quarta-feira, 20 de junho de 2007

Calheiros escorre pela calha, pois ficou acanalhado

Maquiavel ensinava que ao príncipe mais vale ser temido do que ser amado. Quando começou o imbroglio Renan Calheiros, o presidente do senado certamente achava-se temível o suficiente para fazer dobrar a Comissão de Ética. Errou. As repercussões na imprensa, o alarido nacional em torno do caso, mostrou ao senador que esse não é uma história para boi dormir. Nada disso.

Aos poucos, ante cada explosão de manchete ou noticiário de TV e rádio, incluindo-se também a participação opinativa na internet e toneladas de e-mails aos senadores deplorando a situação, Calheiros começava a se recolher. O peso da opinião pública veio a calhar contra uma realidade que se apresenta acanalhada.

E agora, quando até seus pares recomendam que ele renuncie, como mal menor a uma possível perda de mandato, caso as investigações sejam levadas adiante, o senador resiste e diz aos jornais que a palavra "renúncia" inexiste em seu dicionário.

Ao que se vê, ainda para lembrar Maquiavel, faltam a Renan a fortuna, que é o conjunto de circunstâncias favoráveis, fortuitas, para que o príncipe reine em glória e paz; e a virtù, a capacidade de perceber o momento histórico que vive e administrá-lo de tal forma que os bons ventos do poder o levem a porto seguro.

Calheiros, ao que parece, achincalhou o próprio nome.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Renan Calheiros: sua queda vem a calhar

Ao contrário do que os jornais vinham prevendo, e do que repercuti aqui, as condições de sanidade política do senador Renan Calheiros não são nada boas. Até já falam que ele pode, realmente, cair, ser atirado para fora da cadeira de presidente da Casa.

As repercussões, poderosas, junto à opinião pública, estão começando a estilhaçar suas bases de apoio, sejam de aliados, sejam de adversários "simpáticos" à sua cambaleante causa.

As coisas de jornal andam dizendo que até o presidente Lula estaria torcendo para que Renan Calheiros entre pela calha e saia pelo ralo, para que a espetaculosidade deprimente de seu desempenho não venha a respngar no governo, que vive um bom momento, político e econômico.

Do jeito que as coisas vão, com a comissão que o investiga acuada, mesmo que tendende a absolvê-lo, a situação pode se complicar. Político é um animal esquivo, ladino e ligeiro, quando se trata de salvar a própria pele.

Quando virem que Renan subiu no telhado, todos começarão a sumir. O primeiro foi o relator, Epitácio Cafeteira. Quando o bule começou a ferver, ele saiu bem depressa. Político que fala muito corre o risco de queimar a língua.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

...e, de repente, veio a água

Natal está coberta de chuva
e as ruas estão inundadas.
Um frio estranho se espalha
pela cidade, como num abraço triste.

O sol, nosso amigo de tanto tempo,
escondeu-se, sumiu, esqueceu-se de brilhar.
As águas, que no sertão são queridas,
aqui somente trazem enguiços, preguiça
e uma vontade pesada de ficar coberto.

Ficou tudo turvo,
e de repente todas as
ruas se enchem de rios.

Vou até a janela
e vejo essas brumas d'água.
A vida também escorre,
como a enxurrada que segue rua abaixo
engolida nas bocas-de-lobo.

domingo, 17 de junho de 2007

O suplício segundo Marta Suplicy

A ministra Martha Suplicy ao comentar, com ironia e desprezo o sofrimento das pessoas que penam nas filas dos aeroportos usou de expressão grosseira e insensata, ao afirmar que, se não há como resolver o problema, todos devem "relaxar e gozar".

A ministra Suplicy parece esquecer o suplício que é ficar horas, quase dias, à mercê de um sistema instável e inconfiável, como se apresenta a aviação comercial brasileira.

Isso dá bem uma idéia de como as elites vêem os problemas nacionais: com um cruel e despudorado olhar. O povo? Ah, o povo, é como dizia Maria Antonieta: "Se não tem pão, coma brioche..."

A arrogância, a insensibilidade, a empáfia, o pernosticismo da ministra, dão bem uma mostra de que tipo de pessoas està à frente das decisões nacionais. Que pena, uma psicóloga que se apresenta como tão humanista, vá cair num ato falho como esse.

PS: vamor aguardar amanhã o desfecho do caso do bom companheiro Renan Calheiros.

sábado, 16 de junho de 2007

Bendito, louvado seja

Os jornais estão dizendo que amanhã os senadores deverão votar pelo arquivamento do pedido de investigação a respeito das tenebrosas transações do presidente da Casa, Renan Calheiros.

Os aliados do governo e a oposição, ora tremelicante,deverão entender como plenamente aceitável as ações do senador, agora alvo de denúncias de negociações com empresas de fachada, de onde teria saído o dinheiro para manter sua amante e uma filha.

Isso, fora a acusação anterior de que a dama seria manteúda com dinheiro vindo de um lobista.

Assim, só resta dizer: Renan é um bom companheiro/ Renan é um com companheiro/ Ninguém pode negar/ Ninguém pode negar...

Ou, quem sabe, cantar aquele hino antigo, que as velhas ainda hoje entoam em igrejinhas do interior, quando se aproxima a Hora do Angelus: "Bendito, louvado seja."

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Renan e os cornacas

Diz velho adágio que "a culpa condena". Certas coisas por si se mostram e, mostrando-se, são compreendidas como são. É o caso, bastante típico, do senador Renan Calheiros - cujas ligações perigosas com uma construtora, que lhe pagava as contas junto a uma sua amante-, o encaminham até mesmo à possibilidade de perda de mandato.

Em desespero, o político pediu a seus, digamos, iguais, que adiassem para a próxima terça-feira a votação do parecer a respeito de seu decoro (decoro?) parlamentar. O relator da Comissão de Ética, o prezado amigo Epitácio Cafeteira, já disse que não viu nada de mais no comportamento de Renan. Tanto, que pediria o arquivamento do processo hoje mesmo.

Como os mares estavam em procela, Renan e todos os seus cornacas recuaram. A pressão dos oposicionistas valeu e agora o relatório será votado mesmo, dizem os jornais, terça-feira.

Em rápidas entrevistas à imprensa, acuado, Renan cobrou ética aos jornalistas. Não vou comentar.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Um homem de bem

Recebi e transcrevo o e-mail que segue. Enquanto digito esta breve introdução, penso na solidão e na grandeza do brasileiro que vive, com coragem e firmeza, o drama heróico de ser um homem de bem.

Um juiz feito de ferro

O Juiz Odilon de Oliveira, de 56 anos, estende o colchonete no piso frio da sala, puxa o edredom e prepara-se para dormir ali mesmo, no chão,sob a vigilância de sete agentes federais fortemente armados...

Oliveira é juiz federal em Ponta Porã, cidade de Mato Grosso do Sul na fronteira com o Paraguai e, jurado de morte pelo crime organizado,está morando no fórum da cidade. Só sai quando extremamente necessário,sob forte escolta.

Em um ano, o juiz condenou 114 traficantes a penas, somadas, de 919 anos e 6 meses de cadeia, e ainda confiscou seus bens. Como os que pôs atrás das grades, ele perdeu a liberdade. "A única diferença é que tenho a chave da minha prisão." Traficantes brasileiros que agem no Paraguai se dispõem a pagar US$300 mil para vê-lo morto. Desde junho do ano passado, quando o juiz assumiu a vara de Ponta Porã, porta de entrada da cocaína e da maconha distribuídas em grande parte do País, as organizações criminosas tiveram muitas baixas.

Nos últimos 12 meses, sua vara foi a que mais condenou traficantes no país. Oliveira confiscou ainda 12 fazendas, num total de 12.832 hectares ,3 mansões - uma, em Ponta Porã, avaliada em R$ 5,8 milhões - 3 apartamentos, 3 casas, dezenas de veículos e 3 aviões, tudo comprado com dinheiro das drogas. >> >> Por meio de telefonemas, cartas anônimas e avisos mandados por presos, Oliveira soube que estavam dispostos a comprar sua morte.

Os agentes descobriram planos para me matar, inicialmente com oferta de US$100 mil." No dia 26 de junho, o jornal paraguaio La Nación informou que a cotação do juiz no mercado do crime encomendado havia subido para US$ 300 mil. "Estou valorizado", brincou. Ele recebeu um carro com blindagem para tiros de fuzil AR-15 e passou a andar escoltado.

Para preservar a família, mudou-se para o quartel do Exército e em seguida para um hotel. Há duas semanas, decidiu transformar o prédio do Fórum Federal em casa. "No hotel, a escolta chamava muito a atenção e dava despesa para a PF ." É o único caso de juiz que vive confinado no Brasil. A sala de despachos de Oliveira virou quarto de dormir. No armário de madeira, antes abarrotado de processos, estão colchonete, roupas de cama e objetos de uso pessoal.

O banheiro privativo ganhou chuveiro. A família - mulher, filho e duas filhas, que ia mudar para Ponta Porã ,teve de continuar em Campo Grande. O juiz só vai para casa a cada 15 dias, com seguranças. >> >> Oliveira teve de abrir mão dos restaurantes e almoça um marmitex, comprado em locais estratégicos, porque o juiz já foi ameaçado de envenenamento. O jantar é feito ali mesmo. Entre um processo e outro, toma um suco ou come uma fruta."Sozinho, não me arrisco a sair nem na calçada ."

Uma sala de audiências virou dormitório, com três beliches e televisão. Quando o juiz precisa cortar o cabelo, veste colete à prova de bala e sai com a escolta. "Estou aqui há um ano e nem conheço a cidade." Na última ida a um shopping, foi abordado por um traficante. Os agentes tiveram de intervir. >> >> Hora extra. Azar do tráfico que o juiz tenha de ficar recluso.

Acostumado a deitar cedo e levantar de madrugada, ele preenche o tempo com trabalho. De seu "bunker", auxiliado por funcionários que trabalha até alta noite, vai disparando sentenças. Como a que condenou o mega traficante >> Erineu Domingos Soligo, o Pingo, a 26 anos e 4 meses de reclusão, mais multa de R$ 285 mil e o confisco de R$ 2,4 milhões resultantes de lavagem de dinheiro, além da perda de duas fazendas,dois terrenos e todo o gado.

Carlos Pavão Espíndola foi condenado a 10 anos de prisão e multa de R$ 28,6 mil. Os irmãos Leon e Laércio Araújo de Oliveira, condenados respectivamente a 21 anos de reclusão e multa de R$78,5 >> mil e 16 anos de reclusão, mais multa de R$56 mil, perderam três fazendas. O mega traficante Carlos Alberto da Silva Duro pegou 11 anos, multa deR$ 82,3 mil e perdeu R$ 733 mil, três terrenos e uma caminhonete. Aldo José Marques Brandão pegou 27 anos, mais multa de R$ 272 mil, e teve confiscados R$ 875 mil e uma fazenda.

Doze réus foram extraditados do Paraguai a pedido do juiz,inclusive o "rei da soja"no país vizinho, Odacir Antonio Dametto, e Sandro Mendonça do Nascimento,braço direito do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. "As autoridades paraguaias passaram a colaborar porque estão vendo os criminosos serem condenados."

O juiz não se intimida com as ameaças e não se rende a apelos da família, que quer vê-lo longe desse barril de pólvora. Ele é titular de uma vara em Campo Grande e poderia ser transferido, mas acha "dever de ofício" enfrentar o narcotráfico. "Quem traz mais danos à sociedade é mega traficante. Não posso ignorar isso e prender só mulas (pequenos traficantes) em troca de dormir tranqüilo e andar sem segurança."

terça-feira, 12 de junho de 2007

Renan perdeu o decoro? Que nada, Renan é um bom companheiro

Um por todos, todos por um!
O brado dos Três Mosqueteiros, que eram quatro - e defendiam a lei e a ordem - está funcionando para defender e blindar um político alvo de grandes suspeitas, o presidente do senado, Renan Calheiros, suspeito de ter despesas pagas por um lobista. Despesas com uma mulher, teúda e manteúda por Renan - com o dinheiro dos outros, dizem os jornais.

O que se percebe é uma espécie de ação entre amigos. Não querem ver o colega, egresso dos tempos de Collor, flagrado, após deflagrado um processo sério de investigação parlamentar.

Não querem é um processo sério de investigação parlamentar. É o velho hábito dos políticos brasileiros: unir-se em defesa não da instituição senado, mas em favor de uma corporação, um sistema fechado e disposto e se defnder, a fim de perpetuar-se no poder, seja qual for o preço.

E, de preço, esse povo entende bem. Nada vai acontecer, o povo esquece com facilidade. E mais, logo,logo, vem o Pan. E aí, vão todos vibrar com os atletas brasileiros, já pensou?, ganhando medalhas de ouro. É luxo só.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Querem impedir a PF de trabalhar bem: que coisa feia...

O ministro Tarso Genro, da Justiça, está desengavetando um projeto que restringe a ação da Polícia Federal no uso de grampos, em investigações.

Sob a alegativa de que é preciso parcimônia, serenidade e seriedade na escuta das conversas telefônicas de bandidos de colarinho branco, o ministro quer que, antes de chegar a um juiz e ser liberada (ou não), a autorização para o grampo deve passar, necessariamente, pelo crivo do Ministério Público, opinando sobre a matéria.

O objetivo seria impedir abusos ou distorções, quando se trata de investigações sobre meliantes ricos. É claro. Afinal, se eu sou rico, estou nas colunas sociais, incensado por esses jornalistas de festim, que celebram a boa vida e a futilidade de socialites e figurões, não posso, de uma hora para outra, ser exposto ao achincalhe de ser metido em um camburão por um carrancudo agente da PF que me pegou falando ou fazendo negócios feios. Assim, nada mais justo que restringir a ação da polícia.

Na verdade, estamos vivendo o seguinte: a Polícia Federal nunca atuou tanto e tão bem, com ampla repercussão de mídia, até mesmo desmascarando autoridades do seu próprio sistema hierárquico.

Seria o caso, sim, de dar-se mais e mais apoio aos agentes, para que continuem a agir, com precisão e efetividade. Num país onde a corrupção é endêmica, onde temos sempre um jeitinho para resolver até questão de fila em banco, uma instituição que leva a sério o seu trabalho precisa ser respeitada. O problema é que estão pegando até mesmo o irmão do presidente e um seu compadre.

Nada mostra que o presidente tenha algo a ver com as irregularidades. Mas, por precaução... é melhor reduzir o empenho dos agentes... É triste, mas é verdade: a mentira, com isso, pode se safar, de quem a persegue, para prender quem a pratica.

domingo, 10 de junho de 2007

Como nos interrogatórios...

Hoje não é o Dia da Poesia. Mas resolvi escrever sobre o assunto. Dia da Poesia não quer dizer que é o dia do verso, aquele conjunto de palavras que, ao fim da leitura de uma quadra, por exemplo, resulta numa rima.

Não, poesia é muito mais. Poesia é sentimento, é interioridade vivida internamente e exposta pela palavra. É panorama humano íntimo que deságua no gesto escrito, o poema.

Creio que seja até mesmo mais que isso: poesia é ato de viver, poesia é ato de coragem. Coragem de ser dissidente, coragem de se expor ante aqueles que pensam que tudo sabem, que tudo podem e por isso tudo pedem.

Poesia é atitude voltada para a reflexão. Portanto, está parada dentro de você, muito embora seja, dentro dela mesma, um redemoinho.

Poesia é feita a passos de ferro.
Poesia é caminho que não vai a lugar algum,
uma vez que o poeta
busca sempre a incerteza jamais o porto.
Sem o porto, ele parte;
em parte fica;
em partes se desfaz;
em partes se constrói;
em parte vira luz.
Depois, tudo escurece.
Só isso.
E, como nos interrogatórios,
nada mais digo,
nem nada mais me seja perguntado.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Vade retro...

O Estadão publicou a seguinte matéria:
"MIAMI - Sônia e Estevam Hernandes, o casal fundador da Igreja Renascer, confessaram nesta sexta-feira (ontem), dia 8, serem culpados por contrabando de divisas para os Estados unidos, em audiência realizada em Miami.
O casal Hernandes foi preso no dia 9 de janeiro, quando chegava aos Estados Unidos, tentando entrar com US$ 56 mil não declarados, sendo US$ 9 mil dentro de uma Bíblia."


Estavam aí, literalmente, os trinta dinheiros. Estavam dentro de uma Bíblia, a profissão de fé no dinheiro e a crença do casal Hernandes. Um demonstrativo exato do quanto é rentável a manipulação da crendice popular, numa seita que se volta totalmente para o lucro e enriquecimento ilícito, por parte de quem se se apresenta como alma devota e piedosa.

Mas, ninguém se engane, o casal é milionário e suficientemente poderoso para se safar da prisão nos Estados Unidos e, claro, no Brasil também. Diante de tais falsos profetas só nos resta dizer: oremos.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

Grupo de elite se reúne para aplaudir as prostitutas

Na sociedade de consumo, dependendo do lucro que possa dar, até mesmo comportamentos de grupos marginais podem ser absorvidos/absolvidos e enfeixados em grifes e fama decorativa, passageira, volátil, e com alguma lucratividade.

É o caso da marca Daspu, criada pela ONG Davida, que reúne prostitutas com o objetivo de criar uma consciência de grupo, um sentimento de pertença e de auto-estima através da moda, roupas inspiradas nas peças que as mulheres usam quando estão, como dizem elas, na batalha. A intenção é boa e já começa a ser estudada pelo sistema de lucro, esquadrinhando o mercado. Se der, deu...

Noite passada, em paralelo à Fashion Rio, a marca Daspu promoveu desfile de prostitutas e travestis numa livraria e um bom público aplaudiu. Aplaudiu,certamente, o inusitado. Afinal, pessoas bem-pensantes, gente cabeça, jamais iria negar umas palminhas às moças. É de bom-tom, politicamente correto, atirar aplausos às causas dos desvalidos, gauches e assemelhados.

Mas, daí até à aquisição de alguma roupa provinda da marca, suponho que haja uma grande distância. Rapazes e moças de classe média, é verdade, usam calças jeans que vêm de fábrica "rasgadas" ou "desbotadas", para dar a falsa impressão de roupas velhas, utilizadas por um usuário despojado. Há um certo ar falsificado de casualidade blasé, uma impostação comprtamental.

Mas entre a moda blasé e a moda Daspu vai uma distância abissal. A primeira reafirma as condições de classe, o poder econômico charmoso de pessoas que podem esbanjar dinheiro - essas roupas são caríssimas; a segunda afirma uma posição, uma situação sócio-econômico-grupal marginalizada. Assim, migrar de uma roupa de grife internacional para uma marca brasileira e ainda por cima criada por prostitutas, teria o significado de adesão a uma causa, engajamento e... pertencimento. Não creio que haja tal possibilidade.

As intenções da ONG são boas, mas há um impeditivo social a demarcar territórios e grupos. A fronteira é invisível, mas mantém - é isso mesmo - cada um em seu lugar.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Eles querem mais, muito mais

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), vai entrar na Justiça tentando derrubar decisão de uma juíza, que está impedindo que os deputados federais embolsem mais 15 mil reais a título de indenização com despesas como gasolina e alimentação, desde que comprovadas os gastos com notas fiscais.

O deputado acha que os 16 mil reais que ele ganha são pouco, fora as demais mordomias financeiras que os parlamentares têm. E há até mesmo deputados que pensam em preparar um processo contra a juíza, para que o judiciário a puna, por proteger o patrimônio público.

Os políticos brasileiros precisam entender que um mandato não é um cheque em branco, que lhes foi dado pelo eleitorado, a fim de que se locupletem com os dinheiros públicos.

Um mandato é, na verdade, uma autorização popular para que alguém represente o povo e em seu nome possa legislar. Só isso. Jamais uma feira onde negocistas de todas as espécies vão com tremenda sede e terrível fome de dinheiro.

Ao que parece, há políticos que precisam não de um mandato, mas de um mandado, um mandado de prisão, para que, literalmente, paguem pelo mal que tanto causam.

sábado, 2 de junho de 2007

As dores, os gritos, a manchete, o medo

As dores do mundo são dores antigas, dores experientes, treinadas no sofrer e adestradas em persistir. São dores que vivem com o homem desde os antropóides, as hordas, os impérios antigos, as lendas, os mitos. As dores do homem são velhas mazelas, endêmicas e eternas ao próprio homem.

As dores do homem são fotos e letras no jornal, imagens e gritos na TV, rugidos no rádio, paisagens feias nas revistas.

As dores do homem são manchetes que temos na alma e que, todo dia, se renovam. São sempre a mesma coisa. Somente mudam de cara. São cores escuras, pesadas e frias; eternas e más, soturnas e duras. Se derretem alma adentro e sabem que dali brotarão sempre. As dores do homem. As dores do homem. As penas do homem.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Crônicas para Natal

A estrada que reluz

Os carros cruzam sua pista,

como alguém que segue
um roteiro de sonhos.

A Via Costeira, perfil delicado

da geografia urbana de Natal,
é como um véu transparente,
que revela a beleza do Atlântico,
gravado ao fundo e perto do horizonte.

Caminho ágil de asfalto,

a Costeira é como um território de magia,
onde a beleza é ponto de referência todo dia.

Via Costeira,

começo da amplidão que ouve o mar.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

A Polícia Federal está agindo. E muito bem

Como o trabalho da Polícia Federal está incomodando criminosos ilustres, ou seja, capturando bandidos ricos, alocados em altos postos sociais, políticos ou da magistratura, começam a surgir "críticas" ao trabalho dos policiais, que estariam, desnecessariamente, expondo tais criminosos à mídia e, conseqüentemente, ao olhar público, à necessária e justa execração popular.

As elites são assim: enquanto a polícia prende, pretos, pobres e prostitutas, tudo bem. Mas quando as algemas da lei alcançam alturas mais imaculadas, falsamente limpas, aí, não: as ações precisam ser conduzidas com cautela, pois Dr. Não-sei-quem é cidadão honesto, acima de qualquer suspeita e, claro, a polícia está agindo de forma espalhafatosa, buscando colocar-se acima dos homens de bem.

O que a Polícia Federal está fazendo é mostrar à sociedade como o mundo da política e dos negócios tem um lado pernicioso, tanto quando o do assaltante de quadrilha, do traficante poderoso, que já está se constituindo como que numa espécie de cultura, ou pelo menos prática historicamente reiterada.

Os agentes devem, sim, continuar prendendo e trazendo a público as figuras criminosas. Mesmo que depois sejam todos liberados por habeas corpus, ficaramos sabendo que a lei deve ter resultados, amplos gerais e irrestritos.

sábado, 26 de maio de 2007

Eles não sabem o que fazem

Qual a importância de o Brasil sediar, no Rio de Janeiro, esses tais Jogos Pan-americanos? Quais os benefícios que as gentes daquela infeliz cidade terão a receber? Não teria sido melhor que o dinheiro tivesse sido repassado para obras de cunho social, melhoria do aparelhamento policial, escolas, enfim qualquer coisa que tivesse resultado voltado para algo mais sério e efetivamente necessário?

O Brasil precisa acabar com essa vivência de pão e circo para o povo, e dinheiro e benesses para as elites. Não há qualquer importância em termos atletas ganhando medalhas de ouro ou do que seja - a não ser que sejam patrocinados por empresas privadas -, enquanto as favelas gritam de fome, os bandidos arrasam e martirizam crianças. Dinheiro público deve ser usado para servir ao povo.

O Pan vem aí e as TVs vão fazer a festa, belíssimas fotos estarão em todos os jornais, as rádios estarão vibrantes dando vivas... E muita gente que passa mal e tem no futuro algo incerto e não sabido, estará com um sorriso desdentado também comemorando uma vitória de tolo, certa de que, de alguma forma, foi campeão de alguma coisa.

É verdade. É verdade: eles não sabem o que fazem.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Crônicas para Natal

Cidade mulher

Natal mulher.

Descobridora de pétalas,
filha do sol,
amiga da beleza,
desenho íntimo do instante feminino.

Grávida de paz,

mãe de todas as belezas,
teus olhos cultivam a alma da vida.

Cidade de espumas.

Artesã de teias invisíveis.
Menina linda.
Que se atira, doce, aos caminhos da beleza.

E que dorme, bela,

no silêncio do mar
profundo e manso.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

E Romário faz seu milésimo gol. Mas...

Pronto. Romário fez o milésimo gol. Tarefa cumprida? Não. Pelé, a quem tomou como modelo para chegar ao recorde, já avisou pela imprensa: "Fala para ele que agora só faltam 282 gols", referindo-se ao total de gols que fez, quando participou das equipes do Santos, Cosmos e Seleção Brasileira, ou seja: 1.282 gols.

A pobre e vã filosofia do senso comum, que estabelece metas, entrona ídolos, determina comportamentos e padrões capturou o jogador, como captura qualquer pessoa que não se aceite dentro de sua própria realidade e busque desesperadamente ser como outro.

Ele não fez o gol para si, nem por si. O Gol foi feito para a mídia, para os outros, para a multidão de rostos anônimos que acompanham o futebol. E nem foi no Maracanã... A TV Globo, que serviria de termômetro para avaliar a importância do evento, não transmitiu o jogo. Por aí já dá para sentir a importância do tal milésimo.

Carreiras profissionais são irrepetíveis. Olimpianos jamais são completamente imitados. Alguém pode até ser tão grande quanto outro, mas jamais será aquele outro - e Romário nem foi tão grande quanto Pelé.

Precisamos aprender a viver e a ser como nós mesmos. Senão, estaremos sempre cumprindo um trabalho de Sísifo, empurrando com o peito uma pedra até o alto de uma montanha. Lá em cima ela despenca e começamos tudo de novo.

Romário fez os mil gols, mas Pelé já avisou: ainda faltam mais alguns...

domingo, 20 de maio de 2007

Crônicas para Natal

O hospital feliz

Gerações inteiras

brotaram na Maternidade Januário Cicco.

Grandes paredes,

largas portas do futuro,
abertas para os primeiros passos
das gerações que nascem,
a maternidade é um hospital feliz.

A Maternidade Januário Cicco

é o precioso templo da vida,
dedicada sempre ao trabalho do nascer.

Aqui, o choro é sempre bem-vindo.

É sinal de que o
tique-taque da jornada

começa para quem acabou de chegar
e nem sabe que comprou o bilhete.

Aqui, pais mães e filhos

experimentam as primeiras emoções do abraço.

E assim, a Maternidade Januário Cicco será,

sempre, com os seus pequenos filhos do amanhã,
o jardim da infância de Natal.

sábado, 19 de maio de 2007

E aí, Romádio faz o gol mil?

Desde março Romário espera fazer o seu milésimo gol. Dizem que isso pode acontecer domingo, contra o Sport. Ao que parece, tudo conspira para que a realização do jogador, em final de carreira e buscando a todo custo essa consagração remendada, seja bastante difícil. Tanto, que ele vem tendando, tendando, e não consegue.

Já falei aqui a respeito disso: da necessidade de obtenção dessa espécie de troféu, que chega temporão e, a meu ver, tristonho como um entardecer de inverno.

Na verdade o jogador, se chegar a fazer o milésimo gol, não estará comemorando, mas, tão-somente, cumprindo uma espécie de capricho de última hora - que não chega no apogeu da carreira, do prestígio, da glória.
Caso não consiga o, digamos, feito, vai esperar uma nova partida, para tentar novamente. O que seria consagração passa a ser ansiedade, angústia, terror, necessidade de alcançar algo que deveria ter sido atingido há já muito tempo e no tempo certo.
Se demorar mais, será patético. De qualquer forma, há algo de algo de bisonho e rasteiro: a busca do tempo perdido, da glória que não volta mais.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

A masmorra da alma

Deu na Folha Online:"A Justiça permitiu que o advogado Adenilson Alves de Brito, preso desde 2006 acusado de participar do seqüestro de um menino de 6 anos, em Arujá (Grande São Paulo), cumpra prisão domiciliar, como prevê o Estatuto do Advogado.Ele está na cadeia pública de Barueri (Grande SP) e poderá voltar para casa. O problema é que a casa do acusado fica no mesmo condomínio onde mora a vítima."

As situações do cotidiano absurdas muitas vezes, infames outras tantas, inaceitáveis constantemente, nos remetem a acontecimentos como esse: um suposto algoz liberado para conviver com alguém que teria sito a sua vítima.

O inusitado da situação lembra algum desses filmes de TV, quando a vítima tem que se esgueirar, para manter-se viva. Imaginne-se o pânico, a ansiedade, o medo, a insegurança dessa família e especialmente do menino que foi seqüestrado.

A matéria da qual retirei a informação está redigida nesse estilo lamentável que o jornalismo encontrou para ser feito na internet: períodos curtos, texto obscuro, nenhuma sensação de emoção ou indignação com o fato. Trata-se da objetividade omissa, da neutralidade que termina por compactuar com o suspeito.

Frente à situação que poderá passar a viver, esse menino já está se sentindo, por antecipação, na situação de seqüestrado novamente. Está preso ao cárcere do seu medo e acorrentado à masmorra da alma, das coisas terríveis que os humanos sabemos cometer.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Lá vem Mr. Dollar descendo a ladeira

Contingências internacionais, algum equilíbrio interno, enfim, um momento econômico mundial propício, é o dólar está caindo. Setores da economia comemoram. Saindo dessa coisa puramente econômica, lembro que Morais Moreira tem uma composição que diz "Lá vem o Brasil descendo a ladeira".

Refere-se aos moradores de morros, sambistas, gente do povo, trabalhadores e equilibristas que descem ao asfalto para dizer: "Estou aqui, existo, logo penso." A metáfora do compositor baiano alude à presença das gentes discriminadas, descendo a ladeira em procissão, digamos, sócio-hedonística, para fazer música e dizer que não aceita ficar calada.

Com a queda do dólar, vamos imaginá-lo como um americano bêbado, que subiu à favela, embriagou-se, se deu mal e agora vem, aos trancos e barrancos, caindo, falando seu idioma enrolado, sem saber o que fazer.

"Lá vem Mr. Dollar, descendo a ladeira!", gritam os moleques. Ele tenta se aproximar da uma cabrocha cheia de dengos no samba, tropeça e cai, para alegria da multidão, os apupos e a grita geral: "Tem nego bebo aí! Tem nego bebo aí!"

A queda do dólar, que é flutuante, está ao sabor do momento. Seria bom que a ela se somasse efetivamente uma tomada de crescimento sólida, firme, direcionada, para tirar esse País do pé da ladeira e levá-lo lá para o alto, transformando-se as favelas em Olimpos de resistência, cidadania e coragem para o futuro.

Mas, como isso está muito difícil, vamos imaginar esse Mr. Dollar bêbado e levando pernadas no meio da multidão.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Quando a vaidade chega ao plenário

A eleição de personalidades midiáticas a cargos no Legislativo, além de revelar a descrença do brasileiro para com os, digamos, políticos profissionais, aponta para um perigoso pessimismo: não adianta votar nessas pessoas, então vamos escolher um palhaço, ou algo assim, é o que diz o senso comum.

Foi essa descrença que resultou na eleição do costureiro Clodovil Hernandes. Figura polêmica, ególatra, narcísica, ele não perde uma oportunidade para se projetar e usa o plenário como um palco ou estúdio de TV.

Além de em nada contribuir para com o debate da cena nacional, o costureiro agora está envolvido num contencioso com a deputada Cida Diogo (PT-RJ). Grosseiro, ele agrediu verbalmente a deputada, a quem chamou de feia e incapaz até mesmo de se prostituir, pelo fato mesmo de ser uma mulher feia.

A desinteligência está causando discussões que envolvem as deputadas,que se sentem agredidas e querem alguma punição a Clodovil. Nada mais justo.Clodovil deveria estar cuidando de vestir mulheres que se pretendem elegantes, em vez de estar pisando o chão da Câmara dos Deputados, onde há assuntos bem mais sérios que as conversas de damas da alta sociedade.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Crônicas para Natal

Os grãos do passado

Pedras antigas,

grãos do passado de Natal,
respingam essa rua
esquecida e solitária,
ao lado do Solar Bela Vista.

Rua de calçamento irregular,

suas pedras rudes
fervilham sob os pés
de quem a caminha.

Essas pedras são
devoradoras de passos;
como, na própria vida,
muitos dos nossos passos se perdem.

Rua antiga,

esquecida numa das dobras da cidade,
esperemos que fiques assim,
como um velho livro.
Guardando, para sempre,
lembranças de passos
que não voltam mais.

domingo, 13 de maio de 2007

Hoje, um pouCo de serviço no Coisas de Jornal. Abaixo, uma série de dicas a respeito da ação de hackers, que podem invadir seu computador, espionar e até apoderar-se de dados pessoais. Segue a transcrição do Boletim do Consumidor, que trata do tema:

O CONSUMIDOR-RS obteve os itens da lista abaixo, que são criados por hackers para invadir seu pc (vírus, invasores, espiões, etc). Nossa orientação é que não clique em nada! Em nenhum link! Se você receber um ou mais desses e-mails, apague (exclua) imediatamente.

Os links dos hackers:- Amores On-line - cartão virtual -
Equipe Carteiro Romântico - Uma pessoa que lhe admira enviou um cartão;
- As fotos que eu tinha prometido. Álbum pessoal de fotos;
- AVG Antivírus - Detectamos que seu E.Mail está enviando mensagens contaminadas com o vírus w32. bugbear;

- Aviso - você está sendo traído - veja as fotos;
- Aviso - você está sendo traído - veja as imagens do motel;
- Banco do Brasil informa - Sua chave e senha de acesso foram bloqueados - Contrato Pendente - Clique para fazer atualização;

- Big Brother Brasil - ao vivo - quer ver tudo ao vivo e ainda concorrer a promoções exclusivas? Clique na fechadura;
- Câmara dos Dirigentes Lojistas - SPC - Serviço de Proteção ao Crédito - Notificação - Pendências Financeiras - Baixar o arquivo de relatório de pendências;

- Carnaval 2005 - veja o que rolou nos bastidores do carnaval de São Paulo;- Cartão Terra - eu te amo - webcard enviado através do site Cartões Terra;
- Cartão UOL - I love you - você recebeu um cartão musical - Para visualizar e ouvir escolha uma das imagens;
- Cartões BOL - Você recebeu um cartão BOL;
- Cartõesnico.com - cartõesnico.com - Seu amor criou um cartão para você;
- Checkline - Consultas de crédito on-line - Consultas no Serasa/SPC;

- Claro Idéias - Grande chance de ganhar meio milhão de reais em ouro e 18 carros;
- Colaneri e Campos Ltda - Ao Gerente de Vendas - orçamento de material e equipamentos em urgência;
- Correio Virtual - hi5 - Seu Amor te enviou este cartão;
- CPF cancelado ou pendente de regularização - verifique; seu CPF está cancelado;
- Declaração de Imposto de Renda de 2005/06 - Ministério da Fazenda - CPF Cancelado ou Pendente de Regularização;
- Ebay - your account could be suspended - Billing Department;- Embratel - Comunicado de Cobrança - Aviso de Bloqueio;
- Embratel - Notificação Confidencial - Fatura de serviços prestados Clique para detalhamento da fatura;

- Emotion Cards - UOL - Parabéns você recebeu um Presente Virtual;
- Febraban - Guia de Segurança - Febrasoft Security;-
Finasa - Nossa Caixa - Fraudes Bancárias -
Febraban;- Fininvest - débito em atraso - pendências financeiras em seu CPF/CNPJ;
- Ganhe uma viagem a Paris - Guia Paris Lumiére;
- Gmail - Gmail Amigo Oculto - Baixar Formulário - E-mail de 1 Giga;- Humortadela - Piada animada sempre amigos;
- Humortadela - você é 10 - acesse o link e sacaneie;
- Humortadela - você recebeu uma piada animada - Ver Piada Animada;
- Ibest - acesso grátis e fácil - discador ibest - 0800 conexão sem pulso telefônico.

Grátis - Download;- Larissa 22 aninhos - www. mclass. com. br - clique aqui e veja o vídeo;
- Martins Com Ltda - Setor de Compras - Orçamento;- Mercado Livre - Aviso - Saldo devedor em aberto na sua conta - e pagamento não for quitado acionaremos departamento jurídico;
- Microsoft - Ferramenta de remoção de softwares Mal-Intencionados do Microsoft Windows - Windows XP fica a cara de quem recebe um cartão Voxcards;
- Microsoft Software - Este conteúdo foi testado e é fornecido a você pela Microsoft Corporation - Veja as novidades;
- Music Cards - Confirmação;- Necktsun Comércio Ltda - Palmas - Departamento de Vendas - Orçamento;
- Netcard Cartões Virtuais - Emoções de verdade;
- Norton Antivírus - Alerta de Segurança - download do antídoto para o Ms.Bruner;
- Notificação Confidencial - Pendências Financeiras em seu CPF;
- O carteiro - você recebeu um cartão de quem te admira;
- O carteiro. com - tenho uma novidade para você - veja o cartão que preparei;- O Fuxico - Últimas Notícias - Bomba na TV Brasileira - vídeos de Alan e Grazielli;

- Ocarteiro.com - seja bem vindo - para visualizar clique aqui;- Olá, há quanto tempo! Eu me mudei para os Estados Unidos, e perdemos contato...;- Olha o que a Globo preparou para você neste ano de 2005 - Big Brother Brasil 5 - Baixe o vídeo;
- Overture - Promoção para novos assinantes - Tem cliente procurando, tem você oferecendo, vamos juntar os dois. Seja encontrado por quem quer comprar;- Paparazzo - globo. com - se você gostou de uma espiada no vídeo; - Parperfeito - Você foi adicionado aos prediletos - Associado do Par Perfeito;

- Passe Livre de 7 dias no Globo Media Center;- Promoção Fotolog.net e UBBI - sorteio de 10 Gold Cam por dia - Crie seu fotolog e concorra;- Radio Terra - dedique uma música;- Receita Federal - CPF cancelado ou pendente de regularização;

- Saudades de você - Sou alguém que te conheceu há muito tempo, e tive que fazer uma viagem - Espero que goste das fotos; - SERASA - pendências referentes a seu nome - Extrato de débito;- SERASA - Regularize seu CPF ou CNPJ - clique para extrato de débitos;

- Sexy Clube - Thaty Rio - Direto do Big Brother - Veja as fotos em primeira mão; - Sou um amigo seu - você está sendo traído - veja as fotos;
- Symantec - Faça sua atualização do Norton 2005 aqui - Gratuita - Licença para 1 ano grátis;- Terra Cartões - O meu melhor presente é você;

- Tim pós pago - pendências no SPC - Sistema de Proteção aoCrédito - Serial do Celular; - UOL - Promoção Cultural - Cara cadê meu carro;- UOL Cartões - Estou com saudades - clique para visualizar;- UOL Cartões - Seu amor lhe enviou um cartão - clique para baixar;- UOL Cartões - Você recebeu um lindo cartão virtual;

- Veja as fotos proibidas das musas do bbb5;- Virtual Cards - Um grande abraço da equipe virtual cards - ler cartão;- VIVO - Torpedos Web Gratuito - Torpedo Fácil Vivo;- Você recebeu um cartão virtual TIM; - Voxcards - cartão voxcards - para quem você vai mandar um cartão hoje?;- Voxcards - mensageiro - você está recebendo um cartão virtual voxcards - Precisa instalar o plugin - clique para instalar;

- Webcard Terra - Feliz Dia das Mães - Existe um presente especial esperando por você no site de cartões do terra;
- Week - Complimentary Subscription Confirmation - Free - Please Apply online - PC Week;- www. symantec. com - A solução Antivírus mais confiável do mundo;- www.microsoft.com - Proteja seu computador com antivírus - o endereço real é outro;- Yahoo Cartões - Você é tudo para mim - clique na imagem;

- Yahoo Cartões - Você é tudo para mim - enviado por quem te admira. Outra dica; Nunca abra e-mails de remetentes desconhecidos. Sempre desconfie de e-mails que solicitam "clique aqui" ou "acesse o link (tal)" ou " veja minha foto" ou "te encontrei , lembra-se de mim?" ou "ligue-me para sairmos" , etc...E, finalmente, para ter certeza que é de um golpe que você está sendo vítima, passe o mouse - sem clicar - pela palavra do direcionamento : você vai ver, na barra inferior - à esquerda da tela -, que se trata de um arquivo com a terminação "exe" ou "scr" ou outra., arquivo este(s) que vai(vão) espionar seu computador , roubando seus dados, senhas, etc.

sábado, 12 de maio de 2007

O Poder como vício

Além da corrupção, é claro, outro aspecto negativo dos pólíticos brasileiros que mais me chamam a atenção é a necessidade de manterem-se em algum cargo público. É uma espécie de vício do poder, uma ansiedade visceral, orgânica, por algum cargo, onde, de alguma forma, possam manipular os cordéis da vida pública.

Você vê alguém que, por exemplo, já foi deputado ou senador por um ou alguns mandatos, de repente não ser reeleito. A partir disso, passa a lutar de forma quase enlouquecida por um cargo, um posição, um comando, até mesmo em entidades com as quais não tem qualquer identificação ou apresenta qualificação para assumir.

O político brasileiro, ao que parece, não tem sua atividade como o cumprimento de um dever, uma resposta proativa ao mandato que lhe foi conferido pelo voto. Antes, vê na política um meio de vida, um esquema de ação com o qual poderá alçar-se a vôos mais altos, conjugando mandato e mandonismo, mandato e ligações perigosas com corruptos e corruptores.

Quando falo político brasileiro, entenda-se cultura política brasileira, esse meio ambiente imponderável, invisível, mas forte, onde muitos seres éticamente despreparados vicejam e cultivam seus vícios mais ocultos, lucrativos e sujos. Trata-se de um ambiente onde as facilitações são grandes e a elasticidade moral permite contatos os mais deploráveis.

Assim, quem perde o cargo precisa tornar-se uma carga, assumir um lugar sobre o peso morto da nação e assim, qual parasita, nutrir-se um pouco mais da seiva produzida pelos que trabalham. Ficam em cargos de primeiro, segundo e até terceiro escalão, como um predador à espreita: acumulam forças, esperando, um dia, voltar ao plenário, cenário perfeito para suas encenações. Oremos.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Foi tudo para o inferno

Ante a omissão do jornalismo brasileiro, especialmente por parte dos jornais nacionais de referência, impressos ou televisivos, cometeu-se um grave atentado à liberdade de expressão: a proibição de venda e recolhimento de livros contando a biografia não-autorizada de Roberto Carlos.

O autor, professor e jornalista Paulo César de Araújo, 45 anos, foi literalmente compelido a aceitar um acordo em que, para não ir à falência, permitu a recolha e destruição dos livros.

O fato foi noticiado em matérias esparsas, ganhou alguma notoriedade, mas ao noticiário faltou algo essencial para que um assunto entre na agenda pública e provoque rumor social: ênfase. Não houve ênfase, não houve insistência temática, não houve pressão, perplexidade ante a ofensa ao direito de expressão, resultando em derrota do autor.

Entendo que o tema em si não é dos mais relevantes: saber ou não de detalhes da intimidade da vida de um cantor não é, efetivamente, algo de importância, salvo em revistas de fofocas ou programinhas televisivos que se arrastam ao longo das tardes.

Mas um valor mais alto se alevantava e esse não foi percebido: exatamente a questão da liberdade de falar, de manifestar-se, a liberdade de expressão. Abre-se com isso um precedente perigoso: quando algum tema importante vier a ser coibido em processo judicial, poderá, em essência, ser comparado ao livro biográfico de Roberto Carlos.

E assim, por inversão de valores, por analogia, a liberdade de expressão poderá sofrer algum revés sério e, aí sim, profundamente preocupante. No mais, é o seguinte: Roberto Carlos quis, e mandou tudo para o infermo.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Dinheiro para os políticos

Enquanto o Papa visita o Brasil com suas costumeiras pregações, deputados, senadores e o presidente da República se preparam para um aumento de 29,81 por cento em suas remunerações. Alega-se que é reposição de perda do seu poder aquisitivo, que nos últimos quatro anos não teve reajuste.

Os salários passaram a ser os seguintes: deputados e senadores - de R$ 12.847,20 para R$ 16.512,09; presidente da República - de R$ 8.885,48 para R$ 11.420,21; vice-presidente e ministros de Estado - de R$ 8.362,00 para R$ 10.748,43.

A isso juntam-se vantagens de todo tipo: ajudas de custo, passagens de avião, pagamento de aluguel de casas, dinheiro para contratar funcionários, despesas com gasolina, pagamento de contas de telefones fixos e celulares... A lista é enorme, sem incluir propinas e desvios de verbas públicas.

Enquanto isso, o povo sofre nas filas e se dobra ao peso de um cotidiano amargo e seco.

terça-feira, 8 de maio de 2007

Não precisava ser assim

Às vezes me pego a pensar sobre a condição humana, nossa queda, desvãos e equívocos. Especialmente quando vejo casos como o do ex-jogador Maradona, homem rico, talentoso em sua área de atividade, amado pelos argentinos e... devastado pelo vício em drogas.

Personalidade midiática, carismático, atrai sobre si as atenções mundiais, que se reúnem num misto de perplexidade, compaixão e ansiedade provocada pelos jornais, quanto ao desfecho de cada tragédia publicada.

Os jornais informam que, ontem, ele declarou: "Estou vivo e quero viver", a propósito de um boato que o dava como morto. E prometia buscar os responsáveis pelo surgimento da informação. Jamais encontrará. Boatos são uma manifestaão comunicacional de autoria coletiva, surgem em meio a troca de informações desencontradas e tornam-se como que algo de domínio público.

E, a reboque de seus dramas íntimos, com o vício farejando seus próximos passos, o ex-craque segue, não tenha dúvida, descendo rumo ao fim; num declínio triste, que, para ele, não precisava ser assim.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

A tragédia que já aconteceu

A semana começa com as notícias da vitória do Flamengo, a morte de Enéas, a elevação de um conservador à presidência da França, quebra-quebra em São Paulo durante um grande evento cultural, o encontro dos destroços do avião desaparecido na África.
Selecionei esses acontecimentos jornalísticos, assim como poderia ter selecionado outros. Em todos, um elemento comum: a tensão que necessariamente deve recair sobre um fato, para que ganhe status de noticiabilidade.
É claro que há publicações especializadas em amenidades, voltadas para o lado bom da vida: revistas sobre turismo, revistas para mulheres, revistas de fofocas, revistas para o público masculino. Aí, aplica-se a tensão alterando-se semanticamente suas possibilidades, voltando-se seu sentido quanto à possibilidade de o conteúdo atender às expectativas de deleite.
Em ambos os casos um terceiro fator segue de longe a vida: a curiosidade humana para saber de fatos novos, o que se deu, o que se passou, o que se poderá desnudar.
Mas o jornalismo não pode guiar-se unicamente para atender curiosidades, morbidez pelo cotidiano sangrento ou voyeurismo pelas delícias das amenidades. Sua finalidade tem necessariamente que tomar por norte uma compreensão cidadã e respeitosa pela vida, trazer a informação que permita a tomada de decisões e apresentar a opinião honesta.
É preciso dedicação como quem serve a uma causa, ou estaremos todos servindo ao mundo um prato frio: a repetição, por outros fatos, de toda a tragédia que sempre já aconteceu.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

A grande presença do Homem Aranha

O lançamento do filme Homem Aranha III parece haver se tornado em matéria de alta relevância para alguns dos jornais nacionais de referência. Claro, o assunto não é manchete. Pudera. Mas, seja em papel ou em versão impressa, a aventura do jovem que tem supostos poderes aracnídeos e enfrenta vilões terríveis e absolutamente inacreditáveis, está atraindo a atenção de jornalistas, como se o mundo não tivesse mais no que pensar.

Campanha publicitária disfarçada de notícia ou não, o certo é que o Homem Aranha está atraindo as atenções e ajudando nos mecanismos escapistas do, aí sim, perigoso cotidiano.

Agora, o herói perde sua tradicional roupa com as cores da bandeira americana e de repente está vestido com um colant totalmente negro, torna-se arrogante e adorador de seu próprio ego.

Soturno em sua indumentária de trevas, o personagem como que busca expressar seu lado desconhecido - traz, para o contexto da narrativa, uma fugaz, superficialíssima questão existencial, o drama de ser, intimamente, algo híbrido, deformado: uma aranha, para nós, símbolo do perigo, silencioso e pérfido. Mas que, ao mesmo tempo, luta, maniqueisticamente, "ao lado do bem".

Vivemos um tempo de fabulações do horror, da simulação e da dissimulação. O cinema, que sempre viveu de codificar as ilusões, davaneios e, também, crítica do homem a respeito de sua condição existencial, está atualmente passando por um período de total falsificação de suas histórias, com o uso abusivo de efeitos especiais.

Infelizmente, na vida, não dá, para, num toque de teclado de computador, fazer as coisas virarem boas e, no fim, tudo dar certo. No mais, é lamentar que os jornais estejam perdendo tempo com esse tipo de coisa.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Viver bem

Quando a manhã surge,
com as suas mãos rosadas,
é sinal que a vida desperta num brilho de cristal,
o cristal do orvalho da noite que passou.

Assim deve ser a vida:

suave, delicado presente
que recebemos todos os dias.
Vamos viver bem esse presente.
Mesmo que depois ele mostre seus perigos.

Viver bem é responder

com o gesto do abraço
ao grito que nos ameaça;
é transformar em canção
o grito que muitas vezes
está ardendo dentro de você.

Viver bem é dizer sim

a quem só recebeu da vida
o desprezo e o não.
Viver bem é dar atenção
ao olhar inocente da criança.
É ajudar. É unir.

É seguir em frente,

mesmo quando tudo
diz que chegou a hora de desistir.

Viver bem é olhar para si mesmo

e sentir que um sorriso diz mais que mil palavras.
É saber que há pedras no caminho.
Mas, apesar das pedras,
o caminho chama e aí você diz: eu vou.

Viver bem é acreditar,

é descobrir o mar
e os barcos que nele habitam.
É estar de mãos dadas com a simplicidade.

Viver bem é um desafio,

um mistério, um encontro.
É caminhar no escuro,
mesmo sentindo o medo arranhar seus pés.

É acreditar no Maravilhoso
e entender a magia
dos momentos,
de todos os momentos,
desse grande momento que se chama Vida.

quarta-feira, 2 de maio de 2007

Ontem, deu-se ao povo pão e circo

Ontem deu-se ao povo pão e circo; hoje, dá-se ao povo, nada. E cada um segue em meio ao caudal de problemas bem seus, porque de todos: a vontade de ver o filho numa boa escola; o aluguel que atemoriza o salário no fim do mês; o crime gritanto na boca de todas as manchetes; a mentira tatuada na boca do político.

A alegria do brasileiro vive, nas cores da TV, esse mundo paralelo onde tudo se resolve no capítulo final da telenovela. A tristeza desse povo se espalha como enchente nas calçadas e encharca de incertezas o dia de amanhã.

Os jornais estão cheios de medos e as notícias são como anúncios que vendem tragédias. O sofrimento inflacionou o mercado da dor e já não há mais lugar para tanta desolação.

É triste.

terça-feira, 1 de maio de 2007

Trabalhador, hoje é teu dia. É mesmo?

Trabalhador, hoje é teu dia.
É mesmo?
Hoje, serás honrado, e teus esforços para contribuir para com o PIB serão celebrados.

Teu salário mínimo será minimizado, esquecido, encolhido, para dar lugar às laudações ao lucro que dás, com tua operosidade, aos cofres de quem te paga.
Trabalhador, hoje é teu dia.
É mesmo?

Hoje, tribunos esquecerão os tributos diretos ou indiretos que pagas, somente para dizer como és importante, mola mestra da economia e da produção. E não é mentira. Mas, mentirosas serão as homenagens, salamaleques e reverências.
Trabalhador, hoje é teu dia.
É mesmo?

Não, acho que não. Teu dia é o suor, o cansaço, o salário pouco, a desgraça do pé na lama, a fila do SUS, o filho doente, a dívida atrasada, o coração tropeçando, a manchete mostrando a vitória dos curruptos. Amanhã, trabalhador, sem festa, nem foguetes, aí sim, será teu dia.

sábado, 28 de abril de 2007

A solidão

A solidão toma conta de nós como um barco sem norte
ou prumo. A solidão é tempo sem ontem e sem futuro.
Solidão é o vazio, emoção dormindo.

E no sono desse tempo sem dono, somos todos
caminhantes, navegando sem bússola ou carta.

A solidão é algo tão grande que não tem tamanho.
A solidão é o nada de tudo, é o mínimo que chega e
ocupa tudo. E quando sai, nos deixa pobres de nós
mesmos. Um nada sem fim.

A solidão é tão grande que nos invade como água de
tempestade. E traz em si todos os silêncios da palavra fim.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

As mãos do mestre

“A velhice é um naufrágio
(Charles de Gaulle)

Conheci, isso há muitos anos, um titereteiro chamado Zé Relampo.
Não sei se ainda é vivo. Titereteiro é o artista popular
que trata com títeres, ou, mais claramente,
é o brincador de joão-redondo. Pois bem,
Zé Relampo, que me foi apresentado pelo
professor e folclorista Deífilo Gurgel,
era um grande mestre na arte do teatro de bonecos.

Acompanhado por um fotógrafo, isso no já distante
ano de 1974, cheguei à casinha de Zé Relampo, num
bairro periférico de Natal, sequer me lembro aonde.
Era manhã. A matéria abordaria exatamente a
criatividade da arte dos bonecos, sua função social,
sua crítica ferina aos poderosos, a representação
emblemática de cada um dos bonecos.

Por trás da empenada, Zé Relampo ia levantando seus
tipos para a ação do fotógrafo, enquanto eu anotava
os aspectos mais representativos da encenação.
Fiz a matéria, redigi o texto e perdi Relampo de vista.

Anos, muitos anos depois, reencontrei Zé Relampo.
Mais velho, quem sabe mais pobre, mais artista
possivelmente, uma vez que o sofrimento atiça,
aguça e estilhaça a sensibilidade. Estava em sérias
dificuldades financeiras, há tempos sem fazer
uma brincadeira para ganhar dinheiro.

Explica-se: ele trabalhava muito para entidades
oficiais, ligadas à cultura ou ao ensino. E há tempos
não havia um só convite. Dei um jeito de mobilizar
alguns amigos e conseguimos o dinheirinho que
ele precisava. Cerca de 15 dias depois, eis que me
aparece o mestre titereteiro. E vinha com um presente:
esculpida em madeira própria para a criação de
personagens de joão-redondo, a cabeça de um negro,
bem ao estilo popular, ao mesmo tempo grosseiro e expressivo.

Foram as mãos humildes do mestre, agradecendo
pela pequena ajuda. Ainda hoje esse negro está comigo,
em meu escritório, pertinho do computador.
Mas Zé Relampo, nunca mais. Sumiu, como os
relâmpagos, que desaparecem depois que a chuva passa.
E Zé Relampo era realmente uma tempestade quando se apresentava.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

A defesa da vida, a beleza humana

O texto ao mesmo tempo elegante e poderoso de Mauro Santayana, no Jornal do Brasil faz hoje a apologia da vida e dá uma demonstração de fé no ser humano. Condena o aborto, que classifica como ato genocida e com seu magnífico estilo manifesta a grandeza de Deus.
Se puder, acesse a página do JB e veja a preciosidade com que aquele escultor da palavra reluz a seus leitores.
Isso me faz lembrar o momento de beleza ingênua e profunda com que, há poucos dias, fui alumbrado pela Minha Neta. Ela ligou-me, bem cedinho, acordou-me e disse: "Vovô, eu hoje vi o sol nascer..."
Sua vozinha delicada também me trouxe um tênue raio de alegria.
Quando a Mauro Santayana, mesmo comentando assuntos graves, dá a seu trabalho um tom de crônica, traz ao leitor instantes de estética, momentos de filosofia, minutos de reflexão.
Sua presença é importante no jornalismo, especialmente pelo fato de que hoje os jornais da grande imprensa não valorizam esse tipo de texto, na falsa suposição de que ao leitor - a pessoa reduzida à condição de consumidor automático do produto jornal - interessam apenas as coisas ruins do mundo.
Não, gente tem de saber o que há de negativo, mas, com certeza, preferiria tomar conhecimento de que haveria alguma mudança, para melhor, em rumo, sistemática e progressivamente organizada. Pena que não seja assim e o negativismo predomine na imprensa.
Com a autoridade do tempo, mestre e amigo das palavras, Mauro trata-as como se fossem inesperados seres vivos que com ele convivem em harmonia e paz.
E de seus textos brotam mensagens sábias e serenas sobre a condição humana, suas quedas, fracassos, vôos e grandiosas expectativas.
Quando puder, também veja o sol nascer...

terça-feira, 24 de abril de 2007

A toga enxovalhada

O anúncio do envolvimento de magistrados do mais alto escalão do Judiciário em formação de quadrilha e recebimento de propina estarreceu o país e, de alguma forma, degradou a imagem da instituição, atingindo sua legitimidade de guardiã da justiça e da honradez.

Ao todo, doze magistrados estão indiciados. E espero que a Polícia Federal leve adiante e aprofunde as investigações, punindo-se todos os que forem evetivamente pegos em culpa. Entretanto, os doze magistrados envolvidos são número insuficiente para que se atribua a todo o Poder a lama em que aqueles estão chafurdando.

Mas, se o número é ínfimo em relação à totalidade da magistradura, esse tipo de corrupção é significativamente indicativa de que o processo de malversação dos valores éticos e morais na sociedade brasileira está mais forte e pulsante do que nunca.

Ou seja: a corrupção, que parecia endêmica ao Legislativo e ao Executivo, pode ser claramente percebida no Judiciário. Mais claramente: há um clima, um caldo cultural neste país, que favorece a prática de crimes envolvendo privilégios da ocupação de funções públicas, tudo sob uma sólida suposição de impunidade. Há uma microfísica da corrupção, que se espalhou por todos os Poderes.

Instaurou-se no Brasil, ao longo do nosso processo histórico, a política do jeitinho, a facilitação cavilosa de proteção e desculpa aos atos e erros de amigos e familiares. Ainda somos, tenho certeza, o país do nepotismo, dos favores e do prestígio mal-intencionado. A coisa pública serve de negócio aos empreendedores do crime sutil e educado dos que têm o Poder na mão.

Vamos ver o que acontece com os magistrados que estejam com a toga presa às engrenagens de tenebrosas transações. O Judiciário não é um Poder acima dos demais Poderes. Pode e deve ser transparente e visívei em sua internalidade. A respeitabilidade de seus membros não deve servir de manto ocultador de falhas e crimes.

Os juízes em culpa serão julgados pelo mesmo Poder que integram. Qual será a sua sentença? A opinião pública está em choque e cobra satisfações.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Crônicas para Natal

Relicário de certezas

A fé renasce todas as manhãs

na Igreja do Galo.

Suas paredes e sua torre,

feitas de pedra,
são a construção divina
do instante humano
voltado para o céu.

A Igreja do Galo,

perpétua como o amanhã,
tem nos passos
dos seus fiéis um depósito de fé.

Com seus santos,

com sua arquitetura sólida,
magnífica,
monumental,
a Igreja é mesmo
como um cantar de galo.

E diz que, na vida,
se pode sempre
esperar
pelo próximo amanhecer.