Falta de quorum inviabiliza realização da Assembléia | |
| Com o objetivo de convalidar a decisão da categoria docente em transformara ADURN em Sindicato, a entidade convocou Assembléia para esta quinta-feira, 2 de junho. Obedecendo o horário para sua instalação, a primeira convocação aconteceu às 8h30min, no Auditório da reitoria, com segunda convocação às 9h. Contudo, não foi atingido o quorum necessário para sua realização, com a presença de pelo menos 2% dos atuais 2.278 sindicalizados da ADURN. “Lamento não termos atingido o quorum, pois este é um momento importante para oficializar o caráter livre e soberano da ADURN, escrevendo uma nova página na história do movimento docente. Mas temos a certeza de que a categoria já em diversas ocasiões manifestaram apoio à nossa proposta e que nós queremos encerrar este processo em respeito aos nossos associados”, ressaltou o presidente da ADURN, João Bosco Araújo. A efetivação do processo consolidará a caminhada que teve como ápice o dia 08 de julho de 2010, quando a maioria dos filiados à ADURN decidiu transformar a entidade em ADURN-Sindicato. Os desafios postos ao Movimento Docente exigem uma organização em que a representação respeite as diversidades colocadas no cotidiano dos professores e propicie uma ampliação do espaço de discussão para problemas que se apresentam no seu dia-a-dia. “A categoria disse sim à uma nova fase na história da nossa entidade em que reverenciamos o passado daqueles que construíram a nossa história e que agora entrará definitivamente no universo da organização sindical brasileira, cuja célula é o sindicato. A soberania e a independência da ADURN representará a oportunidade de que a nossa categoria estabeleça, para as futuras diretorias, prioridades nas ações que sejam favoráveis aos professores da UFRN”, enfatiza o diretor de Política Sindical da ADURN, Wellington Duarte. |
"Não é justo alguém ter o direito de ter uma empresa de aviação e outro não ter o direito de comer um pão." /////// JAMAIS IDE A UM LUGAR GRANDE DEMAIS. A UM LUGAR AONDE NÃO TENHAIS CORAGEM DA IMENSIDÃO - EMANOEL BARRETO - NATAL/RN
quinta-feira, 2 de junho de 2011
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O povo está nu ou tristes trópicos
O encaminhamento da realização da Copa de 2014 dá-me a sensação de que autoridades e sociedade vivenciam os efeitos do soma, uma beberagem que as personagens de "Admirável mundo novo" ingeriam para sentir-se felizes e ajustadas a uma dada realidade perversa. Será que ninguém percebe que este país precisa de algo mais, muito mais que estádios suntuosos de futebol, templos alucinados de grandeza voltada a uma aventura desportiva que deixará, especialmente aos mais necessitados, uma herança maldita, uma dívida impagável, um custo social imenso e lamentável?
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| Retirantes, de Portinari: uma visão pungente da condição do povo |
Na imprensa, o que se questiona é se as obras estão ou não atrasadas, criticando-se esse atraso. Não há matérias, editoriais, artigos, ação jornalística incisiva questionando a realização da Copa. Algum jornal já pautou repórter para que vá à África do Sul e veja sua realidade após a Copa ali realizada? Algum jornal já pensou em relatar o que ficou de bom, o que mudou na vida dos pobres e miseráveis daquele país? Não. O que se acompanha é o sonho faraônico, o erguimento da grande pirâmide dos estádios chamados de arenas, onde os jogadores, os neogladiadores, irão se enfrentar em prélios renhidos, lutas pela bola.
O povo geme e chora todos os dias nos noticiários televisivos lamentando sua triste sina ante ataques de criminosos, sofrimento nas filas enormes alinhadas frente a postos de saúde e hospitais que mal funcionam ou não funcionam, escolas onde falta merenda, estradas que desafiam a perícia e a paciência dos motoristas.
A corrupção se alastra como praga incurável e em torno disso há um silêncio grande, no máximo o velho ditado: é isso mesmo.
E assim o povo, adestrado historicamente a esperar felicidade num grito de gol, espera a Copa. E a grande procissão de infelizes canta loas e pede para ver chuteiras em ação. O povo está nu e quer sambar cachaça. O povo está bêbado de gol, esquecendo que a ressaca dessa Copa o levará a uma cozinha vazia. O povo aplaude e ainda pede bis, pois logo depois vai querer a Olimpíada. Tristes trópicos.
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quarta-feira, 1 de junho de 2011
Você não sabia, agora sabe e não aprova
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domingo, 29 de maio de 2011
A beleza de Helena
Leio no Estadão matéria do jornalista Luiz Carlos Merten, do Estadão, a respeito de Catherine Deneuve. No trecho que selecionei, registro inusitado: um dos repórteres ficou literalmente paralisado à frente do mito. Diz matéria:
Passaram-se os anos - as décadas -, mas o tempo continua respeitando a bela da tarde. Catherine Deneuve é uma senhora, mas prescinde das plásticas e do botox para continuar impressionando. Se recorreu ao bisturi, foi com muita parcimônia. A silhueta é que está mais pesada. Ela não é mais a loira delgada que cantava e dançava com a irmã, Françoise Dorléac, em Duas Garotas Românticas (Les Demoiselles de Rochefort), de Jacques Demy. Mas canta no novo Christophe Honoré, Les Bien-Aimés, Os Bem-Amados, que encerrou o Festival de Cannes, no domingo passado.
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Os jornalistas construímos os mitos, exaltamos qualidades e apresentamos defeitos e os mitos aparecem. Positivados ou discrepantes, apolíneos ou bizarros. E muitas vezes, diante de nossa própria obra, caímos a seus pés. A verdade e a ilusão tornam-se aceitáveis desde que lhes tenhamos fé. E assim, diante daquilo que foi criado, perante e beleza de Afrodite, o repórter caiu: como caíam, dizem, as tropas gregas ao ver caminhando pelas cimeiras das muralhas de Troia o perfil magnífico de Helena.
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sábado, 28 de maio de 2011
Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces
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O sangue dos inocentes
Leio na Folha e, abaixo, comento:
MATHEUS MAGENTA
SÍLVIA FREIRE
DE SÃO PAULO
O agricultor Adelino Ramos, líder do MCC (Movimento Camponês Corumbiara), considerado um dos movimentos sociais agrários mais radicais do país, foi morto a tiros ontem em Vista Alegre do Abunã, distrito de Porto Velho (RO).
SÍLVIA FREIRE
DE SÃO PAULO
O agricultor Adelino Ramos, líder do MCC (Movimento Camponês Corumbiara), considerado um dos movimentos sociais agrários mais radicais do país, foi morto a tiros ontem em Vista Alegre do Abunã, distrito de Porto Velho (RO).
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Foi o terceiro assassinato, só nesta semana, de pessoas que estão no levantamento de ameaçados de morte feito pela CPT (Comissão Pastoral da Terra), ligada à Igreja Católica. Na terça-feira, um casal de líderes extrativistas foi morto em Nova Ipixuna (PA).
Ramos era um dos sobreviventes do massacre de Corumbiara, que ocorreu em 1995 durante a desocupação de uma fazenda em Rondônia. No conflito, foram mortos dez sem-terra e dois PMs.
Os ministros Maria do Rosário (Direitos Humanos) e Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) divulgaram nota repudiando o assassinato do agricultor e cobrando da polícia uma investigação rigorosa.
Eles atribuem a morte a uma provável perseguição aos movimentos sociais.
Segundo a CPT, Ramos denunciava a ação de madeireiros na região da divisa entre Acre, Amazonas e Rondônia.
Ele e um grupo de trabalhadores rurais reivindicavam a criação de um assentamento agrário no local.
No início do mês, o Ibama apreendeu cabeças de gado e madeira no local, que é área de preservação ambiental.
"Isso leva a crer que esse tenha sido o motivo de sua morte", disse a CPT, em nota.
Em 2009, Ramos disse à Ouvidoria Agrária Nacional que sofria ameaças de morte.
Segundo a Polícia Civil de Rondônia, o agricultor foi morto a tiros por um motociclista enquanto vendia verduras produzidas no acampamento onde vivia.
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Análise de texto simples revela: o agricultor era "radical". Ou seja: no subtexto está sugerido que o agricultor era "agressivo", "desafiador", "empedernido", "animoso". Portanto, distanciado do que seria de se esperar de "um homem de bom senso", dialogal e sereno. Objetivamente, o agricultor era "ruim" e sendo assim atraiu a si a reação que o matou.
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Percebe como numa só palavra o jornal redigiu todo um editorial? Nota como numa contextualização rasa e pedestre se transfere à vítima a condição de culpada? Esse tipo de jornalismo justifica tudo ou pelo menos amaina e esmaece a fúria de criminosos a soldo de seus mandantes.
Por que não se disse que o agricultor era "coerente" com seus princípios e os efetivava em prática de protesto e denúncia à ação dos que exploram os trabalhadores e ameaçam a natureza?
Nos últimos dias tem sido noticiado um ascenso do número de mortes de trabalhadores do campo e não vejo na imprensa nenhum sinal de indignação, cobrança editorial ao governo federal para que investigue vigorosamente os crimes e, paralelo a isso, envie pessoal de segurança que garanta a vida de pessoas ameaçadas. Mais: não há qualquer ação jornalística exigindo uma política de preservação dos recursos naturais, colocando áreas vitais como setores de preservação permanente.
Os criminosos continuam lavando suas mãos em sangue e esses herodes sabem que sua impunidade é coisa garantida.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Tempos modernos
Com estardalhaço a Rede Globo lançou em forma de noticiário a chegada dos tablets ao mercado nacional. Foi no jornal da manhã, aquele apresentado por Renato Machado. A notícia cantava loas à maquininha e mostrava até a imagem de jovem que alevantava o seu iPad como um troféu. E, você acredita, os infelizes que estavam na filha de compras aplaudiam tão incrível privilégio? Isso mesmo. Depois, claro, todos saíam felicíssimos: ao comprar cada um o seu deixavam a condição de infelizes, acabavam de apalpar a felicidade.
Ressalto: a portabilidade dos computadores, é óbvio, tornou-se algo importante para os dias de hoje. O computador é ferramenta aliada ao nosso, digamos, desempenho diário. Somos, em parte, maquinizados, mas isso é processso histórico que começou quando as máquinas surgiram e fomos obrigados a nos capacitar a seu uso.
A questão é que da forma como as coisas estão sendo encaminhadas pelo marketing o homem, que poderia e deveria usar as máquinas como uma espécie de prótese social para seu desempenho seja no trabalho, no lazer, enfim, na vida cotidiana, protetizou-se em função da relação de deslumbre com aparelhinhos como o iPad.
Você sente-se como que obrigado a usar todos os "recursos" do iPad como se fosse um ritual de inserção aos tempos modernos. Veja bem, a palavra recurso indicia algo a seu dispor e, diz o Houaiss, é um substantivo que designa "meio empregado para vencer dificuldade ou embaraço". Todavia, numa espécie de semântica comportamental, o substantivo, o meio, passou a coisa essencial e coloca o ser humano como periférico adstrito à coisa central, ao "recurso". E a pessoa torna-se modernete com o seu iPad reluzente.
Não nego a importância ou validade da iniciativa em si, como instrumental facilitador de nossas vidas. O que deploro é a forma como isso é vendido, tornando-o grilhão de quem o deveria vivenciar como artefato. A sensação de que se deve comprá-lo, a fim de não "ficar por fora".
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quinta-feira, 26 de maio de 2011
Dinheiro não, trabalho sim
Estão falando em aprovar o financiamento público de campanha eleitoral. Como cidadão, sou contra. Uma campanha nacional repudiando essa manobra chegaria em boa hora. Se não há dinheiro para saúde, educação, segurança, conservação de estradas e aumento do funcionalismo, como há verba para garantir campanha a políticos profissionais?
Outra coisa: o que garante que eles irão desativar o caixa dois? Nada. Assim, é importante que haja um movimento de sociedade civil em oposição a essa, digamos, atitude, que não diz respeito aos interesses sociais.
O caldo de cultura política nacional é farto em exemplos de locupletação dos dinheiros públicos sem que seus usufrutuários sejam punidos. Desta forma, financiar campanha de políticos será literalmente lhes entregar um cheque em branco, dinheiro que será pessimamente empregado. É preciso acabar com a farra. Dinheiro não, trabalho sim.
Financiar campanha política é transformar o esbulho em prática institucional, a matreirice em gesto legalizado, a esperteza em golpe socialmente aprovado. Dinheiro não, trabalho sim.
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Outra coisa: o que garante que eles irão desativar o caixa dois? Nada. Assim, é importante que haja um movimento de sociedade civil em oposição a essa, digamos, atitude, que não diz respeito aos interesses sociais.
Financiar campanha política é transformar o esbulho em prática institucional, a matreirice em gesto legalizado, a esperteza em golpe socialmente aprovado. Dinheiro não, trabalho sim.
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domingo, 22 de maio de 2011
Do Observatório da Imprensa:
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| LÍNGUA & LINGUAGEM Escrever, falar, pensar Por Alberto Dines em 20/5/2011 Comentário para o programa radiofônico do OI, 20/5/2011 | |
| Escrever bem é pensar bem. Quem tirou este ditado do esquecimento foi, aparentemente, o grande jornalista e exímio prosador mineiro Otto Lara Resende. Erro de concordância, além de doer nos ouvidos, atravanca o pensamento, trava a comunicação. Cria ruídos, comunica erradamente. É bem-vinda e salutar a polêmica sobre a correção da linguagem motivada pelo livro didático Por uma vida melhor, do Ministério da Educação, que sugere uma indulgência com os erros de gramática. Este contencioso é um dos melhores serviços que a imprensa pode prestar à sociedade. Mas se a imprensa está efetivamente empenhada em levar adiante a pendência conviria que examinasse o seu próprio desempenho como ferramenta para a divulgação das normas cultas. Missão da mídia Não podemos deixar de reconhecer que a mídia impressa escreve mal, nosso rádio e nossa TV expressam-se pior ainda. São muitas as exceções, mas também muitas são as comprovações da regra. Nossos blogs repousam nos impropérios e o Twitter – como sentenciou o escritor e prêmio Nobel de Literatura José Saramago (1922-2010) – está próximo dos grunhidos. Acontece que estes grunhidos muito em breve poderão constituir um jargão. Este é o perigo, porque o jargão é uma "linguagem viciada, disparatada", segundo o dicionarista Antonio Houaiss (1915-1999). O jargão, na verdade, é uma sublíngua que pode até ser reabilitada e requalificada, mas isso leva séculos. A reversão só acontecerá quando esse jargão for capaz de produzir uma literatura e expressar idéias abstratas. Cabe à mídia, tanto impressa como falada, evitar que o idioma se transforme em jargão. Ela – e não o governo – será a sua primeira vítima. | |
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sábado, 21 de maio de 2011
Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces
Irmã Dulce e o tumulto
--- Walter Medeiros*
O noticiário tem falado sobre a beatificação da Irmã Dulce, neste domingo, 22 de maio de 2011, em Salvador/BA. São aguardadas setenta mil pessoas na cerimônia que mudará a condição daquela que levou a vida realizado um trabalho de valor inestimável em favor dos menos favorecidos. Sua biografia mostra que aquela freira começou ainda jovem a cuidar dos pobres e doentes. Seis décadas atrás ela improvisou uma enfermaria num galinheiro em terreno onde hoje há um hospital que atende gratuitamente 150 mil pessoas por mês e emprega muita gente que ela amparou. E na forma das leis canônicas, a ela é atribuído um milagre considerado comprovado. Irmã Dulce morreu em 1992, aos 78 anos.
A imagem da nova beata, tão marcante – aparentemente frágil, mas ao mesmo tempo tão forte – faz recordar um episódio vivido nos anos oitenta, em Salvador, quando da realização do Congresso Nacional dos Jornalistas Profissionais. Naquela época eu era delegado do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Norte e Diretor da Federação Nacional dos Jornalistas. Havia uma disputa muito grande entre os jornalistas ligados aos partidos da esquerda e o Partido dos Trabalhadores – PT, ao mesmo tempo em que todos lutavam pelas liberdades democráticas, eleições livres, pelo fim do regime militar.
Mas nas discussões, a coisa era bem acirrada. Haviam debates acalorados e qualificados entre companheiros da estirpe de Audálio Dantas, Rogério Medeiros, Armando Rollemberg e tantos outros, que muito fizeram nas históricas lutas da nossa categoria. Numa tarde do Congresso de Jornalistas, havia um impasse, um petista subiu à mesa e tomou o microfone para tentar forçar o rumo da assembléia. A platéia discordou do tumulto e partiu para uma imensa vaia: trezentos jornalistas vaiando a mesa no Centro de Convenções.
Estava agendada para aquela mesma hora uma visita de Irmã Dulce, que proferiria uma mensagem aos presentes. Ela chegou pontualmente e, desavisadamente, abriram a porta que dava acesso ao auditório e a introduziram ao recinto. Em meio àquela ovação, lá seguia aquela freira pequena e magra, de vestes brancas, no rumo da mesa dos trabalhos, debaixo de vaia.
Rapidamente a platéia percebeu, e numa cena impressionante a vaia foi revertida numa sucessão de aplausos jamais presenciada. O clima mudou completamente e ela fez sua rápida preleção.
Depois que ela saiu, não havia mais aquele ímpeto de desacato, de briga, de enfrentamento violento, pois houvera até alguém com um microfone na mão para passar em outro alguém. A assembléia retomou seu ritmo normal e os jornalistas brasileiros concluíram sua pauta de reivindicações e protestos por dias melhores para o povo brasileiro. Recordo bem aquele momento, em que qualquer um percebia que o destino de Irmã Dulce seria algo além daquele seu trabalho social, que por si só já era uma coisa tão inegavelmente divina.
*Jornalista
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Lalo de Almeida/Folhapress
Leio na Folha e logo abaixo comento: Em um abrigo de ônibus da avenida Padre Pereira de Andrade, em Alto de Pinheiros (zona oeste de SP), garranchos coloridos formam um painel de pichações. Na av. professor Fonseca Rodrigues, perto da praça Panamericana, o spray deixa um palavrão e a reivindicação: "Passe livre aos estudantes".
Em toda a cidade, há cerca de 19 mil pontos de ônibus --63% deles não têm cobertura. Apenas 4.000 possuem assentos, que são colocados preferencialmente perto de hospitais, escolas e asilos.
.............
Elegia do povo só
Sina ou sorte perigosa, eis a visão do povo:
largado à própria sorte, cabisbaixo e perdedor.
Acostumado com o medo, se abriga sempre ao léu.
Depois, triste e decaído,
caminha ao seu próprio fim
Nos arrabaldes da vida, se perde onde puder.
Se puder, pede ajuda, que de ninguém não terá.
E tendo o que não é ter
Sabe que jamais terá o que o seria o tal ter.
O povo é um bicho manso,
perdido num campo grande.
É gado que come a fome
E da fome enche a barriga.
Depois nem berrar não pode
Que disso desaprendeu.
E calado segue o passo
Até se tornar jamais.
Vida de povo, vida de gado
Leio na Folha e logo abaixo comento: Em um abrigo de ônibus da avenida Padre Pereira de Andrade, em Alto de Pinheiros (zona oeste de SP), garranchos coloridos formam um painel de pichações. Na av. professor Fonseca Rodrigues, perto da praça Panamericana, o spray deixa um palavrão e a reivindicação: "Passe livre aos estudantes".
A situação de abandono e depredação dos cerca de 7.000 abrigos de ônibus com cobertura da capital foi constatada pela Folha em 20 pontos diferentes, nas zonas oeste, sul e central.
O sentimento comum entre os usuários ouvidos é de resignação. "É comum tomar chuva debaixo do abrigo, mas a gente nem repara, porque já estamos acostumados", diz a doméstica Simone Molica, 42, que estava na avenida Jabaquara.
"Onde há abrigos, estão mal conservados, falta limpeza, pintura e arrumar as coberturas, que muitas vezes estão quebradas", diz a professora Rosa Maia, 37, que esperava um ônibus na av. Brigadeiro Luís Antônio."Às vezes todas as telhas estão quebradas", diz o aposentado Eliakim Bezerra, 69, na rua Fagundes Filho, na Saúde (zona sul). O ponto ficou cerca de seis meses com o teto arrebentado e foi consertado há um mês.
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Elegia do povo só
Sina ou sorte perigosa, eis a visão do povo:
largado à própria sorte, cabisbaixo e perdedor.
Acostumado com o medo, se abriga sempre ao léu.
Depois, triste e decaído,
caminha ao seu próprio fim
Nos arrabaldes da vida, se perde onde puder.
Se puder, pede ajuda, que de ninguém não terá.
E tendo o que não é ter
Sabe que jamais terá o que o seria o tal ter.
O povo é um bicho manso,
perdido num campo grande.
É gado que come a fome
E da fome enche a barriga.
Depois nem berrar não pode
Que disso desaprendeu.
E calado segue o passo
Até se tornar jamais.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
A Adurn como sindicato
Recebi da Associação dos Docentes da UFRN-Adurn, texto que abaixo publico:
Por que o ADURN-Sindicato? Para que a entidade tenha identidade própria e seja, de fato e de direito, um Sindicato,com todas as suas prerrogativas organizacionais e jurídicas.
E o que há de novo no ADURN-Sindicato? Além de adequar a entidade às normas legais vigentes e ao espírito do Novo Movimento Docente, a categoria aprovou um Estatuto que privilegia a democracia direta, instituindo o plebiscito como forma de colocar o associado sempre em consonância com a discussão das grandes questões que envolvam a categoria docente.
Para consolidar o ADURN-Sindicato, 20% dos associados precisam participar da Assembléia no dia 2 de junho e convalidar o que já foi decidido e aprovado pela maioria da categoria em julho de 2010.
Consolidar o ADURN-Sindicato é olhar para o futuro. Para um Sindicato que terá LIBERDADE para decidir seus rumos, SOBERANIA para tratar de temas que tenham impacto direto na categoria e INDEPENDÊNCIA para contribuir para a construção da FEDERAÇÃO de professores das IFES.
Portanto, a Diretoria da ADURN CONVOCA a categoria, pedindo que os colegas façam um esforço para comparecer à Assembléia no dia 2 de junho, no auditório da Reitoria da UFRN.
E o que há de novo no ADURN-Sindicato? Além de adequar a entidade às normas legais vigentes e ao espírito do Novo Movimento Docente, a categoria aprovou um Estatuto que privilegia a democracia direta, instituindo o plebiscito como forma de colocar o associado sempre em consonância com a discussão das grandes questões que envolvam a categoria docente.
Para consolidar o ADURN-Sindicato, 20% dos associados precisam participar da Assembléia no dia 2 de junho e convalidar o que já foi decidido e aprovado pela maioria da categoria em julho de 2010.
Consolidar o ADURN-Sindicato é olhar para o futuro. Para um Sindicato que terá LIBERDADE para decidir seus rumos, SOBERANIA para tratar de temas que tenham impacto direto na categoria e INDEPENDÊNCIA para contribuir para a construção da FEDERAÇÃO de professores das IFES.
Portanto, a Diretoria da ADURN CONVOCA a categoria, pedindo que os colegas façam um esforço para comparecer à Assembléia no dia 2 de junho, no auditório da Reitoria da UFRN.
Fortaleça sua entidade. Participe!
Por uma ADURN Livre e Soberana!
Por uma ADURN Livre e Soberana!
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terça-feira, 17 de maio de 2011
Deu no Observatório da Imprensa:
| COMUNICAÇÃO INCOMUNICÁVEL Quarto Poder pediu demissão Por Alberto Dines em 17/5/2011 | |
| Até recentemente quem estava nas manchetes da mídia impressa era a própria mídia impressa: "O jornalismo no papel vai acabar", "Jornais estão condenados" etc., etc., são títulos fake, obviamente inventados por este observador para retratar o clima funesto e apocalíptico que envolvia e envolve tudo o que se relaciona com a mídia impressa. Acontece que nos últimos tempos o noticiário vem se encaminhado na direção contrária: quem está visivelmente atrapalhada é a vasta galáxia cibernética. E, apesar disso, nem os veículos impressos nem os digitais conseguem recolher, compactar, contextualizar e dimensionar a sucessão de acidentes numa análise serena e ordenada. Em pouco menos de um mês tivemos os buracos na "nuvem" da Amazon, a admissão do fracasso do jornal-tablete The Daily, depois o perturbador aviso da Sony de que as conexões do sistema Playstation foram manipuladas por hackers. Agora são emitidas sérias advertências sobre a iminência de uma bolha causada pela irracionalidade da competição entre as empresas de TI. Campeia uma briga de foice entre os alucinados gigantes do setor. O mundo midiático jamais assistiu a um vale-tudo com estas proporções e intensidade. Real e virtual Entre as dramáticas revoluções ocorridas desde o fim do século 19 no campo da comunicação – pelo menos 10 – nenhuma foi tão drástica, surpreendente, trepidante e desnorteadora como a que estamos vivenciando, como agentes ou pacientes. O grande problema é que este desvario está sendo informado de forma fragmentada, intermitente, insuficiente e disfarçada. A mídia digital não tem fôlego nem perspectiva para se autoanalisar enquanto a mídia tradicional encontra-se tão emasculada e autoaviltada que perdeu suas referências e a capacidade de enunciá-las. "Paramos as máquinas, amanhã estaremos no twitter", proclama o "Cidadão Kane, Parte II". A mídia impressa assumiu-se como moribunda quando anunciou o seu funeral como se fosse façanha. E, enquanto não some definitivamente, saracoteia travestida de internet fingindo-se wired, plugada. O virtual impõe-se ao real, tudo é símile e simulação. Processo irrefreável O espetáculo chamado progresso tem os comunicadores como protagonistas, mas não consegue se comunicar. Estamos vivendo uma hora estelar com a cabeça enfiada na areia e o bumbum apontado para a Via Láctea. Simplesmente porque os papeis estão trocados e truncados – vendedores de maquinetas imaginam-se filósofos e filósofos estão mesmerizados: preferem investir nas bolsas em vez de tomar a sua dose diária de cicuta. É evidente que o processo digital não será revertido, nem freado. É evidente também que esta alucinação generalizada só interessa aqueles que cansaram de ser Quarto Poder. | |
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Transcrito do Forum Nacional dos Professores de Jornalismo
O fim da educação
Nelson Pretto
De Salvador (BA)
Pois quando pensamos que já estávamos no limite, e os colegas Waldemar Sguissardi e João dos Reis da Silva Jr com o seu "O trabalho intensificado nas Federais" mostraram bem o fundo do poço, sabemos através do colega Manoel Barral-Neto no seu blog "Sciencia totum circumit orbem" que pesquisadores chineses estão recebendo um "estímulo" equivalente a 50 mil reais para publicar suas pesquisas nas revistas de "alto impacto" científico, a exemplo da Science. Nos comentários que se seguiram ao texto, tomamos conhecimento com a postagem de Renato J. Ribeiro que a Universidade Estadual Paulista (UNESP) está dando um prêmio de cerca de 15 mil reais para quem publicar na Science ou Nature, duas revistas de alto "fator de impacto".A vida de pesquisador nas universidades está ficando cada dia mais estranha. Quando comecei minha vida acadêmica no Instituto de Física da Universidade Federal da Bahia, recebi logo na chegada um lugarzinho, uma sala com ar condicionado, escrivaninha, cadeira, máquina de datilografar, um telefone - que na verdade não funcionava lá muito bem! -, papel e caneta. Os livros, estavam na biblioteca ou os comprávamos, porque também não se publicava tanto quanto hoje. Dividia a sala com mais um colega e, dessa forma, fazia minhas pesquisas sobre o ensino de ciências e dava aulas na graduação. Depois, passei a integrar o corpo docente da pós-graduação em Educação e, também por lá, sem nenhum luxo e bem menos infra, tinha as condições mínimas para pesquisar sobre a qualidade dos livros didáticos, campo inicial de pesquisa na minha vida universitária.
O tempo foi passando e a universidade foi se especializando no seu novo jeito de ser. Foi crescendo e ganhando força a pós-graduação, apareceram os grupos de pesquisas que passaram a ser cadastrados no CNPq, surgiu o Currículo Lattes - o Orkut da academia -, a CAPES intensificou a avaliação da pós-graduação e... a guerra começou. Com as demandas para a pesquisa cada dia sendo maiores e o com os recursos minguando (o Brasil investe em C&T apenas 1,2% do PIB enquanto os Estados Unidos, por exemplo, investem 2,7%), a avaliação da produtividade - palavrinha estranha no campo da pesquisa científica, não?! - ganha corpo, no Brasil e no mundo. "Publicar ou perecer" virou o mantra de todo professor-pesquisador. Mais do que isso, nas universidades não temos mais aquelas condições básicas dadas pela própria instituição já que, de um lado, ela foi perdendo cada vez mais seu orçamento de custeio e, de outro, as demandas aumentaram muito uma vez que, mesmo na área das Humanas, necessitamos de muito mais tecnologia. Por conta disso, temos que, literalmente, "correr atrás" de recursos através dos chamados editais. Assim, cada grupo de pesquisa vive em função de sua capacidade de captação de recursos - quem diria que estaríamos falando assim, não é?! - e transformaram-se em verdadeiros setores administrativos nas universidades. Demandam secretários, contadores (esses, seguramente, os mais importantes!), administradores, bibliotecários, constituindo-se em um verdadeiro aparato burocrático para dar conta das cobranças formais de cada um destes editais e de suas famigeradas prestações de contas.
Também de São Paulo outra noticia veio à tona recentemente: o resultado da última avaliação realizada pelo Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) apontou que os estudantes não se deram muito bem na avaliação de 2010. É com base no rendimento dos alunos que os professores da rede estadual paulista recebem uma gratificação - um bônus - no seu salário, num esquema denominado "pagamento por performace", implantando no Estado supostamente para "estimular" a melhoria da educação paulista. O que se viu com os últimos resultados é que essa estratégia não funcionou.
E não funcionou porque esse não pode ser o foco da avaliação da educação. A educação, em todos os níveis, precisa ser fortalecida, mas não como o espaço da competição e sim como um espaço de formação de valores, da colaboração e da ética. Em qualquer dos seus níveis, a educação precisa ser compreendida como um direito de todo o cidadão e que não pode ser trocada por uns trocados.
Lembro Milton Santos: "essa ideia de que a universidade é uma instituição como qualquer outra, o que inclui até mesmo a sua associação com o mercado, dificulta muito esse exercício de pensar". De fato, com um dinheirinho extra por cada publicação, com um novo edital disponível para o próximo projeto, com a avaliação da CAPES na pós-graduação batendo às portas, deixando todos de cabelo em pé, e com a lógica do "publicar ou perecer", parece que estamos chegando perto do fim da universidade enquanto espaço do pensar e do criar conceitos. Viramos, pura e simplesmente, o espaço da reprodução do instituído.
E isso é, no mínimo, lamentável. Na verdade, é o próprio fim da educação.
Nelson Pretto é professor e já foi diretor (2000-2004 e 2004-2008) da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia. Membro titular do Conselho de Cultura do Estado da Bahia. Físico, mestre em Educação e Doutor em Comunicação.
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sexta-feira, 13 de maio de 2011
Chuva três dias sem parar
Agrada-me a chuva. Percalços à parte,
o tamboril da água em gotas sobre o telhado,
os vidros embaçados da casa ou do carro,
os passos apressados em meio à torrente que cai,
o recolhimento das pessoas, disso eu gosto.
Agrada-me a chuva.
Tomara que chova três dias sem parar.
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sábado, 7 de maio de 2011
No tempo do monoquini
Nos anos 60 houve um modismo chamado monoquini. Era uma espécie de maiô sem a parte de cima. Mexendo em arquivos da net encontrei este texto de Cristina Ávila ( http://cristinavila.blogspot.com/2009/07/monoquini.html ), que trata do assunto.
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| http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://c1141172.r72.cf0.rackcdn.com/ |
Cobria o corpo a partir das coxas até um pouco acima da cintura, na qual duas tiras finas se cruzavam entre os seios e sobre as costas. Nunca atingiu a popularidade do biquini. O maiô de duas peças, no Brasil, encolheu a parte inferior chegando a deixar as nádegas de fora, transformando-se no famoso "fio dental".
A parte de cima também encolheu, sendo o modelo mais usado o de tirinhas, que faz com que o sutiã seja regulável conforme a vontade da mulher. O topless, muito usado na Europa e em praias de nudismo, tratou antes de abolir a parte superior do biquini e deixou de lado o pouco estético monoquini.
Hoje as versões de biquini variam das mais clássicas, de calcinhas na altura do umbigo tampando toda a nádega, com sutiãs de bojos, miniblusas com drapeados e os tradicionais biquinis coloridos, mínimos, de shapes mais apropriados para o sol nas areias tropicais do que em iates.
A alegria dos desgraçados
Talvez devido às minhas limitações, que são muitas e muito grandes, não tenha percebido o grande valor, importância histórica e relevância social que constituem o cerne da construção da Arena das Dunas, o presumido local onde o Rio Grande do Norte terá a honra de receber jogos da Copa do Mundo. Certamente devido a essas limitações não tenha compreendido o motivo, o porquê da construção desse estádio, bem mais relevante que, por exemplo, a implementação de uma política de saúde consistente ou um sistema de educação público que atenda às demandas do setor.
Sem dúvida, encher a boca do povo com gritos de gol é mais importante que atender a reclamos históricos, é mais desejável que suprir as fomes sociais e promover a partilha das riquezas, tornar o PIB referente econômico de que tudo o que foi produzido terá destinação voltada a aplacar a sede de justiça. Ao que vejo, mais vale atender aos apetites de uns poucos, exatamente aqueles que lucrarão horrores com a construção desse estádio, que a busca da promoção do bem-comum.
As minhas limitações, perplexas, me chamam e me dizem que estamos todos incorrendo numa grande, ilimitada loucura. Uma loucura que provoca consenso e garante que, sim, construir um campo de futebol faraônico é algo imprescindível a Natal: primeiro, porque vamos ser alegres por alguns dias, saciados, empanturrados de futebol; segundo porque, pelo miraculoso espetáculo a ser proporcionado, todos os problemas da cidade serão solvidos nessa maravilhosa poção que envolve e mistura interesses políticos, ganância dos investidores e embotamento das massas.
Essa Copa do Mundo, dizem-me as minhas limitações, é uma intentona, um fato monstruoso; seja pelas suas próprias dimensões ciclópicas, seja pelos interesses perversos que se ocultam em seu manto poderoso e desvairado, oportunista e cheio da gana.
Mas a plateia foi adestrada e quer, pensa que quer e assim quer pensar, em função desse adestramento, que é mais importante um campo de futebol que um hospital que seja digno desse nome - só para ficar nesse exemplo. Então, se é assim, que venha o circo. Depois, os palhaços não reclamem da tragédia que está sendo montada.
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quinta-feira, 5 de maio de 2011
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A morte sim; as fotos, não
Obama diz não às fotos de Osama morto. Isso significa que o fantasma do terrorista persegue de perto as decisões do presidente americano, temeroso do que essa divulgação poderia significar em termos de repercussão midiática junto aos seguidores ou simpatizantes dos métodos brutais do falecido líder da Al Qaeda. Suponho que sejam imagens terríveis, um corpo desfigurado pelos projéteis das armas que o mataram. Seria o estopim mais poderoso para uma onda de violência.
Caso as imagens fossem liberadas, claro, é plausível supor que provocariam literalmente furor. Quando a decisão da morte de Osama foi tomada, é óbvio que o desaparecimento do seu corpo foi cuidadosamente planejado. Levar o cadáver a um local, qualquer que fosse, significaria criar um ponto de peregrinação e reverência, um ambiente com aura de santidade para aqueles que o admiravam. Tudo o que os americanos jamais iriam querer.
Sim, porque se é possível eliminar um vivo, isso não se aplica às assombrações, especialmente o tipo de assombração que Osama de qualquer maneira representa - pelo menos no momento. Mas se se está falando muito nesse assunto, não tenho visto nas coisas de jornal dos noticiários de TV repercussões da morte de Osama junto ao que se convencionou chamar de Mundo Árabe.
Será que não está havendo nada, ou o grande pool da mídia internacional simplesmente está escamoteando o assunto? Uma forma de fazer jornalismo é não fazer jornalismo, ocultar o que se passa, fingir que não existe a fim de fazer de conta que algo não acontece. Mas, suponho, explica-se: seria contraproducente, do ponto de vista das potências ocidentais, refletir o que se passa naquela parte do mundo, uma vez que entraria em conflito com o noticiário exultante com a ação do pessoal da Seal, que matou Osama.
Seria importante o Ocidente saber o que se passa. Seria importante as pessoas saberem o que se passa. A democracia e o bom jornalismo são uma prática e um processo. Seria importante saber o que se passa.
Não querem divulgar fotos e outras imagens? Acho compreensível. Já temos violência demais. Todavia, o jornalismo tem a obrigação de contar o que acontece. Não contar não significa dizer quer não acontece.
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Relembrando a História: plano americano Para Invadir o Brasil
Na reportagem do Fantástico os planos para a invasão de Natal pelas forças americanas na Segunda Guerra.
Reportagem exibida no Fantástico da Rede Globo em agosto de 1999. Documentos revelam que os Estados Unidos invadiriam o Brasil na Segunda Guerra Mundial.
Reportagem exibida no Fantástico da Rede Globo em agosto de 1999. Documentos revelam que os Estados Unidos invadiriam o Brasil na Segunda Guerra Mundial.
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segunda-feira, 2 de maio de 2011
Osama vive
A morte de Osama trouxe em sua essência o signo de sua imortalização como "guerreiro santo" e "mártir". Morreu o homem, ficou sua ideia, mais forte, mais encorpada. Os americanos sabem disso. Sabem o que representa uma figura martirizada. Remember, em polo bem oposto ao terrorista, Martin Luther King. Sabem que a morte de Osama não representou a morte da Al Caeda. Ao contrário, seus seguidores encontrarão motivos para continuar com a sua luta e com seus métodos cuja marca maior é a isídia violenta.
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| Imprensa americana repercute morte de Osama bin Laden |
O terrorismo é maneira infame de se fazer política, e Osama era bem a figura icônica desse fazer. Todavia, os criminosos não se acercaram dos Estados Unidos; antes, os EUA se atiraram às cercanias do chamado mundo árabe com propósitos muito pouco dignos.
Vide o apoio a Israel e as investidas para dominar ou pelo menos controlar a produção de petróleo, a fim de atender à voracidade do mercado estadunidense. A resposta veio da mesma forma: tão suja quando as ações americanas no Oriente Médio e adjacências: agressão e morticínio.
A política externa americana, marcada pelo belicismo e hegemonismo, é a mesma política que permitiu e até incentivou o surgimento de tipos como Osama e todas as suas insanidades. Os talibãs, por exemplo, foram grandemente ajudados pelos EUA quando o Afeganistão era domínio soviético. Foram armados e militarmente instruídos. Tem até um filme de Rambo em homanagem aos citados elementos. Historicamente, isso foi ontem. E veja o que são hoje os talibãs: no desejo de desalojar os invasores soviéticos abriu-se porta a um sistema de crueldade como poucos.
EUA e Al Caeda são duas forças terríveis em suas essências de brutalidade e estupidez. Esse confronto deve continuar. Vai continuar. Mas, para os terroristas da Al Caeda, há uma soturna alegria e um paradoxal conforto: Osama vive.
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domingo, 1 de maio de 2011
O Espião da Pérsia
Nesta noite 1º maio de 1735 fui procurado por um Grão-Predecessor. Grãos-Predecessores são, como se entende pelo seu nomear, facundos e íngremes, o que pouca cousa não o é. Falou-me de atos e fatos e outros sucessos. Todos graves. Disse-me que vinha a cumprir missão de alta voluta e apurar denúncia: seria eu espião a serviço da Pérsia. Defendi-me dizendo que sou apenas um tipógrafo, nada entendendo de tão perigosa arte e seus intentos normalmente sinistros.
Nesta noite 1º maio de 1735 fui procurado por um Grão-Predecessor. Grãos-Predecessores são, como se entende pelo seu nomear, facundos e íngremes, o que pouca cousa não o é. Falou-me de atos e fatos e outros sucessos. Todos graves. Disse-me que vinha a cumprir missão de alta voluta e apurar denúncia: seria eu espião a serviço da Pérsia. Defendi-me dizendo que sou apenas um tipógrafo, nada entendendo de tão perigosa arte e seus intentos normalmente sinistros.
Mas o Grão-Predecessor insistiu que sou espião a serviço da Pérsia, apresentando como prova uma série de corantos por mim impressos. Na verdade, refutei, aqueles papéis nada mais eram que relatos de acontecimentos fabulosos: aparecimento de dragões em eras já tardias, premonições de sibilas, nascimentos de grifos, ataques de súcubos e de íncubos, possessões e mistérios de arte ignota. Com isso queria eu dizer: apenas tratava de coisas do imaginário, coisas que as gentes comentam e temem. Só isso.
Foi pior: para o Grão-Predecessor, isso apenas confirmava ser eu atento e devoto a sucessos tremendos que podem levar os incautos homens simples à sedição e outros gestos de ataque, obstruindo o viver diário calmo e são. E assim sendo, comprovava-se: era eu espião a serviço da Pérsia.
Deu-me, todavia, o benefício da dúvida, desde que provasse, pelo que estivesse a imprimir naquela hora, cousa boa e de sóbria eficácia. Levei-o à minha oficina e ali mesmo fiz rodar a prensa e eis o que leu o Grão-Predecessor: "Anuncia-se que haverá o mundo de ver cousas mais e mais terríveis do que até hoje tem sido visto e acatado como normal e necessário. As novas dizem que haverá mais fogo que nunca e uma futura pólvora chamada de explosão nuclear, que poderá destruir o mundo mil vezes, mil vezes seja ele refeito. Grandes pássaros de ferro voarão os ares e como nas previsões avoengas haverá choro e ranger de dentes."
O Grão-Predecessor, ao ver tais e tamanhas previsões, assumiu postura hierática e disse-me estar ali a prova do meu crime. Insisti em defender-me e disse que esses futuros e presumidos sucessos eram apenas o resultado de sonhos de um velho adivinho, supondo eu que se tratava, tão-somente, de cousas loucas, típicas de velhos adivinhos, prestas a encantar o fabulário popular e curto de pensar. Eu o ouvira em suas fabulações e resolvera por publicar, a título de curiosidade. Somente isso.
E tanto insisti e tanto neguei as provas contra mim, que o Grão-Predecessor afinal manifestou boa disposição, afiançando que as acusações seriam retiradas. E foi-se. Quando saiu, respirei aliviado. Especialmente porque, digo ao leitor, sou realmente um espião da Pérsia.
E tanto insisti e tanto neguei as provas contra mim, que o Grão-Predecessor afinal manifestou boa disposição, afiançando que as acusações seriam retiradas. E foi-se. Quando saiu, respirei aliviado. Especialmente porque, digo ao leitor, sou realmente um espião da Pérsia.
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sábado, 30 de abril de 2011
Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces
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A felicidade dos felizes
Eles são felizes. Caminham seu território feito de fotos coloridas, enquadramento perfeito, acelerando a um futuro azul-turquesa. Ah, como são felizes os viventes desse mundo pleno de coisas amáveis. São os amigos da Fortuna, filhos de ninhos abastados, senhores de festas e de vivas. Mas é ilusão pensar que eles não são à sua maneira sua própria ilusão. E mesmo assim posam de felizes, sabendo que a ilusão é uma felicidade que anda em marcha à ré.
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quinta-feira, 28 de abril de 2011
Só faltam as fadas
O casamento do príncipe William e Kate Middleton é magnificado pela mídia, ávida por histórias de tragédias ou sonhos. A base para isso está no imaginário popular, nos contos de fadas, onde pessoas especiais, príncipes e princesas, reis e rainhas, viviam os sonhos devaneados por milhões.
É como uma volta ao passado, às histórias em que tudo dava certo, os lindos casais enlaçavam núpcias e se tornavam reis bondosos para a felicidade do povo.
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Os velhos costumes ingleses cabem à luva. Carruagens belíssimas tiradas por cavalos oníricos carregam o casal real para a união, gente riquíssima pinga ouro por onde passa e uma espécie de alegria, eufórica, delirante, ganha as telas da TVs e todos pensam estar vivendo um sonho, quando na verdade imergem no escapismo.
Longa vida, longa vida aos príncipes, que principiam no real a realidade de uma realeza que na verdade é imaginária.
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quarta-feira, 27 de abril de 2011
Deu na Folha:
Autor de 'Calvin e Haroldo' cria arte inédita após 16 anos
DE SÃO PAULO
Bill Watterson, o criador de "Calvin e Haroldo", não publica uma tirinha nova desde 1995. O cartunista, porém, resolveu botar um ponto final nesse hiato de 16 anos e arregaçar as mangas por uma boa causa.
Watterson pintou uma tela para doar ao Team Cul de Sac, projeto de outro cartunista, Richard Thompson, que tem como objetivo arrecadar grana para pesquisas sobre o mal de Parkinson. Thompson, inclusive, é portador da doença.
A pintura feita a óleo é um retrato de Petey Otterloop, personagem das clássicas tirinhas intituladas "Cul de Sac", assinadas por Thompson.
De acordo com o blog de quadrinhos do "Washington Post", que divulgou a imagem de tela assinada por Watterson, a campanha conta com a parceria da Michael J. Fox Foundation, mantida pelo ator Michael J. Fox, também portador do mal de Parkinson.
Todos os trabalhos doados pelos participantes dessa campanha devem ser compilados em um livro, segundo o site especializado "Universo HQ". A renda obtida com as vendas dessa publicação será revertida para a fundação de J. Fox.
| Reprodução/Washingtonpost.com | ||
| Após 16 anos sem publicar quadrinhos, Bill Watterson cria pintura inédita para causa beneficente |
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terça-feira, 26 de abril de 2011
Um juiz atravancando o tráfego
Caminhando pelas alamedas do Campus em meio à chuva fina de fim de tarde, encontro, estacionado em frente à Biblioteca Central Zila Mademe, estacionado de maneira irregular, um carro. O carro de um juiz, que ostentava orgulhosamente no vidro frontal o elegante e arrogante decalque "Poder Judiciário - Juiz". O automóvel estava de tal forma colocado que obrigava os demais a entrar em contramão.
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Fico pensando: que sentenças sairão da cabeça desse homem? Qual a noção de Justiça que rege seus pensamentos na hora de decidir? Um homem, um juiz, que se compraz em ocupar lugar indevido, mesmo sabendo que ofende o direito de ir e vir de outras pessoas certamente não é um bom juiz. Não é sequer um juiz, suponho.
É o jeitinho brasileiro. Sem dúvida, se fosse abordado a respeito de seu comportamento se sairia com o velho refrão: "Sabe com quem está falando?" Fico comigo a pensar que esse é o nosso grande problema: sabemos com quem estamos falando. Sabemos que são autoridades, sabemos que são, muitas vezes, as primeiras e infringir as leis que elas mesmas muitas vezes criaram; e as primeiras mesmo a agredir, ferir, abusar, sonegar.
sábado, 23 de abril de 2011
Dos bons procedimentos
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| http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://4.bp.blogspot.com |
Explicou-me que tivera disposição de procurar-me após entreter palestra com o embaixador da Birmânia, um sapientíssimo sapo, também este homem de grandes pensares. O sapo o informara de que eu estava desenvolvendo estudos a respeito dos bons procedimentos e, como seria de bom alvitre, e atinando-se ele a idênticos estudos, se abalara à minha residência.
Sendo eu um discípulo de tais e grandes estudos, agradeci longamente ao orangotango seus préstimos, pois, efetivamente, os bons procedimentos são algo que me enevoam a mente, tão e tão altos são esses estudos que minha mente não os considera empalmar, necessitando assim de um mestre e preceptor. Perguntei o que me poderia ensinar e eis o que se me afiançou:
"Caro alumno, os bons procedimentos já os estudava antigo rei da Mesopotâmia e dele encontrei os alfarrábios de esses registros, escritos em língua morta, mas que a domino bem, são atos perfeitos que devem reger os demais atos, os chamados atos imperfeitos."
Diante de tais esclarecimentos, que jamais minha mente mentecapta os poderia alcançar, trouxe depressa brinde de rum da Jamaica, puríssimo, ao meu interlocutor, e nos abalançamos a falar mais e mais, para gáudio e alegria minha. Acrescentou:
"Os atos imperfeitos são cometidos por seres reles e comuns; e tais seres, sejam homens ou animais, animais ou homens, o que vem a ser a mesma coisa, tanto que orangotango sou e homem ao mesmo tempo, precisam da luz dos maiorais a fim de que possam evoluir a páramos mais altos. E assim, devo dizer, os seres incomuns, dentre os quais me coloco e mim e a ti, meu alumno, buscam os atos perfeitos a fim de corrigir os atos imperfeitos."
Indaguei então como poderíamos fazer tais correções e ele mo respondeu: "Os bons procedimentos somente podem ser ensinados aos reles e aos comuns suprimindo-se-lhes os atos imperfeitos. Desta arte, devo afirmar que tal processo e exata evolução somente dar-se-á mediante um único e só caminho."
Quis eu saber qual era esse caminho e obtive a seguinte resposta: "É preciso, a todos, fazê-los guinchar. Guincando, todos se tornarão seres maiores intelectualmente e mais densos de saber, serão argutos e pensados e proferirão prodígios e explicarão muitas sabenças e outros maiores desígnios. "
Como fazê-los guinchar?, foi a pergunta a seguir. A resposta veio na forma de um vasto e poderoso látego que o magnífico orangotango despachou no lombo de um meu meu criado, solícito e bondoso mordono que nos atendia. A pobre criatura, ao sentir a força do açoite em seu espinhaço, rasgando o golpe o tecido da libré, atirou-se ao chão resfolegando e saltava como um quadrúpede e apresentando na cara ricto de dor. O segundo lepo o fez saltar mais alto ainda e em seguida veio o guincho: terrível, altissonante, pavoroso, quebrando os vidros de todas as janelas do aposento. E guichou a bom guinchar e assim por muito tempo.
Ao cabo de tal fazer, o lacaio ergueu-se e pôs-se a dizer sábias coisas e profundas enunciações, demonstrando que agora estava ilustrado. Retirou-se indignado de minha casa, disse que não mais era mordomo e dirigiu-se a excelso colegiado de sábios enclausurado nos cumes de distante montanha, donde se destacou com pertinência ao fazer proclamas da mais grata filosofia. Tinha aprendido os bons procedimentos, disse-me o vasto orangotango.
De imediato entendi que os reles e comuns deveriam ser açoitados a fim de que, guinchando, pudessem aprender os bons procecimentos. "Sim", asseverou o solene macaco, "é pelo lepo e pelo guincho, é pela sua combinação, que teremos homens mais preparados; e apanhando todos, logo o mundo será habitado por gente que vive de e para os bons procedimentos."
Enalteci as reluzentes palavras e então ele me disse: "Mas vim aqui porque não sabias os bons procecimentos, apesar de estudá-los há anos" e eu o confirmei. Tão logo fiz a confirmação ele voltou para mim o chicote e aí percebi: ia ser chibatado a fim de guinchar e tomar posse daquele saber tão necessário. Rápido como um raio saltei de lado e o látego bateu no chão, rasgando o tapete. Vi que a coisa era séria. Nisso, o hipopótamo, que até então permenecera seentado, atirou-se sobre mim, mas a ele também o evitei.
Então, macaco e hipopótamo tinham virado duas feras a acuar-me. Já não eram mais homens, bichos é que eram. E queriam me ensinar a ser igual a eles, a guinchar igual a eles, a título de aprender os bons procedimentos. Não me dei por vencido e chamei os ajudantes do lar, que acorreram já trazendo cordas e correntes. Ao fim de breve e intensa luta conseguimos dominá-los, entregando-os a feitor de um zoológico, que os levou.
Dias depois - disse-lhe eu, caro leitor, que tais fatos se passaram hoje, mas não leve em conta: o tempo é coisa de pouca valia para mim -, vi nas folhas dos jornais que no zoológico todos os diretores, servidores e visitantes estavam guinchando feito loucos e tal fenômeno não tinha explicação. Para mim tinha: os dois velhacos haviam se libertado e estavam ensinando os bons procedimentos. Rápido como o cão chamei os meus serviçais e todos nos armamos com mosquetes e alabardas, pistolas e pistoletes e agora estamos aqui, trancados em minha casa, esperando pelo ataque que sei logo virá.
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