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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

http://www1.folha.uol.com.br/poder/1007488-em-tratamento-contra-cancer-lula-raspa-cabelo-e-barba.shtml
A nova cara de Lula e um discurso de François Silvestre


Vendo essa foto de Lula e nela o vulto do ex-líder sindical em batalha contra o câncer, lembrei-me agora de 1982 quando, candidato a deputado federal, o escritor François Silvestre, orador olimpiano, dizia, se não me falha a memória, "que a humanidade caminha no mundo sua louca aventura pela história". 

O que têm a haver entre si Lula e o dito de François? Muito. Para mim, o despenhadeiro existencial que hoje vive Lula é a comprovação das palavras do meu amigo, em sentido largo. Cada um de nós é parcela íntima da humanidade e está sujeito aos desvios, imprevistos, ameaças, temores, vitórias. 

Quem se lembra da figura de Lula sindicalista percebe o choque entre a imagem presa na retina da memória e a figura atual. Tudo é história, essa manifestação da obra humana em seu presente contínuo auspicioso ou não. 

Daqui a alguns meses veremos o resultado da luta e, quem sabe, o retorno de Lula à sua velha imagem. E a história, bem, essa continuará em sua louca aventura feita de fatos e de homens. 

domingo, 25 de setembro de 2011


A necessidade do corpo

O corpo sempre foi nosso artefato de vida, objeto de estranhamento e parte de nós. Numa definição de dicionário o substantivo corpo é "coisa material que pode ser percebida pelos sentidos". O Homem, assim, percebe o corpo e nele existe, sendo essa materialidade condição insolúvel dessa vida. É o corpo ou nada.

Existimos com o corpo, parceiro  dessa condição primeira. O homem se percebe dentro do corpo e o corpo é ele. Corpo: o homem mesmo e para o homem ao mesmo tempo. Dividido e indivisível.  

Sujeito e objeto de si, o homem sofre pelo corpo que tem, quando não o aceita como este é e está; ou então se alegra quando o corpo sucumbe aos desígnios da moda, essa efêmera estética de costumes desenhados na prancheta do estilista. Da mesma forma brinda quando o corpo é levado à mesa de corte da cirurgia vaidosa.

Mas quando há doença, esta não escolhe a beleza ou o seu contrário, e então o corpo torna-se o adversário e porto que temos a nosso dispor, ameaça sem fuga possível. Enfrentar isso é também condição da qual não se escapa. Não há como.

Leia a matéria abaixo. Ela é o motivo desse texto.

Por Cristiane Ramalho


Por Pedro Diniz


A alemã Uta Melle decidiu virar musa de ensaios sensuais depois que retirou os dois seios, vítima de um câncer


Poucos dias antes de completar 40 anos, a alemã Uta Melle ganhou um presente de grego. Soube que teria de extirpar os dois seios, por conta de um câncer de mama. Logo veio a dúvida: "Será que vou deixar de ser sexy?". Teve certeza que não ao consultar o marido, um publicitário bem-sucedido que a presenteou com um quadro de uma guerreira amazona que cortara o próprio peito para usar melhor o arco e a flecha. Animada com o desenho, Uta partiu para um projeto singular: fotografar mulheres com histórias semelhantes. 

O trabalho rendeu um livro de arte e a exposição fotográfica "Amazonas". São mulheres nuas, e a ideia é incomodar. A exposição já percorreu três cidades alemãs e pode ser vista até meados de outubro em Viena. Nas fotos, 19 mulheres, entre 30 e muitos e 50 e poucos anos, estão nuas ou seminuas. Muitas, em poses sensuais. Em comum, os sinais da batalha contra a doença: algumas têm um único seio, outras próteses, outras apenas cicatrizes no colo. Como Uta. Publicitária que deixou o mercado, a alemã virou uma espécie de ativista da causa, lutando contra o preconceito e a favor de mais verbas para pesquisa. 

"Aqui, a doença ainda é um tabu. Os alemães não suportam ver cicatrizes nem mutilações. Acham que é sinal de derrota. Trauma de duas guerras mundiais", diz Uta. Ela não conseguiu patrocínio, mas ganhou espaço para a mostra: o Stilwerk, templo de lojas de design. Em Berlim, mais de mil pessoas visitaram a exposição em duas semanas. Mas houve quem não gostasse. Dois homens fizeram questão de ver tudo, só para detonar o projeto para ela. "Eram idiotas. A verdade é que muita gente não quer se confrontar com seu próprio medo", dispara a alemã. O jornal de esquerda "Junge Welt" publicou um artigo dizendo que o livro não fazia uma abordagem séria do assunto. Já o tabloide "Bild", que vende milhões de exemplares por dia e costuma ostentar fotos de mulheres nuas e opulentas na capa, reagiu com simpatia, embora alguns leitores tenham feito comentários pouco gentis.

ANJO TATUADO

No ensaio para a revista "Stern", feito logo depois da cirurgia, Uta aparece vestida de Madonna, de David Bowie e de anjo. Um querubim só com asas, cicatrizes, uma tatuagem na barriga e nada mais. "Um rapaz viu minhas fotos e disse que as achava eróticas. Mas que se sentia um perverso por isso", diverte-se. Com sua beleza andrógina, as fotos bombaram na internet. E ajudaram Uta a recrutar as 18 mulheres para o ensaio fotográfico das amazonas, feito num estúdio em Berlim. O ensaio é clicado por duas fotógrafas alemãs, Esther Haase, profissional com vários trabalhos internacionais, e Jackie Hardt, ex-modelo que passou para o lado de trás das lentes. Nele, as mulheres aparecem vestidas de guerreiras ou em cenas de protestos, com cartazes na rua. Toda essa pose de poder tem um fundo de melancolia.

"É um tema muito delicado, que mistura o medo da morte ao da perda da feminilidade", diz Uta. Ao saber do diagnóstico, suas filhas, hoje com oito e 11 anos, ficaram dois dias sem lhe dirigir a palavra. "Fiquei mal, mas entendi que elas precisavam de um tempo", diz a Uta mãe. Na mesma época, ela resolveu postar no Facebook uma espécie de diário do tratamento, com detalhes da quimioterapia e da operação. Foram mais de 300 fotos, com pequenos comentários. Houve quem aplaudisse. Mas alguns amigos ficaram chocados. Era mais informação do que eles precisavam. Para a alemã, compartilhar seus problemas é como exorcizar demônios. Aos 14 anos, quando descobriu que tinha epilepsia, reuniu amigos na escola e contou o que eles deveriam fazer para ajudá-la em caso de emergência. "Isso me ajudou a evitar o assédio moral. Se é para apontar meus pontos fracos, que seja eu mesma."

NUA NOS LAGOS

Como muitos alemães, ela sempre tomou banho de Sol e mergulhou nua nos lagos. Depois da cirurgia, não mudou o velho hábito. As pessoas reparam, mas Uta não abre mão de se bronzear nua. "As crianças são sempre mais fáceis de lidar. Elas perguntam, eu explico. Mas os adultos reagem de um modo estranho, muitos fingem não ver." Quando ela entra para fazer ginástica, tem gente que disfarça e sai da academia. Apaixonada por esporte, Uta não entende o culto ao corpo. Nem o pudor das brasileiras. Ao visitar as praias do Rio, há uns quatro anos , ficou surpresa com o uso da parte de cima do biquíni. 

"A gente sempre imagina a nudez como algo natural no Brasil. Mas as mulheres aí não mostram o peito", diverte-se, entre um gole e outro do expresso no Café Kollberg, em Prenzlauer Berg, bairro badalado de Berlim onde mora. Sem maquiagem, sorridente, simpática, ela fala sem parar. Mas uma certa palidez na pele denuncia que sua recuperação ainda está em curso. Vestida com uma calça de couro preta e uma blusa de gola rulê colada ao corpo, Uta conta que, no início do tratamento, jogou metade do guarda-roupa fora. Especialmente, os vestidos decotados e as blusinhas marcadas no busto. "Fiquei um tempão procurando meu novo estilo." 

Encontrou. Hoje, compra as peças que usa na seção infantil de grandes magazines. Uta ainda sente saudade dos seios. Mas já resolveu: não vai colocar prótese de jeito algum. Está convencida: ainda pode ser sexy. Ela hoje acha que também pode fazer piada do infurtúnio: "Pelo menos, meus peitos não podem mais cair". Texto anterior: (Da Folha, na Serafina - íntegra)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Deu no Ig:

Na UTI, Alencar recebe Dilma "lúcido e bem humorado"

Ex-vice e presidenta conversaram sobre "trivialidades da vida", de acordo com médico do hospital Sírio-Libanês

Ricardo Galhardo, iG São Paulo | 10/02/2011 11:26 - Atualizada às 12:52

O ex-vice-presidente José Alencar recebeu no fim da manhã desta quinta-feira a presidenta Dilma Rousseff na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital Sírio-Libanês, na capital paulista, onde está internado. De acordo com o médico Roberto Kalil Filho, a visita da presidenta durou cerca de 45 minutos. Os dois conversaram por meia hora sobre "trivialidades da vida", segundo o médico.

Alencar, que voltou a ser internado no início da tarde de ontem com peritonite por perfuração intestinal, está "lúcido e bem humorado", de acordo com Kalil. Acompanhada ministro-chefe da Secretaria-Geral, Gilberto Carvalho, a presidenta chegou e saiu do hospital de helicóptero e não conversou com a imprensa.

O filho de Alencar, Josué Gomes da Silva, também esteve com o pai nesta manhã. Ele contou que Alencar "passou muito bem" a noite e que, quando chegou ao quarto, "ele já estava acordado e elétrico”.

Segundo o iG apurou, Alencar foi ontem ao hospital para fazer hemodiálise e transfusão de sangue e reclamou de um "desconforto abdominal". Os médicos pediram uma tomografia e identificaram perfurações no intestino. Ele está sendo tratado com antibióticos e seu quadro é considerado grave.
Foto: Futurapress
Alencar, entre Lula e Dilma, em sua última aparição, em 25/01/2011, em SP

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também faria a visita hoje, adiou o retorno a São Paulo. Lula está na capital federal para as comemorações de 31 anos do PT. Ele desembarcou na capital federal na tarde de quarta-feira pela primeira vez desde que deixou o cargo. Apesar da viagem, Dilma ainda é aguardada para a festa do PT, que acontece a partir das 17h.

Última aparição
Alencar, que luta contra um câncer há quase 13 anos, estava em casa com a família, em São Paulo. Ele havia deixado o hospital no último dia 25, após 30 dias internado. A última aparição de Alencar aconteceu no aniversário de São Paulo, quando foi homenageado pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM-SP) com a Medalha 25 de janeiro.

Na ocasião, Alencar falou sobre sua luta contra o câncer e disse que lutava “para não morrer”. “Ainda não estou bem. Estou bem melhor, mas ainda não estou bem", disse o ex-vice. “Se eu morrer agora vou morrer feliz. A situação não poderia estar melhor para mim. O Brasil inteiro está rezando por mim. Não tem como melhorar”, discursou, antes de seguir para casa, com o aval de sua equipe médica.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Tem gente que dá câncer

Assistindo ontem à noite entrevista do jornalista Sebastião Nery, como sempre uma prosa boa, a palavra fluindo como chuva, dessas que o sertanejo chama de chuva criadeira, as palavras estalando a história recente deste país, ele disse algo, frase de escritor cujo nome não consigo lembrar agora. O sujeito se autodefinia: "A modéstia é a maior das virtudes e eu a tenho em sua forma mais elevada".
Nery riu ao fazer a citação. Por um motivo muito simples: quem diz isso nada tem de modesto. Antes, é um pavão de festa, portador de empáfia himalaica. Pois bem: pego o gancho de entrevista de Nery para lembrar que há pessoas assim: pessoas onde a modéstia nunca habitou. Buscam o poder, qualquer forma de poder. Exibem-se, porém conhecem e muito bem suas limitações portentosamente mesquinhas; mas isso é difícil de admitir publicamente, e compensando a talta de modéstia, agitam bandeiras fulgurantes de autoadoração. Buscam aplausos, reverências e reconhecimento.

 Como não têm modéstia - porque a modéstia é típica de quem tem grandeza; a modéstia é a humildade de quem tem a generosidade como segunda natureza - buscam se impor. Crescem pelo medo que possam impor, mas não lideram; se afirmam pelo sistema que possam controlar, mas não recebem respeito; dominam pelas regras que possam manipular, mas não são queridos. 

É horrível conviver com pessoas assim. É uma provação ser obrigado a compartilhar, mesmo que seja o ar, com essas pessoas. Mas é gratificante não ser contaminado por tal convivência. É bom sair de perto delas. Mas, mesmo assim, mesmo longe, é preciso tomar cuidado. Tais tipos não deixam ninguém em paz. São como uma epidemia e só sabem fazer o mal. Cuidado: tem gente que dá câncer.


quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

 Deu na Folha:

Com 'hemorragia digestiva grave', Alencar passa por cirurgia de emergência

O vice-presidente da República, José Alencar, está sendo submetido a uma operação de urgência, para contornar uma hemorragia digestiva grave, segundo boletim médico do hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.
Alencar voltou ao hospital nesta quarta-feira (22), seis dias após ter recebido alta.
Ricardo Stuckert - 13.nov.2010/Efe
José Alencar será submetido a uma operação de urgência, para contornar uma hemorragia digestiva grave
José Alencar submetido a uma operação de urgência
Ele passou por transfusões de sangue antes da operação, que é realizada pelos médicos Raul Cutait e Ademar Lopes. A causa da hemorragia ainda é desconhecida.
A cirurgia começou por volta das 19h. 

Ontem, Alencar também esteve no hospital para uma transfusão de sangue.
A mulher do vice, Mariza Campos Gomes da Silva, está no hospital.
O vice combate um câncer na região do abdome há mais de 15 anos. Já passou por 16 cirurgias. 
...

Entendo que o sentido desta luta é a própria luta. O esforço por ver a vida se manter. Se manter por quanto tempo não sei. Mas entendo que o sentido dessa luta é a própria luta. O sentido da luta é a próp....

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Luta sem trégua, uma dor sem fim
Emanoel Barreto

Diz a Folha: O vice-presidente da República, José Alencar, irá receber alta nesta quinta-feira do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde está internado desde o dia 25 de outubro para o tratamento de uma suboclusão intestinal.



Na quinta-feira, Alencar sofreu um infarto agudo do miocárdio e foi submetido a um cateterismo, que não mostrou obstruções arteriais importantes.

Na noite de sexta-feira, o vice-presidente foi transferido para a unidade semi-intensiva. Na segunda-feira, ele foi para um quarto normal.
Alencar continua o tratamento do câncer no intestino, de acordo com o último boletim médico, divulgado na terça-feira.


De acordo com o médico Roberto Kalil, o infarto de Alencar foi consequência de uma série de fatores, entre eles, o forte tratamento a que ele vem se submetendo contra o câncer.


Na manhã de sábado, depois de mais de 16 horas de viagem, a presidente eleita Dilma Rousseff e o presidente Lula desembarcaram em São Paulo para uma visita de 40 minutos com o vice.

No dia 8 deste mês, ele voltou a se alimentar por via oral depois de passar duas semanas recebendo alimentação por sondas.

O vice-presidente, que enfrenta um câncer na região abdominal há mais de dez anos e já passou por mais de 15 cirurgias, está sofrendo com os efeitos colaterais do novo tratamento. No começo de outubro Alencar passou três dias internado no mesmo hospital.
Em setembro, o vice-presidente internou-se no hospital para tratar um edema agudo de pulmão.
Em julho, ele ficou sete dias internado no hospital. Ele passou por um cateterismo (exame para verificar as condições de vasos sanguíneos).

Por conta do tratamento, o vice-presidente decidiu não concorrer nas eleições deste ano, por considerar uma injustiça com os eleitores.


Alencar retomou as sessões de quimioterapia no início de setembro do ano passado, pouco depois de exames terem demonstrado que os tumores abdominais haviam voltado a crescer. Por isso, interrompeu o tratamento experimental a que se submetia nos Estados Unidos.
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O drama de Alencar, abordado na linguagem fria da notícia sequer pode ser mensurado em toda a sua aterradora essência: conviver o homem, em seu próprio corpo, com aquilo que um dia, próximo ou distante, o irá matar.

Não se trata da irrrevogabilidade da morte, aliviada pela álea da vida que não nos dá, quando em estado de higidez, sinal de quando iremos morrer. Vamos vivendo e pronto. Mas, a quem está com câncer há já a certeza e a causa determinante. Passa-se a conviver com o destruidor encravado no íntimo do ser.

À queda, o retorno; a cada dor a injeção que acalma o corpo em desespero e repara momentaneamente o homem insulado. Alencar vem cumprindo o sofrido ritual do tratamento submetendo o corpo e a mente a um travbalho que salva um pouco, mas também fere e fere muito.

A campanha nessa guerra torna-se pior porque no fundo sabe-se que não haverá salvação, apenas alívio. Mas, ao lado disso, a firmeza de um caráter que não se vergou nem se dobra à ventania bruta de um mal sem limite.