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segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Organização Pilantras sem Fronteiras vai atuar em Natal

  PILANTRAS SEM FRONTEIRAS
                  NOTA OFICIAL

Após intensos estudos, pesquisas e graves deliberações, comunicamos que a augusta instituição Pilantras sem Fronteiras passará a atuar em Natal e em todo o Rio Grande do Norte. 

Os mencionados estudos nos indicaram que nessa terra é grande e vigorosa a presença de salafrários de todas as espécies, corruptos de grande envergadura, safados de monta, especuladores e aproveitadores, tornando necessária e urgente a nossa presença. 

O noticiário comprova que a corrupção é parte das atividades cotidianas no Rio Grande do Norte, destacando-se esse estado pela ousadia dos seus corruptos, impunes e altaneiros. 

Informamos que temos competências e habilidades muito úteis a todos esses empreendedores, e com eles colaboraremos em tudo para que levem a cabo todos os seus intentos.


Sendo assim, e movidos pelos mais altos sentimentos de apoio à pilantragem, trazemos nossa presença aos trapaceiros, embusteiros, safados e impostores, prevaricadores e peculatários, políticos e funcionários públicos dados a tais práticas.


Nosso Conselho Deliberativo, destarte, tomou as seguintes decisões:


1) Instituir o Curso Superior de Pilantragem e Velhacaria;


2) Criar o Programa Estadual de Pós-graduação para os que já sejam versados em tais artes;


3) Garantir assistência jurídica a todos os acusados de prática de crimes contra o patrimônio público;


4) Criar equipe altamente qualificada na elaboração de processos fraudulentos, garantindo total assistência ao sucesso de todo tipo de desfalques, traficâncias e meliâncias administrativas;


5) Promover simpósios, encontros, seminários e outros, a fim de que grandes nomes da corrupção possam vir ao RN e aqui ministrar valiosos ensinamentos.


6) Dilapidar de forma exemplar os cofres públicos, uma vez que a impunidade existente no Estado é histórica. Iremos roubar, furtar e surrupiar sem medo e sem limites.


7) Difundir com vigor incomum a cultura da corrupção junto aos mais jovens, visando estimular a criação de novos líderes no setor;


Insistimos: a decisão de atuar em Natal e RN somente foi tomada depois de constatada a voracidade dos corruptos locais, fato que de alguma forma se alia à inércia das autoridades em coibir atos de cinismo, desfaçatez, sem-vergonhice, imoralidade e descaramento, valores mui caros a esta Organização.


Sendo assim e isto posto, reafirmamos nosso firme compromisso para com a corrupção e a pilantragem. O Rio Grande do Norte merece. Tanto que o Estado encontra-se falido, o que comprova nossas assertivas. Literalmente, nosso elefante ficou branco.


Pilantra unido jamais será vencido. Viva a corrupção no Rio Grande do Norte!


                                       A DIRETORIA

sábado, 19 de maio de 2012

Nome de Dom Nivaldo atirado ao esgoto

Tomei um susto quando li no Novo Jornal, sob o título "Em obras", que a estação de tratamento de esgotos de Natal tem o nome, veja só, de Dom Nivaldo Monte. Só pode ser gozação da Caern. Pelo menos uma terrível e malcheirosa gozação. Confesso que não sabia que o saudoso arcebispo fora - não sei há quanto tempo - alvo de tão espantosa homenagem. 

http://nataldeontem.blogspot.com.br/2008_12_01_archive.html
Você já imaginou, dar o nome de Dom Nivaldo a uma estação de tratamento de esgoto? Dar o nome de qualquer pessoa a uma estação desse tipo?

Se a moda pega, vamos ter coisas como Fossa Dr. Fulano de Tal, Lamaçal Professora Maria não sei do quê, Buraco Patati-patatá, Privada João de sei lá, Fedentina Dona não sei quem, Atoleiro Dr. Paulo de Tal, Pântano Engenheiro Astrojildo das Quantas e por aí vai.

Pelo amor de Deus, Dom Nivaldo não merece isso, pessoal. Vamos fazer uma corrente de orações para ver se abrandamos o coração da Caern e eles tiram seu nome da tal estação de tratamento. Ave Maria!

Leia o início da matéria onde li sobre a aberração:

AS OBRAS DE interligação de rede
de esgotos à Estação de Tratamento
de Esgotos Dom Nivaldo
Monte (ETE do Baldo) só deverão
ser concluídas daqui a aproximadamente
30 dias. Realizada pela
Companhia de Águas e Esgotos do
Rio Grande do Norte (Caern), as
obras tiveram início no dia 18 de
abril e, a partir de então, causaram
uma interdição parcial da Avenida
do Contorno. Por causa disso, o
tráfego de veículos no sentido Baldo-
Ribeira e Cidade-Baldo no trecho
em que a avenida cruza com a
Rua Governador Rafael Fernandes
está temporariamente obstruído.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Entrevista feita por mim em 1985, com a ajuda do Professor Deífilo Gurgel

"Vou entrando neste ornó"


O que é isso, Sr. Sarnoff?
Que bruxaria é essa?”
(Assis Chateaubriand vendo, nos EUA, experiências de TV em cores, anos 50)

Uma velha empregada dos meus idos de menino costumava me cantar uma canção folclórica, com os seguintes e estranhos versos:

Vou entrando neste ornó
Não venho fazer mal
 

Venho arregatar a meu filho
Que está preso neste ornó...
 

Meu filho é moura, 'stá batizado
Já 'stá na lei da cristiandade... (bis)

E repetia aquela esquisita música: que o filho do personagem era “moura”, “estava batizado” e, santamente, “na lei da cristiandade”. O que queriam dizer aqueles versos? Qual seu sentido? A poética, eminentemente despojada, escovada de qualquer enfeite estético convencional, sequer tinha rimas. Mas, se eu conseguisse cifrar musicalmente essa letra e você soubesse ler pauta musical, veria como havia força, raiz, virtuose telúrica naquela exótica composição. Uma cantilena, uma oração. 

Pois bem, jamais esqueci aquela música, apesar de sequer imaginar qual o seu verdadeiro sentido.

Mas, veja só como são as coisas: certa feita fui, na companhia do folclorista Deífilo Gurgel a um bairro popular, na periferia, para entrevistar Zé Relampo, artista genial que, se vivo ainda for, dá espetáculos maravilhosos com bonecos de joão-redondo. Era o ano de 1975. A entrevista era para o Módulo III, um caderno especial, dominical, que então o Poti, edição dominical do Diário de Natal, publicava.

Antes de chegarmos à casa de Relampo, me vem à memória a velha canção folclórica, coisa do Amazonas ou arredores e vi que ali poderia estar a solução: Deífilo, como estudioso do assunto, poderia ser o decifrador daquele antigo  mistério de um menino que, agora jornalista, já pouco acreditava em lendas e dava passos rápidos para duvidar de tudo.

Cantei a Deífilo a canção - que ele jamais tinha ouvido - ele a achou interessante e, num minuto - para você ver o que é tratar de um assunto com um especialista - ele decifrou o mistério.

Explicou: aquilo era um romance, um tipo de literatura oral. E mais: “ornó”, era uma corruptela de “nau”, as naus portuguesas, que cruzavam os mares, dominando o mundo. “Arregatar”, nada mais era do que “resgatar”, salvar, livrar quem estivesse preso. E “moura”, era nada mais nada menos que “mouro”, o árabe, o infiel, que dominava a Terra Santa.


Daí, o motivo da composição: se o filho do cantor era “moura, mas já estava batizado”, não, realmente não, jamais poderia ficar preso no “ornó”, uma vez que já estava convertido aos princípios da Igreja. Faz sentido, faz sentido... Faz sentido, mas demonstra uma relação de dominação cultural, imposição de poderio injusto. No fundo, a canção revela uma perda de identidade, em função da força vinda de fora e que nos leva sempre a um ornó que não desejamos.

Para mim, foi como um achado, uma alegria, um reencontro e um estímulo a fazer com o meu maior entusiasmo de foca a matéria com Zé Relampo. E ainda hoje, em horas vazias, às vezes quando teclo estes textos noturnamente para enviar ao Coisas de Jornal, pareço ouvir:
Vou entrando neste ornó, não venho fazer mal...


E eu, que continuo moura, sinto-me ausente do meu ornó, naequela simples e esquecida canção vinda dos moradores do Norte. Mas espero, algum dia, ser arregatado deste ornó...

sábado, 15 de outubro de 2011

A manchete perdida

A Tribuna do Norte e o Novo Jornal minimizaram em suas primeiras páginas a notícia a respeito da condenação do ex-governador Fernando Freire a 84 anos de reclusão. Nas páginas internas, porém, o assunto mereceu o destaque que os mais comezinhos princípios do jornalismo recomendam. O único jornal a dar manchete de primeira página foi o Diário de Natal. O Jornal de Hoje não fez qualquer referência em sua primeira página.

O princípio básico do jornalismo, a imparcialidade, não foi levado em conta. Luiz Maria Alves, o líder dos Associados no Rio Grande do Norte em muitas décadas, ensinava: "Jornal não é guardião de honra de ninguém", cabendo a cada um pensar antes de praticar atos tidos como lesivos à sociedade, quaisquer que sejam esses atos. 

O ex-governador deve ter direito a ampla defesa, mas isso não obriga o jornalismo a deferências. Nos dois jornais, a informação foi colocada na parte inferior da primeira página. Dobrado na banca, isso, na prática, denega ao leitor conhecimento do fato ou pelo menos o dificulta.

Sei que em casos assim é comum que familiares ou amigos, até mesmo a pessoa envolvida em acontecimento negativo, entrem em contato com os jornais buscando alguma forma de sobrestar ou pelo menos reduzir a força do noticiário; é próprio da condição humana. Não digo que isso aconteceu, não tenho fontes que me afirmem isso. Mas, se não foi isso, foi pior: os jornais sucumbiram por iniciativa própria. 

Informar não significa acusar. Para isso existe o texto objetivo: relatar o fato deixando ao leitor a conclusão, o juízo moral. É o princípio da imparcialidade. É direito do leitor comprar produto feito com as características, a tipicidade dos jornais, o assunto mais importante ocupando a manchete da primeira página.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Dura lex, sed lex: a condenação de Fernando Freire
http://www.google.com.br/imgres?q=fernando+freire&hl

A condenação do ex-governador Fernando Freire a 84 anos de reclusão e 840 dias-multa, com direito a recorrer em liberdade, sinaliza uma evolução nos moldes de como se encaram atos de corrupção. Ao que li, as acusações parecem irretorquíveis. Freire, um empresário poderoso, ingressa na limitada lista de autoridades punidas por atos contra o erário.

A informação teve grande impacto uma vez que são incomuns tais condenações: a cultura da impunidade é a matriz profunda a orientar o comportamento dos que enveredam por esse caminho. São pessoas da "alta sociedade", benquistas, "frequentadoras dos ambientes mais altos". O perfil, desta maneira, como que os isenta de suspeição e, nos casos mais graves até os isenta de culpa, como ocorre constantemente. Basta rever os noticiáriois de Brasília.

Os crimes ligados à corrupção, na cultura do "jeitinho", são crimes aceitáveis: não envolvem sangue, são distantes da violência que tipifica o criminoso alardeado pelos noticiários policiais - o assaltante, o matador, o agressor físico. Desta forma, não sendo crime de sangue o ato corrupto adere como prótese ao status de quem o pratica e, por isso mesmo, em meio às manobras de bons advogados, termina esquecido em algum escaninho da história, empoeirado, prescrito ou algo assim.

O ex-governador deve ter direito, todo o direito, à defesa e ao contraditório. Se conseguir comprovar que as acusações são descabidas, liberdade. Caso contrário, que venha a condenação final e efetivo cumprimento da pena.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Jornalistas exigem aumento salarial; não dá mais pra segurar

Recebo da jornalista Mara Medeiros informe a respeito da reivindicação salarial da categoria, que amarga no Rio Grande do Norte o pior salário do país. Situação indigna e inaceitável. Os jornalistas precisam e devem mobilizar-se, reunir esforços, somar competências. Enfim, agir sob o comando da consigna habilidade e força a fim de superar essa etapa que somente nos amesquinha enquanto pessoas, profissionais e sujeitos históricos.
http://www.google.com.br/imgres?q=journalism&hl

No texto recebido registra-se o comparecimento de oito - oito! - jornalistas à assembeia que decidiu pela mobilização. Assim não dá. Precisamos criar sentimento de classe, firmar uma cultura de resistência e um senso comum de repúdio a uma situação conjuntural que se mostra perversa ante nossa falta de ação. Temos seguidamente sucumbido ante o poderio das empresas que se negam a uma negociação madura e dignificante de seus trabalhadores.

Segue a matéria recebida:

O novo piso salarial dos jornalistas a ser sugerido na negociação com o patronato, decidido em Assembleia realizada nesta terça-feira, é de R$ 1.194,00. Um aumento de R$ 244 sobre o piso atual de R$ 950. O reajuste equivale a pouco mais de 25%.

A base de cálculo incluiu 7,4% da inflação do período (R$ 70,3), mais 7,5% do PIB (R$ 71,25), e ainda um ganho real de R$ 10,24% (R$ 97,28). A porcentagem do ganho real foi calculada para que atingíssemos a média salarial dos pisos no Nordeste.

Também ficou acordado que iremos pedir R$ 416,9 de auxílio alimentação. O valor equivale a R$ 18,95 ao dia e por 22 dias úteis. Esse cálculo também não é aleatório. Foi baseado na pesquisa Assert com os valores pagos no Nordeste.

A soma, portanto, do reajuste do novo piso, mais o auxílio alimentação, daria o valor de R$ 1.611,00. As cláusulas ditas sociais, como anuênio, hora extra etc, serão as mesmas negociadas no ano passado e que não foram aprovadas pelo patronato.

A diretoria do Sindjorn atualizará essa pauta, que será protocolada e entregue ainda essa semana aos patrões, para que seja marcada a data da primeira negociação, estimada em um prazo de 10 dias.

Para que consigamos atingir essas metas precisamos de muito mais participação da categoria do que foi visto nesta primeira assembleia. Foram oito jornalistas, afora a diretoria. Agradecemos também a presença do vereador George Câmara.

Daremos início à mobilização. Tentaremos contato com os DCEs das universidades para chamar estudantes. Já estão sendo providenciadas audiências públicas na Câmara e Assembleia para discutirmos o assunto e levarmos ao conhecimento da sociedade.

Mas o mais importante é a presença da categoria. No ano passamos conseguimos a maior mobilização das últimas décadas. Mas diante das discussões burocráticas durante as assembleias e a demora da negociação, o movimento perdeu força e finalizamos com uma meta aquém do esperado.

Aprendemos com o ocorrido e este ano queremos mais. A pauta social tão discutida no ano passado já está praticamente fechada. As assembleias serão realizadas para discutir a mobilização e possíveis ações enérgicas para atingirmos nosso propósito.

Por isso, precisamos da força de vocês, jornalistas. Conclamamos, sobretudo os estudante e concursados. Vocês podem nos ajudar muito nessas ações. Sabemos o quanto é difícil aos empregados da iniciativa privada. Ainda assim, temos a certeza da participação de muitos.

Por fim, agradecemos a presença nesta primeira assembleia dos oito jornalistas presentes: Gustavo Farache, Edmo Sinedino, Wagner Lopes, Patrícia Cordeiro, Alexandre Othon, Rafael Duarte, e do repórter fotográfico Ney Douglas.

OBS: O blog dos Jornalistas do RN em Luto voltou à ativa. Para saber o dia-a-dia da campanha e da mobilização, basta acessar http://jornalistasdornemluto.blogspot.com/

À luta jornalistas!

Siga @jrnemluto
Contate jrnemluto@gmail.com
Visite www.jornalistasdornemluto.blogspot.com

sábado, 13 de agosto de 2011

O tempo de Aluízio Alves
--- Walter Medeiros* –  
Walter Medeiros
A exatidão do tempo que corre por nossa vida ou a exatidão da nossa vida pelo tempo, que é eterno, maior e fugaz, permite a cada humano apenas o seu pequeno quinhão. Embora os registros, as tecnologias e tantos outros recursos nos proporcionem conhecimento até da antiguidade, da pré-história, bem como também até mesmo imaginar, com proximidade, o futuro. 

Essas divagações e reflexões vêm para mostrar que, apesar de cabelos brancos pela cabeça, vivi - mas não tinha ainda como participar tanto - o tempo de Aluízio Alves no Governo do Estado do Rio Grande do Norte. Quando ele saiu do governo eu tinha 12 anos; o que não seria problema para ele, que com essa idade já estava nos salões da política.

Havia, no entanto, um envolvimento forte, que tornou aquele tempo marcante para mim. Meu avô, Francisco Bezerra, minha avó, Constância Constantina e minha tia Mariêta Freitas, eram da Cruzada da Esperança. Na sala de trabalho do meu avô tinha o retrato de Aluízio Alves, colocado desde a campanha de 60. Nos rádios ouvia-se o Falando Francamente todos os dias, naquela voz forte e convincente de Erivan França. Foi quanto meu irmão, Wellington Medeiros passou a trabalhar na Rádio Cabugi, então na Praça Pedro II. E o tempo passou, até assistirmos o radicalismo nas vozes de Magnus Kelly, Carvalho Neto e Eugênio Netto. 

Guardava desse tempo o disco em 78 rotações - “Aluízio Alves/Veio do sertão lá do Cabugi...”, que minha tia pediu para preservar e depois de muito tempo e reflexão considerei mais apropriado doar ao Memorial Aluízio Alves. Não consegui guardar, no entanto, aquela bolsa verde com a mão de Aluízio, na qual guardava e conduzia meu material escolar para estudar no Grupo Escolar Áurea Barros, em Tirol (1963). Nem aquelas caixas de leite da Aliança para o Progresso, que consumíamos, gostávamos e findavam servindo para brincar pelas caçadas da rua Alberto Maranhão. Muito menos aquele sabre com o qual um soldado me conteve na manhã de 1º de abril de 1964, mandando de volta para casa o menino que apenas queria comprar pão na Padaria São Paulo.
Dali em diante tivemos campanhas políticas limitadas em sua participação. Depois da década de 60 Aluízio Alves, Agnelo Alves, Garibaldi Alves, Erivan França e outros  estavam proibidos de falar em manifestações populares, cassados pelo AI-5 (Ato Institucional nº 5). O regime autoritário cortou o grito do povo, que nas ruas dizia, e eu ouvia: “Queremos Aluízio em 70”. Neste momento em que se homenageia Aluízio na sua data de nascimento, deixo aqui estas lembranças daquele tempo cujo curso foi mudado pela força. A presença de Aluízio Alves em momentos posteriores é outra história, que o tempo também guardou.
*Jornalista

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Costumes viciosos
Vejo na Folha:

Vereadores aprovam 'bolsa paletó' em cidade do RN

 
LUCIANA DYNIEWICZ
DE SÃO PAULO
Os nove vereadores de São João do Sabugi (310 quilômetros de Natal) criaram um auxílio anual de R$ 525, apelidado pelos moradores de"bolsa paletó", para que eles possam comprar a peça de roupa ou blazer. 

O valor da bolsa corresponde a 35% do salário de R$ 1.500 dos vereadores, que não poderão participar das sessões sem paletó. O auxílio custará R$ 4.725 à Casa.
A criação do auxílio foi motivada após uma lei obrigar, desde julho, o uso de paletó ou blazer durante as sessões da Câmara da cidade. A gravata é dispensável. 

A lei que obriga o blazer foi proposta pela mesa diretora e aprovada por unanimidade pelos vereadores. "Assim fica uma sessão mais organizada", justifica o presidente da Câmara, Cipriano Neto (PR).
O autor da resolução que concede a bolsa, vereador Marcílio Dantas (PMDB), que tem um paletó no guarda-roupa, diz que "o importante é o trabalho em prol da cidade, mas [a aparência] também importa. Você não pode ir a uma reunião de chinelo". 

São João do Sabugi tem 5.922 habitantes. Seu clima semiárido, com temperatura média máxima em torno dos 31,3ºC, não estimula muito a população a usar o paletó.
O vice-prefeito do município, Vivarte Brito (PMDB), diz que só vestiu a peça em sua posse. "Aqui, só juiz de direito e executivo usam." 

O ar-condicionado instalado na Câmara no ano passado, porém, vai garantir que os vereadores não suem demais dentro de seus blazers.
Alcides de Morais (DEM), um dos vereadores que elaborou a resolução, diz que já deixa o paletó na Câmara para não ter que ir até o local com ele. Veste a peça só durante a sessão.
A "bolsa paletó" deveria ser concedida já neste ano, de acordo com a resolução. Como ela não estava no orçamento, ainda não se sabe se será paga em 2011.
Os vereadores da cidade participam de apenas quatro sessões por mês, sempre nas noites de terça-feira.

domingo, 10 de julho de 2011

Jogando dinheiro fora
Emanoel Barreto

No post abaixo desta matéria publico texto meu e reportagem de Maiara Felipe, d'O Poti, a respeito do estado caótico do Walfredo Gurgel. O hospital não tem dinheiro para funcionar de forma decente. Enquanto isso, vejo na Tribuna do Norte texto de Ricardo Araújo a respeito do quanto já se desperdiçou com a Copa do Mundo. São duas formas de manifestação de como os governos tratam a coisa pública. Leia a matéria da Tribuna e depois, faça-me o favor, veja a matéria sobre o Walfredo Gurgel.

RN já gastou R$ 22 milhões só em consultorias e projetos

Ricardo Araújo - repórter

Os gastos com a Copa do Mundo 2014 no Brasil fluem como um rio que corre ao encontro do mar. Até a realização do mundial, serão gastos aproximadamente R$ 5,07 bilhões somente com a construção dos estádios/arenas multiuso. As  obras, porém, serão produtos finais de uma engenharia superdimensionada e, de acordo com especialistas, dispensáveis à maioria das cidades-sede. No Rio Grande do Norte, o dispêndio começou ainda em 2009 e já soma cerca de R$ 22,3 milhões três anos antes dos jogos. São consultorias, projetos executivos, publicidade.

DivulgaçãoO primeiro projeto do Arena das Dunas foi pago, mas dele, pouca coisa pôde ser aproveitadaO primeiro projeto do Arena das Dunas foi pago, mas dele, pouca coisa pôde ser aproveitada
Já as obras, se resumiram a derrubada de uma creche e ao cercamento do estádio Machadão e entorno. Somente o Governo do Estado, gastou cerca de R$ 13 milhões com a confecção de projetos básicos e maquetes virtuais em terceira dimensão que acabaram se tornando inúteis. Mesmo com o cancelamento dos contratos - orçados em R$ 27,47 milhões - com as empresas Populous Arquitetura Ltda e Stadia - Projetos, Engenharia e Consultoria Ltda, o Estado arcou com uma despesa de cerca de R$ 10 milhões. O custo foi confirmado pelo secretário extraordinário da Copa do Mundo 2014, Demétrio Torres.

Para o chefe da Controladoria Geral da União - Regional Rio Grande do Norte, Moacir Rodrigues de Oliveira, a fraqueza dos projetos básicos contribuem para os sucessivos gastos com consultoria. "O que a gente percebe são fragilidades nos projetos básicos que não tem contemplado a obra como deveria", afirma. Além disso, segundo ele, a má  contratação dos planos gráficos e descritivos repercutem na convocação de empresas de consultoria e na renovação dos certames através de aditivos que infringem a Lei das Licitações ( nº 8.666/1993).

De mãos dadas ao Estado, pelo menos nos gastos para o mundial sem transparência, a Prefeitura de Natal já investiu R$ 9,3 milhões em ações voltadas para a Copa do Mundo em Natal. Os gastos incluem desde repasses à Secretaria Municipal de Turismo e Desenvolvimento Econômico (Seturde) à contratação por R$ 942.030,00 de uma Organização  da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), De Peito Aberto - Incentivo ao Esporte. Há também, os projetos de mobilidade urbana com vistas ao mundial.

O Município contratou o consórcio paulista EBEI e MWH Brasil por R$ 7.276.034,54 para a confecção dos projetos executivos do plano de mobilidade urbana que ainda não saiu do papel quatro meses após a assinatura da ordem de serviço. Além disso, a entrega do projeto executivo à Caixa Econômica Federal, financiadora do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) no qual a obra está inscrita, já foi postergada quatro vezes. De acordo com o secretário de Planejamento de Secretaria Municipal de Obras Públicas e Infraestrutura adjunto (Semopi), Walter Fernandes de Miranda Neto, as obras dos lote 1 iniciarão ainda este ano, provavelmente em setembro ou outubro.

Mesmo com todos os atrasos e com a monta envolvida na contratação de empresas de consultoria cujos trabalhos não são visíveis, pelo menos por enquanto, a população natalense aprova a realização da Copa do Mundo. Numa pesquisa encomendada à Certus - Pesquisa e Consultoria pela TRIBUNA DO NORTE, realizada entre os dias 2 e 3 deste mês, 68% dos entrevistados aprovam totalmente a vinda da Copa. Em detrimento de 16,8% que desaprovam integralmente os jogos na capital. Foram ouvidas 700 pessoas maiores de 16 anos em Natal, São Gonçalo do Amarante, Macaíba e Parnamirim.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Estado não paga aluguel de carros; polícia fica a pé

Deu na Tribuna:

As viaturas das polícias Civil e Militar do Rio Grande do Norte que foram adquiridas por contrato de locação com a empresa pernambucana Locação de Veículos e Serviços Ltda (LOCAVEL) começaram a ser recolhidas desde ontem por falta de pagamento. O Governo do Estado está devendo R$ 3 milhões de reais pelo aluguel de 340 viaturas. Só ontem, cerca de 20 carros já estavam recolhidos. São dois contratos diferentes de locação que estão atrasados há cinco e oito meses.
cedidaViaturas recolhidas em Mossoró por falta de pagamentoViaturas recolhidas em Mossoró por falta de pagamento
De acordo com o gerente de transportes da Locavel no Rio Grande do Norte, Wagner Douglas, a decisão de reter as viaturas alugadas vinha sendo anunciada para o Governo do RN há vários meses. “Nós tentamos, por várias vezes, tentar resolver o problema de outra maneira, mas não conseguimos. Eles (representantes do Governo) nos davam previsões de pagamento, mas não era cumprido e chegamos a esse quadro delicado. São cerca de R$ 3 milhões em atraso. Nós ficamos numa situação muito delicada e essa foi a única saída que encontramos para essa questão”, justifica Wagner.
..........

Veja a situação a que chegamos: viaturas policiais recolhidas por falta de pagamento de aluguel. Isso revela a fragilidade do aparelho estatal de segurança. A solução pareceu ser a melhor, contratar o uso de carros, mas revelou-se um desastre. É uma situação séria, dramática até: a polícia sem ter carros para trabalhar. 

Uma coisa me chama a atenção: os jornais deveriam pautar matérias mostrando o parque de viaturas do Estado. Saber como esse material é administrado, quantos carros existem, sua conservação e uso no serviço, uso indevido por funcionários. 

Por trás da absurda situação da polícia há, sem dúvida, um abismo cuja profundidade precisa ser conhecida.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Um menino pobre, um engasgo e uma vida posta em risco

Leio no blog Abelinha.com, de Eliana Lima:

Na falta de UTI Pediátrica nos hospitais do Estado, e de atitudes para providenciar, a Prefeitura de Natal entrou em campo para salvar a vida do menino Matheus Brito da Silva, 3 anos, que estava na UPA do Pajuçara necessitando urgentemente de ser transferido para uma UTI.

Na primeira hora desta sexta-feira (18), 1h, Matheus foi transferido numa ambulância do Samu para uma UTI no Hospital Antônio Prudente, do Hapvida.

Antes, o secretário Thiago Trindade tentou no Papi, mas a única UTI disponível foi à preferência de particular que chegou em estado grave. Caso não desse certo no Hapvida, já se estudava a instalação de uma UTI improvisada no Hospital Walfredo Gurgel, conforme informou ao blog, noite de ontem, o secretário de Comunicação da Prefeitura, jornalista Jean Valério.

Mas a demora pode ter sido faltal para Matheus. Seu estado se agravou. Muito grave. A demora para a transferência pode resultar na sua partida. Apenas três anos, antes saudável e cheio de vida para brincar, o que, aliás, gostava e fazia bastante.

Matheus estava bem atendido na UPA, entubado, respirador adequado, mas necessitava de uma UTI e de acompanhamento neurológico. Como a unidade não dispõe de médico neurologista, em nenhum momento ele foi observado por um. Precisou passar por tomografia computadoriza, não não houve possibilidade para fazê-lo no Walfredo. E desde quarta-feira que sua vida – alertada por várias vezes neste blog e no twitter.com/elianalima – corria sérios riscos. Mas o socorro necessário não chegava. Apenas na madrugada desta sexta.

Matheus engasgou-se com um caroço de pitomba, ficou asfixiado, teve parada cardíada e foi atendido a tempo pelo Samu Natal. A partir daí começou mais um processo de angústia e desespero dos profissionais do Samu. Motivo de sempre, de todos os dias: falta de UTI nos hospitais públicos. A solução foi encaminhá-lo para a UPA do Pajuçara, onde foi bem atentido, mas sem UTI e neurologista, insuficiente para salvar sua preciosa vida em desenvolvimento.

Agora é rezar e esperar que um milagre faça Matheus voltar à vida de antes.
Em tempo: o problema de engasgo  é um dos maiores vilões que ceifam vidas de crianças. Muitas vezes por falta de orientação dos próprios pais. É passada a hora das autoridades de saúde pensarem, e realizarem, uma campanha de prevenção contra o engasgo.
...........
É aí onde bato na tecla: Natal precisa de um estádio de futebol para a Copa de 2014, quando se realizarão jogos de segunda categoria, ou de UTIs em hospitais públicos? Nem preciso responder. Se as autoridades tivessem mesmo o compromisso que alegam ter com a sociedade, o caso desse menino possivelmente já teria sido solucionado. 

E quanto refiro a autoridades não me dirijo às atuais prefeita ou governadora.  Incluo todos os que as antecederam. Autoridade, digo, em seu  sentido histórico, Poder Público. atuante, proativo. Esse problema é antigo e jamais enfrentado com a decisão política  necessária e enérgica em busca de solução.

A jornalista detalhou, ademais, aspecto estarrecedor: o menino, pobre, deixou de ser atendido em favor de paciente "particular".

O que se vê então, até o momento em que redijo, é uma situação dramática, em que a Prefeitura busca uma solução emergerncial. Louvável, mas emergencial. Tentei falar com o secretário de Comunicação da Prefeitura, Jean Valério, mas a ligação caiu na caixa postal. Deixei recado e aguardo resposta. 


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Saiba porque a Polícia Militar cede soldados ao Tribunal de Justiça e à Igreja


Explicando a manchete: no Tribunal de Justiça os policiais têm aulas a respeito do que seja praticar o bem e respeitar a lei a fim de melhor servir à sociedade; na Igreja, aprendem as mais novas orações, rezas fortes, para nos livrar dos perigos deste mundo.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Gilberto Avelino

Diante do Mar
                  
 
É janeiro. O claro 
mês das marés 
de sizígia.  


Ontem,  
a bolandeira circulou 
a lua,  

em sinal da proximidade 
das chuvas.  


Hoje,  
sobre o mar,  
as chuvas 
vieram.  


E os pescadores descansam 
as quilhas. 

— Os peixes 
alumbram-se 
com as águas doces.  


Envolvem o mar 
as escuras sombras 
da noite.  


Contudo,  
em harmonias 
o mar 
tece os fios 
de níveas rendas.  


O farol 
permanece atento,  
indicando 
os rumos.  


E nós — amada 
amiga,  
nos enternecendo 
ao som da onda,   

da onda 
alta,  

com quem dividimos 
a vigília.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Notas do bestiário

O nosso tsunami é de lama e jorra dos gabinetes

Foto: Wilton Júnior/AE
O nosso tsunami não vem do mar, das profundezas daquilo que os gregos chamavam talassa, o mar abissal, enigma da vida, força elemental a atrair do homem a atenção, o medo a inquirição filósofa. Nosso tsunami vem da terra alta e cai sobre nós também como mar. Mas mar de lama em sua manifestação mais material e exata e mar de lama em sua formulação metafórico-política: incúria, lassidão gestora, desapego à responsabilidade, perplexidade de última hora encenada para o espetáculo midiático: agora serão despejados tantos milhões para ajudar aos flagelados, oh my God!. Depois, finda a última manchete, esse ser que vive tão-somente, se muito, 24 horas, chega o paulatino esquecimento, a naturalização da tragédia como coisa consumada, as famílias buscando cada uma às suas próprias custas, reconstruir seus destroços e cultuar a memória dos seus trágicos fantasmas. Nosso tsunami não é natural, pelo menos não completamente. Nosso tsunami também jorra dos gabinetes, é um crime de lesa-sociedade; mas de uma sociedade que tem em si grande parcela de culpa, pela ocupação iconsequente do solo, pela apropriação indébita e louca dos espaços à natureza, pelo avanço desenfreado de transformar terra em terreno, coisa a ser vendida, lucro encharcado, charco negocial. Tudo isso sem que se perceba ou se tenha preocupação com o desequilíbrio ecológico, o desmonte de biomas, o delicado convívio entre espécies e meio-ambiente. O homem como ser aterrador do seu próprio chão. A tragédia do Rio passará, como passaram muitas outras. Autoridades competentes darão declarações e tudo voltará a dantes. Até que volte nova e poderosa chuva e leve tudo, outra vez, aos abismos do nosso tsunami de lama. Um tsunami bem brasileiro.

Simulacro e manipulação
Leio na Folha matéria com o título "Áudio da produção vaza duas vezes antes de festa do "BBB11". Logo a seguir a explicação de Boninho, o cérebro maculoso que dirige a tramoia: o vazamento de diálogos se dá
"atendendo a pedidos, às vezes vamos deixar vazar o áudio! Por que não? É mais diversão pro PPV e aí todo mundo fica sabendo como funciona!". O PPV é pay per view, o grupo de tolos que paga para ser achincalhado, assistindo ao BBB. O vazamento de áudio em TV resulta de falha humana: algum técnico esquece de desligar um microfone e conversa que deveria ficar em privado cai em domínio público. Assim, nada melhor que simular a falha, a fim de esquentar a audiência. O telespectador/voyeur tem a impressão de que penetrou em ambiente fechado, ingressou no serralho das mulheres do sultão e as viu em todo o seu esplendor e nudez vetados aos olhos dos comuns. Esse trabalho de manipulação, essa falsificação da realidade do BBB, que em si já é uma realidade falsificada, é mais um produto maléfico da indústria da comunicação, embrutecendo as pessoas e as domesticando ao interesse de um sistema que tem por origem e fim o lucro. Às favas com aquela coisa velha e indesejável chamada dignidade humana.

Forame oval por via percutânea com prótese de amplatzer
A esotérica formulação que intitula esta nota encontrei na Tribuna do Norte, em matéria informando sobre a operação que a prefeita Micarla de Sousa sofreu em São Paulo. Graças a Deus isso que você leu não quer dizer que Micarla passa mal. Ao contrário, recupera-se satisfatoriamente. A respeito, diz a matéria:
Micarla, o marido Miguel Weber e a mãe, Dona Miriam
A prefeita de Natal, Micarla de Sousa, internada desde o último dia 11 de janeiro, no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde submeteu-se, no dia 13, a procedimento de fechamento de forame oval por via percutânea com prótese de amplatzer, recebeu alta no domingo (16). No entanto, a prefeita ainda não retornará a Natal.  Por orientação da equipe médica que a acompanha, coordenada pelo Prof. Dr. Roberto Kalil Filho, Micarla deverá permanecer em São Paulo nos próximos dias, para acompanhamento médico.
Bom, voltando ao forame oval por via percutânea com prótese de amplatzer, como sou um jornalista velho, superado  e de tais tratados não entendo, suponho deve ser parte do vasto vocabulário de algum repórter científico, sabido que só ele, e portanto dominador de coisas altas e percucientes, que a minha pobre formação não alcança. Todavia, lembro que, quando era estudante, meus professores ensinavam que em casos que tais o repórter deve pedir explicação ao especialista - médico, engenheiro, filósofo, jurista, físico, químico ou inspetor de quarteirão - e repassar ao leitor de forma clara, sem o uso da linguagem hermética. Mas, como os tempos mudaram, vou estudar mais um pouco, quem sabe em alfarrábios, e encontrar o sentido de tão magnificente expressão. Mas, que impressiona, impressiona...

A volta da assombração
Vejo na Folha: Ex-líder do Haiti Baby Doc volta ao país após 25 anos de exílio. Baby Doc, aliás
Jean-Claude Duvalier, cria do velho, cruel e feiticeiro Papa Doc, aliás François Duvalier, só pode ser para assombrar seu pobre, aliás miserável povo, depois de tudo que ele e sua grei familiar fizeram por lá e após o terremoto que literalmente destruiu a nação, pior, o povo, as pessoas, as gentes. Talvez assessorado por uma turba de zumbis queira encontrar o caminho das pedras que o leve ao palácio presidencial, aliás mais uma vez, tombado pelo tremor horrendo que varreu toda a ilha.


E pro Walfredo, nada?
A governadora Rosalba Ciarlini mantém sob fogo cerrado a administração passada, expondo o desastre que herdou. Certíssima ela está. É preciso transparência, buscar erros, mostrar desníveis entre o que o governo passado prometeu e o que realmente fez. Na TV, o Rio Grande do Norte era uma maravilha. Rosalba está mostrando que não era bem assim. Agora, uma pergunta: o que a atual administração está fazendo, por exemplo, com relação ao Walfredo Gurgel? Se a coisa estava tão ruim, seria ótimo demonstrar competência dando um jeito no maior hospital público do Estado. Até porque ali se tratam casos de urgência e emergência...

Eminentes bandidos 
O deputado Paulo Maluf, o juiz Nicolau dos Santos Neto, Juiz Lalau e o conselheiro do Tribunal de Contas de São Paulo Robson Marinho estão com fortunas de origem ilícita retidas pelas autoridades da Suíça. Ali, suspeita de uso de recursos públicos, seu desvio ou sonegação de imposto de renda têm caminho certo: esse dinheiro fica retito até decisão judicial. Maluf tem a bagatela de 446 milhões, Lalau sete milhões e Marinho quantia não informada. Aqui todos são autoridades, lá eminentes bandidos.

Muy amigos
Corre nas coisas de jornal da internet que o procurador geral de Justiça Manoel Onofre Neto considera bastante sólidos os indícios de negociata entre o deputado Gilson Moura e seu suplente o Sargento Siqueira. Todo mundo se lembra da "renúncia" de Moura, finalzinho do mandato, para dar a Siqueira o lugar de deputado a fim de que este ganhasse foro privilegiado na ação que responde por corrupção quando era vereador. Onofre afirma que as negociações envolveram votos, cargo e dinheiro. Agora, quer a quebra dos sigilos bancário e telefônico da dupla. Agora, uma coisa não entendo: por que esses processos correm em "segredo de justiça"? Se é coisa de interesse público deveria ser às claras.