Mostrando postagens com marcador planos de saúde. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador planos de saúde. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Recebo e divulgo

Sindicatos da saúde solicitam interdição total do Walfredo Gurgel

A convite do Sindicato dos Médicos do RN (SINMED), Sindicato dos trabalhadores em saúde (SINDSAÚDE) e do Sindicato dos Odontólogos (SOERN) ontem, dia 30, foi realizada uma reunião com os representantes dos conselhos da área da saúde. Após uma rodada de discussões, na qual foram apresentados problemas técnicos de diferentes unidades hospitalares, com destaque para o Hospital Walfredo Gurgel, os sindicatos definiram por solicitar aos conselhos regionais a interdição total do hospital.
“Temos consciência de que não é possível um fechamento total do hospital de uma única vez, pois não há como se transferir 400 pacientes de imediato, por isso sugerimos o fechamento por etapas”, explica o presidente do Sinmed, Geraldo Ferreira. 
Segundo Francisco de Almeida Braga, vice-presidente do Conselho Regional de Medicina (Cremern), a solicitação será levada para as plenárias de cada conselho, já que os conselhos funcionam de forma colegiada. Braga, que também é responsável pelo Departamento de Fiscalização do Cremern, explicou que se solicitação dos sindicatos for aceita  o próximo passo dos conselhos e realizar uma fiscalização minuciosa  em cada setor do hospital.
Outra solicitação dos sindicatos é que a fiscalização se torne mais efetiva e que seja realizada em conjunto, como forma detectar problemas e tornar uníssona as cobranças por melhorias nos quadros hospitalares. Durante a reunião, discutiu-se ainda, a possibilidade de que após as fiscalizações serem realizadas pelos conselhos um relatório fosse enviado ao governo com um prazo limite para adequação dos setores debilitados, tornando o fechamento do hospital a última opção.
O setor de reanimação do Walfredo já se encontra interditado pelo Cremern desde o dia 8 de maio e até aqui nenhuma providência foi tomada para a sua reabertura. Para Sônia Godeiro, diretora do Sindsaúde, essa ação, se efetivada, é uma forma dos sindicatos, conselhos e trabalhadores darem um basta na situação indigna enfrentada diariamente pelos profissionais e doentes.
Estiveram presentes na reunião, além de representantes do Sinmed, Sindsaúde e Soern , dirigentes do Conselho Regional de Medicina, Enfermagem, Odontologia e Biologia.

domingo, 10 de julho de 2011

Na boca do lobo
Emanoel Barreto

http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://4.bp.blogspot.com
Leio estarrecido reportagem de Maiara Felipe n'O Poti sobre o Hospital Walfredo Gurgel. Segue abaixo transcrição parcial. Trata-se de jornalismo do bom, vivido, experienciado, repórter passando a vida por dentro. Confesso, dá medo. A quem estamos entregues? Encontro, à minha pergunta, duas respostas; primeira delas: pelo que li no texto, estamos entregues a médicos que fazem de tudo para atender, sob condições de adversidade que se aproximam do desespero, a gente que foi vítima de uma guerra. No caso, a guerra de um Estado omisso, regido por política de saúde irmã geminada do caos. Segunda resposta: estamos entregues ao deus-dará, ao improviso, à decisão do médico em salvar. Salvar dentro do possível, claro.

Mas, diante dessa situação temos o reverso da medalha: são os planos de saúde. Geridos por empresas que adentram o mercado cientes de que o Estado brasileiro falhou historicamente nessa missão. Mas falhou por falta de vontade política. Dinheiro há, tenho certeza; o que falta é transformar esse dinheiro em verbas, dar-lhe destinação social. Mas a prioridade não é o social. É o interesse político mais rodapé, pedestre e reles. Fazer de conta que se atende ao, vá lá, povo, e seguir adiante de qualquer jeito.

Mas, falava eu sobre os planos de saúde. Eles são, pelo menos se apresentam assim, como o contrário do caos. São o não-mundo, a não-realidade, o privilégio comprado a preço-ouro. Por que "não-mundo", "não-realidade"? Simples: o plano de saúde é uma espécie de seguro contra os maus serviços do Estado. Algo que você paga pedindo a Deus para não ter de usar. O plano dá a sensação de que estamos a salvo, estamos fora da realidade das pessoas comuns, aquelas sujeitas ao cutelo do atendimento improvisado e malfeito. Temos o privilégio de ser doentes especiais, com caminha boa e serviço confiável. Doentes que pagam para ter o insidioso direito de ficar doente do jeito certo. 

Todavia, a realidade é larga como um abismo e profunda como uma fossa oceânica. O Walfredo Gurgel, lembremos, é hospital de urgências. Quer dizer: votado ao atendimento de casos onde as pessoas são vítimas da brutalidade da vida. Mais claramente: qualquer um pode, em situação que tal, ser levado para lá. Um acidente de carro, um assalto, coisas assim, compreende? E aí, salve-se quem puder, pois não há plano de saúde que garanta a segurança de ninguém. Fico por aqui. Leia o texto de Maiara.
 
Walfredo Gurgel: por dentro do caos
O Poti/Diário de Natal acompanhou o sofrimento de funcionários e pacientes em um plantão de 12 horas no maior pronto-socorro do RN

A ineficiência do sistema de saúde pública do Rio Grande do Norte é responsável, direta ou indiretamente, por danos irreversíveis e até pela morte de muitos potiguares, mês a mês, ano após ano, em situações cotidianas que lembram as vividas em um estado de guerra. Pode se dizer responsável diretamente quando a referência é, por exemplo, a de um dos idosos que está entre as 22 pessoas que aguardam nos corredores do Pronto Socorro Clóvis Sarinho, no Hospital Walfredo Gurgel, por um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Indiretamente, quando se observa as condições de trabalho dos profissionais do hospital que fazem um esforço sobre-humano para preservar a vida daqueles pacientes, abarcando para si graves consequências físicas e psicológicas em função disso.


A superlotação gera a já tradicional e dramática cena de filas de pacientes no corredor do hospital Foto:Maiara Felipe/DN/D.A Press
Mesmo sem material, sem leitos, sem condições adequadas de atender o cidadão, no "coração de mãe" do Walfredo Gurgel sempre cabe mais um. Cabe o doente do interior do estado, encaminhado pelos hospitais regionais sem condições de atender os casos de maior complexidade. Cabe o rico e o pobre que venha a sofrer qualquer tipo de acidente. E, apesar da generosidade de sempre acolher mais um "filho", é visível que esse "coração" sofreu um infarto e precisa urgentemente que o poder público tome uma providência para salvá-lo, interrompendo o ciclo de mortes. Mensalmente o Governo do Estado aplica no hospital R$ 10 milhões, que não estão sendo suficientes para receber dignamente toda demanda.

A equipe de O Poti/Diário de Natal passou 12 horas - período que normalmente dura o plantão dos médicos e enfermeiros - dentro do único hospital de urgência traumatológica do estado. No dia 2 de julho, por volta das 7h30, entramos no Centro Cirúrgico, primeiro setor a ser visitado. Na ocasião, o Centro de Recuperação Operatório (CRO) estava lotado. Os pacientes eram levados para o corredor após os procedimentos cirúrgicos. O Centro tem nove leitos, mas o número de pessoas lá dentro passava de 20, sem contar os que ficavam do lado de fora. "Os casos mais críticos ficam lá dentro", explicou o médico. Das seis salas destinadas às cirurgias, duas estão paradas. Uma com o foco do iluminador quebrado e outra interditada por falta de gás no respirador.

Mas, apesar dos problemas, o trabalho não para. Um dos primeiros procedimentos acompanhados pela reportagem na manhã de sábado, foi o de Marcos*, 10 anos, morador do município de Macau. Ele caiu e fraturou o punho e os médicos decidiram fazer uma redução de fratura no seu braço. O procedimento durou cerca de 20 minutos e ocupou uma das salas do Centro Cirúrgico que funcionam atualmente. "O médico de Macau disse que lá não fazia e mandou a gente vir para o Walfredo", justificou a mãe de Marcos sobre o motivo de se deslocar cerca de R$ 180 quilômetros para solucionar uma pequena fratura.

Enquanto Marcos era operado, Juvenal Bispo da Silva, 69 anos, que também caiu em casa, aguardava dentro do consultório do ortopedista, em cima de uma mesa, por uma maca. "Ele veio transportado dentro deum carro de forma inadequada. A suspeita é que ele tenha fraturado o fêmur, mas estamos aguardando desocupar uma maca para ele poder fazer o raio-x", esclareceu o médico de plantão. Segundo relatos da família, o atendimento inadequado começou já em casa. A esposa disse que a ambulância do Samu não considerou o caso de Juvenal urgente e, por isso, ele veio de Ceará Mirim até o Walfredo em um carro fretado e foi conduzido ao consultório em cima de uma tala de madeira, que serve apenas para imobilizar o paciente.

O idoso ficou em cima da mesa onde o médico atendia outros pacientes por 2 horas, tempo depois do qual conseguiu uma maca, fez o raio-x e se internou no corredor, onde fica situada a urgência dos casos de clínica médica e tem mais 54 pessoas. Por trás da parede onde Juvenal ganhou seu "leito", funciona a sala de observação da urgência em clínica médica. O local deixou de ser uma sala de acolhimento de pacientes há muitos anos para se transformar no espaço considerado "privilegiado" na estrutura do hospital, onde ficam pessoas que aguardam por um leito na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Lá, estão respiradores, que amenizam a angústia de quem necessita da UTI, como Geraldo de Holanda, 75 anos, há 12 dias aguardando uma vaga na sala de reanimação. É que no Walfredo, diante da exorbitante quantidade de pacientes que chegam todos os dias, a sala de reanimação é o primeiro passo antes de conseguir uma UTI. "Ele está cansando, tanto é que quando chegou aqui já foram logo entubando. A médica disse que ele deveria ficar na reanimação, já que não tem vaga na UTI, mas a reanimação também está cheia", disse a acompanhante de Geraldo, que, além da idade avançada, é dependente de hemodiálise duas vezes por semana.

*Os nomes não são verdadeiros para presevar os personagens.

sábado, 2 de abril de 2011

Vandalismo na rede pública de saúde: o povo tratado a ferro frio

"Isso não é democracia; isso é vandalismo." A afirmativa é de um sofrido e amargo homem, idoso, já bem mais de 60, a respeito da medicina que o Estado brasileiro oferta, ou melhor, impõe, impinge, é o que quero dizer, ao povo. O rápido testemunhal foi feito ao Globo Repórter de ontem, numa das mais sérias, dignas, corajosas e incisivas manifestações de jornalismo que já vi.
Imagem ilustrativo-metafórica da situação
dos hospitais públicos no Brasil: o povo
tratado a ferro frio
 Isso prova: se o patrão deixa, o jornalista faz. Mas, voltemos ao Globo Repórter: a pauta era mostrar como funcionam - ou o contrário disso -, os hospitais públicos desse país. Resultado: uma aterradora realidade de morte por falta de meios de médicos decentes trabalharem, hospitais com obras jamais concluídas e hoje arruinadas, médicos desonestos, médicos insensíveis, lamentos, choro e, para ser um pouco bíblico, ranger de dentes.

O programa foi uma poderosa ação editorial, sob a competência de equipe de profissionais irretocável. A edição ampliava o efeito da denúncia, magnificava a dor, o desespero, a angústia das vítimas desse tipo de assistência - se é que isso é assistência.

Creio que a eficácia editorial do programa, ou seja, sua repercussão, efeito de choque sobre os responsáveis, poderá ser mensurada em alguma declaração do Ministério da Saúde, o que dizem as autoridades setoriais, como se sentem diante do quadro que, digamos assim, administram. Sobre a sociedade, tenho para mim, essa eficácia já se processou: a indignação que sinto certamente é compartilhada por muita gente Brasil afora.

Mas temo que fique nisso mesmo: indignação social, paralisia do governo; perplexidade do cidadão, silêncio pesado de quem deveria agir. No fim, o dinheiro que deveria ser para construção, reforma ou restauração de hospitais irá para a construção de estádios de futebol. O pão e o circo, o pão e o circo. Que bom, que bom...

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Saúde, ou cadeia para quem nega saúde

A alegada incompetência do Estado no provimento de serviços é o motivo apresentado para que a iniciativa privada cresça e ocupe espaços que seriam, de origem, responsabilidade estatal, portanto, social. Há alguma ponderabilidade em tal afirmação, uma vez que a letárgica ação da máquina pública, com a cultura da burocracia e do absenteísmo dos funcionários, parece confirmar a assertiva de que o Estado deve ser varrido do mapa, deixando-se tudo a critério da iluminada iniciativa privada - desde que haja lucro, claro.

http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://farm4.static.flickr.com

A ação do Estado, todavia, não elide o fato de que este é patrimonializado pelo privado, colocando-se, desta forma, o público a serviço do privado. Esse o nó górdio da questão: o Estado não é entidade acima, não é um ente com vida própria, não é um alguém. O Estado, enquanto poder organizado, enquanto sistema jurídico, é colonizado por representantes do privado que ali semeiam seus interesses e prioridades. Daí a inxistência de disposição histórica de reverter situações estruturais e conjunturais e favor do social. 

Desta forma foi fácil, no Brasil, imergir-se o aparelho estatal em sua forma desinteressada de atender a questões como a saúde pública com a celeridade necessária. Veja bem, eu disse "imergir-se", não "imergir" o Estado a tal situação. Quero dizer que o Estado não imergiu, foi imerso, ao longo de sucessivos aluviões históricos, a tal situação. Não há interesse dos que representam o privado em fazer com que o serviço público caminhe como deveria. E isso é fácil, pois são as elites quem corporifica fisicamente o Estado e usa de suas instituições em proveito próprio.

Colocando a situação em termos práticos: o setor saúde foi negligenciado, abrindo-se caminho aos planos de saúde que, como empresas, visam o lucro, não importando a que custo, socialmente falando. Não importando a que dores, humanamente se dizendo, sejam atirados doentes, pessoas fragilizadas fisica e psicologicamente.

Notícia da Folha que abaixo transcrevo exibe à plenitude o que afirmo. Doentes "caros" são encaminhados ao SUS a fim de que deixem de "dar prejuízo" aos donos da saúde. A crueldade com que tais decisões são tomadas, a partir unicamente de planilhas de custos é estarrecedora. O mais triste é que tais atitudes são corroboradas pela máquina do Estado e não poderia ser diferente: afinal, esta organização chamada Estado foi sucateada exatamente para atender aos interesses dos planos de saúde. 

Uma definição de dicionário diz que saúde é "estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar". Creio que é suficiente para compreender o que quero dizer: o homem em estado de plenitude, situação holística do sentir-se bem e isso é muito importante; é muito sério e exige muito mais que o exame deste artigo de jornal. Exige disposição política, capacidade de entender que o Estado tem sim responsabilidade e deve assumir por inteiro a socialização dos serviços de saúde. É difícil? É. É caro? Também. Mas isso não exime que um governo, se tiver efetivamente disposição para tanto, de assumir a tarefa histórica de cumprir com o seu papel. Leia a matéria da Folha e veja se não tenho razão. Chega a ser chocante a desfaçatez dos planos de saúde objetivando impedir que as pessoas tenham saúde. 

A iniciativa privada deve ser chamada a cumpria com a missão que assumiu. Ou pagar pesadamente, falo em justiça, falo em cadeia, caso não cumpra o que promete em suas tão propaladas eficiência e eficácia. Já que assumiu um serviço público, atenda ao público.

Plano de saúde usa SUS para não pagar medicamento caro

DE SÃO PAULO
Hoje na Folha Planos de saúde têm empurrado seus segurados ao SUS para buscarem remédios ou procedimentos que deveriam ser cobertos por eles. A informação é da reportagem de Cláudia Collucci publicada na edição desta terça-feira da Folha (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL).
Cinco usuários de diferentes planos de saúde confirmaram a prática à Folha. O Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) também já registrou queixas sobre isso. O caso mais recente envolve a Porto Seguro Saúde e um empresário paulista da área têxtil, D.L., 52, que sofre de artrite reumatoide.

Há três anos, o plano cobre o tratamento com a droga Remicade (infliximabe), aplicada na veia. Ele fica uma noite internado para isso. Há um mês, porém, a Porto informou, por e-mail, que não cobriria mais o remédio e o orientou a buscá-lo no SUS --o frasco de 100 ml custa R$ 4.000. A cada dois meses, L. usa cinco frascos.
Segundo a advogada Daniela Trettel, do Idec, pela lei, toda medicação que exige internação para ser administrada deve ser fornecida pelo plano de saúde. A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) também confirma a informação.

Rodrigo Capote/Folhapress
Pacientes retiram remédio de alto custo na farmácia do SUS em AME do Belenzinho, na zona leste de São Paulo
Pacientes retiram remédio de alto custo na farmácia do SUS em AME do Belenzinho, na zona leste de São Paulo
OUTRO LADO
Por meio de nota, a Porto Seguro Saúde confirmou que encaminhou o segurado D.L. para buscar a medicação no SUS. Diz que a empresa "tem como política sempre oferecer soluções e alternativas viáveis" aos seus segurados.

"Há anos existe um programa regular estatal de fornecimento de medicamentos de alto custo à população. Quando um tratamento não tem cobertura pelo rol da ANS, orientamos sobre a existência deste serviço."
Questionada sobre o motivo que a levou a ressarcir a medicação por três anos, a Porto alega que uma nova resolução da ANS definiu a não cobertura a droga. Mas, na lista de procedimento excluídos pela ANS, não consta o Remicade.

Procurada novamente ontem à noite, a Porto Seguro não respondeu.