Reproduzo do Observatório da Imprensa:
"Não é justo alguém ter o direito de ter uma empresa de aviação e outro não ter o direito de comer um pão." /////// JAMAIS IDE A UM LUGAR GRANDE DEMAIS. A UM LUGAR AONDE NÃO TENHAIS CORAGEM DA IMENSIDÃO - EMANOEL BARRETO - NATAL/RN
terça-feira, 15 de março de 2011
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Oba-oba pra Obama
Deu na Folha: O governo do Estado do Rio de Janeiro criou um perfil no Facebook para o discurso do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que será feito na cidade do Rio, no domingo.
Suponho que o mandatário americano deverá entoar loas às "boas relações" entre os dois países, com isso visando obter visibilidade internacional. Uma maneira de demonstrar que a hegemonia norte-americana é bem aceita e aplaudida no Brasil. Ou melhor, no Brazil.
Haverá, claro, telões com a imagem de Obama, e legendas, como num filme, entende? Isso dá a dimensão do factoide e o transporta à sua verdadeira essência e realidade: a realidade de ser um simulacro, uma espécie de filme do absurdo, só que exibido de graça e em praça pública. E o governo do Rio ainda chama a moçada a ir e vibrar...
Deu na Folha: O governo do Estado do Rio de Janeiro criou um perfil no Facebook para o discurso do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que será feito na cidade do Rio, no domingo.
Para atrair o público ao discurso do presidente, a página do governo no Facebook colocou o discurso como um evento no site. Até as 12h45 desta terça-feira, mais de cem pessoas já tinham "confirmado presença". Muitos internautas deixaram comentários sobre a visita do presidente americano ao Brasil e seu pronunciamento.
...
Não vejo qualquer necessidade ou importância nesse pronunciamento. Há em andamento algum grande plano ao projeto reunindo Brasil e Estados Unidos? Não, não há. O que existe é um pseudoacontecimento, um acontecimento de mídia, um fato que só acontecerá em função da mídia, para usufruto e paradoxal manipulação da própria mídia ao transmitir e cobrir esse pronunciamento.
Suponho que o mandatário americano deverá entoar loas às "boas relações" entre os dois países, com isso visando obter visibilidade internacional. Uma maneira de demonstrar que a hegemonia norte-americana é bem aceita e aplaudida no Brasil. Ou melhor, no Brazil.
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segunda-feira, 14 de março de 2011
Sou inimigo público número um de Natal
Teremos no Brasil, já está em andamento, um tsunami social e econômico que despejará na praia do desperdício bilhões de reais, em detrimento de questões sérias. Falo a respeito da Copa do Mundo e das Olimpíadas, falo dos hospitais que deixarão de ser construídos, do desmantelamento material das Forças Armadas, das escolas largadas a si mesmas, das estradas esburacadas, do tráfico de drogas, da exploração sexual de crianças e adolescentes, falo do cotidiano que você vê e vive. Basta olhar pela janela do carro. Ou estar entulhado em algum ônibus sacolejante.
Mas Lula decidiu essa loucura e Dilma a levará adiante. Literalmente, custe o que custar. Serra não faria por menos, eleito tivesse sido. Ou alguém é louco de negar circo ao povo? Quase todos os dias vejo noticiário falando do descalabro no Walfredo Gurgel. Falta de dinheiro. Ontem, o Fantástico mostrou a quantas anda no Nordeste, em Natal especialmente, a questão do turismo sexual. Também não há dinheiro para a polícia coibir esse tipo de atividade. Mas haverá grana, e muita, para um ou dois joguinhos de segunda numa Copa de Mundo feita para o povo encher a boca de gritos de gol.
--Abaixo, reproduzo a matéria do Fantástico.
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sábado, 12 de março de 2011
No Japão, Hiroxima revisitada
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| 12.mar.2011/Reuters/Kyodo |
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| Deu no Observatório da Imprensa e reproduzo. Os esquecidos dos esquecidos Por Rogério Christofoletti em 8/3/2011 Reproduzido do objETHOS, 7/3/2011 | |||
Por vício das redações, por interesses políticos, altos custos ou por descaso mesmo, os meios de comunicação brasileiros não oferece grandes coberturas internacionais. Ao menos na maioria das vezes. Negligenciamos até mesmo os vizinhos da América do Sul. Quanto mais países que pouco pesam em nossas balanças comerciais ou que quase nenhuma influência exercem nas decisões do governo brasileiro. De maneira geral, é mesmo muito raro encontrar nas páginas de jornais ou segmentos de telejornais notícias de certos cantos do mundo. Ouve-se falar pouco da Oceania, mas a Austrália acaba "salvando" o continente dessa invisibilidade. Já a África é um caso clássico desse esquecimento midiático; um conjunto de cinquenta nações parece simplesmente inexistir em nossa mídia. É uma "mágica" geográfica que "aumenta" o Atlântico e liga a América à Europa e ao Oriente Médio, quase sem nenhuma interrupção. Ações efetivasA cobertura da "nova onda islâmica" colocou uma parte da África novamente no mapa, muito por conta dos países dominados por ditadores. Voltamos a falar de Kadhafi e Mubarak, por exemplo. Alguns dos veículos de comunicação brasileiros mandaram seus correspondentes atravessar o Mediterrâneo para cobrir os conflitos no norte africano. Ótimo! Mas na mesma ocasião em que isso acontece, outros tantos confrontos ocorrem no mesmo continente, e insistimos em ignorá-los. Na semana que passou, por exemplo, mais de duzentas mil pessoas deixaram suas casas na capital da Costa do Marfim por conta de conflitos que devem provocar em breve uma guerra civil. No Congo, a temperatura está subindo também. No Sudão, a ONU faz a intermediação entre governo e o Movimento Igualdade e Justiça para a libertação de prisioneiros políticos. Em outros países, não apenas os conflitos armados e as disputas tribais, mas também a escalada da Aids, doenças endêmicas, fome e miséria, corrupção e regimes truculentos fazem da África um cenário a ser observado por todos que têm um pingo de sensibilidade humana. O fato é que mesmo no continente esquecido, há mais e mais esquecidos. Parece haver uma perversa hierarquia que escolhe entre cobrir os protestos no Egito a ignorar as matanças em Angola. Onde entra o jornalismo nisso tudo? Justamente numa de suas funções, numa das tarefas que o público lhe delegou: a de denunciar situações que merecem a nossa atenção. Se tivermos mais repórteres na África, teremos mais notícias e informações sobre os seus países. Se tivermos mais conhecimento do que se passa por lá, poderemos nos organizar melhor para pensar soluções, poderemos exigir ações mais efetivas. Pode parecer utópico ou irreal, mas o que podemos fazer: esperar passivamente que aconteça como no genocídio de Ruanda, de 1994, quando mais de meio milhão de pessoas foram mortas de maneira selvagem e cruel? | |||
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O terremoto da história
Deu na Folha:
O terremoto de 8,9 graus de magnitude na escala Richter que atingiu o Japão nesta sexta-feira pode ter deslocado em quase 10 centímetros o eixo de rotação da Terra, segundo um estudo preliminar do INGV (Instituto Nacional de Geofísica e Vulcanologia) da Itália.
Temo que a ocorrência venha a ter resultados sobre o clima na Terra, juntando-se à devastadora ação que a humanidade leva, com critério homicida, às últimas consequências.
O planeta, e isso nós esquecemos, segue sua, digamos assim, história geológica e isso implica as manifestações sísmicas e demais manifestações das forças elementais manifestas em tufões, furacões, tornados.
Tudo isso reunido à presença predatória do que chamamos humanidade, resulta um cadinho de efeitos que repercutem na vida histórica. E como a insanidade, guiada pela noção do lucro a qualquer preço, domina as ações dos países, o planeta caminha a passos largos em direção a futuro que a mim parece aterrador.
Os desequilíbrios climáticos, com suas irrefreáveis consequências sociais, aqui em sentido amplo englobando a economia, a geopolítica, a vida mesma das pessoas em seu cotidiano, são como o ponto de fulgor para uma humanidade que parece não temer acender o fósforo na sala cheia de gás.
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quinta-feira, 10 de março de 2011
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A queda da beleza no meio da rua
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| Diego Padgurschi/Folhapress |
Ana Hickmann caiu, mas o povo é que sofreu escoriações generalizadas
O poder contagiante e a representatividade do carnaval na cultura brasileira são inegáveis. O desfile de escolas de samba, especialmente as do Rio, é um fenômeno que traz em si um mosaico do imaginário nacional, uma espécie de ópera que caminha e dança e canta e faz a catarse da grande dor chamada Brasil. O desfile na avenida, assim como o futebol, é acontecimento pluri e meta, fênix anual. É algo ao mesmo tempo pungente e doido de alegria.
No desfile do Rio de Janeiro acontecimento que poderia ser tomado em sua essência eventual como algo só exatamente isso, eventual, tomou, todavia, destaque em função da personalidade nele envolvida: a belíssima, a riquíssima Ana Hickmann escorregou em rodopio e caiu em baque sólido, chapado e bruto em meio àquela gente tão modesta. Que fingia, em suas fantasias, ser tão galharda e triunfante quanto a beldade estatelada. Ledo engano.
Acho que o fato traz, em sua singeleza, algo a ser pensado: não festejo o sofrimento da pessoa. Mas vejo, no fato da suprema ilusão, no simulacro da alegria obrigatória do carnaval, toda a tragédia do povo que se reinventa por alguns dias e explode de si na vitória da escola de samba favorita. E os humildes batuqueiros ficam felizes tendo a seu lado a beleza portentosa de mulher intensa e linda.
O que não se percebe é que a deusa falsa, que dançava em meio à alegórica diversão fantasiosa, era apenas isso: mulher bela e vaidosa, por alguns momentos similar aos que a cercavam. E mesmo assim caiu. Diante disso o que pensar da queda diária do povo nas filas e no salário mínimo, na escola de bairro que não funciona e na ambulância de pneu furado.
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quarta-feira, 9 de março de 2011
FENAJ convoca caravana a Brasília
Em comunicado enviado nesta quinta-feira, 3, aos Sindicatos, diretores da FENAJ, Comissão Nacional de Ética e coordenadores nacionais e estaduais da Campanha em Defesa do Diploma, a Executiva da FENAJ convocou uma caravana a Brasília nos dias 23 a 25 de março, para ampliar o movimento de sensibilização junto a parlamentares e entidades da sociedade civil pela aprovação das PECs do Diploma. No dia 26, também no Distrito Federal, haverá reunião do Conselho de Representantes da FENAJ.
Em comunicado enviado nesta quinta-feira, 3, aos Sindicatos, diretores da FENAJ, Comissão Nacional de Ética e coordenadores nacionais e estaduais da Campanha em Defesa do Diploma, a Executiva da FENAJ convocou uma caravana a Brasília nos dias 23 a 25 de março, para ampliar o movimento de sensibilização junto a parlamentares e entidades da sociedade civil pela aprovação das PECs do Diploma. No dia 26, também no Distrito Federal, haverá reunião do Conselho de Representantes da FENAJ.
A agenda de mobilizações pelas PECs do Diploma em Brasília inclui visitas a deputados e senadores no dia 23 de março, a entidades, instituições e personalidades nos dias 24 e 25 para consolidação do movimento e a reunião do Conselho de Representantes – com delegados dos 31 Sindicatos de Jornalistas – no dia 26. Na reunião do Conselho, além da prestação de contas da FENAJ relativa a 2010, também serão apreciados o plano de lutas para 2011 e o encaminhamento de resoluções do 34º Congresso Nacional dos Jornalistas, realizado em Porto Alegre, em agosto passado.
Conforme orientações anteriores, a Executiva e o GT Coordenação Nacional da Campanha pelo Diploma também lembram que em todos estados deve-se dar continuidade à busca e confirmação do apoio dos parlamentares às PECs do Diploma, bem como repassar à FENAJ dados relativos à tendência de voto dos senadores e deputados para atualização do “placar” que consta no site da Federação.
A movimentação deve ser fortalecida, ainda, com a busca de apoio junto a universidades, professores, estudantes e outros segmentos, entidades, instituições nos diversos estados e regiões. O objetivo é, além de ampliar pela base a sensibilização de parlamentares, preparar uma grande movimentação nacional em defesa do diploma já marcada para 7 de abril, Dia do Jornalista.
__._,_.___
Na foto de Jorge Araújo/Folhapress a visão do carnaval do bloco Os Cão, que há 45 anos anima o carnaval da Redinha. Aqui, o carnaval como revisão trágico-grotesca da vida, da alegria que brota da alma popular e seu imaginário, que de alguma maneira sabe que, na vida, tem alguma coisa que está errada, muito errada e torta.
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sábado, 5 de março de 2011
Deu no Estadão:
Bob Dylan consegue permissão para tocar na China pela 1ª vez
Cantor norte-americano se apresentará em Pequim e Xangai em abril
EFE
Pequim, 5 mar (EFE).- O mítico cantor de folk-rock americano Bob Dylan conseguiu autorização para se apresentar pela primeira vez na China, após uma fracassada tentativa no ano passado, e tocará seu Blowin' in the Wind em Pequim no dia 6 de abril e em Xangai em 8 de abril, informaram os organizadores da turnê em comunicado.

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Ouça sucessos do cantor
Segundo a Gehua-LiveNation, a empresa sino-americana que organiza os shows de Dylan no país asiático, o Ginásio dos Trabalhadores de Pequim e o Grand Stage de Xangai serão os palcos das apresentações.
Os preços oscilarão entre os 280 iuanes (US$ 42) e os 1.960,411 iuanes (US$ 298) para a ala VIP, número que homenageia a data do primeiro show do músico (11 de abril de 1961).
Dylan, que completará 70 anos em maio, cancelou no ano passado uma viagem à Ásia, que além das duas cidades chinesas mencionadas incluía Coreia do Sul, Japão e Taiwan, por não obter permissão das autoridades chinesas.
Em um primeiro momento, os promotores daquela turnê, a empresa taiuanesa Brokers Brothers, culpou o Ministério da Cultura chinês de proibir o show de Dylan, depois que outras excursões de artistas ocidentais famosos (como Oasis, The Killers, Céline Dion e Linkin Park) foram suspensas no país por problemas com a censura ou desacordos sobre a venda de ingressos.
A primeira banda de pop internacional que se apresentou na China foi a Wham!, em 1985, com um show em Pequim que demandou aos agentes do grupo de George Michael meses de intermináveis negociações.
Em seguida, vieram as turnês de Whitney Houston e Elton John, mas considera-se que o primeiro grande show de rock na China foi o do Deep Purple em Pequim, em 2004.
Divulgação
Cantor teve shows cancelados no país no ano passado
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Segundo a Gehua-LiveNation, a empresa sino-americana que organiza os shows de Dylan no país asiático, o Ginásio dos Trabalhadores de Pequim e o Grand Stage de Xangai serão os palcos das apresentações.
Os preços oscilarão entre os 280 iuanes (US$ 42) e os 1.960,411 iuanes (US$ 298) para a ala VIP, número que homenageia a data do primeiro show do músico (11 de abril de 1961).
Dylan, que completará 70 anos em maio, cancelou no ano passado uma viagem à Ásia, que além das duas cidades chinesas mencionadas incluía Coreia do Sul, Japão e Taiwan, por não obter permissão das autoridades chinesas.
Em um primeiro momento, os promotores daquela turnê, a empresa taiuanesa Brokers Brothers, culpou o Ministério da Cultura chinês de proibir o show de Dylan, depois que outras excursões de artistas ocidentais famosos (como Oasis, The Killers, Céline Dion e Linkin Park) foram suspensas no país por problemas com a censura ou desacordos sobre a venda de ingressos.
A primeira banda de pop internacional que se apresentou na China foi a Wham!, em 1985, com um show em Pequim que demandou aos agentes do grupo de George Michael meses de intermináveis negociações.
Em seguida, vieram as turnês de Whitney Houston e Elton John, mas considera-se que o primeiro grande show de rock na China foi o do Deep Purple em Pequim, em 2004.
sexta-feira, 4 de março de 2011
O resfriado, ah, o resfriado...
Uma das manifestações das pequenas misérias da condição humana é o resfriado. O corpo amolecido, febril, uma espécie de cansaço infame, um letargo que encharca o corpo de dores pequenas e malvadas que pululam de uma parte a outra, a cabeça explodindo; o ar implorando para chegar aos pulmões, antes porém enfrentando a resistência do nariz inteiramente tapado.
É assim que estou, agredido por potente resfriado, tateando letra a letra a construção de cada palavra. Pior: tateando a organização do pensamento. Afinal, não posso escrever palavras a esmo. Palavras soltas, sem o sentido do encadeamento, sem o objetivo de dizer algo, são o mesmo que nada.
Este pequeno texto é escrito sob o ataque cerrado de um resfriado que... Sinceramente, creio você já entendeu tudo. O resfriado é uma espécie de grito desolado. E sua voz fica tão fraca que é melhor calar. No meu caso, é melhor parar.
Abraço grande. Se der, volto a escrever mais tarde. Se não, até amanhã.
Emanoel Barreto
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quarta-feira, 2 de março de 2011
Deu no Observatório da Imprensa:
| EXPLOSÃO ÁRABE Por trás das revoluções Por Luís Olímpio Ferraz Melo em 22/2/2011 | |
| É preciso ultrapassar o campo da sociologia e o da ciência política para compreender o que acontece neste momento no Oriente Médio, pois há evidência de orquestração nesses movimentos ditos revolucionários. Não é sábio acreditar que, de uma hora para outra, os egípcios se deram conta que Hosni Mubarak estava há três décadas no poder e que deveria cair para ser implantada a tão sonhada democracia. Esses regimes governamentais imperialistas fazem parte da cultura do mundo árabe e há outro item que merece reflexão: a religião tem mais poder do que o governo constituído. Ou seja, independente do regime de governo, é a religião que sempre tem a última palavra. O termo mais apropriado para classificar esses movimentos no Oriente Médio seria revolta, e não revolução, como sugerem os meios de comunicação. A maioria dessas pessoas que estão se "revoltando" contra os seus vetustos governantes nem sabe ao certo a razão do conflito e pode, sim, estar sendo manipulada por interesses obscuros. Os conflitos – ou revoltas – estão se espalhando e colocando o Oriente Médio no centro das atenções do mundo e não se pode prever como terminarão esses eventos. O discurso de todos os líderes desses movimentos é bastante conhecido e sedutor: a liberdade. Mas é intrigante, somente agora, perceberem que a liberdade – no sentido amplo da palavra – é a melhor coisa que possa existir numa sociedade. Articulação obscuraPor ocasião da "revolta" no Nepal, em que os nepaleses queriam derrubar a secular monarquia, perguntei a alguns nativos "revoltados" a razão daquele movimento. A resposta era lacônica: liberdade. No Tibete, procurei uma explicação oficial para a invasão chinesa na Revolução Cultural, em 1950, em que foram assassinados um milhão e duzentos mil inocentes e inofensivos tibetanos e a resposta confunde mais do que explica: foi para libertar o Tibete dos tibetanos (?). A rainha das Revoluções – a Francesa – fornece-nos elementos para a compreensão de como são arquitetados esses movimentos, pois a franco-maçonaria era que estava por trás da Revolução e a sua bandeira era a tão almejada liberdade de expressão e o fim da religião. O leitor não se espante em saber que Montesquieu, Kant, Rousseau, Voltaire, Karl Marx e outros tantos famosos eram maçons e usavam a sociedade secreta maçônica para articular a derrubada de governos autoritários, sugerindo desejar a construção de um governo único. Curiosamente, Hegel e Marx diziam que a história sempre se repete, sugerindo que possa existir uma articulação obscura por trás de todas essas "revoltas" no Oriente Médio sem que nem os "revoltados" saibam da teleologia desse movimento... | |
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A Liberdade nasce na boca do canhão
Os lábios dos líbios estão trêmulos de um certo ardor de liberdade, mesmo que não saibam o que virá depois. Revoluções, insurgências, quedas de ditadores não asseguram que será melhor o dia seguinte, que na história é muito longo, dura anos, muitos anos. Mas acreditam, os líbios acreditam e estão certos, de que o quadro atual não pode mais se manter, mantendo todo um povo em sucumbência.
A capa do jornal francês dá bem uma ideia do clima áspero e doloroso. O texto visual, a força da foto traz em si toda a síntese da tragédia. O parto da história se fazendo em meio ao fogo. "Somos nós quem libertará Trípoli" grita a manchete encaixada na imagem indicando que agora não tem volta. Estranhamente, o horror traz em sua alma aquilo a que chamamos de Liberdade. E o canhão faz o seu chamado: Liberdade, Liberdade, abre as asas sobre nós.
O cenário é desolador: morte e clamores rondam as ruas como fantasmas que assombram, mãos dadas com os medos que percorrem corações e mentes. Ao lados dos que lutam há os que fogem, não suportando, não tendo forças e coragem para o embate. O desenho da tragédia começa a ganhar traços fortes e escuros, indicando que forças não líbias podem interferir na luta. Uso esse eufemismo para dizer que os EUA estão prontos para desembarcar os marines. Kadaffi já ameaçou: isso acontecendo, rios de sangue, mais intensos e tensos desaguarão no caudal dos sofrimentos.
A geopolítica no norte da África, caso haja a intervenção americana, ficará mais complicada na era pós-Kadaffi. O ideal seria que a revolta triunfasse sem ajuda estrangeira, pois será um problema a mais administrar a presença de forças militares que estarão representando os interesses políticos e econômicos americanos.
A história dá seus passos. A luta na Líbia terá repercussões que começarão a ser medidas depois do último disparo.
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terça-feira, 1 de março de 2011
Volto a escrever nesta quarta.
Emanoel Barreto
Emanoel Barreto
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Deu no Estadão:
Dilma cozinha com Ana Maria Braga
Entrevista vai ao ar na terça-feira; na atração, a presidente preparou uma omelete de queijo
A presidente Dilma Rousseff gravou o programa 'Mais Você', nesta segunda-feira. A entrevista vai ao ar na terça-feira. No café da manhã, Dilma agradeceu a solidariedade de Ana Maria em um dos momentos mais difíceis de sua vida, quando recebeu o diagnóstico de câncer. Ambas tiveram a mesma doença e conversaram sobre a luta que travaram para vencê-la.
Renato Rocha Miranda/ TV Globo/Reprodução
Dilma Rousseff gravou o programa 'Mais Você'
A apresentadora também comentou o fato de verem a presidente como uma pessoa dura. "É interessante como esperam de nós, mulheres, uma certa fragilidade. Isso decorre do fato de que a mulher, quando assume um alto cargo, é vista fora do seu papel. Acho que, a partir de agora, isso vai começar a ser encarado como uma coisa normal e natural. As pessoas vão se acostumar com cada vez mais mulheres conquistando espaço", disse a presidente.
No quarto bloco, a presidente preparou uma omelete de queijo.
...........
À gravação feita nesta segunda faltará, não tenha dúvida, algo essencial ao propósito de humanizar a presidente: sinceridade. Alguém acredita que ela tem tempo a perder preparando acepipes e pratinhos? Dilma é forte, mas não tem carisma. Assim, fica difícil que a participação em programa de amenidades caseiras tenha qualquer resultado positivo ao que sua assessoria acertou com a Globo. Pura perde de tempo.
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Na Folha, o último texto de Moacir Scliar.
Atenção, mulheres, está demonstrado pela ciência: chorar é golpe baixo. As lágrimas femininas liberam substâncias, descobriram os cientistas, que abaixam na hora o nível de testosterona do homem que estiver por perto, deixando o sujeito menos agressivo.
Os cientistas queriam ter certeza de que isso acontece em função de alguma molécula liberada -e não, digamos, pela cara de sofrimento feminina, com sua reputação de derrubar até o mais insensível dos durões. Por isso, evitaram que os homens pudessem ver as mulheres chorando. Os cientistas molharam pequenos pedaços de papel em lágrimas de mulher e deixaram que fossem cheirados pelos homens.
O contato com as lágrimas fez a concentração da testosterona deles cair quase 15%, em certo sentido deixando-os menos machões.
Ciência, 7 de janeiro de 2011
ELE VIVIA FURIOSO com a mulher. Por, achava ele, boas razões. Ela era relaxada com a casa, deixava faltar comida na geladeira, não cuidava bem das crianças, gastava demais. Cada vez, porém, que queria repreendê-la por uma dessas coisas, ela começava a chorar. E aí, pronto: ele simplesmente perdia o ânimo, derretia. Acabava desistindo da briga, o que o deixava furioso: afinal, se ele não chamasse a mulher à razão, quem o faria? Mais que isso, não entendia o seu próprio comportamento. Considerava-se um cara durão, detestava gente chorona.
Por que o pranto da mulher o comovia tanto? E comovia-o à distância, inclusive. Muitas vezes ela se trancava no quarto para chorar sozinha, longe dele. E mesmo assim ele se comovia de uma maneira absurda.
Foi então que leu sobre a relação entre lágrimas de mulher e a testosterona, o hormônio masculino. Foi uma verdadeira revelação. Finalmente tinha uma explicação lógica, científica, sobre o que estava acontecendo. As lágrimas diminuíam a testosterona em seu organismo, privando-o da natural agressividade do sexo masculino, transformando-o num cordeirinho.
Uma ideia lhe ocorreu: e se tomasse injeções de testosterona? Era o que o seu irmão mais velho fazia, mas por carência do hormônio.
Com ele conseguiu duas ampolas do hormônio. Seu plano era muito simples: fazer a injeção, esperar alguns dias para que o nível da substância aumentasse em seu organismo e então chamar a esposa à razão.
Decidido, foi à farmácia e pediu ao encarregado que lhe aplicasse a testosterona, mentindo que depois traria a receita. Enquanto isso era feito, ele, de repente, caiu no choro, um choro tão convulso que o homem se assustou: alguma coisa estava acontecendo?
É que eu tenho medo de injeção, ele disse, entre soluços. Pediu desculpas e saiu precipitadamente. Estava voltando para casa. Para a esposa e suas lágrimas.
MOACYR SCLIAR (1937 - 2011)
Moacyr Scliar, que morreu ontem, à 1h, aos 73 anos, escrevia nesta coluna, às segundas-feiras, um texto de ficção baseado em notícias publicadas no jornal.
É a última coluna do médico e escritor publicada neste espaço.
Este texto, inédito, foi enviado pelo escritor ao jornal no dia 11 de janeiro, antes de sofrer um AVC (acidente vascular cerebral), no dia 17 do mês passado.
MOACYR SCLIAR
Lágrimas e testosterona
Lágrimas e testosterona
Cada vez que ele queria repreendê-la, ela começava a chorar. E aí, pronto: ele simplesmente derretia |
Atenção, mulheres, está demonstrado pela ciência: chorar é golpe baixo. As lágrimas femininas liberam substâncias, descobriram os cientistas, que abaixam na hora o nível de testosterona do homem que estiver por perto, deixando o sujeito menos agressivo.
Os cientistas queriam ter certeza de que isso acontece em função de alguma molécula liberada -e não, digamos, pela cara de sofrimento feminina, com sua reputação de derrubar até o mais insensível dos durões. Por isso, evitaram que os homens pudessem ver as mulheres chorando. Os cientistas molharam pequenos pedaços de papel em lágrimas de mulher e deixaram que fossem cheirados pelos homens.
O contato com as lágrimas fez a concentração da testosterona deles cair quase 15%, em certo sentido deixando-os menos machões.
Ciência, 7 de janeiro de 2011
ELE VIVIA FURIOSO com a mulher. Por, achava ele, boas razões. Ela era relaxada com a casa, deixava faltar comida na geladeira, não cuidava bem das crianças, gastava demais. Cada vez, porém, que queria repreendê-la por uma dessas coisas, ela começava a chorar. E aí, pronto: ele simplesmente perdia o ânimo, derretia. Acabava desistindo da briga, o que o deixava furioso: afinal, se ele não chamasse a mulher à razão, quem o faria? Mais que isso, não entendia o seu próprio comportamento. Considerava-se um cara durão, detestava gente chorona.
Por que o pranto da mulher o comovia tanto? E comovia-o à distância, inclusive. Muitas vezes ela se trancava no quarto para chorar sozinha, longe dele. E mesmo assim ele se comovia de uma maneira absurda.
Foi então que leu sobre a relação entre lágrimas de mulher e a testosterona, o hormônio masculino. Foi uma verdadeira revelação. Finalmente tinha uma explicação lógica, científica, sobre o que estava acontecendo. As lágrimas diminuíam a testosterona em seu organismo, privando-o da natural agressividade do sexo masculino, transformando-o num cordeirinho.
Uma ideia lhe ocorreu: e se tomasse injeções de testosterona? Era o que o seu irmão mais velho fazia, mas por carência do hormônio.
Com ele conseguiu duas ampolas do hormônio. Seu plano era muito simples: fazer a injeção, esperar alguns dias para que o nível da substância aumentasse em seu organismo e então chamar a esposa à razão.
Decidido, foi à farmácia e pediu ao encarregado que lhe aplicasse a testosterona, mentindo que depois traria a receita. Enquanto isso era feito, ele, de repente, caiu no choro, um choro tão convulso que o homem se assustou: alguma coisa estava acontecendo?
É que eu tenho medo de injeção, ele disse, entre soluços. Pediu desculpas e saiu precipitadamente. Estava voltando para casa. Para a esposa e suas lágrimas.
MOACYR SCLIAR (1937 - 2011)
Moacyr Scliar, que morreu ontem, à 1h, aos 73 anos, escrevia nesta coluna, às segundas-feiras, um texto de ficção baseado em notícias publicadas no jornal.
É a última coluna do médico e escritor publicada neste espaço.
Este texto, inédito, foi enviado pelo escritor ao jornal no dia 11 de janeiro, antes de sofrer um AVC (acidente vascular cerebral), no dia 17 do mês passado.
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domingo, 27 de fevereiro de 2011
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Leio no Blog do Carlos Santos e comento logo depois:
ONG internacional denuncia cerco ao Blog do Carlos Santos
A Organização Não-governamental (ONG) "Repórteres Sem Fronteira (RSF), que defende a liberdade de imprensa em todo o mundo, passou a monitorar o caso de repercussão nacional, que envolve o editor deste Blog.
A avalanche de processos (11, protocolados em apenas um dia e mais de 30 no total) despertou a instituição.
"Carlos Santos, jornalista independente da cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte, foi condenado neste mês de fevereiro de 2011 a doar a quantia de 6 000 reais (2 600 euros) a associações filantrópicas devido a três comentários contra a prefeita da localidade, Fátima Rosado, publicados no seu blog )", assevera a RSF.
"A multa substitui a sentença inicialmente proferida de um mês e quatro dias de prisão por cada um dos comentários, mais de três meses no total", continua a Repórteres Sem Fronteira, em seu portal.
“Estou sitiado, mas bem”, declarou o jornalista a Repórteres sem Fronteiras a 24 de fevereiro.
Constituição
Veja abaixo mais uns trechos da denúncia plenetária, feita pela RSF:
Carlos Santos enfrenta atualmente 27 ações judiciais e 9 interpelações, ainda em andamento, na sequência de queixas de responsáveis políticos e administrativos locais, que se consideram “ofendidos” pelos seus textos. Até hoje, o jornalista foi condenado em três ocasiões a penas de prisão por “injúrias”, convertidas em multa pecuniária. Em três outros processos do mesmo tipo, foi absolvido.
Veja abaixo mais uns trechos da denúncia plenetária, feita pela RSF:
Carlos Santos enfrenta atualmente 27 ações judiciais e 9 interpelações, ainda em andamento, na sequência de queixas de responsáveis políticos e administrativos locais, que se consideram “ofendidos” pelos seus textos. Até hoje, o jornalista foi condenado em três ocasiões a penas de prisão por “injúrias”, convertidas em multa pecuniária. Em três outros processos do mesmo tipo, foi absolvido.
“É certo que os comentários de blog pelos quais Carlos Santos foi condenado podem ser considerados veementes. Porém, dois deles dizem respeito à suposta incapacidade da prefeita Fátima Rosado no desempenho de suas funções, enquanto que o terceiro comentário nem sequer nomeia ninguém em particular. A questão reside sobretudo na quantidade excessiva de ações ingressadas como resposta aos comentários ou artigos vistos como um ataque à reputação de uma autoridade pública. O assédio judicial é outra forma de censura”, declarou Repórteres sem Fronteiras.
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A morte civil de um jornalista
Ao que percebo, o jornalista Carlos Santos não está sendo alvo unicamente de uma atitude, digamos assim, judicial, por parte da Prefeita: o volume de atos processuais, a gana, 0 desejo agudo, o apetite jurídico intencionado, vai muito além da retribuição punitiva a seus comportamentos editoriais: o intento que se percebe à sombra de tal cachoeira jurídica é de destruição, de devastação mesmo; aniquilamento, extermínio moral, quero dizer.
Ao que suponho, a mente jurídica encarregada de julgar os feitos, como se diz no esoterismo típico do mundo das leis, deveria levar em consideração o que está por trás da intenção do volume de processos enfeixados. O quero dizer é o seguinte: o fardo de processos formula uma assertiva subliminar, uma outra mensagem que não é a de apenas processar . Uma assertiva social e antidemocrática, algo que vai além do processo: revela o que acabei de sinalizar: não se pretende punir um jornalista por excessos ou até mesmo injustiças praticadas via juízos de valor errôneos cometidos a respeito da Prefeita. O intento é bem outro: trata-se de atitude política - que vai além do jurídico para chegar a outro plano: o que se pretende é uma certa forma de morte civil do processado, sua sufocação e débâcle, impedimento total a que manifeste suas opiniões. Carlos Santos não está sendo processado: ele está sendo caçado.
Quem entende minimamente de comunicação saberá do que estou falando: atos,
gestos comportamentais, são também atitudes de comunicação positiva; sendo assim, o ato de acusá-lo em tal volume compõe uma mensagem subtextual. Uma mensagem comportamental, que trai o intento opaco, contido na massa da mensagem jurídica dos processos: o que está dito? Entendo que seja o seguinte: não admitiremos quaisquer opiniões desse jornalista; tudo o que ele disser e puder ser juridicamente apenado será apenado.
Daí a obsessiva, enfática atitude de processar, processar, processar, processar, processar, processar... Nem Kafka faria melhor.
Para não render mais: falhas de jornalistas podem e devem ser juridicamente questionadas. No caso, todavia, o intento é bem outro. Creio que fui bastante claro.
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O argumento de inclusão e a educação como mercadoria
Leio na Tribuna matéria sobre o argumento de inclusão, que beneficia estudantes de escolas públicas. Ou seja: estes têm uma espécie de respaldo na contagem dos pontos, objetivando favorecer quem não teve oportunidade de pagar pelo ensino à rede particular. Lendo a notícia você perceberá porque as escolas particulares são contra: é pelo fato de que estudantes da rede pública estão conquistando primeiros lugares no vestibular.
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Mais claramente: tomam das escolas particulares um trunfo mercadológico: esse tipo de aprovação e vendido à sociedade, diga-se ao mercado do ensino, como fator essencial à chegada aos bancos universitários. Trata-se de uma espécie de troféu e as escolas particulares querem ganhar dinheiro com ele, percebe? Não estão preocupadas com a inclusão ou não de jovens que não pagam pelo ensino - não pagam porque não podem - estão preocupadas é com os primeiros lugares, a fim de fazer seu uso publicitário como carimbo de competência de preparação de vestibulandos.
Leia matéria que deu na Tribuna:
Argumento de Inclusão vira polêmica
Publicação: 24 de Janeiro de 2010 às 00:00
Wagner Lopes - Repórter
Há três semanas, quando foram divulgados os resultados do Vestibular da UFRN, chamou a atenção o fato de que o primeiro colocado em Medicina era aluno da rede pública. O fato é que do segundo ao oitavo também eram. Este ano, os egressos de escolas estaduais e federais conquistaram praticamente todos os primeiros lugares da universidade. O motivo principal responde pelo nome de Argumento de Inclusão. Um bônus de 10% na nota final garantido ao estudante que desde a 6ª série do Ensino Fundamental frequenta a escola pública.
A bonificação foi criada na edição de 2006 e reforçada no último vestibular. Até então variava de percentual, sendo sempre maior nos cursos onde ingressavam menos alunos da rede pública e ia de zero a 7%. Para a presidente da Comissão Permanente do Vestibular (Comperve), Betânia Ramalho, o instrumento é uma forma de equilibrar melhor as oportunidades entre os alunos e só beneficia os “excelente” estudantes, pois é preciso passar para a 2ª fase e obter, nas provas discursivas, um argumento acima de 450, para ter direito.
Marcelo Barroso
Betânia Ramalho defende o argumento de inclusão como forma de oferecer oportunidades semelhantes aos egressos da rede pública
No entanto, há quem discorde da nova fórmula. “Você não melhora uma pessoa diminuindo o obstáculo que ela tem de ultrapassar. Só melhora ensinando ela a ultrapassar esse obstáculo”, defende o professor de química Alexandre Pinto. Diretor de uma escola particular, o Colégio Ciências Aplicada, ele afirma que o novo sistema tem situações até engraçadas. “Mesmo que um aluno, da rede privada, acertasse a prova inteira, todas as questões da primeira e segunda fase, ainda assim não seria o primeiro lugar.”
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Andando pela net descobri estas pérolas: o Poder se concede aumentos abusivos. Quanto ao povo, ora, o povo...
Leia e, querendo, pode chorar. Ou gritar. Ou arrancar os cabelos e se cobrir de cinzas. Mas, vou logo avisando: de nada adianta. Assim, volte chorar (EB).
Deu na Tribuna:
Cada deputado estadual custa R$ 1,1 milhão por ano
Maria da Guia Dantas - repórter
Cada um dos 24 deputados estaduais na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte custa aos cofres públicos do Estado cerca de R$ 1.157 milhão ao ano. Um pouco mais ou um pouco menos. A imprecisão deve-se as dificuldades enfrentadas pela reportagem – o Ministério Público também procura saber os números – em levantar os valores com salários pessoais, verbas indenizatórias, ajudas de custos e gratificações de gabinetes que, de forma direta e/ou indireta, podem compor os custos de manutenção de um deputado.
O valor citado é a soma anual dos salários mensais de R$ 20.043,68 (veja abaixo), do limite das 12 parcelas de R$ 24.057,90 correspondentes à verba indenizatória e aos R$ 43.708,20 (salários e 13º) destinados ao pagamento dos nove cargos comissionados à disposição de cada gabinete. Assim como na maioria dos Legislativos do país, os parlamentares potiguares têm direito a quinze salários ao ano, incluindo o décimo terceiro. As duas remunerações a mais correspondem às ajudas de custo anual, recebidas no início e no fim de cada legislatura com valores correspondente ao valor do subsídio mensal.
Cada um dos 24 deputados estaduais na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte custa aos cofres públicos do Estado cerca de R$ 1.157 milhão ao ano. Um pouco mais ou um pouco menos. A imprecisão deve-se as dificuldades enfrentadas pela reportagem – o Ministério Público também procura saber os números – em levantar os valores com salários pessoais, verbas indenizatórias, ajudas de custos e gratificações de gabinetes que, de forma direta e/ou indireta, podem compor os custos de manutenção de um deputado.
O valor citado é a soma anual dos salários mensais de R$ 20.043,68 (veja abaixo), do limite das 12 parcelas de R$ 24.057,90 correspondentes à verba indenizatória e aos R$ 43.708,20 (salários e 13º) destinados ao pagamento dos nove cargos comissionados à disposição de cada gabinete. Assim como na maioria dos Legislativos do país, os parlamentares potiguares têm direito a quinze salários ao ano, incluindo o décimo terceiro. As duas remunerações a mais correspondem às ajudas de custo anual, recebidas no início e no fim de cada legislatura com valores correspondente ao valor do subsídio mensal.
| Deu na Folha: STJ ignora teto e paga supersalário a seus ministros FILIPE COUTINHO DE BRASÍLIA O STJ (Superior Tribunal de Justiça) usou brecha para driblar o teto salarial de R$ 26.700 imposto pela Constituição e pagou no ano passado em média R$ 31 mil aos ministros que compõem a corte-quase R$ 5.000 acima do limite previsto pela lei. O tribunal gastou no ano passado R$ 8,9 milhões com esses supersalários. Um único ministro chegou a receber R$ 93 mil em apenas um mês. Uma planilha com as despesas de pessoal do STJ mostra que, na ponta do lápis, o valor depositado na conta da maioria dos ministros supera o teto constitucional. Dos 30 ministros, 16 receberam acima do limite em todos os meses de 2010. No total, o STJ pagou mais de 200 supersalários -em apenas 26 casos houve devolução de parte do que foi depositado pelo tribunal. O salário final dos ministros é aumentado, na maioria dos casos, graças ao abono de permanência -benefício pago a servidores que optam por continuar em atividade mesmo tendo contribuído o suficiente para se aposentar. Agora, leia o que diz Josias de Sousa, na Folha: Garibaldi: Não há caixa para aumento de aposentadoJosé Cruz/ABr A cada nova elevação do salário mínimo, a pergunta ressurge: o aumento será repassado aos aposentados que recebem benefícios acima do piso legal? O blog fez a indagação ao ministro da Previdência, Garibaldi Alves. E ele: “Essa possibilidade, no momento, inexiste”. Alega falta de caixa. As contas da Previdência registraram, em janeiro de 2011, leve melhora. O déficit do mês foi de R$ 3,02 bilhões, 23,5% abaixo do auferido em janeiro de 2010. Nada que permita ao governo, porém, elevar as aposentadorias. “Não é, ainda, o suficiente”, disse Garibaldi ao repórter. As preocupações do ministro não se restringem a 2011. Ele olha para 2012, ano em que o mínimo vai dos recém-aprovados R$ 545 para mais de R$ 600. “O mínimo que vem aí, em janeiro de 2012, deve ficar em torno de R$ 616. Isso também traz alguns sinais de alerta e preocupação”. O ministro disse, de resto, que não há “nada de oficial” quanto a mudanças pontuais nas regras da Previdência. Por ora, "só preocupações e cogitações". Nesta semana, Garibaldi vai procurar o ministro Antonio Palocci (Casa Civil). Deseja agendar um encontro com a presidente Dilma Rousseff. Para quê? Busca “obter da presidenta uma sinalização clara do que quer o governo” para a área da Previdência. Vai abaixo a entrevista: - Há alguma chance de o governo reajustar os aposentados que recebem benefícios acima do salário mínimo? Essa possibilidade, no momento, inexiste. - Não há caixa? Não. Houve uma redução do déficit da Previdência em janeiro. Mas isso não é, ainda, o suficiente. Por outro lado, o mínimo que vem aí, em janeiro de 2012, deve ser de R$ 616. Isso também traz alguns sinais de alerta e preocupação. - Por quê? Não podemos simplesmente conceder um reajuste agora sem considerar que a fórmula do salário mínimo [correção pela inflação mais a variação do PIB de dois anos anteriores] trará um aumento natural e, para os padrões da Previdência, alto. A maioria dos aposentados, cerca de 75%, recebe o salário mínimo. Mas os 25% restantes, que ganham mais do que o mínimo, representam uma conta muitas vezes maior. - Quanto? Não tenho a conta para lhe dar, assim, de cabeça. Mas posso dizer que é muito maior. - O ministro Gilberto Carvalho mencionou a hipótese de o governo compensar os aposentados oferecendo-lhes remédios a preços baixos. É por aí? Em solenidade no Planalto, a presidenta Dilma já anunciou essa medida para dois tipos de medicamentos: hipertensão e diabetes. Estão estudando, na área da Saúde, a possbilidade estender a outros. Por enquanto, só tenho notícia desses dois. - Cogita-se extinguir o fator previdenciário? Fiquei surpreso quando li notícia a esse respeito. Não há nada de oficial, só preocupações e cogitações. Para extinguir o fator previdenciário, é preciso encontrar mecanismos alternativos. Entre esses mecanismos, o que é sempre mencionado é a idade mínima para a aposentadoria. Hoje, o equilíbrio financeiro da Previdência termina se baseando nesse fator previdenciário, que não pode ser simplesmente retirado. Não temos, ainda, uma sinalização da Presidência da República sobre isso. - Já há definição quanto à ideia de reduzir ou eliminar a contribuição patronal à Previdência, que onera a folha das empresas em 20%? Estive no Ministério da Fazenda para conversar sobre isso. Falei com o Nelson Barbosa [secretário-executivo], o ministro Guido Mantega estava viajando. Fui informado de que não há nada consolidado, por enquanto. E recebi a garantia de que nada será feito sem oferecer à Previdência uma alternativa de receita. - Alguma decisão sobre a aposentadoria dos servidores públicos? Essa é outra preocupação nossa. Hoje, a aposentadoria do servidor não tem limite. Pode chegar a 100% do salário da ativa. - O senador Romero Jucá, disse que o governo trabalha para regulamentar o fundo de previdêncida dos servidores em 2011. Procede? Há essa intenção. Perguntaram ao senador Romero sobre reforma da Previdência e ele mencionou esse assunto. Existe um projeto na Câmara, mas a discussão não avançou. É tudo ainda muito embrionário. - O que se pretende com esse fundo? A ideia é regulamentar um fundo composto pelos servidores dos três Poderes, que capitalizariam esse fundo. Ao mesmo tempo, o servidor que quisesse se aposentar com valores acima de R$ 3.600, o limite atual para o trabalhador da iniciativa privada, teria também que capitalizaar o fundo por meio de contribuição mensal, que ficaria ao arbítrio de cada um. - Isso está previsto desde 2003, não? Exatamente, é parte de uma reforma aprovada em 2003. Mas o fundo não foi regulamentado. Há reações, por exemplo, do Poder Judiciário, que deseja um fundo próprio. É preciso definir também que não haverá regra de transição e que as novas normas passariam a vigir a partir da aprovação da lei, alcançando apenas os novos servidores. Tudo isso depende do debate legislativo. - Tem a intenção de constituir um grupo para tratar desses assuntos? Sim. Mas, antes, desejo ter da presidenta [Dilma Rousseff] uma sinalização clara do que quer o governo na área da Previdência. Na primeira reunião ministerial, mencionei a intenção de estudar os ajustes. Mas foram muitos os ministros que falaram e a presidenta não me deu sinalização sobre a Previdência. Por enquanto, há apenas cogitações. Nada de oficial. Vou procurar o ministro Antonio Palocci, para agendar uma audiência com a presidenta. Essas questões todas vão se avolumando e o governo precisa ter um projeto claro. Não uma grande reforma da previdência, mas um projeto que contenha ajustes. Algo que evite surpresas futuras. - Siga o blog no twitter. Escrito por Josias de Souza às 05h53 |
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