Mostrando postagens com marcador poetisa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poetisa. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 22 de abril de 2011

 É de Cora Coralina o poema abaixo.

http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.cidadedegoiasvelho.net
Humildade

Senhor, fazei com que eu aceite

minha pobreza tal como sempre foi.

Que não sinta o que não tenho.

Não lamente o que podia ter
e se perdeu por caminhos errados
e nunca mais voltou.

Dai, Senhor, que minha humildade

seja como a chuva desejada
caindo mansa,
longa noite escura
numa terra sedenta
e num telhado velho.

Que eu possa agradecer a Vós,

minha cama estreita,
minhas coisinhas pobres,
minha casa de chão,
pedras e tábuas remontadas.
E ter sempre um feixe de lenha
debaixo do meu fogão de taipa,
e acender, eu mesma,
o fogo alegre da minha casa
na manhã de um novo dia que começa.

domingo, 10 de abril de 2011

Poemas de Florbela Espanca
 
Fumo

Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas;
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!




O nosso mundo

Que importa o mundo e as ilusões defuntas?...Que importa o mundo seus orgulhos vãos?...
O mundo, Amor?... As nossas bocas juntas!...




Não ser

Ah! arrancar às carnes laceradas
Seu mísero segredo de consciência!
Ah! poder ser apenas florescência
De astros em puras noites deslumbradas!

Ser nostálgico choupo ao entardecer,
De ramos graves, plácidos, absortos
Na mágica tarefa de viver!

domingo, 26 de dezembro de 2010

Retrato

Cecília Meireles

http://4.bp.blogspot.com/_CkVFIcuIxkA/TNdUOnTUm-I/
AAAAAAAAAPk/PXIe7khsSj0/s320/7-Cec%C3%ADlia-Meireles.jpg
Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.


Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.


Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida a minha face?