Mostrando postagens com marcador deputado federal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador deputado federal. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Ô, abestado...
Emanoel Barreto

Começo a duvidar seriamente do estado de sanidade mental do promotor Maurício Lopes, que vai recorrer da sentença que garantiu a posse de Tiririca como deputado federal. Parece até coisa de perseguição, tipo a do Tenente Gerard, aquele que perseguia obsessivamente o Fugitivo, famoso personagem da série dos anos 60, refilmado há alguns anos.

Imagtem: http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http
O juiz que liberou o palhaço, ator, farsante (no sentido teatral), clown, pantomimeiro, o que seja, o fez seguindo uma coisa chamada bom-senso. São nada menos que 1 milhão, 300 mil votos, o que não é pouca coisa, a respaldar o mandato. A isso dá-se o nome de legitimidade. 

Chega a ser ridículo, perigosamente ridículo o comportamento arrogante e preconceituoso. Será que esse promotor não tem mais nada a fazer?

Não há bandidos demais, corruptos demais, gente que não presta demais na nossa vida pública para ele exercitar sua ludicidade jurídica? Ou será que o promotor é um abestado?

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Se balançar cai. E pode ser bem podre
Emanoel Barreto

Esse promotor Maurício Lopes parece não perceber o ridículo em que está se metendo ao literalmente perseguir o palhaço Tiririca.

Veja só, o que diz a Folha: "O promotor Maurício Lopes pediu à Justiça que o deputado eleito Francisco Everardo Oliveira Silva (PR-SP), o Tiririca, seja condenado a cinco anos de prisão. Essa é a pena máxima para o crime de falsidade ideológica, do qual o humorista é acusado".

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Tiririca chamado a provar que sabe ler e escrever
Emanoel Barreto

Leio na Folha: A Justiça Eleitoral convocará o humorista Francisco Everardo Oliveira Silva (PR-SP), o palhaço Tiririca, para a realização de um ditado e a leitura de um texto simples para verificação da condição dele de alfabetizado.


Segundo o juiz da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, Aloísio Sérgio Rezende Silveira, a medida servirá para que "o juízo possa analisar melhor a defesa apresentada pelo humorista na ação penal".

O juiz afirmou que Tiririca poderá se recusar a comparecer à audiência para realização dos testes ou negar-se a participar deles, pois "a lei penal estabelece que ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo".

A estranha legislação eleitoral permite que analfabetos possam votar, mas os impede de ser ser votados. Somos hoje 16 milhões de analfabetos que podem votar em candidatos da elite, mas não podem ser votados, eleitos e emparelhar-se às elites em plenários que vão desde câmaras municipais ao senado.

Um analfabeto pode ter sim diminuída sua compreensão de determinados problemas, em face de não ter tomado conhecimento das diversas realidades do mundo social via livros. Mas não se lhes pode negar acesso aos plenários e às decisões. São eles parte legítima para as discussões, porque povo são em essência.
 

Ou alguém pensa que, por exemplo, Collor de Mello seja povo na acepção aqui proposta? Tiririca obteve mais, bem mais de um milhão de votos. Portanto, está legitimado por expressivo contingente desse ser colativo a quem chamamos povo. Foi eleito. Deve tomar posse e exercer o seu mandato.

Como o fará, aí é outra coisa. Mas, permita-me: por que não se pede idoneidade moral aos muitos vilões e vilãs que ocupam respeitáveis cadeiras nos ricos plenários? Por que, heim?

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Algumas considerações sobre Tiririca e a carnavalização

O Abestado no picadeiro de Brasília
Emanoel Barreto

Vejo na Folha: A Justiça Eleitoral de São Paulo rejeitou a denúncia oferecida pelo Ministério Público Eleitoral contra o palhaço Tiririca (PR) por causa do suposto analfabetismo do candidato.
O juiz Aloísio Sérgio Rezende Silveira, se baseou no entendimento do TRE (Tribunal Regional Eleitoral), durante o processo de registro de candidatura, de que não não havia qualquer causa de inelegibilidade, inclusive quanto à instrução mínima.

Agiu bem a Justiça. A presença de Tiririca no cenário político nacional já foi notícia até no Le Monde, de Paris, quando o jornal francês afirma que ele deverá ter uma votação "formidável", ajudando a eleger mais uns dois deputados do seu partido, o PR.

Tiririca será, na Câmara, poderosa presença da carnavalização da vida brasileira; metafórica presença do povo, pobrinho, a se contrapor às elites, aos grandes, aos bem-vestidos, aos sepulcros caiados. Será a figuração viva do Abestado, do homem comum, em meio ao happening dos falastrões e endinheirados. 


Ele é a contraface de tudo aquilo lá. O avesso do avesso do avesso  do avesso. Não, não será eloquente nem consciente do papel que representa; sequer vai perceber o quanto sua figura oriunda da grotesqueria causará impacto.


Sem dúvida, foi movido pelo oportunismo de embolsar uma boa nota no fim do mês. Se souber poupar, terá uma bela aposentadoria. 


Mas é importante a ascensão desse palhaço, não pelo que posse objetivamente fazer, mas como valor simbólico, como um tapa na cara dos bandidos de gravata, perfumados e podres. Ele viverá a farsa do poder como o escrachado, o malandro, o moleque, o Macunaíma se aproveitando da preguiça que enseba o plenário, os gabinetes, as farras, os roubos vestidos de decência.


No voto a Tiririca há uma forma de protesto bruto, regado a cachaça e a gritos de gol, galinha com farofa e arroto. Como Chacrinha, ele vem para confundir, não para explicar.

Agora, uma ligeira explicação a respeito da carnavalização. Visão que foge do senso comum a respeito do carnaval e da carnavalização diz o seguinte: 
1. Em seu livro, hoje clássico, e já traduzido para português, "Problemas da Poética de Dostoiewski", Mikhail Bakhtin lançou as bases da teoria crítica da carnavalização. 
 
Esta forma crítica de pesquisa veio dizer-nos que há textos literários que foram elaborados sob o signo da carnavalização. Esses textos mostram a cultura de um povo em seus efeitos cômicos e paródicos proporcionados pelo insconsciente social manifestados nos rituais de máscaras, no riso, na busca do grotesco, nas festas, nas orgias, no carnaval, nos rituais religiosos, etc. 

 
2. A carnavalização, segundo Bakhtin, pode ser um desvio e também uma inversão dos costumes consagrados, como fez a geração hippie, que sobrepôs o sacro e o profano, o velho e o novo, sem atender a certas normas de interdição social. A carnavalização é de alguma maneira o mundo às avessas e pode ter a leitura de uma parodização. 


3. A história nos mostra momentos de carnavalização. Esse mundo às avessas está na Idade Média, na pintura "O velho" de Breughel como na de Jerônimo Bosch e pode ser interpretado, conforme os casos, como desvio, como paródia, como estilização, como apropriação,como contra-estilo e até como contra-cultura, conforme já mostrou Affonso Romano Sant’Ana no capítulo "Carnavalização" do livro "Paródia, Paráfrase & Cia." publicado pela Ática, São Paulo(série Princípios), em 1985. 
 
O livro de Mikhail BAKHTIN, "Problemas da Poética de Dostoewski", saiu no Rio de Janeiro, pela Forense Universitária,em 1981. Quem estiver interessado na temática encontrará também em Nontgomery J. de VASCONCELOS, o capítulo "As funções da carnavalização na literatura”, inserida no livro "A Poética carnavalizada de Augusto dos Anjos". São Paulo, Editora Annablume, 1996, pp.29-50.Também Jorge SCHWARTZ, em "Um texto carnavalizado". In: Vanguarda e cosmopolitismo. São Paulo: Editora Perspectiva (Estudos 82),, 1983, pp.117-152, pode ajudar a pesquisa desta temática.

João Ferreira
outubro de 2001