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sábado, 17 de setembro de 2011

Um perigo ronda Natal. Os computadores podem ser do PCC

Caros amigos,

Somente agora consegui postar alguma coisa. Devo dizer que estou quase exausto, mesmo admitindo algo de hiperbólico a essa afirmação. Explico: culpa do computador. Computadores, creiam, são máquinas que chegam à insolência. Trabalham quando querem, sem precisar invocar a seu favor qualquer lei de greve, atestado médico ou outro motivo de força maior ou causa superveniente. 

Tenho, destarte, uma relação de amor e ódio a tais criaturas, que são pessoas, como se percebe, totalmente inconfiáveis. Gosto dos computadores quando estão bem comportados, atentos e prestativos. O problema é quando cismam de parar. Assim, se pudesse, estaria com minha pequenina Olivetti Lettera, que ganhei aos 18 anos. Máquinas de escrever são amigas, trabalham discretamente ao som suave, martelado, dos tipos sobre o papel em branco. 

Máquinas de escrever têm personalidade: desde que são fabricadas têm apenas uma e somente uma tipagem. Não há como mudar. Computadores não: são máquinas que sofrem de dupla, tripla, quádrupla personalidade. Muda-se o programa e logo eles, com a maior sem-cerimônia, passam a pensar e a agir de forma diferente. E afinal, quando ligados aos modens, outras máquinas também complicadíssimas e de mau humor, está formada uma dupla: dinâmica em problemas, emburradas em sua linguagem cibernética, perigosas em suas competências de nos desestabilizar os nervos.
http://www.google.com.br/imgres?q=m%C3%A1quina+de+escrever

Mas, hoje, após horas e horas, afinal o computador aceitou o trabalho. Quando já desistia eis que ele abriu sua tela vaidosa, colorida, brilhante, multifária, multimodal. Assim, digo bem baixinho para ele não perceber, aproveitei para falar mal do citado elemento, pois temo que, notando a minha vingança, se apodere de uma garrafa pet cheia de gasolina e me ataque quando eu estiver me dirigindo ao meu caro e incendeie tudo, como fizeram os bandidos ontem em Natal.

Caríssimos, eu os advirto: é possível que meu computador, secretamente, esteja se conectanto com os computadores de vocês, incentivando-os a ataque coletivo. Afinal, computador é PC. Daí para se reunirem sob a sigla PCC é um passo. Cuidado. Oremos.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A governadora precisa garantir paz a Natal

Natal não é cor-de-rosa...

Leio na Tribuna do Norte que motorista da Empresa Guanabara-Oceano teve gasolina atirada nos olhos por criminosos que invadiram ônibus daquela empresa durante um dos ataques ocorridos hoje em Natal. 

O secretário de Segurança assegura que as ações, ao contrário do que foi alardeado por criminosos ao atear fogo a um ônibus, não foram obra do PCC. Pode até não ter sido, mas as ocorrências aparentam ações coordenadas. Houve, parece-me, organização prévia, atos preparatórios. Uma sequência orquestrada, funcionando como discurso de intimidação.

Tais atitudes são assemelhadas, em seu exercício, aos atos terroristas, cuja mensagem de fundo é: "Estamos aqui, podemos atingi-lo. Não tememos as autoridades. Chegamos inesperadamente, agimos com rapidez  e os resultados você sentirá na pele." 

A diferença é a motivação: no terrorismo a essência é política; para o criminoso comum a motivação é dar à sociedade a sensação de insegurança. Demonstrando, ao mesmo tempo, o poderio, organização e sentido de grupo que unem os bandidos. Ou seja: a quadrilha se apresenta como sujeito coletivo  interveniente, poderoso, atirando-se desastrosamente sobre o cidadão indefeso. A unir os dois tipos de ação - criminal e terrorista -, encontramos o fator surpresa, o cidadão assumindo a condição de presa fácil e desprotegida.

http://www.google.com.br/imgres?q=criminosos
O bandido sabe que suas atitudes de brutalidade terão repercussão midiática. Seu gesto é seu pronunciamento. Fazer equivale a falar. O sofrimento que deixa para trás é o ponto final desse texto absurdo. 

A questão é a seguinte: ou o governo do estado assume sua condição de fiador da segurança dos cidadãos e põe polícia nas ruas, ou quem tem dirento a essa proteção passará a ser refém de ruas habitadas pelo crime, de casas cada vez mais gradeadas, de filhos cada vez mais ameaçados. A governadora Rosalba Ciarlini tem a obrigação de tomar um posicionamento público e dizer a que veio. A campanha eleitoral acabou e o Rio Grande do Norte real é diferente, muito diferente do que diz a propaganda dela na TV. 

Do contrário, quemvai fazer e acontecer em Natal e em todo o estado não será a governadora, mas as armas, o fogo, o medo.

Abaixo, matéria da Tribuna do Norte sobre a ação dos criminosos.


O incêndio ao ônibus da empresa Guanabara-Oceano que ocorreu por volta das 20h20 foi causado por dois dois jovens que aparentavam ser adolescentes. A informação é do gerente de planejamento da empresa, Antônio Pessoa, que relatou o crime, o oitavo ataque a ônibus nesta sexta-feira (16). O motorista do veículo precisou ser levado ao hospital depois de ser atingido por gasolina nos olhos.

O incidente ocorreu na avenida Tomaz Landim, no ponto de ônibus próximo à Uvifrios. Segundo Antônio pessoa, o ônibus da linha 176, que faz o trajeto entre Mirassol e o Golandim, foi abordado por dois jovens que aparentavam ter menos de 18 anos. Ao contrário do que ocorreu em outros casos semelhantes em Natal, a dupla não pediu para que motorista, cobrador e passageiros deixassem o veículo antes de jogar a gasolina dentro do ônibus. Na ação, os criminosos atingiram os olhos do motorista, que precisou ser receber atendimento médico. O ônibus foi incendiado e os bandidos fugiram.

O presidente do Sintro, Nastagnan Batista, afirmou que esse incidente foi o estopim para os motoristas recolherem os carros para as garagens e suspenderem as atividades por tempo indeterminado.
A violência trafega nas ruas de Natal: os bandidos dizem que é o PCC...

Natal viveu hoje sete ataques de criminosos a ônibus. Houve tentativa de incêndio aos veículos, passageiros aterrorizados. Depois de tudo isso, vejo na InterTV Cabugi o secretário de Segurança, Aldair Rocha, dizer que todos devem ficar tranquilos, que está tudo bem e parará, parará, parará... Ao ouvir a declaração pensei estar alucinado. Ou o inverso: estar o secretário alucinado. 

Após constatar que não estava louco, comecei a pensar que o secretário poderia estar ingressando em tal patamar. Sim, porque somente um alucinado, alguém que habite o mundo dos sonhos, espera viver tranquilo numa cidade onde ocorrem ações criminosas violentas, todas praticadas a partir de uma mesma matriz, sem que houvesse por perto qualquer aparelhamento policial para retaliar à altura.
http://www.google.com.br/imgres?q=pcc&hl=pt-BR&safe=off&client=firefox

Num dos assaltos os bandidos picharam no ônibus as iniciais PCC, alusão a suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital, facção criminosa cuja alusão faz tremer. O Secretário disse que tal ligação não existe. Espero que sim, que tenha sido apenas uma atitude discursiva dos criminosos, voltada para aterrorizar Natal, uma vez que é conhecida a truculência, ferocidade e crueldade com que age o PCC no eixo Rio-São Paulo.

Agora, uma coisa é certa: os criminosos agiram sob certeza de que durante os assaltos não haveria polícia que os enfrentasse. Todos sabemos disso, os bandidos também: Natal é uma cidade despoliciada. Você costuma ver - ver com frequência, quero dizer - viaturas policiais nas ruas? Eu não. Foi apostando nisso que os grupos armados caíram em campo. 

Nós não temos uma política de segurança pública. A polícia é desequipada e desmotivada, seja pelos baixos salários, seja pela falta de apoio logístico. Não há dinheiro para garantir à polícia uma ação plena, cotidiana, diuturna. 

Devo dizer, todavia, que aplaudo a prisão de três suspeitos, conforme anunciou o Secretário, detalhando que estavam sob interrogatório. Foi uma forma de demonstrar agilidade e eficácia na reação. Mesmo assim insisto: deveria haver um plano de policiamento permanente. Isso daria aos grupos armados a sensação de insegurança às suas ações. A mesma sensação de insegurança que sentimos quando saímos às ruas e pensamos entre dentes: "Será que vou dar de cara com um assaltante?"