otimizar o emprego dos recursos públicos e melhorar a qualidade do serviço de seus 35 mil policiais civis.
O governo iniciou a reestruturação em pelo menos 12 cidades. São João da Boa Vista, por exemplo, com 83 mil habitantes, ficará com apenas uma das seis delegacias existentes. Até agora, quatro já foram fechadas, inclusive a Delegacia da Mulher.


REGISTRO INTEGRADO Dentro dessa "reengenharia", o policial militar passará a registrar ocorrências num sistema integrado que os delegados acessarão.

Segundo o comandante da PM, coronel Álvaro Camilo, "num futuro próximo", todos os policiais militares registrarão BOs no carro oficial.

O presidente do Sindicato dos Delegados, Jorge Melão, disse ser favorável à aglutinação. Para ele, a instalação de delegacias nunca havia atendido critérios técnicos.
"Agora, sobre a falta de policiais, não resta outra alternativa a não ser contratar mais", disse.
O governo agora tenta convencer lideranças políticas e a sociedade da importância dessas mudanças. "Vamos fazer um trabalho de convencimento e de conscientização. Todos vão ganhar", disse Carneiro.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Estado não paga aluguel de carros; polícia fica a pé

Deu na Tribuna:

As viaturas das polícias Civil e Militar do Rio Grande do Norte que foram adquiridas por contrato de locação com a empresa pernambucana Locação de Veículos e Serviços Ltda (LOCAVEL) começaram a ser recolhidas desde ontem por falta de pagamento. O Governo do Estado está devendo R$ 3 milhões de reais pelo aluguel de 340 viaturas. Só ontem, cerca de 20 carros já estavam recolhidos. São dois contratos diferentes de locação que estão atrasados há cinco e oito meses.
cedidaViaturas recolhidas em Mossoró por falta de pagamentoViaturas recolhidas em Mossoró por falta de pagamento
De acordo com o gerente de transportes da Locavel no Rio Grande do Norte, Wagner Douglas, a decisão de reter as viaturas alugadas vinha sendo anunciada para o Governo do RN há vários meses. “Nós tentamos, por várias vezes, tentar resolver o problema de outra maneira, mas não conseguimos. Eles (representantes do Governo) nos davam previsões de pagamento, mas não era cumprido e chegamos a esse quadro delicado. São cerca de R$ 3 milhões em atraso. Nós ficamos numa situação muito delicada e essa foi a única saída que encontramos para essa questão”, justifica Wagner.
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Veja a situação a que chegamos: viaturas policiais recolhidas por falta de pagamento de aluguel. Isso revela a fragilidade do aparelho estatal de segurança. A solução pareceu ser a melhor, contratar o uso de carros, mas revelou-se um desastre. É uma situação séria, dramática até: a polícia sem ter carros para trabalhar. 

Uma coisa me chama a atenção: os jornais deveriam pautar matérias mostrando o parque de viaturas do Estado. Saber como esse material é administrado, quantos carros existem, sua conservação e uso no serviço, uso indevido por funcionários. 

Por trás da absurda situação da polícia há, sem dúvida, um abismo cuja profundidade precisa ser conhecida.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

A cidade, cidadão, são as pessoas

Ontem houve um minúscula mobilização contra o aumento das passagens de ônibus. Isso se deve a uma coisa chamada indiferença: ausência de conscientização quanto à cidadania explorada. O indiferente coonesta sua própria exploração seja porque se acostumou com a canga que já não lhe pesa tanto, seja porque delega aos Poderes a resolução de seus problemas. E os Poderes, como se sabe, estão apodrecidos e letárgicos, seus inquilinos distantes e impregnados, embebidos, untados de preguiça física e moral para o exercício de ação em prol da cidade. Cidade, aqui, em seu sentido de polis, de comunhão de intenções e propósitos.

A cidade, meus amigos, são as pessoas, a relação invisível que as une, o Conselho, o coletivo. Quando não há essa união não há a cidade. Consequentemente, não há cidadania. E assim, que falem o silêncio e os que se arrogam, pela concessão que o silêncio lhes dá, de ser portadores da voz que se calou.

E como a voz se calou tudo já está dito, consagrado e sagrado à condição de coisa feita, acabada e perfeita. Vivemos o melhor dos mundos. Na Foto do Portal Nominuto, de autoria de César Augusto, alguns dos poucos manifestantes. 

Sim, pelo que vi passando nas imediações do Midway, havia, além dessa minúscula manifestação, a presença do Poder. O Poder compareceu, não se omitiu por completo. Havia policiais militares pesadamente armados e um enorme rotweiller...

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Saiba porque a Polícia Militar cede soldados ao Tribunal de Justiça e à Igreja


Explicando a manchete: no Tribunal de Justiça os policiais têm aulas a respeito do que seja praticar o bem e respeitar a lei a fim de melhor servir à sociedade; na Igreja, aprendem as mais novas orações, rezas fortes, para nos livrar dos perigos deste mundo.

domingo, 28 de novembro de 2010

A pergunta que fiz em matéria anterior questionava onde estariam os bandidos, já que não houve o monumental confronto previsto. A resposta, pelo que pude entender, seria a seguinte: os marginais estariam escondidos em casas, mantendo as pessoas como reféns. A polícia fará revista casa a casa.

Em mais alguns minutos o hasteamento das bandeiras do Brasil e do Rio de Janeiro. A Rede Globo está a cerca de 20 quilômetros de distância de onde haverá o hasteamento, mas a cobertura é possível com o uso de lentes poderosas. Magnífico trabalho. Veja em
http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/rio-contra-o-crime/ao-vivo.html
No endereço http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/rio-contra-o-crime/ao-vivo.html você acompanha ao vivo a cobertura da ocupação do Complexo do Alemão pela Rede Globo. Excelente trabalho. Veja. (EB)

Imagens ao Vivo da ocupação do complexo do Alemão

sábado, 27 de novembro de 2010

Abaixo, a crônica da zona de tiro no Rio. E uma seleção de fotos do conflito.

Bandidos regem e confronto bate resistência do tráfico (Sérgio Morais)
Leviatã chegou: Apocalipse now para o crime no Rio
Emanoel Barreto

Leviatã chegou às ruas do crime no Rio. A mão pesada do Estado finalmente se fez sentir, implacável e necessária, sobre aqueles que aterrorizavam aquela infeliz metrópole.

Estava na hora daquela gente bronzeada mostrar seu valor: e em meio a tiros, explosões e presença firme do Poder, com apoio pessoal do presidente Lula, os criminosos estão finalmente em desvantagem.

Leviatã chegou. O Apocalipse dos bandidos parece ter soado. Não é o momento de recuar. Não é um confronto entre exércitos; é um combate contra um magote de homicidas armados e perigosos.

Leviatã chegou. A ofensiva contra os bandidos homiziados no Complexo do Alemão terá, neste final de semana, contornos mais intensos e dramáticos, é o que dizem as informações. Teme-se também que agressões sejam feitas nas ruas para tentar aterrorizar a população neste sábado/domingo.
Policial do Bope patrulha em área de conflito (Fernando Bizerra)

Nos jornais diz-se que os homicidas querem "negociar" antes que as tropas invadam e dominem por completo o Complexo do Alemão. Não é mais o tempo para isso. As tropas das Forças Armadas e da Polícia não podem, sob pena de pôr tudo a perder, acatar essa "negociação". Os resultados psicossociais seriam pesadíssimos e permitiriam à hidra o renascimento de muitas cabeças em pouco tempo.

Soldado do Exército (Antonio Scorza)

Clima de perplexidade tomaria conta das pessoas honradas que vivem naquela área: "Quer dizer que nos fizeram passar por tudo isso, ficar entre dois fogos, morrermos, para, no fim, entregar aos bandidos a vitória moral desse confronto?" - essa seria a grave indagação a percorrer a espinha dorsal arrepiada da opinião pública local e de todo o país.

A tragédia brasileira nos levou a tal situação. A omissão das elites, em sua busca de lucro sem limite e sem senso de consequencias históricas, permitiu o surgimento desse quadro de calamidade. Mas, objetivamente, temos um dado desolador de violência dos criminosos e, diante disso, não é possível contemporizar.

Simplesmente, não dá mais para conviver com tal estado de coisas. E, sendo assim, pelas mãos do presidente Lula, Leviatã chegou.

Jamais se vira tamanha e tão bem organizada atuação do Estado. Os criminosos estão acuados. E vão perder. Leviatã chegou.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Leio na Folha e compartilho:

Rio, Brasil

Janio de Freitas
JÁ FIZERAM com os passageiros de ônibus, há pouco tempo, agora repetem com os de uma van: jogam a gasolina e tocam fogo sem esperar que os passageiros desçam. Desta vez, quatro não conseguiram sair antes de sofrer consequências do incêndio. É possível entender esse grau de perversidade?


Doze mortos. Um horror, como um confronto em qualquer frente de combate militar, mas ocorrido na região da velha e tão cantada Penha.


Já ontem mesmo, "especialistas" -como agora se diz à vontade na imprensa- criticaram a violência mortífera da polícia. Têm razão quanto à violência e à adjetivação, mas se calaram antes de dar resposta a uma pergunta. Denúncias levaram à busca de alguns dos incendiários, que receberam a polícia a bala e se deu o longo combate. Como deveriam ser buscados?


Os bandos de criminosos armados já ultrapassaram há muito tempo as condutas da marginalidade voltada para o assalto, o roubo, o latrocínio, a fuga ao cerco ocasional.


E, sem rapapés, a verdade simples é que os bandos do crime bem armado já não deixam margem alguma para serem enfrentados com padrões menos bárbaros do que os seus próprios.


A urbanização de favelas, a melhoria de suas casas, as Unidades de Polícia Pacificadora, tudo isso é humanamente necessário, está bem feito onde foi feito e não deve parar. Mas, no seu aspecto de correção e prevenção de tendências a condutas marginais, começou muito tarde. A dimensão quantitativa e de criminalidade a que os bandos armados chegaram não permite, a esta altura, a espera pelos resultados do trabalho de reparação nas áreas contaminadas.


Será penoso, mas, sem ter pensado em tempo na reação aos governantes que fizeram de nossas cidades o que elas são, pelo visto estamos destinados a ir aceitando, cada vez mais, até que já nos seja indiferente, a solução mortífera como solução para nossa mínima segurança.


...
Está coberto de razão o jornalista. Não há como enfrentar esses criminsos, a não ser em cadeia de ação e reação. Firme e direta. Os bandidos estão organizados, atuam como terroristas, matam e traficam ante os olhos de uma sociedade que cada dia fica mais a ser sua refém.

A sociedade brasileira permitiu, pelas suas classes dominantes, que chegássemos a tal situação. Agora o governo do Rio faz, tardiamente, ação social nos amibientes de favela. Ação digna de crédito, urgente e necessária, diga-se. Mas, infelizmente, há um lado que assumiu o crime como forma de vida. Uma minoria, entenda-se, mas a cujos atos o cidadão dito comum está exposto, de forma cruel e vergonhosa.

O Estado tem sim obrigação de enfrentar a bala esses criminosos. É preciso apertar o cerco e aplicar, em todo o país, uma política de segurança pública. Existe, suponho, a possibilidade de que o crime entre em fase de migração do Rio e São Paulo para outros estados, uma vez que a ação da polític parece ter tornado insuportável sua sobrevivência naquelas cidades.

Os malfeitores são organizados, têm dinheiro e inteligência suficiente para perpetrar essa migração. Cabe agora uma ação federal, abrangente e forte, a fim de coibir que tais pessoas venham infernizar a vida de quem só deseja viver em paz.
Foto: http://tudoglobal.com/files/2010/11/Viol%C3%AAncia-no-Rio.jpg

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Terrorismo sem terroristas
Emanoel Barreto

As ações de extrema violência de criminosos no Rio de Janeiro parecem indicar que os bandidos estão a perder espaço e assim partem para atos que começam a se assemelhar aos de terroristas. Só falta começarem a explodir bombas em supermercados.

É que os bandidos não lutam contra a ordem em seu plano ideológico, não a contestam em sua matriz essencial. Antes, e apenas isso, tentam preservar seu naco de mercado: garantia de que continuarão o tráfico e certeza de impunidade aos assaltos.

Ou seja: de alguma forma reproduzem a ordem, uma vez que agem movidos pelo mesmo espírito capitalista que rege o sistema. Por isso não são assemelhados juridicamente a terroristas e como tal combatidos.

De qualquer forma as autoridades, agora quando se inicia um aparente ciclo virtuoso de vitórias, precisam manter o cerco e amplir as ações sociais onde os criminosos detinham o mando.

É preciso manter um aparelho policial amplo e de ações intensas, garantindo ao cidadão o direito de ir e vir. Pelo menos isso. É preciso também retirar da corporação policial sua banda pobre, os corruptos, os algozes; de farda ou não,  fim de que esse serviço público cumpra com suas finalidades.
Foto: http://www.google.com/imgres?

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Uma história de rua

Tinha uma pedra no meio do caminho
Emanoel Barreto

Tinha uma pedra - de crack - no meio do caminho.
No meio do caminho tinha uma pedra - de crack - e era só o meio do caminho.

Tinha também uma bala no fim do caminho e, antes, uma pedra - de crack - no meio do caminho.
Houve um tiro no meio do caminho e aí foi o fim do caminho.

Imagem: http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://saopaulosemalckmin.files.wordpress.com/2010/05/crianca-fumando-crack-no-rj-_-foto-o-globo2.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Encontrei a informação no Extra Online e compartilho:

Tropa de elite 2: PM corrupto no primeiro longa volta como miliciano


Sandro Rocha, um sargento no primeiro longa, vira major e miliciano

Não foi só o Capitão Nascimento (Wagner Moura) que subiu de posto na “Tropa de elite” comandada por José Padilha. Autor da frase “quem quer rir tem que fazer rir” no primeiro longa, o Sargento Rocha também ganhou nova patente: deixou de cuidar dos assuntos burocráticos do batalhão da PM e virou major. E não só isso: na sequência da história, que estreia dia 8, ele ganha o apelido de Russo e será um chefe de milícia.
 
— Russo não é mole, não. É um miliciano sanguinário, consegue tudo o que quer por meio da força, da imposição — adianta o ator Sandro Rocha, que por obra do destino repete o personagem em “Tropa de elite 2”: — Sempre achei que tinha alguma coisa guardada para mim desde o primeiro filme. Na verdade, agora, eu faria um dos homens do Russo, o chefe da milícia, mas o ator que o interpretaria teve um problema. O Zé Padilha (diretor) resolveu abrir um teste para mim. Passei e veio a calhar, não é? Estou dando continuidade ao papel que fiz lá atrás.

Morador do Lins, Sandro, de 36 anos, sofreu maus bocados para atuar em “Tropa 2”, filmado de dezembro de 2009 a abril deste ano.

— Não passei por esse trabalho sem consequências na vida pessoal. Russo é barra pesada, sempre em meio a tiros... Eu chegava em casa muito brutalizado, numa energia negativa. Discutia com a minha mulher, vivia nervoso, tenso... Isso tudo só foi acabar junto com o fim das filmagens.

Além da preparação com o elenco, Sandro fez questão de aprender sobre milícia com quem entende do assunto.

— Conversei com amigos policiais que estão acostumados a conviver com isso e puderam me dar dicas. Falei também com duas pessoas ligadas à milícia, que me explicaram como tudo funciona.