Caros Amigos,
Aqui, no coração de Minas, estou num retiro feito de natureza e paz. Os pássaros cantam suas canções de pios, enquanto o sol, preguiçoso, se esconde e se recobre com o lençol da noite, dando lugar a um silêncio manso. As estrelas tecem no céu sua sinfonia de pingos de luz.
Estou com Terezinha, Minha Mulher, na casa de Geraldo e Maria. Casa grande, tão grande que parece um labirinto, habitado por um aconchego que só se encontra nas Gerais. Maria, irmã de Terezinha, é a matriarca de um clã que se construiu ao longo do tempo e traz plantada em si a força misteriosa que vem das montanhas, encanta o olhar e deixa longe o pensamento. Geraldo, o patriarca, caladão em seu silêncio de mineiro caprichoso e ligado à terra, é um grande abraço a nos receber.
O motivo de nossa vinda, assim como e de muita gente mais, é uma festa grande, já se aprontando para acontecer sábado que vem. Com frango, quiabo, angu e torresmo, como manda o melhor sabor das Gerais.
Uma coisa não posso esquecer de lembrar: o Tempo, aqui, parece que tem vergonha de passar. Pede licença, se embrenha pelos cantos, fica escondido e anda de mansinho.
Aqui, o Tempo já sabe, é proibido ficar velho depressa. E quando alguém envelhece, tem guardado bem forte na lembrança, que ainda é moço na força do viver.
Aqui, eu descobri, o Tempo passa devagarinho, que é para dar à Vida mais direito de ser vivida.
E é nesse clima bom que, sábado, quando a familharada estiver reunida na festa, viola pra todo lado, gente cantando feliz, vamos viver mais um pedaço de Vida, como quem faz uma colheita boa.
Fica aqui o meu abraço. Que venham e cheguem logo os filhos, os genros, as noras, netos, primos, tios, tias, parantes e aderentes, amigos e agregados. Venham com suas cantigas, que a festa, aqui, começa antes de começar.
Emanoel Barreto
"Não é justo alguém ter o direito de ter uma empresa de aviação e outro não ter o direito de comer um pão." /////// JAMAIS IDE A UM LUGAR GRANDE DEMAIS. A UM LUGAR AONDE NÃO TENHAIS CORAGEM DA IMENSIDÃO - EMANOEL BARRETO - NATAL/RN
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Mais dinheiro, mais dinheiro...
Caros Amigos,
Um bilhetíssimo para vocês, por pura falta de tempo: ao que tudo indica, deverá obter pleno êxito a molesta intenção do Governo, na aprovação da continuidade da CPMF. É preciso, entendem "eles", que continuemos a pagar para ter conta em banco; a pagar para sermos lesados; a pagar por pagar. E o que temos em troca? Façam o seguinte: olhem em volta, vejam os noticiários de rádio, TV e jornal, que logo encontrarão a resposta.
Um abraço,
Emanoel Barreto
Um bilhetíssimo para vocês, por pura falta de tempo: ao que tudo indica, deverá obter pleno êxito a molesta intenção do Governo, na aprovação da continuidade da CPMF. É preciso, entendem "eles", que continuemos a pagar para ter conta em banco; a pagar para sermos lesados; a pagar por pagar. E o que temos em troca? Façam o seguinte: olhem em volta, vejam os noticiários de rádio, TV e jornal, que logo encontrarão a resposta.
Um abraço,
Emanoel Barreto
terça-feira, 13 de novembro de 2007
Em meio a Minas, montanhas
Caros Amigos,
Deixei os ares portenhos pelas montanhas mineiras,
chão brasileiro tão forte, coisas de aqui querer bem.
Cheguei ao abraço, família, calor de tempos
amigos; queridos, todos queridos.
Com mais tempo, escrevo. Detalho coisas de cá.
Volto a vocês todo dia, mas trazendo
na lembrança, ainda por esses dias,
o som do tango portenho.
Um abraço,
Emanoel Barreto
Deixei os ares portenhos pelas montanhas mineiras,
chão brasileiro tão forte, coisas de aqui querer bem.
Cheguei ao abraço, família, calor de tempos
amigos; queridos, todos queridos.
Com mais tempo, escrevo. Detalho coisas de cá.
Volto a vocês todo dia, mas trazendo
na lembrança, ainda por esses dias,
o som do tango portenho.
Um abraço,
Emanoel Barreto
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
Adios, muchachos
Caros Amigos,
Anoto neste pequeno e incompleto diàrio: saio agora, seis e meia da manhá, nos rumos distantes de Minas. Là, estarei na regiáo mais central e mais intensamente mineira, protegido pelas montanhas, abraçado pelo clima ameno, pelo siléncio grande que domina tudo.
Ao tempo, irei acrescentando recuerdos, detalhes, visóes e acontecimentos. Continuo com problemas na acentuaçao. As computadoras, acà, sao máquinas molestas...
Gracias,
Emanoel Barreto
Anoto neste pequeno e incompleto diàrio: saio agora, seis e meia da manhá, nos rumos distantes de Minas. Là, estarei na regiáo mais central e mais intensamente mineira, protegido pelas montanhas, abraçado pelo clima ameno, pelo siléncio grande que domina tudo.
Ao tempo, irei acrescentando recuerdos, detalhes, visóes e acontecimentos. Continuo com problemas na acentuaçao. As computadoras, acà, sao máquinas molestas...
Gracias,
Emanoel Barreto
domingo, 11 de novembro de 2007
O bébado e o equilibrista
Caros Amigos,
Caminhando pela feira de San Telmo, Buenos Aires, parei frente a um artista de rua. Trabalhava com uma marionete, a triste figura de um borracho. Garrafa na mao direita, malvestido, o boneco executava, ao comando dos cordèis, passos de bebado ao som de um tango, que saìa, cheio de dolor, de um aparelho fanhoso.
O pobre boneco representava bem a figura dos descamisados de Evita Peròn, sofrendo màgoas, chorando alguma tràgica separacao, golfando tangos cheios de profunda e trëmula angùstia. Olhando aquele artista, que repetia sempre o mesmo nùmero, vi nele o perfil do equilibrista da vida. Ganhando essa mesma vida ao lado de um boneco. O boneco, o bebado: o artisya, o equilibrista.
Certamente, todos os dias, ganha os seus cobres e depois volta â sua habitacion. Creio que vi ali, bem exposta, toda a pulsante tragicidade de alma portenha. E, como no Brasil, aqui tambèm hà bebados e equilibristas.
Um abraco,
Emanoel Barreto
PS: È impossivel colocar a acentuacao tonica. O computador nao esta programado para isso. Assim, fiz o texto da forma que me foi possivel.
Caminhando pela feira de San Telmo, Buenos Aires, parei frente a um artista de rua. Trabalhava com uma marionete, a triste figura de um borracho. Garrafa na mao direita, malvestido, o boneco executava, ao comando dos cordèis, passos de bebado ao som de um tango, que saìa, cheio de dolor, de um aparelho fanhoso.
O pobre boneco representava bem a figura dos descamisados de Evita Peròn, sofrendo màgoas, chorando alguma tràgica separacao, golfando tangos cheios de profunda e trëmula angùstia. Olhando aquele artista, que repetia sempre o mesmo nùmero, vi nele o perfil do equilibrista da vida. Ganhando essa mesma vida ao lado de um boneco. O boneco, o bebado: o artisya, o equilibrista.
Certamente, todos os dias, ganha os seus cobres e depois volta â sua habitacion. Creio que vi ali, bem exposta, toda a pulsante tragicidade de alma portenha. E, como no Brasil, aqui tambèm hà bebados e equilibristas.
Um abraco,
Emanoel Barreto
PS: È impossivel colocar a acentuacao tonica. O computador nao esta programado para isso. Assim, fiz o texto da forma que me foi possivel.
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
Mi Buenos Aires querido
Caros Amigos,
Estou em Buenos Aires. Aqui, visitei La Boca e Caminito, por onde andou Carlos Gardel, aliàs, Charles Gardes, que nao era argentino, mas frances, filho de uma lavadeira imigrada à Plata.
Elegante, com seus edificios rotundos e imponentes, ornados de uma espècie de beleza austera e enigmàtica, a cidade è encantadora.
O tempo frio obriga o uso de trajes pesados. Hà um clima de displicente formalidade no caminhar pelas calcadas. Algo como uma solene sinfonia de passos, um balè coreografado e levemente caòtico. A brisa fria da tarde lembra um tango que dissolveu-se no ar.
Nas lojas, a economia està indexada ao dòlar e ao real. Os vendedores sao atenciosos e entendem facilmente o portunhol. Bom estar aqui. Vamos ver se amanha tenho mais tempo que hoje para escrever.
Um abraco,
Emanoel Barreto
PS - A falta de sinais graficos deu-se pelo fato de que a computadora - como sao conhecidos por aqui os computadores - esta com problemas. Fiz o possivel, mas foi impossivel solucionar. Hasta luego.
Estou em Buenos Aires. Aqui, visitei La Boca e Caminito, por onde andou Carlos Gardel, aliàs, Charles Gardes, que nao era argentino, mas frances, filho de uma lavadeira imigrada à Plata.
Elegante, com seus edificios rotundos e imponentes, ornados de uma espècie de beleza austera e enigmàtica, a cidade è encantadora.
O tempo frio obriga o uso de trajes pesados. Hà um clima de displicente formalidade no caminhar pelas calcadas. Algo como uma solene sinfonia de passos, um balè coreografado e levemente caòtico. A brisa fria da tarde lembra um tango que dissolveu-se no ar.
Nas lojas, a economia està indexada ao dòlar e ao real. Os vendedores sao atenciosos e entendem facilmente o portunhol. Bom estar aqui. Vamos ver se amanha tenho mais tempo que hoje para escrever.
Um abraco,
Emanoel Barreto
PS - A falta de sinais graficos deu-se pelo fato de que a computadora - como sao conhecidos por aqui os computadores - esta com problemas. Fiz o possivel, mas foi impossivel solucionar. Hasta luego.
terça-feira, 6 de novembro de 2007
Volto logo
Caros Amigos,
Estarei fora por uns quinze dias. Sempre que possível, atualizarei o Coisas de Jornal. Enquanto isso, deixo vocês com a poesia de Cora Coralina.
Um abraço,
Emanoel Barreto
Conclusões de Aninha
Estavam ali parados. Marido e mulher.Esperavam o carro.
E foi que veio aquela da roçatímida, humilde, sofrida.
Contou que o fogo, lá longe,
tinha queimado seu rancho,e tudo que tinha dentro.
Estava ali no comércio pedindo um auxílio
para levantar novo rancho e comprar suas pobrezinhas.
O homem ouviu. Abriu a carteira tirou uma cédula, entregou sem palavra.
A mulher ouviu. Perguntou, indagou, especulou, aconselhou,se comoveu
e disse que Nossa Senhora havia de ajudar. E não abriu a bolsa.
Qual dos dois ajudou mais?
Donde se infere que o homem a
juda sem participar e a mulher participa sem ajudar.
Da mesma forma aquela sentença:
"A quem te pedir um peixe, dá uma vara de pescar."
Pensando bem, não só a vara de pescar,
também a linhada,o anzol, a chumbada,
a isca, apontar um poço piscoso
e ensinar a paciência do pescador.
Você faria isso, Leitor?
Antes que tudo isso se fizesse
o desvalido não morreria de fome?
Conclusão: na prática, a teoria é outra.
Estarei fora por uns quinze dias. Sempre que possível, atualizarei o Coisas de Jornal. Enquanto isso, deixo vocês com a poesia de Cora Coralina.
Um abraço,
Emanoel Barreto
Conclusões de Aninha
Estavam ali parados. Marido e mulher.Esperavam o carro.
E foi que veio aquela da roçatímida, humilde, sofrida.
Contou que o fogo, lá longe,
tinha queimado seu rancho,e tudo que tinha dentro.
Estava ali no comércio pedindo um auxílio
para levantar novo rancho e comprar suas pobrezinhas.
O homem ouviu. Abriu a carteira tirou uma cédula, entregou sem palavra.
A mulher ouviu. Perguntou, indagou, especulou, aconselhou,se comoveu
e disse que Nossa Senhora havia de ajudar. E não abriu a bolsa.
Qual dos dois ajudou mais?
Donde se infere que o homem a
juda sem participar e a mulher participa sem ajudar.
Da mesma forma aquela sentença:
"A quem te pedir um peixe, dá uma vara de pescar."
Pensando bem, não só a vara de pescar,
também a linhada,o anzol, a chumbada,
a isca, apontar um poço piscoso
e ensinar a paciência do pescador.
Você faria isso, Leitor?
Antes que tudo isso se fizesse
o desvalido não morreria de fome?
Conclusão: na prática, a teoria é outra.
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
Eles estão se acertando
Caros Amigos,
Renan Calheiros voltou sem alarde ao senado, o Governo busca uma aproximação com seus ditos oposicionistas para aprovação da CPMF, o PSDB sinaliza sinais de fumaça amigáveis ao Governo. Tudo como dantes no quartel de Abrantes. Tudo se acertando direitinho, nas entrelinhas, no silencinho torto do Poder que age a portas fechadas. Tudo se acerta: Renan volta se alarde, parece que vai mesmo perder a presidência do senado, e o Governo acena, que amável, ao PSDB, para um acordão em favor da CPMF.
Temo que o imposto continue a ser sugado dos brasileiros, sob a alegação de que é imprescindível. Temo que o álibi seja o velho recurso do "apelo ao bom senso", para que o imposto seja novamente perpetrado.
Apela-se ao bom senso quando é para a retirada de dinheiro das contas, da vida dos cidadãos; mas ninguém pensa em bom senso quando é para se tomar uma decisão como aquela que dará ao Brasil o ônus de pagar para que jogadores do futebol fiquem mais ricos e para que a elite de endinheirados que lucra com esse esporte torne-se ainda mais rica. E o pior é que o povo irá pagar. E aplaudir.
Apela-se ao bom senso em favor da CPMF, mas não se apela ao bem senso para uma ação firme e poderosa contra aqueles que destróem a Amazônia, a Mata Atlântica e ameaçam de poluição o Aqüífero Guarani. Apela-se em bom senso em favor do lesa povo, enquanto milhões de brasileiros enchem a boca de gol e estão de barriga vazia de direitos e cidadania.
Emanoel Barreto
Renan Calheiros voltou sem alarde ao senado, o Governo busca uma aproximação com seus ditos oposicionistas para aprovação da CPMF, o PSDB sinaliza sinais de fumaça amigáveis ao Governo. Tudo como dantes no quartel de Abrantes. Tudo se acertando direitinho, nas entrelinhas, no silencinho torto do Poder que age a portas fechadas. Tudo se acerta: Renan volta se alarde, parece que vai mesmo perder a presidência do senado, e o Governo acena, que amável, ao PSDB, para um acordão em favor da CPMF.
Temo que o imposto continue a ser sugado dos brasileiros, sob a alegação de que é imprescindível. Temo que o álibi seja o velho recurso do "apelo ao bom senso", para que o imposto seja novamente perpetrado.
Apela-se ao bom senso quando é para a retirada de dinheiro das contas, da vida dos cidadãos; mas ninguém pensa em bom senso quando é para se tomar uma decisão como aquela que dará ao Brasil o ônus de pagar para que jogadores do futebol fiquem mais ricos e para que a elite de endinheirados que lucra com esse esporte torne-se ainda mais rica. E o pior é que o povo irá pagar. E aplaudir.
Apela-se ao bom senso em favor da CPMF, mas não se apela ao bem senso para uma ação firme e poderosa contra aqueles que destróem a Amazônia, a Mata Atlântica e ameaçam de poluição o Aqüífero Guarani. Apela-se em bom senso em favor do lesa povo, enquanto milhões de brasileiros enchem a boca de gol e estão de barriga vazia de direitos e cidadania.
Emanoel Barreto
sábado, 3 de novembro de 2007
As pontes de Igapó
Caros Amigos,
Aqui, uma crônica sobre Natal e o rio Potengi.
Um bom fim de semana.
Emanoel Barreto
As Pontes de Igapó
Natal é uma cidade dividida
pelo amor entre o rio e o mar.
E o rio, o rio Potengi, tem, p
or sua vez, seus dois amores.
O Potengi é talvez o único rio do mundo que tem,
paralelas e tão próximas,
duas pontes a cruzar seu coração de águas.
Uma, feita de ferro e quase morta,
o primeiro e mais antigo amor do rio.
A outra, em concreto e enfeitada
pelo trânsito apressado, é a namorada mais jovem.
E entre as duas pontes, abraçado por elas,
o Potengi corre sua vida de águas
e certamente sorri quando o sol se faz poente.
E as pontes, rivais e amigas,
fazem festa no marulhar desse abraço.
Aqui, uma crônica sobre Natal e o rio Potengi.
Um bom fim de semana.
Emanoel Barreto
As Pontes de Igapó
Natal é uma cidade dividida
pelo amor entre o rio e o mar.
E o rio, o rio Potengi, tem, p
or sua vez, seus dois amores.
O Potengi é talvez o único rio do mundo que tem,
paralelas e tão próximas,
duas pontes a cruzar seu coração de águas.
Uma, feita de ferro e quase morta,
o primeiro e mais antigo amor do rio.
A outra, em concreto e enfeitada
pelo trânsito apressado, é a namorada mais jovem.
E entre as duas pontes, abraçado por elas,
o Potengi corre sua vida de águas
e certamente sorri quando o sol se faz poente.
E as pontes, rivais e amigas,
fazem festa no marulhar desse abraço.
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
The Ventures - Walk Don't Run (1960)
Caros Amigos,
Uma raridade, com The Ventures. É só clicar.
Emanoel Barreto
YouTube - The Ventures - Walk Don't Run (1960)
Uma raridade, com The Ventures. É só clicar.
Emanoel Barreto
YouTube - The Ventures - Walk Don't Run (1960)
Dia de Finados
Caros Amigos,
Aos que já se foram
digo que o mundo
continua tardo,
pesaroso e triste.
E a vida tensa,
perigosa, insana.
Aos que já se foram
quero informar
que os insensatos
perdominam ainda,
falam de incêndios
e fazem matar.
Mas também me lembro,
aos que já se foram,
que há crianças lindas,
rios rebrilhantes,
estrelas cadentes
e fé no amanhã.
Aos que já se foram
peço que confiem, pois
aqui na Terra, mesmo
enlouquecidos,
os tiranos morrem.
Caem lá das torres,
eles também vão.
Como ainda eu vou,
aos que já se foram
peço que me esperem;
vou fazer a festa, subir num
palanque e gritar
que o mundo é louco,
foi escurecido, mas tem
quem resista sem esmorecer.
Mas depois eu volto,
que aqui tem vida, vida
muita vida, olhar de verão.
Saudades,
Emanoel Barreto
Aos que já se foram
digo que o mundo
continua tardo,
pesaroso e triste.
E a vida tensa,
perigosa, insana.
Aos que já se foram
quero informar
que os insensatos
perdominam ainda,
falam de incêndios
e fazem matar.
Mas também me lembro,
aos que já se foram,
que há crianças lindas,
rios rebrilhantes,
estrelas cadentes
e fé no amanhã.
Aos que já se foram
peço que confiem, pois
aqui na Terra, mesmo
enlouquecidos,
os tiranos morrem.
Caem lá das torres,
eles também vão.
Como ainda eu vou,
aos que já se foram
peço que me esperem;
vou fazer a festa, subir num
palanque e gritar
que o mundo é louco,
foi escurecido, mas tem
quem resista sem esmorecer.
Mas depois eu volto,
que aqui tem vida, vida
muita vida, olhar de verão.
Saudades,
Emanoel Barreto
terça-feira, 30 de outubro de 2007
Uma opinião aguada
Caros Amigos,
Transcrevo abaixo o editorial de hoje da Folha de S. Paulo a respeito da realização da Copa do Mundo no Brasil. Acho que foi redigido por alguém que desconhece completamente a realidade do País ou então por algum seráfico e pio jornalista, que acredita nas boas intenções dos políticos.
Veja só:
A Copa e as contas
O BRASIL, candidato único, deve ser oficializado hoje em Zurique como o país-sede da Copa do Mundo de 2014. Mais de seis décadas após o desastre de 1950, quando a seleção nacional perdeu a final para o Uruguai em pleno Maracanã, o país voltará a ser palco da principal competição futebolística do planeta.Trata-se de uma boa notícia. Eventos do porte da Copa são uma excelente ocasião para fazer negócios, incentivar o turismo e obter investimentos em infra-estrutura.
Alguns desses ganhos permanecem mesmo depois de encerrada a competição. É o caso de uma linha de metrô que se construa ou da popularização do Brasil como destino turístico.Só que as oportunidades também podem dar lugar a um pesadelo. Serão certos os danos à imagem do país se cenas de caos aéreo se repetirem durante a competição, por exemplo. Além disso, persiste também o risco de a Copa, a exemplo do Pan 2007, converter-se numa maratona de prejuízos para o erário.
A diferença entre êxito e fracasso está no planejamento. Para que a competição seja um sucesso e os gastos públicos produzam resultados duradouros, é preciso antecipar os pontos fracos e tomar as medidas para saná-los. Muitas exigem um prazo de maturação de anos.Lamentavelmente, o histórico do país e o do governo são ruins. Basta lembrar que a administração Lula assistiu inerte a pelo menos dez meses de tumulto aéreo antes de adotar medidas que parecessem uma atitude.
Também está fresco na memória o Pan 2007. Originalmente orçado em R$ 414 milhões, a maioria em recursos oriundos da iniciativa privada, o custo do evento foi multiplicado por nove: R$ 3,7 bilhões, tudo pago pelo contribuinte. A Copa do Mundo é uma competição muito maior do que o Pan. Se não houver controle, os quase R$ 4 bilhões parecerão brincadeira de criança.E o Brasil já entra no gramado com o pé esquerdo.
O relatório da Fifa que o recomenda como sede parece muito mais um "press-release" do que o resultado dos trabalhos de uma comissão que esteve no país. Não são mencionadas cifras de investimentos necessários. Informalmente, fala-se em R$ 400 milhões para o comitê organizador e R$ 1,1 bilhão para a renovação dos estádios. Difícil acreditar.
A Alemanha gastou mais de R$ 20 bilhões na Copa de 2006. E o presidente Lula, que lidera a caravana de políticos que foi a Zurique celebrar a "conquista" brasileira, já advertiu que não pretende poupar gastos na Copa.A torcida brasileira -pela importância do futebol no país e pela tradição da seleção pentacampeã- merece uma Copa no Brasil. Mas o evento só se justificará se marcar uma mudança na atitude de dirigentes e autoridades. É preciso prestar contas e minimizar o gasto público.
PS: pela falta de energia, pela falta mesmo de opinião (editoriais necessariamente devem ser opinativos, críticos), acho que a Folha, querendo passar a idéia de um jornal ponderado, perdeu a oportunidade de denunciar a falta de respeito para com as contas públicas e para com a cidadania.
Emanoel Barreto
Transcrevo abaixo o editorial de hoje da Folha de S. Paulo a respeito da realização da Copa do Mundo no Brasil. Acho que foi redigido por alguém que desconhece completamente a realidade do País ou então por algum seráfico e pio jornalista, que acredita nas boas intenções dos políticos.
Veja só:
A Copa e as contas
O BRASIL, candidato único, deve ser oficializado hoje em Zurique como o país-sede da Copa do Mundo de 2014. Mais de seis décadas após o desastre de 1950, quando a seleção nacional perdeu a final para o Uruguai em pleno Maracanã, o país voltará a ser palco da principal competição futebolística do planeta.Trata-se de uma boa notícia. Eventos do porte da Copa são uma excelente ocasião para fazer negócios, incentivar o turismo e obter investimentos em infra-estrutura.
Alguns desses ganhos permanecem mesmo depois de encerrada a competição. É o caso de uma linha de metrô que se construa ou da popularização do Brasil como destino turístico.Só que as oportunidades também podem dar lugar a um pesadelo. Serão certos os danos à imagem do país se cenas de caos aéreo se repetirem durante a competição, por exemplo. Além disso, persiste também o risco de a Copa, a exemplo do Pan 2007, converter-se numa maratona de prejuízos para o erário.
A diferença entre êxito e fracasso está no planejamento. Para que a competição seja um sucesso e os gastos públicos produzam resultados duradouros, é preciso antecipar os pontos fracos e tomar as medidas para saná-los. Muitas exigem um prazo de maturação de anos.Lamentavelmente, o histórico do país e o do governo são ruins. Basta lembrar que a administração Lula assistiu inerte a pelo menos dez meses de tumulto aéreo antes de adotar medidas que parecessem uma atitude.
Também está fresco na memória o Pan 2007. Originalmente orçado em R$ 414 milhões, a maioria em recursos oriundos da iniciativa privada, o custo do evento foi multiplicado por nove: R$ 3,7 bilhões, tudo pago pelo contribuinte. A Copa do Mundo é uma competição muito maior do que o Pan. Se não houver controle, os quase R$ 4 bilhões parecerão brincadeira de criança.E o Brasil já entra no gramado com o pé esquerdo.
O relatório da Fifa que o recomenda como sede parece muito mais um "press-release" do que o resultado dos trabalhos de uma comissão que esteve no país. Não são mencionadas cifras de investimentos necessários. Informalmente, fala-se em R$ 400 milhões para o comitê organizador e R$ 1,1 bilhão para a renovação dos estádios. Difícil acreditar.
A Alemanha gastou mais de R$ 20 bilhões na Copa de 2006. E o presidente Lula, que lidera a caravana de políticos que foi a Zurique celebrar a "conquista" brasileira, já advertiu que não pretende poupar gastos na Copa.A torcida brasileira -pela importância do futebol no país e pela tradição da seleção pentacampeã- merece uma Copa no Brasil. Mas o evento só se justificará se marcar uma mudança na atitude de dirigentes e autoridades. É preciso prestar contas e minimizar o gasto público.
PS: pela falta de energia, pela falta mesmo de opinião (editoriais necessariamente devem ser opinativos, críticos), acho que a Folha, querendo passar a idéia de um jornal ponderado, perdeu a oportunidade de denunciar a falta de respeito para com as contas públicas e para com a cidadania.
Emanoel Barreto
segunda-feira, 29 de outubro de 2007
Nosso complexo de vira-latas
Caros Amigos,
Agora que a Fifa garante que a Copa de 2014 será realizada no Brasil, será preciso que o Congresso se ajoelhe e prometa: não irá apurar qualquer acusação relativa a multinacionais de produtos desportivos mediante CPIs, a fim de que o País se faça merecedor da esmola de ter aqui um campeonato mundial de futebol.
É que a Fifa não quer, em meio a um tumuldo de uma CPI, ser vista como tendo ligações perigosas com as falcatruas do futebol brasileiro. Acho que um povo não pode ser assim tão humilhado, exposto, achincalhado por dirigentes que, querendo tirar proveito político do futebol, vão à Suíça implorar para que a Copa seja no Brasil.
Este país não precisa de campeonato de futebol: precisa, sim, de escola, saúde, segurança, expectativa de vida para seu povo, emprego, salário digno, moradia. Precisa, enfim, de dignidade, honradez, seriedade e trabalho.
Ademais, sabe-se qua não há infra-estrutura à altura do evento; segurança, nem se fala. Mas dinheiro vai aparecer e bem depressa, seja do governo federal, sejam dos governos dos Estados escolhidos para sediar a Copa. Dinheiro será tirado de programas sociais para ser gasto, para ser dado a multinacionais que virão aqui pilhar um povo que já tem excesso de pouco.
A falta de dignidade do que se convencionou chamar de classe política vai garantir o futebol e os gritos de apoio dos milhões de tolos que cairão nessa emboscada.
Aí, me vem à lembrança Gonzaguinha, em Comportamento Geral:
Você deve notar que não tem mais tutu
e dizer que não está preocupado
Você deve lutar pela xepa da feira
e dizer que está recompensado
Você deve estampar sempre um ar de alegria
e dizer: tudo tem melhorado
Você deve rezar pelo bem do patrão
e esquecer que está desempregado
Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã,
Seu Zé se acabar em teu Carnaval
É isso. O Brasil Merece.
Emanoel Barreto
Agora que a Fifa garante que a Copa de 2014 será realizada no Brasil, será preciso que o Congresso se ajoelhe e prometa: não irá apurar qualquer acusação relativa a multinacionais de produtos desportivos mediante CPIs, a fim de que o País se faça merecedor da esmola de ter aqui um campeonato mundial de futebol.
É que a Fifa não quer, em meio a um tumuldo de uma CPI, ser vista como tendo ligações perigosas com as falcatruas do futebol brasileiro. Acho que um povo não pode ser assim tão humilhado, exposto, achincalhado por dirigentes que, querendo tirar proveito político do futebol, vão à Suíça implorar para que a Copa seja no Brasil.
Este país não precisa de campeonato de futebol: precisa, sim, de escola, saúde, segurança, expectativa de vida para seu povo, emprego, salário digno, moradia. Precisa, enfim, de dignidade, honradez, seriedade e trabalho.
Ademais, sabe-se qua não há infra-estrutura à altura do evento; segurança, nem se fala. Mas dinheiro vai aparecer e bem depressa, seja do governo federal, sejam dos governos dos Estados escolhidos para sediar a Copa. Dinheiro será tirado de programas sociais para ser gasto, para ser dado a multinacionais que virão aqui pilhar um povo que já tem excesso de pouco.
A falta de dignidade do que se convencionou chamar de classe política vai garantir o futebol e os gritos de apoio dos milhões de tolos que cairão nessa emboscada.
Aí, me vem à lembrança Gonzaguinha, em Comportamento Geral:
Você deve notar que não tem mais tutu
e dizer que não está preocupado
Você deve lutar pela xepa da feira
e dizer que está recompensado
Você deve estampar sempre um ar de alegria
e dizer: tudo tem melhorado
Você deve rezar pelo bem do patrão
e esquecer que está desempregado
Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã,
Seu Zé se acabar em teu Carnaval
É isso. O Brasil Merece.
Emanoel Barreto
sábado, 27 de outubro de 2007
Permanente é eterno?
Caros Amigos,
Um minutinho da sua atenção.
Alguém aí já se perguntou quanto tempo dura a permanência?
Ou qual o tamanho da eternidade?
Será que permanente
é o começo da eternidade?
Quanto tempo dura um instante?
Quanto tempo existe em um momento?
Ficar é um pedaço da permanência,
ou uma fagulha do momento?
O que é mesmo o tempo?
Quem passa: é o tempo, ou somos nós?
Passar é o quê?
Muitos momentos contados em instantes,
muitos ficares perdidos ao longo
da nossa permanência ou um grande
estar que não sabemos quando vai acabar?
Bom fim de semana.
Emanoel Barreto
Um minutinho da sua atenção.
Alguém aí já se perguntou quanto tempo dura a permanência?
Ou qual o tamanho da eternidade?
Será que permanente
é o começo da eternidade?
Quanto tempo dura um instante?
Quanto tempo existe em um momento?
Ficar é um pedaço da permanência,
ou uma fagulha do momento?
O que é mesmo o tempo?
Quem passa: é o tempo, ou somos nós?
Passar é o quê?
Muitos momentos contados em instantes,
muitos ficares perdidos ao longo
da nossa permanência ou um grande
estar que não sabemos quando vai acabar?
Bom fim de semana.
Emanoel Barreto
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
Oremos aos deuses do Egito
Caros Amigos,
Já podemos dizer "alvíssaras meu Capitão/Já vemos terras de Espanha/ Areias de Portugal." A Fifa fará ao nosso povo a nímia deferência de trazer para o Brasil, em 2014, a Copa do Mundo. Grande Fifa. A informação é do Estadão Online e dá conta de que as opiniões da magnânima equipe de avaliadores das condições desta infeliz nação para sediar o efento, são favoráveis.
Dizem as coisas de jornal do Estadão, citando documento da Fifa - será que em inglês de pronuncia Faifa? - que, "na conclusão, na opinião desta equipe de inspeção, o Brasil está bem estabelecido para sediar uma excepcional Copa do Mundo."
Minhas comiserações.
A nau dos insensatos que apóiam esse crime deve estar vibrando. Enquanto isso, roncam as cuícas e repicam os buchos vazios dos que vão aplaudir as jogadas e os gols. Entretanto, para a realização das disputas, a entidade internacional, é claro, impôs algumas regras, como seria de esperar. Afinal, a Fifa vai fazer uma caridade, uma caridade, não: uma concessão ao povo brasileiro e como tal terá suas exigências.
É o seguinte: a CBF desistirá de obter qualquer remuneração advinda dos jogos - o que é muito justo, não é mesmo? - já que sua divisão foi previamente feita na Alemanha, para encher os cofres da mesma Fifa e do Comitê Organizador da Copa. Ótimo.
Tem mais: como foi considerado que o País, ou seja, os cidadãos, tem todas as condições para realizar o torneio, deverá desta forma arcar com segurança, transportes, hospitais hotelaria e estádios. Acho muito justo. Afinal, se você é bobo, tem mesmo que pagar pela sua bobagem.
Resumindo, o pessoal da Fifa achou que está tudo bom. Mesmo sabendo das deficiêndias do nosso sistema aeroportuário e dos nossos estádios, somente para citar dois casos. Isso sem falar na insegurança, para não aprofundar muito o assunto.
É óbvio que eles acharam tudo muito bom: o Brasil foi o único país cujos dirigentes, por ignorância ou má-fé, se propôs a empresa de tal porte. Falando sério, sabemos todos que foi má-fé mesmo. Muita gente vai abocanhar dinheiro do governo. Lula jamais deveria ter metido o País nessa enrascada. Isso só vai acontecer por conivência, cavilação mal-intencionada do Presidente. Outra coisa: o governo sequer participa, foi alijado, de ingerência no Comitê da Copa. O que diabo é isso: o governo vai esbanjar dinheiro do povo e não vai poder decidir nada sobre as despesas? Oremos.
O Estadão informa também que o governo brasileiro já se comprmeteu a fazer alteração legais pedidas pela Fifa, a fim de que a Copa seja aqui. Não especifica quais mudanças. Mas, boa coisa não é. Suspeito que serão alterações que garentem que o povo será obrigado a arcar com despesas e o que mais vier.
A lembrança que me vem é aquela do povo do Egito, trabalhando para construir as pirâmides dos faraós. Como se sabe, as tais são túmulos. E o Brasil já vem construindo o seu há muito tempo. Vinde em nosso socorro Amon-Rá.
Emanoel Barreto
Já podemos dizer "alvíssaras meu Capitão/Já vemos terras de Espanha/ Areias de Portugal." A Fifa fará ao nosso povo a nímia deferência de trazer para o Brasil, em 2014, a Copa do Mundo. Grande Fifa. A informação é do Estadão Online e dá conta de que as opiniões da magnânima equipe de avaliadores das condições desta infeliz nação para sediar o efento, são favoráveis.
Dizem as coisas de jornal do Estadão, citando documento da Fifa - será que em inglês de pronuncia Faifa? - que, "na conclusão, na opinião desta equipe de inspeção, o Brasil está bem estabelecido para sediar uma excepcional Copa do Mundo."
Minhas comiserações.
A nau dos insensatos que apóiam esse crime deve estar vibrando. Enquanto isso, roncam as cuícas e repicam os buchos vazios dos que vão aplaudir as jogadas e os gols. Entretanto, para a realização das disputas, a entidade internacional, é claro, impôs algumas regras, como seria de esperar. Afinal, a Fifa vai fazer uma caridade, uma caridade, não: uma concessão ao povo brasileiro e como tal terá suas exigências.
É o seguinte: a CBF desistirá de obter qualquer remuneração advinda dos jogos - o que é muito justo, não é mesmo? - já que sua divisão foi previamente feita na Alemanha, para encher os cofres da mesma Fifa e do Comitê Organizador da Copa. Ótimo.
Tem mais: como foi considerado que o País, ou seja, os cidadãos, tem todas as condições para realizar o torneio, deverá desta forma arcar com segurança, transportes, hospitais hotelaria e estádios. Acho muito justo. Afinal, se você é bobo, tem mesmo que pagar pela sua bobagem.
Resumindo, o pessoal da Fifa achou que está tudo bom. Mesmo sabendo das deficiêndias do nosso sistema aeroportuário e dos nossos estádios, somente para citar dois casos. Isso sem falar na insegurança, para não aprofundar muito o assunto.
É óbvio que eles acharam tudo muito bom: o Brasil foi o único país cujos dirigentes, por ignorância ou má-fé, se propôs a empresa de tal porte. Falando sério, sabemos todos que foi má-fé mesmo. Muita gente vai abocanhar dinheiro do governo. Lula jamais deveria ter metido o País nessa enrascada. Isso só vai acontecer por conivência, cavilação mal-intencionada do Presidente. Outra coisa: o governo sequer participa, foi alijado, de ingerência no Comitê da Copa. O que diabo é isso: o governo vai esbanjar dinheiro do povo e não vai poder decidir nada sobre as despesas? Oremos.
O Estadão informa também que o governo brasileiro já se comprmeteu a fazer alteração legais pedidas pela Fifa, a fim de que a Copa seja aqui. Não especifica quais mudanças. Mas, boa coisa não é. Suspeito que serão alterações que garentem que o povo será obrigado a arcar com despesas e o que mais vier.
A lembrança que me vem é aquela do povo do Egito, trabalhando para construir as pirâmides dos faraós. Como se sabe, as tais são túmulos. E o Brasil já vem construindo o seu há muito tempo. Vinde em nosso socorro Amon-Rá.
Emanoel Barreto
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
Povo feliz
Caros Amigos,
Desenha-se, no céu escuro da vida brasileira, mais uma intentona contra o dinheiro dos cidadãos; paradoxalmente, sob os aplausos deslumbrados de expressiva parcela da sociedade - e por que não dizer, de quase toda a sociedade: a decisão insana de trazer para o Brasil a realização da Copa do Mundo em 2014, como se isso fora de importância capital para um povo com altas taxas de analfabetismo, ensino público raso, universidades sufocadas, saúde cambaleante e insegurança a mão-cheia.
Para ajudar a bater o martelo, um grupo de governadores, auto-denomimado "caravana de governadores", viajará a Zurique para manifestar à Fifa seu apoio à idéia enlouquecida da CBF em realizar aqui a Copa. São eles: José Serra, Sérgio Cabral, Aécio Neves, José Roberto Arruda, Jaques Wagner, Blairo Maggi, Eduardo Braga, Eduardo Campos e Cid Gomes.
A presença desses governadores reafirma o que Nelson Rodrigues chamava de o "nosso complexo de vira-latas": representantes do Estado metem-se, imploram a uma entidade privada que traga para aqui o seu circo, certamente garantindo que serão bons meninos e darão a contrapartida: os trinta dinheiros para pagar a conta.
Os custos de uma tal empreitada, entretanto, serão astronômicos. Serão, na verdade, custos sociais, pois evidentemente o dinheiro do contribuinte é que sancionará a farra fotebolística; ou alguém pensa que a iniciativa privada vai despender dinheiro com o convescote da bola?
Será, literalmente, dinheiro retirado à sociedade; serviços essenciais, mantidos pelo governo, sonegados aos carentes para atender aos apetites de governantes insensatos. Será uma espécie de crime de lesa povo. Lamentavelmente, o mesmo povo que irá aos estádios aplaudir, gritar, sofrer, esperar que a Seleção seja campeã. Pobre gente.
Como diz Zé Ramalho: "Povo marcado, povo feliz..."
Emanoel Barreto
Desenha-se, no céu escuro da vida brasileira, mais uma intentona contra o dinheiro dos cidadãos; paradoxalmente, sob os aplausos deslumbrados de expressiva parcela da sociedade - e por que não dizer, de quase toda a sociedade: a decisão insana de trazer para o Brasil a realização da Copa do Mundo em 2014, como se isso fora de importância capital para um povo com altas taxas de analfabetismo, ensino público raso, universidades sufocadas, saúde cambaleante e insegurança a mão-cheia.
Para ajudar a bater o martelo, um grupo de governadores, auto-denomimado "caravana de governadores", viajará a Zurique para manifestar à Fifa seu apoio à idéia enlouquecida da CBF em realizar aqui a Copa. São eles: José Serra, Sérgio Cabral, Aécio Neves, José Roberto Arruda, Jaques Wagner, Blairo Maggi, Eduardo Braga, Eduardo Campos e Cid Gomes.
A presença desses governadores reafirma o que Nelson Rodrigues chamava de o "nosso complexo de vira-latas": representantes do Estado metem-se, imploram a uma entidade privada que traga para aqui o seu circo, certamente garantindo que serão bons meninos e darão a contrapartida: os trinta dinheiros para pagar a conta.
Os custos de uma tal empreitada, entretanto, serão astronômicos. Serão, na verdade, custos sociais, pois evidentemente o dinheiro do contribuinte é que sancionará a farra fotebolística; ou alguém pensa que a iniciativa privada vai despender dinheiro com o convescote da bola?
Será, literalmente, dinheiro retirado à sociedade; serviços essenciais, mantidos pelo governo, sonegados aos carentes para atender aos apetites de governantes insensatos. Será uma espécie de crime de lesa povo. Lamentavelmente, o mesmo povo que irá aos estádios aplaudir, gritar, sofrer, esperar que a Seleção seja campeã. Pobre gente.
Como diz Zé Ramalho: "Povo marcado, povo feliz..."
Emanoel Barreto
quarta-feira, 24 de outubro de 2007
PT e PSDB fecham negócio pela CPMF
Caros Amigos,
Após o arquivamento da representação do PSOL contra o senador Eduardo Azeredo, tido como o grande maestro do mensalão, cujos cordéis teria manbipulado antes mesmo de ser senador pelos tucanos, PT e PSDB, dizem as coisas de jornal, estariam prestes a fechar negócio em favor da aprovação da CPMF.
Os - poderíamos chamar de próceres? - do partido garantem que não foi selado qualquer acordão, advertindo aos curiosos que os atos de Azeredo foram cometidos antes de ele ser senador. Ou seja: pecado velho não conta. O tempo se encarrega de apagar as culpas ou pelo menos levá-las para locais profundos da consciência, escondendo-os no cofre onde os políticos ocultam suas misérias e vergonhas.
Além de arquivar a representação contra Azeredo, a Mesa do senado, sob o comando do petista Tião Viana, sobrestou a decisão de encaminhar a sexta representação contra o senador Renan Calheiros ao Conselho de Ética. Aí, já para agradar ao PMDB.
Como se vê, as coisas começam a se encaixar. Os tucanos começam a manobrar para tirar algum proveito da mesa farta do governo, é claro. As alegações do tucanato deverão ser muitas, para essa forma de adesão foscaao governo. Eles, os políticos, sempre têm muitos argumentos para justificar seus mais pegajosos atos.
A sujeira sempre é lavada aos olhos públicos. Depois, eles dizem que é apenas um cisco na vista do povo. Fazem vista grossa a seus atos impunes e voltam ao plenário como se estivessem vestidos de virtudes.
Emanoel Barreto
Após o arquivamento da representação do PSOL contra o senador Eduardo Azeredo, tido como o grande maestro do mensalão, cujos cordéis teria manbipulado antes mesmo de ser senador pelos tucanos, PT e PSDB, dizem as coisas de jornal, estariam prestes a fechar negócio em favor da aprovação da CPMF.
Os - poderíamos chamar de próceres? - do partido garantem que não foi selado qualquer acordão, advertindo aos curiosos que os atos de Azeredo foram cometidos antes de ele ser senador. Ou seja: pecado velho não conta. O tempo se encarrega de apagar as culpas ou pelo menos levá-las para locais profundos da consciência, escondendo-os no cofre onde os políticos ocultam suas misérias e vergonhas.
Além de arquivar a representação contra Azeredo, a Mesa do senado, sob o comando do petista Tião Viana, sobrestou a decisão de encaminhar a sexta representação contra o senador Renan Calheiros ao Conselho de Ética. Aí, já para agradar ao PMDB.
Como se vê, as coisas começam a se encaixar. Os tucanos começam a manobrar para tirar algum proveito da mesa farta do governo, é claro. As alegações do tucanato deverão ser muitas, para essa forma de adesão foscaao governo. Eles, os políticos, sempre têm muitos argumentos para justificar seus mais pegajosos atos.
A sujeira sempre é lavada aos olhos públicos. Depois, eles dizem que é apenas um cisco na vista do povo. Fazem vista grossa a seus atos impunes e voltam ao plenário como se estivessem vestidos de virtudes.
Emanoel Barreto
sábado, 20 de outubro de 2007
O Brasil visto de costas
Caros Amigos,
A moça aí na foto é uma certa Talita Colucci, de 19 anos, que disse à Veja ser "uma responsabilidade muito grande representar o bumbum do Brasil." Já pensou? Deve ser mesmo. Numa terra onde abundam pessoas como Renan Calheiros, temas que tais são evidentemente de rara e suma responsabilidade.
A propósito, não sei como ela foi escolhida para a missão, mas o fato é que está representando o derrière nacional; também não sei em que concurso, academia, plenário ou forum. Entretanto, creio ser lícito suspeitar que seja em alguma opereta bufa, coisa muito comum neste país.
Aliás, em matéria de entrevista com mulheres que são apenas fêmeas - tão lamentáveis quanto homens que são apenas machos -, a Época traz uma com Gisele Bundchen (!), que é uma pérola.
Dotada de cultura pedestre e poder de argumentação da estatura de um rodapé, a moça fala a respeito da importância da defesa do meio ambiente e de como se integrou com os índios no Amazonas, quando ali foi filmar comercial da Grendene. Arranja frases curtinhas e atende aos interesses da revista.
Um velho problema de nós, jornalistas, é criarmos notícia onde não há. Qual a importância de uma mulher ter nádegas suntuosas? Qual a autoridade que Bundchen tem para falar a respeito de meio ambiente? A questão é que jornalismo é também uma espécie de eco da conversa do cotidiano, do falar por falar. A banalidade faz parte da vida e por vias transversas inscreve-se no jornalismo, que a eleva a alturas como se esta tivesse alta importância.
Mas, o triste, o triste mesmo, é ver que o Brasil parece mais interessado no que está ao sul do corpo das mulheres e na visão de mundo, curtinha, da outra. Que também é Bund...
Emanoel Barreto
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
E aí, Abdon me perguntou: "Vale a pena?"
Caros Amigos,
Encontrei-me hoje com o meu velho amigo Abdon. Não o via há anos. Aposentado, resolveu isolar-se numa pequena comunidade praieira e ali vive com o básico.
Foi um exílio calmo, decidido com a chegada da lucidez dos 60 anos. Barba crescida, pele crestada pelo sol, dedica-se a ajudar os pescadores uma vez ou outra, para passar o tempo, ou a sorver intermináveis doses de cachaça em meio àquela gente simples.
Não quer saber de rádio, TV ou jornal. Internet, nem se fale. Logo ele, que foi tão bom repórter lá pelos lados do Rio e São Paulo. Quis saber se ele estava desencantado. Não, não estava. Apenas decidira mudar. E mudar significou juntar a aposentadoria, vender alguns bens e passar a viver com o que isso lhe rende por mês.
Não quis filosofar, não quis dar-me maiores explicações. Apenas disse que parou e pronto. Depois, deu-me um abraço, não me revelou onde está morando e sumiu-se. Antes de encantar-se em meio às pessoas, perguntou:
- Vale a pena?
Emanoel Barreto
Encontrei-me hoje com o meu velho amigo Abdon. Não o via há anos. Aposentado, resolveu isolar-se numa pequena comunidade praieira e ali vive com o básico.
Foi um exílio calmo, decidido com a chegada da lucidez dos 60 anos. Barba crescida, pele crestada pelo sol, dedica-se a ajudar os pescadores uma vez ou outra, para passar o tempo, ou a sorver intermináveis doses de cachaça em meio àquela gente simples.
Não quer saber de rádio, TV ou jornal. Internet, nem se fale. Logo ele, que foi tão bom repórter lá pelos lados do Rio e São Paulo. Quis saber se ele estava desencantado. Não, não estava. Apenas decidira mudar. E mudar significou juntar a aposentadoria, vender alguns bens e passar a viver com o que isso lhe rende por mês.
Não quis filosofar, não quis dar-me maiores explicações. Apenas disse que parou e pronto. Depois, deu-me um abraço, não me revelou onde está morando e sumiu-se. Antes de encantar-se em meio às pessoas, perguntou:
- Vale a pena?
Emanoel Barreto
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
Os passos de viver
Caros Amigos,
Redigir é um ato que demanda esforço. Não o empenho físico que alguém tenha que despender para empurrar um piano, por exemplo. Mas esforço até mesmo para encontrar a assunto - e isso, é claro, é bastante subjetivo. Varia da temática, do estilo, da visão de mundo do repórter.
Hoje, vejo nas coisas de jornal que um cientista que ganhou o Nobel de medicina disse que os negros são menos inteligentes que os brancos, o que explica o atraso socioeconômico da África; no Rio, doze são mortos em um confronto com a polícia, incluindo-se uma criança entre as vítimas; na França, o presidente anuncia seu divórcio; em São Paulo, as prostitutas estão faturando muito com a presença do circo da Fórmula Um.
Aí, alguém se pergunta: e não há assuntos de sobra?
E eu respondo: há?
Qual desses acontecimentos são em si mesmo novidades? Todos eles contêm alguma parte da insânia humana, nossas misérias, perplexidades, medos, cupidez, contra-sensos; tudo coisa que de alguma forma é parte do cotidiano.
Não deixo de lamentar o infeliz raciocínio do cientista, nem o espetáculo de barbárie no Rio, ou os demais acontecimentos que elenquei. Mas entendo que isso já se tornou lamentavelmente parte da nossa cotidianidade, e há séculos.
Há séculos o homem repete a sua tragédia, geração após geração, ato após ato, modificando-se apenas as circunstâncias históricas em que se desenrolam seus dramas: em essência, nossa vida é a mesma, escura e incerta.
A humanidade caminha tateando.
Amanhã eu volto. Mas as coisas de jornal serão as mesmas. Pois os bárbaros, os tolos, os loucos felizes, os monstros e os afáveis estarão nas ruas, cada um cumprindo seus passos de viver.
Emanoel Barreto
Redigir é um ato que demanda esforço. Não o empenho físico que alguém tenha que despender para empurrar um piano, por exemplo. Mas esforço até mesmo para encontrar a assunto - e isso, é claro, é bastante subjetivo. Varia da temática, do estilo, da visão de mundo do repórter.
Hoje, vejo nas coisas de jornal que um cientista que ganhou o Nobel de medicina disse que os negros são menos inteligentes que os brancos, o que explica o atraso socioeconômico da África; no Rio, doze são mortos em um confronto com a polícia, incluindo-se uma criança entre as vítimas; na França, o presidente anuncia seu divórcio; em São Paulo, as prostitutas estão faturando muito com a presença do circo da Fórmula Um.
Aí, alguém se pergunta: e não há assuntos de sobra?
E eu respondo: há?
Qual desses acontecimentos são em si mesmo novidades? Todos eles contêm alguma parte da insânia humana, nossas misérias, perplexidades, medos, cupidez, contra-sensos; tudo coisa que de alguma forma é parte do cotidiano.
Não deixo de lamentar o infeliz raciocínio do cientista, nem o espetáculo de barbárie no Rio, ou os demais acontecimentos que elenquei. Mas entendo que isso já se tornou lamentavelmente parte da nossa cotidianidade, e há séculos.
Há séculos o homem repete a sua tragédia, geração após geração, ato após ato, modificando-se apenas as circunstâncias históricas em que se desenrolam seus dramas: em essência, nossa vida é a mesma, escura e incerta.
A humanidade caminha tateando.
Amanhã eu volto. Mas as coisas de jornal serão as mesmas. Pois os bárbaros, os tolos, os loucos felizes, os monstros e os afáveis estarão nas ruas, cada um cumprindo seus passos de viver.
Emanoel Barreto
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
Ele quer "seriedade"
Caros Amigos,
O presidente Lula está pedindo "seriedade" ao senado, quando da votação da CPMF. "Seriedade", significa votar a favor da manutenção do imposto do cheque, que por sua vez representa um esbulho ao contribuinte.
Seriedade, para mim, é um partido político honrar sua trajetória histórica e manter-se fiel a seus princípios; seriedade é sustentar um discurso que havia sido propagado como letgítimo e inabalável; seriedade é manter a honradez, a honestidade, a ética, como elementos constitutivos essenciais a uma agremiação partidária.
Nada disso aconteceu durante os governos Lula. Portanto, para pedir seriedade, é preciso, primeiro, olhar em volta de si memo e verificar se você está agindo de forma séria e digna de crédito.
Emanoel Barreto
O presidente Lula está pedindo "seriedade" ao senado, quando da votação da CPMF. "Seriedade", significa votar a favor da manutenção do imposto do cheque, que por sua vez representa um esbulho ao contribuinte.
Seriedade, para mim, é um partido político honrar sua trajetória histórica e manter-se fiel a seus princípios; seriedade é sustentar um discurso que havia sido propagado como letgítimo e inabalável; seriedade é manter a honradez, a honestidade, a ética, como elementos constitutivos essenciais a uma agremiação partidária.
Nada disso aconteceu durante os governos Lula. Portanto, para pedir seriedade, é preciso, primeiro, olhar em volta de si memo e verificar se você está agindo de forma séria e digna de crédito.
Emanoel Barreto
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
Começou a cair...
Caros Amigos,
Felizmente enganei-me, quando do comentário de ontem, ao temer que Calheiros poderia manter-se no cargo, apesar de todas as pressões. Ao que parece, com o licenciamento da presidência do senado, os pés de barro poderão levá-lo, mais adiante, à débâcle total. Espero.
Há o dedo do Planalto para a retirada de Calheiros, objetivando com isso a tentativa de aprovação da CPMF no senado. Com ele no comando as oposições seriam bem mais rígidas. À sua falta, estimam os arquitetos do poder, haveria maior possibilidade de flexibilização para a manutenção desse esbulho às contas bancárias.
É o Leviatã mostrando suas garras, querendo a todo o custo força e vida do povo, para manter-se em pleno vigor: dinheiro, dinheiro, dinheiro...
Mas Calheiros começou a cair. Nada garante que seus hoje aliados o acompanhem amanhã, quando forem julgadas as novas acusações que pesam contra ele. Vamos esperar. Após o tropeço, sempre vem o tombo.
Emanoel Barreto
Felizmente enganei-me, quando do comentário de ontem, ao temer que Calheiros poderia manter-se no cargo, apesar de todas as pressões. Ao que parece, com o licenciamento da presidência do senado, os pés de barro poderão levá-lo, mais adiante, à débâcle total. Espero.
Há o dedo do Planalto para a retirada de Calheiros, objetivando com isso a tentativa de aprovação da CPMF no senado. Com ele no comando as oposições seriam bem mais rígidas. À sua falta, estimam os arquitetos do poder, haveria maior possibilidade de flexibilização para a manutenção desse esbulho às contas bancárias.
É o Leviatã mostrando suas garras, querendo a todo o custo força e vida do povo, para manter-se em pleno vigor: dinheiro, dinheiro, dinheiro...
Mas Calheiros começou a cair. Nada garante que seus hoje aliados o acompanhem amanhã, quando forem julgadas as novas acusações que pesam contra ele. Vamos esperar. Após o tropeço, sempre vem o tombo.
Emanoel Barreto
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Calheiros não quer cair
Caros Amigos,
As coisas de jornal andam informando que o senador Renan Calheiros "está triste, abatido e tenso." Interessante: nas filas do SUS, nos ônibus lotados, nos hospitais públicos, nas escolas, nas delegacias, no fim do mês, nos salários sufocados, enfim, onde haja povo brasileiro, as pessoas também estão tristes, abatidas e tensas; e nenhum político teve pena do povo brasileiro. Sabe quem está com pena de Calheiros? Veja a seguir: a informação a respeito do estado de ânimo de Calheiros, segundo os jornais, partiu do senador Edison Lobão, que integra o grupo de pessoas que confiam - confiam? - existir naquela criatura, em algum ponto do seu íntimo, um homem de bem, servidor da honradez e apóstolo da causa pública.
Aos seus iguais Calheiros tem dito que não se afastará da presidência do senado. A insistência para tanto visa a facilitação de votos a favor da manutenção da CPMF. Segundo os amigos de Renan, com ele no cargo fica mais difícil domar votos em favor desse insidioso imposto que mina até mesmo o dinheiro do mais frácil correntista bancário. Saindo, por cerca de 45 dias, mas mantendo o mandato, ficaria mais fácil conseguir votos dos senadores para que o governo continue e tomar dinheiro do povo.
O ideal será que fossem desalojados Calheiros e a CPMF. Mas, infelizmente, não temos cultura política suficientemente lustrosa para a obtenção de tais feitos.Calheiros não quer cair; parece que vai ficar.
Emanoel Barreto
As coisas de jornal andam informando que o senador Renan Calheiros "está triste, abatido e tenso." Interessante: nas filas do SUS, nos ônibus lotados, nos hospitais públicos, nas escolas, nas delegacias, no fim do mês, nos salários sufocados, enfim, onde haja povo brasileiro, as pessoas também estão tristes, abatidas e tensas; e nenhum político teve pena do povo brasileiro. Sabe quem está com pena de Calheiros? Veja a seguir: a informação a respeito do estado de ânimo de Calheiros, segundo os jornais, partiu do senador Edison Lobão, que integra o grupo de pessoas que confiam - confiam? - existir naquela criatura, em algum ponto do seu íntimo, um homem de bem, servidor da honradez e apóstolo da causa pública.
Aos seus iguais Calheiros tem dito que não se afastará da presidência do senado. A insistência para tanto visa a facilitação de votos a favor da manutenção da CPMF. Segundo os amigos de Renan, com ele no cargo fica mais difícil domar votos em favor desse insidioso imposto que mina até mesmo o dinheiro do mais frácil correntista bancário. Saindo, por cerca de 45 dias, mas mantendo o mandato, ficaria mais fácil conseguir votos dos senadores para que o governo continue e tomar dinheiro do povo.
O ideal será que fossem desalojados Calheiros e a CPMF. Mas, infelizmente, não temos cultura política suficientemente lustrosa para a obtenção de tais feitos.Calheiros não quer cair; parece que vai ficar.
Emanoel Barreto
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
A mendiga e o trânsito
Caros Amigos,
A cena chamou-me a atenção.
O sinal de trânsito havia parado de funcionar perto do meio-dia. Os carros avançavam uns contra os outros no cruzamento da avenida. Nenhum guarda aparecia para dominar o caos. Até que uma mendiga, que sempre estava por lá, amparando um marido doente e cambaleante, atirou-se em meio ao drama urbano e, numa cena impressionante, impôs respeito.
Aquela mulher, magra, mal vestida, certamente faminta, ergueu as mãos e os carros pararam. Depois, determinou que os automóveis do cruzamento podiam passar e os motoristas obedeceram. Com energia patética, ela mandava, os carrões paravam ou seguiam.
Tive ali uma visão impressionante de como a cidadania, nas ocasiões mais absurdas, pode fazer-se valer. Alguém que vive à margem, na miséria mais absoluta, conseguiu domar aquele trânsito infernal e o tráfego fluiu normalmente.
Não precisou de apito, não vestia uma farda, não tinha qualquer autoridade formal para fazer-se obedecer. Valeu sua força e sua decisão.
Tempos depois eu a vi novamente, em outro ponto da cidade. O marido esquálido estava deitado no chão, numa calçada perto do cruzamento de outra avenida. Ela conversava com outra mulher. Esquecida, jogada, ela ali estava com seu frangalho de família, sequer esperando alguma ajuda. Cena bem brasileira, tão comum, que parece normal.
Nunca mais a vi. Está morta, está viva? Não sei. Seu companheiro, tão sofrido, tão fraco, tão doente e dependente, que fim terá levado? Não sei.
Lembrei-me hoje do episódio. Aquele casal, unido na doença e na pobreza, é um exemplo de amor. Aquele mulher, tão forte em sua presença esgarçada, na certa teria merecido algum respeito. Os perversos mecanismos da sociedade brasileira não quiseram. Lá vem o Brasil descendo a ladeira.
Emanoel Barreto
A cena chamou-me a atenção.
O sinal de trânsito havia parado de funcionar perto do meio-dia. Os carros avançavam uns contra os outros no cruzamento da avenida. Nenhum guarda aparecia para dominar o caos. Até que uma mendiga, que sempre estava por lá, amparando um marido doente e cambaleante, atirou-se em meio ao drama urbano e, numa cena impressionante, impôs respeito.
Aquela mulher, magra, mal vestida, certamente faminta, ergueu as mãos e os carros pararam. Depois, determinou que os automóveis do cruzamento podiam passar e os motoristas obedeceram. Com energia patética, ela mandava, os carrões paravam ou seguiam.
Tive ali uma visão impressionante de como a cidadania, nas ocasiões mais absurdas, pode fazer-se valer. Alguém que vive à margem, na miséria mais absoluta, conseguiu domar aquele trânsito infernal e o tráfego fluiu normalmente.
Não precisou de apito, não vestia uma farda, não tinha qualquer autoridade formal para fazer-se obedecer. Valeu sua força e sua decisão.
Tempos depois eu a vi novamente, em outro ponto da cidade. O marido esquálido estava deitado no chão, numa calçada perto do cruzamento de outra avenida. Ela conversava com outra mulher. Esquecida, jogada, ela ali estava com seu frangalho de família, sequer esperando alguma ajuda. Cena bem brasileira, tão comum, que parece normal.
Nunca mais a vi. Está morta, está viva? Não sei. Seu companheiro, tão sofrido, tão fraco, tão doente e dependente, que fim terá levado? Não sei.
Lembrei-me hoje do episódio. Aquele casal, unido na doença e na pobreza, é um exemplo de amor. Aquele mulher, tão forte em sua presença esgarçada, na certa teria merecido algum respeito. Os perversos mecanismos da sociedade brasileira não quiseram. Lá vem o Brasil descendo a ladeira.
Emanoel Barreto
terça-feira, 9 de outubro de 2007
Quarenta anos da morte do Che
Caros Amigos,
As coisas de jornal estão falando dos quarenta anos da morte do Che. Hoje, ele é uma foto em muitas paredes, ou um retrato impresso em camisetas de jovens que não sabem exatamente quem ele foi e o que pretendia. Mas olham aquele olhar que Alberto Korda captou magnificamente e se encantam com aquele enigma. Depois vão às baladas.
O tempo das revoluções talvez já tenha passado. E as revoluções se transformaram em registros históricos. Ninguém mais, em sã consciência, acredita que a classe operária vai chegar ao paraíso. Os shopping centers garantem isso. As TVs de plasma são mais atrativas que as revoluções.
Somos uma humanidade que teme o aquecimento global, o tráfico de armas e drogas e as ações furiosas de Osama bin Laden.
Não há mais tempo para preparar, ou buscar, ou pensar num futuro de igualdade. Não temos mais tempo para pensar na Revolução. E o Che, como Itabira, é só um retrato na parede. Mas como dói.
Emanoel Barreto
As coisas de jornal estão falando dos quarenta anos da morte do Che. Hoje, ele é uma foto em muitas paredes, ou um retrato impresso em camisetas de jovens que não sabem exatamente quem ele foi e o que pretendia. Mas olham aquele olhar que Alberto Korda captou magnificamente e se encantam com aquele enigma. Depois vão às baladas.
O tempo das revoluções talvez já tenha passado. E as revoluções se transformaram em registros históricos. Ninguém mais, em sã consciência, acredita que a classe operária vai chegar ao paraíso. Os shopping centers garantem isso. As TVs de plasma são mais atrativas que as revoluções.
Somos uma humanidade que teme o aquecimento global, o tráfico de armas e drogas e as ações furiosas de Osama bin Laden.
Não há mais tempo para preparar, ou buscar, ou pensar num futuro de igualdade. Não temos mais tempo para pensar na Revolução. E o Che, como Itabira, é só um retrato na parede. Mas como dói.
Emanoel Barreto
domingo, 7 de outubro de 2007
O que é de César
Caros Amigos,
A sociedade do espetáculo, que se expandiu e se firmou especialmente pela consolidação da TV como veículo primordial de visão e divulgação do mundo, trouxe a reboque uma circunstância inesperada: a midiatização religiosa, transformando Jesus Cristo em super star, Nossa Senhora em mito pop e os anjos em ídolos imateriais.
Isso, em se falando de marketing católico, cujo panteão abrange muitas manifestações de fé, respeito e amor por entidades sobrenaturais. Quando se fala de protestantismo, cujos fiéis hoje preferem ser conhecidos pela marca evangélicos, a coisa fica diferente. Admitem o Espírito Santo como integrante do seu elenco de salvadores. Mas as palmas vão, mesmo, para Jesus.
É da mercadoria Jesus, da marca Jesus, que advêm seus maiores aportes financeiros. A Igreja Católica, da mesma forma, também cultua a figura exemplar do Rabi da Galiléia. Mas, alguns de seus segmentos, midiatizados e extremamente profissionalizados, obtêm êxitos financeiros com programas de exaltação, onde Jesus também é mercadoria fina e rentável.
Este texto, que tem, sei disso, uma apresentação efetivamente crítica, não objetiva criticar a fé, a crença em um ser supremo. Meu objetivo é lamentar a utilização da fé como mercadoria, dentro de um contexto de economia globalizada. Vão longe os tempos em que, nos púlpitos, católicos ou protestantes, se pregava a palavra da crença com o uso da retórica, com gestos grandiosos e oradores de grande poder de convencimento.
Havia, é claro, a atitude teatral, o vigor da palavra, o acendimento da fé mediante o impressionismo. Mas, suponho, existia também sinceridade, o próprio orador imerso em seu discurso. Hoje, o discurso mesclou-se ao discurso televisivo, com os recursos de edição, cortes, enquadramentos, vinhetas e cenários. A isso deve ser ajuntado o desencantamento das multidões, que se encantam novamente via imagem telemidiática.
Há portentosos eventos que são vistos pelos participantes de co-presença, mas que também são vistos em tempo real por pessoas em suas casas. O espetáculo só é espetáculo porque há um público ali presente e esse mesmo público, espetacularizado, é visto por um público não-presente, mas atento, no recôndito do lar, ao que está acontecendo. Há uma cadeia, uma teia de acontecimentos: o grande espetáculo da vida religiosa, visto por quem também tem um sentimento de pertença àquele grupo, todos numa ação global de louvor.
Em verdade, em verdade vos digo: o que vale é a aliança que se forma entre a participação co-presencial e a participação tele-assistencial. Ao fundo, o pastor e o padre conferem com seus contadores quem pagou ou não. Suponho que hoje, de alguma forma, ressurge midiaticamente a figura dos vendilhões do templo.
Talvez seja chegada a hora de todos, todos eles, serem expulsos do vestíbulo, pois suas oferendas são venais e lucrativas. César não quer as coisas de Deus. E, Deus, também não quer o que é de César. Os sofrimentos do mundo são muitos. E vender a salvação virou objeto de lucro. Compre um carro novo, compre a TV de tela de plasma, compre também um jeitinho de escapar do purgatório, ou até mesmo do inferno.
Mas se você quer mesmo ser um justo, fique em paz e deixe Deus de fora dessa coisa de dinheiro. Não precisa nem mesmo rezar, ou orar como dizem outros. Seja honesto, digno e honrado. Creio que isso agrada a Deus. Ser bom é ser feliz, como dizia a minha Mãe. Seja bom e afasta-se dos trinta dinheiros.
Emanoel Barreto
A sociedade do espetáculo, que se expandiu e se firmou especialmente pela consolidação da TV como veículo primordial de visão e divulgação do mundo, trouxe a reboque uma circunstância inesperada: a midiatização religiosa, transformando Jesus Cristo em super star, Nossa Senhora em mito pop e os anjos em ídolos imateriais.
Isso, em se falando de marketing católico, cujo panteão abrange muitas manifestações de fé, respeito e amor por entidades sobrenaturais. Quando se fala de protestantismo, cujos fiéis hoje preferem ser conhecidos pela marca evangélicos, a coisa fica diferente. Admitem o Espírito Santo como integrante do seu elenco de salvadores. Mas as palmas vão, mesmo, para Jesus.
É da mercadoria Jesus, da marca Jesus, que advêm seus maiores aportes financeiros. A Igreja Católica, da mesma forma, também cultua a figura exemplar do Rabi da Galiléia. Mas, alguns de seus segmentos, midiatizados e extremamente profissionalizados, obtêm êxitos financeiros com programas de exaltação, onde Jesus também é mercadoria fina e rentável.
Este texto, que tem, sei disso, uma apresentação efetivamente crítica, não objetiva criticar a fé, a crença em um ser supremo. Meu objetivo é lamentar a utilização da fé como mercadoria, dentro de um contexto de economia globalizada. Vão longe os tempos em que, nos púlpitos, católicos ou protestantes, se pregava a palavra da crença com o uso da retórica, com gestos grandiosos e oradores de grande poder de convencimento.
Havia, é claro, a atitude teatral, o vigor da palavra, o acendimento da fé mediante o impressionismo. Mas, suponho, existia também sinceridade, o próprio orador imerso em seu discurso. Hoje, o discurso mesclou-se ao discurso televisivo, com os recursos de edição, cortes, enquadramentos, vinhetas e cenários. A isso deve ser ajuntado o desencantamento das multidões, que se encantam novamente via imagem telemidiática.
Há portentosos eventos que são vistos pelos participantes de co-presença, mas que também são vistos em tempo real por pessoas em suas casas. O espetáculo só é espetáculo porque há um público ali presente e esse mesmo público, espetacularizado, é visto por um público não-presente, mas atento, no recôndito do lar, ao que está acontecendo. Há uma cadeia, uma teia de acontecimentos: o grande espetáculo da vida religiosa, visto por quem também tem um sentimento de pertença àquele grupo, todos numa ação global de louvor.
Em verdade, em verdade vos digo: o que vale é a aliança que se forma entre a participação co-presencial e a participação tele-assistencial. Ao fundo, o pastor e o padre conferem com seus contadores quem pagou ou não. Suponho que hoje, de alguma forma, ressurge midiaticamente a figura dos vendilhões do templo.
Talvez seja chegada a hora de todos, todos eles, serem expulsos do vestíbulo, pois suas oferendas são venais e lucrativas. César não quer as coisas de Deus. E, Deus, também não quer o que é de César. Os sofrimentos do mundo são muitos. E vender a salvação virou objeto de lucro. Compre um carro novo, compre a TV de tela de plasma, compre também um jeitinho de escapar do purgatório, ou até mesmo do inferno.
Mas se você quer mesmo ser um justo, fique em paz e deixe Deus de fora dessa coisa de dinheiro. Não precisa nem mesmo rezar, ou orar como dizem outros. Seja honesto, digno e honrado. Creio que isso agrada a Deus. Ser bom é ser feliz, como dizia a minha Mãe. Seja bom e afasta-se dos trinta dinheiros.
Emanoel Barreto
sábado, 6 de outubro de 2007
O direito à preguiça
Caros Amigos
Vejo na TV um professor doutor defendendo o direito à preguiça como algo de real importância para o povo brasileiro. Entre boquiaberto, perplexo, desencantado, caio em mim e entendo: preguiça pode mesmo virar jurisprudência social num povo que, convenhamos, não é mesmo muito chegado ao trabalho.
Os feriadões são espécies de datas sacras trabalhistas e infundem um tal estado de espírito carnavalesco-ocioso, que chego a temer pelas noções de civismo e responsabilidade. Às favas com tudo isso... é a norma. E lá vamos nós para o ócio desabalado.
E, chegando o domingo, vem mais um dia de modorra barulhenta, descanso esparramado em velhacaria televisiva vulgar e insusportável de programas como o do Faustão, que brada suas grosseiras baboseiras para um público que urra, após haver assistido a mais um jogo de futebol.
Diante de tudo isso, começo a suspeitar: será que o Brasil não é uma pegadinha?
Emanoel Barreto
Vejo na TV um professor doutor defendendo o direito à preguiça como algo de real importância para o povo brasileiro. Entre boquiaberto, perplexo, desencantado, caio em mim e entendo: preguiça pode mesmo virar jurisprudência social num povo que, convenhamos, não é mesmo muito chegado ao trabalho.
Os feriadões são espécies de datas sacras trabalhistas e infundem um tal estado de espírito carnavalesco-ocioso, que chego a temer pelas noções de civismo e responsabilidade. Às favas com tudo isso... é a norma. E lá vamos nós para o ócio desabalado.
E, chegando o domingo, vem mais um dia de modorra barulhenta, descanso esparramado em velhacaria televisiva vulgar e insusportável de programas como o do Faustão, que brada suas grosseiras baboseiras para um público que urra, após haver assistido a mais um jogo de futebol.
Diante de tudo isso, começo a suspeitar: será que o Brasil não é uma pegadinha?
Emanoel Barreto
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
Tristes costumes políticos
Caros Amigos,
A decisão do Supremo, determinando que os mandatos pertencem aos partidos, não aos mandatários, inaugura, espero, um encaminhamento - mesmo que ainda tímido -, de nossos costumes políticos a uma postura algo civilizada.
É preciso acabar com a figura do velhado de paletó, que ao não ter atendidos seus apetites, muda de bando e se insere naquele que mais lhe atende aos intentos de pirataria.
Se alguém integra um partido político é porque o faz em consonância com afinidades ideológicas e históricas. É inaceitável que alguém mude de sigla partidária como quem sai da um ônibus político e passa para outro.
Trata-se, lamentemos, de uma cultura de há muito enraizada nas atividades políticas; mais que isso, integra a cultura nacional maior, os costumes do dia-a-dia, o jeitinho brasileiro, as coisas nossas do cotidiano.
E as pequenas infrações, corrupções, facilitações, enganações e procedimentos correlatos, terminam desaguando na eleição de mestres talentosos na estimada arte - em alguns círculos -, da manobra política em proveito de si e dos seus.
A determinação do Supremo dá algum alento a quem espera por novos tempos. Esperemos que estes venham, como se fora uma manhã aberta a uma nova vida à cidadania.
Emanoel Barreto
A decisão do Supremo, determinando que os mandatos pertencem aos partidos, não aos mandatários, inaugura, espero, um encaminhamento - mesmo que ainda tímido -, de nossos costumes políticos a uma postura algo civilizada.
É preciso acabar com a figura do velhado de paletó, que ao não ter atendidos seus apetites, muda de bando e se insere naquele que mais lhe atende aos intentos de pirataria.
Se alguém integra um partido político é porque o faz em consonância com afinidades ideológicas e históricas. É inaceitável que alguém mude de sigla partidária como quem sai da um ônibus político e passa para outro.
Trata-se, lamentemos, de uma cultura de há muito enraizada nas atividades políticas; mais que isso, integra a cultura nacional maior, os costumes do dia-a-dia, o jeitinho brasileiro, as coisas nossas do cotidiano.
E as pequenas infrações, corrupções, facilitações, enganações e procedimentos correlatos, terminam desaguando na eleição de mestres talentosos na estimada arte - em alguns círculos -, da manobra política em proveito de si e dos seus.
A determinação do Supremo dá algum alento a quem espera por novos tempos. Esperemos que estes venham, como se fora uma manhã aberta a uma nova vida à cidadania.
Emanoel Barreto
terça-feira, 2 de outubro de 2007
Um poema de Lord Byron
Caros Amigos,
Abaixo, "O Oceano" de Lord Byron. Belo, soturno, denso, talássico.
Rola, Oceano profundo e azul sombrio, rola!
Caminham dez mil frotas sobre ti, em vão;
de ruínas o homem marca a terra, mas se evola
na praia o seu domínio. Na úmida extensão
só tu causas naufrágios; não, da destruição
feita pelo homem sombra alguma se mantém,
exceto se, gota de chuva, ele também
se afunda a borbulhar com seu gemido,
sem féretro, sem túmulo, desconhecido.
Do passo do há traços em teus caminhos,
nem são presa teus campos. Ergues-te e o sacodes
de ti; desprezas os poderes tão mesquinhos
que usa para assolar a terra, já que podes
de teu seio atirá-lo aos céus; assim o lanças
tremendo uivando em teus borrifos escarninhos
rumo a seus deuses - nos quais firma as esperanças
de achar um portou angra próxima, talvez -
e o devolves á terra: - jaza aí, de vez.
Os armamentos que fulminam as muralhas
das cidades de pedra - e tremem as nações
ante eles, como os reis em suas capitais - ,
os leviatãs de roble, cujas proporções
levam o seu criador de barro a se apontar
como Senhor do Oceano e árbitro das batalhas,
fundem-se todos nessas ondas tão fatais
para a orgulhosa Armada ou para Trafalgar.
Tuas bordas são reinos, mas o tempo os traga:
Grécia, Roma, Cartago, Assíria, onde é que estão?
Quando outrora eram livres tu as devastavas,
e tiranos copiaram-te, a partir de então;
manda o estrangeiro em praias rudes ou escravas;
reinos secaram-se em desertos, nesse espaço,
mas tu não mudas, salvo no florear da vaga;
em tua fronte azul o tempo não põe traço;
como és agora, viu-te a aurora da criação.
Tu, espelho glorioso, onde no temporal
reflete sua imagem Deus onipotente;
calmo ou convulso, quando há brisa ou vendaval,
quer a gelar o pólo, quer em cima ardente
a ondear sombrio, - tu és sublime e sem final,
cópia da eternidade, trono do Invisível;
os monstros dos abismos nascem do teu lodo;
insondável, sozinho avanças, és terrível.
Amei-te, Oceano! Em meus folguedos juvenis
ir levado em teu peito, como tua espuma,
era um prazer; desde meus tempos infantis
divertir-me com as ondas dava-me alegria;
quando, porém, ao refrescar-se o mar, alguma
de tuas vagas de causar pavor se erguia,
sendo eu teu filho esse pavor me seduzia
e era agradável: nessas ondas eu confiava
e, como agora, a tua juba eu alisava.
Lord Byron
(Tradução de Castro Alves)
Abaixo, "O Oceano" de Lord Byron. Belo, soturno, denso, talássico.
Rola, Oceano profundo e azul sombrio, rola!
Caminham dez mil frotas sobre ti, em vão;
de ruínas o homem marca a terra, mas se evola
na praia o seu domínio. Na úmida extensão
só tu causas naufrágios; não, da destruição
feita pelo homem sombra alguma se mantém,
exceto se, gota de chuva, ele também
se afunda a borbulhar com seu gemido,
sem féretro, sem túmulo, desconhecido.
Do passo do há traços em teus caminhos,
nem são presa teus campos. Ergues-te e o sacodes
de ti; desprezas os poderes tão mesquinhos
que usa para assolar a terra, já que podes
de teu seio atirá-lo aos céus; assim o lanças
tremendo uivando em teus borrifos escarninhos
rumo a seus deuses - nos quais firma as esperanças
de achar um portou angra próxima, talvez -
e o devolves á terra: - jaza aí, de vez.
Os armamentos que fulminam as muralhas
das cidades de pedra - e tremem as nações
ante eles, como os reis em suas capitais - ,
os leviatãs de roble, cujas proporções
levam o seu criador de barro a se apontar
como Senhor do Oceano e árbitro das batalhas,
fundem-se todos nessas ondas tão fatais
para a orgulhosa Armada ou para Trafalgar.
Tuas bordas são reinos, mas o tempo os traga:
Grécia, Roma, Cartago, Assíria, onde é que estão?
Quando outrora eram livres tu as devastavas,
e tiranos copiaram-te, a partir de então;
manda o estrangeiro em praias rudes ou escravas;
reinos secaram-se em desertos, nesse espaço,
mas tu não mudas, salvo no florear da vaga;
em tua fronte azul o tempo não põe traço;
como és agora, viu-te a aurora da criação.
Tu, espelho glorioso, onde no temporal
reflete sua imagem Deus onipotente;
calmo ou convulso, quando há brisa ou vendaval,
quer a gelar o pólo, quer em cima ardente
a ondear sombrio, - tu és sublime e sem final,
cópia da eternidade, trono do Invisível;
os monstros dos abismos nascem do teu lodo;
insondável, sozinho avanças, és terrível.
Amei-te, Oceano! Em meus folguedos juvenis
ir levado em teu peito, como tua espuma,
era um prazer; desde meus tempos infantis
divertir-me com as ondas dava-me alegria;
quando, porém, ao refrescar-se o mar, alguma
de tuas vagas de causar pavor se erguia,
sendo eu teu filho esse pavor me seduzia
e era agradável: nessas ondas eu confiava
e, como agora, a tua juba eu alisava.
Lord Byron
(Tradução de Castro Alves)
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
Milhões de homens a morrer de fome
Caros Amigos,
O medo se espalha
no ar como peste invisivel.
Uma mulher aborta
E joga a filha em riacho imundo
para garantir-lhe uma morte bárbara.
Corrupção se espalha.
Mancha de óleo social
ensopa nossos olhos nas páginas do jornal.
As balas travam seu brutal diálogo
e gritam tiros de morte e de dor.
Um político sujo sobe à tribuna
e expõe solerte propostas pegajosas.
Nossas vidas caminham a passos tardos
Enquanto um grupo de
senhores, em gabinete fausto,
Secretam planos para transformar
em pasta milhões de homens
a morrer de fome.
Emanoel Barreto
O medo se espalha
no ar como peste invisivel.
Uma mulher aborta
E joga a filha em riacho imundo
para garantir-lhe uma morte bárbara.
Corrupção se espalha.
Mancha de óleo social
ensopa nossos olhos nas páginas do jornal.
As balas travam seu brutal diálogo
e gritam tiros de morte e de dor.
Um político sujo sobe à tribuna
e expõe solerte propostas pegajosas.
Nossas vidas caminham a passos tardos
Enquanto um grupo de
senhores, em gabinete fausto,
Secretam planos para transformar
em pasta milhões de homens
a morrer de fome.
Emanoel Barreto
sábado, 29 de setembro de 2007
Pequena história dos infames
Caros Amigos,
Infames percorrem todas as calçadas,
Remoendo urros,
Ruminando horrores,
Trabalhando o Mal.
Infames ocupam muitos dos Poderes,
Apregoando bênçãos,
Orando ao dinheiro,
Recebendo palmas, ganhando milhões.
Ímpios (ó, os ímpios, que palavra antiga - tão velha como os degenerados),
Sobem as escadas,
E sorrindo hasteiam todas as bandeiras,
Pendões da vitória indecorosa.
Infames falam bem todos os dias
E dizem o quanto são tão bons,
Depois se retiram ao silêncio escuro e visgo.
Depois cantam e cantam e cantam...
Emanoel Barreto
Infames percorrem todas as calçadas,
Remoendo urros,
Ruminando horrores,
Trabalhando o Mal.
Infames ocupam muitos dos Poderes,
Apregoando bênçãos,
Orando ao dinheiro,
Recebendo palmas, ganhando milhões.
Ímpios (ó, os ímpios, que palavra antiga - tão velha como os degenerados),
Sobem as escadas,
E sorrindo hasteiam todas as bandeiras,
Pendões da vitória indecorosa.
Infames falam bem todos os dias
E dizem o quanto são tão bons,
Depois se retiram ao silêncio escuro e visgo.
Depois cantam e cantam e cantam...
Emanoel Barreto
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
Olá, Insanidade...
Caros Amigos,
O Estadão Online está informando o seguinte:
"LONDRES - O Chelsea pode contratar o atacante Ronaldinho Gaúcho por "apenas" 14 milhões de libras (cerca de R$ 55 milhões) no fim desta temporada, afirma nesta quinta-feira o jornal britânico The Sun. O brasileiro, que tem 27 anos, poderia se beneficiar do artigo 17 do regulamento da Fifa para abandonar o Barcelona. A norma diz que se um jogador de 28 anos tiver jogado por um clube durante cinco anos pode ser liberado se comprar o resto de seu contrato."
Vemos aí uma completa subversão de valores, quando um espetáculo de mídia, como o futebol se tornou, ascende ao pódio de empresa cujos produtos, ( os jogadores e os jogos), são comercializados a preços ciclópicos em sua área de mercado.
Quando o espetáculo atinge assim tais níveis de valores, configura-se o demonstrativo de uma sociedade global movida pela necessidade do prazer coletivo, urrante como numa arena romana.
Só que hoje não corre o sangue dos gladiadores, mas jorram rios de dinheiro para as mãos dos investidores nesse tipo de mercado.
Não critico em si o que o jogador vai ganhar. Temo porém as circunstâncias históricas, em que uma massa histérica se deixa de alguma forma conduzir por emoções empacotadas em um sofisticado esquema de comunicação, que hedoniza o futebol, mitifica seus praticantes e faz do seu público uma multidão alegre, que compensa as coisas ruins que essa vida nos dá, com um grito de gol.
Emanoel Barreto
O Estadão Online está informando o seguinte:
"LONDRES - O Chelsea pode contratar o atacante Ronaldinho Gaúcho por "apenas" 14 milhões de libras (cerca de R$ 55 milhões) no fim desta temporada, afirma nesta quinta-feira o jornal britânico The Sun. O brasileiro, que tem 27 anos, poderia se beneficiar do artigo 17 do regulamento da Fifa para abandonar o Barcelona. A norma diz que se um jogador de 28 anos tiver jogado por um clube durante cinco anos pode ser liberado se comprar o resto de seu contrato."
Vemos aí uma completa subversão de valores, quando um espetáculo de mídia, como o futebol se tornou, ascende ao pódio de empresa cujos produtos, ( os jogadores e os jogos), são comercializados a preços ciclópicos em sua área de mercado.
Quando o espetáculo atinge assim tais níveis de valores, configura-se o demonstrativo de uma sociedade global movida pela necessidade do prazer coletivo, urrante como numa arena romana.
Só que hoje não corre o sangue dos gladiadores, mas jorram rios de dinheiro para as mãos dos investidores nesse tipo de mercado.
Não critico em si o que o jogador vai ganhar. Temo porém as circunstâncias históricas, em que uma massa histérica se deixa de alguma forma conduzir por emoções empacotadas em um sofisticado esquema de comunicação, que hedoniza o futebol, mitifica seus praticantes e faz do seu público uma multidão alegre, que compensa as coisas ruins que essa vida nos dá, com um grito de gol.
Emanoel Barreto
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
Cipó de aroeira
Caros Amigos,
O JB publica matéria em que fala de determinação judicial para que militares envolvidos em captura e morte de guerrilheiros nos anos 1970 dêem conta de onde foram parar seus corpos. Os envolvidos estão dizendo que não vão colaborar e um deles até garante que, se for chamado a depor, responderá à bala.
Não tenho mais idade para acreditar em revoluções. Mas entendo que o Brasil precisa passar a limpo essa história e contar aonde foram parar jovens que amavam tanto a revolução, pensavam em Cuba e acreditavam que um dia a classe operária chegaria ao paraíso. Sua juventude e, até mesmo, sublime loucura, merecem essa reparação.
Lendo a matéria, lembrei-me de uma composição de Geraldo Vandré, "Aroeira".
Transcrevo abaixo. Sem comentários.
Vim de longe vou mais longe, quem tem fé vai me esperar
Escrevendo numa conta pra junto a gente cobrar
No dia que já vem vindo
Que esse mundo vai virar
Noite e dia vem de longe
Branco e preto a trabalhar e o dono senhor de tudo
Sentado mandando dar e a gente fazendo conta
Pro dia que vai chegar
Marinheiro, marinheiro quero ver você no mar
Eu também sou marinheiro eu também sei governar
Madeira de dar em doido vai descer até quebrar
É a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar
Emanoel Barreto
O JB publica matéria em que fala de determinação judicial para que militares envolvidos em captura e morte de guerrilheiros nos anos 1970 dêem conta de onde foram parar seus corpos. Os envolvidos estão dizendo que não vão colaborar e um deles até garante que, se for chamado a depor, responderá à bala.
Não tenho mais idade para acreditar em revoluções. Mas entendo que o Brasil precisa passar a limpo essa história e contar aonde foram parar jovens que amavam tanto a revolução, pensavam em Cuba e acreditavam que um dia a classe operária chegaria ao paraíso. Sua juventude e, até mesmo, sublime loucura, merecem essa reparação.
Lendo a matéria, lembrei-me de uma composição de Geraldo Vandré, "Aroeira".
Transcrevo abaixo. Sem comentários.
Vim de longe vou mais longe, quem tem fé vai me esperar
Escrevendo numa conta pra junto a gente cobrar
No dia que já vem vindo
Que esse mundo vai virar
Noite e dia vem de longe
Branco e preto a trabalhar e o dono senhor de tudo
Sentado mandando dar e a gente fazendo conta
Pro dia que vai chegar
Marinheiro, marinheiro quero ver você no mar
Eu também sou marinheiro eu também sei governar
Madeira de dar em doido vai descer até quebrar
É a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar
Emanoel Barreto
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
"Presidente, socorre eu!"
Caros Amigos,
As coisas de jornal contam que o lavrador Ângelo de Jesus, vindo da Bahia, tentou invadir o Palácio do Planalto, faminto e desesperado. Queria falar com Lujla. Enquanto era dominado pelos seguranças, os integrantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social passavam ao largo, envoltos em sua aura palaciana, para uma reunião com o Presidente.
Irônico, não? Eles iam tratar de um problema que estava ali, ao seu lado, gritando de fome e clamando por justiça. Todos os pobres deste País estavam ali representados naquele homem tão pobre, tão desamparado.
Ângelo de Jesus, antes de ser colocado, algemado, em uma ambulância, gritava, como se Lula tivesse algum interesse em sua pessoa: "Presidente, socorre eu! Presidente, socorre eu!"
Não, não, Lula não socorreu, sequer falou com aquele brasileiro esfomeado e pobre. Mas falou com Renan Calheiros, que já havia falado com muitos senadores para não ser chutado da vida pública, que haviam falado com cabos eleitorais para ser eleitos, que falaram com pessoas pobres para votar nos senadores, que falam todos os dias em honestidade, que é falada em muitas bocas mas muito pouco posta em prática por quem fala nos palanques e tribunas para dizer que é preciso trabalhar pelo povo, e falam que vão falar com algum figurão para liberar uma verba, mas depois falam que a verba não foi liberada, mas prometem que vão falar novamente, mas não falam que as pessoas não confiam mais nos políticos, mesmo que Calheiros fale que todo o País o entendeu e aplaude sua continuação como presidente do Senado, enquanto Aloísio Mercadante fala que não votar pela cassação de Calheiros foi um ato de justiça.
Emanoel Barreto
As coisas de jornal contam que o lavrador Ângelo de Jesus, vindo da Bahia, tentou invadir o Palácio do Planalto, faminto e desesperado. Queria falar com Lujla. Enquanto era dominado pelos seguranças, os integrantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social passavam ao largo, envoltos em sua aura palaciana, para uma reunião com o Presidente.
Irônico, não? Eles iam tratar de um problema que estava ali, ao seu lado, gritando de fome e clamando por justiça. Todos os pobres deste País estavam ali representados naquele homem tão pobre, tão desamparado.
Ângelo de Jesus, antes de ser colocado, algemado, em uma ambulância, gritava, como se Lula tivesse algum interesse em sua pessoa: "Presidente, socorre eu! Presidente, socorre eu!"
Não, não, Lula não socorreu, sequer falou com aquele brasileiro esfomeado e pobre. Mas falou com Renan Calheiros, que já havia falado com muitos senadores para não ser chutado da vida pública, que haviam falado com cabos eleitorais para ser eleitos, que falaram com pessoas pobres para votar nos senadores, que falam todos os dias em honestidade, que é falada em muitas bocas mas muito pouco posta em prática por quem fala nos palanques e tribunas para dizer que é preciso trabalhar pelo povo, e falam que vão falar com algum figurão para liberar uma verba, mas depois falam que a verba não foi liberada, mas prometem que vão falar novamente, mas não falam que as pessoas não confiam mais nos políticos, mesmo que Calheiros fale que todo o País o entendeu e aplaude sua continuação como presidente do Senado, enquanto Aloísio Mercadante fala que não votar pela cassação de Calheiros foi um ato de justiça.
Emanoel Barreto
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
Muito dinheiro para poucos
Caros Amigos,
Vejam só a historinha que a Folha Online está divulgando: "O Tribunal de Justiça da Bahia mandou a Assembléia Legislativa pagar uma indenização de cerca de R$ 150 milhões a 101 ex-deputados estaduais ou familiares pensionistas que contribuíram para a caixa de previdência da Casa, extinta em 1998. O valor da indenização eqüivale a 68,18% do orçamento anual da Assembléia (R$ 220 milhões)."
Pode? A cultura paternalista às custas do dinheiro público, o filhotismo, somente isso, permite uma decisão como essa.
O que esses homems e mulheres ex-deputados fizeram tanto, para receber tanto dinheiro? Foram cumpridores de seus deveres, guardaram fidelidade partidária, apresentaram projetos de grande relevância social, enfim, serviram à sociedade de maneira realmente séria?
Temo que não. Tanto, que formaram esse grupo para pedir tanto dinheiro. A sentença não leva em consideração que, segundo as coisas de jornal, o pagamento é superior ao orçamento anual da Assembléia da Bahia, no valor de 200 milhões de reais. É insensatez ou ingenuidade?
Enfim, essa a nossa cultura: aproveitar as coisas públicas para uso do privado, atendendo a ganâncias que vão se espalhando.
É isso.
Emanoel Barreto
Vejam só a historinha que a Folha Online está divulgando: "O Tribunal de Justiça da Bahia mandou a Assembléia Legislativa pagar uma indenização de cerca de R$ 150 milhões a 101 ex-deputados estaduais ou familiares pensionistas que contribuíram para a caixa de previdência da Casa, extinta em 1998. O valor da indenização eqüivale a 68,18% do orçamento anual da Assembléia (R$ 220 milhões)."
Pode? A cultura paternalista às custas do dinheiro público, o filhotismo, somente isso, permite uma decisão como essa.
O que esses homems e mulheres ex-deputados fizeram tanto, para receber tanto dinheiro? Foram cumpridores de seus deveres, guardaram fidelidade partidária, apresentaram projetos de grande relevância social, enfim, serviram à sociedade de maneira realmente séria?
Temo que não. Tanto, que formaram esse grupo para pedir tanto dinheiro. A sentença não leva em consideração que, segundo as coisas de jornal, o pagamento é superior ao orçamento anual da Assembléia da Bahia, no valor de 200 milhões de reais. É insensatez ou ingenuidade?
Enfim, essa a nossa cultura: aproveitar as coisas públicas para uso do privado, atendendo a ganâncias que vão se espalhando.
É isso.
Emanoel Barreto
terça-feira, 18 de setembro de 2007
Tutti buona gente...
Caros Amigos,
O ex-banqueiro Salvatore Cacciola, preso em Mônaco, aguarda uma decisão da justiça local decidindo o seu destino: ser ou não ser - eis a questão - extraditado para o Brasil, onde cumprirá pena por fraudes ao sistema financeiro nacional.
O pior, o mais triste, é que ele, à época do golpe, o ano de 2000, foi solicitamente atendido pelo governo federal, que lhe vendeu dólares a preços abaixo da cotação do mercado, a fim de impedir que seu banco, o Marka, fosse à falência.
Alegou-se à época que, se isso ocorresse, haveria um efeito-dominó, prejudicial a toda a economia. Creio que não era verdade. Ele tinha negociatas que implicavam dívidas de 20 vezes o patrimônio líquido do banco. Quebrou, foi preso, ganhou um habeas corpus e, como soe acontecer, claro, fugiu.
Agora, o governo brasileiro, o quer de volta. O Governo FHC foi quem favoreceu o então banqueiro.
Pergunta-se: por que pessoas de renomadamente suspeitas são assim, tão beneficiadas pelos governos? Por que os governos não adotam planos para beneficiar a sociedade como um todo?
São as cavilações do sistema que fomentam e fermentam a corrupção. É triste, mas é verdade.
Mas, no caso das elites, como se sabe, é tutti buona gente...
Emanoel Barreto
O ex-banqueiro Salvatore Cacciola, preso em Mônaco, aguarda uma decisão da justiça local decidindo o seu destino: ser ou não ser - eis a questão - extraditado para o Brasil, onde cumprirá pena por fraudes ao sistema financeiro nacional.
O pior, o mais triste, é que ele, à época do golpe, o ano de 2000, foi solicitamente atendido pelo governo federal, que lhe vendeu dólares a preços abaixo da cotação do mercado, a fim de impedir que seu banco, o Marka, fosse à falência.
Alegou-se à época que, se isso ocorresse, haveria um efeito-dominó, prejudicial a toda a economia. Creio que não era verdade. Ele tinha negociatas que implicavam dívidas de 20 vezes o patrimônio líquido do banco. Quebrou, foi preso, ganhou um habeas corpus e, como soe acontecer, claro, fugiu.
Agora, o governo brasileiro, o quer de volta. O Governo FHC foi quem favoreceu o então banqueiro.
Pergunta-se: por que pessoas de renomadamente suspeitas são assim, tão beneficiadas pelos governos? Por que os governos não adotam planos para beneficiar a sociedade como um todo?
São as cavilações do sistema que fomentam e fermentam a corrupção. É triste, mas é verdade.
Mas, no caso das elites, como se sabe, é tutti buona gente...
Emanoel Barreto
segunda-feira, 17 de setembro de 2007
Os traficantes e a ação do Bope
Caros Amigos,
O filme Tropa de Elite, que já é sucesso em dez de cada dez bancas de camelôs do País, pode virar série na Globo. É o que dizem as coisas de jornal. Ao que li, a obra trata de um policial, o capital Nascimento, rígido comandante de um grupo de militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais-Bope, em rigorosa - entenda-se implacável - ação contra bandidos, quando não tem limites para reprimir o tráfico no Rio de Janeiro.
A obra, ao que entendi, trata de uma brutal e diária realidade brasileira, cujos desdobramentos históricos não são levados a sério pelo Estado, que limita sua presença à repressão e se omite de uma ação firme em favor do social. Não digo que a presença da polícia contra os criminosos deva esmorecer. Mas é preciso que haja uma grande reforma de mentalidade de Estado, sentido histórico do que está acontecendo, a fim de que se tente reverter ou mitigar o problema.
Em um mundo onde valores e comportamentos estão em crise, deveria haver um ação ampla, um governo que atacasse de frente o problema em toda a sua extensão sócio-criminal. Senão, em muito pouco tempo este País estará vivendo um caos tamanho que certamente não será possível reverter.
Junte-se a isso o fato de que a sociedade, de alguma forma legitima o tráfico no instante mesmo adquire a mercadoria dos traficantes.
A esfera pública, em algumas de suas parcelas, valida a droga como elemento componente de um estilo de vida. Grandes criminosos internacionais vêm ao Brasil implantar seus esquemas de distribuição e fazem fortuna. A Polícia Federal tem uma atuação exemplar, mas não é o suficiente: essas partes da sociedade que consomem drogas aprovam a presença do traficante. É uma lagitimação transversa, mas é de alguma forma um discurso de disrupção, um afrontamento.
Mas eu estava falando do Bope. Aguardo o lançamento do filme. Creio que dá bem uma idéia do grande problema que temos nas mãos.
Emanoel Barreto
O filme Tropa de Elite, que já é sucesso em dez de cada dez bancas de camelôs do País, pode virar série na Globo. É o que dizem as coisas de jornal. Ao que li, a obra trata de um policial, o capital Nascimento, rígido comandante de um grupo de militares do Batalhão de Operações Policiais Especiais-Bope, em rigorosa - entenda-se implacável - ação contra bandidos, quando não tem limites para reprimir o tráfico no Rio de Janeiro.
A obra, ao que entendi, trata de uma brutal e diária realidade brasileira, cujos desdobramentos históricos não são levados a sério pelo Estado, que limita sua presença à repressão e se omite de uma ação firme em favor do social. Não digo que a presença da polícia contra os criminosos deva esmorecer. Mas é preciso que haja uma grande reforma de mentalidade de Estado, sentido histórico do que está acontecendo, a fim de que se tente reverter ou mitigar o problema.
Em um mundo onde valores e comportamentos estão em crise, deveria haver um ação ampla, um governo que atacasse de frente o problema em toda a sua extensão sócio-criminal. Senão, em muito pouco tempo este País estará vivendo um caos tamanho que certamente não será possível reverter.
Junte-se a isso o fato de que a sociedade, de alguma forma legitima o tráfico no instante mesmo adquire a mercadoria dos traficantes.
A esfera pública, em algumas de suas parcelas, valida a droga como elemento componente de um estilo de vida. Grandes criminosos internacionais vêm ao Brasil implantar seus esquemas de distribuição e fazem fortuna. A Polícia Federal tem uma atuação exemplar, mas não é o suficiente: essas partes da sociedade que consomem drogas aprovam a presença do traficante. É uma lagitimação transversa, mas é de alguma forma um discurso de disrupção, um afrontamento.
Mas eu estava falando do Bope. Aguardo o lançamento do filme. Creio que dá bem uma idéia do grande problema que temos nas mãos.
Emanoel Barreto
sábado, 15 de setembro de 2007
Faltou povo na rua
Caros Amigos,
O senador Pedro Simon disse ao JB uma grande verdade: faltou povo na rua para clamar pela cassação de Calheiros. É isso. Sem a pressão popular, sem a manifestação pública de que não dá para suportar a indignidade presidindo o Congresso Nacional, realmente ficou mais fácil a Caheiros escapar. Escapou pelos fundos, portas do cenáculo a indecência cerradas ao olhar da imprensa.
Uma coisa, entretanto, é certa: esses hábitos pouco dignos do que se convncionou chamar de classe política, são produto da cultura maior, da cultura nacional do jeitinho, do primeiro-o-meu, do me-ajuda-que-eu-te-ajudo, do amigo-meu-não-tem-defeito. O brasileiro construiu um relacionamento social em que prevalecem costumes de escapismo e matreiricer diante do dia-a-dia. Nosso monumento de desigualdades sociais e cconômicas permitu que tal munumento se edificasse em bases sólidas. E deu no que deu.
Sei que estou sendo reducionista. Até mesmo porque o espaço não próprio para uma tese sociológica. Mas, na essência é isso mesmo: quem está no Congresso representa com exatidão das diversas facetas do povo brasileiro. Daí porque Calheiros ficou. Há milhares deles, senão milhões, pelas ruas.
Por isso faltou povo nas ruas: os renans não quiseram protestar.A corrupção tornou-se algo natural e assim seguimos nós.
Emanoel Barreto
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
Queria dormir
Caros Amigos,
Queria dormir e acordar num sonho.
Queria dormir e acordar
num país novo, refeito, renovado, luzente, passo à frente.
Queria dormir e
acordar com um jornal cheio de boas novas:
tudo mudou.
Quem falava o mal
ficou mudo
Quem queria mudar, não se calou.
Queria mudar
e nudar quem se veste de seda
e trás no dedo o falso brilhante.
Queria, queria tanto
calar as vozes que gostam do silêncio viscoso
dos atos insensatos.
Queria dormir...
Emanoel Barreto
Queria dormir e acordar num sonho.
Queria dormir e acordar
num país novo, refeito, renovado, luzente, passo à frente.
Queria dormir e
acordar com um jornal cheio de boas novas:
tudo mudou.
Quem falava o mal
ficou mudo
Quem queria mudar, não se calou.
Queria mudar
e nudar quem se veste de seda
e trás no dedo o falso brilhante.
Queria, queria tanto
calar as vozes que gostam do silêncio viscoso
dos atos insensatos.
Queria dormir...
Emanoel Barreto
quarta-feira, 12 de setembro de 2007
Escárnio
Caros Amigos,
Os senadores que votaram a favor de Renan Calheiros escarneceram do povo brasileiro. Contra o bom senso, mais que isso, contra a honradez, a dignidade, o respeito ao pudor público, o Presidente do Senado foi absolvido e o processo por ofensa ao decoro parlamentar, aquivado. Trata-se de uma das páginas mais deploráveis de quantas o Senado já se enxovalhou.
Deputados, garantidos por uma decisão judicial, foram atacados pelos seguranças do Senado, na tentativa destes de desrespeitar uma ordem que garantia aos parlamentares acesso e visão de tudo o que Calheiros e os seus iguais queriam que se passasse na obscuridade de um plenário lacrado, portas seladas ao olhar da sociedade civil.
Estamos, lamentavelmente, ainda presos a um sistema político atrasado, anti-democrático e validado pelos mais nauseantes costumes e práticas indecorosas. Entretanto, o ato de maior indignidade, certamente, não foi perpetrado pelos que votaram pela absolvição. O ato mais torpe foi cometido pelos que se abstiveram, pois sequer tiveram a dignidade - mesmo que uma dignidade maculada - de assumir uma postura, como é o caso do senador Aloisio Mercadante, que confessou à imprensa ter sido um dos deles.
Os mais depravados valores da nossa cultura política foram postos em ação, quando da decisão de que a votação seria em regime fechado, portas ocultando o coletivo ato de imoralidade. Todo um sistema foi movimentado, engrenagens enferrujadas chiando, rangendo à força da propulsão de apetites inconfessáveis. Escárnio, escárnio, escário...
Emanoel Barreto
Os senadores que votaram a favor de Renan Calheiros escarneceram do povo brasileiro. Contra o bom senso, mais que isso, contra a honradez, a dignidade, o respeito ao pudor público, o Presidente do Senado foi absolvido e o processo por ofensa ao decoro parlamentar, aquivado. Trata-se de uma das páginas mais deploráveis de quantas o Senado já se enxovalhou.
Deputados, garantidos por uma decisão judicial, foram atacados pelos seguranças do Senado, na tentativa destes de desrespeitar uma ordem que garantia aos parlamentares acesso e visão de tudo o que Calheiros e os seus iguais queriam que se passasse na obscuridade de um plenário lacrado, portas seladas ao olhar da sociedade civil.
Estamos, lamentavelmente, ainda presos a um sistema político atrasado, anti-democrático e validado pelos mais nauseantes costumes e práticas indecorosas. Entretanto, o ato de maior indignidade, certamente, não foi perpetrado pelos que votaram pela absolvição. O ato mais torpe foi cometido pelos que se abstiveram, pois sequer tiveram a dignidade - mesmo que uma dignidade maculada - de assumir uma postura, como é o caso do senador Aloisio Mercadante, que confessou à imprensa ter sido um dos deles.
Os mais depravados valores da nossa cultura política foram postos em ação, quando da decisão de que a votação seria em regime fechado, portas ocultando o coletivo ato de imoralidade. Todo um sistema foi movimentado, engrenagens enferrujadas chiando, rangendo à força da propulsão de apetites inconfessáveis. Escárnio, escárnio, escário...
Emanoel Barreto
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