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sexta-feira, 23 de março de 2012

Chico Anísio: saudade em superlativo absoluto sintético

Não, não morreu apenas um homem, no sentido de um único homem, especial, inteiro, irrepetível. Com ele morreram muitos. Chico era muitos. Seu talento abrigava, como uma vasta casa sertaneja, aquelas de alpendrada larga, a vida de muitos personagens, todos vivos, vivíssimos, em sua verve vivacíssima - isso mesmo, superlativo absoluto sintético.
Folha de S. Paulo

Então, Chico era isso: superlativo absoluto sintético. Reunia em si coisa muita, uma brasilidade inteira, um grande samba exaltação do que seja ser brasileiro; brasileiro, esse modo de vida, estilo de ser: intenso e forte, pianíssimo em cada gargalhada. 

Vá. E onde quer que esteja, incorpore  agora o novo personagem: a saudade, torne-se saudade, seja saudade. Mas, veja só: ser saudade é coisa difícil, para você, não? Digo isso porque saudade, esse substantivo feminino fusco e pardo, cheio de meios tons e desvãos de cinza, sempre tendente à tristeza, tem o dom da despedida e isso não combina com o seu humor.

Mas, enfim, é isso: o Brasil está meio sem graça. Essa a grande realidade. Não tem graça nenhuma perder Chico Anísio. E o pior, Chico, é que o Brasil é uma piada, na verdade, uma grande piada. E você, como ninguém, soube nos fazer ser essa piada. E rir de nós mesmo. E o salário mínimo, ó....

Encerrando, digo: "Adeus, Chico. No mínimo, você era o máximo." 
E como no máximo meu texto é mínimo para dizer o que penso, penso que é melhor não pensar que perdemos o que a gente não devia, não podia perder: você e todos os personagens que moravam em você.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

 Montagner e Maria Fernanda Cândido: o Brasil de presidente novo

 O brado retumbante

Impressionante a forma como a Câmara dos Deputados foi apresentada ontem na minissérie Brado Retumbante: tipos boçais aplicadíssimos em seus computadores, outros presos ao celular: são esses os nossos representantes. Com isso, a produção da Globo parece ser um desses raros instantes de inteligência nas coisas da emissora dos Marinho. 

O ator Domingos Montagner faz o papel de um novo presidente da república, e que república. Cercado por um ministério de tipos ávidos, inconfiáveis, homens de intenções rasteiras, o ator conseguiu assumir expressão facial de um homem inseguro, alguém pisando em gelo fino. 

Ressalte-se o aspecto existencial, bastante humano, do personagem: ao ser acordado por um amigo que o comunica que será o próximo presidente, Paulo Ventura, o deputado que vira presidente de uma hora para outra, está curtindo ressaca pesada - que o diga a garrafa de uísque quase vazia jogada a um canto. 

Vêm a seguir o choque, a perplexidade, o temor da nova responsabilidade por parte de Ventura, veja só: um homem separado, uma voz que prega no deserto da política das espertezas está envolvido com a mulher de um colega, um senador baiano, típico representante da política miúda, feita a retalhos, safada, brasileiríssima.

Temos então a mais pura realidade transposta à ficção. Temos, efetivamente, verossimilhança: representação exata, ou pelo menos aceitável do real pela ficção, que critica o real do qual é ilação. Ficção como realidade escandida, levada às consequências máximas da dramaturgia televisiva, cuja enunciação ganha força exatamente pelos liames firmes com aquilo que representa.

A minissérie é carnavalizada, aqui no sentido de uso do carnaval como elemento crítico e atuante em meio à condição dionisíaca que deflagra: o Brasil como pátria de pilantras - que preguiça. Creio que a série tem tudo para atender a um determinado tipo de público que, à falta de um brado retumbante na vida, ganha esse grito no meio da tragédia que nos chega pelas antenas de TV. A arte de viver com a fé, só não se sabe fé em quê.

domingo, 18 de dezembro de 2011

 Monumentos de lembrança, pessoas-estuário

http://www.google.com.br/imgres?q=joaosinho+trinta&hl
As coisas de jornal da Folha registram a morte de Joãosinho Trinta, Sérgio Brito e Cesárea Évora. Três perfis criativos, pessoas essenciais, saudades que se alongarão como lâminas no azul.
http://www.google.com.br/imgres

É como se de repente o dia se tivesse feito de cinzento e houvesse nuvens pesadas no ar, nuvens chegando ao chão, quase, e se transformando em brumas, pesadelo. 
Há pessoas que são história e estuário. É o caso.

http://www.google.com.br/imgres?q=c+esarea+evora&h
Eles e se fizeram música, carnaval, teatro e vida e agora se transformam em monumentos de lembrança. Invisíveis e eternos.
No registro do jornal biografias terminais em poucas palavras:

Morreu na manhã de ontem, aos 88 anos, o ator e diretor Sergio Britto. Ele estava internado no hospital Copa D'Or, no Rio, havia um mês. Segundo nota do hospital, sua morte foi causada por insuficiência respiratória aguda. O sobrinho dele, Paulo Brito, disse à Folha que o rim do ator não funcionava mais.
 
O carnavalesco Joãosinho Trinta, 78, morreu ontem em São Luís (MA), sua cidade natal. Polêmico, criativo e fiel à máxima de que "Pobre não gosta de pobreza, gosta de luxo", o maranhense foi um dos principais responsáveis por modernizar o Carnaval do Rio.Ele estava no UDI Hospital desde o dia 3. Segundo o hospital, morreu às 10h (11h de Brasília) em decorrência de choque séptico (infecção generalizada), causado por uma série de problemas, como pneumonia e infecção urinária. 
 
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sábado, 18 de dezembro de 2010

Recebo e divulgo release do Clowns de Shakespeare

Lançamento do livro "Contos do Mar"

Finalizando as atividades deste ano, lançaremos nesta próxima segunda-feira (20), às 18h, o livro Contos do Mar, última atividade do projeto Teatro a Bordo, que trouxe alunos da rede pública estadual de ensino para o Barracão Clowns para assistir o espetáculo O Capitão e a Sereia e, em seguida, participarem do concurso de contos sobre o mar. Agora, os onze contos selecionados pela Profa Dra Marly Amarilha serão publicados em livro, a ser lançado neste evento. O lançamento  acontece na Potylivros da Salgado Filho (ao lado do Natal Shopping), com sessão de autógrafos dos autores participantes. O projeto Teatro a Bordo tem o patrocínio da Cosern e da Lei Câmara Cascudo de Incentivo à Cultura.
Sai resultado do Programa BNB de Cultura 2011!
Foi anunciada a relação dos projetos selecionados pelo Programa BNB de Cultura 2011 - Parceria BNDES, um dos mais importantes programas de fomento à cultura do país, que viabiliza a realização de projetos de toda a região Nordeste, além do norte de Minas e Espírito Santo, sem o uso de qualquer tipo de isenção fiscal. Tivemos a alegria de sermos contemplados com a segunda etapa do projeto Cartografia do Teatro de Grupo do Nordeste, que envolve a publicação de livros e o lançamento do portal teatronordeste, com todos os dados levantados na pesquisa. Compartilhamos essa alegria com nossos amigos do Coletivo Alfenim, A Outra Cia. de Teatro, Arlindo Bezerra, O Pessoal do Tarará, Giovanna Araújo, Joana Gajuru, ATA, Bagana, Piollin, Arlequim, Galpão das Artes e todos os demais selecionados! O resultado completo pode ser conferido clicando aqui.

Curtinhas
Foi lançado o livro Arte y oficio del director teatral en América Latina: Bolívia, Brasil y Ecuador, de autoria do pesquisador argentino Gustavo Geirola, que traz entrevistas com encenadores como Amir Haddad, Cibele Forjaz, Marco Antonio Rodrigues, Sérgio de CarvalhoVerônica FabriniCésar Brie, Aristides Vargas Jorge Mateus e o diretor artístico dos Clowns, Fernando Yamamoto.

- Nesta terça (21), às 19h, na Trattoria Bella Napoli, o poeta Carlos Gurgel fará noite de autógrafos de lançamento do seu projeto Dramática Gramática, que inclui um livro, CD, DVD, camiseta e pôster. A noite contará com a participação dos atores dos Clowns César Ferrario e Titina Medeiros, que vão fazer leitura das poesias.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Retábulo, do Piollin (PB) no Barracão Clowns

Nesta semana receberemos no Barracão Clowns o Piollin Grupo de Teatro, de João Pessoa, para uma curta temporada do seu novo espetáculo, Retábulo, que encerra o projeto Piollin 30, contemplado pelo Programa Petrobras Cultural. Retábulo é uma adaptação cênica da narrativa Retábulo de Santa Joana Carolina, de Osman Lins, e tem a direção de Luiz Carlos Vasconcelos. A peça narra a história de Joana Carolina e de todos os seus sofrimentos de mulher simples do povo através de vários narradores. O espetáculo será apresentado nesta quarta (08), às 20h, e de quinta (09) a domingo (12) em duas sessões, às 19h e 21h. Os ingressos custam R$ 10,00 (R$ 5,00 para es tudantes, idosos e clientes do cartão Petrobras), e estarão a venda uma hora antes das apresentações. Mais informações no site do grupo (clique aqui) ou no blog do espetáculo (clique aqui).
 
 
Última apresentação de Sua Incelença, Ricardo III!
 
Após passar pelas cidades de Santa Cruz, Currais Novos e Assu, Sua Incelença, Ricardo III volta a Natal para fazer a última apresentação da sua temporada de estreia. O espetáculo será apresentado no Complexo Cultural da Zona Norte (Av. Dr. João Medeiros Filho, S/N), neste sábado (11), às 20h, com acesso livre. Sua Incelença, Ricardo III tem o patrocínio do Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz, OiBanco do Nordeste, BNDES e Lei Câmara Cascudo, e apoio da Locarx, Camarões, La Tavola, Oi Futuro, Mozzarella e Complexo Cultural de Natal
 
 
Fernando Yamamoto no Produção Cultural no Brasil

Está no ar a entrevista que o diretor dos Clowns Fernando Yamamoto fez para o projeto Produção Cultural no Brasil, iniciativa da Casa da Cultura Digital. O projeto tem como intuito mapear a cultura brasileira a partir das entrevistas com 100 personalidades de todo o país, como os últimos ministros da cultura Juca Ferreira, Gilberto Gil e Francisco Weffort, além de outros nomes como Zé Celso Martinez Corrêa, Nelson Motta, Danilo Miranda, Luiz Carlos Barreto, Hugo Possolo, Sérgio de Carvalho, dentre outros. Além das entrevistas em vídeo no site, no início de 2011 a transcrição de entrevistas mais aprofundadas serão lançadas em livros. Confira clicando aqui.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Recebop e publico texto de Maurício Mota, a respeito do II Festival de Teatro no Rio Grande do Norte

*Definições definitivas?*

No último dia 22 de setembro fui até o Teatro Alberto Maranhão pensando em
inscrever dois de meus trabalhos de dança-teatro, “*Sente-se*” e “*Experimento

nº1*”, produzidos pela [sí-la-bAs] *c. dança* no II Festival Agosto de

Teatro, promovido pelo Governo do Estado do Rio Grande do Norte, através da

Fundação José Augusto. Para minha surpresa, fui impedido de fazê-lo sob a

alegação de que a palavra “Dança”, presente na definição da forma artística

utilizada na concepção e realização destes trabalhos, impedia

automaticamente a possibilidade de, sequer, apresentá-los a curadoria do

festival. O mesmo aconteceu com o projeto MOBILIDADE - grupo de pesquisa e

experimentos em dança e teatro, que tentou inscrever seu trabalho “*Incolor*”.






Eu pensei estar em uma máquina do tempo. De repente estávamos no século 19.

Velhos preconceitos e visões arcaicas sobre a dança, e sobre o próprio

teatro, surgiam na minha frente como se o mundo tivesse parado de girar a,
pelo menos, 100 anos.


Frases como: “Quando for um festival de dança, então você pode se
inscrever!”, ou, pior ainda, “A dança não possui estrutura dramática e por
isso não pode ser considerada teatro!” foram ditas tranquilamente. Antes que
alguém dissesse: “A terra é plana!”, eu fui embora.


Natal tem hoje, dentro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte,
cursos de licenciatura em dança e teatro e a relação híbrida entre estas
duas formas artísticas, um dos elementos primordiais na dança-teatro, são
discutidas e aprofundadas todos os dias. Infelizmente, ao que parece, esta
discussão ainda não chegou aos ouvidos daqueles que gerem, ou digerem, a
cultura local.

Uma obra como “Café Müller”, de Pina Bausch, considerado um dos mais
importantes e revolucionários trabalhos teatrais da 2ª metade do sec. XX,
provavelmente seria excluída do festival, por não ter texto, por não haver
alguém “falando” em cena.

Hoje a troca de informações e experiências tornou-se muito mais forte e
extremamente relevante na produção artística em todos os cantos do mundo.
Infelizmente parece que alguns preferem não ouvir, não saber.


Talvez eu devesse ter chamado meus trabalhos de “Teatro coreográfico” (seria
uma pegadinha e tanto).

Parabéns a todos os trabalhos selecionados, muito sucesso a todos os grupos,
atores e diretores e espero que encontrem uma grande e calorosa recepção por
parte do público. Estamos torcendo por vocês.

Mauricio Motta
Diretor Artístico
[sí-la-bAs] c.dança
http://silabascdanca.blogspot.com/
silabascdanca@yahoo.com.br