Rosa Luxemburgo
"Não é justo alguém ter o direito de ter uma empresa de aviação e outro não ter o direito de comer um pão." /////// JAMAIS IDE A UM LUGAR GRANDE DEMAIS. A UM LUGAR AONDE NÃO TENHAIS CORAGEM DA IMENSIDÃO - EMANOEL BARRETO - NATAL/RN
Mostrando postagens com marcador luta. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador luta. Mostrar todas as postagens
sábado, 12 de março de 2011
quarta-feira, 2 de março de 2011
A Liberdade nasce na boca do canhão
Os lábios dos líbios estão trêmulos de um certo ardor de liberdade, mesmo que não saibam o que virá depois. Revoluções, insurgências, quedas de ditadores não asseguram que será melhor o dia seguinte, que na história é muito longo, dura anos, muitos anos. Mas acreditam, os líbios acreditam e estão certos, de que o quadro atual não pode mais se manter, mantendo todo um povo em sucumbência.
A capa do jornal francês dá bem uma ideia do clima áspero e doloroso. O texto visual, a força da foto traz em si toda a síntese da tragédia. O parto da história se fazendo em meio ao fogo. "Somos nós quem libertará Trípoli" grita a manchete encaixada na imagem indicando que agora não tem volta. Estranhamente, o horror traz em sua alma aquilo a que chamamos de Liberdade. E o canhão faz o seu chamado: Liberdade, Liberdade, abre as asas sobre nós.
O cenário é desolador: morte e clamores rondam as ruas como fantasmas que assombram, mãos dadas com os medos que percorrem corações e mentes. Ao lados dos que lutam há os que fogem, não suportando, não tendo forças e coragem para o embate. O desenho da tragédia começa a ganhar traços fortes e escuros, indicando que forças não líbias podem interferir na luta. Uso esse eufemismo para dizer que os EUA estão prontos para desembarcar os marines. Kadaffi já ameaçou: isso acontecendo, rios de sangue, mais intensos e tensos desaguarão no caudal dos sofrimentos.
A geopolítica no norte da África, caso haja a intervenção americana, ficará mais complicada na era pós-Kadaffi. O ideal seria que a revolta triunfasse sem ajuda estrangeira, pois será um problema a mais administrar a presença de forças militares que estarão representando os interesses políticos e econômicos americanos.
A história dá seus passos. A luta na Líbia terá repercussões que começarão a ser medidas depois do último disparo.
Marcadores:
liberdade,
líbia,
luta,
muamar kadaffi,
revolução,
sofrimento
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Um cavalo no Senado e dois loucos trocando tapas
O senador Eduardo Suplicy resolveu "lutar" boxe com o ex-pugilista Acelino Popó, hoje deputado federal.
Ao que parece, a miséria da política brasileira chegou ao cúmulo ou pelo menos ao prâmbulo da indignidade: Sarney presidente do Senado - mais uma vez - e um senador e um deputado se estapeando num ringue.
É claro: como as coisas já estão se passando numa estrebaria onde muitos se espojam, ou num circo de luta de boxe onde a indignidade não vai à lona, nada melhor que soltar em plenário um grande cavalo estabanado e louco. Até porque muita gente chegou ao Senado porque o cavalo tinha passado selado...
Sobre a luta, diz a Folha:
Suplicy vai cobrar R$ 1 pelo ingresso da luta com Popó
GABRIELA GUERREIRO
DE BRASÍLIA
DE BRASÍLIA
Por sugestão do presidente do PT, José Eduardo Dutra, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) decidiu cobrar R$ 1 como ingresso para a luta de boxe que vai travar com o deputado Acelino Popó Freitas (PRB-BA), na quinta-feira.
Suplicy disse que dinheiro arrecadado com as entradas vai ser usado para financiar a "Renda Básica de Cidadania", projeto idealizado pelo petista.
| Folhapress |
| O deputado Popó e o senador Eduardo Suplicy vão se enfrentar nos ringues |
"O presidente Dutra disse que, quando soube que aceitei o desafio do Popó, colocou no twitter a sugestão. Eu decidi aceitar", afirmou.
A luta está marcada às 8h de quinta-feira no Clube Motonáutica (em Brasília).
Apesar de Popó estar aparentemente em melhor forma física que o senador, que não luta "para valer" desde a década de 60, Suplicy disse que tem fôlego para enfrentar o deputado.
"Eu já estou em boa forma. Na segunda-feira, eu corri 41 minutos, tenho feito ginástica. Vocês vão ver. Me senti honrado por ele ter me chamado para este desafio", disse.
Mal chegou à arena política, Popó sugeriu ontem uma luta com o senador. O parlamentar foi empossado hoje como deputado, ao lado de outros 512 colegas eleitos em outubro para um mandato na Câmara.
sábado, 30 de outubro de 2010
Do Blog do Maurício Stycer, este momento:
Lula e Alencar: bastidores de uma foto comovente
Na sexta-feira, 29 de outubro, quando o fotógrafo Ricardo Stuckert entrou no quarto do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, o presidente Lula já estava conversando com seu vice, José Alencar, internado para mais uma sessão de quimioterapia. “Meu helicóptero chegou dez minutos depois”, explicou Stuckert ao blog. No quarto também estavam Marisa, mulher do vice-presidente, e o médico Roberto Kalil.
Lula e Alencar conversavam sobre a festa de aniversário do presidente, realizada na quarta-feira, em Brasília. Na ocasião, foi exibido um DVD com depoimentos de um neto de Lula, de sua mulher, Marisa Letícia, e do vice, que emocionaram o presidente. Alencar, desanimado, lamentou não ter participado da festa, por ter reiniciado, mais uma vez, o tratamento contra o câncer.
Foi quando Lula disse: “Zé, nós subimos a rampa (do Palácio do Planalto) juntos, nós vamos descer juntos”. Alencar se emocionou, levando o presidente a fazer o gesto captado pela lente do fotógrafo.
Stuckert acompanha Lula como fotógrafo da Presidência desde o primeiro dia de governo e vai deixar o Planalto no dia 1º de janeiro de 2011.
Marcadores:
dilma,
josé alencar,
lula,
luta,
presidente
sábado, 28 de agosto de 2010
Anistia para Luiz, onde estiver
Walter Medeiros* - waltermedeiros@supercabo.com.br
A mulher com o "olhar no portão" sonhava, esperava, acreditava que um dia veria
chegar de volta o seu marido. Mas o tempo da sua vida não foi suficiente; ela morreu
e ele não voltou. Passou cerca de 28 anos esperando notícia do paradeiro do lutador
que foi preso em 1974 pelos órgãos de repressão do regime militar e nunca mais deram
informação sobre o seu verdadeiro destino. Assim, o ex-deputado Luís Maranhão Filho,
que teve seu mandato cassado, foi preso e entrou para a lista dos desaparecidos
políticos. Nunca voltou, para tristeza de Dona Odette.
O Estado brasileiro reconhece hoje que foi feito um mal à família daquele homem e
pede perdão de público. A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça anistiou
aquele potiguar, juntamente com muitos outros que foram perseguidos, como Agnelo
Alves, Garibaldi Alves, Iaperi Araújo, Gileno Guanabara e Marcos Guerra. Eles
entraram no rol onde já estavam Glênio Sá, Meri Medeiros, Luciano Almeida, Cassiano
Arruda e outros. A cada julgamento, alguém afirma que é preciso lembrar sempre o que
ocorreu naquele período, para que não se esqueça e que para que tais fatos nunca
mais aconteçam.
A emoção era geral em cada canto da Assembléia Legislativa, onde foi descerrada uma
placa homenageando Luiz Maranhão. Seu sobrinho-neto, Haroldo Maranhão, fez um curto,
discurso emocionado, lembrando o que chamou de tempos de jeep. Explicou que teve um
jeep de brinquedo, com o qual se divertia muito. Era um brinquedo da época,
principalmente em Natal, resultado da movimentação da Segunda Guerra Mundial. Mas
depois apareceram para Haroldo os jeeps verdes, dos quais saíam homens de botas e
capacetes, naquele ambiente onde seu tio desapareceu. Depois ficou sabendo que ele
"foi levado para Recife, Fernando de Noronha, Rio de Janeiro, São Paulo e Nunca
Mais".
Num telão mostraram cenas do período da ditadura, que trouxeram de volta até aquele
cheiro de gás lacrimogêneo, mas também promoveram o reencontro de velhos sonhos,
conforme as palavras da vice-presidente da Comissão, Maria Aparecida Abelardo. Ela
mostra a importância de conhecer o passado e reconstituir a verdade através dos
processos de anistia, que acumulam histórias densas e intensas que o Brasil precisa
conhecer. Mais de 65 mil pessoas foram atingidas pelo regime militar.
Os chamados "anos de chumbo" vividos pelo Brasil entre 1964 e 1985 constituíram um
tempo atribulado, mas também - ao mesmo tempo - uma era de muita fibra, de muita
luta, de muita resistência no Rio Grande do Norte. Resistência à injustiça, à falta
de liberdade; resistência à solidão das noites nas quais ninguém podia nem devia
procurar notícias de alguns companheiros, para não desfalcar o movimento, pois as
movimentações poderiam terminar em prisões, em desaparecimentos ou mortes.
Naquele tempo, em Natal, os militantes tinham de possuir uma intuição muito aguçada,
para escolher em quem confiar, pois cada desconhecido podia ser um agente da
ditadura. A qualquer momento qualquer ativista podia ver-se diante de um fuzil, de
uma sala escura e de um inquisidor, determinado a descobrir até o que não sabia, mas
que achavam que devia saber. Todos viviam sobressaltados, pelo simples fato de
defender a liberdade, o direito ao habeas-corpus, o direito de votar para
Governador, Prefeito da capital e um terço do Senado.
A despeito de tudo aquilo, presenciávamos a cada momento gestos de coragem de
incontáveis militantes, destemidos democratas, resistentes cidadãos, que guardavam
aqueles livros que não podiam ser encontrados em nas casas dos militantes, o que
aumentava a certeza de que o dia anunciado por Vandré vinha vindo. Cada filme no
cinema de arte no cine Rio Grande era um grande ato democrático; cada música
executada nos diretórios acadêmicos era uma ascensão da luta; cada obra de arte
encenada era um impulso imenso para a derrocada do regime de exceção.
Quem optava por caminhar esses caminhos, findava marcado e perseguido. Naquele
quadro, cada um vivia a sua história e encontrava a face implacável do poder de
exceção, um poder desigual e injusto. Foram anos de solidão e aflição dos
interrogatórios, das acareações e dos assédios. Mas foram também dias de ânimo
cívico, têmpera revolucionária e coragem democrática. Uma luta ora aberta, ora
solitária, ora clandestina, mas sempre no rumo de um amanhã, que seria outro dia,
como dizia Chico Buarque. O outro dia chegou. Estamos a vivê-lo. E é importante
fazer com que tudo aquilo tenha realmente valido à pena.
*Jornalista
Walter Medeiros* - waltermedeiros@supercabo.com.br
A mulher com o "olhar no portão" sonhava, esperava, acreditava que um dia veria
chegar de volta o seu marido. Mas o tempo da sua vida não foi suficiente; ela morreu
e ele não voltou. Passou cerca de 28 anos esperando notícia do paradeiro do lutador
que foi preso em 1974 pelos órgãos de repressão do regime militar e nunca mais deram
informação sobre o seu verdadeiro destino. Assim, o ex-deputado Luís Maranhão Filho,
que teve seu mandato cassado, foi preso e entrou para a lista dos desaparecidos
políticos. Nunca voltou, para tristeza de Dona Odette.
O Estado brasileiro reconhece hoje que foi feito um mal à família daquele homem e
pede perdão de público. A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça anistiou
aquele potiguar, juntamente com muitos outros que foram perseguidos, como Agnelo
Alves, Garibaldi Alves, Iaperi Araújo, Gileno Guanabara e Marcos Guerra. Eles
entraram no rol onde já estavam Glênio Sá, Meri Medeiros, Luciano Almeida, Cassiano
Arruda e outros. A cada julgamento, alguém afirma que é preciso lembrar sempre o que
ocorreu naquele período, para que não se esqueça e que para que tais fatos nunca
mais aconteçam.
A emoção era geral em cada canto da Assembléia Legislativa, onde foi descerrada uma
placa homenageando Luiz Maranhão. Seu sobrinho-neto, Haroldo Maranhão, fez um curto,
discurso emocionado, lembrando o que chamou de tempos de jeep. Explicou que teve um
jeep de brinquedo, com o qual se divertia muito. Era um brinquedo da época,
principalmente em Natal, resultado da movimentação da Segunda Guerra Mundial. Mas
depois apareceram para Haroldo os jeeps verdes, dos quais saíam homens de botas e
capacetes, naquele ambiente onde seu tio desapareceu. Depois ficou sabendo que ele
"foi levado para Recife, Fernando de Noronha, Rio de Janeiro, São Paulo e Nunca
Mais".
Num telão mostraram cenas do período da ditadura, que trouxeram de volta até aquele
cheiro de gás lacrimogêneo, mas também promoveram o reencontro de velhos sonhos,
conforme as palavras da vice-presidente da Comissão, Maria Aparecida Abelardo. Ela
mostra a importância de conhecer o passado e reconstituir a verdade através dos
processos de anistia, que acumulam histórias densas e intensas que o Brasil precisa
conhecer. Mais de 65 mil pessoas foram atingidas pelo regime militar.
Os chamados "anos de chumbo" vividos pelo Brasil entre 1964 e 1985 constituíram um
tempo atribulado, mas também - ao mesmo tempo - uma era de muita fibra, de muita
luta, de muita resistência no Rio Grande do Norte. Resistência à injustiça, à falta
de liberdade; resistência à solidão das noites nas quais ninguém podia nem devia
procurar notícias de alguns companheiros, para não desfalcar o movimento, pois as
movimentações poderiam terminar em prisões, em desaparecimentos ou mortes.
Naquele tempo, em Natal, os militantes tinham de possuir uma intuição muito aguçada,
para escolher em quem confiar, pois cada desconhecido podia ser um agente da
ditadura. A qualquer momento qualquer ativista podia ver-se diante de um fuzil, de
uma sala escura e de um inquisidor, determinado a descobrir até o que não sabia, mas
que achavam que devia saber. Todos viviam sobressaltados, pelo simples fato de
defender a liberdade, o direito ao habeas-corpus, o direito de votar para
Governador, Prefeito da capital e um terço do Senado.
A despeito de tudo aquilo, presenciávamos a cada momento gestos de coragem de
incontáveis militantes, destemidos democratas, resistentes cidadãos, que guardavam
aqueles livros que não podiam ser encontrados em nas casas dos militantes, o que
aumentava a certeza de que o dia anunciado por Vandré vinha vindo. Cada filme no
cinema de arte no cine Rio Grande era um grande ato democrático; cada música
executada nos diretórios acadêmicos era uma ascensão da luta; cada obra de arte
encenada era um impulso imenso para a derrocada do regime de exceção.
Quem optava por caminhar esses caminhos, findava marcado e perseguido. Naquele
quadro, cada um vivia a sua história e encontrava a face implacável do poder de
exceção, um poder desigual e injusto. Foram anos de solidão e aflição dos
interrogatórios, das acareações e dos assédios. Mas foram também dias de ânimo
cívico, têmpera revolucionária e coragem democrática. Uma luta ora aberta, ora
solitária, ora clandestina, mas sempre no rumo de um amanhã, que seria outro dia,
como dizia Chico Buarque. O outro dia chegou. Estamos a vivê-lo. E é importante
fazer com que tudo aquilo tenha realmente valido à pena.
*Jornalista
Marcadores:
anistia,
democracia,
ditadura,
liberdade,
luiz maranhão,
luta,
povo
Assinar:
Postagens (Atom)


