"Não é justo alguém ter o direito de ter uma empresa de aviação e outro não ter o direito de comer um pão." /////// JAMAIS IDE A UM LUGAR GRANDE DEMAIS. A UM LUGAR AONDE NÃO TENHAIS CORAGEM DA IMENSIDÃO - EMANOEL BARRETO - NATAL/RN
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Emanoel Barreto
Xuxa está movendo ação em que cobra à Band indenização de cinco milhões, alegando danos morais pelo fato de que a emissora veiculou imagens dela nua no programa "Atualíssima". As imagens fazem parte de ensaio fotográfico da época em que ela posava para revistas masculinas.
A Band recorreu e a Justiça acatou pedido da TV para que ela se submeta a exame psicológico, a fim de constatar se, realmente, ficou tão abalada como afirma na ação. Ela pode negar-se a fazer os exames.
A foto acima é de cena do filme "Amor, estranho amor", produção de 1982 do cineasta Walter Hugo Khoury, onde Xuxa contracena com um menino. Xuxa, há tempos, conseguiu na Justiça que a fita não mais seja exibida. No mercado pirata de DVDs, entretanto, é possível encontrar cópias da produção, bem como no You Tube.
É estranho esse comportamento: ela efetivamente participou de produções eróticas (cinema e revista), até encontrar o filão do mercado infantil, projetando-se como a "Rainha dos Baixinhos". Não há como renegar o seu passado, fugir do que fez, até mesmo pelo fato de que isso não prejudicou sua ascensão em seu atual segmento de mercado.
Agora, quando isso é mencionado, ela se apresenta como vítima. Xuxa encarna com perfeição a hipocrisia: busca encarnar a figura de alguém que as crianças idealizam como sendo angelical, quando na verdade é apenas um ente de mercado, um produto que vende outros produtos, com a marca Xuxa.
Há tempos deu entrevista a Amaury Jr., quando disse que, no filme, seu personagem ganhou preeminência sobre os de Vera Fischer e Tarcício Meira, atores principais. Reclama disso, sem razão. Os dois atores não fogem de sua atuação no filme, jamais reclamaram de sua exibição.
Ora, se ela não era a personagem principal, por que reclamar? O problema é unicamente de mercado: ela não quer mesclar seu passado com seu presente. Mas, se ela não mais participa de produções eróticas, por que a preocupação? O que foi feito, foi feito; passou, acabou.
Estranha, essa Xuxa: renega seu passado de ninfa, sua cena libidinosa com um menino, enquanto manipula milhões de crianças para quem comprem seus produtos. Xuxa, estranha Xuxa.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Mãos ao alto, cidadão!Emanoel Barreto
quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Acaba a guerra do Iraque
Emanoel Barreto
Ativistas de um grupo auto-intitulado Yes Man, distribuíram hoje, em Nova Iorque e Los Angeles, uma edição falsa do New York Times. Nada menos que 1,5 milhão de exemplares, mesma tiragem do jornal.
O título é impactante, diz: "Acaba a guerra do Iraque". O jornal vem com a data de 4 de julho de 2009 e traz notícias indicando que o Tesouro anuncia um plano justo de impostos, a revogação do Ato Patriota e, pasme, George W. Bush sendo julgado como autor de crimes de guerra.
Quatro de julho é o dia da independência dos Estados Unidos. O Ato Patriota "é uma lei dos Estados Unidos que foi aprovada após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Seus objetivos são reforçar a segurança interna e aumentar os poderes das agências de cumprimento da lei para identificar e parar os terroristas. A aprovação e a renovação do Ato Patriota foram extremamente controversas", é o que explica o site "Como tudo funciona".
Quanto aos impostos e a Bush, é óbvio: não há mais quem agüente a ação de um Estado que taxa seus cidadãos com voracidade, nem um presidente como aquele.
O ato é uma manifestação de que parcela da sociedade civil está atenta e tem condições, sim, de manifestar seu descontentamento ante o cinismo e a hipocrisia de um sistema de poder voltado para a impiedade e a barbárie.
A história não se repete, mas irrupções de rebeldia e insatisfação brotam sempre e quanto as circunstâncias de poder chegam a limites do inaceitável. Vivemos este dilema hoje: interesses das grandes corporações mesclam-se com decisões de Estado, promovendo guerras e devastação ambiental, insegurança e horror.
As sociedades convivem com o fenômeno do banditismo, comércio ilegal de armas como nunca se viu e com o crime organizado, especialmente em torno das drogas. O protesto do Yes Man deve ser levado em conta. É um grito que deverá tornar-se suficientemente forte para atrair para seu lado outras vozes e outros clamores.
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Cansados e feridosEmanoel Barreto
Nesta terça, o presidente-eleito Barack Obama fez uma parada em seu trabalho com a equipe de transição para prestar homenagens aos soldados americanos mortos, feridos ou mutilados nas muitas guerras que o país protagonizou ou leva adiante.
É que hoje, nos EUA, é o Dia do Veterano. Ou seja: um ser humano que, sob o lema de amor à pátria-mãe, é levado literalmente a carregar armas e bagagens e atirar-se a lutas onde a crueldade é norma básica e a desumanidade linha mestra. Depois, voltando para casa, é um homem ou mulher destroçado física e emocionalmente.
Como compensação é chamado de herói, defensor da pátria, guerreiro que retorna ao lar...
É esse o legado, a herança maldita das guerras, de todas as guerras: envolver pessoas em conflitos que somente atendem aos interesses das elites, sob o véu de que estarão defendendo relevante valor moral. Quando as guerras são, em essência, imorais, uma degenesrescência histórica, uma contra-mão no processo civilizatório.
Quanto aos americanos, a ideologia que os norteia vale-se de um patriotismo tornado socialmente genético e a partir daí alastram, cobertos pela artilharia do terror, o sangue, a brutalidade, o morticínio.
Ao final, o ser humano, solitário em sua condição de mutilado ou emocionalmente desfeito, volta ao silêncio de sua vida, às indagações sobre o seu sofrimento em campo de batalha, e se queda em meio aos demônios que foi levado a cultivar.
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Emanoel Barreto
sábado, 8 de novembro de 2008

Vamos parar, um pouco...
Emanoel Barreto
Vamos parar um pouco, por um instante, o tédio.
Vamos olhar com vista de marfim.
Quem sabe, um pouco, a claridade
nos chame a viver em tendas nas estrelas.
Vamos sentir, sem medo, a lua mansa.
Vamos chamar, sem grito, o sol nascente.
Quem sabe, em pouco, a noite nacarada
nos chame a viver em meio a um jardim.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Obama, o benigno, é o senhor dos jornaisEmanoel Barreto
A assunção de Obama à presidência do grande império do Norte colocou-o não apenas como o homem mais poderoso do mundo. Ele galga o cargo envolvido por uma tal torrente de mídia, que passa a ocupar o papel de algo como um messias, um enviado que vai mudar tudo na face da Terra.
Isso é reflexo bastante explícito da situação que hoje se vive: o mundo chegou a um patamar de inseguranças e incertezas tamanhas, que ao surgir alguém cujo perfil destoa completamente do padrão étnico dos presidentes americanos, essa condição étnica passou a ser vista como status ético; um novo modelo estruturante, uma nova mentalidade e, especialmente, um novo modo de encarar o mundo por parte do sistema americano de poder.
Obama seria o sinal de que os Estados Unidos abandonariam sua política de polícia do mundo - e polícia voltada para a preservação dos interesses americanos -, passando a exercer uma liderança voltada para a paz e a conciliação entre os povos.
É que a angústia dos nossos tempos clama por um avatar e visualizou nele um taumaturgo, um ser superior capaz de, pela serenidade, humanidade e propósitos inatacáveis, nos encaminhar a uma era fabulosa de paz e bem.
Obama, carismático, culto, refinado, tornou-se um fenômeno de mídia. O jornal Washington Post, frente à avalanche de leitores em busca de exemplares, imprimiu nesta sexta-feira 350 mil exemplares adicionais à edição comemorativa, veiculada dia anterior. Mais: o site de leilão eBay está vendendo exemplares a 100 dólares, enquanto o site Craigslist vende cópias do jornal a 50, ainda no saco plástico.
Trtata-se, evidentemente, de um fenômeno de comunicação. Uma grande catarse coletiva, uma exultação, um fùlmine como dizem os italianos, para designar algo extraordinário e alumbrante, paralisante pela sensação magnífica que domina, encanta e sensibiliza.
Mas Obama pouco a pouco adentra o mundo dos mortais. Já despacha com a CIA e mantém seus primeiros contatos com relatórios do serviço secreto estadunidense. E estes, dizem as coisas de jornais que li, apontam para um mundo que tende sempre e mais à tensão e à guerra - sempre com a participãção dos EUA.
É que o mundo real não parou. O que é preciso é as pessoas começarem a sair do sonho para voltar a trilhar o dia-a-dia. Logo, logo ele tomará posse. E as pessoas serão levadas e admitir, como John Lennon, quando disse à dissolução dos Beatles: "O sonho acabou."
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
Em um texto publicado no
Robb interpreta que, com a eleição de Obama, o "povo branco" dos EUA vai perceber que é hora de se unir contra aqueles que odeiam seu modo de vida --estrangeiros e negros, de acordo com a KKK. "Essa eleição de Obama nos chocou? Nem um pouco! Nós vinhamos avisando ao nosso povo que, ao menos que os brancos se juntassem, seria exatamente isso que aconteceria", incitou."
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
O futuro americano é negrosábado, 1 de novembro de 2008
A Mulher inteira e bela
A Mulher inteira, o corpo belo.O instante, o abraço, o olhar querendo...
Ela.
Terna, bela, completamente plena.
O momento que é só de nós dois,
numa manhã que se fez luz. E plenilúnio.
Emanoel Barreto
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
E a turma toda pede Obama
A quatro dias da eleição presidencial dos Estados Unidos, o mundo conspira Obama, espera e pede pela sua eleição. Um sentimento de que algo de podre no reino da Coca-Cola precisa e pode ser levado ao charco da história. É como se alguma coisa nova, essencialmente nova, estivesse por acontecer. Especificando: retirada das tropas do Iraque, redução do imperialismo americano, bondade distribuída à mancheia.A rua de um lado só
Emanoel Barreto
Os moradores da rua Neuza Farache receberam com alegria a visita de emissoras de TV, para mostrarem como andam obras da Prefeitura em Capim Macio. As equipes chegaram sem alguns problemas, porque estamos num período sem chuvas, pois no inverno a rua fica inacessível, ilhada por lagoas de todos os lados. No momento, entretanto, o problema é outro.
A rua Neuza Farache nunca tinha enfrentado problema além da poeira do período seco, embora pela ausência de pavimentação tenha sido há décadas uma rua de um lado só, pois os veículos só trafegam pelo lado direito no rumo oeste-leste.
Há cerca de seis meses, a Prefeitura escavacou tudo, fazendo uma vala de 2,5 m de profundidade por 1,2 m de largura, para instalar canos que se supõe para esgoto e drenagem. Escavacou e deixou tudo fofo, areia solta, casas inacessíveis. Cada morador teve de se virar para improvisar acessos dos mais diversos formatos.
Há dez dias uma equipe de obras chegou para fazer o mesmo serviço novamente. Emitiram a ordem de serviço e já estavam escavacando novamente, até que os moradores alertaram e suspenderam a repetição da “obra”. Mesmo assim, já era tarde, pois passaram uma máquina para aplainar, que piorou a situação.
Como se não bastasse, agora os caminhões carregados de areia trafegam sem parar, afundando o caminho dos carros, rompendo encanações da CAERN, fazendo atolar carros, ônibus, micro-ônibus, caminhões. De nada adianta contato, mensagem, telefonema para a SEMOV. Damião Pita atende, promete, mas não manda fazer nada.
Hoje amanheceu com um trecho compactado. Nada mais, nada menos que dois canos que romperam ontem e passaram a tarde jorrando água no leito da rua, o que amenizou a situação em um pequeno percurso. Mas os caminhões já voltaram a trafegar, o sol começa a secar a areia e mais tarde tudo volta àquela normalidade horrorosa.
O pior de tudo é o desrespeito aos moradores, pois a Prefeitura não informa nada sobre o que está sendo feito. Enterrou os canos, mas nada diz sobre o possível próximo passo. Ao invés de resolver os problemas da comunidade, sua presença com os serviços em ruas adjacentes causa novos problemas aos moradores da rua Neuza Farache.
Walter Medeiros
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
O Neto que virá
A Vida surge, doce e calma, Conversar com Cascudo
Conversar com Cascudo era descobrir o tempo velho passando à sua frente. Era mergulhar na história arcaica escrita pelo povo. Era virar páginas e páginas inteiras de cores, fandangos, jangadas, bichos e gentes; vozes de acá, nascidas ibéricas ou africanas. Conversar com Cascudo era perscrutar a vida no seu mais íntimo significado de coisa humana. terça-feira, 28 de outubro de 2008
Morreu o filho
Luquinha passava em frente a uma mansão, onde havia uma grande multidão. Luquinha, desempregado, morador de palafita; somente ele e a mulher. O único filho morrera por falta de um remédio, que ele não pudera comprar. Ficou meio louco deste então. Andava a esmo, passava dias sem ir em casa.segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Lado negro, não: lado branco
O preconceito e a brutalidade estão fundamente atracados no mar da extrema direita americana. Os skinheads, neonazistas, sociopatas, planejavam uma onda de morticínio a negros, culminando com um atendado a Barack Obama, informam as coisas de jornal. A sociedade norte-americana, em suas neuroses, loucuras e obsessões, cultiva comportamentos sombrios: o de alguém que se arma e sai atirando a esmo, matando sem distinção; o de matar o presidente da república; o de não aceitar a igualdade entre negros e brancos.
A aparentemente próxima vitória de Obama está fazendo estremecer os cânones dos ultra-conservadores, tocando as cordas mais sensíveis do preconceito: não há como admitir um negro dirigindo o maior império da Terra.
Desde o início da campanha jornais já estimavam atentados a Obama, especialmente quando e se eleito. Agora, o FBI desarma essa trama. Na foto, Daniuel Cowart, um dos presoso.
As investigações, caso sejam aprofundadas e, se aprofundadas, trazidas a público, poderão desvelar se haveria alguém, alguém em posição mais alta, a guiar as mãos sangrentas que agiriam.
Uma possível eleição de Obama será um marco, um dado essencial a superar a condição de conjuntura e assimilar-se à estrutura sócio-política norte-americana. Será somente um golpe assestado a essa estrutura, não significando seu desmanche. Mas será simbólico o suficiente para ampliar espaços mais democráticos e ares políticos menos esfumaçados.
A ação dos neonazistas, todavia, não deixa dúvida: ainda é forte o lado negro no gigante do norte. Lado negro, não, desculpe: lado branco.
Emanoel Barreto
Idioma português: navegar sem rumo, ao léu, não sei, talvez...
A Folha traz a seguinte informação: As divergências aparecem nos dicionários "Houaiss" (ed. Objetiva) e "Aurélio" (ed. Positivo), nas recém-lançadas versões de bolso, que já contemplam as mudanças ortográficas. O "pára-raios" de hoje, por exemplo, virou "para-raios" no primeiro e "pararraios" no segundo.
A lista de diferenças continua. A versão mini do "Houaiss" grafa "sub-reptício" e "para-lama". Em outra direção, o novo "Aurélio" traz "subreptício" e "paralama".
Prevendo o impasse, antes mesmo do lançamento dos dicionários, a ABL (Academia Brasileira de Letras) tomou para si a difícil missão de dirimir essas e outras dúvidas. A palavra final da entidade deverá sair apenas em fevereiro, quando as novas regras ortográficas já estiverem valendo."
sábado, 25 de outubro de 2008
"Comportamento Geral"

quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Here comes the sun
OI,O mundo é normalmente cruel, feio, cinzento, mau.
Mas, que tal virar a página, e perceber algo belo, intenso, nosso, confidencialmente nosso?
Hoje, vamos ver o lado bom da vida. O começo, a força, a fé, a confiança. Decisão sem medo do que virá.
A noiva luzente, que acredita num casamento que vai ser seu amanhã, eterno e radioso.
Para trás a bala, o grito, a dor, o imperfeito.
Vamos ser o teclado do piano, o texto maravilhoso, o acorde maior, o instante pleno de vida e juventude: ímpeto.
Sejamos o sol; límpido, grandioso, alucinante e terno; calmo e aconchegante, manhã que desejamos, praia e mar aberto.
Um abraço, e ouça uma canção.
Emanoel Barreto
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Quando a TV puxa o gatilho
Caras e Caros,As TVs estão espremendo, até à última gota, o terrificante espetáculo por elas mesmas criados, com a morte da menina Eloá. Nenhum jornalista chegou ao pódio dos monitores para analisar seu papel, sua participação, sua presença para a deflagração das balas que tiraram a vida inocente.
Foi a TV, sim, quem disparou o revólver do criminoso. A polícia, permitam-me, falhou miseravelmente. Falhou ao permitir o retorno da segunda menina ao apartamento, falhou em suas técnicas de negociação. Mas foi a TV quem patrocinou a realização daquele reality show, hediondo e imoral.
Se o carrasco não tivesse se sentido como prima donna daquele circo de crueldade, se não tivesse dado entrevistas ao vivo, se não houvesse sido chamado de apenas um jovem apaixonado, trabalhador e calmo, certamente não teria prolongado até o limite do insustentável aquele funesto acontecimento.
Precisa a polícia brasileira aprimorar seus métodos táticos para enfrentar situações como aquela; precisa a TV admitir-se como terceiro ator, deplorável, indecoroso e sujo, de tudo o que aconteceu.
Emanoel Barreto
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Marcacos me mordam!
Veja,O tipo aí na foto é Marcos Valério, famoso desde que foi denunciado como envolvido no mensalão. "Macacos me mordam!", como diziam os personagens de antigas histórias em quadrinhos, o homem, até em fotografia, sabe se esconder muito bem. Mesmo que hoje esteja preso. Mas sai já, sai já...
E, saindo da cadeia, poderemos dizer "Marcacos andaram mordendo o dinheiro dos brasileiros." E morderam muito, e mordem, todos os dias. A corrupção é coisa nossa, tão antiga e farta como as capitanias hereditárias, que El Rey de Portugal distribuía aos ricaços daquele tempo.
A corrupção é doença. Um estranho e invisível vírus. Na verdade, um vírus mais intangível que o ar. O ar, pelo menos, podemos senti-lo. O vírus da corrupção, não. Ele existe, digamos assim, numa certa esfera espiritual. Pronto, é isso: o vírus da corrupção tem sua existência nas matrizes mais profundas, reptilianas, da mente dos corruptos. Já se nasce com essa propensão, disseram-me alguns cientistas que estudam o caso em laboratório.
Quem sou eu para discordar? Esses cientistas, uma vez, conseguiram isolá-lo. Mas, isolado, conseguiu fugir. Como? Muito simples: contaminando um dos próprios cientistas.
Emanoel Barreto
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Compre Batom... Compre Batom...
A Folha informa: "O publicitário Duda Mendonça trabalha desde o início do segundo turno na campanha de Marcio Lacerda (PSB), em Belo Horizonte, conforme revelou hoje o próprio candidato socialista. Duda Mendonça faz, disse Lacerda, uma espécie de "consultoria informal"."Os marqueteiros são vistos pelos políticos como uma espécie de magos, bruxos poderosos da comunicação, cujo saber esotérico, carisma quase místico, teria o poder de manipular corações e mentes. E afinal, garantir a eleição. Se fosse verdade, todas as eleições majoritárias terminariam empatadas.
E é isso mesmo o que acontece: nos tempos antigos, à época clássica, reis e demais poderosos entregavam, ou pensabem entegar, os destinos de batalhas e o futuro do reino à sapiência de áugures e pitonisas, cujos insondáveis saberes perscrutavam o futuro.
Eles estudavam os vôos dos pássaros, vísceras de animais e a partir daí faziam seus presságios, permitindo ao monarca tomar a decisão supostamente mais acertada. De alguma forma, isso transmutou-se e hoje o áugure é o marqueteiro. É ele que se apresenta como a pedra mais preciosa da coroa, tem a postura autoritária e os ademanes do sacerdote que preside o oráculo da comunicação.
Sua palavra tatem o condão das cerimônias secretas, o poder de chamar a favor do candidato as idéias que salvarão a campanha quase perdida, entufar as multidões e fazê-las crer: "Esse é o homem."
A marqueteria é isso: a superstição dos áugures colocada como fórmula alquímica que fará da pedra comum e mistificadora do político, transformar-se na pedra filosofal, aquela que, ao tocar em qualquer substância inferior, a transformaria em ouro.
Como dizia aquele antigo comercial: "Compre Batom... Compre Batom..."
Emanoel Barreto
domingo, 19 de outubro de 2008
O sinistro talento
Cara Amiga,Caro Amigo,
O sinistro talento
é morador de todos os gatilhos.
O sinistro talento
desperta sem pensar.
E depois de ser
tão totalmente,
mente.
E, na mente do matador,
se fez justiça.
Emanoel Barreto
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Um amor escuro e torto
Cara Amiga,Caro Amigo,
O desfecho do seqüestro deu-se dentro de um panorama bastante previsível. Um desequilibrado, tonto de amor doentio, acabou trazendo ao reality show a face horrenda da dor televisada. Até que ponto a TV pode ser responsabilizada, é um fato a ser analisado depois, à luz de dados que a própria imprensa deve e tem de trazer a público.
Por enquanto, a imprensa questiona a ação da polícia. Mas, qual a influência do noticiário ao vivo que a TV teve sobre o criminoso? Uma mente perturbada, um ego ferido em seu amor próprio, em sua vaidade, em sua ânsia de ter como objeto seu uma segunda pessoa tem, sim, território emocional fértil para ali semear suas insanidades, mesmo que momentâneas.
O matador sentiu-se inequivocamente o ator principal dessa tragédia. No pequeno apartamento, ali estabelecido o seu mesquinho império, ele ditava sua lei. Era algoz, mas se supunha vítima e isso era o suficiente para exercer o seu domínio sombrio. Com a TV veiculando milhares de vezes seu nome, alardeando sua lamentável notoriedade, o criminoso via-se como que amparado.
Os apelos, as tentativas de negociação, validavam, para ele, a centralidade de sua figura, a suposta pungência do seu drama. Ele superdimensionava sua dor. Ele e o seu escuro amor eram o centro do mundo. E o largo palco da mídia dava-lhe a sensação de ter razão. Deu no que deu. O jornalismo precisa pesar muito sua disposição para dar cobertura a acontecimentos assim.
A polícia precisa estar melhor preparada para agir.
Emanoel Barreto
Desligue o televisor
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Um reality show de verdade: e muito perigoso
Cara Amiga,Caro Amigo,
No momento em que escrevo, Lindemberg Fernandes Alves, o seqüestrador da jovem Eloá estava pedindo a presença de alguém que seja torcedor do São Paulo Futebol Clube, para ajudar nas negociações. Antes, ele havia estendido na janela uma camisa com o emblema do time. Revelando-se um negociador talentoso tentou criar, com a atitude, um liame afetivo com a numerosa torcida do time. A TV informava que um diretor do São Paulo iria se apresentar para interferir, a fim de que a situação tenha logo um desfecho e que este seja o menos traumático possível.
A sensação de que sua atitude se tansformava em espetáculo televisivo, um realitiy show de alto impacto, sem regras e capaz de mobilizar largamente o público, fez com que ele agora tenha atitudes de estrela. São os efeitos perversos do jornalismo intensivo da TV. Um acontecimento que poderia muito bem terminar após uma negociação bem dirigida, agora ameaça tomar rumos imprevisíveis.
O rapaz, que demonstrou ser ou pelo menos estar em situação psicológica de desequilíbrio, pode assumir-se como estrela de mídia e querer criar seu espetáculo; espetáculo a que deu margem a cobertura intensiva e ao vivo a Record News. Claro, rádios e jornais também cobrem o fato e isso retroalimenta seu efeito dramático.
O jovem considera-se vítima. Agrediu a moça para se apresentar como tal. E nada melhor para uma vítima, que na verdade se vitimizou, que parecer assim aos olhos da multidão de telespectadores. E assumindo-se como vítima, terá o palco grande da TV para encenar loucuras que, sem a TV, certamente não teria encenado.
Emanoel Barreto
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
O pão que o Diabo amassou
Cara Amiga,Caro amigo,
As coisas de jornal em todo o mundo começam a sinalizar a iminência de uma recessão. Ao que parece, o mundo vai comer o pão que o Diabo amassou. Esse pão vem sendo amassado há muito tempo e agora, quando os bancos não vêem mais perspectivas de livrar-se de tão incômodo banquete, vão reparti-lo com a chamada economia real, ou seja: com a mesa de quem não participou da preparação dessa torpe iguaria.
Mais claramente: vai ser socializado o prejuízo, uma vez que os lucros já foram embolsados. E o deus mercado, que é fielmente adorado pelo Diabo, revela-se impotente para desfazer seu próprio feitiço. Quando isso ocorre, historicamente tudo o que há de pior é repartido. As elites estarão a salvo, a massa humana que vá para o inferno.
Emanoel Barreto
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
All that jazz

sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Oração da Bolsa - ou Vade Retro Mr. Dollar
Cara amiga,Caro Amigo,
Dólar nosso que estais no Inferno,
maldito seja o teu nome.
Não venha a nós o vosso terror
nem seja feita a vossa vontade,
nem aqui, ou em parte alguma.
O pão nosso de cada dia,
não tomai.
Perdoai as dívidas que nunca fizemos,
assim como nós perdoamos tudo o que
nos tomastes.
Não nos deixeis cair na recessão,
mas livrai-nos do vosso Mal.
Amém.
Emanoel Barreto
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Os otários querem futebol
Cara Amiga,Caro Amigo,
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
A guerra do fogo
Cara Amiga,terça-feira, 7 de outubro de 2008
A fera, o ferro e o ferido
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
A perfeição da desgraça
Cara Amiga,Caro Amigo,
A eleição para prefeito de Natal resultou no que se esperava. A Câmara de Vereadores foi re-novada em 50 por cento. E la nave va...
No cenário profundo, uma crise se posta com a força de um tsuname. As elites financeiras, donas de tudo, brincaram demais com dinheiro. Venderam e compraram demais papéis podres e agora, se falharem as medidas que os governos tentam acionar, algum miserável no Brasil ou na Somália, ficará mais miserável. As elites financeiras, não tenha dúvida, sobreviverão; e continuarão maquinando planos para mais lucros, mais fome, mais desolação.
A irracionalidade que domina o mundo desde os tempos das mais antigas civilizações, arremete para mais insensatez, apoiada agora na sofisticação, aprimoramento e agudização da tecnologia, o que permite ao homem chegar à perfeição da desgraça.
Multidões sucumbem ao peso da ideologia e do fundamentalismo, religioso ou financeiro. Nunca a religião deu tanto lucro, jamais as armas renderam tanto. O desvario neoliberal apodera-se de tudo e de todos. Corpos e mentes obedecem docilmente.
E no silêncio grande das favelas e dos becos, surgem novos e novos famintos e bandidos; do mesmo modo que, no silêncio dos grandes escritórios de Wall Street, algum sorriso sarcástico comemora. A crise é só um susto para a síndrome de Tio Patinhas.
Emanoel Barreto
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Nem vida, ou gesto ou destino
Caras Amigas,Caros Amigos,
Tão iguais e cada um sozinho.
Multidão que nem direitos tem.
Para onde vão, não se sabe nem se conta.
O seu tempo é sempre o depois.
E depois que as portas não se abrem,
estão calados e não têm o que dizer.
Suas todas palavras se gastaram,
na garganta a voz se afundou.
E quem não tem palavra, nem gesto nem destino,
já não tem vida, que a vida é isso:
palavra, gesto e destino.
Emanoel Barreto
A vergonha que o fogo não ilumina
Caras Amigas,Caros amigos,
A foto de Joana Lima, do Diário de Natal, mostra detalhe da manifestação de ontem, contra a corrupção na Câmara Municipal de Natal, envolvendo os vereadores Renato Dantas, Adão Eridan, Sargento Siqueira, Emilson Medeiros, Dickson Nasser, Geraldo Neto, Júlio Protásio, Edivan Martins, Salatiel de Sousa, Aluisio Machado, Adenúbio Melo, Aquino Neto e Carlos Santos. Ao que consta, receberam propina da imobiliária Abreu Imóveis para adequar o Plano Diretor de Natal aos interesses da empresa.
Grupos de manifestantes queimaram bonecos que representavam os envolvidos. O protesto chegou a parar o trânsito no Centro. Os jornais, os impressos, digo, cobriram o assunto. Mas, estranhamente, as TVs, não.
Tenho muito tempo de jornal para saber que não existem matérias privativas de impresso e matérias privativas de TV. Muito ao contrário, jornais e TV sempre intercambiaram as informações. Ou seja: material veiculado na TV é aproveitado pelo impresso e vice-versa.
Não é estranho que nenhuma TV tenha tido o cuidado de não cobrir o acontecimento? Incompetência ou coisa mesmo de diretores comprometidos com os vereadores? Ninguém tem vergonha? Ninguém tem ética? Onde está o jornalismo?
Amigas e Amigos: vocês sabem a resposta.
Emanoel Barreto
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Complicado, incoerente, ilógico

terça-feira, 30 de setembro de 2008
Gatilho
Caras Amigas,Caros Amigos,
A arma a alma desarma.
A arma ama a morte.
A arma parte a vida.
A bala, o grito, o fim.
Emanoel Barreto
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
E agora, deus mercado?
Caras Amigas,Caros Amigos,
Venha a nós ó Príncipe Valente,
já que agora o dólar nos faltou.
E quando o deus mercado nos esquece,
valei-nos, ó figuras
saídas da imaginação.
E se o dinheiro é também criado,
é ilusão, é fruto, é criação;
é também farsa imaginada, sempre pronta
a fugir, desfalecer.
E da mesma forma que os heróis
dos quadrinhos sempre nos enganam,
o dinheiro é também astuto.
Só que, farsa, ele é real;
ilusório, pode ser tocado;
e, criação, ele se inverte - e, querendo, pode, até mesmo, matar, roubar, nos destruir.
Emanoel Barreto
