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terça-feira, 15 de março de 2011

Reproduzo do Observatório da Imprensa:

RUPERT MURDOCH, 80
Os planos do barão da mídia
Por Roy Greenslade em 15/3/2011
Reproduzido da Folha de S.Paulo, 12/3/2011, título original "Aos 80, Murdoch quer expandir a já gigantesca News Corp"; publicado originalmente no The Guardian, tradução de Paulo Migliacci
Este artigo fará algo que Rupert Murdoch jamais contemplaria: olhar para trás. O empresário acaba de celebrar seu 80º aniversário, mas isso não reduzirá suas ambições quanto a expandir a já gigantesca News Corporation. Ele só olha o futuro.
O fato de que essa companhia descomunal existe se deve inteiramente à aguçada compreensão de Murdoch sobre a mídia como negócio, como proposição comercial.
Ao adquirir o News of the World, em 1967, e o Sun, no ano seguinte, ele ilustrou sua capacidade de realizar negócios contra todas as probabilidades. Na primeira, ele se apresentou como salvador para combater a proposta de Robert Maxwell e desempenhou com perfeição seu papel de defensor do jornal e de seus melhores interesses.


Na segunda situação, convenceu os sindicatos de que sua proposta era a melhor esperança. Permitiu que os vendedores do Sun, que também controlavam o rival Daily Mirror, acreditassem que ele não representaria séria concorrência.

Todos – a família Carr, que lhe vendeu o News of the World; os sindicatos; Hugh Cudlipp, o chefão do Mirror e os céticos da Fleet Street – o subestimaram.
Desconsideraram sua determinação impiedosa e não foram capazes de compreender o cerne da abordagem: deixar que o mercado decida.
É um conceito aparentemente simples, mas era completamente desconhecido para os proprietários de jornais rivais no Reino Unido.
E eles assistiram, desagradavelmente surpresos, enquanto ele transformava o Sun de um jornal deficitário e pouco conhecido em uma empreitada imensamente lucrativa, ao encorajar o editor da publicação a desrespeitar as normas de bom gosto vigentes e determinar se o público se interessava pelas novidades.
Depois disso, aonde ir? O Sun se saía bem, mas continuava em desvantagem diante dos demais concorrentes. Murdoch queria avançar ainda antes que os lucros do Sun e do News of the World pudessem começar a ser realizados.

IncursõesDe 1969 em diante, começou a comprar ações da London Weekend Television, um canal da ITV com lucrativa licença de operação para a Grande Londres, e terminou por controlar a maioria das ações da empresa. Depois, determinou mudanças de programação e de horários, tornou o LWT mais populista e ampliou sua audiência.
A empreitada levou a desentendimentos com elites e autoridades regulatórias.

Logo depois fez suas primeiras incursões no mercado norte-americano de mídia, adquirindo o San Antonio Express-News, do Texas, e criando um jornal em formato tabloide, o Star. Nos dois casos, usou jornalistas britânicos para mostrar aos norte-americanos como gostava que seus jornais operassem.
Ele não guardava segredo sobre seu desejo de expansão e provavelmente estivesse também em busca de respeitabilidade. A oportunidade de satisfazer os dois desejos surgiu em 1981, quando o grupo Thomson decidiu vender o Times e o Sunday Times, dois títulos prejudicados por problemas sindicais.

A tomada de controle não seria simples. Havia preocupações de interesse público porque a operação obviamente criaria uma concentração sem precedentes na propriedade de jornais britânicos, e todos supunham que a oferta de Murdoch seria encaminhada à Comissão de Monopólios e Fusões.

Murdoch não se deixou abater. Sabia, como sabiam os sindicatos, que sua oferta era a única viável e ameaçou retirá-la caso o secretário do Comércio, Jon Biffen, encaminhasse o caso à avaliação das autoridades regulatórias.
O trunfo de Murdoch era o governo. Por ter apoiado firmemente a campanha de eleição de Margaret Thatcher, dois anos antes, a primeira-ministra era uma de suas maiores admiradoras.
Nos anos seguintes, Murdoch se dedicou a duas ambições separadas – no Reino Unido domar os sindicatos dos gráficos enquanto introduzia tecnologia computadorizada nos jornais; e lançar uma rede de TV via satélite.

Parecia um sonho sem esperança, e Murdoch uma vez mais encarava oposição "oficial" com a proposta para a criação da British Satellite Broadcasting.

As duas empresas não demoraram a começar a sofrer prejuízos pesados. A operação de Murdoch era mais popular e, ainda que ele tivesse de reduzir sua participação acionária quando as duas redes concorrentes se fundiram, saiu por cima.
A BSkyB é a maior das realizações de Murdoch. Ele teve a visão. Ele fez a aposta. Ele fez com que a ideia funcionasse. E continuará a colher as recompensas. O empresário veio, viu e venceu.

sábado, 25 de setembro de 2010

Murdoch agora quer derrubar o New York Times

A Folha registra que o magnata da mídia Rupert Murdoch quer tomar o lugar do centenário New York Times. Murdoch não gosta do jornalismo, gosta de dinheiro. Abaixo, a matéria. 

Neste final de semana farei uma apreciação sobre a Colômbia, de onde acabei de chegar. No momento em que redijo estou no Aeroporto de Guarulhos, São Paulo (EB).

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LUCIANA COELHO
EM CAMBRIDGE (EUA)

O "Wall Street Journal" engrossa sua artilharia hoje com uma edição de fim de semana maior e repaginada, munindo-se de resenhas de livros, ensaios e uma recapitulação analítica dos fatos da semana para atacar o "New York Times" em seu território mais caro.


Desde que comprou o "Journal" em 2007, em uma tentativa de somar prestígio a um portfólio repleto de sucessos, Rupert Murdoch tem investido pesado para transformar o sisudo diário financeiro no jornal mais lido dos Estados Unidos.


Conseguiu. Hoje imprime 2 milhões de exemplares diários (200 mil a mais que o concorrente, o "USA Today", e o dobro do "Times", segundo o Birô de Circulação Americano).


Surdo as previsões catastrofistas sobre o jornalismo impresso, o milionário australiano de 82 anos aposta alto, dificilmente perde e adora uma briga. O novo "WSJ Weekend" é só o golpe mais recente no "Times" após a ofensiva aberta com a criação de um caderno de notícias locais, em abril.


"Há 25 anos, o consenso era que não dava para ter quatro redes de TV aberta nos EUA. Murdoch começou a Fox e fez sucesso", disse à Folha Richard Wald, professor de jornalismo na Universidade Columbia, ex-presidente da rede de TV NBC News e ex-editor-administrativo do "Washington Post".


"Muitos analistas dizem que jornal é um mau investimento. Mas você não aposta contra um sujeito que venceu quase todas as suas apostas."


O caderno metropolitano ainda não pode ser lido como um sucesso comercial, mas foi bem recebido por quem acompanha o setor -apesar da ironia do rival.


"Eles conseguiram atrair alguns anunciantes que tradicionalmente compravam espaço no "New York Times", como lojistas locais", afirma Nat Ives, colunista da revista especializada em publicidade Advertising Age. "Ainda é cedo, no entanto, para saber se afetou a circulação."


À época do lançamento, o "Times" parabenizou o concorrente por passar a "cobrir Nova York de Wall Street para cima" e prometeu passar umas "dicas", já que estava há 160 anos no ramo.


O "Journal" deu de ombros. "Somos mais que duas vezes maiores do que o "Times'", afirmou nesta semana à Associated Press o editor-chefe Robert Thomson. "Eles não são um concorrente sério."


Arthur Sulzberger, o editor-chefe e publisher do "Times", também diz não levar o rival a sério. Em entrevista à revista "Vanity Fair" recém-publicada, ele debocha da falta de prêmios das publicações do australiano e de seus modos.


"Murdoch é um homem que sozinho construiu uma corporação, mas que normalmente não é visto como uma pessoa que melhorou o jornalismo", comenta Walt.

PRESTÍGIO


Porque é prestígio que Murdoch busca, Walt e Ives estão comemorando a disputa como fôlego novo para os jornais impressos após sombrios anos de cortes (inclusive no "Times").


"Times" e "Journal" chegam hoje com públicos distintos para o duelo, com o "Journal" claramente conservador e o "Times" de inclinação progressista.


A edição de hoje, no entanto, pode tornar essa divisão mais borrada. O "Times" tem um terço de seu público com menos de 30 anos, e só 33% de seus leitores passaram dos 50 (ante 45% do "Journal", segundo pesquisa recente do Instituto Pew).


É esse público, que transita o tempo todo entre o impresso e o on-line, que o "Journal" cobiça com seus novos cadernos.