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terça-feira, 1 de novembro de 2016

Roubaram o carro do prefeito: bandidos botam pra quebrar

Sindicato dos Ladrões, Arrombadores,

Assaltantes e Similares-Silada/RN


NOTA OFICIAL

A entidade supramencionada vem a público convocar tal e operosa categoria para que empreenda esforços a fim de ampliar no Rio Grande do Norte um regime de terror e dominação em 2016. 

É válido ressaltar que o roubo do carro do prefeito de Natal, Carlos Eduardo, é demonstrativo bastante claro de que na cidade não há policiamento nem autoridade capaz de nos deter.
 
Sabedores de que a Polícia Militar não dispõe de tropas, recursos ou número suficiente de viaturas para nos enfrentar, envidaremos esforços para que todos os nossos associados possam usufruir de tal estado de coisas com total liberdade e desenvoltura. 

As explosões de cofres em bancos em Natal e interior do estado são o comprovante exato do que acima afirmamos. Assim, bravos companheiros, não temamos: vamos agir com vigor e força a fim de assegurar a todos e a cada um de nós o que é de direito: assaltar, arrombar, roubar e agir sem temor já que a PM não tem condições, como supramencionado, de nos enfrentar. 

É imperioso notar que a falta de vigilância é indício fortíssimo de que especialmente Natal não dispõe de um sistema de ronda digno desse nome.
Assim, temos literalmente a obrigação de, como profissionais competentes e respeitáveis no mundo do crime, trabalhar para garantir nosso bom nome perante os demais membros de nossa comunidade, seja nacional ou internacionalmente. Sejamos, portanto, literalmente bons ladrões. 

O bom ladrão não descansa. O bom ladrão agride sempre; o bom ladrão não perde oportunidade seja domingo, feriado ou dia santo; o bom ladrão é atrevido; o bom ladrão, se preciso, mata. O bom ladrão, em suma, não está nem aí: faz e acontece. 

Assim sendo, colocamo-nos à disposição de todos os companheiros: que andam sempre bem armados e botem pra quebrar.
                                               
                                                A DIRETORIA


quinta-feira, 27 de outubro de 2016

A história do Pobre que virou zumbi



Ele só queria um atestado de óbito; mas acabou na cadeia


Era uma vez Pobre. Pobre era um sem-teto, sem-tudo, sem-nada; sem lenço e principalmente sem documento. E, esse, foi seu grande erro: não ter documentos. Mas, também, pra quê? Ninguém sabia mesmo quem ele era...


E assim foi que certa noite, deitado ao lado de amigos, sentindo o cheiro forte da cachaça de Marimba, velho companheiro de dias de fome, noites de frio, relento e abandono, Pobre morreu. Simplesmente, morreu. Esquecido e anônimo, Pobre foi recolhido como indigente e despejado numa vala. Sem nome, sem choro, nem vela.
Chegando ao Outro Mundo encaminhou-se ao Departamento de Recepção onde uma simpática velhinha o recebeu. 

Ela deu-lhe boas-vindas, garantiu que ali finalmente ele seria feliz e disse para se encaminhar ao Setor de Cadastro. Pobre obedeceu, cabisbaixo e calado como sempre. Lá chegando o funcionário, um tipo grandão, olhar de desagrado, pediu:"Documento." O problema é que pobre, lembra?, não tinha documento.

O homem insistiu:"Documento."
Pobre então respondeu: "Tenho não. Que documento o senhor quer?"

O outro disse: "Certidão de óbito. Sem isso, nem vem que não entra."

Pobre quis saber se poderia conseguir algo, um registro provisório, alguma coisa assim. A resposta foi "não. Aqui é a eternidade, sabia? Aqui é tudo para sempre ou nunca mais. Não tem meio termo, nada é provisório."

Pobre perguntou então o que deveria fazer. Era muito simples, disse o homem: "Você volta e, lá no mundo, você consegue o atestado de óbito. Vá logo, que a eternidade não espera por ninguém."

Pobre fez um esforço enorme para sair da cova rasa e, quando conseguiu chegar à superfície, estava em meio a um temporal. Calado, acostumado a privações, sofrido e abatido, encaminhou-se a uma rua deserta e ali passou a noite, deitado sob uma marquise. Dia seguinte saiu perambulando pela cidade, à procura de uma certidão de óbito.

Foi primeiro a uma repartição pública onde eram atendidos mendigos e explicou sua situação. Disse que tinha morrido, estava com pressa para ir para o Outro Mundo, mas os funcionários disseram que, mesmo entendendo sua situação, nada podiam fazer. 

Não dava para atender quem já tinha morrido. Gente morta era com o pessoal da Intendência, que cuidava de enterrar desvalidos. Sentiam muito. Pobre foi até um Departamento qualquer da Intendência, e nada; também ali não atendiam os mortos. Pobre saiu caminhando, caminhando, até chegar a outra repartição. Ali, causou sensação. 

Uma funcionária, toda apressadinha, anunciou aos colegas que ali estava um morto legítimo, já pensou? Juntou gente, formou-se confusão. Um vereador que ia passando manifestou-se sensibilizado e disse que faria um pronunciamento na Câmara, em favor dos mortos sem documento. O pessoal de uma ONG se propôs a fazer uma manifestação de protesto, pois os mortos também têm direitos e não podem ficar por aí, largados. O alarido era enorme, até que uma radiopatrulha que passava, parou. 

Os soldados queriam saber o que se passava e logo chegaram até Pobre, que já estava desesperado e queria fugir, pois o vereador já conclamava a multidão a uma passeata reivindicatória e gritava: "Os mortos/Unidos/Jamais serão vencidos!" Pobre entrou em pânico e dizia: "Eu só quero meu atestado de óbito." Mas, de nada adiantava. As pessoas só queriam saber "como era o Outro Mundo e como ele havia voltado." 

O sargento que comandava a radiopatrulha, vendo que se tratava de um morto e, pior, de um morto desordeiro, resolveu prendê-lo. Mas foi advertido pelo pessoal da ONG de que Pobre não estava promovendo o tumulto, era vítima dele. Assim, não poderia ser preso. Se fosse em cana, tome protesto. Nisso, o sargento teve uma ideia, a solução para prender Pobre e acabar com a confusão. E disse: "O senhor está preso."Mas como?, quis saber o vereador. Este morto não fez nada. Morrer é crime?" 

O sargento insistiu: "Morrer, pode. Morrer não é crime. Morrer no Brasil é até um direito. Todo pobre tem o direito de morrer o mais rápido possível. Mas zumbi no Brasil é proibido de acordo com a lei número 9989-00000.9987655--876534444. Zumbi só é permitido no Haiti. O senhor é um zumbi, está dando alteração, está fora da lei. Portanto, está preso."
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Foto: https://encrypted-tbn2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTJ20AkcDffPNHZYDE9T3GD0NBqNc14d3IHhWfwaUM1ch0R2TmPig


domingo, 27 de maio de 2012

Chegou a hora da verdadeira mentira

Aproxima-se mais um período eleitoral. Achegam-se dias de promessas, quilômetros de boas intenções, léguas de compromissos, milhas e milhas de obras e gestos magistrais: tudo isso supostamente a favor desse ser coletivo e difuso a quem chamamos povo. Que coisa boa...
http://cotidianews.wordpress.com/2011/02/08/povo/

Se o povo, ao longo da história, tivesse recebido tudo o que lhe vem sendo prometido, houvesse acumulado em suas casas, pelas ruas, campos e florestas as coisas boas que são apresentadas em discursos e programas eleitorais,  hoje não teríamos mais o mundo, senão o Paraíso. 

Seríamos felizes e carga plena, nem mesmo trabalhar seria preciso, uma vez que a sociedade estaria de tal forma organizada - e o perfeito sistema proposto pelos políticos seria provedor tão eficaz - que tudo estaria a nosso dispor ao simples estirar de um braço.

As campanhas políticas tornaram-se espetáculos de convencimento, mais que isso, de sedução, especialmente agora, com a sofisticação dos processos de comunicação. Os políticos são produtos ou a isso assemelhados, a fim de obter o pagamento que tanto desejam: o voto. Eles se vendem como artífices do futuro, engenheiros do equilíbrio social e terminam por ser comprados.

Mas, quando consumidos, ou seja, quando ocupam o cargo que disputaram, costumam causar malefícios ao consumidor, como ocorre com produtos estragados.

Mas, que venha a campanha e a chusma de promessas. Mas o pior de tudo é que somos um povo acorrentado ao voto obrigatório. Quer dizer, o político não é eleito; ele se faz eleger, o que é sutilmente diverso. Sei que o absenteísmo não é caminho válido para o processo político. O indiferentismo não é boa escolha. Mesmo assim, creio que deveria haver neste país uma grande mobilização pregando o voto nulo. De tal forma que os eleitos o fossem com votação mínima, ridícula, demonstrando com isso a sociedade que está atenta aos que mentem para se manter lá no alto e, lá chegando, se locupletam à tripa forra.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Como construir uma cidade chamada Natal

Ó pobres, miseráveis e sofridos moradores desta cidade do Natal à beira-mar plantada. Eis que aqui venho e anuncio minha candidatura a prefeito, o que representa sem dúvida salvação e curso para este burgo. Faço o comunicado após muito meditar e receber chamamentos e convocatórias, e como sempre estive à disposição do povo, assumo esta missão.


E o faço com um grandioso programa de metas à semelhança do fez o saudoso presidente Juscelino Kubitschek. São, todas, metas monumentais, que muito atenderão aos reclamos de uma cidade grande e saudável como aqui a veremos. 

Teremos quatrocentos anos em quatro, o que levará nossa cidade à condição de grande metrópole que é o seu destino. Isto posto, seguem minhas metas e propostas:

1) Farei a inauguração de uma grande construção que se chamará Forte dos Reis Magos;

2) Da mesma forma mandarei cavar um grande buraco que será cheio de água. Esse buraco terá o nome de mar. Assim que der, vou inaugurar o mar;

3) Para conforto da nossa população o mar será dividido em praias. Praia do Forte, Praia dos Artistas, Redinha, Areia Preta, Ponta Negra e por aí vai;

4) Haverá grande festa quando, na praia de Ponta Negra, eu descerrar a fita de abertura de uma obra chamada Morro do Careca. Por minha própria conta já mandei buscar no Paraguai a areia para a construção do citado Morro;

5) Chegando a noite vou inaugurar a escuridão.

6) Determinarei que se junte um bocado de cajueiros em Pirangi - que não é de Natal, mas declararei guerra a quem quer que seja dono e o tomarei para nossa cidade. E que ali seja criado o maior cajueiro do mundo. Informo que este será inaugurado em seis meses de gestão. Meu primeiro ano de governo será comemorado com batida de caju;

7) Cavarei um buracão em forma de estrada, mandarei encher de água à semelhança do mar, e ali será chamado de rio Potengi. 

8) Promoverei grande poluição desse rio com os dejetos de milhares de casas, pois rios poluídos são prova de que estamos em obra e progresso;

9) Criarei uma grande instituição que será chamada Câmara Municipal de Natal para trabalhar em prol dos natalenses;

10) No centro da cidade haverá um grande templo, chamado de catedral. Vamos rezar para que tudo dê certo;

11) Sempre que chover, acredite, será obra de minha realização. E funcionários públicos estarão nas ruas e acompanharão as pessoas com guarda-chuvas para que ninguém se molhe;

12) Serão inaugurados o sol e as nuvens.As nuvens e o sol serão customizados e atrairão novos e mais turistas. O sol e as nuvens serão inaugurados a devido tempo;

13) Em todas ruas que não forem calçadas farei instalar grande quantidade de material chamado areia;

14) E em todas essas ruas farei implantar uma coisa chamada catabilho para auxiliar o tráfego;

15) Criarei algo importantíssimo chamado placa. Placas são objetos planos e largos onde se escrevem coisas. E em cada local onde houver obra de minha administração será colocada uma placa. E isso comprovará a tese de que placas também são grandes obras;

16)  Farei inaugurar uma coisa chamada chão. E haverá um grande programa de casas populares. A prefeitura dará o chão gratuitamente a cada morador. É só passar a pegar o seu;

17) Vou inaugurar também a maré e o mangue e construirei grande quantidade de buracos. 

18) Afinal, vou mandar derrubar o Forte dos Reis Magos e em seu lugar construir as pirâmides do Egito. Tenho dito.

Caríssimo, confio em você e em sua capacidade de escolher o melhor para nossa cidade. Afinal, serão obras assim que nos levarão ao futuro. Como prova de que quero botar para quebrar já derrubei o Machadão – não sei se você viu como ficou bacana. Não acredite em nenhum outro candidato. Tudo o que este disser serão mentiras e fabulações. Precisamos dar um banho de realidade em nossa cidade Natal.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Veja só que festa de arromba

Foto: Aldair Dantes, Tribuna do Norte
Natal em carne-viva na esbórnia do Carnatal

Mesmerizados: o pesadelo vem depois do Carnatal
Enquanto uns poucos se divertem com o Carnatal, Natal está em carne-viva: o Auto do Natal foi suspenso por falta de dinheiro da Prefeitura para custear o evento. Para completar, ouvi na Rádio Universitária FM que o funcionalismo municipal está em pé de greve: não foi pago o décimo-terceiro mês, esse abono providencial que ameniza a vida do trabalhador no fim de ano.

Ao que parece vivemos um sonho louco que lembra aquela tela de Salvador Dali, uma que tem por nome a esquisita palavra "Mesmerizado", isto é: enfeitiçado, hipnotizado.

Retraduzindo para o nosso caso: uma alucinação coletiva em que se comemora de alguma forma a entrada de Natal na fase preparatória da esbórnia da Copa do Mundo, se festeja não-sei-o-quê no Carnatal, digo Carne-Viva, e se escarnece do funcionalismo público que não recebera seu dinheiro até hoje de manhã.

Desassizados e  insensatos de todos os matizes reúnem-se para festejar o descalabro pago com o dinheiro público. Pelo menos 1.200 policiais trabalham no Carne-Viva toda noite. São substituídos dia seguinte. Essa tropa falta nas ruas, becos, esquinas e espeluncas. Falta polícia, falta, falta tudo. E o povo no Carne-Viva tem a pipoca para se enganar: gente empilhada atrás de um trio elétrico. Gente que no Carne-Viva nada mais  que carne-seca.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Deu na Tribuna que clamor público pressiona contra aumento de IPTU.

Moradores pedem mudança no IPTU


De um lado o secretário de Tributação, André Macedo, respaldado pela legislação e por relatórios técnicos de geoprocessamento, explicando as medidas adotadas pela prefeitura; de outros, líderes comunitários indignados, elevando o tom das críticas e até defendendo a adoção de um movimento de desobediência civil para que o tributo não seja pago enquanto o poder público não der respostas efetivas às demandas dos moradores. Reforçando o tiroteio, vereadores de oposição lamentando à falta de transparência e a insensibilidade da prefeitura na condução do problema.

Foi esta a tônica da audiência pública realizada ontem na Câmara Municipal para discutir o aumento do Imposto Predial e Territorial Urbano de Natal que, em alguns casos, chegou a  de 1.500%, segundo informações do autor da proposta de audiência, vereador George Câmara (PCdoB). 

A desobediência civil foi defendida pelo líder comunitário da Cidade da Esperança Lúcio Carlos, que reclamou do abandono do bairro, o primeiro conjunto habitacional do Brasil, construído no início da década de 1960 pelo então governador Aluízio Alves.  “A Rua Natal está cheia de buracos e lixo. Solicitamos uma ação da prefeitura há mais de um ano e nada foi feito”, disse ele. “É uma sacanagem dizer  que vai tomar a casa de quem não pagar o IPTU”, complementou.

Representando os moradores do loteamento José Sarney, João Bosco Tavares reclamou do aumento exorbitante do imposto e citou o caso de uma residência cujo IPTU subiu para R$ 680, enquanto o do  vizinho foi de R$ 50. “Como pode uma comunidade que tem a maioria das famílias inscritas no Bolsa Família pagar IPTU de R$ 600?”

Antônio Barbosa, da Cidade Satélite, considerou a situação do maior conjunto habitacional da cidade  “uma vergonha” em se tratando de bairro da zona sul. “Parece que os órgãos públicos fecharam os olhos para nós.” Já o representante do Jardim Progresso reclamou da falta de calçamento e de escola e de falhas na iluminação pública e na coleta de lixo. “O caminhão só está passando uma vez por semana”, disse ele.

Insatisfeito com o aumento do imposto, Gilberto Fonseca, do Cidade Praia, desabafou: “A prefeitura  não pode mandar só o cobrador para a nossa comunidade. Ela tem de mandar também o pessoal da ação social, das obras de infraestrutura.”

O advogado das entidades comunitárias,  Luiz Gomes, disse que houve falhas no geoprocessamento, que a verificação dos dados recebidos foi feita por amostragem e sugeriu que a Prefeitura do Natal reconhecesse as falhas e aceitasse uma solução negociada para evitar a judicialização do problema. “É fato que houve erros e que esses erros geraram impacto sócio-econômico nas pessoas, especialmente nas de baixa renda.” Depois de fazer uma explanação dos debates já realizados anteriormente e diante das posições assumidas pela prefeitura, Luiz disse que vai aguardar mais dez dias para então tomar as medidas cabíveis e que torcia por uma solução negociada. “Ao adotar a solução judicial, estamos elegendo um terceiro poder, que é o Judiciário, para resolver um problema administrativo.”

Para o presidente da Federação Estadual dos Conselhos Comunitários e Entidades Beneficentes do Rio Grande do Norte, Paulo César Oliveira, a audiência foi importante porque mostrou os vários aspectos da questão do IPTU. Ele defende a tese de que o Poder Legislativo pode se engajar na luta pela cobrança do tributo levando em conta não apenas questões técnicas, mas também a parte social dos contribuintes.

Para o vereador George Câmara, é fundamental que a prefeitura antes de buscar a todo custo recolher os impostos, dê aos cidadãos natalenses, direitos essenciais como saúde e educação. “Será que o aumento e o valor cobrado pelo IPTU são justos? Temos ruas esburacadas, faltam médicos e remédios, não há limpeza urbana freqüente, falta iluminação e nossa educação vai de mal a pior.

Micarla de Sousa admite levar em conta a questão social

Diante do que foi colocado na audiência pública, a prefeita Micarla de Sousa (PV) pediu um levantamento ao secretário de Tributação sobre a questão do IPTU, inclusive com número de contribuintes isentos. A informação foi dada no final da tarde de ontem pelo secretário executivo do Gabinete Civil, Rivaldo Fernandes, que acompanhou os debates na Câmara Municipal.

Segundo Rivaldo, a prefeita determinou que a Secretaria de Tributação “olhasse de maneira especial” para idosos, desempregados e para as famílias inscritas no programa Bolsa Família do governo federal.

A determinação da prefeita vai obrigar o secretário André Macedo  a mudar o discurso, até então respaldado em questões técnicas e no estrito cumprimento da lei. “A prefeitura vai corrigir todos os erros no cadastro”, garantiu Rivaldo.

Nos 20 minutos a que teve direito no encerramento da audiência, André Macedo perdeu boa parte do tempo justificando a adoção do geoprocessamento. “É impossível fazer a medição de 300 mil imóveis usando a trena.”

Ao responder a uma pergunta sobre arrecadação e aplicação dos recursos do IPTU, o secretário informou que no ano passado foram arrecadados, entre IPTUl e  taxa de limpeza pública, R$ 65 milhões. “Com esse dinheiro não tínhamos nem como pagar as despesas com a coleta de lixo’.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Um menino pobre, um engasgo e uma vida posta em risco

Leio no blog Abelinha.com, de Eliana Lima:

Na falta de UTI Pediátrica nos hospitais do Estado, e de atitudes para providenciar, a Prefeitura de Natal entrou em campo para salvar a vida do menino Matheus Brito da Silva, 3 anos, que estava na UPA do Pajuçara necessitando urgentemente de ser transferido para uma UTI.

Na primeira hora desta sexta-feira (18), 1h, Matheus foi transferido numa ambulância do Samu para uma UTI no Hospital Antônio Prudente, do Hapvida.

Antes, o secretário Thiago Trindade tentou no Papi, mas a única UTI disponível foi à preferência de particular que chegou em estado grave. Caso não desse certo no Hapvida, já se estudava a instalação de uma UTI improvisada no Hospital Walfredo Gurgel, conforme informou ao blog, noite de ontem, o secretário de Comunicação da Prefeitura, jornalista Jean Valério.

Mas a demora pode ter sido faltal para Matheus. Seu estado se agravou. Muito grave. A demora para a transferência pode resultar na sua partida. Apenas três anos, antes saudável e cheio de vida para brincar, o que, aliás, gostava e fazia bastante.

Matheus estava bem atendido na UPA, entubado, respirador adequado, mas necessitava de uma UTI e de acompanhamento neurológico. Como a unidade não dispõe de médico neurologista, em nenhum momento ele foi observado por um. Precisou passar por tomografia computadoriza, não não houve possibilidade para fazê-lo no Walfredo. E desde quarta-feira que sua vida – alertada por várias vezes neste blog e no twitter.com/elianalima – corria sérios riscos. Mas o socorro necessário não chegava. Apenas na madrugada desta sexta.

Matheus engasgou-se com um caroço de pitomba, ficou asfixiado, teve parada cardíada e foi atendido a tempo pelo Samu Natal. A partir daí começou mais um processo de angústia e desespero dos profissionais do Samu. Motivo de sempre, de todos os dias: falta de UTI nos hospitais públicos. A solução foi encaminhá-lo para a UPA do Pajuçara, onde foi bem atentido, mas sem UTI e neurologista, insuficiente para salvar sua preciosa vida em desenvolvimento.

Agora é rezar e esperar que um milagre faça Matheus voltar à vida de antes.
Em tempo: o problema de engasgo  é um dos maiores vilões que ceifam vidas de crianças. Muitas vezes por falta de orientação dos próprios pais. É passada a hora das autoridades de saúde pensarem, e realizarem, uma campanha de prevenção contra o engasgo.
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É aí onde bato na tecla: Natal precisa de um estádio de futebol para a Copa de 2014, quando se realizarão jogos de segunda categoria, ou de UTIs em hospitais públicos? Nem preciso responder. Se as autoridades tivessem mesmo o compromisso que alegam ter com a sociedade, o caso desse menino possivelmente já teria sido solucionado. 

E quanto refiro a autoridades não me dirijo às atuais prefeita ou governadora.  Incluo todos os que as antecederam. Autoridade, digo, em seu  sentido histórico, Poder Público. atuante, proativo. Esse problema é antigo e jamais enfrentado com a decisão política  necessária e enérgica em busca de solução.

A jornalista detalhou, ademais, aspecto estarrecedor: o menino, pobre, deixou de ser atendido em favor de paciente "particular".

O que se vê então, até o momento em que redijo, é uma situação dramática, em que a Prefeitura busca uma solução emergerncial. Louvável, mas emergencial. Tentei falar com o secretário de Comunicação da Prefeitura, Jean Valério, mas a ligação caiu na caixa postal. Deixei recado e aguardo resposta. 


quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

 Meu encontro com Yasser Arafat; e as mulheres que choravam a seus pés

Ao ler hoje no Estadão que o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, estará presente à posse de Dilma, lembrei-me do dia em que estive frente a frente com o lendário Yasser Arafat, então lider da Organização para a Libertação da Palestina-OLP, hoje ANP. O ano era 1995; dia e mês não lembro. O presidente era Fernando Henrique Cardoso e Arafat estava em Brasília para com ele conferenciar. 
http://electronicintifada.net/v2/article3288.shtml

Pois bem: eu era secretário de Imprensa do prefeito Aldo Tinoco e fora com ele a Brasília. Aldo ia tratar de liberar recursos para o seu bem sucedido projeto de saneamento e drenagem de boa parte da cidade, obra que a história, pelo menos até hoje, jamais fez justiça.

Estávamos no mesmo hotel em que se encontrava o empresário Sami Elali. Então, num desses acasos da vida, nos encontramos com ele no restaurante do hotel e Sami nos convidou para, dia seguinte, comparecermos a um café-da-manhã a ser oferecido a Arafat num outro hotel, homenagem da comunidade árabe.

No outro dia tomamos um taxi e nos dirigimos ao encontro de Sami. Eram mais ou menos sete horas. Percorremos o esplendor monumental de Brasília e quinze minutos depois estávamos hotel onde se daria a homenagem. Ao descer do taxi notamos que faltava algo essencial: um convite, um papel, um bilhete de recomendação, qualquer coisa escrita que garantisse à segurança que éramos bem-vindos. Fôramos convidados pela proverbial elegância e cavalheirismo de Sami, mas disso a segurança de Arafat não sabia. E o ex-guerrilheiro era um dos homens mais bem protegidos do mundo, como é fácil de imaginar.

E agora?, dissemos um para o outro. Olhamos para os lados, nada de Sami. Olhamos mais uma vez, o canto mais limpo: Sami, simplesmente não estava ao alcance da vista. Falha nossa: nem eu nem Aldo havíamos marcado um lugar próximo ao hotel, onde pudéssemos nos encontrar.

A solução foi a seguinte, caminhamos reto em direção ao grande edifício. E sempre que passávamos por alguém eu dizia "salaam aleikum", (a paz esteja convosco), fazíamos uma ligeira reverência e andávamos, passo firme e certo. Havia homens empaletozados por toda parte, nós também, e aqueles que eram grandalhões logo deixavam perceber: eram os seguranças de Arafat. 

A pequena aventura durou no máximo uns cinco minutos, mas parecia que transitávamos pelo mais longo dos dias. Afinal, se houvesse uma abordagem, se fôssemos tidos como suspeitos, se fôssemos revistados e dadas as devidas explicações,  até que Sami fosse localizado... sei não... Bem, afinal chegamos ao hotel. E quem vemos logo no saguão? Sami. Ele já se preparava para nos procurar e manifestou seu alívio com um sorriso deste tamanho.

Pouco depois subimos ao restaurante. Café-da-manhã é expressão pouca para descrever a cena: Gigantesca mesa, recoberta pelas mais finas iguarias da cozinha árabe, esperava os convidados. A decoração mourisca era um espetáculo à parte. A meu lado um empresário árabe convidou-me a experimentar um manjar. Falava português fluentemente.

A conversa seguiu animada; amenidades, diga-se de passagem, pois não seria politicamente conveniente, pelo menos da parte dele, tratar da questão palestina. Em meio aos convivas, largos como as portas de uma imponente mesquita, uns sujeitos trafegavam como sombras monumentais. Então, fez-se silêncio: uma grande fila formou-se a partir da entrada do restaurante: lado a lado, viamos a chegada da lendária figura.

Eu esperava dar de cara com um homenzarrão, alto, parrudo. Qual não foi a minha surpresa quando me deparei com alguém de estatura digamos, comum. E lá vinha Arafat com seu keffiyeh, olhinhos pretos brilhantes, a barba grisalha bem aparada e um sorriso que era como um abraço. A cada um foi apertando a mão ao mesmo tempo em que curvava elegantemente a cabeça. 

Pensava que iria tocar a mão calejada como a de um beduíno, mas ao cumprimentá-lo mais parecia estar trocando respeitos com um fidalgo. Foi um contato mínimo, mas deu para notar a força interna daquele homem ao mesmo tempo em que percebia o fascínio que provocava em seus compatriotas, o respeito, a fidelidade irrestrita que lhe era manifesta.

À época, o atual ministro da Defesa, Nelson Jobim, era ministro da Justiça da FHC e chegara pouco antes de Arafat. Encerrados os cumrimentos, o líder palestino seguiu até o fundo do salão, onde foi recepcionado pelo ministro que lhe deu as boas vindas. Em seguida, Arafat, em árabe agradeceu. Então, sem que ninguém esperasse, irrompeu no salão um momento de dor, uma espécie de pequena, mas intensa e pungente solenidade de angústia, um pedido de socorro e amparo: aos gritos, em árabe, três mulheres, vestidas de xador, percorreram o salão e atiraram-se aos pés daquele pequeno gigante.

Formou-se pequeno tumulto, os seguranças se retesaram, mas não as impediram de falar e tocar a figura icônica do líder. Cabeças baixas, quase tocando os sapatos de Arafat, elas imploravam pela vida de uma jovem, Samia, presa em Israel. Eram, suponho, a mãe e duas irmãs da prisioneira. Mãe, com certeza, uma delas era. Arafat, benévolo, curvou-se e tocou-lhes as mãos. Dava para ouvir a rápida e ininteligível conversa. Pouco depois o pequeno grupo retirou-se em meio a pesado silêncio.

A questão era o seguinte: as mulheres tinham ascendência árabe, mas eram brasileiras; e Samia, a moça aprisionada, mantivera romance com um militante da causa palestina. Adepto de ações violentas ele havia explodido uma Kombi, matando soldados israelenses. Samia acabou sendo envolvida no atentato e passou a ser tida como terrorista. Assim, as mulheres, aproveitando a oportunidade, vinham implorar para que Arafat, em sua conferência com FHC, pedisse pela libertação da jovem.

Que eu me lembre, tempos depois foram atendidas. Mas, voltando ao banquete: quando todos começaram a se servir Aldo virou-se para mim e disse: "Barreto, olhe a cara do ministro". Sim, era preciso ver o semblante quase apavorado de Jobim, por se encontrar ali, naquele imenso salão. Como um raio veio-me a ideia: o ministro deve estar temendo algum atentado a Arafat ou algo assim. Afinal, se nós havíamos passado tão facilmente pela segurança, imagine alguém com intenções, digamos, beligerantes e capacitado a atos de guerra, o que não poderia fazer.

Entendi rapidamente o que ele queria dizer, acabei de tomar o meu café, disse salaam aleikum ao empresário, que ainda estava a meu lado, e saímos de lá mais que depressa...

À tarde, conversando sobre o episódio com um jornalista, correspondente em Brasília, ele contou-me o seguinte: "Barreto, fizeram bem em sair. Sabe porquê? O pessoal da segurança, aqui, aqui anda meio apavorado com essa história de atentado: imagine você que de manhã fui acordado por um barulho estranho do lado de fora do meu apartamento. Um barulho de motor. Quando puxei a cortina da janela do meu quarto no hotel, um helicóptero de guerra estava lá, pairando, e os caras, de metralhadora em punho, olhando para mim..."