sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A luta e o gesto grego
Emanoel Barreto

Encerrei hoje um período de vida. Conclui a minha tese de doutorado. Seis anos, entre mestrado e doutorado, seis longos anos de estudos, livros e pesquisas. Noites inteiras varadas em leitura intensa, redação que exigia de mim texto preciso, exposição firme, clara e objetiva. Não sei descrever a você todo o processo. Mas posso dizer que foi ânimo e disposição de luta. Maratona, no melhor sentido grego que o termo enuncia: persistência, determinação, cansaço, luta enfim.

Tive ao lado Minha Mulher, Terezinha Barreto, como companheira decidida, doce valquíria e estrela-guia. Sem esquecer nossos Filhos e Filhas, Netos e Familiares. Um velho gladiador como eu sabe valorizar uma vitória. Seja lutando nas Termópilas, seja combatendo nos Pirineus.

Engraçado, nas Termópilas e nos Pirineus os guerreiros foram vencidos, mas não foram derrotados em sua luta. Pois ali, na constância do combate, foram vencedores, mesmo aparentemente vitoriosos os tão vis vencedores.

Lutei com calma, vigor e força. E a tese foi considerada de excelência, com recomendação a publicação. Hoje, o guerreiros gergos são símbolos, imagens, coragem solta. Obrigado à luta, à força, à decisão férrea de chegar onde cheguei. E, se cheguei ao limite das minhas forças, expandi também o poder de crescer mais.

Abraço grande a Você, que acompanha este jornal. Abraço a quem confia no amanhã. E, nas lágrimas lindas da minha filha Mirna, que melhor expressam esta conquista: sentidas, inocentes e cálidas, o grande abraço de um guerreiro que fez da sua vida um só lutar.

Valeu a pena o sol distante, valeu a pena o amor amado. Valeu a pena o meu texto, que se fez voz ao sol viver.

Muito obrigado. Muito, muito, obrigado.

Emanoel Barreto


quinta-feira, 20 de agosto de 2009

A diáspora ética do PT
Emanoel Barreto

Com o acordão para salvar Sarney, o PT entra em diáspora ética. Mercadante anuncia que deixará hoje a liderança, o senador Arns informa que não pode ficar numa legenda que despiu-se de suas bandeiras e Marina Silva também se retira, alarmada com o tsunami lodoso em que soçobra o partido.

A candidatura de Dilma, a priori, é honrosa, digna de apoio. Ela tem um passado de luta por uma causa. Mas nada justifica a imersão na bile de indignidade. O partido entra em crise, dilacerado entre os compromissos históricos da sigla e o atendimento aos apetites mais baixos do PMDB, seu aliado, que se espoja na cama larga da corrupção e da patranha.

É aí que a candidatura de Dilma começa a fraquejar: eleita, certamente será obrigada a manter-se refém, como Lula, de um tratado redigido com as letras da imoralidade. Então, que venha a morena Marina, trazendo todos os verdes e azuis que sua candidatura representa.

ZOORÓSCOPO

PORCO - É zoosigno de todos os petistas e peemedebistas que se enconluiam para perpetrar a trama que visa manter nosso povo, triste povo, nas malhas e nas filas da fome, da dor, do desespero.



quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Marina, morena Marina...
Emanoel Barreto

A história não se escreve a passos medidos e contados. Quando tudo parece seguir o velho caminho, surge uma encruzilhada e a caravana muda de rumo. Ao que parece, será assim com a provável presença da senadora Marina Silva, deixando o PT pelo PV.

Nome internacionalmente respeitado, portadora de currículo impecável, ética, séria, comprometida com uma causa e uma utopia, Marina pode ser o grande nome a ingressar numa disputa histórica.

Tendo a seu lado como vice Gilberto Gil, a chapa ganha força e expressividade midiática. Precisamos de uma mudança, uma reviravolta que nos encaminhe a instâncias políticas onde não predominem oportunismos e conchavos, como aconteceu com o PT, que alinhou-se ao que há de pior na vida pública brasileira.

É certo que não terá maioria no Congresso, mas também é certo que as diretivas presidenciais serão bem diversas das que temos hoje em tela.

ZOORÓSCOPO

PREÁ - Os assim regidos são bem parecidos com os de Esquilo, só que com uma diferença fundamental: enquanto o esquiliano gosta de se expor, o preariano vive entocado, prefere não se apresentar. É signo comum a usurários, agiotas e outros quejandos. Ficam na maior moita, só esperando a desgraça dos outros. Depois, especialmente os de Pavão, grandes gastadores, caem em suas garras e dificilmente se safam.


terça-feira, 18 de agosto de 2009

Dilma e Lina, quem deslinda?
No Zooróscopo, veja quem é de Urubu
Emanoel Barreto

Está criado um debate midiático entre duas mulheres cujos nomes simulam um trocadilho, além do traço de união que as vinculava: Dilma ainda é parte do governo e Lina deixou-o recentemente. As duas estão unidas por uma espécie de mistério, na verdade uma confusa relação que as alçou ao topo das paradas de sucesso da política. Dilma e Lina: tilintantes, buliçosas, quem deslinda esse mistério?

É de Lina ou é de Dilma a mentira sorrateira? Quem foi que pediu a quem pra salvar José Sarney. Ninguém pediu, não houve nada, só um jogo de agendas? A política é assim: afirmou, tem que provar.

Quem não prova, prova o gosto de passar por mentiroso. Já quem prova o que diz, fica aprovado e feliz. E os jornais vão só no faro, publicando coisas soltas. Fica o dito por não dito. E maldito quem diz mal as coisas que aconteceram. Ou não aconteceu nada ou aconteceu tudo, e nada mais interessa.

No fim vira tudo um circo. Que cresce e depois explode, como bolha de sabão.

ZOOROÓSCOPO

UBURU - Não, não pense que os aqui nascidos são agourentos, como há tanto tempo de diz. Os de Urubu são trabalhadores injustiçados. Cumprem com jornadas de trabalho difíceis, que os de Pavão jamais aceitariam, muito menos quem nasceu em Ave do Paraíso. Cumprem com o seu ofício e ainda são chamados de bichos ruins. No caso de Lina e Dilma, quem perder é triste sina. Quem perder, não tenha dúvida, vai ser mais um Urubu.



segunda-feira, 17 de agosto de 2009

A guerra santa. Nem tanto assim...
Emanoel Barreto

Globo e Record estão em guerra santa. Nem tanto, não é mesmo? A primeira, na busca de manter a hegemonia sobre corações e mentes; a outra, na corrida com a mesma finalidade. São as duas faces de uma mesma e enferrujada moeda, cada uma buscando fazer valer a sua verdade. É mesmo a busca pelas mentes. Mas, saibamos, a mente mente. A mente do poder busca, de todas formas, apresentar-se como fiel depositário dos intereses sociais. E a mente mente.

E o poder não é único. Não existe apenas em sua natureza estatal. Ele se manifesta por muitas pessoas, mediante diversas circunstâncias de verificação e exposição. Aqui, o poder se apresenta de forma mediata em dois poderosos sistemas de mídia.

O primeiro, eminentemente laico, tem quase virtual controle do grande coletivo que conhecemos como sociedade brasileira. A esta impõe realidades que são consumidas como representação exata do mundo vivido. O segundo aciona idênticos mecanismos, aos quais junta elemento extremamente poderoso: fala em nome de Deus.

Agora, os dois gigantes estão em duelo: cada um busca ser visto como dotado de passado ilibado, sério, digno, compromissado. Ou seja: dois sistemas éticos.

Trata-se, para quem souber ver, e além de ver, compreender, que nesse jogo ambos mostram às claras como funciona o esquema midiático. Com seus interesses, manobras, intenções e propósitos. Um desnuda o outro. Seria uma excelente possibilidade de a sociedade brasileira entender a quem está entregue essa poderosa ferramenta de comunicação de massa.

A guerra não é tão santa assim...

ZOORÓSCOPO

ORNITORRINCO - Signo típico das pessoas tida como estranhas retraídas, voltadas para o seu mundo interior. O nascido sob tais influências não gosta de aparecer, mas, age de forma tão pouco natural, é tão contraído, sua discrição é tão resolutamente gritante, que ele acaba chamando a atenção onde quer que esteja. Seu silêncio é tão forte que grita aos ouvidos de todos. Recomenda-se que os ornitorrinquianos casem-se com mulheres em Girafa, um bicho que, dizem é mudo. Assim, seus silêncios vão se encontrar e eles vão conviver muito bem.


sábado, 15 de agosto de 2009

O Senado e os sem-nada
Emanoel Barreto

Eles vão, semi-loucos, pesarosos.
Não caminham, eles vão, são empurrados.
Já não pisam, tropeçam, vão sem rumo.

No Senado, senadores selam dores.
E as enviam como um cartão postal.
E o povo, seminu, a descoberto,
segue à toa, como funesto momento.

ZOORÓSCOPO

TAMANDUÁ - Cuidado com os de Tamanduá, especialmente se você nasceu sob os augúrios de Ovelha ou Cabrito, dois signos de pessoas que facilmente confiam nos demais. Tamanduá sempre se aproxima quando você está em dificuldadeS. Aparentemente quer ser solidário, mas, depois, quando você está sob seu domínio, vem o abraço fatal. Se você se deixou fascinar por Tamanduá, pá!, acaba entregando a ele tudo o que tem, incluindo o voto. Na cena política do Estado, quem é do zoosigno de Tamanduá?


sexta-feira, 14 de agosto de 2009


A morte de quem não tinha nada
Emanoel Barreto

A Folha conta que, no Ceará, uma mulher pagou para ser morta. O assassino cobrou, em pagamento, 500 reais e um laptop. Estranho mundo esse nosso. Uma mulher, em solidão profunda, angustiada por dívidas como diz a notícia, contrata um ambulante que a mata por preço tão vil. A miséria da condição humana compartida por dois seres em situação deplorável. Os trinta dinheiros da vida recebidos pela morte de quem, em si, já não tinha nada.

ZOORÓSCOPO

PREGUIÇA - Preguiciano amigo, logo de início, um conselho: não tenha, nem mesmo em pensamento, relacionamento com os que estão sob Esquilo. Se eles são a velocidade em pessoa, você dá a impressão de que vive no mundo da lua, ou melhor: no seu próprio e paralelo mundo. Os pregiocianos são calmos, atenciosos, vivem na maciota. São ideais para ocupar cargos de aspone, onde se são muito bem. Contam piadas que é uma beleza.



quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Hoje, somente o Zooróscopo.

ZOORÓSCOPO

TAMANDUÁ - Cuidado com os de Tamanduá, especialmente se você nasceu sob os augúrios de Ovelha ou Cabrito, dois signos de pessoas que facilmente confiam nos demais. Tamanduá sempre se aproxima quando você está em dificuldade. Aparentemente quer ser solidário, mas, depois, quando você está sob seu domínio, vem o abraço fatal. Se você se deixou fascinar por Tamanduá, pá!, acaba entregando a ele tudo o que tem.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009


Em nome do Filho
Emanoel Barreto

Em Minas Gerais, a Igreja Universal do Reino de Deus foi condenada, em agosto último, a devolver ao fiel Edson Luiz de Melo todos os dízimos e doações feitas por ele. De acordo com o processo movido por sua mãe, Edson, que é portador de enfermidade mental permanente, passou a frequentar a igreja em 1996 e desde então era induzido a participar de reuniões sempre precedidas e/ou sucedidas de contribuição financeira.

Segundo o advogado que representou o fiel, Walter Soares Oliveira, a quantia total a ser restituída será apurada com base nas provas, mas certamente ultrapassará os R$ 50 mil. Além de devolver as doações, a Igreja Universal ainda terá de indenizar o fiel em R$ 5 mil por danos morais.No processo consta que 'promessas extraordinárias' eram feitas na igreja, em troca de doações financeiras e dízimo.

Teria sido vendida a Edson Luiz, por exemplo, a 'chave do céu'. A vítima também recebeu um 'Diploma de Dizimista' assinado por Jesus Cristo.Com isso, as colaborações doadas mensalmente chegaram a tomar todo o salário do fiel, que trabalhava como zelador. Edson chegou a receber até um diploma de dizimista assinado por Jesus Cristo.

Em virtude do agravamento de sua doença, Edson foi afastado do trabalho, quando então passou a emitir cheques pré-datados para fins de doação à igreja. Ele ainda fez empréstimos em um banco e vendeu um lote por um valor irrisório, para conseguir manter as doações à instituição religiosa.
(Transcrição do Portal Uai a partir de post do Blog do Marcelo Moreno - as fotos não tinham crédito).
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A seita que age sob o nome de fantasia de Igreja Universal do Reino de Deus demonstra, mais uma vez, seus reais intentos: mobilizar uma multidude de ingênuos, reduzindo-os à condição de tolos. O mundo vive plenamente uma situação de incertezas. O chamado mundo secular está infestado - sempre esteve - de brumas e trevas sociais, que se traduzem junto ao senso comum em situação de angústia o que leva a muitos, facilmente, aos caminhos de apelo ao fantástico, ao sobrenatural para solucionar coisas terrenas.


Assim, qual o homem crédulo que, desesperado, impotente ante os descalabros que o acometem, não vê com boa-fé, satisfação, alegria até, o chamamento a uma religião que lhe promete inclusive a "chave do céu" e concede "diplomas" assinados por ninguém menos que Jesus Cristo, além de dinheiro e felicidade?


A manipulação das massas já nos levou a loucuras como o fascismo, o nazismo e adesão às pregações de gente como o pastor Jim Jones, cujos fiéis acabaram todos mortos, ele também, com um tiro na cabeça, em um ritual insano e macabro dia 18 de novembro de 1978.

É preciso pôr um fim a tudo isso. As ações na Justiça contra Edir Macedo precisam e devem prosperar até que, de alguma forma, pessoas, em sua candura dos simples não sejam mais exploradas, perdendo até mesmo o pouco que têm.

ZOORÓSCOPO

MOSQUITO - Quem nasce nessa casa zooastrológica é a pessoa mesquinha. Pela sua limitada capacidade intelectual ocupa sempre os pequenos cargos ou funções. Mas, dotada de inveja enorme, busca a qualquer preço satisfazer-se, mesmo que em pequenas porções. Com persistente trabalho, tiram proveito de qualquer situação em que tenham as mais mínimas possibilidades de lucrar. São os almoxarifes da corrupção e conseguem sempre apadrinhamento. Metem a mão na lama e dos seus protetores obtêm o sórdido privilégio de servir a tudo o que não presta.



segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Volto a atualizar o Coisas de Jornal nesta terça.
Emanoel Barreto

domingo, 9 de agosto de 2009


Um homem tão bom
Emanoel Barreto
Ele sofre. É um homem bom.
Trabalhador, honesto, é um homem bom.
Sua vida pública é impublicável.
Serviu-se sempre de ser
um homem tão bom.
Vote nele, apóie ele.
Ele é muito justo.
Vote nele. É um homem justo.
Um homem tão bom.

sábado, 8 de agosto de 2009

Volto a atualizar o Coisas de Jornal neste domingo.
Abraços.
Emanoel Barreto

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A salvação está no disco-voador
Emanoel Barreto

Caminhava pela rua escura e estreita. Um vento frio escorria por aquele corredor de casas e batia em seu rosto encrespado, o corpo trêmulo. Lá adiante viu brilhar uma luz azul e calma. Caminhou sem pressa em sua direção. Era um disco-voador. A porta se abriu. Entrou. Antes, atirou para fora um jornal onde se lia: "Homem-bomba mata mais 15 no Iraque". O disco pratiu a velocidade estonteante. Felicidade. Afinal, estava livre da Terra.
...
ZOORÓSCOPO
MINHOCA - Caros consulentes: os nascidos nesta casa zooastrológica têm, por isso mesmo, o destino traçado. São os trabalhadores humildes. Aqueles que fazem os serviços gerais, servem o cafezinho, os trabalhos de casas e mansões. São as assim chamadas pessoas invisíveis. Agem, mas não são notadas, estão presentes mas não se lhes dá atenção. Trabalham nos escuros túneis dos serviços subalternos e reclamam apenas o seu mínimo salário.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Já que está, deixa ficar
Emanoel Barreto

Um dos motivos para a manutenção de um estado de coisas onde imperam a desigualdade e injustiças sociais é a indiferença. A letargia social, que alheia o cidadão e obscurece seu juízo crítico, permite que situações históricas de exploração e espoliação se façam mais que permanentes, tornem-se eternas.

Percebemos isso agora, quando não se vê qualquer reação de sociedade civil frente ao covil em que se transformou o Senado. Aparentemente distante, a sociedade não se manifesta ante o descalabro, a imoralidade, os atos mais cínicos da tropa de choque que defende o soba maranhanse Jose Sarney.

A indiferença, assim, se transforma no motor da alienação. Tudo é festa, especialmente para aqueles que se nutrem da fome imposta ao povo. Ao que parece, salvo fato novo, nem Sarney nem os atos secretos serão banidos. As pessoas, qualquer pesquisa pode constatar, já se acostumaram com o "não vai acontecer nada", repetem esse refrão como um mantra e passam a entender as patranhas como coisa dada e natural.

Você imagina isso acontecendo nos Estados Unidos, França ou Itália? Certamente não. Primeiro, porque não aconteceria mesmo e, ocorrendo, sem dúvida as multidões acorreriam às ruas, em protestos e indignação.

Não se trata de qualidade ou característica de um povo essa indignação. Não, não é. Aqui, isso resulta de longo e leniente processo histórico de acatamento da ordem da desordem, da prevalência das elites, tornando universais os seus interesses. O brasileiro não "é", em essência, indiferente. Nenhum povo o é. Somos o amálgama secular do predomínio das elites.

E enquanto não nos acostumarmos a protestar - não falo em bagunça ou arruaças - a fazer valer nossa voz de sociedade civil, tudo ficará como está. E, como já está, tende a ficar.
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ZOORÓSCOPO

TUBARÃO BRANCO - Talvez você conheça alguém nascido neste zoosigno. São grandes, fortes - econômica e fisicamente - e podem ser facilmente vistos pilotando aquelas Hilux. As previsões indicam que seu futuro, próximo ou distante, será pleno de riquezas e fartura. Mas, acautelem-se. Não tentem casar como mulheres em Orca. Serão tragados ou se acabarão em grande luta judicial pela posse dos bens do casal em caso de divórcio.



quarta-feira, 5 de agosto de 2009


Do conluio aos búfalos
Emanoel Barreto

Aos políticos, o mais das vezes, imprensa somente é boa quando deles lhes fala bem.
Quando se dá o contrário trata-se de "conluio", "conspiração de mídia". Os jornalistas cometemos erros, sim. Até por má intenção, dolo, interesses escusos do profissional ou da empresa jornalística. Mesmo assim, a presença do jornal é essencial para a manutenção da democracia, para irrigar o organismo social com a informação que brota desse mesmo social.

Jornalismo, medicina, pedagogia e direito formam os pilares de uma sociedade que se pretenda democrática. O jornal pela já mencionada divulgação; a medicina por pressupor acesso de todos à saúde; pedagogia pela presença direta na formação da consciência cidadã, e direito pela participação essencial ao arcabouço jurídico, que determina o proceder social disciplinado.

Todas, em complexo, têm ligação direta, mesmo que não percebida, com a realidade política e portanto histórica nos destinos de uma nação. O jornalismo, em sua ação cotidiana, é ator fundamental ao ecoar de alguma forma o falar e os gritos da rua. Portanto, precisa ser exercido com vigor. E todos aqueles que em seu exercício desabonam esse fazer, devem receber as punições legais.

Mas não é por isso que, sob o apanágio da legislação, se aplique a censura, com está se fazendo com o Estadão, proibido de continuar veiculando denúncias contra o presidente do Senado, José Sarney.
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Zooróscopo

Búfalo: os nascidos neste zoosigno são brutais. Usam de sua capacidade para ferir, abater e atacar como forma de intimidação, portanto, de convencimento pela estupidez. Exemplo claro está no ex-presidente e hoje senador Fernando Collor, que, com olhar de fúria possessa, ameaçou o Pedro Simon quando este repudiava Sarney e citava Collor como figura nefasta à vida pública brasileira. Mulheres em Beija-flor não devem contrair matrimônio com homens de búfalo. Sofrerão horrores.


terça-feira, 4 de agosto de 2009


O leão contra os chacais
Emanoel Barreto

O que se viu ontem no Senado, com o senador Pedro Simon sob fogo cerrado de Collor de Melo e Renan Calheiros, é o que se poderia chamar de princípio da inversão: o primeiro, que a mim se afigura como uma espécie de reserva moral do Senado e do Congresso, desrespeitado por dois homens de passado e presente políticos no mínimo duvidosos.



O primeiro defendendo o que acho que já se tornou uma causa nacional: a retirada de Sarney da presidência do Senado, já que não se pode atirá-lo de lá pelas janelas da história; os dois defendendo alguém que a mim se afigura como a encarnação do que há de pior na vida pública brasileira, algo como uma síntese perfeita da corrupção e degenerescência política.
O leão contra os chacais, estes protegendo raivosamente o pedaço de lixo sob sua guarda.

Espero que hoje os canhões do parlamento voltem a troar, artilharia pesada martelando incessantemente. A imprensa, no caso, cumpre papel primordial. Jornalismo pode e deve ser a continuação da política por outros meios. Manchetes e textos devem estar a serviço da sociedade, ajudando a demolir os ídolos de pés de barro, cuja queda representará de alguma forma o resgate, mesmo que somente parcial, da honradez no Senado e no Congresso.


domingo, 2 de agosto de 2009

Desembargador Dácio Vieira; sua mulher Angela; a mulher de Agaciel, Sanzia; José Sarney; Agaciel Maia; e o senador Renan Calheiros no casamento da filha de Agaciel. (Foto: Reprodução)

O povo tá comendo vidro
Emanoel Barreto

Sob censura por decisão do desmbargador Dácio Vieira, amigo de Sarney, o Estadão assesta suas baterias procurando reverter a decisão e com isso continuar publicando matrial relativo à Operação Boi Barrica, que expõe o presidente do Senado como lamentável figura que se utiliza do cargo para beneficiar familiares, além de envolvido em sonegação de impostos.

As figuras da foto são amicíssimas. Compõem o que os americanos chamam de um "team", um time, equipe coesa e coerente com seus propósitos de continuar no olimpo do poder. É impreioso que se reverta essa decisão.

É meridianamente visível que Sarney pode e deve ser acusado por formação de família. A viscosidade moral imperante no Senado é feita à custa do sofrimento de milhões de brasileiros. Como diz Alceu Valença: "O povo tá comendo vidro. Se tá pior, vai piorar."

sábado, 1 de agosto de 2009

Sarney pede pra sair
Emanoel Barreto

A Veja informa que Sarney começa a aplainar o terreno para deixar a presidência do Senado. Isso depois de enorme mobilização da imprensa vocalizando a opinião pública nacional. Apresentado de corpo inteiro como político corrupto, portanto indigno de ocupar não apenas a presidência da Casa, mas o cargo de senador, Sarney é a expressão mais completa da cultura da indecência que contamina plenários e gabinetes decisórios.

Mas, que ninguém se engane: tipos como ele e outros que trabalham nos escaninhos do poder não nascem do nada, não vêm "de fora" da sociedade brasileira. Antes são amostras bastante exatas da nossa própria cultura do jeitinho, das facilidades, da molícia moral que tornou-se comum em nosso dia a dia, naturalizou-se, passou a ser "normal."

Assim, não são poucos os de nós que se aproveitam de um descuido do próximo para tomar-lhe o lugar na fila; se puderem dão o troco errado ao cliente; se não encontrarem resistência, levarão para casa papel e até clips da repartição onde trabalham. Você deve conhecer algum caso.

Essa macrorrealidade migra, se espalha, abrange e termina por parir no Congresso os ratos com mandato, que irão se aproveitar do cargo para enriquecer mais e mais. Nossa cultura de hedonismo civil, de misturar o público com o privado resulta no espetáculo do Senado desgraçado sob presidência degradada.

Mas o andar da história se leva o andor dos dominantes e todas as suas taras políticas, traz também a procissão dos que não são indiferentes. Sim, é possível tirar tais indivíduos da cena política. Sim, é possível, pelo menos, começar a pensar nisso.


sexta-feira, 31 de julho de 2009


O Papa é pop

Emanoel Barreto


A Folha Online diz: O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, confirmou hoje que a voz do papa Bento 16 estará presente em um CD de cantos, orações e músicas, que será lançado mundialmente até o Natal.

Com a declaração, a Santa Sé confirma a notícia que foi divulgada em Londres pela gravadora Geffen UK/Universal.
Segundo Lombardi, as gravações foram disponibilizadas pela Rádio Vaticana e o papa não teve nenhuma relação direta com a produtora britânica.
"A iniciativa nasceu da SanPolo Multimedia, que pediu à Rádio Vaticana alguns trechos da voz do Santo Padre para a produção de um CD", explicou o porta-voz.

De acordo com a Secretaria de Estado do Vaticano, fazem parte da produção oito trechos retirados de discursos e orações do pontífice em vários idiomas. No total, são menos de dez minutos de gravações da voz de Bento 16 que, depois, foram mixadas com as partes musicais.
A britânica Royal Philharmonic Orchestra gravará as composições clássicas nos estúdios Abbey Road, em Londres. O presidente da gravadora Geffen UK, Colin Barlow, disse que a voz do papa é "incrível".

"Nós estamos felizes que o papa Bento 16 mostrou apreciação e deu sua benção especial a esse projeto", disse Barlow. Mais detalhes do disco serão anunciados em setembro, em um lançamento oficial do projeto no Vaticano.
João Paulo 2º também realizou uma produção semelhante, o álbum "Abba Pater", lançado em 1999.

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A religião sempre teve um apelo ao espetacular. Missas, cultos dos mais diversos credos, cumprem rituais, liturgias grandiosas, procedimentos milenares e meticulosos. Há paramentos, roupagens dos sacerdotes, cumprindo-se de alguma forma uma encenação social, mesmo que pespegada de comportamento solene.

Com a midiatização da religiosidade a questão assume definitivamente a condição espetacular e funciona de maneira a traduzir catarse de problemas do cotidiano, suas angústias, indecisões, medos e limitações os mais diversos. A religião como válvula de escape, da mesma forma como acontece com o futebol como fenômeno de massa.

A voz do Papa agregada a um CD, mesmo guardadas as devidas reticências formais de seriedade e austeridade comportamental do pontífice, demonstra o quanto as religiões estão literalmente disputando esse tipo de "mercado" metafísico. A Igreja Católica é uma poderosa força milenar, que hoje vive momentos de confronto com outros credos cujas manifestações mágicas prometem a redenção na Terra, na forma de fortuna, fama e bem-estar.

Vamos ver se o marketing do Papa funciona nessa disputa.


quinta-feira, 30 de julho de 2009


32 anos sem Cascudo
Emanoel Barreto

Esta quinta marca os 32 anos da morte de Luís da Câmara Cascudo. Com ele fiz muitas entrevistas, conversas encantadoras sobre as coisas do povo, suas rezas, seus tempos arcaicos. Quando Cascudo morreu foi-se com ele todo um tempo. Mais velho que o século 20, como gostava de dizer, iluminava as tardes da Ribeira e luzia com o crepúsculo no Potengi. Eu estava na Tribuna do Norte. Antônio Melo era o editor-chefe. Na foto acima a figura imponente do Professor. A ilustração é do chargista Cláudio, hoje no Agora São Paulo. Saudades.

Sobre ele, recolhi na net o que abaixo se segue:
Você sabe que os contadores de histórias elegeram o historiador e folclorista Luís da Câmara Cascudo como protetor. A oração de "São Cascudo" faz referências ao mundo das histórias. Pare um momento e faça sua oração de hoje. “Ajude-me meu São Cascudo, / Que tem coisas nesse mundo / Que só existem nas memórias / Do povo mágico das histórias. / Quero uma lição de Geografia / Que um índio velho contaria / Para uma criança portuguesa / Se fartando com a sobremesa / De pé de moleque e brigadeiro / Junto com um peão boiadeiro. / São Cascudo, me diga o que é / Que vem de noite em um só pé, / E como me livro dessa assombração/ Meu Santo Padroeiro da Tradição. / Agora vou me deitar na rede, / Pois eu sei que o Santo entende, / Que amanhã é dia de festança / Vai ter música, aguardente e dança /Pro meu coração enamorado. /Valei-me meu São Cascudo!”

Deus virou máquina de fazer dinheiro
Emanoel Barreto

Entre perplexo e indignado vi ontem à noite, na TV, três "pastores" fazendo sentidíssimas orações quando pediam dinheiro a Deus para os fiéis de sua "Igreja". Eles estavam no mais alto ponto de uma montanha, morro, outeiro ou seja lá o que fosse. Fazia um frio de doer e os tais aparentavam contrição.

No estúdio, dois "bispos" reforçavam as orações e garantiam que uma corrente de 318 "pastores" uniria todas as suas energias espirituais para que os crentes daquele fé sanassem todas as suas dificuldades financeiras. Certamente, quando comparecerem ante os 318 sairão ungidos de notas de dólares, abrirão empresas e serão felizes para sempre.

Ao que parece, Deus não está no céu, mas na gerência de um banco...

Ao que vejo, a transformação de atos religiosos em acontecimentos de mídia, o que envolve também padres financistas, é uma espécie de sinal dos tempos. Cercada por infinidade de problemas sociais na conjuntura e na estrutura as pessoas em desespero atiram-se em direção ao divino, esperam milagres, salvação, bonança.

O resultado disso é o crescimento de seitas e igrejas midiáticas que recolhem dízimos e ganham, elas sim, muito dinheiro. Quanto aos fiéis, que continuem a rezar. Quem sabe, ganhem algo na Mega Sena.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

A desgraça ou coisa parecida
Emanoel Barreto

A Globo anuncia mais um reality show, No Limite. Todos essses espetáculos cumprem um esquema básico: pessoas agrupadas para disputar dinheiro, numa espécie de representação da vida fora do show, onde é preciso lutar pela sobrevivência cotidiana. Só que ali, no teatro montado para a ação, o que se processa é uma sequência de conflitos, onde o ser humano se expõe e se dispõe a humilhações, angústias e degradações. Perversões, até.

E tudo apresentado como se fora a sagração da capacidade humana de se superar a realizar grandes feitos. É o glamour da indecência. O ritual da indignidade.

As pessoas são constrangidas a superar obstáculos e de alguma forma são seviciadas, abandonam-se às cruéis provas de resistência e asco. Tudo para ganhar um milhão. O número assume condição de coisa fabulosa, inacessível à maioria dos mortais por condições normais de trabalho, e funciona como ímã que torna remidas todas misérias morais a que se submetem os participantes.

Por instantes são alçados à condição de famosos e ao sofrimento se dá um certo charme doloroso, como se fossem heróis ou coisa parecida. Na verdade são desgraçados ou coisa parecida. E o show, no limite, comprova que a desonra tornou-se valor ou coisa parecida.

terça-feira, 28 de julho de 2009

A moça e a estátua trêmula
Emanoel Barreto

Depois, o frio que estava lá fora
caminhou para dentro da alma da
moça e ela se transformou em estátua
que tremia de medo de voltar a viver.

domingo, 26 de julho de 2009

A chuva e o humano gesto

A beleza, a grandeza, o mistério da chuva. Acompanhe nesse vídeo.
Abraços,
Emanoel Barreto


sábado, 25 de julho de 2009

Os ladravazes...
Emanoel Barreto

Os ladravazes, ah!, os ladravazes.
Os ladravazes são imunes, pois
impunes são.

Os ladravazes, ah!, os ladravazes.
Como são gordos, perfumados, cobiçosos.
Veem o mundo com seus óculos de alegria.
E riem, como riem os ladravazes.

Ganham milhões, bilhões, os ladravazes.
Estão no Congresso, nas empresas, em toda parte.
Os ladravazes, ah!, os ladravazes...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Trabalho de redação
Emanoel Barreto


A Liberdade lá vem, guiando o povo.
Muita gente morre no caminho.
Gente que até perdeu a roupa.
Porque esse homem nu em meio à guerra?

A Liberdade, essa louquinha, pensa que a vão deixar ficar.
Mas, não. Eles nunca deixam o livre exercer a Liberdade.
A Liberdade é apenas uma moça.
Que, de tão tola, esqueceu de usar o sutiã.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Ouça, mas, depois, lave as mãos
Emanoel Barreto

O magnífico texto de Mauro Santayana, no Jornal do Brasil, ensina: "Há uma frase de Disraeli, o poderoso e controvertido primeiro-ministro britânico, que deveria servir para a nossa meditação. O filho de judeus convertidos ao cristianismo atribuiu a grandeza da Inglaterra ao fato de que, naquele país, os homens de bem têm (ou tinham naquele tempo) tanta ousadia quanto os canalhas. Falta essa ousadia à maioria dos homens de bem no Brasil, além de informação mais honesta. Muitos dos que, hipocritamente, berram, no Senado e pela imprensa, suas virtudes, não podem ser considerados homens honrados: basta examinar a sua vida conhecida."
........

É verdade. A indiferença das mulheres e homens honrados evolui malignamente para silêncio militante a favor dos canalhas. A indiferença da nossa sociedade civil para com os movimentos felínicos de políticos, empresários e quejandos, quando em sua manifestação corrupta, permite que todos eles, em movimento sistemático, e até diria orquestral, se apoderem da coisa pública e dela façam uso.

Parece que a formação bacante de nossa sociedade migrou para a política, encontrando ali campo vasto, faustoso e debochado, que sacia fome e sede dos que tiram da boca dos desvalidos. Nada contra a adoração de Baco, a sensualidade liberta e refletida - não. Somos um povo tropical a dionisíaco.

Mas, a transformação do que é público em orgia, a transfiguração do que é sério em devassidão argentária, revela o lado inaceitável e perverso de um sistema político que se transformou em lodo.

E, nesse mundo viscoso, o Estadão online traz hoje novas gravações sobre os negócios da família Sarney. Se não ouviu, ouça. Não é gripe suína, mas, depois de ouvir, lave as mãos como recomendam os médicos.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Da gripe à família Sarney
Emanoel Barreto

A Folha diz, em suas coisas de jornal, que a gripe suína matou mais seis em São Paulo; no país, já são 22 os mortos. O Estadão online traz áudio de conversas da família Sarney, se lambuzando com o dinheiro público. Assim, pendulamos de uma ameaça natural aos crimes. Esses eminentemente sociais, decorrentes de cultura política que mistura o público com o privado e faz do público coisa de uso particular.

No caso da gripe, não vejo ações de governo que venham de alguma forma assegurar que o problema seja enfrentado. A rede pública hospitalar está aos frangalhos, do Oiapoque ao Chuí. Medicação existe. E porque o Tamiflu não está sendo distribuído? É tão difícil assim? Mais difícil é a sociedade suportar o temor e as mortes decorrentes dessa pandemia que o governo mobilizar recursos para atender às emergências sociais. Lembrando que dinheiro, e muito, vai ser esbanjado com a Copa do Mundo.

Mas, é isso: de tragédia em tragédia vamos convivendo com uma e com outra. E então, pronto: tudo se torna tão comum que passa a ser normal. E sendo normal é natural. E fica tudo por isso mesmo. Nada muda e os erros somente fazem crescer.

terça-feira, 21 de julho de 2009

São Jorge, o dragão e a lua
Emanoel Barreto

Pois é: ontem foram comemorados os 40 anos da chegada do homem à lua. Preferi deixar para hoje comentário sobre o assunto. E isso porque, ontem, não consegui falar com São Jorge que, como se sabe, mora na lua, juntamente com seu cavalo branco e o dragão. Hoje falei com ele.

Demonstrou preocupação: Jorge é um cavaleiro medieval. Assim, está paramentado com sua armadura, espada, lança e escudo para enfrentar o dragão. O problema é que, desde a chegada do homem à lua, firmou-se um acordo entre as forças do mal, que uma parcela dos seres humanos representamos, e o dragão.

Agora, em vez de lançar fogo pela boca, ele dispara tiros de alto poder mortífero. E, se a armadura de S. Jorge não fosse tão poderosamente resistente, ele já teria sucumbido. Disso pode ter certeza.

Contou-me que, durante o último confronto, avançou corajosamente contra o dragão, mas ele, que agora voa, atirou-se sobre o cavaleiro numa metralha infernal. Se S. Jorge não fosse tão magnífico ginete não teria sobrevivido. Em meio ao fogo conseguiu, com a lança, atingir uma asa do dragão, que refugiou-se numa furna para tratar dos ferimentos.

Sou amigo de S. Jorge há muitos anos. Acho que desde meus oito ou nove anos nos conhecemos. Já cavalgamos juntos e participamos de grandes batalhas. Espero que meu amigo consiga continuar lutando contra o dragão. Que já abriu filial na Terra e transformou o mundo no que hoje dele conhecemos - e, pior, vivemos.


segunda-feira, 20 de julho de 2009


Psiu! Ei! Venha ser jornalista...
Emanoel Barreto

A arte de fazer jornalismo - Curso desenvolvido em parceria com a Faculdade Cásper Líbero. Direcionado a estudantes de graduação ou portadores de diploma de nível superior (de qualquer área do conhecimento) que queiram exercer ou se aperfeiçoar na profissão. A grade apresenta profissionais cuja competência permitirá esclarecimento teórico e debate de questões que se manifestam diariamente em relação à prática jornalística. Para tanto, o curso compreende desde metodologia e técnicas de redação, até os critérios de edição e implicações éticas. De 3 a 31 de agosto às segundas e quintas-feiras, das 19h30 às 22h.
.....

O texto acima chegou-me, enviado por colegas do Forum Nacional dos Professores de Jornalismo. É incrível, mas o que esse cursinho promete é formar um jornalista em apenas um mês. Nem corte e costura formaria em período tão, digamos, mixuruca, profissional qualificado. Trata-se, ao que sei, da primeira manifestação perversa, em termos práticos, do fim da exigência de diploma para o exercício do jornalismo.

A decisão do Supremo, que institucionalizou essa decisão mais parece resolução de um colegiado de dementes, decidindo pela revogação da lei da gravidade. Isso é grave, muito grave. E torna-se, por isso mesmo, a nova lei da gravidade a ameaçar a formação de jornalistas no país.

Agora, uma pergunta: por que em vez de fazer esse cursinho da Cásper Líbero, o pretendende a jornalista não faz vestibular e se forma numa universidade? Por quê?

domingo, 19 de julho de 2009


O novo davi... é você
Emanoel Barreto

Não, não, jamais, não é possível.
Não há davis. Jamais, só os golias.
Eles são gordos, lerdos, possessivos.
Ganham espaços à medida em que engordam.

Eles são ricos, preguiçosos, ociosos.
Estão aqui, ali, em toda parte.
Ditam leis, decretos e toda a ordem.

E neles, quando então se quer mexer,
pesam tanto, e oprimem tão maestros,
que se tornam em si a própria lei.

E você, pequeno, magro e fraco,
sucumbe - é que se curva ao peso do poder.
Não é gente; é só pequeno estorvo.
Que depois eles vão só esmagar.

sábado, 18 de julho de 2009

A luta, sempre a luta...
Emanoel Barreto

O vice-presidente José Alencar vem "lutando contra um câncer", como costumam dizer as coisas de jornal no cotidiano da imprensa. A expressão, lugar comum, é, todavia, suficientemente forte para sugerir algo de heroísmo pela resistência e capacidade pessoal de enfrentar a doença; ou martírio, pelo fato mesmo de sentir-se alguém atingido por mal terrível e do qual não há como libertar-se.

Num caso e noutro a condição humana de limitação, perplexidade e impotência perante as adversidades que, às vezes, invisivelmente nos cercam. E a possibilidade de que qualquer um de nós, eu e você incluídos, podemos sucumbir frente aos desvãos, terrores e medos da vida. Antecipadamente, espero que não.

Mas Alencar vem demonstrando, pelo que dizem as coisas de jornal, grande capacidade de luta. Uma espécie de resignação corajosa e persistente: internação após internação, cirurgia após cirurgia. O corpo invadido por medicação poderosa e ao mesmo tempo cruel; bisturis e pinças cumprindo com seu dever de maltratar para salvar.

Conheci o vice-presidente. Entrevistei-o no Xeque-Mate, TV Universitária, com meus alunos de jornalismo. Ele era candidato ao cargo. Então, perguntei se estaria numa espécie de sociedade com Lula e o PT. Uma sociedade de capital e trabalho, já que ele integra forças conservadoras em inusitada aliança com um partido de trabalhadores. Uma incoerência. Ele, como fiador junto aos segmentos conservadores, de que não havia "perigo" de se votar em Lula, cuja trajetória história o colocava como defensor do socialismo.

Descontraído, bonachão, disse que não. Que Lula podia se garantir por si só. Que não seria preciso aval dele, como empresário, para o petista conseguir chegar à eleição com o voto da conservação. Foi uma bela, instigante entrevista. Fiquei dele com a melhor das impressões. Como pessoa e como político bem-intencionado.

Dias depois do programa, recebi telegrama em que Alencar se congratulava com a iniciativa de existir um laboratório como o Xeque-Mate, e estimulava, a mim e aos jovens estudantes de jornalismo, a continuar com a proposta.

Espero que consiga superar as dificuldades. Que viva...

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Não é só com um chazinho
Emanoel Barreto

Não é só chá vitamina "C" e cama: a gripe suína está começando a se espalhar e as coisas de jornal da grande imprensa já falam em 11 mortos. Mais que isso, informam que a doença assumiu sua condição de "sustentada", em que a vítima não viajou a outros países em que há epidemia, nem entrou em contato com gente infectada. Ou seja: o vírus já circula no país.

O preocupante é que nossos serviços de atendimento médico-hospitalar, postos de saúde e desasistência a quem não tem plano de saúde formam quadro que podemos chamar de dramático. Caso a gripe suína se torne situação alastrada um expressivo contingente populacional estará literalmente ao abandono.

A frágil situação organizacional do Estado brasileiro o leva a colocar-se como instituição que falha na prestação de serviço público. Vamos mal na educação, segurança e saúde. O Estado não chega aos que mais precisam, aos que mais dependem do bom funcionamento de sua estrutura organizacional em termos de assistência.

Talvez seja o caso de se remeter o problema aos céus, esperando que o sobrenatural faça o que as autoridades com certeza não poderão fazer.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O castelão e seu castelo
Emanoel Barreto

Leio no Estadão: BRASÍLIA - O Conselho de Ética da Câmara arquivou nesta quarta-feira, 15, por 9 votos a 3, o processo contra o deputado Edmar Moreira (Sem partido-MG), que ficou conhecido por ser dono de um castelo. O arquivamento foi proposto pelo terceiro relator do caso, deputado Sérgio Brito (PDT-BA). As informações são da Agência Câmara. O arquivamento foi votado após duas tentativas infrutíferas de punição ao deputado do castelo.
.........
Há tempo, muito tempo, li o seguinte: "O lar de um homem é o seu castelo." Não sei a autoria da frase. Mas fica sugerido que ali o cidadão não poderá ser desrespeitado. E o peso da mão do Estado sobre ele não poderá se abater, desde que o senhor do castelo que se chama lar nada tenha feito de socialmente recriminável.

Agora a citação assume forma corpórea: trata-se mesmo de um castelo, e o castelão, em vez de respeitável senhor, trata-se de um arrivista, um aproveitador, protegido pelos seus iguais. É mais uma demonstração do tipo de gente que compõe o Congresso Nacional, cujas duas Casas notabilizam-se pela mais rasteira e solerte ação de rapina.

Aves de mau agouro cívico, muitos deputados e senadores dedicam seu tempo e energia a procurar formas e métodos para se locupletar, às custas de mais sofrimento ao povo a quem deveriam bem representar.

Mas a representação ali ocorre no sentido teatral do termo: eles encenam o espetáculo político em plenário. Baixado o pano, acorrem presurosos em busca das trinta moedas de Judas, que jorram de cofres apodrecidos.
Vergonha
Emanoel Barreto

Apenas para você comparar: na Noruega o ministro da Saúde foi demitido porque telefonou a um hospital público pedindo que amigo seu fosse atendido de forma preferencial. Pegou o telefone e fez o pedido. Isso causou tamanha indignação nacional que a saída foi a sua demissão imediata. A imprensa abriu manchetes, a população se indignou. E esse ato, lá entendido como de corrupção inaceitável, valeu, talvez, o fim da vida pública do envolvido.

Aqui, o presidente do Senado, José Sarney, faz contorcionismos incríveis. Está sob fogo cerrado da imprensa, a opinião pública nacional está perplexa, mas sabemos todos: nada lhe acontecerá. No máximo, talvez seja levado a renunciar ao cargo como estão pedindo as vozes mais honoráveis da Casa, como o senador Pedro Simon, do alto dos seus 80 anos, mais, muito mais da metade deles dedicados ao público.

Em conversas, tenho ouvido: para que serve o Senado? Talvez a indagação esteja fora de enquadramento. Na verdade, a pergunta seria: para que servem certos senadores? A legislação deveria contemplar com rigor esse tipo de gente, permitindo sua cassação de forma certeira e rápida, quando da ocorrência de indignidades como as perpetradas por Sarney.

sábado, 11 de julho de 2009

Diploma sim. E já!
Emanoel Barreto

Está para ser encaminhada proposta de emenda constitucional que restabelece a obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão. A proposta é do deputado Paulo Pimenta (PT). No Senado, tramita proposta do senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE).

Na Câmara o documento teve o apoio de 191 parlamentares.
Do Rio Grande do Norte, apenas Sandra Rosado (PSB) e Fátima Bezerra (PT). As informações relativas aos deputados me foram passadas por colega, integrante, como eu, do Forum Nacional dos Professores de Jornalismo.

Omitiram-se, pelo menos até agora, os deputados Henrique Alves, Betinho Rosado, Fábio Faria, Felipe Maia, João Maia, Rogério Marinho. A decisão do Supremo com relação ao diploma está eivada de um primarismo que desqualifica a condição intelectual e humanística da Corte. Revela os juristas como incapazes de entender a diferenciação palmar entre informação e opinião, sendo a primeira ato de relatar o que ocorreu, e a segunda gesto de emitir ponto de vista.

No segundo caso estaria, aí sim, o direito à livre expressão de pensamento. Os ministros confundiram tudo. Explico: quando um repórter sai à rua, ele busca encontrar no mundo acontecimento importante ou interessante, seja na rua mesmo, seja no parlamento ou locais onde se dá o confronto de ideias.

A responsabilidade, ou o direito, de manifestar opinião a respeito, está vedada ao repórter pelas próprias empresas. Em jornal somente opina quem a empresa deseja que opine, percebe? Somente pessoal da confiança da direção do jornal tem o direito, dentro da empresa jornalística, de manifestar opinião: colunistas, editorialistas, articulistas. A notícia, por sua vez, é apenas relato, sem opinião, do jornalista que a redigiu.

Colunistas e editorialistas são contradados para isso. Articulistas nem sempre são jornalistas, mas podem ser contradados, em razão de notório saber relativo a assunto ou tema, para que sobre estes façam comentários. Acho legítimo, por exemplo, Delfim Netto expor sobre economia e política, ou a filósofa Marilena Chaui tratar de questões também envolvendo o contencioso social, só para ficar nesses exemplos.

Agora, determinar que, para o exercício do jornalismo, uma pessoa não precisa ter qualquer qualificação, já que não se lhe exige o diploma, é pelo menos uma demonstração de alguma forma de ignorância ou má-fé.

Espero e confio que a legislação seja mudada e que nós, jornalistas, tomemos nosso destino em nossas mãos e passemos agir como corporação a fim de assegurar, no final do processo, o jovem estudante saia da universidade qualificado para o exercício profissional.


sexta-feira, 10 de julho de 2009


Texto para uma foto estranha
Emanoel Barreto

Devia cantar, mas, antes, não fez nada.
Devia dizer, mas, depois, calou-se.
Deveria saltar?


quinta-feira, 9 de julho de 2009

quarta-feira, 8 de julho de 2009

O cansaço do pequeno brasil
Emanoel Barreto

O pequeno brasil cansou.
Se não de tudo, pelo menos de andar.
E depois, para aonde os passos o levarem,
chegará sempre e sempre a mais cansaço.


segunda-feira, 6 de julho de 2009

Confirmada existência de funcionários-fantasmas
Emanoel Barreto

A Folha informa: Único instrumento de fiscalização das contas bancárias mantidas em sigilo no Senado, a comissão interna formada por um senador e dez servidores é uma peça de ficção. O grupo, que não se reúne há pelo menos cinco anos, é integrado por funcionários que não mais pertencem aos quadros do Senado e até por um servidor morto em 2005. Trata-se de Celso Aparecido Rodrigues, diretor financeiro do Senado. Ele foi designado para o Conselho de Supervisão do SIS (Sistema Integrado de Saúde) em agosto de 2003. Morreu dois anos depois.
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Comprovado: funcionários-fantasmas existem. Eles andam à noite pelas salas, ântecâmaras, corredores e escaninhos do Poder. Participam, influem, opinam e decidem coisas relativas aos vivos. No Senado, sabia?, têm até livro de ponto e cumprem fielmente com o seu dever, ou seja: fazer nada. Coisa que já faziam, e muito bem, quando estavam vivos. E somente porque eram vivos, "muito vivos", que conseguiram, já mesmo em vida, ser funcionários-fantasmas.

O Senado é o cenáculo onde se espicham, se espojam e vicejam tipos os mais condenáveis, que achincalham, na esbórnia de suas vidas lodosas, o dinheiro que falta ao posto de saúde, à escolinha de bairro, aos mais pobres da nação.

PS: Se você digitar neste blog a palavra "zumbi" saberá como surgiram os funcionários-fantasmas e a incrível história do seu surgimento. É de arrepiar.