segunda-feira, 22 de junho de 2009

O Senado vomita
Emanoel Barreto

O senador Cristovam Buarque propôs há pouco que o presidente do Senado, José Sarney, se licencie do cargo por cerca de 60 dias, a fim de que as investigações a respeito dos atos secretos administrados pelo diretor da Casa, Agaciel Maia, sejam apurados. Buarque afirma que a "velocidade de Sarney" não coincide com a "velocidade da opinião pública", que exige medidas drásticas no enfrentamento da crise moral, mais uma, que brota nos pântanos da Casa.

Ao que parece, começa a ficar insustentável a posição de Sarney. Para amanhã, está previsto pronunciamento do senador Eduardo Suplicy, também relativo ao assunto. Está na hora, está bem na hora, de que aquela Casa comece a entender-se como Legislativo, em vez de ambiente espúrio, cheio de tramas e tenebrosas transações.

Alguém precisa ser punido. Há corrupção demais ali. Perdoe-me talvez pela grosseria, mas o vômito que jorra do Senado precisa ser tratado com remédio amargo.

sábado, 20 de junho de 2009



Mesmo que nada mude
Emanoel Barreto

Veja o que o Estadão publicou: O Congresso abriga mais um exemplo ilustrativo do uso de dinheiro público para bancar despesas privadas da família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). O mordomo da casa de sua filha, Roseana Sarney, ex-senadora e atual governadora do Maranhão, é um servidor pago pelo Senado. Amaury de Jesus Machado, de 51 anos, conhecido como "Secreta", é funcionário efetivo da instituição. Ganha, com gratificações, em torno de R$ 12 mil. Deveria trabalhar no Congresso, mas de 2003 para cá dá expediente a sete quilômetros dali, na residência que Roseana mantém no Lago Sul de Brasília.
...........

A família Sarney é um dos exemplos mais claros, fortes e elucidativos do tipo de político que se abriga no público para satisfazer seus, digamos, instintos privados. Sinuoso, ardiloso, o soba da família vem há muitos anos nutrido - e bem nutrido - pelo dinheiro público.

As coisas de jornal da grande imprensa vêm desmontando ou pelo menos desmascarando as tramas e tramoias do Congresso, especialmente no Senado, onde se acolchoam, se espicham e se espojam espécimes os mais lamentáveis da vida pública nacional.

Agora, entra em cena o tal "Secreta", que ganha do povo para atender a seu patroado. Os jornais devem continuar a investigar e a publicar os atos do Senado. Têm a obrigação de prestar esse serviço ao público, para o bem social. Mesmo que nada mude, mesmo que tudo permaneça.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Ei! Quer ser jornalista?
Emanoel Barreto

O Supremo Tribunal Federal determinou o fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo. A alegação formal foi a defesa da liberdade de expressão. Digo formal porque a verdade está oculta: trata-se unicamente de atender aos interesses dos donos de jornais, TVs e emissoras de rádio, que exigem ter um exército de reserva.

A decisão terá profundas repercussões. As empresas poderão instituir cursinhos rápidos e "formar" jornalistas que irão se guiar unicamente pelos seus ditames. Gente sem formação humanista, que o curso superior prepara. Gente sem qualificação teórica, gente que vai querer apenas estar empregada.

Como professor e como jornalista somente tenho a lamentar. Já vai longe o tempo em que o jornalista nascia na Redação. Tempo em que não havia os cursos superiores. Foi, na verdade, a vitória da mentalidade utilitarista e usufrutuária do trabalhador de jornal. Foi, na verdade, um golpe na representatividade de toda uma categoria.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Jornalismo e espetáculo
Emanoel Barreto

A Rede Record cumpre projeto de longo curso para se contrapor à Globo. A jornalista Mylena Ciribelli estreia programa esportivo em mais algumas semanas e Gugu Liberato também está nos planos da empresa do bispo Macedo. Além deles, a Record tentou atrair Faustão e Luciano Huck. Sim, sem esquecer Ana Paula Padrão, que logo logo estará por lá.

O que se percebe é uma bifurcação perigosa: por um lado, a busca de gente para apresentar progamas de baixíssima qualidade de conteúdo, salvo, se tanto, o apenas bem intencionado "Soletrando", imitação de coisa que já se faz nos Estados Unidos há décadas.

Por outro aspecto, jornalistas elevados à condição de estrelas, o que de plano retira a esse jornalismo dado essencial: seriedade. Jornalistas não deveriam funcionar como se fossem atores, mas cumprir com a responsabilidade de informar com precisão e credibilidade e opinar, se for o caso.

A informação ou opinião não ganham maior importância como decorrência do estrelismo, mas tendo como origem a importância do fato noticiado. A notoriedade de repórteres, isso é admissível, advém de sua exposição seja em rádio, jornal ou TV. É claro que torna-se impossível alguém não se tornar famoso. É decorrência lógica e clara. Mas, daí a um profissional assumir a condição que seria típica de atores, cantores ou outros profissionais do palco, há uma grande distância.

O jornalismo vira espetáculo e, como todo espetáculo, há algo de teatral. Isso não combina com boa informação.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Não, não. A culpa não é dele...
Emanoel Barreto

As coisas de jornal do país inteiro constatam: temos um Senado secreto. Ou pelo menos um Senado com segredos. E todos voltados para a ocultação de atos indignos de uso da coisa pública em benefício privado: promoções indevidas, pagamento de horas extras não cumpridas, cargos criados para beneficiar nepotes, privilégios, bonanças imorais.

O presidente da Casa, José Sarney, ocupou a tribuna para defender-se e dizer que a culpa não é dele, é do Senado. Ou seja: a instituição é viciosa, perdulária. É fruto de nossa cultura política desmazelada e ávida pelos prazeres escuros do Poder.

Com isso admite que trata-se de situação posta de tal maneira que não há como ser reconvertida em plano melhor. Afirma-se como participante de instituição indecente, que exibe sua imoralidade como troféu apodrecido.

Tristes tempos. Triste povo. Oremos.



segunda-feira, 15 de junho de 2009

Na foto da AP, Mir lidera protesto
No país dos aiatolás
Emanoel Barreto

Supostas fraudes na eleição presidencial do Irã estão mobilizando França, Alemanha e Reino Unido, que cobram investigação a respeito da reeleição surpreendente de Mahmoud Ahmadinejad com a expressiva votação de 63% dos 25 milhões de votos aos candidatos. A comunidade internacional estranha, exatamente, o número, considerado expressivo demais, não retratando a realidade da campanha, que permitia suposição de vitória do seu principal adversário, Mir Hossein Mousavi

A reação internacional ocorre em boa hora. O Irã é uma teocracia republicana. Assim, os ditames religiosos imperam como leis gerais, para tratarmos a coisa de forma simplificada. Lá, o presidente não é o chefe supremo das forças armadas, como acontece no Ocidente. Isso é coisa que fica adstrita ao ailtolá Khamanei, sucessor do trevoso aiatolá Khomeini.

Além disso, o presidente eleito, para assumir, tem que passar pelo crivo do Conselho de Guardiães. Se não for aceito, ganha mas não leva. A eleição do reformista Mir Hossein Mousavi seria sem dúvida um avanço e poderia significar mudança no relacionamento do Irã, que está a exigir alterações para melhor no relacionamento dos antigos persas com a sociedade civil internacional.

domingo, 14 de junho de 2009

Voltarei a atualizar o blog nesta segunda.
Emanoel Barreto

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Os robos? Os robôs somos nós
Emanoel Barreto

Diz a Folha: Esta sexta-feira (12) é emblemática para o mercado de TV nos Estados Unidos: redes do país vão desligar a transmissão do sinal analógico e passar a usar apenas o digital. O problema é que 2,8 milhões de domicílios americanos --2,5% do mercado-- ainda estão completamente despreparados para o processo.
Isso é preocupante porque os proprietários de televisores analógicos não poderão ver TV, a menos que assinem serviços de TV digital por cabo, substituam seu televisor por um modelo com "set-top box" (necessário para receber o novo sinal) embutido ou adquiram um conversor.

No Brasil, medida semelhante está marcada para 2016, segundo o cronograma oficial, mas o governo já falou em adiar a medida. Quando o sistema analógico for desligado, para assistir à televisão, será preciso comprar pelo menos o conversor.
.....

Vivemos um mundo onde o sistema eletrônico de comunicação assume mais e mais centralidade. TV e internet tornaram-se condição essencial à existência das sociedades. Já imaginou um mundo sem os dois? A violência desse choque revolucionaria à ré nossa realidade. Desmantelaria por completo o sistema de vida do planeta, que teria de voltar ao telégrafo, ao rádio e ao jornal impresso como únicos meios de comunicação interpessoal ou de massa, sem esquecer a telefonia.

É óbvio que jornal e rádio ganhariam impulso e rafariam sua importância como nunca, suprindo-nos de informação e lazer. Mas a ausência da TV e da internet nos daria uma sensação de vazio, pois tornamo-nos seres televisivos e, mais e mais, internéticos. Ou seja: como dizia McLuhan nos anos 1960, o meio transformou-se na mensagem.

Agora, com a iminência do fim da TV analógica, estamos ao limiar de um novo tempo, para o bem ou para o mal. Isso significa dizer que teremos a modernidade de um aparelhamento televisivo sofisticado. Mas implica também o crescimento de poder das corporações setoriais, que mais e mais obtêm domínio e direção, influindo, não há dúvida, nas decisões de sociedade civil pela massificação de suas mensagens, que mais tratam de um mundo paralelo que da vida real.

Estamos nos encaminhando a passos largos para uma sociedade planetarizada, onde informação e entretenimento, que os acadêmicos chamam de infotainment, formam uma realidade que transita do real para a fantasia e não há delimitação mais explícita. Isso termina tendo um forte peso político, pois obscurece o anúncio de fatos de importância para tratar de realidade mais doce e, portanto, fantasista e aliciante.

Certamente você já ouviu alguém dizer: "Não suporto mais ver o noticiário da televisão. Só tem coisa ruim." Não deixa de ser verdade. Mas é aí, perigosamente, que entra o infotainment para dopar o telespectador. A novela é o exemplo mais antigo. De alguma forma isso também ocorre na internet, onde você tende a buscar o YouTube ou o MSN.






quinta-feira, 11 de junho de 2009


Pandemia e pandemônio
Emanoel Barreto

O pandemônio, dizem sábios que vivem no Himalaia, é o pandeiro do demônio. Com ele o capeta faz balançar a economia do mundo e ajuda a loucos como o ditador da Coreia do Norte a se armar com bombas nucleares. Claro, o pandemônio também fuzila seus ritmos quando os Estados Unidos cumprem idênticos propósitos.

E a pandemia? Dizem os mesmos sábios que pandemia é o pandeiro da agonia. Ele é tocado, por exemplo, por larga margem dos integrantes do congresso nacional, que, diga-se de passagem, não perdem nem para o pessoal da bateria da Mangueira.

Enquanto isso, pandeiro por pandeiro, ficamos nós, reles mortais, às voltas com tanta musicalidade infernal. Depois, quando não gostamos, eles nos dizem: "Vá reclamar ao bispo."
No fim, ficamos mesmo na cuíca. Pandeiro toca. Mas cuíca, chora...


quarta-feira, 10 de junho de 2009


A foto é de campanha publicitária da Benetton
Pureza insolente
Emanoel Barreto

O amor pode devassar, sem ser devasso,
as várias visões do conceito - regra, norma, império.
E se devassa os recônditos, se chega os arrabaldes mais distantes da ordem, essa quimera, pode fazer feliz quem o quer ser.

A pureza insolente, petulante,
está no gesto de quem não teme
nem pede para ser compreendido.

O homem, a mulher, o amor,
são três seres.
Que, como Deus,
formam uma única e só pessoa.


terça-feira, 9 de junho de 2009

A viagem
Emanoel Barreto

O vinho, o chapeu, a viagem.
A vinha, quem vinha, viu.
E, depois do que veio fazer
Virou o leme da vida
para a o próxima viagem.

domingo, 7 de junho de 2009


Homens de malíssima índole
Emanoel Barreto

A respeito da palavra "perverso" ensina o Aurélio: "Adjetivo. Que tem malíssima índole; muito mau; malvado."
O texto da jornalista Sabrina Lorenzi, do Jornal do Brasil, coloca as coisas em exemplo prático:

RIO DE JANEIRO - A viúva Geralda das Graças Milagres recorreu aos sobrenomes para enfrentar a demissão dos três filhos de uma só vez. A fé em Deus e em dias melhores tem sido o conforto da aposentada nos últimos cinco meses, depois que a Perdigão desativou a produção de laticínios de uma fábrica da Cotochés – adquirida pela empresa no ano passado. O drama da matriarca, que abriga na mesma casa filhos, noras e netos, se repete em cada 10 famílias de Rio Casca, localizada a 250 quilômetros de Belo Horizonte.

O fechamento de fábricas que competem entre si, bem como sinergias no sistema de distribuição e de gestão da Sadia e da Perdigão podem eliminar 10 mil postos de trabalho diretos e 20 mil indiretos, de acordo com mapeamento que será divulgado nesta semana pela Confederação Nacional de Trabalhadores na Indústria de Alimentos (CNTA).

Procuradas, Sadia e Perdigão não comentam planos futuros, pois estão em período de silêncio. Mas lembram que os donos das empresas, quando anunciaram a Brasil Foods, descartaram que haverá demissões. É esperar para ver quem diz a verdade.

... Como os donos da empresa, também não vou comentar. Apenas compreendo: tais seres humanos têm malíssima índole e, a meu juízo, são extremamente perigosos.

sábado, 6 de junho de 2009

Voltarei a atualizar o blog neste domingo.
Emanoel Barreto

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Espelho, espelho meu...
Emanoel Barreto

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu, dizia Chico Buarque.

Se estás no cansaço assentado.
Se te para o coração um só instante.

E se o blog é espelho de repente.
E te olhas no espelho e te vês.

Ainda terias coragem, como a Bruxa,
De dizer "espelho, espelho meu?"


quinta-feira, 4 de junho de 2009

A esmola de um pão no sinal de trânsito
Emanoel Barreto

O noticiário internacional das coisas de jornal relembra os 20 anos do massacre na Praça da Paz Celestiam, Pequim. O flagrante, de autoria de Jeff Widener, repórter fotográfico da Associated Press, registra o momento em que um jovem colocou-se à frente dos tanques e impediu o seu avanço. É um dos registros jornalísticos mais fortes, dramáticos e pulsantes. Metáfora perfeita da democracia como ideal ético, em oposição à brutalidade de uma ditadura. A fragilidade humana enfrentando o descomunal poderio de um sistema de poder alucinado por suas próprias pregações.



O homem jamais foi identificado. Lembro-me bem do episódio, divulgado mundialmente pela TV. Aquele homem, minúsculo, detendo, com sua determinação, o avanço de uma máquina dirigida por uma mente de psicopata. Quando o tanque era manobrado para a esquerda, tentando passar, ele seguia na mesma direção. Virando-se em sentido contrário, o ativista fazia o mesmo.

Percebia-se algo inusitado: a fera de ferro sendo dobrada pela força de vontade de alguém desarmado, mas dotado de coragem incomum. Sem dúvida, movido por algo a que chamamos dignidade, desprendimento, arrojo. Não digo martírio porque entendo o mártir como alguém que se deixa abater. No fundo, há algo de covardia no martírio passivo.

No caso, se foi martírio, foi o martírio do forte. Valeu como um grito. Mais que isso, um brado, resistência. Jamais se deve compactuar com ditaduras. Nem mesmo com a ditadura do neoliberalismo que, sob o manto do seu discurso falsamente democrático, nos tem a todos presos em sua realidade tentacular e sufocante. Há democracia quando alguém esmola um pão em sinal de trânsito? Não, é a minha resposta. Não, deve ser a sua resposta também. Posso contar com isso?


quarta-feira, 3 de junho de 2009

Contando as histórias do mundo
Emanoel Barreto

Não são poucas as obras jornalísticas de cunho acadêmico que contêm a seguinte afirmativa: fazer jornal é contar histórias. Por muito tempo discordei de tal ponto de vista. Afinal, em nossos textos faltam a condição essencial a uma história, entendia eu. Ou seja: começo, meio e fim. No cotidiano, produzimos notícias que são fragmentos do real. Vivemos, no jornalismo, uma espécie de presente contínuo, uma realidade sempre em construção. E assim, quando a trazemos para a página impressa jamais colocamos "fim", ao término de um notícia, como o faríamos, por exemplo, à conclusão de um romance, conto ou novela.

Todavia, refletindo sobre a realidade sobre a qual o jornal se remete, especialmente sobre grandes tragédias como a do avião da Air France, o 11 de setembro, ataques terroristas outros e acontecimentos como o desabamento de parte das obras do Metrô em São Paulo e o acidente com o avião da TAM, ambos em 2007, comecei a achar que jornalismo é mesmo contar histórias. Pelo menos parcialmente.

Histórias que brotam desse presente contínuo e sinuoso; histórias que muitas vezes metem medo, pois são reais. E podem, de um momento para o outro, nos tornar, a mim e a você, personagens de dramas dos quais não gostaríamos de participar. Histórias terríveis e tristes. Histórias que estão prontas para nos abocanhar.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Viver é perigoso
Emanoel Barreto

Advogado Carlos Eduardo Macário de Melo e médica Bianca Machado Cotta. Recém-casados, viajavam a Paris no voo da Air France, para a lua de mel. Em si trágico, o acontecimento traz aspectos como esse: a juventude ceifada em momento especial da vida. A condição humana, sabemos disso na cotidianidade, tem continuamente um dado de perigo, um alerta que sempre nos diz: viver é perigoso.



segunda-feira, 1 de junho de 2009

Nossa ilusão entra em campo num estádio vazio
Emanoel Barreto

A começar do fato de que o Brasil não deveria sediar a Copa de 2014, pois temos problemas estruturais e conjunturais de monta, e nestes deveríamos aplicar os recursos
que serão desperdiçados com cimento na construção de estádios, há um aspecto também grave a salientar: a invasão do público pelo privado em benefício daquele.
Explico: a ação da Fifa, que deverá ganhar milhões com a realização do campeonato, significa um notório poder de interferência da iniciativa privada internacional sobre a administração brasileira.
A Fifa agiu como se estivesse "beneficiando" o povo brasileiro, quando, na realidade, estará explorando esse mesmo povo, após haver curvado o governo federal aos seus ditames, impondo condições e exigindo da massa populacional brasileira o pagamento de um tributo maligno, que somente atenderá aos interesses do grande capital que atua no futebol.
O processo de globalização, que tem na comunicação um dos seus pilares, verteu essa Copa numa espécie de miragem alegre, que transformará para sempre, e para melhor, a vida do brasileiro. Bobagem.
O estádio a ser construído em Natal é a prova disso. Espere para ver. Passada a Copa, temo que se transforme num elefante-branco, açoitado pelo tempo, de manutenção caríssima e, a rigor, uma inutilidade. Vale a norma romana: dai ao povo pão e circo.

sábado, 30 de maio de 2009

Mexendo no Youtube encontrei esta pérola. O grande Caruso, em "O sole mio".
Abraços,
Emanoel Barreto
http://www.youtube.com/watch?v=Y2eWglxp6g0

... No posto abaixo, meu comentário sobre a Copa de 2014.
Futebol para os bobos
Emanoel Barreto

Pois muito bem: neste domingo sai a lista das cidades que serão subsedes da Copa de 2014. Dizem que Natal já está escolhida. Vamos esperar. Já pensou que o dinheiro que será gasto, se Natal for mesmo escolhida, transformaria o Walfredo Gurgel num hospital de excelência?
Fica a indagação.
Alta indagação.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

E aí, vamos gritar gooooooooooooooooool?
Emanoel Barreto

As coisas de jornal estão dizendo que será domingo a escolha das cidades que sediarão a Copa do Mundo de 2004. E que Natal estaria muito bem contada para ser uma delas. Lamentarei profundamente se isso ocorrer. Será dinheiro público investido num estádio de custos milionários, uma "arena" como se diz por aí, que em nada beneficiará esse pobre Rio Grande do Norte.

Enquanto isso segurança, saúde e educação ficam às favas. É compreensível o entusiasmo. Afinal se estará dando ao povo pão e circo. E as massas, anuviadas pela emoção que o futebol ativa, comparecerão em peso, como se estivessem sendo premiadas.

É preciso lembrar que, se essa tal arena for construída, haverá apenas dois jogos em Natal, pelo que estou sabendo. E mesmo que sejam mais, nada justifica gastar esse dinheiro. Nenhuma situação socialmente proveitosa decorrerá desse iniciativa. Nosso índice de desenvolvimento humano não será alterado para melhor.

Espero, sinceramente, que Natal não seja escolhida.

quinta-feira, 28 de maio de 2009


O terror, o terror, o terror...
Emanoel Barreto

O terrorismo, para além de suas manifestações de violência, que ultrapassam o objetivo militar primário, tem a sua maior força de repercussão pelo fato de que atinge vítimas não diretamente envolvidas com aqueles que representam o sistema que se quer atingir. Ou seja: o agrente terrorista tem o maléfico condão de atingir pessoas ao léu, qualquer um que passe no instante de detonação de uma bomba ou qualquer outro artefato mortífero.

Reside aí a força do terror: criar na população um sentimento de medo coletivo que diz: qualquer um, a qualquer hora, pode ser alvo. Tais ações visam demonstrar que, insidiosamente, os agentes terroristas podem se mover silenciosamente e instalar seus artefatos. Com isso, fica claro às pessoas que o Poder não está assim tão aparelhado para impedir que com desenvoltura os atentados sejam praticados.

Todas as ações desse tipo trazem em si uma forte carga comunicacional: o terrorismo é uma ampla e sinistra forma de comunicação. Todo atentado, tecnicamente, é uma espécie de texto, que reafirma a capacidade do grupo de causar danos os mais amplos, profundos e desestabilizadores. Vide o ataque de Osama aos Estados Unidos.

Foram escolhidos cuidadosamente três alvos: as torres gêmeas, como símbolo do capitalismo; o Pentágono, que representa o poderio bélico americano e a Casa Branca, como figuração da tera-mãe. A brutalidade teve todo todo um sentido de comunicação de massa, ferindo o povo americano em seus valores mais caros.

Todo ato, assim, visa repercussão de imprensa, o que termina por validá-lo, perante seus autores, como tática eficaz de guerra. Se não se anuncia tais acontecimentos, os agressores também saem ganhando, pois esse silêncio os beneficiará. Divulgando-se, obtêm o efeito de mídia pretendido. Será sempre um dilema para os jornalistas. Mas, divulgar é preciso, a fim de que as populações possam de alguma maneira prevenir-se.

Mas há uma forma também degradante de terrorismo: o terrorismo de Estado. O exemplo mais recente é o da Coreia do Norte, cujo discurso de poder está centrado na ameaça do uso de armas atômicas. Sem questionar que os Estados Unidos também se arrogam o uso das mesma armas, é preciso que os líderes do mundo usem de bom senso, para pelo menos, contornar a situação.

No mais, é perplexidade e desencanto quanto ao mundo onde vivemos.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Mesquinhos e cruéis
Emanoel Barreto

A tensão no nordeste da Ásia aumentou ontem com o lançamento de mais três mísseis de curto alcance pela Coreia do Norte (outros três foram lançados na segunda-feira) e o anúncio da Coreia do Sul de que vai aderir formalmente à iniciativa que permite a interceptação de navios suspeitos de carregar materiais ou armas de destruição em massa, gesto que os vizinhos comunistas veem como uma declaração de guerra. Tecnicamente, os dois países permanecem em conflito desde 1950, quando teve início a guerra que dividiu a Península da Coreia. Um cessar-fogo foi estabelecido em 1953, mas as partes nunca firmaram um acordo de paz.

.... A informação é do Estadão e confirma mais que a possibilidade de um conflito armado: a insensatez insana dos dirigentes do mundo. Ao que parece, encaminhar os destinos de um povo, na visão dos envolvidos, é mostrar armas, assim como os pitbulls mostram os dentes: nestes, justifica-se, são animais e agem por instintos; mas, e nos humanos? Só pode ser o seguinte: são feras tidas como racionais, o que as torna especialmente perigosas.

Já percebeu que os dirigentes mundiais sempre reúnem para discutir sobre coisas mesquinhas como dívidas, pressões sobre outros povos, cobranças, intimidações, dinheiro? Isso, quando não se juntam em magotes ideológicos para justificar brutalidades como a marca do bem.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Choro e ranger de dentes
Emanoel Barreto

As coisas de jornal andam falando na reforma política. Financiamento oficial de campanhas e voto só no partido. Ou seja: dinheiro nosso para uma farra eleitoral, mesmo sabendo-se que haverá alguém movimentando caixa dois; e você votando, mas sem saber em quem.

Pergunto: qual a necessidade disso? Não seria melhor empregar esse dinheiro em saúde, educação, segurança, estradas? E porque essa esquisitice de voto no partido? Como serão eleitos vereadores e deputados estaduais e federais? Qual o critério para a escolha dos candidatos eleitos? Se você vota no partido, como alguém será tido como mais votado que outro?

Coisas bizarras num país estranho. Estranho a seu povo, aos que se acabam nas filas e não têm atendimento médico, aos que morrem em meio a tiroteios. Certamente haverá teóricos, politólogos, defendendo tais teses. Mas a realidade, crua e cruel, vai mostrar que não têm razão. E, para o povo, haverá choro e ranger de dentes.


segunda-feira, 25 de maio de 2009

Os ratos em congresso reunidos
Emanoel Barreto

Os ratos em congresso reunidos,
tramam planos, assumem compromissos.
Compromissos com coisas tenebrosas,
transações escuras, lucrativas.

Os ratos em congresso reunidos,
tramam planos, assumem compromissos.
São espertos, rapidinhos, saltitantes.
Querem lucros, querem mais e sempre mais.

Tenebrosos, transações e sempre mais.
São os ratos, sempre eles, espertinhos.
Bebem leite e depois
já vão dormir.


domingo, 24 de maio de 2009

sábado, 23 de maio de 2009

O dever de respeitar
Emanoel Barreto

O Estadão informa: SÃO PAULO - Maisa Silva, 7 anos, está proibida pela Justiça de participar do quadro Pergunte para Maisa, no Programa Silvio Santos, a partir deste domingo. O alvará que permite que a garota trabalhe na televisão foi cassado nesta sexta-feira, 22, pela juíza auxiliar de Osasco Ana Helena Rodrigues Mellim, que aceitou o pedido feito pela promotora estadual da Infância e da Juventude de Osasco, Susana Müller.

A promotora usou o argumento de que Maisa era submetida a situações impróprias que ferem o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Ela também ressaltou que a participação da garota não observa o direito à liberdade e o respeito à dignidade do ser humano em desenvolvimento. Com relação ao Sábado Animado, a Justiça ainda não se manifestou.
....

Às vezes a Justiça tarda, mas... chega. A decisão proibindo a criança de ser levada a situações vexatórias é um exemplo disso. A forma cruel como era exibida, como se fosse um animalzinho esperto, acabou. Como disse na postagem de ontem, esse tipo de televisão, que explora, da parte do espectador, a manifestação da face sórdida do ser humano, é uma espécie de praga, uma peste negra comunicacional que valida e torna importante o uso das pessoas como seres merecedores de ridicularização e escárnio.


Alguém ainda deve se lembrar de Faustão humilhando, para audiência de milhões de telespectadores, um jovem portador de característica que o senso comum chama de deficiência mental. Ele fora obrigado a se vestir como um cantorzinho que se apresenta sob o nome de "Latino". Lembra? Pequeno e magrinho, o jovem era levado a tentar cantar e rebolar como o citado elemento, para alegria estúpida do público.



Choveu reclamação nos telefones da Globo. Acho até que o Jornal do Brasil, então um jornal respeitável, emitiu editorial a respeito. Anos depois, o indivíduo Faustão, em entrevista, disse que "não sabia" como o jovem fora levado ao programa. "Isso tinha sido coisa da produção".
Infelizmente vivemos uma crise de valores, onde o sério cede lugar à malta de infames; a diversão sadia perde para a baderna e o lazer televisivo se transforma numa pantomima de vilões, gente safada e sem princípios.
No caso da menina Maísa, entretanto, parece que terá um final decente.
(Foto: Carol Carvalho, do Jornal da Tarde)

sexta-feira, 22 de maio de 2009

The show must goes on...
Emanoel Barreto

Está registrado nas coisas de jornal da Folha que a menina Maísa, que se apresenta ao lado de Sílvio Santos pode estar sendo alvo de crueldade pelo dono do SBT: "Nas duas últimas edições do Programa Silvio Santos, exibidas nos dias 10 e 17 de maio, Maisa passou por situações de 'pranto convulsivo e aparente estado de desespero, enquanto o apresentador e animador de auditório Senor Abravanel aparentava extrema tranquilidade e alegria com o desenrolar dos fatos'", diz um trecho do ofício enviado ao SBT, segundo o comunicado publicado pela Folha.

O baixíssimo nível da programação da TV aberta, seus reality shows, tipos como Sílvio Santos, Gugu Liberato e Faustão são o exemplo mais refinado e perverso desse tipo de televisão. Que não acontece apenas no Brasil. Trata-se de apenas mais uma manifestação da tal globalização, que visa reduzir o mundo a apenas mercado e, para tanto, apela para os sentimentos mais baixos do público. A vulgaridade tornou-se quase que padrão moral a ser seguido, a crueldade marca registrada, o exercício de poder sobre participantes de reality shows uma regra a ser imitada.

A exposição dessa criança é prova disso. Veja o que diz a Folha: A menina Maisa protagonizou uma nova cena de choro no "Programa Silvio Santos", que foi ao ar neste domingo (17) no SBT.
No programa, Silvio Santos diz que não quer mais conversar com a garota. "Porque na semana passada você deu vexame, ficou chorando no palco como se fosse uma criancinha de um mês de idade."
Diante da reprimenda do apresentador, os olhos de Maisa começam a se encher de lágrimas.
"Mas você chora à toa. Parece uma atriz de televisão. Qualquer coisinha fica magoada. Auditório, eu estou falando alguma coisa para ela chorar?", questiona Silvio.
Desconcertada, Maisa olha para o chão e diz que ficou "magoada". Chorando e gritando, ela sai do palco e bate a cabeça em uma das câmeras do programa.
"Que artista cheia de banca", diz Silvio que, em seguida, com o público seguindo em coro, grita: "Medrosa, medrosa, medrosa."
"Tá doendo muito! Posso ir lá para a minha mãe?", pergunta Maisa ao voltar para o palco.
Maisa se dirige até o local onde se encontra sua mãe. No entanto, a mãe se recusa a receber a filha nos bastidores.
Ela se volta para o apresentador: "Silvio, deixa esperar sarar que eu volto. Gosto muito de você, mas está doendo muito."
"Silvio, meu Deus, tá doendo muito. Silvio, semana que vem vou gravar dois programas", grita a garota.
Em seguida, ela toma um copo de água, resolve encerrar o quadro "Pergunte para Maisa" e sai do palco. "Só cria caso. Toda semana ela cria caso", conclui Silvio.

Ao visto, até os familiares se recusaram a amparar a menina. Certamente a ganância pelo dinheiro auferido com sua força de trabalho superou o que seria de se esperar de uma mãe. Mas, o show tem que continuar...

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Vamos ter fé. Mas, só em Deus
Emanoel Barreto

As coisas de jornal da grande imprensa alarmam a respeito do câncer da ministra Dilma Rousseff. Na verdade, não é bem assim: Estadão e Folha falam a respeito da doença sem emitir qualquer opininão, mas sabem que o simples falar que uma pessoa está com câncer a inabilita presuntivamente, aos olhos da opinião pública, como pessoa apta ao exercício, por exemplo, da presidência da República.

Não pense que estou contra a liberdade de informação. Nada disso. O que alerto aos leitores é quanto ao fato de que as formulações jornalísticas muitas vezes, sob a alegação de objetividade, ou seja, estar apenas relatando os fatos como aconteceram, trabalham ocultamente formulações que visem prejudicar adversários políticos. Tanto Folha como Estadão registraram, sem destaque, que a ministra está usando "uma peruquinha básica", no dizer do Estadão.

E não é segredo para ninguém que as direções da Folha e do Estadão não morrem de amores pelo PT e por Lula. Então, aprendam a ler jornais lendo nas entrelinhas. Reafirmo: acreditem em jornais; mas, fé, só em Deus.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Dicas para um foca
Emanoel Barreto

Bom, como disse ontem, escrevo hoje para Alexsander Santana, que deseja ser jornalista. Primeira coisa; faça o curso de jornalismo. O curso lhe dará a formação profissional, ética e base teórica para o exercício da profissão. Os cursos estão passando por amplas reformulações e formação de quadro com professores capacitados.

Quanto ao trabalho mesmo, o batente, como chamamos na redação, o bom profissional precisa ter disponibilidade, ou seja: estar disponível literalmente a qualquer momento para ao trabalho. Jornalista é como policial ou médico: a qualquer momento pode se precisar dele.

Se você, digamos, cumpriu seu expediente e vai para casa e no meio do caminho encontra um incêndio, deve, pelo menos, informar à chefia de redação, quando não você mesmo cobrir o acontecimento. Pede que lhe mandem um repórter-fotográfico e faz a cobertura. Se o acontecimento for enorme, como por exemplo a brutalidade de Bin Laden contra as torres gêmeas, então vem uma equipe inteira.

Jornalista precisa ter fontes. Ou seja: se você é repórter policial, repórter político ou econômico, ou qualquer outra área, precisa conhecer gente, ter seus telefones, saber onde encontrar suas fontes a qualquer hora do dia ou da noite.

Jornalista precisa ser ético, deve saber respeitar as pessoas e manter uma distância crítica, mas polida, com os entrevistados. Precisa ter equilíbrio quando vai redigir suas matérias. Precisa ter três saberes profissionais: saber de reconhecimento, que diz respeito à sensibilidade quanto ao potencial noticioso de uma ocorrência (o caso do incêndio); saber de procedimento, que refere às atitudes a tomar para apurar bem um fato e saber narrativo, que é relativo à sua capacidade de redigir clara e sinteticamente o ocorrido.

Em poucas palavras Alesxandro, é isso. Faça o curso e venha a ser um foca brilhante e disposto a enfrentar desafios. Grato pelo seu e-mail e coloco-me à sua disposição. (EB)

terça-feira, 19 de maio de 2009

Não é por aí, Vida...
Emanoel Barreto

Fui hoje a sessão solene na Assembléia Legislativa, em homenagem póstuma a meu amigo e de alguma forma mentor Leônidas Ferreira. Médico, político, homem de esquerda, era dotado de uma singularidade: sabia que trabalhar pelo social pode ser feito, mesmo sob governos conservadores. Assim, foi secretário de Saúde e Chefe da Casa Civil do governador José Agripino, realizando excelente trabalho.

Relembro sua figura amena, que deplorava os ódios encravados na alma humana. Dizia: "A gente deve se ligar às pessoas pelo amor. O ódio faz de você escravo de quem você chama de inimigo." Conciliador, tinha sempre uma palavra pacificadora: "Não é por aí: vamos conversar."


Lembro-me ainda de viagem que fizemos a Mossoró. Não fui como jornalista, mas como amigo. Convidou-me e lá nos atiramos de carro até lá. Antes, uma parada em Angicos, onde visitou família do seu antigo conhecimento. A dona da casa, senhora de modos artísticos, tocou-nos algumas valsas num velho e manco piano. Instrumento desafinado, mas, mesmo assim, capaz de nos fazer perceber a linha melódica. Que se perdia, tristemente, no ar morno e solitário da noite do sertão.

Em Mossoró visitamos o ex-governador Tarcísio Maia na Fazenda São João. Tarcísio era uma figura de enigmática serenidade. Recebeu-nos com o afeto que só os grandes senhores sabem dispensar, com gestos ao mesmo tempo efusivos e milimetricamente sóbrios.

Voltamos de avião. Lá de cima víamos o Rio Grande do Norte que ele tanto amava, suas paisagens e belezas. Depois, o tempo nos separou. Ele seguiu sua missão de médico e de político, trabalhando em ações de entidade internacional de saúde, e eu o meu jornalismo e, depois, professor.

E então, de repente, como se se tivessem passados apenas alguns minutos, estou eu na Assembléia, chorando a sua morte nas palavras do deputado Lavoisier Maia, que fez a saudação à sua figura histórica. A saudade mostrou como a vida é rápida. E todo o nosso tempo cabe, ele todo, numa minúscula gota da eternidade.

Não é por aí, Vida: você não devia ter levado Leônidas assim, tão depressa.
...
*Recebi e-mail de um jovem que se identifica como Alexsander, que quer ser jornalista. Pede-me conselhos a respeito da profissão. Amanhã, Alexsander, publicarei sua mensagem e falarei a você a respeito da nossa profissão. (EB)

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Foto do ônibus espacial Atlantis
Para onde vamos?
Emanoel Barreto
Tão pequenos no espaço flutuando
Qual o rumo, qual direção a tomar?
Por que vida, de onde veio, aonde vai?
Tão pequenos no espaço flutuando.

sábado, 16 de maio de 2009

Com meu filho? Com meu filho, não!
Emanoel Barreto

Sob o título "Brasileiro desiste, sim", o jornalista Clóvis Rossi publicou artigo na Folha, que vai, parcialmente, transcrito abaixo:

Lembra-se daquela história de que "brasileiro não desiste nunca", muito usada na propaganda do governo? Pois não é que um dos garotos propaganda da história desistiu do Brasil? Chama-se Ronaldo Nazário de Lima, mais conhecido como Ronaldo Fenômeno, e confessou ontem, durante a sabatina Folha, que prefere educar os filhos na Europa.

Por dois motivos básicos: segurança e educação. Ronaldo contou que, quando seu filho vem ao Brasil e se junta a garotos brasileiros da mesma faixa etária, é impressionante a quantidade de palavrões que dizem os amigos do filho. Já Ronald é "doce", "europeu", diz o pai. Na prática, quer dizer o seguinte: a educação que recebe na Espanha, onde vive com a mãe, o torna mais civilizado que seus companheiros no Brasil. Quando observei que a comparação parecia racista, o jogador devolveu: é apenas realista. Fechou com uma frase irrespondível: "A gente tem que pensar nos filhos".
..................

E aí? As palavras do jogador, que não levam em consideração, claro, aspectos históricos que resultaram no que o Brasil é, revelam, de alguma maneira, o pessimismo nos abate. Digo nós, porque somos um povo com baixa auto-estima. Sempre o que vem "de fora" vemos como melhor que o nosso. Qualidade? Basta olhar as frutas que os supermercados vendem: lá fora, seriam comida para porcos, se fossen.

Temos o que Nelson Rodrigues chamava de "complexo de vira-lata", como se fôssemos um povo de segunda. O problema é nos transformamos num povo dionisíaco demais, hedonista demais, folgazão demais, deixando de lado, ou pelo menos para depois, questões estruturais e conjunturais graves. Temos um índice altíssimo de corrupção. Nosso congresso, às vezes creio que melhor seria chamá-lo de bando ou quadrilha. E formar bando ou quadrilha é crime. É o que os americanos chamam de conspiracy: conspiração. Temos um congresso conspirador e corruto.

Não dou razão a Ronaldo. Ele próprio um bacante. Vocês sabem ao que me refiro... Acho que os problemas históricos do Brasil podem e devem ser resolvidos. Não podemos sucumbir às nossas próprias desgraças, mesmo que elas pareçam fazer parte da nossa genética social. Precisamos banir, isso sim, da vida pública, os carrascos imorais e crueis das elites que colonizam este país, ideológica e economicamente.

Mas isso é processo longo, penoso e estafante. Precisamos reduzir nosso carnavalismo e descobrir que, mesmo sendo bom um grande porre de alegria, festa e mulatas bonitas, há algo mais na vida: trabalho e seriedade. Mais que isso, honradez deveria ser o nosso lema.

sexta-feira, 15 de maio de 2009


A estrela sobe
Emanoel Barreto

"Susan Boyle, a desempregada escocesa de 48 anos se tornou hit da internet graças à sua voz." A técnica de redação jornalística permite esses pequenos milagres: produzir a biografia de uma pessoa em apenas 17 palavras. O texto curtíssimo permite, de forma alusiva, que o leitor de alguma maneira trace suposições quanto ao passado de Susan, suas dificuldades, sofrimentos até; quando afinal brilhou o sol da internet no You Tube e a fez uma super-estrela de futuro reluzente.

Dois aspectos: o valor intrínseco e não reconhecido da cantora e os mecanismos de mídia que permitem a alguém, em questão de dias, tornar-se mundialmente conhecido. Para o bem ou para o mal.
Susan revelou-se num programa de calouros. Hoje, assediada pela imprensa, é tida como uma espécie de divindade da fama.

É assim que se passam as coisas de jornal: alguém chega ao pódio da fama seja pelos próprios jornais ou outros meios, como Susan em seu programa de calouros e os jornais, depois de construir o mito, sobre ele se remetem, como se não percebessem que fora coisa criada por eles mesmos. Forma-se uma espiral de sucesso.

Que Susan brilhe e encante o mundo. Mas, que fique registrado, o contrário, com outra ou outras pessoas poderia acontecer e serem elas levadas ao mais miserável ostracismo, como aconteceu no Brasil, com os donos da Escola Base. Acusados injustamente de abusos sexuais a crianças.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Divulgação/Fotomontagem Folha Online
Os Velhos Olhos Azuis
Emanoel Barreto

O cineasta americano Martin Scorsese dirigirá o filme "Sinatra", que contará a vida e a carreira do artista americano, informou a versão on-line da revista "Variety" nesta quarta-feira.

Os estúdios Universal Pictures e Mandalay Pictures produzirão o filme, que terá roteiro de Phil Alden Robinson e levou anos entre a elaboração do projeto e a liberação dos direitos autorais do cantor, administrados pela Frank Sinatra Enterprises.

Frank Sinatra (acima, em diversas fotos) ganhará biografia no cinema pelas mãos de Martin Scorsese Sinatra (1915-1998) foi um dos maiores ícones da indústria do entretenimento do século 20, fazendo enorme sucesso como cantor (foi vencedor de 11 prêmios Grammy) e ator (vencedor do Oscar em 1954 por sua atuação em "A um Passo da Eternidade".

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O texto acima é da France Presse, publicado na Folha, e uma coisa chamou-me a atenção: o fato de apontar Sinatra como integrante da "indústria do entretenimento". Discordo. Um cantor da estatura d'Os Velhos Olhos Azuis está acima disso. Suas canções, pelo peso cultural que representam, tocam mais fundo que algo como as músicas, por exemplo, de Madonna, uma velha, mas velha mesmo, aproveitadora do marketing.

Entendo que a música, a grande música, aquela de bom gosto, refinada, que nos traz sensações e evocam sentimentos mais intensos de percepção da vida, não devem ser vistas apenas como "entretenimento". Chico Buarque é entretenimento? Creio que não. Mas, vamos esperar o filme e ver o que ele nos conta.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Isso é incrível!
Emanoel Barreto

Veja o que diz a Folha: O filme "Divã" ultrapassou neste fim de semana a marca de 1 milhão de espectadores nos cinemas brasileiros.
Segundo o Filme B, a comédia foi vista por 1.085.456 de pessoas, sendo que neste fim de semana, ela atraiu 150 mil espectadores ao cinema. O longa, dirigido por José Alvarenga Jr., é protagonizado por Lília Cabral, no papel de uma mulher de meia-idade que se separa do marido (José Mayer) e acaba se envolvendo com dois homens mais jovens (interpretador po Reynaldo Gianecchini e Cauã Reymond).

O filme ficou em terceiro lugar nas bilheterias nacionais, com R$ 1,2 milhão. Na sua frente, ficaram os blockbusters "X-Men Origens: Wolverine" (com R$ 4,6 milhões) e "Star Trek" (R$ 1,4 milhão).

...... A notícia exultante da Folha informa algo realmente muito bom: um filme nacional com grande bilheteria. Mas traz outro aspecto, esse não tão bom: o fato de que a colonização cultural vinda dos Estados Unidos predomina sobre esse tipo de obra de arte. Tanto, que o jornal comemora, ao anunciar o sucesso de público.

Somos um país de grandes artistas, diretores e pessoal técnico. Na música, nas letras, no teatro, no cinema. Mas, apesar disso, o predomínio americano é tão forte que produções nacionais cinematográficas são poucas, não há investidores.
Trata-se de algo preocupante. Nós não nos representamos nas telas, não há Brasil nas salas de cinema. A paisagem, o mundo cinematográfico que vemos vem dos Estados Unidos. E isso tem grande capacidade de impregnar o imaginário coletivo, provocando um efeito de descolamento frente à nossa realidade.

Já notou que, nos comerciais, a paisagem urbana é feita em locações que relembram a arquitetura americana? Preste atenção e verá que tenho razão. E isso em função de que vemos tantos filmes de Hollywood, que essa paisagem já se entranhou em nossa cultura visual.

Os publicitários perceberam isso. E se utilizam desse estratagema para ampliar o efeito de verdade dos comerciais para vender carros, por exemplo. Espero que "Divã" continue a ter sucesso. E que o cinema brasileiro consiga ter o reconhecimento que merece.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

domingo, 10 de maio de 2009


A morte do guerreiro
Emanoel Barreto

Morreu hoje, sem que houvesse aviso fúnebre, o semanário O Poti. Em seu lugar, a marca Diário de Natal. Na verdade, o Poti era o mesmo Diário, só que com outro nome, já que não mudava a diagramação nem apresentava matérias em profundidade, que marcam um semanário.

Mas a marca, o nome-de-jornal O Poti nos levava às nossas tradições mais profundas, ao apego telúrico, lembranças de um tempo arcaico e heróico. O tempo em que o guerreiro Felipe Camarão, o Poti, ao lado da mulher e heroína Clara Camarão dava combate aos holandeses.

Acho que não se brinca assim com os símbolos que fazem parte da vida de um povo. Jornais, de alguma forma, mesmo com a redução de leitores do jornal impresso, fazem parte da vida de uma cidade, são seu reflexo. E, mesmo tendo conteúdo ideológico conservador não-declarado, escondem, lá no fundo, a alma da sociedade sobre a qual se remetem.

Lamento pela morte d'OPoti. Era a leitura preferida do Meu Pai e eu o acompanhei. Trabalhei no Diário e fiz muitas matérias para O Poti. Isso faz parte dos meus afetos jornalísticos. Foi n'O Poti que publiquei texto de página inteira, dia 13 de outubro de 1981, em matéria magistralmente editada por Vicente Serejo e Enéas Peixoto, diagramador imbatível.

A matéria era uma carta ao papa João de Deus, intitulada "Beatíssimo Papa". O sacerdote estava em visita a Natal. Ali eu fazia um resumo da história da cidade e sua tradição católica. Falava do povo, sua fé cristã e, lá para as tantas, me referia também à beleza e sensualidade da mulheres. E lembrava que, belas como eram, não deveriam ser recriminadas em sua candura faiscante nas praias. Pois eram, em razão mesmo de tal beleza, expressão viva de Eva. E, portanto, filhas também de Deus, que as havia criado a todas, seminuas e lindas.

Por motivo dessa carta recebi do Vaticano carta assinada pelo monsenhor C. Seppe, assessor direto de João de Deus. Ali, agradecia e enviava bênção do Papa para mim e minha família.

Hoje, com O Poti morto, e o Diário reduzido a condição de tablóide, somente tenho a lamentar. Não gostei da feição gráfica. A tipagem escolhida para os textos não é a mais apropriada. A letra dá ao jornal uma feição chapada e dificulta a leitura. Faltam as colunas, falta a cara de Natal.
Lamento, lamento muito. Mas, consumatum est.