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terça-feira, 18 de outubro de 2016

Edificante exemplo de um digno corrupto

Historinha brasileira: de como entrar na política, roubar e ser muito feliz


´Zé Aproniano  trabalhava como pedreiro. Paulo Setts era sempre visto em seu consultório médico. Josepha Crescência era advogada. Anúbio Florentino contador e Malachias Petrônio escritório de venda de imóveis. Já Asclepíades trabalhava como corrupto. De todos era o que melhor vivia.
http://www.google.com.br/imgres?q=corrup%C3%A7%C3%A3o&hl=pt-
Tudo para ele começou assim: na juventude dava um duro danado como camelô para sustentar a família e até mesmo a sogra rabugenta e infame.

Um belo dia lhe arranjaram emprego como porteiro na Câmara Municipal. Ali, rapidamente aprendeu os hábitos da Casa e deu-se muito bem. A saber: fez pequenos favores a pessoas pobres, acobertou falhas de colegas e pagava chamadas de cana para bebos em botecos safados. Mais: arranjou fichas para atendimento médico, tickets a desempregados, conluios com líderes comunitários, etc..., etc..., etc...

Com isso, você queria o quê? Aparentou prestígio, angariou votos e, óbvio, foi eleito vereador. Teve, como seria de se esperar, excelente desempenho, ou seja: intermediou verbas, ganhou elegantes e justíssimas propinas, trocou favores, propiciou imoralidades e, pronto!, afirmou-se no ramo.

Mas, cruel, o povo que o elegera vereador exigiu dele mais e mais, e tornou-o deputado estadual. Coitado; como sofreu avançando horas e horas noite adentro, executando grandes planos para desviar dinheiro público e outras falcatruas. Resultado: o povo cobrou mais do pobre-diabo, que foi obrigado a ser deputado federal. Aí sim, foi sofrimento grande.

Muito lhe foi imposto em termos de manobras e conciliábulos, traficâncias e caixa dois. Cansadíssimo, viu-se depois frente a novo e grande percalço: foi com notável esforço que o convenceram, ou melhor, intimaram a novo e terrível tormento: chegar ao Senado. 

Desesperado, sem saber mais o que fazer para atender ao povo ("Acho que esse povo quer que eu morra..."), continuou a trabalhar como corrupto, sofrendo inomináveis suplícios tipo beber champanhe com grandes empresários, almoçar com doleiros, ouvir reclamos de operadores de propina, fazer ajustes em dinheiro desviado para fora do país . 

Todavia, o povo queria mais - veja como o povo é cruel - e agora vinha forçá-lo a ser governador. "Ó, Senhor, que atroz destino, fado e sina", lamentava-se o corrupto na solidão, ajoelhado ante um oratório; e se perguntava: "Por quê? Por quê? Por quê?". 
Afinal, eleito ao novo cargo entregou-se ao martírio de atuar duplamente: como governador e como corrupto. Imbatível.

Afinal, anos e anos depois de grandes serviços prestados à safadagem, sentiu-se cansado; melhor dizendo, estava exausto e decidiu-se: reuniu toda a família e anunciou sua retirada da vida pública. 

Disse: "Após anos e anos trabalhando em favor do povo e da corrupção, mas sempre injustiçado pela imprensa, injuriado pelos adversários e acusado sem provas, quero comunicar que, ao contrário de Dom Pedro, não fico."

"Por que, papai, por que não fica mais na corrupção?", quis saber o filho mais velho, justificadamente preocupado. 

Ele respondeu: "Estou muito cansado. Não trabalhe tanto como o seu velho pai, meu filho. Corrupção é coisa de muita responsabilidade. Arte finíssima. Cansa muito. Corrupção é uma sina, é missão altíssima e exigente. Assim, não insistam, pois não mais trabalharei como corrupto. Não peçam mais a mim tal sacrifício."

"E o senhor vai trabalhar com o quê, se somente sabe trabalhar como corrupto e corruptor?", rebateu uma filha, temerosa de que o pai, afastado de seus afazeres, entrasse em lamentável depressão.

"Meus filhinhos", disse ele com os olhos em lágrimas, "agora papai vai ficar mais em casa e dar total assistência à família. Agora papai não precisa mais trabalhar como corrupto. Acabaram-se meus dias de sofrimento."

"Agora", disse com um sorriso no olhar, "papai vai ser  empreiteiro." 

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 ZOORÓSCOPO
cobra - Os estudos indicam que os nascidos neste zoosigno têm poderosa tendência a atacar de tocaia e agir de forma traiçoeira. Se você é um cobriano saiba que suas previsões encontram-se em confluência alvissareira. Está previsto um lucrativo encontro com alguém em Pavão. Como se sabe, os pavonianos são vaidosos e facilmente enganáveis. Você poderá obter grandes vantagens e tirar proveito dessa vaidosa ou vaidoso. Mas, cuidado: se ele ou ela forem alguém de carreira política existe grande possibilidade de você deixar de ser cobra e virar salsicha. Pense bem antes de tentara dar o golpe.



sexta-feira, 22 de abril de 2011

 É de Cora Coralina o poema abaixo.

http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.cidadedegoiasvelho.net
Humildade

Senhor, fazei com que eu aceite

minha pobreza tal como sempre foi.

Que não sinta o que não tenho.

Não lamente o que podia ter
e se perdeu por caminhos errados
e nunca mais voltou.

Dai, Senhor, que minha humildade

seja como a chuva desejada
caindo mansa,
longa noite escura
numa terra sedenta
e num telhado velho.

Que eu possa agradecer a Vós,

minha cama estreita,
minhas coisinhas pobres,
minha casa de chão,
pedras e tábuas remontadas.
E ter sempre um feixe de lenha
debaixo do meu fogão de taipa,
e acender, eu mesma,
o fogo alegre da minha casa
na manhã de um novo dia que começa.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces

Pablo Picasso
Imagem: http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://static.blogo.it/travelblog/picasso

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Obra de arte recebe críticas. Transcrevo da Folha (EB)


Marcelo Justo/Folhapress Obra que estará na Bienal causa polêmica por "matar" FHC e Lula






DE SÃO PAULO

A "Série Inimigos", de Gil Vicente, está causando polêmica antes mesmo de ser exposta na Bienal de São Paulo, que será inaugurada na próxima terça-feira. Nela, o artista retrata a si mesmo matando personagens famosos como Fernando Henrique Cardoso e Lula.

Nesta sexta-feira, a OAB-SP (Ordem dos Advogados de São Paulo) divulgou uma nota em que se coloca contra a exposição da série, "por fazer apologia ao crime".

Leia abaixo a nota na íntegra.


"Uma obra de arte, embora livremente e sem limites expresse a criatividade do seu autor, deve ter determinados limites para sua exposição pública. Um deles é não fazer apologia ao crime como estabelece a vedação inscrita no Código Penal Brasileiro.

A série de quadros denominada "Inimigos", do artista plástico Gil Vicente, é composta por obras as quais retratam, dentre outras, o autor atirando contra a cabeça do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, noutra mostra o mesmo autor, de posse de uma faca, degolando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Essas obras, mais do que revelar o desprezo do autor pelas figuras humanas que retrata como suas vítimas, demonstra um desrespeito pelas instituições que tais pessoas representam, como também o desprezo pelo poder instituído, incitando ao crime e à violência.

Certamente não se pode impedir que uma obra seja criada, mas se deve impedir que seja exposta à sociedade em espaço público se tal obra afronta a paz social, o estado de direito e a democracia, principalmente quando pela obra, em tese, se faz apologia de crime.

Por esse motivo é que a OAB/SP está oficiando os curadores da Bienal de São Paulo, para que essas obras de Gil Vicente, da série "Inimigos" não sejam expostas naquela importante mostra."
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