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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Administradores da desgraça 

Veja o que as "autoridades" dizem a respeito daquela fuga de Alcaçuz. As declarações roçam a boçalidade, como se fôssemos todos uns loucos ou bobos alegres. Admitem-se as falhas, a incompetência, a triste situação a que estamos atirados. Fica a nítida impressão de que estamos entregues a um magote, a uma tola congregação de adminstradores do caos e da desgraça.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A violência trafega nas ruas de Natal: os bandidos dizem que é o PCC...

Natal viveu hoje sete ataques de criminosos a ônibus. Houve tentativa de incêndio aos veículos, passageiros aterrorizados. Depois de tudo isso, vejo na InterTV Cabugi o secretário de Segurança, Aldair Rocha, dizer que todos devem ficar tranquilos, que está tudo bem e parará, parará, parará... Ao ouvir a declaração pensei estar alucinado. Ou o inverso: estar o secretário alucinado. 

Após constatar que não estava louco, comecei a pensar que o secretário poderia estar ingressando em tal patamar. Sim, porque somente um alucinado, alguém que habite o mundo dos sonhos, espera viver tranquilo numa cidade onde ocorrem ações criminosas violentas, todas praticadas a partir de uma mesma matriz, sem que houvesse por perto qualquer aparelhamento policial para retaliar à altura.
http://www.google.com.br/imgres?q=pcc&hl=pt-BR&safe=off&client=firefox

Num dos assaltos os bandidos picharam no ônibus as iniciais PCC, alusão a suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital, facção criminosa cuja alusão faz tremer. O Secretário disse que tal ligação não existe. Espero que sim, que tenha sido apenas uma atitude discursiva dos criminosos, voltada para aterrorizar Natal, uma vez que é conhecida a truculência, ferocidade e crueldade com que age o PCC no eixo Rio-São Paulo.

Agora, uma coisa é certa: os criminosos agiram sob certeza de que durante os assaltos não haveria polícia que os enfrentasse. Todos sabemos disso, os bandidos também: Natal é uma cidade despoliciada. Você costuma ver - ver com frequência, quero dizer - viaturas policiais nas ruas? Eu não. Foi apostando nisso que os grupos armados caíram em campo. 

Nós não temos uma política de segurança pública. A polícia é desequipada e desmotivada, seja pelos baixos salários, seja pela falta de apoio logístico. Não há dinheiro para garantir à polícia uma ação plena, cotidiana, diuturna. 

Devo dizer, todavia, que aplaudo a prisão de três suspeitos, conforme anunciou o Secretário, detalhando que estavam sob interrogatório. Foi uma forma de demonstrar agilidade e eficácia na reação. Mesmo assim insisto: deveria haver um plano de policiamento permanente. Isso daria aos grupos armados a sensação de insegurança às suas ações. A mesma sensação de insegurança que sentimos quando saímos às ruas e pensamos entre dentes: "Será que vou dar de cara com um assaltante?"


sexta-feira, 18 de março de 2011

Vejo, estarrecido, na Folha, que o governo de São Paulo acredita que, fechando delegacias, vai diminuir a criminalidade e acentuar a eficiência da segurança pública. Acho que tem gente, no governo, lendo Kafka demais. Leia a matéria:

SP reestrutura polícia e fecha delegacias

Pacote inclui fechamento de distritos policiais em cidades pequenas, onde a PM cuidará dos casos menos graves

Objetivo, segundo o governo, é otimizar o emprego dos recursos públicos e melhorar a qualidade do serviço

ROGÉRIO PAGNAN
DE SÃO PAULO
VENCESLAU BORLINA FILHO
DE RIBEIRÃO PRETO

O governo de São Paulo deu início a um pacote de mudanças na estrutura da segurança pública no Estado que deve afetar praticamente todas as 645 cidades paulistas e a forma de trabalhar das duas polícias estaduais.
A "reengenharia" do governo prevê o fechamento de delegacias nas cidades com menos de 10 mil habitantes e a aglutinação de distritos nas cidades de maior porte, o que inclui a capital.
Nas cidades pequenas, 43% dos municípios paulistas, a PM vai registrar boletins de casos de menor gravidade -que dispensam ação imediata dos investigadores.
Policiais civis que ficarão nas grandes cidades serão acionados quando houver crimes mais graves, como homicídios e flagrantes.
A reestruturação prevê a criação de polos -como se fossem superdelegacias- para atender a população.
Com o fechamento de pelo menos 96 delegacias no interior, 279 cidades ficarão sem unidades da Polícia Civil. O governo quer completar as mudanças até o final do ano.
"Há cidades que registram 80 ocorrências num ano", disse o delegado-geral, Marcos Carneiro Lima. "Isso não significa que elas deixarão de ser prestigiadas."
O plano incluiu a transferência do Detran para a Secretaria de Gestão Pública e a transferência de 1.349 policiais do órgão para a pasta da Segurança Pública.
O objetivo do governo, é otimizar o emprego dos recursos públicos e melhorar a qualidade do serviço de seus 35 mil policiais civis.
O governo iniciou a reestruturação em pelo menos 12 cidades. São João da Boa Vista, por exemplo, com 83 mil habitantes, ficará com apenas uma das seis delegacias existentes. Até agora, quatro já foram fechadas, inclusive a Delegacia da Mulher.


REGISTRO INTEGRADO Dentro dessa "reengenharia", o policial militar passará a registrar ocorrências num sistema integrado que os delegados acessarão.

Segundo o comandante da PM, coronel Álvaro Camilo, "num futuro próximo", todos os policiais militares registrarão BOs no carro oficial.

O presidente do Sindicato dos Delegados, Jorge Melão, disse ser favorável à aglutinação. Para ele, a instalação de delegacias nunca havia atendido critérios técnicos.
"Agora, sobre a falta de policiais, não resta outra alternativa a não ser contratar mais", disse.
O governo agora tenta convencer lideranças políticas e a sociedade da importância dessas mudanças. "Vamos fazer um trabalho de convencimento e de conscientização. Todos vão ganhar", disse Carneiro.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2: agora o Capitão Nascimento bate em político ladrão
Emanoel Barreto

O senso comum aplaude e vibra com as ações violentas do Capitão Nascimento contra bandidos e quejandos. Os "quejandos" aqui serão os políticos corruptos a serem por ele atacados nas telas do Brasil inteiro, em Tropa de Elite 2. O personagem é um ente simbólico autênticamente brasileiro, superando em muito seus similares estrangeiros.

Isso prova que é possível fazer bons filmes nacionais, especialmente se focados na nossa realidade. Mas o que abordo não é a questão da nossa produção no setor, mas o Capitão Nascimento como uma espécie de avatar do que sente o brasileiro em relação aos criminosos. Ele personifica a indignação frente à ação desenvolta dos bandidos, a crueldade destes, a agressão às pessoas indefesas, o crime como meio de vida.

O segundo filme está também baseado no princípio de ação/reação. Ação dos criminosos, reação da polícia. Então, vem aí a catarse, o soco no ar, a alegria rude despertada nas salas de cinema a cada gesto e ato do personagem em sua luta contra o crime.

Abaixo, um texto que li na Folha e compartilho:

Corajoso, "Tropa de Elite 2" traz tudo aquilo e mais um pouco



IVAN FINOTTI
EM PAULÍNIA


Um filme corajoso, com uma história mais violenta e mais complexa. Eis um possível resumo de "Tropa de Elite 2", a continuação da luta do Capitão Nascimento por um Rio de Janeiro livre do tráfico de drogas.

A pré-estreia aconteceu nesta terça-feira à noite, em Paulínia, cidade vizinha a Campinas, para uma plateia formada pela equipe e elenco do filme, distribuidores, patrocinadores, políticos locais, gente do cinema em geral, jornalistas e críticos vindos de todo o Brasil.

Aplaudido várias vezes durante a exibição -- especialmente quando o Capitão Nascimento surra sem dó nem piedade um deputado safado --, "Tropa de Elite 2" é corajoso por não repetir a fórmula do filme anterior.

Em vez disso, o diretor José Padilha foi além. Estão lá as pancadarias, os tapas na cara, o saco de plástico para sufocar o traficante. Estão lá o Capitão "Rambo" Nascimento, as traições, a corrupção. Mas tudo corta mais fundo nesta continuação: políticos se unem aos policiais corruptos numa constante luta para se dar bem.

Em um prólogo que se passa quatro anos antes de agora (mas, mesmo assim, depois do filme original), acompanhamos a saída de Nascimento da chefia do Bope.

Chegamos então aos dias de agora, quando o herói é subsecretário de segurança pública do Rio de Janeiro. Está separado da mulher e seu filho é um adolescente. Entre seus adversários, está um deputado do bem, defensor dos direitos humanos, mas que não entende a linguagem da violência das ruas.

Na secretaria, Nascimento parece ganhar a guerra contra as drogas, mas não percebe que policiais do mal tomam o lugar dos traficantes nas favelas e passam a controlar os locais, aterrorizando os moradores. São as milícias, e essa é a nova luta do ex-capitão.


Será que ele vai vencer mais essa? Isso você não vai saber aqui, mas sim a partir desta sexta-feira nos cinemas.