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terça-feira, 15 de março de 2016

Descalabro na área da saúde




                        Como filme de terror
Hospital Municipal deixa cadáveres ao lado de crianças



Venho acompanhando as ações do Sindicato dos Médicos do RN, cujas informações registram o descalabro da questão da saúde pública no estado. O informe mais recente diz que no Hospital Municipal de Natal cadáveres são colocados lado a lado com pacientes. Pior: os cadáveres são colocados ao lado de crianças. 
Segue o informe enviado pelo sindicato. 

Em visita de urgência ao setor de pediatria do Hospital Municipal de Natal (HMN), inaugurado em dezembro de 2015, o Sindicato dos Médicos do RN – Sinmed RN - constatou a angústia dos profissionais em trabalhar sem remédios e sem estrutura para atender os pacientes.

O retrato do hospital é este: superlotação nos corredores. Atendimento de pacientes em sete horas. Falta de agulhas para punção de crianças. Profissionais que trazem medicação de outros hospitais. Pacientes que precisam comprar medicações por falta na unidade. Macas sendo divididas por duas crianças.

Além destes graves problemas, o Sinmed RN ouviu denúncia dos profissionais do plantão de que o setor de pediatria é usado como necrotério provisório e pacientes que deveriam ficar em isolamento, ficam na enfermaria, com grande risco de contaminação para todos.

Geraldo Ferreira, presidente do Sinmed, falou sobre os problemas da alta demanda no hospital: “Poucos plantonistas para a demanda. O médico tem que parar o atendimento da urgência para internar. E é uma burocracia o internamento, demora e deixa o paciente aguardando no consultório. Isso acaba repercutindo no médico que é quem está na linha de frente”.

Profissionais de enfermagem também se encontram em situação de desespero, uma vez que hoje falta 70% de insumos no hospital. As enfermeiras relataram trabalhar sem corticoide na emergência infantil, falta agulha adequada para as crianças há uma semana, e só tem um termômetro para todo o hospital.

Está acontecendo no Hospital Municipal o que os profissionais da saúde chamam de “remanejamento da verba SUS”: profissionais trazem insumos e medicamentos de outros hospitais para suprir a carência do HMN.

Os exames, devido a alta demanda, pois o laboratório atende o setor clínico, pediatria e ortopedia do hospital, estão demorando várias horas para serem entregues.

Durante a visita do sindicato, uma senhora com um bebê de 08 meses, com febre e mancha no corpo, aguardou sete horas, das 10h às 17h, para atendimento, exame e retorno. Durante todo esse tempo a paciente ficou sem se alimentar.

Devido a gravidade do problema, o Sinmed RN encaminhou ofício para a Secretaria Municipal de Saúde, solicitando audiência com Luiz Roberto e deve solicitar ao Ministério Público que também atue judicialmente para garantir os direitos dos pacientes. 


domingo, 10 de julho de 2011

Jogando dinheiro fora
Emanoel Barreto

No post abaixo desta matéria publico texto meu e reportagem de Maiara Felipe, d'O Poti, a respeito do estado caótico do Walfredo Gurgel. O hospital não tem dinheiro para funcionar de forma decente. Enquanto isso, vejo na Tribuna do Norte texto de Ricardo Araújo a respeito do quanto já se desperdiçou com a Copa do Mundo. São duas formas de manifestação de como os governos tratam a coisa pública. Leia a matéria da Tribuna e depois, faça-me o favor, veja a matéria sobre o Walfredo Gurgel.

RN já gastou R$ 22 milhões só em consultorias e projetos

Ricardo Araújo - repórter

Os gastos com a Copa do Mundo 2014 no Brasil fluem como um rio que corre ao encontro do mar. Até a realização do mundial, serão gastos aproximadamente R$ 5,07 bilhões somente com a construção dos estádios/arenas multiuso. As  obras, porém, serão produtos finais de uma engenharia superdimensionada e, de acordo com especialistas, dispensáveis à maioria das cidades-sede. No Rio Grande do Norte, o dispêndio começou ainda em 2009 e já soma cerca de R$ 22,3 milhões três anos antes dos jogos. São consultorias, projetos executivos, publicidade.

DivulgaçãoO primeiro projeto do Arena das Dunas foi pago, mas dele, pouca coisa pôde ser aproveitadaO primeiro projeto do Arena das Dunas foi pago, mas dele, pouca coisa pôde ser aproveitada
Já as obras, se resumiram a derrubada de uma creche e ao cercamento do estádio Machadão e entorno. Somente o Governo do Estado, gastou cerca de R$ 13 milhões com a confecção de projetos básicos e maquetes virtuais em terceira dimensão que acabaram se tornando inúteis. Mesmo com o cancelamento dos contratos - orçados em R$ 27,47 milhões - com as empresas Populous Arquitetura Ltda e Stadia - Projetos, Engenharia e Consultoria Ltda, o Estado arcou com uma despesa de cerca de R$ 10 milhões. O custo foi confirmado pelo secretário extraordinário da Copa do Mundo 2014, Demétrio Torres.

Para o chefe da Controladoria Geral da União - Regional Rio Grande do Norte, Moacir Rodrigues de Oliveira, a fraqueza dos projetos básicos contribuem para os sucessivos gastos com consultoria. "O que a gente percebe são fragilidades nos projetos básicos que não tem contemplado a obra como deveria", afirma. Além disso, segundo ele, a má  contratação dos planos gráficos e descritivos repercutem na convocação de empresas de consultoria e na renovação dos certames através de aditivos que infringem a Lei das Licitações ( nº 8.666/1993).

De mãos dadas ao Estado, pelo menos nos gastos para o mundial sem transparência, a Prefeitura de Natal já investiu R$ 9,3 milhões em ações voltadas para a Copa do Mundo em Natal. Os gastos incluem desde repasses à Secretaria Municipal de Turismo e Desenvolvimento Econômico (Seturde) à contratação por R$ 942.030,00 de uma Organização  da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), De Peito Aberto - Incentivo ao Esporte. Há também, os projetos de mobilidade urbana com vistas ao mundial.

O Município contratou o consórcio paulista EBEI e MWH Brasil por R$ 7.276.034,54 para a confecção dos projetos executivos do plano de mobilidade urbana que ainda não saiu do papel quatro meses após a assinatura da ordem de serviço. Além disso, a entrega do projeto executivo à Caixa Econômica Federal, financiadora do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) no qual a obra está inscrita, já foi postergada quatro vezes. De acordo com o secretário de Planejamento de Secretaria Municipal de Obras Públicas e Infraestrutura adjunto (Semopi), Walter Fernandes de Miranda Neto, as obras dos lote 1 iniciarão ainda este ano, provavelmente em setembro ou outubro.

Mesmo com todos os atrasos e com a monta envolvida na contratação de empresas de consultoria cujos trabalhos não são visíveis, pelo menos por enquanto, a população natalense aprova a realização da Copa do Mundo. Numa pesquisa encomendada à Certus - Pesquisa e Consultoria pela TRIBUNA DO NORTE, realizada entre os dias 2 e 3 deste mês, 68% dos entrevistados aprovam totalmente a vinda da Copa. Em detrimento de 16,8% que desaprovam integralmente os jogos na capital. Foram ouvidas 700 pessoas maiores de 16 anos em Natal, São Gonçalo do Amarante, Macaíba e Parnamirim.
Na boca do lobo
Emanoel Barreto

http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://4.bp.blogspot.com
Leio estarrecido reportagem de Maiara Felipe n'O Poti sobre o Hospital Walfredo Gurgel. Segue abaixo transcrição parcial. Trata-se de jornalismo do bom, vivido, experienciado, repórter passando a vida por dentro. Confesso, dá medo. A quem estamos entregues? Encontro, à minha pergunta, duas respostas; primeira delas: pelo que li no texto, estamos entregues a médicos que fazem de tudo para atender, sob condições de adversidade que se aproximam do desespero, a gente que foi vítima de uma guerra. No caso, a guerra de um Estado omisso, regido por política de saúde irmã geminada do caos. Segunda resposta: estamos entregues ao deus-dará, ao improviso, à decisão do médico em salvar. Salvar dentro do possível, claro.

Mas, diante dessa situação temos o reverso da medalha: são os planos de saúde. Geridos por empresas que adentram o mercado cientes de que o Estado brasileiro falhou historicamente nessa missão. Mas falhou por falta de vontade política. Dinheiro há, tenho certeza; o que falta é transformar esse dinheiro em verbas, dar-lhe destinação social. Mas a prioridade não é o social. É o interesse político mais rodapé, pedestre e reles. Fazer de conta que se atende ao, vá lá, povo, e seguir adiante de qualquer jeito.

Mas, falava eu sobre os planos de saúde. Eles são, pelo menos se apresentam assim, como o contrário do caos. São o não-mundo, a não-realidade, o privilégio comprado a preço-ouro. Por que "não-mundo", "não-realidade"? Simples: o plano de saúde é uma espécie de seguro contra os maus serviços do Estado. Algo que você paga pedindo a Deus para não ter de usar. O plano dá a sensação de que estamos a salvo, estamos fora da realidade das pessoas comuns, aquelas sujeitas ao cutelo do atendimento improvisado e malfeito. Temos o privilégio de ser doentes especiais, com caminha boa e serviço confiável. Doentes que pagam para ter o insidioso direito de ficar doente do jeito certo. 

Todavia, a realidade é larga como um abismo e profunda como uma fossa oceânica. O Walfredo Gurgel, lembremos, é hospital de urgências. Quer dizer: votado ao atendimento de casos onde as pessoas são vítimas da brutalidade da vida. Mais claramente: qualquer um pode, em situação que tal, ser levado para lá. Um acidente de carro, um assalto, coisas assim, compreende? E aí, salve-se quem puder, pois não há plano de saúde que garanta a segurança de ninguém. Fico por aqui. Leia o texto de Maiara.
 
Walfredo Gurgel: por dentro do caos
O Poti/Diário de Natal acompanhou o sofrimento de funcionários e pacientes em um plantão de 12 horas no maior pronto-socorro do RN

A ineficiência do sistema de saúde pública do Rio Grande do Norte é responsável, direta ou indiretamente, por danos irreversíveis e até pela morte de muitos potiguares, mês a mês, ano após ano, em situações cotidianas que lembram as vividas em um estado de guerra. Pode se dizer responsável diretamente quando a referência é, por exemplo, a de um dos idosos que está entre as 22 pessoas que aguardam nos corredores do Pronto Socorro Clóvis Sarinho, no Hospital Walfredo Gurgel, por um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Indiretamente, quando se observa as condições de trabalho dos profissionais do hospital que fazem um esforço sobre-humano para preservar a vida daqueles pacientes, abarcando para si graves consequências físicas e psicológicas em função disso.


A superlotação gera a já tradicional e dramática cena de filas de pacientes no corredor do hospital Foto:Maiara Felipe/DN/D.A Press
Mesmo sem material, sem leitos, sem condições adequadas de atender o cidadão, no "coração de mãe" do Walfredo Gurgel sempre cabe mais um. Cabe o doente do interior do estado, encaminhado pelos hospitais regionais sem condições de atender os casos de maior complexidade. Cabe o rico e o pobre que venha a sofrer qualquer tipo de acidente. E, apesar da generosidade de sempre acolher mais um "filho", é visível que esse "coração" sofreu um infarto e precisa urgentemente que o poder público tome uma providência para salvá-lo, interrompendo o ciclo de mortes. Mensalmente o Governo do Estado aplica no hospital R$ 10 milhões, que não estão sendo suficientes para receber dignamente toda demanda.

A equipe de O Poti/Diário de Natal passou 12 horas - período que normalmente dura o plantão dos médicos e enfermeiros - dentro do único hospital de urgência traumatológica do estado. No dia 2 de julho, por volta das 7h30, entramos no Centro Cirúrgico, primeiro setor a ser visitado. Na ocasião, o Centro de Recuperação Operatório (CRO) estava lotado. Os pacientes eram levados para o corredor após os procedimentos cirúrgicos. O Centro tem nove leitos, mas o número de pessoas lá dentro passava de 20, sem contar os que ficavam do lado de fora. "Os casos mais críticos ficam lá dentro", explicou o médico. Das seis salas destinadas às cirurgias, duas estão paradas. Uma com o foco do iluminador quebrado e outra interditada por falta de gás no respirador.

Mas, apesar dos problemas, o trabalho não para. Um dos primeiros procedimentos acompanhados pela reportagem na manhã de sábado, foi o de Marcos*, 10 anos, morador do município de Macau. Ele caiu e fraturou o punho e os médicos decidiram fazer uma redução de fratura no seu braço. O procedimento durou cerca de 20 minutos e ocupou uma das salas do Centro Cirúrgico que funcionam atualmente. "O médico de Macau disse que lá não fazia e mandou a gente vir para o Walfredo", justificou a mãe de Marcos sobre o motivo de se deslocar cerca de R$ 180 quilômetros para solucionar uma pequena fratura.

Enquanto Marcos era operado, Juvenal Bispo da Silva, 69 anos, que também caiu em casa, aguardava dentro do consultório do ortopedista, em cima de uma mesa, por uma maca. "Ele veio transportado dentro deum carro de forma inadequada. A suspeita é que ele tenha fraturado o fêmur, mas estamos aguardando desocupar uma maca para ele poder fazer o raio-x", esclareceu o médico de plantão. Segundo relatos da família, o atendimento inadequado começou já em casa. A esposa disse que a ambulância do Samu não considerou o caso de Juvenal urgente e, por isso, ele veio de Ceará Mirim até o Walfredo em um carro fretado e foi conduzido ao consultório em cima de uma tala de madeira, que serve apenas para imobilizar o paciente.

O idoso ficou em cima da mesa onde o médico atendia outros pacientes por 2 horas, tempo depois do qual conseguiu uma maca, fez o raio-x e se internou no corredor, onde fica situada a urgência dos casos de clínica médica e tem mais 54 pessoas. Por trás da parede onde Juvenal ganhou seu "leito", funciona a sala de observação da urgência em clínica médica. O local deixou de ser uma sala de acolhimento de pacientes há muitos anos para se transformar no espaço considerado "privilegiado" na estrutura do hospital, onde ficam pessoas que aguardam por um leito na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Lá, estão respiradores, que amenizam a angústia de quem necessita da UTI, como Geraldo de Holanda, 75 anos, há 12 dias aguardando uma vaga na sala de reanimação. É que no Walfredo, diante da exorbitante quantidade de pacientes que chegam todos os dias, a sala de reanimação é o primeiro passo antes de conseguir uma UTI. "Ele está cansando, tanto é que quando chegou aqui já foram logo entubando. A médica disse que ele deveria ficar na reanimação, já que não tem vaga na UTI, mas a reanimação também está cheia", disse a acompanhante de Geraldo, que, além da idade avançada, é dependente de hemodiálise duas vezes por semana.

*Os nomes não são verdadeiros para presevar os personagens.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Recebi do leitor Rafael o seguinte comentário em relação a matéria que publiquei, abordando situação de menino pobre que não fora atendido em hospital particular mesmo a Prefeitura assumindo o ônus desse atendimento.

Emanoel, muito bom o seu texto/desabafo/crítica. Discordo apenas do tom dado à prioridade pelo paciente particular. Temos que lembrar que o PAPI é um hospital privado que deve, pois, arcar com todos os custos de energia, água, equipamentos, medicamentos, materiais e mão de obra. Supondo que a outra criança estivesse em quadro de igual gravidade, necessitando também daquele leito de UTI, não vejo mal em priorizar o cliente, que é quem paga estas contas que citei. O que não podemos é, de forma maniqueísta, começar a culpar instituições privadas que há anos salvam as vidas de mais de 400.000 pessoas que têm convênio ou podem pagar por atendimento médico em Natal pelo descaso que as autoridades locais local praticam em relação aos 500.000 que não podem arcar com aquilo que é obrigação do governo oferecer de graça.
Rafael.
...

Caro Rafael,

O maniqueísmo do meu texto é mais aparente que real. Explico: quando a Prefeitura tentou levar o menino a atendimento hospitalar fica implítico que arcaria com as despesas. Isso, imediatamente, equipara os dois pacientes, se o parâmetro for apenas a questão monetária. É claro também que o cliente particular tem direito, uma vez que vem pagando mensalmente para ter assegurado esse direito. Não culpo a iniciativa privada por suprir uma obrigação do Estado. Questiono a mercantilização da medicina, que leva instituição hospitalar a fazer a opção preferencial pelos que compram o serviço. Sei que, colocada assim, a questão assume aspecto controverso de conquista de direitos e a necessidade de ser a saúde bem imaterial de todo cidadão.

Vejamos agora por outro aspecto: e se tivessem chegado ao mesmo tempo dois pacientes particulares, como seria? Aí também o hospital, como o serviço público, estaria em falta, uma vez que somente dispunha de um leito, quando deveria estar apto, por suposto empresarial, a atender a urgências e emergências ocorridas ao mesmo tempo. Percebe  a essência do que proponho? Nesse caso, a questão do menino pobre que não foi atendido está completamente excluída, pois estariam em literal disputa dois pacientes particulares com idênticos direitos. E o hospital estaria deixando de cumprir com o contrato com um dos pacientes.

Grato pelo texto enviado e pela forma elegante como me contestou. 


Um menino pobre, um engasgo e uma vida posta em risco

Leio no blog Abelinha.com, de Eliana Lima:

Na falta de UTI Pediátrica nos hospitais do Estado, e de atitudes para providenciar, a Prefeitura de Natal entrou em campo para salvar a vida do menino Matheus Brito da Silva, 3 anos, que estava na UPA do Pajuçara necessitando urgentemente de ser transferido para uma UTI.

Na primeira hora desta sexta-feira (18), 1h, Matheus foi transferido numa ambulância do Samu para uma UTI no Hospital Antônio Prudente, do Hapvida.

Antes, o secretário Thiago Trindade tentou no Papi, mas a única UTI disponível foi à preferência de particular que chegou em estado grave. Caso não desse certo no Hapvida, já se estudava a instalação de uma UTI improvisada no Hospital Walfredo Gurgel, conforme informou ao blog, noite de ontem, o secretário de Comunicação da Prefeitura, jornalista Jean Valério.

Mas a demora pode ter sido faltal para Matheus. Seu estado se agravou. Muito grave. A demora para a transferência pode resultar na sua partida. Apenas três anos, antes saudável e cheio de vida para brincar, o que, aliás, gostava e fazia bastante.

Matheus estava bem atendido na UPA, entubado, respirador adequado, mas necessitava de uma UTI e de acompanhamento neurológico. Como a unidade não dispõe de médico neurologista, em nenhum momento ele foi observado por um. Precisou passar por tomografia computadoriza, não não houve possibilidade para fazê-lo no Walfredo. E desde quarta-feira que sua vida – alertada por várias vezes neste blog e no twitter.com/elianalima – corria sérios riscos. Mas o socorro necessário não chegava. Apenas na madrugada desta sexta.

Matheus engasgou-se com um caroço de pitomba, ficou asfixiado, teve parada cardíada e foi atendido a tempo pelo Samu Natal. A partir daí começou mais um processo de angústia e desespero dos profissionais do Samu. Motivo de sempre, de todos os dias: falta de UTI nos hospitais públicos. A solução foi encaminhá-lo para a UPA do Pajuçara, onde foi bem atentido, mas sem UTI e neurologista, insuficiente para salvar sua preciosa vida em desenvolvimento.

Agora é rezar e esperar que um milagre faça Matheus voltar à vida de antes.
Em tempo: o problema de engasgo  é um dos maiores vilões que ceifam vidas de crianças. Muitas vezes por falta de orientação dos próprios pais. É passada a hora das autoridades de saúde pensarem, e realizarem, uma campanha de prevenção contra o engasgo.
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É aí onde bato na tecla: Natal precisa de um estádio de futebol para a Copa de 2014, quando se realizarão jogos de segunda categoria, ou de UTIs em hospitais públicos? Nem preciso responder. Se as autoridades tivessem mesmo o compromisso que alegam ter com a sociedade, o caso desse menino possivelmente já teria sido solucionado. 

E quanto refiro a autoridades não me dirijo às atuais prefeita ou governadora.  Incluo todos os que as antecederam. Autoridade, digo, em seu  sentido histórico, Poder Público. atuante, proativo. Esse problema é antigo e jamais enfrentado com a decisão política  necessária e enérgica em busca de solução.

A jornalista detalhou, ademais, aspecto estarrecedor: o menino, pobre, deixou de ser atendido em favor de paciente "particular".

O que se vê então, até o momento em que redijo, é uma situação dramática, em que a Prefeitura busca uma solução emergerncial. Louvável, mas emergencial. Tentei falar com o secretário de Comunicação da Prefeitura, Jean Valério, mas a ligação caiu na caixa postal. Deixei recado e aguardo resposta.