Mostrando postagens com marcador protestos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador protestos. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 31 de março de 2011

Deu na Tribuna que clamor público pressiona contra aumento de IPTU.

Moradores pedem mudança no IPTU


De um lado o secretário de Tributação, André Macedo, respaldado pela legislação e por relatórios técnicos de geoprocessamento, explicando as medidas adotadas pela prefeitura; de outros, líderes comunitários indignados, elevando o tom das críticas e até defendendo a adoção de um movimento de desobediência civil para que o tributo não seja pago enquanto o poder público não der respostas efetivas às demandas dos moradores. Reforçando o tiroteio, vereadores de oposição lamentando à falta de transparência e a insensibilidade da prefeitura na condução do problema.

Foi esta a tônica da audiência pública realizada ontem na Câmara Municipal para discutir o aumento do Imposto Predial e Territorial Urbano de Natal que, em alguns casos, chegou a  de 1.500%, segundo informações do autor da proposta de audiência, vereador George Câmara (PCdoB). 

A desobediência civil foi defendida pelo líder comunitário da Cidade da Esperança Lúcio Carlos, que reclamou do abandono do bairro, o primeiro conjunto habitacional do Brasil, construído no início da década de 1960 pelo então governador Aluízio Alves.  “A Rua Natal está cheia de buracos e lixo. Solicitamos uma ação da prefeitura há mais de um ano e nada foi feito”, disse ele. “É uma sacanagem dizer  que vai tomar a casa de quem não pagar o IPTU”, complementou.

Representando os moradores do loteamento José Sarney, João Bosco Tavares reclamou do aumento exorbitante do imposto e citou o caso de uma residência cujo IPTU subiu para R$ 680, enquanto o do  vizinho foi de R$ 50. “Como pode uma comunidade que tem a maioria das famílias inscritas no Bolsa Família pagar IPTU de R$ 600?”

Antônio Barbosa, da Cidade Satélite, considerou a situação do maior conjunto habitacional da cidade  “uma vergonha” em se tratando de bairro da zona sul. “Parece que os órgãos públicos fecharam os olhos para nós.” Já o representante do Jardim Progresso reclamou da falta de calçamento e de escola e de falhas na iluminação pública e na coleta de lixo. “O caminhão só está passando uma vez por semana”, disse ele.

Insatisfeito com o aumento do imposto, Gilberto Fonseca, do Cidade Praia, desabafou: “A prefeitura  não pode mandar só o cobrador para a nossa comunidade. Ela tem de mandar também o pessoal da ação social, das obras de infraestrutura.”

O advogado das entidades comunitárias,  Luiz Gomes, disse que houve falhas no geoprocessamento, que a verificação dos dados recebidos foi feita por amostragem e sugeriu que a Prefeitura do Natal reconhecesse as falhas e aceitasse uma solução negociada para evitar a judicialização do problema. “É fato que houve erros e que esses erros geraram impacto sócio-econômico nas pessoas, especialmente nas de baixa renda.” Depois de fazer uma explanação dos debates já realizados anteriormente e diante das posições assumidas pela prefeitura, Luiz disse que vai aguardar mais dez dias para então tomar as medidas cabíveis e que torcia por uma solução negociada. “Ao adotar a solução judicial, estamos elegendo um terceiro poder, que é o Judiciário, para resolver um problema administrativo.”

Para o presidente da Federação Estadual dos Conselhos Comunitários e Entidades Beneficentes do Rio Grande do Norte, Paulo César Oliveira, a audiência foi importante porque mostrou os vários aspectos da questão do IPTU. Ele defende a tese de que o Poder Legislativo pode se engajar na luta pela cobrança do tributo levando em conta não apenas questões técnicas, mas também a parte social dos contribuintes.

Para o vereador George Câmara, é fundamental que a prefeitura antes de buscar a todo custo recolher os impostos, dê aos cidadãos natalenses, direitos essenciais como saúde e educação. “Será que o aumento e o valor cobrado pelo IPTU são justos? Temos ruas esburacadas, faltam médicos e remédios, não há limpeza urbana freqüente, falta iluminação e nossa educação vai de mal a pior.

Micarla de Sousa admite levar em conta a questão social

Diante do que foi colocado na audiência pública, a prefeita Micarla de Sousa (PV) pediu um levantamento ao secretário de Tributação sobre a questão do IPTU, inclusive com número de contribuintes isentos. A informação foi dada no final da tarde de ontem pelo secretário executivo do Gabinete Civil, Rivaldo Fernandes, que acompanhou os debates na Câmara Municipal.

Segundo Rivaldo, a prefeita determinou que a Secretaria de Tributação “olhasse de maneira especial” para idosos, desempregados e para as famílias inscritas no programa Bolsa Família do governo federal.

A determinação da prefeita vai obrigar o secretário André Macedo  a mudar o discurso, até então respaldado em questões técnicas e no estrito cumprimento da lei. “A prefeitura vai corrigir todos os erros no cadastro”, garantiu Rivaldo.

Nos 20 minutos a que teve direito no encerramento da audiência, André Macedo perdeu boa parte do tempo justificando a adoção do geoprocessamento. “É impossível fazer a medição de 300 mil imóveis usando a trena.”

Ao responder a uma pergunta sobre arrecadação e aplicação dos recursos do IPTU, o secretário informou que no ano passado foram arrecadados, entre IPTUl e  taxa de limpeza pública, R$ 65 milhões. “Com esse dinheiro não tínhamos nem como pagar as despesas com a coleta de lixo’.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Egito: a força contra o povo

Leio na Folha: O Exército egípcio poderá ser obrigado a intervir para proteger o país caso os protestos contra o regime provoquem um "estado de caos", advertiu nesta quarta-feira o ministro das Relações Exteriores, Ahmed Abdul Gheit, citado pela agência estatal Mena.
"Nós temos que preservar a Constituição, mesmo que esta seja alterada", disse Abul Gheit à emissora de TV Al Arabiya, de acordo com a agência Mena. 

"Ele afirmou que caso o caos ocorra, as forças armadas intervirão para controlar o país, um passo, segundo ele, que poderá levar a uma situação muito perigosa", informou a agência, citando o entrevistado. 
.........

Mohammed Abou Zaid/AP - Cartaz fala da fortuna de Mubarak
Que tal se fosse invertida a compreensão do problema e se passasse a dizer assim: o povo egípcio foi obrigado a intervir contra uma ditadura de 30 anos, que permitiu a seu usufrutuário o acúmulo de fortuna estimada em 70 bilhões de dólares?


A culpa, é bem mais fácil assim, é colocada no povo, nos milhões de famintos, nos que não têm direito a comer um pão. A persistência do ditador Mubarak é o empecilho a uma suposta e desejável democratização do país. Ele é o problema, não aqueles que protestam.

A "intervenção" do exército será um exercício de temeridade. Mesmo sob a consigna de defesa da Constituição, o uso de força armada contra multidão resulta em banho-de-sangue. Nada parece sugerir que o grito das ruas venha a se calar. A não ser que venha a ser calado.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

No Egito, um milhão grita "fora Mubarak"

 http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,multidao-no-cairo-ja-soma-um-milhao-para-protestar-contra-mubarak,673861,0.htm
Povo na rua grita contra Mubarak

A mobilização do povo egípcio tomou um caráter épico. Indica que o ditador Hosni Mubarak já não tem condições de continuar. Após 30 anos de poder, desgastou-se a tal ponto que vê esgarçarem-se suas possibilidades de manter-se como "presidente". As informações na internet dizem que cerca de um milhão de pessoas estão nas ruas, protestando.

Quando isso acontece significa que a sociedade compreendeu que a aquele que a dirige cometeu um erro histórico imperdoável: tomou-se como pessoa-estado, um ser falsamente perpétuo seja pela falácia mesma dessa proposição, seja porque, agindo assim, afastou-se completamente dos compromissos que se espera de um presidente e passou a entender o povo como circunstância passiva e moldável.

Agora, ao que tudo indica, está prestes a cair: para tanto, é suficiente que admita a derrota e renuncie ou as forças armadas o deponham, uma vez que não tem mais legitimidade para continuar ocupando o cargo. De alguma forma todo o mundo acompanha os acontecimentos. A expectativa é quanto ao que virá no imediatamente após Hosni Mubarak: um governo que possa merecer o nome de democrático ou um comando ligado aos fundamentalistas islâmicos.

Aqui você acompanha ao vivo os protestos: http://english.aljazeera.net/watch_now/

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O prefácio de grandes mudanças ou ninguém sabe o que virá

Hosni Mubarak
No Egito o povo parece ter aberto as comportas de uma assuã social, cujas multidões caudalosas inundam as ruas de Cairo.Vive-se, tudo leva a supor, o prefácio de grandes mudanças, mesmo que não se possa falar em revolução: o que se busca é uma espécie de restauração especulada, a implantação de algo que venha a se aproximar do que seja uma democracia, estado social somente conhecido dos egípcios por ouvir dizer.

Eles querem sarjar do poder o embalsamado político que atende por Hosni Mubarak, encastoado ali há 30 anos. As estruturas do regime estalam, rangem suas roldanas mais enferrujadas, trincam-se as estruturas de dominação e o povo vai às ruas. O exército, dizem as coisas de jornal na internet e nas folhas, não mais se porá contra os que gritam fora Mubarak. A posição do exército se dá frente à marcha de um milhão de pessoas programada para hoje.

Caindo, Mubarak pode ser substituído por alguma facção político-teocrática como a Irmandade Muçulmana, o que não garante, sequer sinaliza democracia na forma como o Ocidente, pelos seus condutores e intelectuais orgânicos, a compreendem.

Está aí temor dos Estados Unidos: o surgimento de um Estado islâmico cujo alinhamento com frações radicais maometanas pode ser tido como algo bastante provável. 

Será preciso uma solução histórica de equilíbrio, sem adesão a setores muçulmanos possuídos de sectarismo. A humanidade não precisa de mais uma manifestação de estupidez sob a alegação de contrapor-se ao imperialismo americano - que existe, é ruim e também brutal. O estabelecimento de alguma guerra santa junto a um povo já embebido de sofrimento será fácil dadas as condições vigentes: a queda de um ditador travestido de presidente e a suposta deposição do jugo dos ombros do povo.

 Havendo isso, a queda do ditador e sua substituição por um governo teocrático salvacionista, nem o Egito ingressará em alguma forma de governo que vise a realização de uma democracia no mundo árabe, nem o mundo poderá pensar em sossego, pois as chamas da sua revolta - justa e compreensível em si - poderão chamuscar ainda mais as mãos dos que pedem paz e um pouco de bom senso.

O blog de Gustavo Chacra, repórter do Estadão, acompanha em tempo real os acontecimentos e traz a seguinte avaliação: 

Análise - "Cenários possíveis" – Há quatro cenários possíveis, de acordo com a consultoria de risco político Stratfor. No primeiro, o regime consegue sobreviver, ainda que sem Mubarak. No segundo, são convocadas eleições e um candidato moderado como Mohammad El Baradei vence. No terceiro, também com fim do regime e votação, a Irmandade Muçulmana conquista a vitória. E, no último, o Egito caminha para um caos político."