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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Vejo no Observatório da Imprensa e compartilho.

O Estadão vai à guerra

Por Luciano Martins Costa em 21/09/2011 na edição 66
Comentário para o programa radiofônico do OI, 21/9/2011
Sob um silêncio constrangedor de seus pares, o Estadão prossegue em rota de colisão com o Judiciário. Depois de duas reportagens claramente indignadas contra a decisão do Superior Tribunal de Justiça que anulou provas obtidas através de telefonemas gravados, no processo que envolve o empresário Fernando Sarney, o jornal paulista volta, sozinho, ao campo de batalha para expor o que pode ser um esquema de tráfico de influência na Justiça.

Nesta quarta-feira, 21, reportagem que ocupa a manchete do jornal informa que, para anular as provas contra o filho do senador José Sarney, a 6ª Turma do STJ bateu recordes de eficiência e celeridade.

O ponto central da reportagem leva a conclusões perigosas. Ao observar que, ao contrário de outros processos, o STF funcionou como uma instituição extremamente rápida e eficiente, o Estadão está afirmando, sem meias palavras, que os desembargadores demonstraram um empenho muito maior em livrar Fernando Sarney do que é o comum de sua rotina.
No caso Satiagraha, a anulação de provas levou um ano e oito meses e o relator estudou o processo por dois meses antes de apresentar seu parecer. No processo gerado pela chamada Operação Castelo de Areia, a anulação das provas demorou 2 anos e a relatoria demorou oito meses. Para chegar à conclusão de que as provas contra o filho de Sarney não são válidas, a Justiça levou apenas nove meses, o processo foi relatado em seis dias e dois juizes foram convocados para completar o quórum.

A reportagem informa ainda que um dos juizes convocados para completar a votação teve sua aprovação no Senado Federal acelerada pelo próprio presidente da Casa, José Sarney. Fontes consultadas pelo jornal indicam que o procedimento do STF não é comum.

Além disso, o Estadão afirma que a decisão de anular as provas contra Fernando Sarney foi tomada sem levar em conta um parecer do Ministério Público Federal e decisões de juizes de primeira instância, que haviam aceitado como prova o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) – que viu indícios de crime em três movimentações financeiras, no total de R$ 2 milhões, feitas pelo empresário e sua mulher.

O Estadão decidiu, claramente, abrir guerra contra certos setores do Judiciário. Os outros jornais fingem que não aconteceu nada.
***

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Kadafi é humano, profundamente humano

Vemos neste início de século 21 até que ponto a insânia pelo Poder, os grilhões do Poder aferrados à cabeça de um homem, produzem vitimas, espalham horror e promovem essa terrível manifestação de humanidade que é ser plenamente desumano: Muamar Kadafi personifica à perfeição o que digo.

É lamentável dizer, mas, ao visto, ser desumano é profundamente humano, historicamente humano.

Quando alguém toma a si o Poder e passa a ser ele próprio o Estado, então esse homem perverte o sentido o que seria humanidade como atitude ética, elevação, sentido de vida social. 

Louco de Poder, comprova, como Hitler, que é humano, muito humano matar, trucidar, tripudiar, fazer de tudo pelo Poder sob a alegação de que compre missão. É triste, mas é humano, profundamente humano.

Sobre a Líbia, diz o Estadão:

Protestos já deixaram 640 mortos na Líbia, dizem ONGs

Entre mortos estariam 130 soldados executados por oficiais após se recusarem a matar civis

AE - Agência Estado
Pelo menos 640 pessoas foram mortas nos protestos na Líbia contra o governo de Muamar Kadafi desde a semana passada, afirmou hoje a Federação Internacional pelos Direitos Humanos. O número é mais que o dobro do reconhecido pelo governo, de 300 mortos.


Segundo a federação, que reúne 164 organizações não governamentais, as cidades mais afetadas são a capital, Trípoli, onde já morreram 275 pessoas, e Benghazi, no leste da Líbia, onde os distúrbios deixaram 230 vítimas. O número foi divulgado pela chefe da federação, Souhayr Belhassen, em entrevista à agência France Presse.

Entre os mortos há "130 soldados que foram executados por seus oficiais em Benghazi por se recusarem a disparar nas multidões", disse ela. Belhassen, que lidera a federação sediada em Paris, afirmou que o número de baixas é baseado em fontes militares para a capital, Trípoli, e em relatos de grupos pelos direitos humanos para Benghazi e outros pontos do país.

O ministro das Relações Exteriores da Itália, Franco Frattini, disse hoje que uma estimativa realista era de que "cerca de mil pessoas" tenham sido mortas nos protestos, de acordo com a agência Ansa. Ontem, o governo de Kadafi admitiu 300 mortes nos protestos, incluindo 111 soldados. As informações são da Dow Jones.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

É isso: meia pesquisa basta para  bom entendedor
Emanoel Barreto

Para bom entendedor meia pesquisa basta. A tendência pró-Dilma há muito deixou de ser tendência e passou à condição de fato social cristalizado. Hoje, e quem informa é o Datafolha, ela seria eleita.

Acrescente-se a isso o fato de que a Folha anunciou escândalo na administração de Serra então governador, em episódio de aparente manipulação e conluio de empreiteiras para abocanhar espaços e ganhar dinheiro ilegalmente na construção do metrô de S.Paulo ao participar de um jogo de cartas marcadas. Antes da licitação já estava acertado quem seria "o vencedor".

Esse fato deverá ter alguma repercussão na próxima pesquisa, do Datafolha ou outro qualquer instituto setorial. Abaixo, matéria do Estadão sobre os resultados da pesquisa e constatação de que Lula continua a subir no conceito do brasileiro a respeito de sua administração.

Na terceira semana de campanha no segundo turno da eleição presidencial, a candidata Dilma Rousseff (PT) manteve a vantagem sobre José Serra (PSDB). Ela tem 49% das intenções de voto, e o tucano, 38%, segundo pesquisa Datafolha divulgada ontem.


Em relação à sondagem anterior, feita no dia 21, Dilma e Serra oscilaram para baixo - ela um ponto e ele dois. O número de indecisos passou de 6% para 8%.


Levando-se em conta apenas os votos válidos, a candidata do PT lidera por 56% a 44% - o mesmo índice revelado na semana passada.

A pesquisa capta os efeitos do último debate entre os presidenciáveis, realizado na noite de anteontem, na TV Record, e da polêmica sobre a agressão que Serra teria sofrido em uma caminhada no Rio de Janeiro.

Tanto o tucano quanto a petista levaram o episódio ao horário eleitoral. Serra acusou o PT de truculência e a campanha de Dilma expôs uma suposta "armação", segundo a qual o candidato teria simulado um ferimento na cabeça.

Geografia do voto

 A principal novidade em relação à pesquisa anterior é o fato de que, na Região Sudeste, a mais populosa do País, Dilma saiu da situação de empate técnico e assumiu a ponta, com 44% a 40%.

No Sul, onde lidera, Serra viu sua vantagem cair quatro pontos. Ele tem agora 48% (eram 50%) contra 41% (eram 39%).
No Nordeste, principal reduto da petista, a vantagem dela se manteve em 37 pontos, mas os dois candidatos oscilaram um ponto para baixo (de 65% para 64% e de 28% para 27%).

O Datafolha também mediu a aprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pela terceira semana consecutiva atingiu patamar recorde.

Agora, 83% dos entrevistados pelo instituto consideraram o governo ótimo ou bom. Houve oscilação positiva de um ponto em relação ao levantamento da semana anterior. A taxa dos que consideram a administração regular passou de 14% para 13%. O índice dos que veem a gestão como ruim ou péssima se manteve em 3%.





sábado, 9 de outubro de 2010

Estadão antecipa resultado de pesquisa feita pelo Grupo Folha

Datafolha confirma liderança de Dilma: 48% contra 41% de Serra

O Estadão antecipa resultado de pesquisa de intenção de voto e informa sobre sua edição de amanhã: Pesquisa Datafolha divulgada na edição de domingo, 10, do jornal 'Folha de S.Paulo' aponta a candidata do PT à Presidência da República com 48% das intenções de votos contra 41% de José Serra (PSDB). Em número de votos válidos (sem brancos, nulos e indecisos), Dilma tem 54% contra 46% de Serra. 4% dos eleitores afirmaram que irão votar em branco ou nulo e outros 7% estão indecisos.


Na pesquisa anterior, realizada entre os dias 1º e 2 de outubro, o instituto havia feito uma simulação para o segundo turno. Dilma aparecia com 52% dos votos totais contra 40% de Serra. 5% afirmaram que votariam em branco ou nulo e 3% estavam indecisos.

O Datafolha questionou também os eleitores de Marina Silva (PV), que teve quase 20 milhões de votos no primeiro turno, sobre a intenção de voto no segundo turno. 51% dos que votaram em Marina no primeiro turno declararam voto em Serra. Dila herda 22% dos votos de Marina. Na pesquisa anterior, a petista tinha 31% dos votos da candidata verde. Serra tinha 50% às vésperas do primeiro turno. O número de indecisos entre os verdes teve um aumento considerável, passando de 4% no primeiro turno para 18%.

O esforço da campanha de Serra, ao que parece, será baldado. Os números são suficientemente indicativos: Dilma estratificou seus resultados e a realidade que se supõe a partir dos números apurados o indica bem.

As pessoas que acompanham diariamente os jornais, seja pela internetpetista está passando por águas turbulentas. Não está. Há apenas essa sensação, passada pelos jornalões e revistas.

O excesso de informação a respeito de um assunto passa a ideia de supervalorização desse assunto, quando na realidade isso nem sempre ocorre. Em momentos como os vividos pelos mineiros emparedados no Chile isso pode corresponder à realidade, tal o drama existencial vivido por eles e de alguma forma experienciao pela população. É a proximidade afetiva que amplia os efeitos da comunicação.

No Brasil, com certeza as eleições não dominam a agenda pública, apesar de dela serem parte integrante, e parte muito importante. É que as eleições não estão ligadas a nenhum momento especial, como foi, por exemplo, a votação das Diretas-já. Na fase atual o processo eletivo se dá em ambiente de tranquilidade e nenhum dos dois candidatos tem em mente qualquer alteração profunda na vida nacional, estrutural ou conjunturalmente.

Os tucanos sabem disso, daí a necessidade de provocar fatos, criar situações, alarmar falsamente, a fim de sensibilizar, criar irritação social em torno de assuntos vazios, acontecimentos-nada, na busca do voto perdido.



Foto: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi1FATKLDpRtJ_k5Vp3nVe2S5dLinUVA1BE-oLLnLvbS5ri0GO-ylOSKdQ6olYoa4GKoicc60JpRFhyltAQWBzoxgYog4HK9iPtfPFFD8PioqL_u0mpyHti5wDZGPxGubuP-WkF4Q/s1600/serra+cara+feia.jpg



sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Transcrevo artigo de Leonardo Boff a respeito do processo eleitoral para a presidência da República. (EB)
 A mídia comercial em guerra




Leonado Boff*

Sou profundamente a favor da liberdade de expressão, em nome da qual fui punido com
o “silêncio obsequioso”pelas autoridades do Vaticano. Sob risco de ser preso e
torturado, ajudei a editora Vozes a publicar corajosamente o “Brasil Nunca Mais”
onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente fontes militares, o que
acelerou a queda do regime autoritário.

Esta história de vida me avaliza a fazer as críticas que ora faço ao atual
enfrentamento entre o presidente Lula e a midia comercial, que reclama ser tolhida
em sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de idéias e de
interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da
liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma
guerra acirrada contra o presidente e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale
tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.

Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando vêem seus
interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como famiglia
mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo o Brasil e manter sob
tutela a assim chamada opinião pública. São os donos do Estado de São Paulo, da
Folha de São Paulo, de O Globo, da revista Veja, na qual se instalou a razão cínica
e o que há de mais falso e chulo da imprensa brasileira. Estes estão a serviço de um
bloco histórico, assentado sobre o capital que sempre explorou o povo e que não
aceita um presidente que vem deste povo. Mais que informar e fornecer material para
a discussão pública, pois essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se
comporta como um feroz partido de oposição.

Na sua fúria, quase desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos,
editorialistas e analistas não têm o mínimo respeito devido à mais alta autoridade
do pais, ao presidente Lula. Nele vêem apenas um peão a ser tratado com o chicote da
palavra que humilha.

Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista. Custa-lhes
aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande tribulação dos filhos da
pobreza, chegasse a ser presidente. Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a
eles, os ilustrados, os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do
complexo de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande jogo
mundial. Para eles, o lugar do peão é na fábrica, produzindo.

Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma)
“a maioria dominante, conservadora ou liberal, foi sempre alienada,
antiprogresssita, antinacional e nãocontemporânea. A liderança nunca se reconciliou
com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria
que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes nem admirou seus serviços ao
país, chamou-o de tudo, Jeca Tatu, negou seus direitos, arrasou sua vida e logo que
o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação, conspirou para colocá-lo
de novo na periferia, no lugar que contiua achando que lhe pertence (p.16)”.

Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os pobres
que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles têm pavor do pobre
que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascedente como Lula.
Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar em
baixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o presidente de todos
os brasileiros. Isso para eles é simplesmente intolerável.

Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram conta
de que o Brasil mudou. Surgiram redes de movimentos sociais organizados, de onde vêm
Lula e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coronéis e de “fazedores de
cabeça” do povo. Quando Lula afirmou que “a opinião pública somos nós”, frase tão
distorcida por essa midia raivosa, quis enfatizar que o povo organizado e consciente
arrebatou a pretensão da midia comercial de ser a formadora e a porta-voz exclusiva
da opinião pública. Ela tem que renunciar à ditadura da palavra escrita, falada e
televisionada e disputar com outras fontes de informação e de opinião.

O povo, cansado de ser governado pelas classes dominantes, resolveu votar em si
mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no governo, operou uma
revolução conceptual, inaceitável para elas. O Estado não se fez inimigo do povo,
mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de
brasileiros. De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se
fizeram classe média baixa e de classe média baixa de fizeram classe média.

Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola, a
ganhar mais salário, em fim, a melhorar de vida.
Outro conceito inovador foi o desenvolvimento com inclusão social e distribuição de
renda. Antes, havia apenas desenvolvimento/crescimento, que beneficiava aos já
beneficiados à custa das massas destituidas e com salários de fome. Agora, ocorreu
visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias e a
esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no governo atual há um
déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas importa reconhecer que Lula foi
fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção dos mais
marginalizados.

O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora e de
mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que assiste,
assustada, o fortalecimento da soberania popular que se torna crítica, não mais
manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática do Brasil.
Vai ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta
abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos interesses das
classes opulentas e ao seu braço ideológico, que é a mídia comercial. A democracia
participativa escuta os movimentos sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST),
odiado especialmente pela Veja (que faz questão de não ver…), protagonista de
mudanças sociais não somente com referência à terra mas também ao modelo econômico e
às formas cooperativas de produção.

O que está em jogo neste enfrentamento entre a midia comercial e Lula/Dilma é a
questão: que Brasil queremos? Aquele injusto, neocolonial, neoglobalizado e no
fundo, retrógrado e velhista? Ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes
sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas, para construir um
Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes.

Esse Brasil é combatido na pessoa do presidente Lula e da candidata Dilma. Mas estes
representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a despeito das
má vontade deste setor endurecido da midia comercial e empresarial. A vitória de
Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construído com suor e sangue por
tantas gerações de brasileiros.

*Leonardo Boff é teólogo, filósofo, escritor e representante da Iniciativa
Internacional da Carta da Terra.




sábado, 25 de setembro de 2010

O Estadão, a pele de cordeiro e a filha de Serra
Emanoel Barreto

Deu na edição de hoje do Estadão: Em uma semana, a preferência dos eleitores pela petista Dilma Rousseff caiu de 58% para 55% dos votos válidos, enquanto os que optam pelo tucano José Serra aumentaram de 28% para 31%. Marina Silva (PV) tem 13% dos votos válidos. A candidata governista venceria no primeiro turno se a eleição fosse realizada hoje, segundo pesquisa Ibope/Estado/TV Globo.

Veja também:

A contagem dos votos válidos exclui nulos e em branco, além de indecisos. São esses os números que o Tribunal Superior Eleitoral divulgará na apuração oficial. Em relação ao total dos votos, Dilma oscilou de 51% para 50%, enquanto seu principal adversário subiu de 25% para 28%. O crescimento do tucano se deu sobre os eleitores indecisos - os que não sabem em quem votar caíram de 8% para 5%. 

Marina oscilou um ponto para cima, de 11% para 12%.
Há uma semana, a candidata do PT tinha 14 pontos porcentuais de vantagem sobre a soma dos adversários, no cálculo dos votos totais. Agora, essa diferença diminuiu para 9 pontos. Se a soma dos adversários ultrapassar o índice de Dilma, haverá segundo turno.
Na hipótese de uma segunda rodada eleitoral entre a petista e o tucano, ela é favorita: venceria por 54% a 32%.
...........
Não  é preciso ser expert em estudos estatísticos para perceber que o jornal dos Mesquita elabora uma tentativa de raciocínio que aparentemente é veraz e sólida em sua essência propositiva, quando na realidade é aquilo que se chama de falácia. Em outras palavras: é verdade que é mentira.

O pretenso  poder assertivo da falácia, todavia, se esboroa quando é visto a lupa: a candidata mantém a dianteira de forma absoluta, numericamente; a "soma" de votos dos outros candidatos é que estabeleceria a contestação a esse universo apurado; digo, a real e efetiva vantagem de Dilma e mantém. O resto é apenas isso, o resto.

É uma tentativa de afirmar que o trabalho da grande imprensa, Estadão integrando o topo da lista, teria surtido efeito. Contudo, contra fatos não há argumentos. Não vou entrar em análise do que seja um fato objetivamente nem se o fato é quem guia nossos sentidos em vez de ser por nós valorado enquanto tal. Apenas afirmo: o quadro instalado não indica qualquer variação suficientemente poderosa para aniquiliar a candidatura Dilma. Esse é o fato.

O próprio Estadão, apesar do esforço em contrário, quando alude à tal "soma" das intenções de votos dos adversários de Dilma, o admite: ela ganharia hoje e pronto. A elogiar, apenas a admissão de que o jornal está empenhado, como se fora sim partido político, na eleição de Serra. 

O anúncio está no editorial "Mal a evitar" ( http://www.estadao.com.br/noticias/geral,editorial-o-mal-a-evitar,615255,0.htm ), à maneira dos grandes jornais norteamericanos. A rigor isso não precisaria ser dito: qualquer análise de discurso o confirmaria. Mas, pelo menos, o jornal tirou a pele de cordeiro.

Antes que eu me esqueça: onde está a filha de Serra?
(Imagem http://picblow.com/pt/img/3295)

domingo, 19 de setembro de 2010

 Gordinhas preparam o 'orgulho fat'
Emanoel Barreto

 A ditadura da mulher magra estilizada, aquela que só existe nas revistas, aquela produzida a photoshop, começa a ser contestada. Mulheres de verdade, gordas, com celulite e estrias começam a se manifestar em processo de autoestima e enfrentamento ao sistema da indústria cultural que manipula a figura feminina. Leio esta matéria no Estadão e compartilho.


As gordinhas estão chegando


Desfiles só com modelos gordinhas, confecções de números grandes renovadas, revistas especializadas, blogs e site de moda para quem veste GG, calendário só com fotos de mulheres com curvas avantajadas e até campanha para que lojas coloquem em suas araras peças modernas com números acima do 46. O mundo plus size vem ganhando força no Brasil, num movimento que bem poderia ser batizado de "orgulho fat". 

"Depois do negro e do gay, agora é a vez do gordinho", diverte-se a professora de idiomas Sandra Ebener, autora do blog Mundo G Mais. "Após toda a discriminação no mercado da moda e beleza, estamos mostrando que podemos nos sentir bem e bonitas." Sandra - que tem 39 anos, é casada e mãe de dois pré-adolescentes - comemora essa onda, assim como muitas outras mulheres com manequins acima do 46, e que agora podem usufruir de uma moda que antes as renegava. 

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esse público já representa metade da população adulta do País: 48% das mulheres e 50% dos homens estão com peso acima do padrão recomendado para uma vida saudável. 

No entanto, todos os envolvidos diretamente na onda "orgulho fat" ressaltam com veemência que ninguém quer fazer apologia da obesidade. "A ideia é fazer com que essas pessoas passem a aceitar mais suas características e, ao mesmo tempo, adotem um estilo de vida saudável", avisa o jornalista Jeff Benício, que, por meio da sua editora Haz, especializada em títulos corporativos, criou com seu sócio o projeto Mulheres Reais: um mix de eventos e publicações para promover a inclusão da mulher GG no universo da moda.

O primeiro passo foi o lançamento, no ano passado, de um guia de moda com looks específicos para quem tem curvas avantajadas. Na sequência, veio um calendário-pôster com quatro modelos plus size vestidas como pin-ups. O de 2011 está em fase inicial de produção. 

Ainda como parte do projeto, tem sido realizada uma série de desfiles para a divulgação de grifes especializadas em tamanhos maiores, batizados de Mulheres Reais Fashion Show. O último aconteceu no final de agosto, na Casa Portugal, e reuniu mais de 100 pessoas, entre clientes e empresários. Foi exibida a coleção de verão de quatro marcas que andam renovando a moda extra G: Palank, Miglon, Loony Jeans e Fique Linda Lingerie. 

"Sem dúvidas, esse é um nicho de mercado ainda pouco explorado", afirma Jeff. "O projeto nasceu para chamar a atenção para essas consumidoras sempre ignoradas pela mídia e pela indústria da moda, que investe num padrão de magreza que não tem nada a ver com as curvas da brasileira."