Leio terrificado, no portal Terra, a seguinte informação:
Iraniana acusada de adultério será apedrejada amanhã, diz ONG
A iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, cuja condenação a morrer apedrejada provocou uma onda de manifestações na comunidade internacional, será executada amanhã, indica o Comitê Internacional contra Apedrejamento.
As autoridades iranianas ordenaram executá-la na prisão de Tabriz, onde Sakineh está detida, detalha a organização em comunicado divulgado em seu site.
O Comitê Internacional contra o Apedrejamento já tinha informado no último dia 11 que o filho de Sakineh tinha sido detido pela polícia iraniana junto ao advogado de sua mãe e a dois jornalistas alemães que pretendiam entrevistá-lo.
O Governo de Berlim confirmou posteriormente a detenção dos dois cidadãos alemães, identificados pela imprensa como jornalistas do jornal Bild am Sonntag. Eles foram presos no dia 10 de outubro, na cidade iraniana de Tabriz (noroeste).
O Comitê convocou um protesto em Paris para esta terça-feira, às 14h local (11h de Brasília) perante a embaixada iraniana na França, bem como uma passeata em frente à sede do Parlamento Europeu, em Bruxelas.
Sakineh Ashtiani, 43 anos, mãe de dois filhos, foi condenada à morte por apedrejamento em 2006 por ter mantido relações sexuais com dois homens após a morte de seu marido.
Mas tarde, também foi acusada de ser cúmplice no assassinato de seu marido e, desde então, permanece detida na prisão de Tabriz, no norte do país.
A mobilização da comunidade internacional aumentou depois que o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva - que mantêm boas relações com o governante iraniano, Mahmoud Ahmadinejad - ofereceu asilo político a Sakineh, reivindicação que foi rejeitada pelas autoridades do Irã.
"Não é justo alguém ter o direito de ter uma empresa de aviação e outro não ter o direito de comer um pão." /////// JAMAIS IDE A UM LUGAR GRANDE DEMAIS. A UM LUGAR AONDE NÃO TENHAIS CORAGEM DA IMENSIDÃO - EMANOEL BARRETO - NATAL/RN
terça-feira, 2 de novembro de 2010
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Elegia para o Dia de Finados
Notícia sobre a Morte
Emanoel Barreto
Mas a Morte era uma menina e não sabia que matava. "Eu somente pego a Vida e brinco com ela de boneca."
E foi. Mas não levou consigo a minha Vida.
Emanoel Barreto
A Morte se achegou, tão linda.
Tão linda era a Morte em seu vestido branco.
Estranhei a Morte. Pensava que a Morte era uma velha adunca. Mas a Morte era uma menina.
Sim, a Morte era uma menina.
E eu perguntei porque nos tirava a Vida.
E foi. Mas não levou consigo a minha Vida.
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A mão que afaga...
Eamoel Barreto
Foi promissor o discurso proferido pela presidente eleita, Dilma Rousseff, na noite de domingo, após a confirmação de sua vitória eleitoral. O pronunciamento, que se revestiu de características de uma carta de intenções, convidou o país à conciliação, prestigiou a ordem democrática e sugeriu diretrizes de governo elogiáveis.
Como seria de esperar, a futura mandatária comprometeu-se com os direitos e garantias constitucionais. Incisivamente, com o intuito de dirimir suspeitas, prometeu zelar "pela mais irrestrita" liberdade de imprensa e de religião.
Na economia, foi além das promessas protocolares de responsabilidade, respeito a contratos e estímulo ao crescimento. Em considerações que poderiam ser endossadas por opositores e críticos dos atuais rumos do governo, fez questão de citar a "melhoria da qualidade do gasto público" e a "atenuação da tributação".
Não esqueceu também o respaldo às hoje aparelhadas agências reguladoras, para que atuem com "determinação e autonomia" na promoção da "saudável concorrência" -fraseologia que faz lembrar a influência do ex-ministro Antonio Palocci na campanha.
Ainda na área econômica, Dilma Rousseff referiu-se a cuidados com o ambiente, num aceno ao eleitorado de Marina Silva. E revelou ciência das dificuldades oferecidas pelo cenário global ainda marcado por sequelas da crise financeira -que exigirá de seu governo esforços para compensar a pouca pujança dos países ricos.
Nesse quadro, foi auspiciosa a menção às melhorias microeconômicas, com a valorização de "mecanismos que liberem a capacidade empreendedora de nosso empresariado e de nosso povo".
No que tange à administração pública, comprometeu-se com a transparência e ecoou o discurso de seu adversário José Serra, ao falar em "meritocracia" e garantir que não terá "compromisso com o erro, o desvio e o malfeito".
A presidente eleita foi menos específica ao se referir ao tema estratégico da educação, bem como à saúde e à segurança. Haverá por certo oportunidade adequada para que esclareça em detalhes suas políticas para essas áreas.
No terreno das reformas, o discurso enfatizou a política, para "elevar padrões republicanos" e avançar "em nossa jovem democracia". É uma tecla na qual o presidente Lula passou a insistir depois do escândalo do mensalão.
É fato que o sistema partidário e eleitoral tem defeitos. Parece no entanto irrealista e inapropriado que se consuma capital político em demasia nessa questão, na esperança de que novas regras venham a evitar mazelas que dependem, na realidade, de vigilância pública e de evolução da cultura política para serem sanadas.
Embora não devam ser consideradas como mais do que são -declarações políticas de uma candidata vitoriosa, que precisa atrair simpatias na metade do eleitorado que não a sufragou-, as primeiras palavras da futura presidente deixaram boa impressão.
Foto: http://www.google.com.br/imgres?imgurl=https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEh-6if0k0_OANl5943j7Lby9LcdXtFGe5yBpa5-StcNFE1bvOA__tRqjMD9MIvvAanGSB3L0AL_O5qfOlKsRlUtVivQgIp4cM-r-SfuNe3S5tp8BHINIHlsFeULSH_d0PBsrbB-/s400/pedras+1.jpg&imgrefurl=http://fatosnoespelho.blogspot.com/2010/08/o-pt-e-o-ira-mao-que-afaga-e-mesma-que.html&usg=__NlNnpZgzctlHW2NG8kvLOO-zaBI=&h=193&w=280&sz=17&hl=pt-br&start=62&sig2=puzz6_vi8CWgXENFURkPrA&zoom=1&
Eamoel Barreto
A Folha sai hoje com editorial de mesuras à presidente Dilma. Como convém a um jornal que se pretende plural, apartidário e crítico - elogios e bom senso analítico são também manifestações de crítica, diga-se de passagem - o jornalão dos Frias concedeu à eleita dose homeopática de candura. Segue a transcrição, com um lembrete: a mão que afaga...
Boa impressão
Foi promissor o discurso proferido pela presidente eleita, Dilma Rousseff, na noite de domingo, após a confirmação de sua vitória eleitoral. O pronunciamento, que se revestiu de características de uma carta de intenções, convidou o país à conciliação, prestigiou a ordem democrática e sugeriu diretrizes de governo elogiáveis.
Como seria de esperar, a futura mandatária comprometeu-se com os direitos e garantias constitucionais. Incisivamente, com o intuito de dirimir suspeitas, prometeu zelar "pela mais irrestrita" liberdade de imprensa e de religião.
Na economia, foi além das promessas protocolares de responsabilidade, respeito a contratos e estímulo ao crescimento. Em considerações que poderiam ser endossadas por opositores e críticos dos atuais rumos do governo, fez questão de citar a "melhoria da qualidade do gasto público" e a "atenuação da tributação".
Não esqueceu também o respaldo às hoje aparelhadas agências reguladoras, para que atuem com "determinação e autonomia" na promoção da "saudável concorrência" -fraseologia que faz lembrar a influência do ex-ministro Antonio Palocci na campanha.
Ainda na área econômica, Dilma Rousseff referiu-se a cuidados com o ambiente, num aceno ao eleitorado de Marina Silva. E revelou ciência das dificuldades oferecidas pelo cenário global ainda marcado por sequelas da crise financeira -que exigirá de seu governo esforços para compensar a pouca pujança dos países ricos.
Nesse quadro, foi auspiciosa a menção às melhorias microeconômicas, com a valorização de "mecanismos que liberem a capacidade empreendedora de nosso empresariado e de nosso povo".
No que tange à administração pública, comprometeu-se com a transparência e ecoou o discurso de seu adversário José Serra, ao falar em "meritocracia" e garantir que não terá "compromisso com o erro, o desvio e o malfeito".
A presidente eleita foi menos específica ao se referir ao tema estratégico da educação, bem como à saúde e à segurança. Haverá por certo oportunidade adequada para que esclareça em detalhes suas políticas para essas áreas.
No terreno das reformas, o discurso enfatizou a política, para "elevar padrões republicanos" e avançar "em nossa jovem democracia". É uma tecla na qual o presidente Lula passou a insistir depois do escândalo do mensalão.
É fato que o sistema partidário e eleitoral tem defeitos. Parece no entanto irrealista e inapropriado que se consuma capital político em demasia nessa questão, na esperança de que novas regras venham a evitar mazelas que dependem, na realidade, de vigilância pública e de evolução da cultura política para serem sanadas.
Embora não devam ser consideradas como mais do que são -declarações políticas de uma candidata vitoriosa, que precisa atrair simpatias na metade do eleitorado que não a sufragou-, as primeiras palavras da futura presidente deixaram boa impressão.
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Larry Clark, o maldito, enfrenta censura em museu de Paris
Emanoel Barreto
O fotógrafo Larry Clark, figura icônica quando se trata da captura de imagens humanas em vivências de sexo e drogas em idade jovem, sofre restrições à sua mostra no Museu de Arte Moderna de Paris.
Clark é uma espécie de maldito da imagem. Dedica-se a expor tais circunstâncias numa forma de fotografia militante, manifestando aceitação plena do comportamento transgressor.
São flagrantes a que se poderia chamar de flagrantes programados - o que por si anula o flagrante - mas que sugerem a ideia de ter sido colhidos à socapa.
Emanoel Barreto
O fotógrafo Larry Clark, figura icônica quando se trata da captura de imagens humanas em vivências de sexo e drogas em idade jovem, sofre restrições à sua mostra no Museu de Arte Moderna de Paris.
Clark é uma espécie de maldito da imagem. Dedica-se a expor tais circunstâncias numa forma de fotografia militante, manifestando aceitação plena do comportamento transgressor. São flagrantes a que se poderia chamar de flagrantes programados - o que por si anula o flagrante - mas que sugerem a ideia de ter sido colhidos à socapa.
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segunda-feira, 1 de novembro de 2010
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A mão que balança o berço
Emanoel Barreto
Dilma não é uma boa oradora. Nisso, Serra, que nesse quesito também não é nenhuma sumidade, a supera com reletiva facilidade. Por isso os pequenos atropelos nos debates, a aparência de indecisão do que dizer.
Esse nariz de cera é apenas para referir o pronunciamento da presidente eleita. Que, sem se utilizar de artifícios retóricos, frases de efeito, tentativa de figuração de carisma que não tem nem tentou encenar, apelou para uma fórmula mais simples e eficaz: narrar com argumentação objetiva o princípio de sua saga e expor o limiar do tempo a que dará partida.
O limiar, entendo, é uma fronteira de começo, o espaço que se alarga ante a visão do líder ou da líder, do ator político que irá lidar com o futuro que perscrutou. O limiar é o campo social a ser vivido, convivido, disputado. Ambiente complexo de avanços e recuos, paradas táticas e avanços decididos.
Foi assim que Dilma explicitou qual o seu limiar: incentivo à iniciativa privada, diálogo com segmentos religiosos, respeito à opinião da imprensa, manutenção dos programas sociais, fortalecimento da economia para que dispute os mercados internacionais.
Um discurso que aplaca qualquer dúvida, até mesmo dos mais renitentes adversários. E mesmo que não acalme os adversários, não lhes dará chances de afirmar que, logo de início, não lhes estendeu a mão. Refiro-me a Serra e a seu PSDB, onde já se pressente cizânia entre aquele e Aécio apontado por muitos como "culpado" de débâcle do serrismo.
Ao falar sobre a iniciativa privada deu a entender que não se colocará como adversária do capitalismo. Antes aproveitará seu potencial desenvolvimentista e empreendedorismo para gerar empregos e fazer mover-se a economia segundo as regras do mercado.
Ao abordar os segmentos religiosos deixou claro que entende esse estamento como parcela da sociedade civil. Foi bastante clara no último pleito a presença dos êmulos religiosos como integrantes da política. Não há como desconhecer que a religião, no Brasil, é um caso de política. Crenças, por mais obscurantistas que sejam, têm peso sim no processo político e isso não pode ser ignorado.
Mesmo no Estado laico os líderes religiosos, mesmo os sectários das seitas mais fundamentalistas, reivindicam ser ouvidos, pois o quadro histórico lhes confere legitimidade para opinar no conflituoso e emaranhado campo que mescla convicções de fé e manifestações dessa fé no quadro da busca de ocupação de espaços. Portanto, é preciso entendê-los como parte da sociedade civil. Sem capitulações, porém.
Quanto aos empresários, ficou claro o apoio e o incentivo à pequena e média empresas, buscando inserir tais negócios na formalidade - e nisso só têm a ganhar. As demais empresas, por sua própria compleição econômica, também terão apoio a que continuem a gerar emprego, renda e recolhimento de impostos.
Dilma foi clara com relação à imprensa, que lhe foi tão hostil ao longo de todo o processo de disputa: respeitará as opiniões e críticas, por compreender que o jornalismo é um dos pilares da democracia, sendo assim necessário que atue segundo o seu papel histórico.
Pronunciamento com maior dose de boa vontade, impossível. Tático, o discurso poderá ser recordado sempre que necessário como demonstrativo dessa boa vontade. Sincero, porque despido da oratória arrebatadora e salvacionista que caracteriza os pronunciamentos dos que se apresentam como taumaturgos e timoneiros de aventuras históricas.
Teria sido fácil, facílimo, acionar seu sistema de marketing para que produzisse peça voltada para uma espécie de colóquio monumental dirigido às massas, envergando a vencedora a armadura da guerreira. Antes, preferiu palavras simples que convocam à mobilização e ao encaminhamento naturalizado das ações do cotidiano nacional em seu processo de permanente vir a ser.
Creio que temos oportunidae ímpar para o exercício da grande política. Para tanto, será necessário uma oposição vigilante, mas sem o escudo e a lança do legionário agressivo; uma imprensa crítica, mas que escape ao jornalismo de ferocidade, ocultando no noticiário e na opinião as intenções de partidos políticos.
Dilma agora dará início às negociações para a composição ministerial. Passou a fase do enfrentamento, acabou a campanha e agora chega a hora da maternidade austera. E ela sabe que ela, só ela, é a mão que balança o berço.
Emanoel Barreto
Dilma não é uma boa oradora. Nisso, Serra, que nesse quesito também não é nenhuma sumidade, a supera com reletiva facilidade. Por isso os pequenos atropelos nos debates, a aparência de indecisão do que dizer.
Esse nariz de cera é apenas para referir o pronunciamento da presidente eleita. Que, sem se utilizar de artifícios retóricos, frases de efeito, tentativa de figuração de carisma que não tem nem tentou encenar, apelou para uma fórmula mais simples e eficaz: narrar com argumentação objetiva o princípio de sua saga e expor o limiar do tempo a que dará partida.
O limiar, entendo, é uma fronteira de começo, o espaço que se alarga ante a visão do líder ou da líder, do ator político que irá lidar com o futuro que perscrutou. O limiar é o campo social a ser vivido, convivido, disputado. Ambiente complexo de avanços e recuos, paradas táticas e avanços decididos.
Foi assim que Dilma explicitou qual o seu limiar: incentivo à iniciativa privada, diálogo com segmentos religiosos, respeito à opinião da imprensa, manutenção dos programas sociais, fortalecimento da economia para que dispute os mercados internacionais.
Um discurso que aplaca qualquer dúvida, até mesmo dos mais renitentes adversários. E mesmo que não acalme os adversários, não lhes dará chances de afirmar que, logo de início, não lhes estendeu a mão. Refiro-me a Serra e a seu PSDB, onde já se pressente cizânia entre aquele e Aécio apontado por muitos como "culpado" de débâcle do serrismo.
Ao falar sobre a iniciativa privada deu a entender que não se colocará como adversária do capitalismo. Antes aproveitará seu potencial desenvolvimentista e empreendedorismo para gerar empregos e fazer mover-se a economia segundo as regras do mercado.
Ao abordar os segmentos religiosos deixou claro que entende esse estamento como parcela da sociedade civil. Foi bastante clara no último pleito a presença dos êmulos religiosos como integrantes da política. Não há como desconhecer que a religião, no Brasil, é um caso de política. Crenças, por mais obscurantistas que sejam, têm peso sim no processo político e isso não pode ser ignorado.
Mesmo no Estado laico os líderes religiosos, mesmo os sectários das seitas mais fundamentalistas, reivindicam ser ouvidos, pois o quadro histórico lhes confere legitimidade para opinar no conflituoso e emaranhado campo que mescla convicções de fé e manifestações dessa fé no quadro da busca de ocupação de espaços. Portanto, é preciso entendê-los como parte da sociedade civil. Sem capitulações, porém.
Quanto aos empresários, ficou claro o apoio e o incentivo à pequena e média empresas, buscando inserir tais negócios na formalidade - e nisso só têm a ganhar. As demais empresas, por sua própria compleição econômica, também terão apoio a que continuem a gerar emprego, renda e recolhimento de impostos.
Dilma foi clara com relação à imprensa, que lhe foi tão hostil ao longo de todo o processo de disputa: respeitará as opiniões e críticas, por compreender que o jornalismo é um dos pilares da democracia, sendo assim necessário que atue segundo o seu papel histórico.
Pronunciamento com maior dose de boa vontade, impossível. Tático, o discurso poderá ser recordado sempre que necessário como demonstrativo dessa boa vontade. Sincero, porque despido da oratória arrebatadora e salvacionista que caracteriza os pronunciamentos dos que se apresentam como taumaturgos e timoneiros de aventuras históricas.
Teria sido fácil, facílimo, acionar seu sistema de marketing para que produzisse peça voltada para uma espécie de colóquio monumental dirigido às massas, envergando a vencedora a armadura da guerreira. Antes, preferiu palavras simples que convocam à mobilização e ao encaminhamento naturalizado das ações do cotidiano nacional em seu processo de permanente vir a ser.
Creio que temos oportunidae ímpar para o exercício da grande política. Para tanto, será necessário uma oposição vigilante, mas sem o escudo e a lança do legionário agressivo; uma imprensa crítica, mas que escape ao jornalismo de ferocidade, ocultando no noticiário e na opinião as intenções de partidos políticos.
Dilma agora dará início às negociações para a composição ministerial. Passou a fase do enfrentamento, acabou a campanha e agora chega a hora da maternidade austera. E ela sabe que ela, só ela, é a mão que balança o berço.
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domingo, 31 de outubro de 2010
A homenagem do Pixador a Dilma
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Os terríveis vaticínios da Folha; um jornal agourando o futuro
A Folha de S. Paulo ou de como um jornal pode ser pregoeiro da desgraça
Emanoel Barreto
Estranha, muito estranha a mensagem da Folha. Numa primeira página em que admite a vitória da adversária ideológica, o jornalão exibe discurso iconográfico em que a apresenta e a seu opositor como habitantes de um mundo, melhor, um país surrealista, demencial, depressivo e deprimente. A Folha faz de tudo, até mesmo na undécima hora, para passar a ideia de que provável eleição de Dilma levará o Brasil a situação lastimosa.
Tudo no texto visual é triste, desolador, sorumbático, aterrador. A realidade nacional é cifrada em cor amarelada, num matiz social que impressiona o olhar com um sentido de coisa ruim. Todos os seres representados, incluindo o ícone de Serra, são entes oprimidos, privados de vontade, angustiados, mergulhados em situação de comleta decrepituda política e existencial, vivendo a vida como se esta por si só fosse um interminável e inexplicável exercício de padecimentos.
Vendas amordaçam esse enigmático mundo sem sentido. Serra é mostrado com aspecto infantilizado, choramingas. Um pedinte político. O brasileiríssimo tucano traz o bico preso como se vivesse luto.
Tocos de árvores sangram. Seres des-almados portam votos nas mãos como se caminhassem a esmo, perdidos em ilações sombrias. Vestidos com o azul de Serra são uma procissão, uma espécie de préstito da desgraça iminente.
Dilma tem o semblante sinistro, mão direita de lutador de boxe. Presa pelo pé à cabeça de Lula é de alguma forma também um lêmure sem vontade própria mas, mesmo assim, tem algo de maligno em sua figura fantasmática.
O discurso figurativo não alerta a um perigo, na verdade deseja que o país ingresse num tempo de trevas e de medo. A jornal como pregoeiro de desacerto e da hacatombe, desejando o mal ao futuro próximo.
Mas, apesar da Folha, amanhã há de ser outro dia. E bem diferente do que anseia o jornal dos Frias.
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sábado, 30 de outubro de 2010
Um lugar muito especial
Quer um bom lugar para ir hoje?
Quer um bom lugar para comemorar a vitória?
Acesse o link e veja que beleza:
www.insoniabarnatal.blogspot.com
Quer um bom lugar para ir hoje?
Quer um bom lugar para comemorar a vitória?
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Do Blog do Maurício Stycer, este momento:
Lula e Alencar: bastidores de uma foto comovente
Na sexta-feira, 29 de outubro, quando o fotógrafo Ricardo Stuckert entrou no quarto do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, o presidente Lula já estava conversando com seu vice, José Alencar, internado para mais uma sessão de quimioterapia. “Meu helicóptero chegou dez minutos depois”, explicou Stuckert ao blog. No quarto também estavam Marisa, mulher do vice-presidente, e o médico Roberto Kalil.
Lula e Alencar conversavam sobre a festa de aniversário do presidente, realizada na quarta-feira, em Brasília. Na ocasião, foi exibido um DVD com depoimentos de um neto de Lula, de sua mulher, Marisa Letícia, e do vice, que emocionaram o presidente. Alencar, desanimado, lamentou não ter participado da festa, por ter reiniciado, mais uma vez, o tratamento contra o câncer.
Foi quando Lula disse: “Zé, nós subimos a rampa (do Palácio do Planalto) juntos, nós vamos descer juntos”. Alencar se emocionou, levando o presidente a fazer o gesto captado pela lente do fotógrafo.
Stuckert acompanha Lula como fotógrafo da Presidência desde o primeiro dia de governo e vai deixar o Planalto no dia 1º de janeiro de 2011.
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Aos meus Alunos e Alunas, para que a luta seja feita de Coragem
Emanoel Barreto
A Vocês que empalmaram comigo a luta pelo Jornal Universitário; a Vocês que desejam um Jornal Livre, cidadão e forte, dedico o texto magnífico de Leonardo Boff. Eu, que sou o VelhoBarreto no Twitter, também experimento como o Mestre Boff a passagem da Vida e da Luta. Ao lado da sua Generosidade e Confiança, Coragem e Desapego, Juventude e Força. Queremos um jornal.
Compartilho o que se segue:
OFICIALMENTE VELHO (Texto de Leonardo Boff)
Por Leonardo Boff - Adital - do Rio de Janeiro Neste mês de dezembro completo 70 anos: diz Leonardo Boff.
Pelas condições brasileiras, me torno oficialmente velho. Isso não significa que estou próximo da morte, porque esta pode ocorrer já no primeiro momento da vida. Mas é uma outra etapa da vida, a derradeira.
Esta possui uma dimensão biológica, pois irrefreavelmente o capital vital se esgota, nos debilitamos, perdemos o vigor dos sentidos e nos despedimos lentamente de todas as coisas.
De fato, ficamos mais esquecidos, quem sabe, impacientes e sensíveis a gestos de bondade que nos levam facilmente às lágrimas.
Mas há um outro lado, mais instigante.
A velhice é a última etapa do crescimento humano.
Nós nascemos inteiros. Mas nunca estamos prontos. Temos que completar nosso nascimento ao construir a existência, ao abrir caminhos, ao superar dificuldades e ao moldar o nosso destino.
Estamos sempre em gênese. Começamos a nascer e, vamos nascendo em prestações ao longo da vida até acabar de nascer; quando então entramos no silêncio e morremos.
A velhice é a última chance que a vida nos oferece para acabar de crescer, madurar e finalmente terminar de nascer.
Neste contexto, é iluminadora a palavra de São Paulo: "NA MEDIDA QUE DEFINHA O HOMEM EXTERIOR, NESTA MESMA MEDIDA REJUVENESCE O HOMEM INTERIOR"(2Cor 4,16).
A velhice é uma exigência do homem interior.
Muitas vezes perguntamos: Que é o homem interior?
O homem interior é o nosso eu profundo, o nosso modo singular de ser e de agir, a nossa marca registrada, a nossa identidade mais radical. Identidade esta que devemos encará-la face a face.
Ela é pessoalíssima e se esconde atrás de muitas máscaras que a vida nos impõe.
Pois a vida é um teatro no qual desempenhamos muitos papéis:
Eu, por exemplo, fui franciscano, padre, agora leigo, teólogo, filósofo, professor, conferencista, escritor, editor, redator de algumas revistas, (inquirido pelas autoridades doutrinais do Vaticano), submetido ao "silêncio obsequioso" e outros papéis mais. Mas há um momento em que tudo isso é relativizado e vira pura palha. Quando então deixamos o palco, tiramos as máscaras e nos perguntamos:
Afinal, quem sou eu?
Que sonhos me movem?
Que anjos que habitam?
Que demônios me atormentam?
Qual é o meu lugar no desígnio do Mistério?
Na medida em que tentamos, com temor e tremor, responder a estas indagações vem à lume o homem interior e a resposta nunca é conclusiva; perde-se para dentro do Inefável.
Este é o verdadeiro desafio para a etapa da velhice.
Então nos damos conta de que precisaríamos muitos anos de velhice para encontrar a palavra essencial que nos defina.
Surpresos, descobrimos que não vivemos porque simplesmente não morremos, mas vivemos para pensar, meditar, rasgar novos horizontes e criar sentidos de vida.
Especialmente para tentar fazer uma síntese final, integrando as sombras, realimentando os sonhos que nos sustentaram por toda uma vida, reconciliando-nos com os fracassos e buscando sabedoria.
É ilusão pensar que esta sabedoria vem com a velhice. Ela vem do espírito com o qual vivenciamos a velhice como a etapa final do crescimento e de nosso verdadeiro Natal.
Por fim, o que importa preparar o grande Encontro.
A vida não é estruturada para terminar na morte, mas para se transfigurar através da morte.
Morremos para viver mais e melhor, para mergulhar na eternidade e encontrar a Última Realidade, feita de amor e de misericórdia.
Aí saberemos finalmente quem somos e qual é o nosso verdadeiro nome.
Nutro o mesmo sentimento que o sábio do Antigo Testamento: "contemplo os dias passados e tenho os olhos voltados para a eternidade".
Por fim, este jovem ancião alimenta dois sonhos: o primeiro é escrever um livro só para Deus, se possível com o próprio sangue; e o segundo, impossível, mas bem expresso por Herzer, menina de rua e poetisa:
"eu só queria nascer de novo, para me ensinar a viver". Mas como isso é irrealizável, só me resta aprender na escola de Deus.
Parafraseando Camões, completo: Mais vivera se não fora, para tão longo ideal, tão curta a vida.
Leonardo Boff é teólogo
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UFRN
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
A primeira semana do movimento "Queremos um Jornal"
Agradeço o apoio recebido à nossa luta e confio que sairá vitoriosa.
Emanoel Barreto
Apoio recebido através de sites e blogs
http://acarinoticias.blogspot.com/2010/10/curso-de-comunicacao-cobra-implantacao.html
http://www.espbr.com/noticias/estudantes-comunicacao-ufrn-reivindicam-jornal-universitario/relacionadas
http://www.espbr.com/noticias/estudantes-comunicacao-ufrn-reivindicam-jornal-universitario/relacionadas
http://www2.uol.com.br/omossoroense/mudanca/conteudo/bruno_barreto.htm (edição de 26/10)
Apoio recebido por e-mail
Adriano Cruz – UFRN
Adriano Gomes – UFRN
Alexandre Santos - UFRN
Alfredo Vizeu – UFPE/FENAJ
Aline Lucena – UFRN
Ary Azevedo Jr. – UFRN
COMIDIA - UFRN
COMIDIA - UFRN
Estudantes de Jornalismo da UFRN
Fernanda Melo – UNIVALE
Itamar Nobre - UFRN
João Vitor – CABW/UFRN
José Antônio Meira da Rocha – UFSM
Luíz Egypto – Observatório da Imprensa
Marcelo Bolshaw – UFRN
Marcelo Engel – UEPG
Sério Gadini - UFPR
Socorro Veloso – UFRN
Tomás Barreiros – FACINTER
Valci Zuculoto – UFSC/FENAJ
Valquíria Kneipp – UFRN
A campanha está forte no Twitter, utilizado na mobilização estudantil e pode ser conferida pela hastag #queremosumjornal ou @VelhoBarreto.
A campanha está forte no Twitter, utilizado na mobilização estudantil e pode ser conferida pela hastag #queremosumjornal ou @VelhoBarreto.
Ricardo Rosado apoia "Queremos um jornal!"
Em seu Blog Fator RRH, o jornalista diz:
Alunos da UFRN querem um jornal
Deu na Tribuna do Norte
Os alunos de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte lançaram um movimento intitulado “Queremos um Jornal”, que tem a intenção de mobilizar a comunidade universitária e a reitoria a favor da construção de um Jornal-Laboratório.
A campanha reivindica estrutura física, computadores, veículos e um parque gráfico que possibilite o exercício do Jornalismo na prática, aproximando os alunos da rotina de um jornal diário.
Os responsáveis pelo movimento defendem que a criação e institucionalização de um Jornal Universitário é uma ideia pioneira, ousada e, acima de tudo, necessária para a formação de profissionais qualificados e éticos.
“A ideia é a produção e veiculação de um jornal que participe da sociedade civil, livre das pressões políticas e das exigências do mercado”, afirma o professor Emanoel Barreto.
A campanha tem mobilizado estudantes, profissionais e professores, até mesmo fora do RN. Orlando Berti, professor universitário no estado do Piauí. Os estudantes propõem, também, que seja realizado um protesto em frente à reitoria.
O movimento está previsto para acontecer no próximo dia 03 de novembro, a partir das 14h.
Observação do Fator RRH: Uma boa idéia, uma antiga luta agora renovada.
Um jornal-laboratório para os alunos do curso de Comunicação Social da UFRN.
Os laboratórios de TV e Rádio, iniciativas nas mídias digitais a as futuras instalações para o curso de Propaganda, deixam o setor com uma razoável estrutura de ensino. Mas falta um jornal que estimule os alunos ao exercício do jornalismo.
Boa mobilizaçao que visa a melhoria do ensino e da prática do jornalismo.
Contem aqui com a modesta colaboração do Fator RRH. Aproveitem e tentem incluir nas propostas das duas candidatas à Reitoria a concretização do sonho.
Não deixem as candidatas em paz, azucrinem a vida delas, se manifestem, gritem, exijam o compromisso.
Onde elas estiverem levem bandeiras, câmeras, gravadores, cartazes, camisetas , façam perguntas nos debates, coloquem faixas na frente da casa delas, do prédio da Reitoria, no centro de convivência, nas salas de aula, nos corredores, apelem para a imprensa, conquistem os ex-alunso que já estão trabalhando no mercado para que divulguem nos jornais, sites, blogs, portais, chamem o DCE e o Centro Acadêmico Berilo Wanderley.
O Reitor Ivonildo Rêgo foi um bom parceiro da área de comunicação. Pois arranquem das candidatas essa garantia.
Boa sorte na luta, Velho Barreto.
Em seu Blog Fator RRH, o jornalista diz:
Alunos da UFRN querem um jornal
Deu na Tribuna do Norte
Os alunos de Comunicação Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte lançaram um movimento intitulado “Queremos um Jornal”, que tem a intenção de mobilizar a comunidade universitária e a reitoria a favor da construção de um Jornal-Laboratório.
A campanha reivindica estrutura física, computadores, veículos e um parque gráfico que possibilite o exercício do Jornalismo na prática, aproximando os alunos da rotina de um jornal diário.
Os responsáveis pelo movimento defendem que a criação e institucionalização de um Jornal Universitário é uma ideia pioneira, ousada e, acima de tudo, necessária para a formação de profissionais qualificados e éticos.
“A ideia é a produção e veiculação de um jornal que participe da sociedade civil, livre das pressões políticas e das exigências do mercado”, afirma o professor Emanoel Barreto.
A campanha tem mobilizado estudantes, profissionais e professores, até mesmo fora do RN. Orlando Berti, professor universitário no estado do Piauí. Os estudantes propõem, também, que seja realizado um protesto em frente à reitoria.
O movimento está previsto para acontecer no próximo dia 03 de novembro, a partir das 14h.
Observação do Fator RRH: Uma boa idéia, uma antiga luta agora renovada.
Um jornal-laboratório para os alunos do curso de Comunicação Social da UFRN.
Os laboratórios de TV e Rádio, iniciativas nas mídias digitais a as futuras instalações para o curso de Propaganda, deixam o setor com uma razoável estrutura de ensino. Mas falta um jornal que estimule os alunos ao exercício do jornalismo.
Boa mobilizaçao que visa a melhoria do ensino e da prática do jornalismo.
Contem aqui com a modesta colaboração do Fator RRH. Aproveitem e tentem incluir nas propostas das duas candidatas à Reitoria a concretização do sonho.
Não deixem as candidatas em paz, azucrinem a vida delas, se manifestem, gritem, exijam o compromisso.
Onde elas estiverem levem bandeiras, câmeras, gravadores, cartazes, camisetas , façam perguntas nos debates, coloquem faixas na frente da casa delas, do prédio da Reitoria, no centro de convivência, nas salas de aula, nos corredores, apelem para a imprensa, conquistem os ex-alunso que já estão trabalhando no mercado para que divulguem nos jornais, sites, blogs, portais, chamem o DCE e o Centro Acadêmico Berilo Wanderley.
O Reitor Ivonildo Rêgo foi um bom parceiro da área de comunicação. Pois arranquem das candidatas essa garantia.
Boa sorte na luta, Velho Barreto.
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Tiririca chamado a provar que sabe ler e escrever
Emanoel Barreto
Leio na Folha: A Justiça Eleitoral convocará o humorista Francisco Everardo Oliveira Silva (PR-SP), o palhaço Tiririca, para a realização de um ditado e a leitura de um texto simples para verificação da condição dele de alfabetizado.
Segundo o juiz da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, Aloísio Sérgio Rezende Silveira, a medida servirá para que "o juízo possa analisar melhor a defesa apresentada pelo humorista na ação penal".
O juiz afirmou que Tiririca poderá se recusar a comparecer à audiência para realização dos testes ou negar-se a participar deles, pois "a lei penal estabelece que ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo".
A estranha legislação eleitoral permite que analfabetos possam votar, mas os impede de ser ser votados. Somos hoje 16 milhões de analfabetos que podem votar em candidatos da elite, mas não podem ser votados, eleitos e emparelhar-se às elites em plenários que vão desde câmaras municipais ao senado.
Um analfabeto pode ter sim diminuída sua compreensão de determinados problemas, em face de não ter tomado conhecimento das diversas realidades do mundo social via livros. Mas não se lhes pode negar acesso aos plenários e às decisões. São eles parte legítima para as discussões, porque povo são em essência.
Ou alguém pensa que, por exemplo, Collor de Mello seja povo na acepção aqui proposta? Tiririca obteve mais, bem mais de um milhão de votos. Portanto, está legitimado por expressivo contingente desse ser colativo a quem chamamos povo. Foi eleito. Deve tomar posse e exercer o seu mandato.
Como o fará, aí é outra coisa. Mas, permita-me: por que não se pede idoneidade moral aos muitos vilões e vilãs que ocupam respeitáveis cadeiras nos ricos plenários? Por que, heim?
Emanoel Barreto
Leio na Folha: A Justiça Eleitoral convocará o humorista Francisco Everardo Oliveira Silva (PR-SP), o palhaço Tiririca, para a realização de um ditado e a leitura de um texto simples para verificação da condição dele de alfabetizado.
Segundo o juiz da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, Aloísio Sérgio Rezende Silveira, a medida servirá para que "o juízo possa analisar melhor a defesa apresentada pelo humorista na ação penal".
O juiz afirmou que Tiririca poderá se recusar a comparecer à audiência para realização dos testes ou negar-se a participar deles, pois "a lei penal estabelece que ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo".
A estranha legislação eleitoral permite que analfabetos possam votar, mas os impede de ser ser votados. Somos hoje 16 milhões de analfabetos que podem votar em candidatos da elite, mas não podem ser votados, eleitos e emparelhar-se às elites em plenários que vão desde câmaras municipais ao senado.
Um analfabeto pode ter sim diminuída sua compreensão de determinados problemas, em face de não ter tomado conhecimento das diversas realidades do mundo social via livros. Mas não se lhes pode negar acesso aos plenários e às decisões. São eles parte legítima para as discussões, porque povo são em essência.
Ou alguém pensa que, por exemplo, Collor de Mello seja povo na acepção aqui proposta? Tiririca obteve mais, bem mais de um milhão de votos. Portanto, está legitimado por expressivo contingente desse ser colativo a quem chamamos povo. Foi eleito. Deve tomar posse e exercer o seu mandato.
Como o fará, aí é outra coisa. Mas, permita-me: por que não se pede idoneidade moral aos muitos vilões e vilãs que ocupam respeitáveis cadeiras nos ricos plenários? Por que, heim?
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Datafolha reconfirma tendêndia pró-Dilma
Emanoel Barreto
Eis o que dizem as coisas de jornal da Folha: Pesquisa Datafolha realizada ontem voltou a indicar estabilidade no quadro da corrida presidencial, com Dilma Rousseff (PT) mantendo liderança de 12 pontos sobre José Serra (PSDB).
A diferença agora é que o percentual de indecisos caiu de 8% para 4% em dois dias. Essa redução nesse grupo de eleitores indica que há cada vez menos espaço para mudanças na tendência de favoritismo da candidata do PT.
O levantamento do Datafolha, encomendado pela Folha, foi realizado ontem em 256 cidades e com 4.205 entrevistas. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
A lei da gravidade política às vezes é tão poderosa quanto os mais sólidos princípios newtonianos. É o que vemos neste resto de reta final da disputa pela presidência da República. Mesmo a Folha, o jornal que mais decididamente apoia a candidatura
Serra, tem de admitir com a publicação de pesquisa feita pelo instituto da casa.
O jornal, mesmo assim, tenta resgatar o tema "aborto", principal argumento serrista para chegar à presidência, requentando a matéria com a manchete "Papa cobra ação de bispos do Brasil contra aborto". Não deu certo, não dará certo especialmente agora, com a decidida cristalização de votos pró-Dilma.
Ao que tudo indica, consultadas as urnas domingo próximo, o resultado estará configurado e a petista
Estimo que, com isso, pretende-se mostrar que a aliança PT-PMDB teria sido tão-somente uma reunião de intentos, um agrupamento cujo único intuito seria o apoderamento do Estado para fins políticos, beneficiando grupos ou estamentos.
O governo do PT tem, efetivamente, essa marca: a reunião de interesses divergentes em torno do presidente Lula. A seu lado assentam-se empresários do agronegócio e tendências mais à esquerda, trabalhadores e empresários, bem como segmentos dos mais diversos matizes ideológicos.
Essa composição, que é díspar, sei disso, terminou por assegurar ao país um período de equilíbrio econômico talvez nunca visto. Haverá disputas por cargos? Sim. Mas o mais importante será a predominância de um discurso voltado para o social. Vamos ver o que acontece. A prática política em sua dinâmica histórica e a participação da sociedade civil exigindo de Dilma que cumpra com o compromisso assumido de dar prioridade ao que vem do povo.
Emanoel Barreto
Eis o que dizem as coisas de jornal da Folha: Pesquisa Datafolha realizada ontem voltou a indicar estabilidade no quadro da corrida presidencial, com Dilma Rousseff (PT) mantendo liderança de 12 pontos sobre José Serra (PSDB).
A diferença agora é que o percentual de indecisos caiu de 8% para 4% em dois dias. Essa redução nesse grupo de eleitores indica que há cada vez menos espaço para mudanças na tendência de favoritismo da candidata do PT.
O levantamento do Datafolha, encomendado pela Folha, foi realizado ontem em 256 cidades e com 4.205 entrevistas. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
A lei da gravidade política às vezes é tão poderosa quanto os mais sólidos princípios newtonianos. É o que vemos neste resto de reta final da disputa pela presidência da República. Mesmo a Folha, o jornal que mais decididamente apoia a candidatura
Serra, tem de admitir com a publicação de pesquisa feita pelo instituto da casa.
O jornal, mesmo assim, tenta resgatar o tema "aborto", principal argumento serrista para chegar à presidência, requentando a matéria com a manchete "Papa cobra ação de bispos do Brasil contra aborto". Não deu certo, não dará certo especialmente agora, com a decidida cristalização de votos pró-Dilma.
Ao que tudo indica, consultadas as urnas domingo próximo, o resultado estará configurado e a petista
Estimo que, com isso, pretende-se mostrar que a aliança PT-PMDB teria sido tão-somente uma reunião de intentos, um agrupamento cujo único intuito seria o apoderamento do Estado para fins políticos, beneficiando grupos ou estamentos.
O governo do PT tem, efetivamente, essa marca: a reunião de interesses divergentes em torno do presidente Lula. A seu lado assentam-se empresários do agronegócio e tendências mais à esquerda, trabalhadores e empresários, bem como segmentos dos mais diversos matizes ideológicos.
Essa composição, que é díspar, sei disso, terminou por assegurar ao país um período de equilíbrio econômico talvez nunca visto. Haverá disputas por cargos? Sim. Mas o mais importante será a predominância de um discurso voltado para o social. Vamos ver o que acontece. A prática política em sua dinâmica histórica e a participação da sociedade civil exigindo de Dilma que cumpra com o compromisso assumido de dar prioridade ao que vem do povo.
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Alberany, o abominável, entra em contato com o Marquês de Camisão e seus vizires: um papagaio e uma anta
Terra Brasilis, 12 de junho de 1730
Ó vós, que ledes minhas estultices perigosas e excêntricas, acautelai-vos dos meus ignóbeis intentos. Eis o que se vos diz:
Chegando à casa do Marquês de Camisão encontramo-lo, eu e a grei que me acompanha, empoleirado em grande árvore plantada no centro de monumental sala de estar da sua opulenta moradia. Empoleirado em um galho o Marquês, que estava de camisão, dialogava com papagaio palrador e uma circunspecta anta. Ambos empoleirados a seu lado.
O Marquês tinha enormes unhas nos pés o que facilitava enormemente seu labor de estar em um poleiro. O papagaio, enorme e dando aparência de ser muito sábio, era naturalmente apto a tal mister. Enquanto a anta, animal habilidosíssimo, não tinha dificuldades de equilibrar os cascos no galho onde se apunha. Logo percebi que estava presenciando ato de grande magnitude: convivial e douta assembléia de três magníficos viventes a quem Deus dera permissão de existir.
O aio que nos levara a tão sábias entidades curvou-se em profunda reverência, o mesmo fazendo eu toda a maloca de infames que me acompahava. Quem sois?, indagou o Marquês. Respondemos em coro eu, Peró, o chefe do bando, e o estalajadeiro que nos havia chamado a procurar tão alta figura: somos comerciantes e homens de empreitada, investidores e banqueiros e gostaríamos que Vossa Mercê se dignasse a nos ouvir e a nossos sóbrios propósitos.
Aconteceu então algo que nos deixou maravilhados: o Marquês deu um salto da altura de onde se encontrava. E seu camisão abriu-se tão graciosamente que ele flutuou pela sala, fazendo acrobacias e dignos gestos, ademanes corteses e galantes. Subia e descia. O ar era seu amigo e logo concluímos que seria um digno membro da família de Ícaro e isso em linha direta. O papagaio também fazia graciosos movimentos, compondo um balé magnífico com o Marquês. E a anta, movimentanto suas orelhas, volteava, dando grande dimensão àquela cena encantadora.
Aplaudimos fervorosamente. As carpideiras que nos acompanhavam entoaram cânticos de louvor e os rezadores que conosco seguiam rezaram alto, agradecendo por presenciar tão engrandecedor milagre. Afinal o Marquês e seus afáveis conselheiros chegaram ao chão. E o fizeram com tanta leveza que sentimo-nos obrigados a novo e vibrante aplauso.
Sois então grandes homens?, inquiriu, soberano. Sim, nós o somos, respondemos. Então, o que quereis de mim, que sou pobre e humílimo servidor de poderes mais altos? Ó, respondemos, sois bondoso e modesto senhor, pois que tendes condição de operar maravilhas mas, ainda assim, não assumis a soberba ou a frívola vaidade.
O Marquês, homem prático e de bom senso, convidou-nos a sentar à uma vasta mesa. Mucamas e aios e aias nos serviam de dulcíssimos acepipes e o faziam com curvaturas e beleza. Então, ele nos questionou qual o motivo da visita. Como foi dito, enfatizei, viemos parlamentar e nos colocar a vossa disposição para empreitadas e ações, progresso e descobertas grandiosas, respondi, já sabedor que estava em presença de melífluo homem. Nobre, mas tão bandido quanto as facas dos muitos mandriões que se encontravam a meu lado.
Sois alquimistas também? Sim, nós o somos, respondeu Peró. Suportamos dores e sofrimentos para desenvolver nossos cientificíssimos saberes, e tudo pela causa da humanidade, só pela causa da humanidade. Destarte, enfatrizou o Marquês, viestes ao lugar certo. Tenho a meu lado dois sábios homens, o papagaio e a anta, meus conselheiros e vizires, a iluminar-me com suas sabenças e filosofia. São, ambos, filósofos e metafísicos, sabedores e falazes.
Sei, disse eu, que encontro-me em augusta assembleia e humildemente dela queremos participar. Sendo assim, comemorou o Marquês, vamos a nos falar, que muito temos a nos dizer. E pediu ao papagaio que nos desse orientações e preciosos ensinamentos. E falou o ilustre pássaro, dando um profundo trago em cachimbo qaue viemos depois e saber era recheado de ópio, maravilhosa e boa substância vinda diretamente da China para aclarar as ideias daquele privilegiado sábio.
Conforme deveis saber, começou ele assim a falar, o mundo precisa de descobertas e invenções, artifícios e primores. Ó, dissemos nós. Sendo assim, continuou ao perceber o efeito que obtivera, implemento todo o meu saber, que não é pouco, a causa mui nobre que são o esclarecimento e a iluminação das mentes pouco afiladas.
E o que faremos, quis saber eu, para trazer luz às mentes mentecaptas e aos pensares pouco doutos? Eis a questão, respondeu aquele ser de grandes dotes. Eis a questão, continuou. Faremos grandes experiências com os parvos e os dementes, os grãos-bobos e os demais que veem do povo, a fim de que se capacitem ao trabalho mais elevado e contribuam para com o mundo, dando-lhe melhor feição.
(Continua)
(Continua)
Imagem: http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://guerradepipoca.files.wordpress.com/2009/04
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quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Índio do Serra ficou com inveja porque não ganhou bolinha. Agora, Índio do Serra vai entrar para um circo e já sabe qual vai ser o seu futuro.
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Manobras escuras e tenebrosas transações da candidatura Serra: uma sinistra manipulação de imagens prevê futuro sombrio ao Brasil
Tenho medo do Serra
João Victor Victor Torres
Senhores, isso não é uma coisa qualquer.
Prestem bem atenção o que uma elite ferida e decadente é capaz de fazer
para não perder uma eleição. Previsões funestas, absurdas e inferiorizadas
que inventam estórias e calúnias. Um charlatanismo vulgar, típico da sua
origem.
Ela mexe com religião, aborto e temas frágeis e complexos. O intuito? Qual o
objetivo? Com que finalidade? Ora, ora: reverter os 12 pontos de diferença, o
abismo que separa José Serra de Dilma. Indignação.
É a essa pessoa que você vai dar o voto?
É aos candidatos do terrorismo midiático que você vai dar o voto? Olhem a edição, veja o que os meios de comunicação, quando vendidos, são capazes.
Isso parece uma brincadeira, uma pegadinha do Gugu, mas isso não é uma
coisa qualquer.
Em outras palavras esse vídeo, chama você eleitor, de idiota e de
despreparado, sem o menor crivo para entender que o candidato da direita não
sabe perder e está fazendo de tudo para arrastar votos, mesmo que seja da
maneira mais desonesta e fraudulenta possível.
Medo, eu tenho medo de José Serra.
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quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Campanha "Queremos um jornal" mobiliza estudantes e professoresRecebi do professor Adriano Gomes, coordenador da Base Cultura, Civilização e Midia-Comidia, alentador email que reconfirma o sucesso de mobilização "Queremos um jornal!". O Setor II do Campus Central da UFRN apoia e promove o movimento. Segue o texto. Prof. Barreto, A campanha "Queremos um jornal" já está ganhando corpo nas salas, corredores, entre os colegas e alunos, o que revela o anseio de todos pelo êxito dessa iniciativa extraordinária. Torcemos por isso e, para tanto, conte conosco. Adriano Gomes
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Alberany, o abominável, continua suas tropelias na Terra Brasilis
Terra Brasilis, 11 de junho de 1730
Aos que me leem, ensinamentos e mistificações de um biltre. Eis o que se segue:
Após apoderar-me dos bens de um velho enfermo e tratante, e de enviá-lo aos piratas para ser vendido como escravo, segui, juntamente com malta insana e insensata que me acompanha, a novos ultrajes.
Tenho a meu lado o bandido que chefia tal grei, chamado Peró, e um estalajadeiro que a nós se consorciou. Buscamos outro enfermo rico, enquanto boa parte dos maganos que nos seguem pedem esmolas pela cidade alegando que tudo irá para os doentes pobres, os órfãos e as viúvas. Dizem que obras pias e sacros intentos os movem.
Caminhando por bairro formado por belas vivendas logo nos deparamos com casa de aspecto imponente a destacar-se das demais. É essa, logo decidimos. E nos aproximamos dos altos portões que cerram e protegem a imensa moradia.
Batemos palmas e aparece um criado bem vestido, com peruca e roupas formais. Curva-se ante nós e pergunta-nos o que queremos. Somos médicos e bondosos homens, garantimos. Estamos a procurar a quem esteja precisando de nossos conhecimentos e altas sabenças, vindos recém da Europa. Ó, diz o homem. Sim, respondemos nós. E perguntamos: por que manifestais tanto espanto? Porque, afirmou, meu amo e senhor encontra-se agravado na cama, sofrendo como um mártir.
E que doenças porta o vosso amo? Todas, assegura. Todas? Sim, todas. E como sofre aquela infeliz criatura de Deus. Então, logo convoco, dê-nos entrada a fim de que possamos atender tão insigne justo. E completo: temos carpideiras e rezadores para compor com seus cânticos e rezarias maior força aos nossos emplastros, poções e tisanas. Doente conosco já está curado. Ó, exulta o lacaio, e nos abre o portão. Um coro de carpideiras nos segue e logo começamos a caminhar em direção à casa.
Então, precavido, pergunto, como se quisesse realmente curar o amo da casa: e quais as atividades do vosso senhor? Indago, pois sei que muitas responsabilidades vividas ao mesmo tempo resultam em várias enfermidades, especialmente em pessoas sensíveis e honradas como certamente o é este industrioso senhor.
Sim, diz o empregado. Meu senhor zela com cuidado infindável para que homens e mulheres sejam levados ao trabalho, dedica-se com grande pertinência à agricultura e trata de dar às pessoas do comum acesso ao dinheiro, comerciando também com ouro.
Entendo tudo num instante: trata-se de um velho que comercia com escravos, explora trabalhadores na agricultura e, acima de tudo, é um usurário meléfico e tenaz, além de contrabandear ouro.
Percebo que o lacaio está muito magro, assim como também magros são todos os serviçais e os braçais da agricultura. Pergunto o motivo e ele me diz: nosso amo todo mês nos mostra o dinheiro que deveríamos receber, tilinta as moedas mas não n'as dá. Porquê?, busco saber. Ah, é para que não as gastemos em gulodices, perfumes e roupas; frivolidades, entendeis?, isso, para que possamos ter um ocaso tranquilo e um fim de vida honroso. Bondoso, não é mesmo?. Concodo com um aceno de cabeça e já então nos encaminhamos ao quarto do amo.
O servo parte na frente, abre as portas do quarto e encontramos a seguinte cena: ele está acomodado entre as coxas de uma negra opulenta e sua cama enorme range e está recoberta de mulheres fabulosas. Geme como um safado e, ao ouvir do aio que ali se encontram médicos de renome, bondosas criaturas da arte de Hipócrates, sai da mulher e começa a dizer-se imensamente cansado, doendo-lhe todo o corpanzil. Ó, como sou alvo de terríveis males, choraminga.
Fazemos profunda reverência e nos anunciamos: somos doutores caridosos e buscamos idosos enfermos a fim de os aliviar. Então, diz ele, ajudai-me. Eis que encontro-me em estado lastimável. Olho ao lado da cama e vejos garrafas e garrafas de vinho. Mando que as carpideiras entrem e também os rezadores. Espanta-se ele: o que é isto? Por acaso sois líderes de algum funeral? Estais a me agourar a morte? Tais cantares trazem nefandos sortilégios, exclama.
É grande o alarido, rezas e cantos místicos dominam o ambiente.
E então eu digo: não. Tais viventes apenas clamam aos céus a vosso favor. Ah, exulta. Então, viestes me curar? Sim, afianço. E logo digo: deitai-vos de bruços para que iniciemos a cerimônia curadora. Sem suspeitar de nada o tenebroso explorador deu-nos as costas. Então, sem pensar duas vezes, vibro-lhe potente golpe de vara nas costas. Ele tenta saltar, mas e dominado por dois dos meus sequazes que o mantêm de costas. E a vara flexível e firme desce mais e mais em seu espinhaço gordo. O bandido brame como um louco e pergunta: a serviço de qual entidade maligna estais? Sois servidores de Satã, de Baal, de Moloch? Tendes as mãos de Mefistófeles, horríveis doutores.
Não, responde Peró. Não, responde o estalajadeiro. Somos refinadíssimos patifes que salteiam as ruas a roubar e espoliar. E a vara continuava a descer. Grita ele: se sois patifes deveríeis estar sob o guante da polícia e sob a ameaça do carrasco-mor. Aqui, d'El Rey, aqui d'El Rey!, assopra, sob a velocidade dos golpes.
Peró então retruca: não sois melhor que nós. Apenas tendes sido dissimulado e hipócrita, explorando os pobres e desamparados. Trazeis ao mundo a miséria e o opróbrio, a solidão e a treva. Sois iguais a nós.
E continua o castigo. Até que, cansado, meu braço para. E ordeno que o estafermo seja levado aos piratas para a escravidão junto a povos distantes e maléficos. Ele desaparece em meio às mãos calosas de nossos sicários.
Apoderamo-nos de tudo. Vendemos a grande casa a gente de péssima reputação e pensamos no próximo golpe. O estalajadeiro nos informa: devemos ir à casa do Marquês de Camisão. E o que faz ele?, pergunta Peró. Usa um camisão, explica o estalajadeiro. Então, digo, deve ser homem de boas referências e sábios procederes. Vamos então para lá.
Após meia hora a caminho, todos montados nos homens-cavalos - lembrai-vos de que nos apoderamos de homens tolos e os fizemos de cavalos - chegamos. O esplêndido palacete é cercado de jardins que fariam inveja a Semíramis. Somos recebidos ao portão por um servo. Pergunta quem somos, mas já não nos dizemos médicos e sim grandes comerciantes d'além mar. Sabemos que o Marquês é homem envolvido com grandes negócios e muito próximo a El Rey e assim preferimos não nos arriscar. Os outros eram plebeus ricos; aquele, aristocrata. E com essa gente é preciso ter prestimosos cuidados.
Somos levados à mansão. Cruzamos um comprido corredor iluminado e elegante. Chegamos afinal à grande sala da casa. Ali, vimos: no meio da sala havia uma grande árvore. Num dos seus galhos, empoleirado, estava o Marquês de Camisão, que vestia um camisão. A seu lado, imperiais, um papagaio e uma anta, também empoleirados.
O nobre com eles travava animada conversa e parecia pedir conselhos.
(Continua)
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Natal está fora da Copa
Alô Deus, a torcida te agradece, Senhor!
Emanoel Barreto
Depois, a tal Arena das Dunas serviria para nada ou quase isso. Alô Deus, a torcida te agradece, Senhor...
Foto: http://www.google.com/imgres?imgurl=http://img223.imageshack.us/img223/6663/imagem6in.jpg&imgrefurl=http://pirateandoideias.blogspot.com
Emanoel Barreto
Soube que o Rio Grande do Norte está fora da Copa do Mundo de 2014. Desta forma, Parabenizo Natal e o povo do Rio Grande do Norte por haverem se livrado de gastar uma fortuna na construção de um elefante-branco, num desperdício monumental de dinheiro público. Quero dizer: manifesto minha alegria pelo afastamento de Natal como subsede da Copa do Mundo.
Aqui com certeza seriam realizados jogos de seleções insignificantes, para delírio da massa deslumbrada e tonta. Tonta por receber as migalhas de Alegria das empreiteiras que se beneficiariam de recursos milionários envolvidos na monumental farra de cimento e ferro.
Recursos que deveriam estar voltados para educação, saúde, cultura e segurança, transportes e incentivo à agricultura familiar por exemplo, mas seriam encaminhados para uma babilônia de concreto armado.
Depois, a tal Arena das Dunas serviria para nada ou quase isso. Alô Deus, a torcida te agradece, Senhor...
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