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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

É livre, mas não é independente...

A pressão que o governo americano exerce sobre a internet como espaço libertário, e a eficácia com que essa pressão é exercida, vide o episódio Sopa, põem por terra a suposição de que esse campo seja livre, aberto, anárquico. Pode até ser em essência, intenção e prática. Todavia, algo não pode ser deixado de lado: pode até ser libertária, aberta, anárquica, mas a internet não é independente. Não é como um jornal impresso, que, a rigor, somente deixará de circular por falência, alguma forma pontual de censura como foi o caso do Estadão, ou ascenso de ditadura, algo bastante improvável. 

Quanto à internet, todos nós, usuários, somos sim dependentes de um sistema cujo controle, em última instância, está sob mãos que podem nos calar, e o que é pior: com inteiro amparo legal, por mais que essa legalidade tenha um profundo conteúdo antidemocrático. Lei é lei. A internet é controlada na China, em Cuba, Coreia do Norte e Mianmar, por exemplo. 

Certo que ali temos sistemas onde não há liberdade. Como é certo também que os poderes da democracia formal também são, para uso das elites, assemelhados aos poderes ditatoriais: quando o sistema de comunicação começa a se tornar liberto demais, quando prejudica interesses das grandes corporações, vem uma legislação que protege tais interesses e torna a liberdade na rede equiparada ao crime. É essa farsa, é essa atitude tático-jurídica que põe fim ou pelo menos mitiga a força do seu grande, massivo número de participantes.

Sabemos todos que os jornais impressos também são controlados por grandes corporações, mas, historicamente, foram os jornais que, quando da vigência de ditaduras, se voltaram contra estas, mesmo que as tenham apoiado em seu nascedouro. O Brasil que o diga. Não faço a defesa desse tipo de democracia, mas entendo que ela se torna terreno próprio às conquistas de sociedade civil, ocupação de espaços, avanço em direção a uma sociedade que busca justiça social. 


Suponho, desta forma, que o afã com que alguns  anteveem o fim do impresso, com um certo cântico alegre e juvenil, colocando o impresso como artefato jurássico, não analisam o perigo que é termos apenas a grande rede de computadores como forma e meio de comunicação, seja de massa ou interpessoal. Sei do fenômeno de mercado que cerca o impresso, sei de sua queda de vendas, sei dos que racionalmente estimam seu fim para dentro de mais alguns poucos anos. 

Sei também que a história não se escreve em linha reta. Fora assim, os romanos ainda estariam dominando o mundo, já que a reprodução do seu poder se daria naturalmente, a par do desenvolvimento tecnológico especialmente no plano bélico, o que lhes garantiria a força e o domínio. Domínio gerando mais domínio, estagnação dos dominados gerando mais estagnação. Não foi assim, como vimos. 

Como os donos de jornais também são em grande medida donos de sistemas de comunicação na net, veja-se o Grupo Folha, estimo que haja intenção de agregar a força de um e outro sistemas, consolidando assim seu poderio. Claro que isso pode não acontecer, a partir mesmo do meu argumento de que a história não se escreve em linha reta. Quanto ao fim ou não do impresso estamos todos no terreno das especulações.Vejamos o que vai acontecer.

Mas, voltando à questão central deste artigo, meu temor é que havendo o fim do impresso fiquemos sob o guante do Grande Irmão, dominador de toda a malha comunicativa, estabelecendo de forma planetária o totalitarismo de uma corporação ou de corporação de corporações aliada aos Estados, uma vez que os Estados são colonizados pelo interesse privado. Isso, esse domínio, se fará sem resistência? Creio que não, coletivos como o Anonymous são um demonstrativo disso. 

Seria importante a existência do impresso, como seria importante sua convergência com a net, que, aí sim, funcionaria como espaço privilegiado à sua crítica, denúncia e acusação de erros perpetrados pelos donos dos jornalões. 


Enfim, apresento este artigo ensaístico como forma de expor  perplexidade ante um grande século que ainda está ensaiando seus passos na história.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A menina que não existe mais

http://virgula.uol.com.br/ver/noticia/inacreditavel/2012/01/19/292461-luiza-voltou-do-canada-e-foi-parar-na-tv
Menos Luíza, que está no Canadá

Voltou Luíza, que estava no Canadá. Desceu dos seus quinze minutos de fama, da nuvem da internet, do avião que veio do Canadá. Voltou Luíza, que estava no Canadá.

Na hipercomunicação sua vida foi assim: nasceu de um ato falho na TV e existia porque não era vista. Agora, voltou do Canadá e deixou de existir porque ela não era ela; ela era "menos Luíza, que está no Canadá"; foi vista e acabou a graça. 

O efeito viral dessa pandemia que se chama hipercomunicação é uma influenza cuja influência mata os seres microscópicos nascidos em seus muitos tubos de ensaio e, parece, não há vacina sendo fabricada. A não ser que haja uma vacina e eu não saiba. Talvez a vacina não esteja aqui: não está porque está no Canadá.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Recebo e divulgo comunicado dos estudantes de Comunicação




O primeiro Encontro Nacional sobre o Direito à Comunicação (ENDC)  ocorre  entre os dias 09, 10 e 11 de fevereiro  de 2012 na Universidade Católica de Pernambuco, em Recife.  Ate lá estão ocorrendo uma série de atividades de formação sobre o evento em várias universidades do país. No dia 31/01 ( terça-feira) será a vez da UFRN sediar uma dessas prévias para o  ENDC, a atividade ocorrerá no  Auditório do  “B” CCHLAa partir das 14h30

Entre os temas abordados estão esclarecimentos sobre a construção e  importância do ENDC, a trajetória do Centro Cultural Luiz Freire  e ainda a exibição do documentário “ TV AlmaSebosa” que trata, entre outros temas,  da falta de respeito aos Direitos Humanos na TV brasileira.

 O debate promete ser interessante e o Centro Acadêmico Berilo Wanderley convida  todos os estudantes, professores, Comunicadores comunitários, pesquisadores, representantes de ONGs,  grupos da juventude, movimentos sociais e associações  para participar desse evento, que está sendo realizado pela organização do ENDC em parceria com o  CABW, DCE/UFRN  e o núcleo da Revista Viração aqui no estado.

Então marquem na agenda, no dia 31/01 a UFRN vai discutir  sobre Direito à comunicação e sua participação é mais do que fundamental nesse debate. Contamos com a presença de todos.

Se liga:

 O Que: Pré-encontro sobre o ENDC na UFRN

Quando: 31/01/2012, a partir das 14h30 no Auditório B do CCHLA

Onde: Auditório  B do CCHLA

Mais informações: 
Organização do Pré-Encontro local: Ticianne Perdigão e João Victor (C.A. UFRN)
Contatos: Ticianne 84 88757505 e João Victor 84  8865-942

Tudo sobre o ENDC em : http://endc.org.br

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A base de pesquisa Comunicação, Cultura e Mídia fará amanhã o laçamento de e-book com estudos sobre o tema. Participo com o artigo "A Folha de S. Paulo, o Grande Irmão e as Diretas Já", onde analiso como o jornalão dos Frias se tornou hegemônico. Segue o convite para o lançamento.

Convidamos a tod@s para o lançamento do livro 'Comunicação, Linguagem e Inovações Midiáticas' que será realizado nesta quinta-feira, 1º de dezembro, às 17 horas no auditório do Laboratório de Comunicação da UFRN. A publicação, organizada pelos professores Adriano Lopes Gomes e José Zilmar Alves da Costa, reúne artigos de pesquisadores do Grupo de Pesquisa Comunicação, Cultura e Mídia (COMÍDIA).

A obra, editada pela Editora da UFRN, será lançada no formato de e-book e já está disponível para download em www.comidiaufrn.blogspot.com

A reconfiguração da comunicação midiática na esfera pública contemporânea vem promovendo uma série de transformações sociais que, de igual modo, possibilita novas reflexões sobre a cultura, a economia, a política e a organização da vida cotidiana. Reconhecer esse novo cenário implica problematizar questões que envolvem os sujeitos e suas relações com o meio. Tal situação particulariza uma realidade que necessita ser investigada sob diversos aspectos em cujo contexto estão os mecanismos de interação entre os atores sociais e a mídia, do ponto de vista da produção de sentido e das práticas sociais. 

Foi pensando assim que a base de pesquisa Comunicação, Cultura e Mídia gerou vários temas epistemológicos para compreender este novo fenômeno social, reunidos em três eixos: a comunicação, a linguagem e as inovações midiáticas.

Esta é a segunda publicação do nosso grupo, porém com a perspectiva que, inclusive, norteia o presente trabalho: um livro eletrônico, que possibilitará o maior acesso aos artigos que aqui estão elencados, na perspectiva da democracia do conhecimento. O livro reúne trabalhos de professores-pesquisadores e alunos de pós-graduação em níveis de mestrado e doutorado, os quais se utilizam dos estudos culturais, da economia política da mídia, da etnometodologia e da análise do discurso como métodos de investigação.

A COMÍDIA funciona desde 2003 e tem como principal compromisso desenvolver estudos e pesquisas sobre a comunicação midiática e suas interfaces com a cultura, cujos frutos se refletem em suas várias iniciativas de natureza científica, tais como: realização de seminários, conferências, colóquios, fomento à iniciação científica, produção de artigos e publicação de livros.
Acreditamos que estamos cumprindo o nosso papel de pesquisadores, com vistas ao engajamento do grupo à comunidade científica.

Adriano Lopes Gomes e José Zilmar Alves da Costa, organizadores

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Carta aberta à TIM - sobre Major Ezequiel/MG desconectado

Prezados Senhores,
Contrariando o slogan da operadora, vivenciei mais uma vez nessa minha viagem de férias a condição "TIM com fronteiras".
Somos uma família numerosa e nos reunimos com certa freqüência em nossa terra natal, Major Ezequiel, distrito de Alvinópolis-MG.
Nesse último encontro, em julho de 2011, nos reunimos, num período de três dias, um grupo de aproximadamente 60 pessoas. Dessas, algo em torno de 40 pessoas possuem celulares TIM.
Ficamos quase incomunicáveis nesses dias, uma situação inaceitável que chamei de "Major Ezequiel desconectado": lá, simplesmente, não existe opção de nenhuma operadora de telefonia celular.
Situação inaceitável pela própria condição hoje de mercado de trabalho.
Acho ótimo fazer um retiro e me desconectar, mas isso deveria ser a escolha de cada pessoa. Desligar e ligar o seu aparelho quando bem entender. Mas uma situação imposta pelo descaso das operadoras é uma condição inadmissível, principalmente para uma operadora cujo slogan brada a condição de "sem fronteiras", fronteira essa que distava 14 km de onde estávamos. Quem precisou fazer as suas ligações e não conseguiu um telefone público funcionando, rodou 28 km, considerando ida e volta, por mais de uma vez, para fazer parte do grupo "sem fronteiras".
Major Ezequiel é, principalmente para nós, majorenses ausentes, um lugar de aconchego, um lugar que nos lembra o colo da mãe, cujo slogan do nosso encontro, de afeto e carinho, diz que: “Major Ezequiel  é um lugar que venceu as mudanças e diz ao tempo que prefere ficar como está”.
Esse é um slogan de apego pela nossa terra natal e não significa que somos avessos à tecnologia e nem que precisamos ficar dependentes de uma única operadora de telefonia fixa e serviços insuficientes.
Major Ezequiel não precisa e não pode ficar na condição além fronteira.
Farei também a mesma reclamação para as outras operadoras, aquela que tiver mais visão de mercado, menos fronteiras e levar mais a sério o serviço pelo qual se propõe, atenderá aos nossos reclamos.
Aguardo retorno e espero que estejamos em breve dentro da “fronteira” da TIM.
Saudações,
Emanoel  Barreto
Jornalista e Professor da UFRN

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Deu na Folha:

Autor de 'Calvin e Haroldo' cria arte inédita após 16 anos

DE SÃO PAULO
Bill Watterson, o criador de "Calvin e Haroldo", não publica uma tirinha nova desde 1995. O cartunista, porém, resolveu botar um ponto final nesse hiato de 16 anos e arregaçar as mangas por uma boa causa. 

Watterson pintou uma tela para doar ao Team Cul de Sac, projeto de outro cartunista, Richard Thompson, que tem como objetivo arrecadar grana para pesquisas sobre o mal de Parkinson. Thompson, inclusive, é portador da doença. 

A pintura feita a óleo é um retrato de Petey Otterloop, personagem das clássicas tirinhas intituladas "Cul de Sac", assinadas por Thompson. 

De acordo com o blog de quadrinhos do "Washington Post", que divulgou a imagem de tela assinada por Watterson, a campanha conta com a parceria da Michael J. Fox Foundation, mantida pelo ator Michael J. Fox, também portador do mal de Parkinson. 

Todos os trabalhos doados pelos participantes dessa campanha devem ser compilados em um livro, segundo o site especializado "Universo HQ". A renda obtida com as vendas dessa publicação será revertida para a fundação de J. Fox. 


Reprodução/Washingtonpost.com
http://www.washingtonpost.com/blogs/comic-riffs/post/this-just-in-first-new-art-from-calvin-and-hobbes-creator-in-16-years-syndicate-says/2011/04/22/AF7l7NQE_blog.html / pintura de bill watterson
Após 16 anos sem publicar quadrinhos, Bill Watterson cria pintura inédita para causa beneficente

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Leio no Blog do Carlos Santos e comento logo depois:

ONG internacional denuncia cerco ao Blog do Carlos Santos

A Organização Não-governamental (ONG) "Repórteres Sem Fronteira (RSF), que defende a liberdade de imprensa em todo o mundo, passou a monitorar o caso de repercussão nacional, que envolve o editor deste Blog.

A avalanche de processos (11, protocolados  em apenas um dia e mais de 30 no total) despertou a instituição.

"Carlos Santos, jornalista independente da cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte, foi condenado neste mês de fevereiro de 2011 a doar a quantia de 6 000 reais (2 600 euros) a associações filantrópicas devido a três comentários contra a prefeita da localidade, Fátima Rosado, publicados no seu blog )", assevera a RSF.

"A multa substitui a sentença inicialmente proferida de um mês e quatro dias de prisão por cada um dos comentários, mais de três meses no total",  continua a Repórteres Sem Fronteira, em seu portal.

“Estou sitiado, mas bem”, declarou o jornalista a Repórteres sem Fronteiras a 24 de fevereiro.
Constituição

Veja abaixo mais uns trechos da denúncia plenetária, feita pela RSF
:

Carlos Santos enfrenta atualmente 27 ações judiciais e 9 interpelações, ainda em andamento, na sequência de queixas de responsáveis políticos e administrativos locais, que se consideram “ofendidos” pelos seus textos. Até hoje, o jornalista foi condenado em três ocasiões a penas de prisão por “injúrias”, convertidas em multa pecuniária. Em três outros processos do mesmo tipo, foi absolvido.

“É certo que os comentários de blog pelos quais Carlos Santos foi condenado podem ser considerados veementes. Porém, dois deles dizem respeito à suposta incapacidade da prefeita Fátima Rosado no desempenho de suas funções, enquanto que o terceiro comentário nem sequer nomeia ninguém em particular. A questão reside sobretudo na quantidade excessiva de ações ingressadas como resposta aos comentários ou artigos vistos como um ataque à reputação de uma autoridade pública. O assédio judicial é outra forma de censura”, declarou Repórteres sem Fronteiras.
..
 A morte civil de um jornalista

Ao que percebo, o jornalista Carlos Santos não está sendo alvo unicamente de uma atitude, digamos assim, judicial, por parte da Prefeita: o volume de atos processuais, a gana, 0 desejo agudo, o apetite jurídico intencionado, vai muito além da retribuição punitiva a seus comportamentos editoriais: o intento que se percebe à sombra de tal cachoeira jurídica é de destruição, de devastação mesmo; aniquilamento, extermínio moral, quero dizer.

Ao que suponho, a mente jurídica encarregada de julgar os feitos, como se diz no esoterismo típico do mundo das leis, deveria levar em consideração o que está por trás da intenção do volume de processos enfeixados. O quero dizer é o seguinte: o fardo de processos formula uma assertiva subliminar, uma outra mensagem que não é a de apenas processar . Uma assertiva social e antidemocrática, algo que vai além do processo: revela o que acabei de sinalizar: não se pretende punir um jornalista por excessos ou até mesmo injustiças praticadas via juízos de valor errôneos cometidos a respeito da Prefeita. O intento é bem outro: trata-se de atitude política - que vai além do jurídico para chegar a outro plano: o que se pretende é uma certa forma de morte civil do processado, sua sufocação e débâcle, impedimento total a que manifeste suas opiniões. Carlos Santos não está sendo processado: ele está sendo caçado. 

Quem entende minimamente de comunicação saberá do que estou falando: atos,
gestos comportamentais, são também atitudes de comunicação positiva; sendo assim, o ato de acusá-lo em tal volume compõe uma mensagem subtextual. Uma mensagem comportamental, que trai o intento opaco, contido na massa da mensagem jurídica dos processos: o que está dito? Entendo que seja o seguinte: não admitiremos quaisquer opiniões desse jornalista; tudo o que ele disser e puder ser juridicamente apenado será apenado. 

Daí a obsessiva, enfática atitude de processar, processar, processar, processar, processar, processar... Nem Kafka faria melhor.

Para não render mais: falhas de jornalistas podem e devem ser juridicamente questionadas. No caso, todavia, o intento é bem outro. Creio que fui bastante claro. 


domingo, 20 de fevereiro de 2011

Primeira semana de Introdução à Comunicação

O Semestre abre para os estudantes de Comunicação com um belo evento: a I Semana de Introdução à Comunicação. O cartaz abaixo dá uma ideia de como será.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Leio no Ig:

Twitter é avaliado em US$ 10 bilhões após negociações, diz jornal

Segundo fontes, microblog teria faturado US$ 45 milhões em 2010.
Empresas como Google e Facebook estariam negociando aquisição

Do G1, em São Paulo

As negociações que o Twitter tem mantido com potenciais compradores, como o Facebook e o Google, teriam avaliado o microblog entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões, segundo reportou o jornal “Wall Street Journal”.

Fontes próximas ao assunto reportaram ao periódico americano que executivos do Google, Facebook e outras companhias, têm mantido conversas com o Twitter nos últimos meses para ampliar a perspectiva de compra do serviço. Porém, as negociações, até agora, não levaram a nenhum acordo.

O Twitter é uma empresa privada e não revela o seu faturamento. Em 2010, é estimado que a empresa tenha faturado US$ 45 milhões, mas o microblog terminou o ano com grandes gastos em novas contratações e centros de dados. Para 2011, a expectativa é que o Twitter dobre a sua receita, alcançando valores entre US$ 100 milhões e US$ 110 milhões.

Em dezembro de 2010, o Twitter levantou US$ 200 milhões em capital, em uma transação que avaliou a companhia de microblogs em US$ 3,7 bilhões, menos de um ano depois que ela iniciou seus primeiros esforços sérios para ganhar dinheiro. O Twitter atingiu a marca de 175 milhões de usuários registrados no mundo que enviam, diariamente, 95 milhões de tuítes.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

RESPONSABILIDADE SOCIAL
O desvelamento de Paulo Freire


Por Alfredo Vizeu e Heitor Rocha em 18/1/2011

O jornalismo é um campo de conhecimento. Não há a menor dúvida sobre
isso. A questão é: que tipo de conhecimento? Há muitos anos teóricos
vêm refletindo sobre o tema. Em comum, todos defendem que o jornalismo
deve ter a preocupação de contribuir para a orientação no mundo. O que
de certa forma o coloca entre algo além do senso comum e próximo do
rigor científico.

Particularmente, entendemos que Paulo Freire fornece uma série de
trilhas e caminhos para pensarmos o jornalismo e tem muito a nos
ajudar. Vamos seguir seu caminho e apropriar-nos de suas reflexões
para pensar o jornalismo como uma forma de conhecimento. Conhecimento
que é um revelar. O papel social do jornalista e do jornalismo como um
dispositivo de mediação é de dessegredação (revelação de segredos) e
exposição da verdade. Acrescentamos: a "verdade jornalística". Dentro
desse contexto, a preocupação do jornalismo é a interpretação da
realidade social. Não é preocupação do jornalista, não deve ser, o que
acontece na intimidade das consciências nem na profundidade do
inconsciente.

Como observa o professor espanhol Lorenzo Gomis, catedrático da
Universidade de Barcelona, a interpretação jornalística contribui,
permite, decifrar pela linguagem a realidade das coisas, o que
acontece no mundo e se complementa com o esforço de significação,
também interpretativo, procurando ajudar homens e mulheres na
compreensão do mundo que os cerca. Evidentemente, para desempenhar
esta sua missão mais nobre, o jornalismo não pode prescindir de sua
dimensão educativa, se constituindo em instrumento para construção de
um mundo melhor, para usufruto de uma vida menos ameaçada.

A ética é da essência dos procedimentos jornalísticos

Nessa perspectiva, a desvelação dos fatos ? a retirada do véu que
envolve as tensões e os conflitos da realidade ? proposta por Paulo
Freire é de fundamental importância na investigação jornalística.
Desvelamento que está intimamente ligado à tomada de consciência. Isso
porque, como observa Freire, a conscientização produz
desmitologização. O trabalho do jornalista deve ter como centralidade
"tirar o véu que encobre a realidade", sem a pretensão de acesso à
verdade absoluta e com a humildade da consciência que se sabe falível,
pois a onisciência não é uma possibilidade humana. Como enfatiza
Freire, o trabalho humanizante não pode ser outro senão o de ampliar o
diálogo. Nesse sentido, o olhar da conscientização é o mais crítico
possível das facetas do mundo da vida, procurando contribuir para o
desvelamento da perversidade do processo de alienação que transforma o
ser humano, potencialmente sujeito da sua história, em coisa,
mercadoria com valor de troca, cada vez mais aviltado pelo discurso
naturalizador das elites dominantes, que continua mantendo a ilusão de
uma realidade imutável, inexorável, que não tenha a autoria humana e
não possa ser transformada.

Dentro desse contexto, a realidade a que se refere a interpretação
jornalística é a realidade social possível no cenário das estruturas
de relevâncias existentes e, assim, o jornalismo se constitui num
lugar de referência e orientação para que as pessoas participem das
coisas que acontecem no mundo, podendo fundamentar racionalmente suas
ações mesmo diante da crescente complexidade da sociedade contemporânea.

Por isso, acreditamos que a seriedade e a competência do jornalista no
processo de produção da notícia são fundamentais para a qualidade do
jornalismo. O jornalista que seja tentado a abrir mão do rigor do
método esquece o respeito ao outro. Se há rigor no método de
investigação no jornalismo, a notícia se aproxima da universalidade e
se faz inteligível e inclusiva para o maior número possível de
pessoas, através de uma postura ética diante da diversidade de versões
que formam a realidade dos acontecimentos. A ética é da essência dos
procedimentos jornalísticos. Por isso, é importante refletirmos sobre
a responsabilidade do jornalismo na sociedade atual, em particular na
nossa, com seus grandes abismos sociais.

Observatório da Imprensa 18/01/2011

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

 Reitor assina contrato para construção de laboratórios na UFRN

O reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, José Ivonildo do Rêgo, assinou na manhã desta sexta-feira, 17, contratos com as empresas Estrutural Edificações e Projetos Ltda e Directa Engenharia e Projetos Ltda, no valor total de R$ 12,7 milhões, aproximadamente, para a ampliação do Departamento de Comunicação Social da UFRN, para a construção do prédio onde funcionará o Metrópole Digital e de laboratórios para os novos cursos de Engenharia.

Estiveram presentes à solenidade de assinatura dos contratos os diretores dos Centros de Tecnologia, Manoel Lucas, do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA), professor Márcio Valença, professores do Departamento de Comunicação, professores vinculados ao projeto Metrópole Digital e o deputado Rogério Marinho.

Com recursos oriundos do Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI), um dos contratos, no valor de R$ 2.060.567,26, garante a ampliação do Departamento de Comunicação Social integrando à estrutura atual do Laboratório de Comunicação (LABCOM) com salas de aula, salas de professores e novos laboratórios. Também com recursos do REUNI, no valor de R$ 8.985.004, será construído um prédio destinado aos laboratórios dos novos cursos de Engenharia (Centro de Tecnologia), cujo prazo de entrega será de 12 meses.

O Projeto Metrópole Digital terá seu primeiro prédio construído para abrigar o Núcleo de Pesquisa e Inovação em Tecnologia (NPTI). Com prazo de entrega previsto para oito meses, a obra custará R$ 1.691.085.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Um ensaio sobre o Twitter. Transcrevo da Folha. (EB)

A revolução não será tuitada
Os limites do ativismo político nas redes sociais

RESUMO
O ativismo em redes sociais como o Facebook e o Twitter deriva de vínculos fracos entre seus participantes, que não correm riscos reais como os militantes tradicionais, unidos por vínculos fortes, em ações hierarquizadas e de alto risco, tais como as organizadas durante a campanha pelos direitos civis nos EUA dos anos 60.

MALCOLM GLADWELL
tradução PAULO MIGLIACCI

ÀS QUATRO E MEIA da tarde da segunda-feira 1º/2/1960, quatro universitários se sentaram ao balcão da lanchonete de uma loja Woolworth's no centro de Greensboro, na Carolina do Norte. Eram calouros na North Carolina A&T, faculdade para negros localizada a pouco mais de 1 km dali.
"Um café, por favor", disse um deles, Ezell Blair, à garçonete.
"Não atendemos crioulos aqui", ela respondeu.

O comprido balcão em L comportava 66 pessoas sentadas; numa das pontas, comia-se de pé. Os assentos eram para os brancos. A área onde se comia de pé era para os negros. Outra funcionária, uma negra encarregada da estufa, tentou convencê-los a sair: "Vocês estão sendo burros, seus ignorantes!". Eles não se mexeram.

Por volta das cinco e meia as portas principais da loja foram fechadas. Os quatro continuaram lá. Por fim, saíram por uma porta lateral. Do lado de fora, formara-se uma pequena multidão, incluindo um fotógrafo do jornal "Record", de Grensboro. "Volto amanhã, com o A&T College inteiro", disse um dos universitários.
Na manhã seguinte, o protesto havia se expandido e o grupo somava 27 homens e quatro mulheres, em grande parte do mesmo alojamento dos quatro manifestantes originais. Os homens estavam de terno e gravata. Todos levaram material e ficaram no balcão, estudando. Na quarta, veio a adesão dos alunos do colégio "para crioulos" de Greensboro, a Dudley High, e o número de manifestantes subiu a 80. Na quinta, já eram 300, incluindo três brancas, do campus local da Universidade da Carolina do Norte.

No sábado, o protesto contava 600 pessoas, espalhadas pelas calçadas em torno da loja. Adolescentes brancos assistiam, acenando com bandeiras da Confederação.1 Alguém soltou um rojão. Ao meio-dia, chegou o time de futebol americano da A&T. "Lá vêm os baderneiros", berrou um dos estudantes brancos.
Na segunda seguinte, o protesto já havia chegado a Winston-Salem, a 40 km dali, e Durham, a 80 km. No dia seguinte, veio a adesão dos alunos do Fayetteville State Teachers College e do Johnson C. Smith College, em Charlotte, seguidos, na quarta, pelos alunos do St. Augustine's College e da Universidade Shaw, em Raleigh. Na quinta e na sexta, o protesto atravessou as divisas do Estado e novas manifestações surgiram em Hampton e Portsmouth, na Virgínia; em Rock Hill, na Carolina do Sul; e em Chattanooga, no Tennessee. No final do mês, manifestações semelhantes estavam sendo realizadas em todo o sul dos Estados Unidos, chegando até o Texas, no oeste.

FEBRE "Perguntei a cada um dos estudantes que encontrei como tinha sido o primeiro dia de protesto em seu campus", escreveu o cientista político Michael Waltzer ?em artigo na revista "Dissent". "A resposta foi sempre a mesma: 'Foi uma febre. Todo mundo queria participar'."

Por fim, cerca de 70 mil estudantes aderiram. Milhares deles foram detidos, e outros tantos se radicalizavam. Esses acontecimentos do começo dos anos 60 se tornaram uma guerra dos direitos civis que engolfou o sul dos Estados Unidos até o final da década -e tudo aconteceu sem e-mail, mensagens de texto, Facebook ou Twitter.

Dizem que o mundo passa por uma revolução. As novas ferramentas de redes sociais reinventaram o ativismo social. Com Facebook, Twitter e que tais, a relação tradicional entre autoridade política e vontade popular foi invertida, o que facilita a colaboração mútua e a organização dos desprovidos de poder e dá voz às suas preocupações.

REVOLUÇÃO VIA TWITTER Quando 10 mil pessoas saíram às ruas na Moldova, no leste europeu, segundo trimestre de 2009, em protesto contra o governo comunista, a ação ganhou o nome de revolução via Twitter, por causa dos meios utilizados para arregimentar os manifestantes.

Meses depois, quando protestos estudantis abalaram Teerã, o Departamento de Estado americano tomou a providência inusual de solicitar ao Twitter que suspendesse uma pausa programada para manutenção do site, pois o governo não desejava que uma ferramenta tão vital estivesse inativa no auge das manifestações. "Sem o Twitter, o povo do Irã não se teria sentido capaz e confiante o bastante para sair em defesa da liberdade e da democracia", escreveu o ex-assessor de segurança nacional Mark Pfeifle, clamando para que o Twitter ganhasse o Prêmio Nobel da Paz.

Se antes os ativistas eram definidos por suas causas, agora são definidos pelas ferramentas que empregam. Os guerreiros do Facebook entram na internet para pressionar por mudanças. "Vocês são a nossa grande esperança", disse James Glassman, ex-alto funcionário do Departamento de Estado, a uma plateia de ciberativistas em recente conferência patrocinada por Facebook, AT&T (companhia telefônica), Howcast (site de vídeos), MTV e Google.

Sites como o Facebook, disse Glassman, "oferecem aos EUA uma considerável vantagem competitiva diante dos terroristas. Algum tempo atrás, eu disse que 'a Al Qaeda está jantando a gente na internet'. Já não é mais assim. A Al Qaeda continua parada na Web 1.0. A internet agora é interatividade e conversação".

CRÍTICA São alegações fortes e intrigantes. Que importa quem janta quem na internet? As pessoas que estão no Facebook são mesmo a nossa grande esperança? Quanto à chamada revolução via Twitter na Moldova, Evgeny Morozov, pesquisador na Universidade Stanford que vem sendo um dos mais persistentes críticos do evangelismo digital, aponta que a importância do Twitter é quase nula na Moldova, onde existem pouquíssimas contas desse serviço.

E o que aconteceu lá tampouco parece ter sido uma revolução, especialmente porque as manifestações -como sugeriu Anna Applebaum em artigo no "Washington Post"- na verdade podem ter sido uma encenação organizada pelo governo. (Num país paranoico com o revanchismo romeno, os manifestantes hastearam uma bandeira da Romênia na sede do Parlamento.)

Já no caso do Irã, as pessoas que usaram o Twitter para comentar as manifestações viviam quase todas no Ocidente. "É hora de esclarecer o papel do Twitter nos acontecimentos do Irã", escreveu Golnaz Esfandiari meses atrás, na revista "Foreign Policy". "Em resumo: no Irã, não houve revolução via Twitter."
O elenco de blogueiros proeminentes, como Andrew Sullivan, que defendeu o papel da rede social no Irã, acrescentou Esfandiari, não entendeu direito a situação. "Jornalistas ocidentais que não conseguiam -ou nem mesmo tentavam- se comunicar com gente no Irã simplesmente percorriam a lista de 'tweets' em inglês, contendo a tag #iranelection", 2 escreveu ela. "Enquanto isso, ninguém parece ter se perguntado por que pessoas que supostamente tentavam coordenar os protestos no Irã não estariam se comunicando em farsi, mas em outro idioma".

Parte dessa grandiloquência é previsível. Inovadores tendem ao solipsismo. Volta e meia se empenham em enquadrar em seus novos modelos os fatos e experiências mais díspares.
Como escreveu o historiador Robert Darnton, "as maravilhas da tecnologia de comunicação no presente produziram uma falsa consciência sobre o passado -e até mesmo a percepção de que a comunicação não tem história, ou nada teve de importante a considerar antes dos dias da televisão e da internet".

ENTUSIASMO Mas há mais um fator em jogo nesse desproporcional entusiasmo em relação às redes sociais. Cinquenta anos depois de um dos mais extraordinários episódios de sublevação social na história dos EUA, parece que esquecemos o que é ativismo.

No começo dos anos 60, Greensboro era o tipo do lugar onde a insubordinação racial era rotineiramente reprimida com violência. Os quatro primeiros universitários a se sentar ao balcão reservado aos brancos estavam apavorados. "Se alguém tivesse chegado por trás de mim e gritado 'bu', acho que eu cairia no chão", disse um deles mais tarde.

No primeiro dia, o gerente notificou o chefe de polícia, que imediatamente enviou dois policiais para a loja. No terceiro dia, um grupo de brutamontes brancos apareceu na lanchonete e se postou ameaçadoramente atrás dos manifestantes, proferindo epítetos como "crioulo de cabelo ruim". Um líder local da Ku Klux Klan apareceu. No sábado, enquanto a tensão crescia, alguém telefonou e deu um alarme falso de bomba e a loja teve de ser evacuada.

Os perigos eram mais claros no Mississippi Freedom Summer Project de 1964, outra campanha pioneira do movimento pelos direitos civis. O Student Nonviolent Coordinating Committee recrutou centenas de voluntários não remunerados no norte dos EUA, quase todos brancos, para lecionar nas Freedom Schools, alistar eleitores negros e promover os direitos civis no sul profundo.

"Ninguém pode ir sozinho a lugar nenhum, muito menos de carro e à noite", eram as instruções dadas aos voluntários. Poucos dias depois de chegarem ao Mississippi, três deles -Michael Schwerner, James Chaney e Andrew Goodman- foram sequestrados e assassinados; até o final daquele verão, 37 igrejas negras seriam incendiadas e dezenas de casas usadas como abrigos foram atacadas com bombas; voluntários foram espancados, alvejados e perseguidos por picapes repletas de homens armados. Um quarto dos participantes do programa desistiram. Ativismo que desafia o status quo -e ataca problemas profundamente enraizados- não é para bundas-moles.

COMPROMISSO O que leva uma pessoa a esse tipo de ativismo? Doug McAdam, sociólogo na Universidade Stanford, comparou os desertores do programa Freedom Summer com os que optaram por ficar, e descobriu que a diferença crucial, ao contrário do que se poderia esperar, não era o fervor ideológico. "Todos os inscritos -tanto os que ficaram quanto os que desistiram- estavam altamente comprometidos com a causa e eram partidários articulados das metas e valores do programa", concluiu.
O fator decisivo foi o grau de conexão pessoal entre a pessoa e o movimento pelos direitos civis. Pedia-se a todos os voluntários que fornecessem uma lista de contatos pessoais -as pessoas que desejavam manter a par de suas atividades-, e assim a probabilidade de ter amigos que também estivessem indo ao Mississippi era bem mais alta entre os que ficaram do que entre os que abandonaram o programa. O ativismo de alto risco, concluiu McAdam, é um fenômeno de "vínculos fortes".

O padrão se repete em boa parte de casos. Um estudo sobre as Brigate Rosse [Brigadas Vermelhas], grupo terrorista italiano dos anos 70, constatou que 70% de seus recrutas já tinham pelo menos um grande amigo na organização. O mesmo se aplica aos homens que aderiram aos Mujahideen do Afeganistão. Até mesmo manifestações revolucionárias que parecem espontâneas, como as que conduziram à queda do Muro de Berlim, na Alemanha Oriental, são, em seu âmago, fenômenos de vínculos fortes.

O movimento oposicionista da Alemanha Oriental consistia em centenas de grupos, cada qual formado por cerca de uma dúzia de membros. Cada grupo tinha contato limitado com os demais: na época, apenas 13% dos alemães orientais tinham telefone. Tudo o que sabiam era que, nas noites de segunda, diante da igreja de São Nicolau, no centro de Leipzig, as pessoas se reuniam para expressar sua ira contra o Estado. E o determinante primário daqueles que compareciam eram os "amigos críticos" -quanto mais amigos críticos ao regime uma pessoa tivesse, maior a probabilidade de adesão ao protesto.

LIGAÇÕES Portanto, um fato crucial sobre os quatro calouros que foram à lanchonete segregada de Greensboro -David Richmond, Franklin McCain, Ezell Blair e Joseph McNeil- eram as ligações mútuas que mantinham. McNeil dividia o quarto com Blair no alojamento da A&T. No andar de cima, Richmond dividia o quarto com McCain; e Blair, Richmond e McCain foram alunos da Dudley High School.
Os quatro levavam cerveja às escondidas para o alojamento e conversavam noite afora, no quarto de Blair e McNeil. Tinham na memória o assassinato de Emmett Till, em 1955; o boicote aos ônibus de Montgomery, no Alabama, no mesmo ano; e o confronto em Little Rock, no Arkansas, em 1957.

Foi McNeil que apareceu com a ideia do protesto na Woolworth's. Discutiram o assunto por quase um mês. Um dia, McNeil entrou no quarto e perguntou aos amigos se estavam prontos.

Houve uma pausa e McCain disse, de um jeito que só funciona entre amigos que passaram longas madrugadas conversando: "Vocês vão arregar ou vamos em frente?". Ezell Blair tomou coragem para pedir aquele café, no dia seguinte, porque estava na companhia de seu colega de quarto e de dois grandes amigos desde o ensino médio.

VÍNCULOS FRACOS O ativismo associado às redes sociais nada tem em comum com isso. As plataformas dessas redes são construídas em torno de vínculos fracos. O Twitter é uma forma de seguir (ou ser seguido por) pessoas que talvez nunca tenha encontrado cara a cara. O Facebook é uma ferramenta para administrar o seu elenco de conhecidos, para manter contato com pessoas das quais de outra forma você teria poucas notícias. É por isso que se pode ter mil "amigos" no Facebook, coisa impossível na vida real.
Sob muitos aspectos, isso é maravilhoso. Há força nos vínculos fracos, como observou o sociólogo Mark Granovetter. Nossos conhecidos -e não nossos amigos- são a nossa maior fonte de novas ideias e informações. A internet nos permite explorar a potência dessas formas de conexão distante com eficiência maravilhosa.

É sensacional para a difusão de inovações, para a colaboração interdisciplinar, para integrar compradores e vendedores e para as funções logísticas das conquistas amorosas. Mas vínculos fracos raramente conduzem a ativismo de alto risco.

VIRTUDES Em um livro chamado "The Dragonfly Effect - Quick, Effective, and Powerful Ways to Use Social Media to Drive Social Change" [O Efeito Libélula - Maneiras Rápidas, Efetivas e Poderosas de Utilizar Redes Sociais para Promover Mudanças Sociais, ed. Jossey-Bass], o consultor de negócios Andy Smith e Jennifer Aaker, professora na escola de admininistração de empresas de Stanford, contam a história de Sameer Bhatia, jovem empresário do Vale do Silício que um dia descobriu estar sofrendo de leucemia mielálgica aguda. O caso serve como perfeita ilustração sobre as virtudes das redes sociais.

Bhatia precisava de um transplante de medula óssea, mas não encontrou doador entre seus parentes e amigos. As chances seriam maiores caso o doador tivesse sua etnia, e havia poucos doadores do sul da Ásia no banco de dados de medula óssea americano.

Por isso, o sócio de Bhatia enviou um e-mail no qual explicava o problema do amigo a mais de 400 de seus conhecidos, que por sua vez o encaminharam a seus contatos; páginas de Facebook e vídeos no YouTube foram criados para a campanha Help Sameer. Por fim, quase 25 mil novos doadores se inscreveram no banco de dados e Bhatia encontrou um compatível com ele.

Mas como a campanha conseguiu a adesão de tanta gente? Porque não pedia nada de mais aos participantes. É a única forma de conseguir que alguém que você não conhece de verdade faça alguma coisa em seu benefício. Dá para conseguir que milhares de pessoas se inscrevam como doadores porque fazê-lo é facílimo. Basta enviar uma amostra simples de material genético -no altamente improvável caso de que a medula óssea do doador seja compatível com alguém que precise- passar algumas horas no hospital.

Doar medula óssea não é trivial. Mas não envolve risco financeiro ou pessoal; não implica passar um verão inteiro sendo perseguido por picapes repletas de homens armados. Não requer confronto com normas e práticas sociais arraigadas. Na verdade, é o tipo do engajamento que só traz elogios e reconhecimento social.

DISTINÇÃO Os evangelistas das redes sociais não compreendem essa distinção; parecem acreditar que um amigo de Facebook e um amigo real são a mesma coisa, e que se inscrever em uma lista de doadores no Vale do Silício, hoje, é ativismo no mesmo sentido que pedir um café num restaurante segregado de Greensboro em 1960.

"As redes sociais são especialmente eficazes para reforçar a motivação", escreveram Aaker e Smith. Mas não é verdade. As redes sociais são eficazes para ampliar a participação -mas reduzindo o nível de motivação que a participação exige.

A página da Save Darfur Coalition no Facebook tem 1.282.339 membros, cuja doação média é de nove centavos de dólar per capita. A segunda maior entidade de assistência a Darfur no Facebook tem 22.073 membros, e suas doações per capita são de 35 centavos de dólar. A Help Save Darfur tem 2.797 membros, que doaram, em média, 15 centavos de dólar.

Um porta-voz da Save Darfur Coalition disse à revista "Newsweek" que "não avaliamos necessariamente o valor de alguém para o movimento com base nos montantes doados. Este é um mecanismo poderoso para promover o envolvimento de uma população crítica. Eles informam a comunidade, participam de eventos, fazem trabalho voluntário. Não é algo que se possa medir por números".

Em outras palavras, o ativismo no Facebook dá certo não ao motivar pessoas para que façam sacrifícios reais, mas sim ao motivá-las a fazer o que alguém faz quando não está motivado o bastante para um sacrifício real. Estamos muito longe do balcão da lanchonete de Greensboro.

CAMPANHA MILITAR Os estudantes que participaram de protestos no sul dos EUA nos primeiros meses de 1960 descreveram o movimento como "uma febre". Mas o movimento dos direitos civis tinha mais de campanha militar que de contágio.

No final dos anos 50, 16 protestos semelhantes haviam sido organizados em diversas cidades sulistas, 15 dos quais formalmente coordenados por organizações de direitos civis como a NAACP [sigla em inglês da Associação Nacional para o Progresso da População de Cor] e a CORE [sigla em inglês de Congresso da Igualdade Racial]. Possíveis locais para protestos foram mapeados. Traçaram-se planos. Ativistas do movimento promoveram sessões de treinamento e retiros com potenciais participantes.

Os quatro de Greensboro surgiram como produto desse trabalho de base: eram membros do Conselho da Juventude da NAACP. Tinham fortes ligações com o diretor da seção local da organização. Foram informados sobre a onda anterior de protestos em Durham, e participaram de uma série de reuniões do movimento em igrejas ativistas.

Quando os protestos se espalharam pelo sul a partir de Greensboro, a difusão não ocorreu de modo aleatório. Os protestos surgiram em cidades que já tinham células do movimento -núcleos de ativistas dedicados e treinados, prontos para converter a "febre" em ação.

ALTO RISCO O movimento dos direitos civis era ativismo de alto risco. Era também, e isso é importante, ativismo estratégico: um desafio ao establishment, montado com precisão e disciplina. A NAACP era uma organização centralizada, com comando em Nova York, segundo procedimentos operacionais altamente formalizados.

Na Southern Christian Leadership Conference, Martin Luther King Jr. (1929-68) exercia inquestionável autoridade. A igreja negra tinha posição central no movimento e, como aponta Aldon Morris em seu "The Origins of the Civil Rights Movement", esplêndido estudo publicado em 1984, mantinha uma divisão de tarefas cuidadosamente demarcadas, com diversos comitês permanentes e grupos disciplinados.

"Cada grupo tinha uma missão definida e coordenava suas atividades por meio de estruturas de autoridade", escreve Morris. "Os indivíduos eram responsáveis pelas tarefas que lhes eram designadas e conflitos importantes eram resolvidos pelo pastor, que em geral exercia a autoridade final sobre a congregação."

HIERARQUIA Essa é a segunda distinção crucial entre o ativismo tradicional e sua variante on-line: as redes sociais não se prestam a esse tipo de organização hierárquica.

O Facebook e sites semelhantes são ferramentas para a construção de redes e, em termos de estrutura e caráter, são o oposto das hierarquias. Ao contrário das hierarquias, com suas regras e procedimentos, as redes não são controladas por uma autoridade central e única. As decisões são tomadas por consenso, e os vínculos que unem as pessoas ao grupo são frouxos.

Essa estrutura torna as redes imensamente flexíveis e adaptáveis a situações de baixo risco. A Wikipédia é um exemplo perfeito. Não há um editor instalado em Nova York que direcione e corrija cada verbete. O esforço de produção de cada entrada é auto-organizado. Caso todos os verbetes da Wikipédia sejam apagados amanhã, o conteúdo será rapidamente restaurado, porque é isso que acontece quando uma rede de milhares de pessoas dedica tempo a uma tarefa espontaneamente.

Há, no entanto, muitas coisas que redes não fazem direito. As montadoras de automóveis, sensatamente, usam uma estrutura de rede para organizar suas centenas de fornecedores, mas não para projetar os carros. Ninguém acreditaria que a articulação de uma filosofia coerente de design funcionasse melhor na forma de um sistema organizacional disperso e sem líderes.

Carecendo de uma estrutura centralizada de liderança e de linhas de autoridade claras, as redes encontram dificuldades reais para chegar a consensos e estabelecer metas. Não conseguem pensar de modo estratégico; são cronicamente propensas a conflitos e erros. Como fazer escolhas difíceis sobre táticas, estratégias ou orientação filosófica quando todo mundo tem o mesmo poder?

PROBLEMAS A Organização para a Libertação da Palestina (OLP) surgiu como rede, e, em ensaio recentemente publicado no periódico "International Security", os especialistas em relações internacionais Mette Eilstrup-Sangiovanni e Calvert Jones argumentam que esse é o motivo para que a organização tenha encontrado tantos problemas ao crescer: "Traços estruturais característicos das redes -ausência de autoridade central, autonomia irrestrita de grupos rivais e incapacidade de arbitrar disputas por meio de mecanismos formais- tornaram a OLP excessivamente vulnerável à manipulação externa e às disputas internas".

"Na Alemanha dos anos 70", os dois prosseguem, "os terroristas de esquerda, muito mais unidos e bem-sucedidos, tendiam a se organizar hierarquicamente, com gestão profissional e clara divisão de tarefas. Estavam geograficamente concentrados nas universidades, onde podiam estabelecer liderança central, confiança e camaradagem por meio de reuniões regulares, cara a cara".

Era raro que entregassem seus companheiros de armas nos interrogatórios da polícia. Já seus equivalentes na direita se organizavam como redes descentralizadas e não mantinham disciplina semelhante. Era comum que esses grupos fossem infiltrados, e que seus membros, quando detidos pela polícia, entregassem facilmente seus companheiros. De forma semelhante, a Al Qaeda era mais perigosa quando mantinha uma hierarquia unificada. Agora que se dissipou em rede, vem se mostrando bem menos eficaz.

MUDANÇA SISTÊMICA As desvantagens das redes pouco importam quando não estão interessadas em mudança sistêmica -caso desejem apenas assustar, humilhar ou fazer barulho-, ou quando não precisam pensar estrategicamente. Mas, se o objetivo é combater um sistema poderoso e organizado, é preciso uma hierarquia. O boicote ao serviço de ônibus em Montgomery exigiu a participação de dezenas de milhares de pessoas que dependiam do transporte público para ir ao trabalho e voltar todo dia. E durou um ano.

A fim de persuadir as pessoas a se manterem fiés à causa, os organizadores encarregaram cada igreja negra local de manter o moral alto e montaram um sistema alternativo de transporte solidário que contava com 48 telefonistas e 42 pontos de parada. Até mesmo o Conselho de Cidadãos Brancos, King afirmou mais tarde, reconheceu que o sistema de transporte solidário funcionava com "precisão militar".

Quando King foi a Birmingham, no Alabama, para o confronto decisivo com o comissário de polícia da cidade, Eugene "Bull" Connor, contava com orçamento de US$ 1 milhão e uma equipe de 100 funcionários em período integral, já instalados na cidade e divididos em células operacionais. A ação foi dividida em fases, que se intensificavam gradualmente e eram mapeadas com antecedência. O apoio foi mantido por meio de sucessivas assembleias, num rodízio entre as igrejas da cidade.

LEGITIMIDADE MORAL Boicotes, protestos e confrontos não violentos -armas preferenciais do movimento pelos direitos civis- são estratégias de alto risco. Deixam pouca margem para conflito e erro. No momento em que um único manifestante abandona o roteiro e reage a uma provocação, a legitimidade moral de todo o protesto fica comprometida. Os entusiastas das redes sociais sem dúvida gostariam que acreditássemos que a tarefa de King em Birmingham seria imensamente facilitada se ele pudesse usar o Facebook para se comunicar com seus seguidores e se contentasse em enviar tweets de uma cela.

Mas as redes são confusas -pense no padrão incessante de correção e revisão, emendas e debates, que caracteriza a Wikipédia. Caso Martin Luther King tivesse tentado um "wiki-boicote" em Montgomery, teria sido esmagado pela estrutura do poder branco. E que uso teria uma ferramenta de comunicação digital numa cidade na qual 98% da comunidade negra podia ser contatada na igreja, todo domingo? Em Birmingham, King precisava de disciplina e estratégia, o tipo de coisas que as redes sociais não são capazes de fornecer.

PODER DE ORGANIZAÇÃO A bíblia do movimento das redes sociais é "Here Comes Everybody", de Clay Shirky, professor na Universidade de Nova York. Ele procura demonstrar o poder de organização da internet e começa pela história de Evan, que trabalhava em Wall Street, e de sua amiga Ivanna, que esqueceu seu smart-phone, um caro Sidekick, no banco de um táxi nova-iorquino.

A companhia telefônica transferiu os dados do celular perdido de Ivanna a um novo aparelho e assim a proprietária e Evan descobriram que o Sidekick estava em posse de uma adolescente do Queens, que vinha usando o aparelho para tirar fotos de si mesma e de suas amigas.

Quando Evan lhe enviou um e-mail pedindo que devolvesse o celular, Sasha respondeu que ele era um "bundão branco" que não merecia tê-lo de volta. Irritado, ele montou uma página na web com uma foto de Sasha e uma descrição do ocorrido. Encaminhou o link aos amigos, que o repassaram a outros amigos. Alguém localizou a página do namorado de Sasha no MySpace e um link para ela foi criado no site.

Alguém descobriu o endereço dela na web e gravou um vídeo mostrando a casa quando passou de carro por lá; Evan postou o vídeo no site. A história ganhou destaque no Digg, um site agregador de notícias. Evan passou a receber dez e-mails por minuto. Criou um fórum on-line para que seus leitores contassem suas histórias, mas as visitas eram tantas que o servidor vivia caindo.

Evan e Ivanna procuraram a polícia, mas o boletim de ocorrência definia o celular como "perdido", e não "roubado", o que significava que, na prática, o caso estava encerrado.

"Àquela altura, milhões de leitores estavam acompanhando", escreve Shirky, "e dezenas de veículos da mídia convencional haviam mencionado a história". Cedendo à pressão, a polícia de Nova York reclassificou o celular como "roubado". Sasha foi detida e a amiga de Evan conseguiu o Sidekick de volta.
O argumento de Shirky é o de que esse é o tipo de coisa que jamais poderia ter acontecido na era anterior à internet -e ele tem razão. Evan não teria conseguido localizar Sasha.

A história do Sidekick jamais teria sido divulgada. Um exército de pessoas não se teria formado para participar da batalha. A polícia não teria cedido à pressão de uma pessoa só, por algo tão trivial quanto um celular perdido. O caso, na opinião de Shirky, ilustra "a facilidade e rapidez com que um grupo pode ser mobilizado para o tipo certo de causa" na era da internet.

PERIGO Na opinião de Shirky, esse modelo de ativismo é superior. Mas, na verdade, não passa de uma forma de organização que favorece as conexões de vínculo fraco que nos dão acesso a informações, em detrimento das conexões de vínculo forte que nos ajudam a perseverar diante do perigo.
Transfere nossas energias das entidades que promovem atividades estratégicas e disciplinadas para aquelas que promovem flexibilidade e adaptabilidade. Torna mais fácil aos ativistas se expressarem e, mais difícil, que essa expressão tenha algum impacto.

Os instrumentos de redes sociais estão aptos a tornar a ordem social existente mais eficiente. Não são inimigos naturais do status quo. Se, na sua opinião, o mundo só precisa de um ligeiro polimento, isso não deve lhe causar preocupação. Mas se você acredita que ainda existem lanchonetes por serem integradas ao mundo, essa tendência deveria incomodá-lo.

Grandiloquente, Shirky encerra a história do Sidekick perdido perguntando: "O que virá a seguir?" -e, sem dúvida, imagina futuras ondas de manifestantes digitais.

Mas ele mesmo já respondeu à pergunta. O que virá é a mesma coisa, repetidamente. Um mundo feito de redes e vínculos fracos é bom para coisas como ajudar gente de Wall Street a recuperar celulares das mãos de garotas adolescentes. Viva la revolución.



Nota do tradutor
1. Estados do sul dos EUA que se uniram contra os do norte do país durante a Guerra de Secessão (1861-65).
2. No serviço de microblogs Twitter, as "tags" são termos precedidos do símbolo #, utilizados para reunir todas as mensagens sobre um mesmo assunto, como #ilustrissima.

Cinquenta anos depois de um dos mais extraordinários episódios de sublevação social na história dos EUA, parece que esquecemos o que é ativismo

Ativismo que desafia o status quo -e ataca problemas profundamente enraizados- não é para bundas-moles

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Carecendo de uma estrutura centralizada de liderança e de linhas de autoridade claras, as redes encontram dificuldades reais para chegar a consensos e estabelecer metas

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

"Queremos um jornal": a história real de um sonho

O reitor Ivonildo Rego assegurou ontem a implantação do Jornal Universitário, em encontro com estudantes e professores do curso de Comunicação Social da UFRN. Esta é parte da pequena equipe que deu início à história real de um sonho. 

Os estudantes são Everson Andrade, Themis Lima, Paulo Nascimento, Rafael Barbosa, Kassandra Lopes, Ananda Braga, Larissa Moura e Daísa Alves. Não puderam comparecer Luan Xavier e Marco Carvalho.
Professor Barreto e alunas do curso de Jornalismo: Queremos um jornal
Juventude mobilizada comemora a conquista do Jornal Universitário
Reitor Ivonildo Rego assume compromisso com "Queremos um jornal"


Professores e alunas ontem na Reitoria da UFRN
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