sábado, 23 de abril de 2011

Dos bons procedimentos

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Fui hoje procurado por um orangotango, um homem que, pelo modo de vestir seu fraque e de empunhar sua bengala de castão de prata, demonstrou-se-me ser cavalheiro de augusta fidalguia. O honorável macaco vinha, asseverou, tratar comigo de faustosos fatos e filigranas conversas. Apresentou-se como filósofo e metafísico, maçon e positivista. Ante tais predicados curvei-me em profunda reverência e o convidei ao salão de fumantes de minha casa ao notar que seu criado, um vetusto hipopótamo, trazia consigo uma caixa de havanas legítimos.

Explicou-me que tivera disposição de procurar-me após entreter palestra com o embaixador da Birmânia, um sapientíssimo sapo, também este homem de grandes pensares. O sapo o informara de que eu estava desenvolvendo estudos a respeito dos bons procedimentos e, como seria de bom alvitre, e atinando-se ele a idênticos estudos, se abalara à minha residência. 

Sendo eu um discípulo de tais e grandes estudos, agradeci longamente ao orangotango seus préstimos, pois, efetivamente, os bons procedimentos são algo que me enevoam a mente, tão e tão altos são esses estudos que minha mente não os considera empalmar, necessitando assim de um mestre e preceptor. Perguntei o que me poderia ensinar e eis o que se me afiançou:
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"Caro alumno, os bons procedimentos já os estudava antigo rei da Mesopotâmia e dele encontrei os alfarrábios de esses registros, escritos em língua morta, mas que a domino bem, são atos perfeitos que devem reger os demais atos, os chamados atos imperfeitos."

Diante de tais esclarecimentos, que jamais minha mente mentecapta os poderia alcançar, trouxe depressa brinde de rum da Jamaica, puríssimo, ao meu interlocutor, e nos abalançamos a falar mais e mais, para gáudio e alegria minha. Acrescentou:

"Os atos imperfeitos são cometidos por seres reles e comuns; e tais seres, sejam homens ou animais, animais ou homens, o que vem a ser a mesma coisa, tanto que orangotango sou  e homem ao mesmo tempo, precisam da luz dos maiorais a fim de que possam evoluir a páramos mais altos. E assim, devo dizer, os seres incomuns, dentre os quais me coloco e mim e a ti, meu alumno, buscam os atos perfeitos a fim de corrigir os atos imperfeitos."

Indaguei então como poderíamos fazer tais correções e ele mo respondeu: "Os bons procedimentos somente podem ser ensinados aos reles e aos comuns suprimindo-se-lhes os atos imperfeitos. Desta arte, devo afirmar que tal processo e exata evolução somente dar-se-á mediante um único e só caminho."

Quis eu saber qual era esse caminho e obtive a seguinte resposta: "É preciso, a todos, fazê-los guinchar. Guincando, todos se tornarão seres maiores intelectualmente e mais densos de saber, serão argutos e pensados e proferirão prodígios e explicarão muitas sabenças e outros maiores desígnios. "

Como fazê-los guinchar?, foi a pergunta a seguir. A resposta veio na forma de um vasto e poderoso látego que o magnífico orangotango despachou no lombo de um meu meu criado, solícito e bondoso mordono que nos atendia. A pobre criatura, ao sentir a força do açoite em seu espinhaço, rasgando o golpe o tecido da libré, atirou-se ao chão resfolegando e saltava como um quadrúpede e apresentando na cara ricto de dor. O segundo lepo o fez saltar mais alto ainda e em seguida veio o guincho: terrível, altissonante, pavoroso, quebrando os vidros de todas as janelas do aposento.  E guichou a bom guinchar e assim por muito tempo.

Ao cabo de tal fazer, o lacaio ergueu-se e pôs-se a dizer sábias coisas e profundas enunciações, demonstrando que agora estava ilustrado. Retirou-se indignado de minha casa, disse que não mais era mordomo e dirigiu-se a excelso colegiado de sábios enclausurado nos cumes de distante montanha, donde se destacou com pertinência ao fazer proclamas da mais grata filosofia. Tinha aprendido os bons procedimentos, disse-me o vasto orangotango.

De imediato entendi que os reles e comuns deveriam ser açoitados a fim de que, guinchando, pudessem aprender os bons procecimentos. "Sim", asseverou o solene macaco, "é pelo lepo e pelo guincho, é pela sua combinação, que teremos homens mais preparados; e apanhando todos, logo o mundo será habitado por gente que vive de e para os bons procedimentos."

Enalteci as reluzentes palavras e então ele me disse: "Mas vim aqui porque não sabias os bons procecimentos, apesar de estudá-los há anos" e eu o confirmei. Tão logo fiz a confirmação ele voltou para mim o chicote e aí percebi: ia ser chibatado a fim de guinchar e tomar posse daquele saber tão necessário. Rápido como um raio saltei de lado e o látego bateu no chão, rasgando o tapete. Vi que a coisa era séria. Nisso, o hipopótamo, que até então permenecera seentado, atirou-se sobre mim, mas a ele também o evitei. 

Então, macaco e hipopótamo tinham virado duas feras a acuar-me. Já não eram mais homens, bichos é que eram. E queriam me ensinar a ser igual a eles, a guinchar igual a eles, a título de aprender os bons procedimentos. Não me dei por vencido e chamei os ajudantes do lar, que acorreram já trazendo cordas e correntes. Ao fim de breve e intensa luta conseguimos dominá-los, entregando-os a feitor de um zoológico, que os levou.

Dias depois - disse-lhe eu, caro leitor, que tais fatos se passaram hoje, mas não leve em conta: o tempo é coisa de pouca valia para mim -, vi nas folhas dos jornais que no zoológico todos os diretores, servidores e visitantes estavam guinchando feito loucos e tal fenômeno não tinha explicação. Para mim tinha: os dois velhacos haviam se libertado e estavam ensinando os bons procedimentos. Rápido como o cão chamei os meus serviçais e todos nos armamos com mosquetes e alabardas, pistolas e pistoletes e agora estamos aqui, trancados em minha casa, esperando pelo ataque que sei logo virá.



sexta-feira, 22 de abril de 2011

 É de Cora Coralina o poema abaixo.

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Humildade

Senhor, fazei com que eu aceite

minha pobreza tal como sempre foi.

Que não sinta o que não tenho.

Não lamente o que podia ter
e se perdeu por caminhos errados
e nunca mais voltou.

Dai, Senhor, que minha humildade

seja como a chuva desejada
caindo mansa,
longa noite escura
numa terra sedenta
e num telhado velho.

Que eu possa agradecer a Vós,

minha cama estreita,
minhas coisinhas pobres,
minha casa de chão,
pedras e tábuas remontadas.
E ter sempre um feixe de lenha
debaixo do meu fogão de taipa,
e acender, eu mesma,
o fogo alegre da minha casa
na manhã de um novo dia que começa.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Meus primeiros 60 anos

Chego hoje aos meus primeiros 60 anos. É uma idade em que já foram percorridos, palmilhados e descobertos possibilidades e limites, perplexidades e certezas - certezas convictas ou quase isso. É chegada a hora de um homem aperceber-se barco, galeão e nau trirreme e saber que nestes remos muitos o ajudaram ao longo do navego, longo nevego. Mas é também momento de entender que o barco, alucinado de serenidade, é pequeno ante mar tão grande, oceano que lhe cabe cumprir. Navegar é preciso.

Sou um homem carregado de gratidão e que aprendeu a construir com paciência de cinzel as estátuas que o têm orientado, os mapas e portulanos que o ajudaram com as marcas do desafio a singrar o mar que ele mesmo descobriu como mar. Pois é preciso descobrir o mar a fim de que ele seja mais que isso: seja cortina a descerrar, e, paradoxo, terra firme a ser encontrada. E aí o homem passa de aventureiro e corsário a peregrino com albornoz e cajado.

Este aniversário traz, assim, a marca e a passagem de um só meu Cabo da Boa Esperança. Creio que encontro a maturidade, a velhice, para ser sincero, com o abraço que o tempo construiu em mim. Bem-vinda a minha velhice, velhice menina e brejeira como uma manhã que nasce. Renasço.

Fica aqui meu registro da comemoração prévia que foi feita pela Minha Mulher, Minhas Filhas, Meus Filhos, Meus Genros e Meus Netos, Minha Irmã e Meus Amigos e Amigas. Questão de agenda, sabe? E foi preciso antecipar a festa. Como disse, sou um homem carregado de gratidão. E a eles, mais que ninguém. Sem esquecer os alunos-amigos, os alunos-colegas do Curso de Jornalismo da UFRN, nautas em sua iluminada juventude. O mesmo aos professores colegas do Decom. E a Bruno Emanoel Barreto, sobrinho, filho, herdeiro do meu jornalismo.

Jornaleiro e tipógrafo que sou, foi-me uma festa, e nessa festa um jornal, o Jornal do Velho Barreto, com mensagens que ainda bem antes do aniversário foram postadas na internet, registros de pessoas queridas que a mim referiam. E assim foi feito o jornal. E como o jornal, um bolo em forma também de jornal, uma surpresa preparada com carinho e eficiência: sequer supus que a festa me seria oferecida. Um brinde.

Nordestino e apegado às coisas deste chão, criou-se a Garrafada do Velho Barreto, miniaturas, garrafinhas com a receita de como escrever. Uma poção sertaneja, como se fosse eu um raizeiro a tratar de ensinar, pela bebida do povo, como se constroi um texto. Bondade. Sou um praticante, apenas um praticante da tipografia pequena que expressa um pouco do pouco que tento saber. 

Enfim, comemoro hoje meus primeiros 60 anos. A nau é aprestada e parte para a segunda fase da aventura. A vela é panda e sei que esse mar é imenso e não tem fim; quase. Mas a aventura não me lança à distância dos que amo, antes os aproxima, pois a nave de um velho é o grande convés de todas as querências. Agradecido. De vante à ré, todo o velame está erguido e segue o galeão seu rumo. Cheio de fé, que é força básica e sem explicação; pleno de serenidade, que é o tesouro e legado dos que sabem chamar a velhice de Amiga, pois é cordial e conselheira. Um grande abraço. Naveguemos. 
Jornal impresso em papel de arroz, cobertura do bolo. Minha esposa perdeu as aulas de diagramação...


Bolo em formato de jornal enrolado.


Na hora do parabéns
  
Etiqueta da garrafada, distribuída pela minha esposa e filhos



Garrafada Velho Barreto


terça-feira, 19 de abril de 2011

Estava com um broto no portão

Roberto Carlos faz hoje 70 anos. Figura icônica de minha geração, era o arquétipo do jovem irreverente mas inconsciente das questões políticas nos anos 60. Era a época da Jovem Guarda. Durante um bom tempo suas canções, sejam aquela que dá título a este artigo, seja em Quero que vá tudo pro inferno, serviram de modelo a comportamentos divergentes, que em essência eram atitudes de superfície, contestavam as gerações anteriores em corte de cabelo - ou ausência disso - modo de vestir e de falar, mas só isso.

Estava com um broto no portão poderia ser o resumo de como se dava o namoro naqueles tempos: o rapaz ia à casa da moça e ficava no portão até no máximo às nove da noite, sendo literalmente atirado para fora depois desse horário.

Por sua vez, Quero... marcou uma pontuação diferente: houve o registro de uma forma de amar, um comportamento de amar que tinha uma pontinha inconsciente de confronto, colocava o amor dos jovens amantes em impacto com a sacralidade momentânea do estar com um broto no portão. Seria o jovem diante de um mundo a quem estranhava e refutava como mentor de padrões e normas, um mundo contestável, portanto. Daí afirmar a canção: "Só quero que você/ Me aqueça neste inverno/ E que tudo mais vá pro inferno."

À época, esse refrão, que hoje soa simples e tolo, provocou protestos. Afinal, na canção, o personagem enlouquecido de amor mandava ao diabo todo um sistema de crenças, não só quanto ao tipo de relacionamento homem/mulher entre os jovens, mas, acima de tudo - e está aí o problema - mandava aos quintos toda uma sociedade, os pais, os "velhos", à companhia do demo. 

Roberto ingressava no escorregadio caminho da contestação via confronto entre o sagrado (os comportamentos-padrão) e o profano (a assunção de que o amor carnal deveria ser admitido sem mesuras. Afinal, era a época em que homens casados tinham "duas famílias", hipócrita e formalmente admitidas nas figuras de mulheres teúdas e manteúdas. Ou seja: os caras já estavam no inferno - da mentira social - mas não admitiam).

Roberto, todavia, nunca foi um contestador. Quero... foi apenas uma composição irreverente, mesmo ferindo brios longevos. Quanto a mim, passada essa fase, ingressei no gosto pela música de Geraldo Vandré, Mutantes e Caetano Veloso, Gil e cia. Beatles, claro, jamais esqueci. 

Mas, falava eu dos 70 anos do Rei. Acho que valeu. Hoje, ele é um ersatz, uma imitação de si mesmo, sua própria reprodução, reprisando standards como quanto canta "Quando eu estou aqui/Vivendo este momento lindo". Mas, insisto, valeu. É o Rei e sua música há de ficar. E agora, ao terminar é como se estivesse ouvindo, lá longe: "Estava com um broto no portão/ Quando um grito ouvi/Pega ladrão..."
 ZOORÓSCOPO

Bichano- São geralmente agradáveis, afáveis, movem-se com lentidão e gostam muito de sobra e água fresca. Trata-se de um signo facilmente encontrável  em repartições públicas. No fundo, são boa gente, só não gostam do pesado.

Cascavel - As nascidas em cascavel são o pior tipo de mulher para se casar. Dos homens, diga-se a mesma coisa. Mas, vale um conselho caríssimos cascavelianos: é bom não se meterem com os nascidos em Tijuaçu. Esses são do bem, enfrentam qualquaer cobra, não gostam de brincadeiras e vocês podem se dar mau.

Marimbondo - Aí é preciso ter cuidado. Quem se rege por esse signo não tem qualquer atenção pelos outros, somente pensa em si. Como são geralmente pessoas feias, vingam-se de sua dor ferroando aqueles que, por qualquer equívoco, a eles estão apegados. Todo marimbodiano tem inveja dos que nascem em Abelha. 

Formiga - Nascidos para o trabalho, o formiguiano terá sempre uma condição de vida estável, muito embora dificilmente venha a enriquecer. São valorosos, confiáveis, mas não deve procurar contrair núpcias com quem é de Pavão. Podem acabar no maior buraco. E falidos.

Cavalo - Conhecidos pelo temperamento digamos, forte, para não dizer outra coisa, o cavaliano atrita-se facilmente. Mesmo que o parceiro não o tenha provocado. Cavalo, no entanto, não deve brincar com Hiena. A  mulher em Hiena não leva desaforo para casa e ainda sai rindo depois de armar a confusão.
                    

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces

Monteiro Lobato
Homenagem no Dia Nacional do Livro Infantil
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"Mé dê uma irmolinha pá minha mãe jejuá"


Quando criança, há muit'anos, a Semana Santa tinha algo de especial. Meu olhar de menino via como Meus Pais em sua contrita, simples e magnífica fé se curvavam de forma humilde ao Grandioso, ao Mistério, ao Insondável. A rezação dos fiéis era intensa e havia distribuição de pão aos pobres.

Lembro que ao lado de minhas irmãs santava-me à soleira da porta com um saco de brotes para atender a uma enfieira de pedintes; eram, em sua maioria, crianças como nós que se apresentavam dizendo: "Me dê uma irmolinha pá minha mãe jejuá."  E nós, numa alegria infante, sem perceber que à nossa frente havia todo o drama da fome, atendíamos a cada um com sorriso enorme, como se aquele encontro anual fosse estranha festa. Se havia pobres, devia-se alimentá-los. Radiante e intensa candura do repartir.

 A Semana Santa era um período em que uma espécie de louvor doloroso se espalhava aos quatro cantos. Era como se um uivo humano de culpa se impregnasse nas pessoas. Nas igrejas os santos eram recobertos por sudários roxos. Eu não entendia o porquê daquilo, mas sentia que uma angústia se aninhava naquelas estátuas e que todos deveriam sentir algum medo, um medo básico, obrigatório, e era esse medo básico e incompreensível que eu criança sentia. 

Desde então essa cor, esse roxo sofrido, passou ao meu repretório de temores.  Como o anúncio de que algo grave, temível, uma sentença matizada em tecido, se anunciava a todos, homens ou meninos. Sentença ontem e hoje, só que agora no mundo secular e profano da brutalidade e da espoliação. 

A Semana Santa era penitencial e profunda em sua incompreensibilidade minha. Uma alegria, porém, sempre vinha, quando os padres anunciavam a Ressurreição. Aí, eu sentia um sol dentro de mim, um brilho, uma alegria: tinha passado aquele breve período de clamor e eu tinha a impressão de que Jesus pegava na minha mão. Era isso o que Minha Mãe dizia, com seus grandes olhos verdes. Mesmo assim, eu continuava sem entender porque Ele tinha que morrer todo ano. 

Hoje, a Semana Santa é um evento turístico, um feriadão malandro e cheio de ginga. As pessoas perderam vínculo com as tradições populares que cercavam aqueles dias. E as crianças já não distribuem mais brote à porta de casa. Mas os pobres e famintos continuam buscando pão; só que normalmente lhes é dado circo. 

A Semana Santa virou um grande brinde com vinhos caros e hoje é apenas pacote turístico. Mas o menino que ainda a mim habita me diz que entre o então do clamor rumoroso e ingênuo daquela fé, e o agora dos festivais turísticos, cristalizou-se no coração dos homens a rocha da perda daquela solidariedade tão chã e tão simples, simbolizada na distribuição do pão.

De qualquer forma o Mistério ainda habita a minha alma. Ainda acredito que é preciso ter uma irmola para dar às mães que precisam jejuar.



sábado, 16 de abril de 2011

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A Folha está promovendo um escarcéu em torno de texto que sequer foi publicado, de autoria de FHC. É o que se chama, em jornalês, de "balão de ensaio", uma coisa de jornal que visa "testar" até que ponto alguém pode medir a importância ou impacto de suas palavras ou atitudes midiáticas. O balão de ensaio surge de algo que em si não tem valor algum ou o tem de forma relativa;  visa atender unicamente o interesse de alguém em torno da promoção de seu nome ou instituição a que seja ligado. No caso, o jornal pretende criar e promover um pesudoacontecimento - o "debate" interno do PSDB - a fim de promover esse partido. Leia a matéria.

Oposição discorda de FHC e defende foco no 'povão'

DE SÃO PAULO
Hoje na Folha Líderes da oposição, entre eles Aécio Neves (PSDB-MG), discordaram ontem do teor do artigo em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso propõe que desistam do "povão" para investir na nova classe média, informa reportagem de Catia Seabra, Vera Magalhães e Daniela Lima, publicada na Folha desta quarta-feira (íntegra somente para assinantes do jornal ou do UOL).
Já o ex-governador José Serra fez vários elogios ao texto e disse que este não é o "ponto essencial" do texto. 

Em artigo que será publicado nesta semana e revelado pela Folha, FHC defende uma revisão profunda da estratégia do PSDB e da oposição para voltar ao poder.
O tucano diz que a oposição deveria desistir de conquistar as camadas mais pobres do eleitorado e se conectar com a nova classe média.

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Osni Mubarak
Foto: Amr Nabil
Deu no jornal que o ditador decaído teve um enfarte durante interrogatório. É duro olhar a própria face.

Jornal Nacional - Wellington Menezes - Video -

terça-feira, 12 de abril de 2011

Ladrões agem livremente no setor II do Campus da UFRN e roubam 7 datashows

Recebo da chefia do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes-CCHLA a seguinte mensagem: Verifiquem na página do CCHLA (http://www.cchla.ufrn.br/) os vídeos e imagens da ação de suspeitos relacionada ao furto de sete datashows no Bloco I do Setor II, no sábado, 19 de março de 2011.

Se alguém reconhecer os três suspeitos, por gentileza, informe ao Setor de Segurança da UFRN pelo telefone 08000842050.

A Direção
...........
 
A ocorrência revela, a uma primeira visão, a fragilidade do sistema de vigilância da UFRN. Se não, por que os ladrões agiram com tanta desenvoltura, como mostram o vídeo e as fotos? A implantação de um sistema de câmeras supõe que existam agentes de defesa atentos e aptos a reagir à altura a tais situações. O que se vê é, ao contrário, os presumidos autores do roubo circulando livremente e aparentando despreocupação, à luz do dia.  
 
Pergunta-se: não havia nenhum agente atento às câmeras e assim pronto para reunir pessoal suficiente para enfrentar os criminosos? Por que ninguém viu quando a ação se desenrolava? Por que tamanha falha? E afinal: para que servem mesmo as câmeras? Quais as atitudes tomadas internamente para apurar o fato e descobrir o motivo de tamanha displicência? Como conseguiram entrar e sair sem problema algum? A segurança da UFRN, ao que parece, precisa, no mínimo, de treinamento para executar sua função.

Veja as fotos.
 

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Em defesa da greve civil ou o direito de não votar

Estranho país esse nosso, onde somos obrigados a votar como se fosse um direito. Aqui, voto é obrigação. Quer dizer, os políticos não são eleitos, eles se fazem eleger, o que é bem diferente. Somos obrigados a referendar, a cada dois anos, homens e mulheres que comporão a elite mascarada desse baile burlesco. 

Voto deveria ser direito e, sendo direito, caberia a possibilidade de não ser exercido. E esse não-exercer seria uma forma de exercício democrático, um repúdio, um cometimento saudável e urgente. 

Seria o que se chama em Direito um ato comissivo por omissão. No caso, omissão como ausência às urnas mas comparecimento à esfera da sociedade civil indignada com o mar de lama. 

Não prego o absenteísmo ou o indiferentismo; defendo a mobilização cidadã pelo não. Isso serviria de choque cultural às práticas políticas, à impunidade, ao jeitinho, à maracutaia, à perpetuação de candidatos - sempre eleitos ou reeleitos - para continuar com sua sanha de ganância e ganhos sujos.

É preciso ter o direito de não votar. É preciso ter o direito a essa greve civil.

domingo, 10 de abril de 2011

Poemas de Florbela Espanca
 
Fumo

Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas;
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!




O nosso mundo

Que importa o mundo e as ilusões defuntas?...Que importa o mundo seus orgulhos vãos?...
O mundo, Amor?... As nossas bocas juntas!...




Não ser

Ah! arrancar às carnes laceradas
Seu mísero segredo de consciência!
Ah! poder ser apenas florescência
De astros em puras noites deslumbradas!

Ser nostálgico choupo ao entardecer,
De ramos graves, plácidos, absortos
Na mágica tarefa de viver!
Deu no Estadão:



100 dias de Dilma: a mulher é o estilo

No pós-Lula, a primeira presidente a comandar o Brasil consolida sua marca ao imprimir pulso forte, porém discreto, à gestão; ajuste das contas e ameaça de inflação ainda são desafios



 Dilma Rousseff completa neste domingo, 10, 100 dias no cargo de presidente da República com o feito de ter dirimido a dúvida mais mordaz lançada contra ela por seus opositores durante a campanha eleitoral do ano passado: seria Dilma, criada à imagem e semelhança de Lula, capaz de comandar o País sozinha? Para silenciar os críticos nesse quesito, a primeira mulher a ocupar a Presidência fez questão de imprimir a marca de uma governante austera e discreta.
Veja também:
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Pulso forte para apagar a sombra do 'mito' do Planalto
linkNo 'núcleo duro', só Palocci e Pimentel
linkNos discursos, a valorização da mulher
linkInflação assombra e câmbio desafia
linkEntrevista: Novo ambiente não permite que Dilma repita Lula
linkUnião vê Osasco como modelo para plano antimiséria
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especialVeja o especial sobre os 100 dias de Dilma

Tais características provocaram comparações inevitáveis com seu antecessor e padrinho, um político afeito aos discursos e ao embate direto com a oposição, a mesma oposição que, para fustigá-lo e tentar enfraquecer seu mito, passou a elogiar o jeito de Dilma comandar o País. A presidente, no entanto, nunca incentivou de público esse paralelismo, ainda que na política externa e na questão dos direitos humanos tenha adotado medidas frontalmente contrárias à atuação de Lula na área.

Os afagos da oposição se restringiram à forma. No PSDB e no DEM, ganham corpo as críticas ao conteúdo: "gastança" do governo, desaceleração do PAC e ameaça de inflação. O corte de R$ 50 bilhões no Orçamento não convenceu o mercado e os opositores de que as contas públicas estão sob controle. Dúvidas de gestão à parte, resta ao fim dos 100 dias a certeza de que Dilma se impôs. Parafraseando o francês conde de Buffon (1707-1788), para quem "o estilo é o homem", hoje "a mulher é o estilo".

 

Chuva boa que chega e se espalha em luz


Uma chuva mansa enxameia as copas das árvores, alisa as flores, recobre os gramados com suas luzes d'água.
Brisa molhada se espalha de lento em lento e, sem pressa, diz que é ventania amiga e que dela não se espere nem se tema a força de um simum, a potência de um mistral, o rigor de um minuano ou o perigo de um siroco. 

É uma chuva nordestina, daquelas de quem o sertanejo gosta e chama de sua. Boa chuva que cai sobre Natal e escorre pelas calçadas. Boa chuva... boa chuva...

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Criminal minds

O seriado Criminal minds no canal a cabo AXN, trata de um grupo de investigadores do FBI que busca pessoas de comportamento divergente que exercem atitudes de poder violento sobre vítimas indefesas. Wellington Menezes de Oliveira se encaixa perfeitamente no padrão, na tipicidade dos personagens da série. 

As matérias que têm abordado o assunto o apresentam como alguém esquisito, antissocial, alguém dotado de uma espécie de recato mórbido, um ser humano que de algum modo sofria discriminação. Quanto a este último aspecto, vi breve abordagem  numa notícia de TV.

A pólícia está tentando traçar o perfil do assassino, a fim de descobrir a causa ou causas profundas que o levaram ao desatino. A mim, parece que se trata de alguém que tinha da vida visão dolorosa, amargurada. Um ressentimento tão acre e convincente de que a humanidade é má, que tinha nele uma espécie de vítima preferencial, o levou, suponho, ao ato extremo dessa vingança inusitada, paradoxal e chocante. 

Assim, ao construir esse mundo interno, íntimo, pungente, ele criou todas as condições subjetivas e justificadoras do gesto brutal que perpetrou. O acontecimento, que tomou repercussão midiática planetária, e expõe a condição humana em sua maior crueza e bestialidade, nos entristece e nos lança a pergunta desesperada e existencialmente sem resposta: por quê? Até que ponto um ser humano, acossado por seus próprios fantasmas e demônios, pode matar, a partir de justificativas que sua mente angustiada cria para fugir desses mesmos fantasmas?

No fundo ele sabia do mal que causava, tanto que veio o suicídio. No fundo, ao se matar, matou também o mundo sinistro que supunha habitar, atirando-se a si próprio, ferindo de morte sua existência de dores íntimas.


Na carta que deixou salientava sua condição de "virgem" em oposição aos "pecadores" e "adúlteros", ou seja: uma criatura límpida e pura, habitando uma espécie de inferno moral que o atemorizava e do qual fugia pela internert que acessava ao longo de noites inteiras. 

Afinal, uma tragédia sem nome, deixando-nos pasmos e cabisbaixos quanto à condição do homem. Abaixo, reprodução da carta deixada pelo matador.

Primeiramente deverão saber que os impuros não poderão me tocar sem luvas, somente os castos ou os que perderam suas castidades após o casamento e não se envolveram em adultério poderão me tocar sem usar luvas, ou seja, nenhum fornicador ou adúltero poderá ter um contato direto comigo, nem nada que seja impuro poderá tocar em meu sangue, nenhum impuro pode ter contato direto com um virgem sem sua permissão, os que cuidarem de meu sepultamento deverão retirar toda a minha vestimenta, me banhar, me secar e me envolver totalmente despido em um lençol branco que está neste prédio, em uma bolsa que deixei na primeira sala do primeiro andar, após me envolverem neste lençol poderão me colocar em meu caixão. Se possível, quero ser sepultado ao lado da sepultura onde minha mãe dorme. Minha mãe se chama Dicéa Menezes de Oliveira e está sepultada no cemitério Murundu.

Preciso de visita de um fiel seguidor de Deus em minha sepultura pelo menos uma vez, preciso que ele ore diante de minha sepultura pedindo o perdão de Deus pelo o que eu fiz rogando para que na sua vinda Jesus me desperte do sono da morte para a vida eterna.”

"Eu deixei uma casa em Sepetiba da qual nenhum familiar precisa, existem instituições pobres, financiadas por pessoas generosas que cuidam de animais abandonados, eu quero que esse espaço onde eu passei meus últimos meses seja doado a uma dessas instituições, pois os animais são seres muito desprezados e precisam muito mais de proteção e carinho do que os seres humanos que possuem a vantagem de poder se comunicar, trabalhar para se alimentarem, por isso, os que se apropriarem de minha casa, eu peço por favor que tenham bom senso e cumpram o meu pedido, por cumprindo o meu pedido, automaticamente estarão cumprindo a vontade dos pais que desejavam passar esse imóvel para meu nome e todos sabem disso, senão cumprirem meu pedido, automaticamente estarão desrespeitando a vontade dos pais, o que prova que vocês não tem nenhuma consideração pelos nossos pais que já dormem, eu acredito que todos vocês tenham alguma consideração pelos nossos pais, provem isso fazendo o que eu pedi."

quinta-feira, 7 de abril de 2011

 Deu na Folha:

Sistema criminal trata diferente ricos e pobres, afirma De Sanctis

FLÁVIO FERREIRA
DE SÃO PAULO
O desembargador Fausto Martin De Sanctis, que atuou no caso Castelo de Areia, recusou-se ontem a falar sobre o julgamento do STJ que anulou os grampos da operação, mas disse que o sistema criminal do país vive uma situação de "dualidade de tratamento" entre ricos e pobres.
Mastrangelo Reino - 29.out.2009/Folhapress
Fausto Martin De Sanctis disse que o sistema criminal vive uma situação de "dualidade de tratamento" entre ricos e pobres
Fausto Martin De Sanctis disse que o sistema criminal vive uma situação de "dualidade de tratamento" entre ricos e pobres
 
Folha - Como o sr. avalia a decisão do STJ que anulou os grampos da Castelo de Areia?
Fausto De Sanctis - Não posso falar sobre esse caso concreto, mas posso falar sobre o sistema criminal de um modo geral. Em várias situações o Supremo Tribunal Federal já legitimou interceptações após denúncias anônimas e prorrogações de interceptações por longos prazos.
A Justiça tem um compromisso, pois ela serve de estímulo ou desestímulo para outros órgãos de poder. Não se pode comprometer a imagem da Justiça como uma Justiça dual, que trata diferentemente pobres e ricos.
O grande desafio do Judiciário brasileiro é reafirmar o princípio da igualdade e não fazer reafirmações que passam de forma concreta a ideia de que o crime compensa para alguns. A dualidade de tratamento já foi discutida no passado e os países desenvolvidos já superaram essa fase. Mas parece que o Brasil não superou. 

Qual será a repercussão desse julgamento para outros casos que tiveram interceptações após denúncias anônimas?
Não posso falar desse julgamento, mas é nítido para juízes criminais, Ministério Público, Polícia Federal e advogados o desestímulo institucional já existente. Tudo o que é feito é sempre interpretado de maneira favorável às teses provenientes daqueles que lucram muito com elas.
Não existem direitos sem deveres, mas parece que os deveres não são exigidos ou são muito bem flexibilizados em determinadas situações, o que é inconcebível. 

O subprocurador que representou o Ministério Público no julgamento disse ser preciso reavaliar os cuidados nas apurações. O sr. concorda?
Não falo do fato concreto, mas acontece que há uma total desorientação da jurisprudência com relação aos trabalhos de apuração, porque a jurisprudência sempre permitiu interceptações por tempo indeterminado, denúncias anônimas e ações controladas.
A partir do momento em que determinados casos vieram à tona, e não estou falando da Castelo de Areia, a jurisprudência simplesmente vira e interpreta com rigor tal que não se tem como investigar ou processar, pois tudo leva à prescrição, à nulidade ou à inépcia da denúncia.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Subiu no telhado

Assisti ontem, no auditório da Reitoria da UFRN, palestra de Juca Kfouri aos estudantes de Jornalismo. A personalidade solar do jornalista cativou à larga. O espetáculo, no melhor sentido que tenha o termo, ganhou força especialmente porque Kfouri, elegantemente, não tem meias palavras quando se trata de falar desse ofício que tem muito de missão. 
http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.imagensgratis.


Abordou a corrupção no futebol ao mencionar a cartolagem implícita e criticou, sob palmas veementes, a realização no Brasil da Copa e da Olimpíada. Disse que até poderiam ser realizadas, mas sob condições brasileiras, ou seja: sem a gastança que está programada para gáudio de quem vai com ambas ganhar muito dinheiro.

Mas, para mim, o mais importante se deu quando, respondendo a uma indagação, disse que a Copa em Natal "subiu no telhado". 

Para quem não conhece o sentido da expressão, isso quer dizer que Natal será, para minha alegria, retirada de sua condição de subsede da Copa; caiu fora, saiu, perdeu. As obras sequer começaram e não há, isso é opinião minha, sinal mais forte indicando quando tal intentona terá início. Graças.

Melhor assim. O dinheiro a ser esbanjado nessa insanidade será melhor, muito melhor empregado se o for em hospitais, segurança, escola e infraestrutura. 

Antes que esqueça: quando Kfouri disse que a loucura da Copa subiu no telhado foi aplaudido.
Na charge de Angeli, na Folha, a essência da política brasileira. Um petardo.

sábado, 2 de abril de 2011

Vandalismo na rede pública de saúde: o povo tratado a ferro frio

"Isso não é democracia; isso é vandalismo." A afirmativa é de um sofrido e amargo homem, idoso, já bem mais de 60, a respeito da medicina que o Estado brasileiro oferta, ou melhor, impõe, impinge, é o que quero dizer, ao povo. O rápido testemunhal foi feito ao Globo Repórter de ontem, numa das mais sérias, dignas, corajosas e incisivas manifestações de jornalismo que já vi.
Imagem ilustrativo-metafórica da situação
dos hospitais públicos no Brasil: o povo
tratado a ferro frio
 Isso prova: se o patrão deixa, o jornalista faz. Mas, voltemos ao Globo Repórter: a pauta era mostrar como funcionam - ou o contrário disso -, os hospitais públicos desse país. Resultado: uma aterradora realidade de morte por falta de meios de médicos decentes trabalharem, hospitais com obras jamais concluídas e hoje arruinadas, médicos desonestos, médicos insensíveis, lamentos, choro e, para ser um pouco bíblico, ranger de dentes.

O programa foi uma poderosa ação editorial, sob a competência de equipe de profissionais irretocável. A edição ampliava o efeito da denúncia, magnificava a dor, o desespero, a angústia das vítimas desse tipo de assistência - se é que isso é assistência.

Creio que a eficácia editorial do programa, ou seja, sua repercussão, efeito de choque sobre os responsáveis, poderá ser mensurada em alguma declaração do Ministério da Saúde, o que dizem as autoridades setoriais, como se sentem diante do quadro que, digamos assim, administram. Sobre a sociedade, tenho para mim, essa eficácia já se processou: a indignação que sinto certamente é compartilhada por muita gente Brasil afora.

Mas temo que fique nisso mesmo: indignação social, paralisia do governo; perplexidade do cidadão, silêncio pesado de quem deveria agir. No fim, o dinheiro que deveria ser para construção, reforma ou restauração de hospitais irá para a construção de estádios de futebol. O pão e o circo, o pão e o circo. Que bom, que bom...

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Volto a escrever neste sábado.
Emanoel Barreto
Zootecnista agora é profissional de saúde

Recebi do zootecnista Edgar Manso uma boa notícia para a categoria. Compartilho:


Barreto,

Abaixo segue boa notícia para os zootecnistas do RN.
Foi proposta pelo vereador Ney Lopes Junior.
Mandei e-mail para ele e estarei me reunindo com o mesmo na próxima segunda em seu gabinete.

Abraço,
Edgar Manso

Diário Oficial do Município
NATAL, QUINTA-FEIRA, 16 DE DEZEMBRO DE 2010
Página 5

LEI PROMULGADA Nº 0321/2010
Dispõe sobre a Profissão de Zootecnista no Município do Natal, e dá outras providências.
O PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DO NATAL, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo Artigo 22, Inciso XVI, da Lei Orgânica do Município do Natal, e pelo Artigo 201, § 6º, da Resolução nº 337/05 - Regimento Interno - PROMULGA à seguinte Lei:

Art. 1º - Fica reconhecida para todos os efeitos legais, a Profissão de Zootecnista, como
Profissional da Área de Saúde do Município do Natal.

Art. 2º - Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Sala das Sessões, em Natal, 09 de dezembro de 2010.  

quinta-feira, 31 de março de 2011

Deu na Tribuna que clamor público pressiona contra aumento de IPTU.

Moradores pedem mudança no IPTU


De um lado o secretário de Tributação, André Macedo, respaldado pela legislação e por relatórios técnicos de geoprocessamento, explicando as medidas adotadas pela prefeitura; de outros, líderes comunitários indignados, elevando o tom das críticas e até defendendo a adoção de um movimento de desobediência civil para que o tributo não seja pago enquanto o poder público não der respostas efetivas às demandas dos moradores. Reforçando o tiroteio, vereadores de oposição lamentando à falta de transparência e a insensibilidade da prefeitura na condução do problema.

Foi esta a tônica da audiência pública realizada ontem na Câmara Municipal para discutir o aumento do Imposto Predial e Territorial Urbano de Natal que, em alguns casos, chegou a  de 1.500%, segundo informações do autor da proposta de audiência, vereador George Câmara (PCdoB). 

A desobediência civil foi defendida pelo líder comunitário da Cidade da Esperança Lúcio Carlos, que reclamou do abandono do bairro, o primeiro conjunto habitacional do Brasil, construído no início da década de 1960 pelo então governador Aluízio Alves.  “A Rua Natal está cheia de buracos e lixo. Solicitamos uma ação da prefeitura há mais de um ano e nada foi feito”, disse ele. “É uma sacanagem dizer  que vai tomar a casa de quem não pagar o IPTU”, complementou.

Representando os moradores do loteamento José Sarney, João Bosco Tavares reclamou do aumento exorbitante do imposto e citou o caso de uma residência cujo IPTU subiu para R$ 680, enquanto o do  vizinho foi de R$ 50. “Como pode uma comunidade que tem a maioria das famílias inscritas no Bolsa Família pagar IPTU de R$ 600?”

Antônio Barbosa, da Cidade Satélite, considerou a situação do maior conjunto habitacional da cidade  “uma vergonha” em se tratando de bairro da zona sul. “Parece que os órgãos públicos fecharam os olhos para nós.” Já o representante do Jardim Progresso reclamou da falta de calçamento e de escola e de falhas na iluminação pública e na coleta de lixo. “O caminhão só está passando uma vez por semana”, disse ele.

Insatisfeito com o aumento do imposto, Gilberto Fonseca, do Cidade Praia, desabafou: “A prefeitura  não pode mandar só o cobrador para a nossa comunidade. Ela tem de mandar também o pessoal da ação social, das obras de infraestrutura.”

O advogado das entidades comunitárias,  Luiz Gomes, disse que houve falhas no geoprocessamento, que a verificação dos dados recebidos foi feita por amostragem e sugeriu que a Prefeitura do Natal reconhecesse as falhas e aceitasse uma solução negociada para evitar a judicialização do problema. “É fato que houve erros e que esses erros geraram impacto sócio-econômico nas pessoas, especialmente nas de baixa renda.” Depois de fazer uma explanação dos debates já realizados anteriormente e diante das posições assumidas pela prefeitura, Luiz disse que vai aguardar mais dez dias para então tomar as medidas cabíveis e que torcia por uma solução negociada. “Ao adotar a solução judicial, estamos elegendo um terceiro poder, que é o Judiciário, para resolver um problema administrativo.”

Para o presidente da Federação Estadual dos Conselhos Comunitários e Entidades Beneficentes do Rio Grande do Norte, Paulo César Oliveira, a audiência foi importante porque mostrou os vários aspectos da questão do IPTU. Ele defende a tese de que o Poder Legislativo pode se engajar na luta pela cobrança do tributo levando em conta não apenas questões técnicas, mas também a parte social dos contribuintes.

Para o vereador George Câmara, é fundamental que a prefeitura antes de buscar a todo custo recolher os impostos, dê aos cidadãos natalenses, direitos essenciais como saúde e educação. “Será que o aumento e o valor cobrado pelo IPTU são justos? Temos ruas esburacadas, faltam médicos e remédios, não há limpeza urbana freqüente, falta iluminação e nossa educação vai de mal a pior.

Micarla de Sousa admite levar em conta a questão social

Diante do que foi colocado na audiência pública, a prefeita Micarla de Sousa (PV) pediu um levantamento ao secretário de Tributação sobre a questão do IPTU, inclusive com número de contribuintes isentos. A informação foi dada no final da tarde de ontem pelo secretário executivo do Gabinete Civil, Rivaldo Fernandes, que acompanhou os debates na Câmara Municipal.

Segundo Rivaldo, a prefeita determinou que a Secretaria de Tributação “olhasse de maneira especial” para idosos, desempregados e para as famílias inscritas no programa Bolsa Família do governo federal.

A determinação da prefeita vai obrigar o secretário André Macedo  a mudar o discurso, até então respaldado em questões técnicas e no estrito cumprimento da lei. “A prefeitura vai corrigir todos os erros no cadastro”, garantiu Rivaldo.

Nos 20 minutos a que teve direito no encerramento da audiência, André Macedo perdeu boa parte do tempo justificando a adoção do geoprocessamento. “É impossível fazer a medição de 300 mil imóveis usando a trena.”

Ao responder a uma pergunta sobre arrecadação e aplicação dos recursos do IPTU, o secretário informou que no ano passado foram arrecadados, entre IPTUl e  taxa de limpeza pública, R$ 65 milhões. “Com esse dinheiro não tínhamos nem como pagar as despesas com a coleta de lixo’.