
"Não é justo alguém ter o direito de ter uma empresa de aviação e outro não ter o direito de comer um pão." /////// JAMAIS IDE A UM LUGAR GRANDE DEMAIS. A UM LUGAR AONDE NÃO TENHAIS CORAGEM DA IMENSIDÃO - EMANOEL BARRETO - NATAL/RN
terça-feira, 7 de abril de 2009

segunda-feira, 6 de abril de 2009
O Bichosábado, 4 de abril de 2009

Os terrores noturnos e a flecha que voa de dia
Emanoel Barreto
A morte do jornalista e ex-deputado federal Márcio Moreira Alves, uma das figuras icônicas da minha geração, a geração de 1968, transforma aos poucos a história ainda viva em seus personagens em lembrança. Quer dizer: história será sempre história; para mim é que é lembrança, vira saudade.
Pessoas e seus gestos largos de coragem começam a desaparecer. Logo para nós, uma geração que não acreditava em ninguém que tivesse mais de trinta anos. Estávamos todos liberados para viver a eterna juventude. Tolos e sublimes, como éramos.
Ainda me lembro das passeatas de 68, maio de 68. Um movimento que começou em Paris sob a liderança de um jovem, Daniel Cohen Bendit, Danny o Vermelho, espalhou-se pela Europa, ganhou os campi norte-americanos e explodiu como uma bomba de girassóis insurretos na América do Sul, Brasil. Natal, por consequência.
O lema: "Seja realista; peça o impossível." De alguma forma continuo pensando assim. O impossível será sempre a minha meta. Mesmo caminhando entre os terrores noturnos e sob as flechas que voam de dia.
(Na foto, Márcio faz seu tremendo discurso, em que conclama as mães a não deixar que seus filhos fossem assistir ao desfile de 7 de Setembro, lembrando que os militares que então desfilariam eram os mesmos que prendiam aqueles meninos e meninas e davam sustentação à ditadura).
sexta-feira, 3 de abril de 2009

quarta-feira, 1 de abril de 2009
Foto: Miguel ClaroSilêncios, sombras
Emanoel Barreto
Sombras solúveis irrompem lentamente
e se misturam plenas em si mesmas.
Em silêncio nós somos liquefeitos
e seguimos os passos do não-vir.
terça-feira, 31 de março de 2009
Ouvirus do Ipiranga às margens plácidas...Emanoel Barreto
segunda-feira, 30 de março de 2009
Dona da Daslu: poderosa, heim?Emanoel Barreto
A Folha conta: A condenação de quase cem anos de prisão imposta a Eliana Tranchesi, dona da Daslu, e a seu irmão Antônio Carlos Piva de Albuquerque é um fato isolado ou pode ser o início de uma tendência da Justiça para punir quem é acusado de fugir do pagamento de tributos? Para advogados criminalistas, tributaristas e ex-dirigentes da Receita Federal, a pena determinada para Tranchesi e seu irmão - os dois conseguiram liminares da Justiça e já estão em liberdade - representa decisão isolada de uma juíza (Maria Isabel do Prado, da 2ª Vara Federal em Guarulhos) e não deve ser exemplo para outras sentenças que envolvam crimes de sonegação fiscal.
Detalhe: Para o ex-secretário da Receita Federal e consultor tributário Everardo Maciel, a sentença dada à dona da Daslu é "completamente desproporcional". "Não conheço o caso específico, mas sinto que existe uma espécie de má vontade e indisposição contra pessoas que têm boa situação financeira. A condição financeira não deve ser critério para proteger, muito menos para perseguir."
... A sra. Eliana Tranchesi e seu irmão são criminosos. Se foram condenados, são criminosos. E criminosos de alta periculosidade. São detentores de periculosidade social. O que quero dizer com isto? Simples: fazem um mal coletivo. Sonegam impostos, quer dizer, roubam dinheiro que deveria ser encaminhado aos cofres públicos, por conseguinte, dinheiro público, para uso a favor do público.
Com isso, configuram-se como indivíduos de periculosidade. Cavilosos, juristas entrevistados pela Folha minimizam a ação dos dois, alegando que não houve crime de sangue. Manipulam o repúdio histórico e ancestral ao provavelmente mais antigo delito do mundo: o homicídio. Com como não mataram, mas "apenas" se apoderaram de dinheiro público praticando, digamos assim, crimes delicados acham que não devem ser punidos. Maria Antonieta também, pensava assim, não? Perdeu a cabeça.
Detalhe Final: os dois irmãos já estão livres. Ganharam liminar e podem voltar às suas atividades.
quarta-feira, 25 de março de 2009
A "compaixão" de Pedro Bialterça-feira, 24 de março de 2009

segunda-feira, 23 de março de 2009
Alma minha, gentil...Emanoel Barreto
Alma minha, gentil, não vês que já há choro e ranger de dentes
e ainda nem chegou o Apocalipse?
Alma minha, gentil, não sabes dos dramas e pesares
que pesam sobre o mundo?
Alma minha, gentil, por que te calas?
Alma minha, gentil, será que és gentio?
sábado, 21 de março de 2009

sexta-feira, 20 de março de 2009
Índio não quer apitoquinta-feira, 19 de março de 2009
E no Senado, os senadores senam...Emanoel Barreto
quarta-feira, 18 de março de 2009
Se não tem pão, coma briocheEmanoel Barreto
Com as mudanças no mercado de capitais, a insegurança, como dizem "eles", os bancos agora estão querendo tirar muito de quem já tem pouco: agora "eles" estão querendo que o governo autorize a redução na renda das cadernetas de poupança, a fim de beneficiar quem?, quem?, quem? "Eles", naturalmente.
Os mecanismos de poder, as diversas formas de homens ou grupos de homens determinarem o que os demais devem ou podem fazer, são muitos. Um destes mecanismos é a posse, a propriedade e o controle do dinheiro.
E os bancos, agora, intentam mais uma manobra, a incidir diretamente sobre o pequeno poupador, aquele que não tem informações nem disponibilidade financeira para investir em fundos ou ações.
A redução no rendimento da poupança, que já baixo, corre o risco de cair ainda mais. "Eles" não querem e sequer cogitam de abrir mão de seus polpudos lucros, lucros advindos da usura social que desaba sobre os mais fracos. É histórico: sempre que as elites perdem, se é que perdem, mesmo que seja só um pouquinho, tratam de aumentar o fardo dos que trabalham para sustentar a sua inércia.
Não é justo. Mas é o que está posto. E se o povo não tem pão, como dizia a rainha Antonieta, que coma brioche.
terça-feira, 17 de março de 2009
Ele é um bom companheiroEmanoel Barreto
.......Os gerentes, criadores e usufrutuários da crise, agora querem um home care para sair do choque. Procupadíssimos com sua aflitiva situação, não se cansam de encontrar novos meios para locupletar suas vontades de dinheiro, mais dinheiro.
As elites que geraram a atual situação encontram-se em plano privilegiado: após arrombar o cofre social, querem que desse mesmo cofre saia sua própria solução. Trata-se de um processo perverso em que a vítima, o mundo todo, é obrigada a ressarcir de uma de forma os seus algozes.
As economias cambaleiam, gente perde emprego em todo o mundo, mas os responsáveis exigem dinheiro, bônus cruel para atender a seus instintos. Oremos.
segunda-feira, 16 de março de 2009
A voz que então falavaEmanoel Barreto
É terror, é medo, é desespero?
É, é tudo isso e ainda desamparo.
Na boca presa o coração estala.
Na alma tensa o sol já se apagou.
Depois, vem mais um dia.
E quando o dia acaba a voz que falava é silêncio, cicio, noite mortiça, neblinas, negror.
sábado, 14 de março de 2009
O homem que semeava escuridãoEmanoel Barreto
Um dia conheci um homem que plantava escuridão.
Por onde andava, tudo virava noite.
Mas não se dormia, porque ele havia semeado insônia.
Anos depois reencontrei o homem e gritei na treva densa: "Onde estás?"
Ele respondeu: "Não sei. Eu mesmo me perdi."
Depois, encontrei A Mulher que desenhava luas.
Ela deu-me um pequeno grão de luz e me tirou de lá.
quinta-feira, 12 de março de 2009
Emanoel Barreto
terça-feira, 10 de março de 2009
O teu futuro espelha essa grandezasegunda-feira, 9 de março de 2009

Ele tornou-se mestre no xadrez do silêncio.
domingo, 8 de março de 2009
A Mulher--- Walter Medeiros* - walterm.nat@terra.com.br
O Dia Internacional da Mulher – 8 de Março - tem sido uma data marcante, pelas manifestações, pela luta, pelas homenagens, pelas reflexões e pelo registro que é feito nos mais diversos meios, pelo mundo inteiro. Além da lembrança da origem da data – o massacre das operárias em 1857 – sempre são referidas mulheres de todos os lugares e todos os tempos que fizeram ou fazem da sua vida um exemplo a ser seguido por toda a humanidade.
Nesse 8 de Março de 2009 quero trazer para os leitores alguns dados da vida de uma mulher que teve um papel importante e de alcance inestimável, cuja atuação mudou o rumo de muitas vidas, contribuindo para a harmonia de milhões de lares. Uma mulher cujo trabalho resultou da experiência adquirida com o seu próprio sofrimento e que apesar de todos os problemas que enfrentou nunca desistiu e conseguiu implantar uma instituição que certamente vem mudando o mundo.
Ela teve origem numa família estruturada, equilibrada, onde tinha um irmão, foi educada com amor, recebeu lições de união, perdão, paz; a mãe, do lar, o pai médico ginecologista e cirurgião. Mas seu casamento foi algo de convivência difícil, ao que somaram-se três gravidezes tubárias, insanidades, discussões, intolerâncias, resultado do alcoolismo do seu marido, a quem chegou até a dizer, certa vez: “Você não tem sequer a decência de morrer...”. Foram 17 anos de convivência e sofrimentos para ambos, pois no seu alcoolismo seu marido era um doente e a doença causou a destruição das carreiras de ambos.
Depois de todas as Turbulências do Alcoolismo, nasceu a sublime e abençoada associação de Alcoólicos Anônimos, em 1935, pelas mãos de Bill W. e Robert (Bob) Schmidt, com a colaboração, apoio e compreensão daquela mulher. Refiro-me a Lois Wilson, nascida em 04 de março de 1891 e falecida em 06 de outubro de 1988, que fundou, em 1951, os Grupos Familiares Al-Anon, cujo objetivo é ajudar aos familiares de alcoólatras a compreender a doença alcoolismo e conviver com os problemas que a doença acarreta para as famílias dos alcoólatras.
Em recente evento destinado a profissionais, uma representante daquela irmandade explicou que Al-Anon surgiu da mesma ‘necessidade’ de Alcoólicos Anônimos - a necessidade de ‘dialogar’, de uma pessoa entender a outra, delas falarem a mesma linguagem, trocarem as experiências vividas com seus entes queridos doentes, que tanto lutavam para largar a bebida e não conseguiam. As esposas dos alcoólatras descobriram que o estado em que se encontravam era resultado do convívio sob o domínio do álcool, quando familiares e amigos dos alcoólatras se tornavam pessoas também doentes, de uma doença emocional.
A troca de experiências mostrou o caminho a seguir, e dali surgiu o lema da entidade: “Evite o primeiro atrito”. Segundo Al-Anon, ao evitar o primeiro atrito os familiares fazem com que muitos problemas sejam evitados também, pois sempre que existe um confronto com um alcoólatra - embriagado ou não - as conseqüências podem ser drásticas.
Lois é considerada uma heroína, pelo trabalho realizado com a sua amiga Anne, mulher do Dr. Bob. Elas continuam servindo de exemplo para mulheres de mais de 130 países onde funcionam grupos daquela irmandade. O Estado de Nova Iorque e mais de dez organizações dos Estados Unidos saúdam Lois como uma das Mulheres mais importantes do Século XX. Ela foi homenageada com o Prêmio Humanitário do Conselho Nacional sobre Alcoolismo dos Estados Unidos.
Com este pequeno relato espero que as mulheres e os homens do mundo inteiro mantenham viva a lembrança daquela valente mulher, que conseguiu empreender uma luta pacificadora, não contra a bebida alcoólica, mas a favor das famílias de pessoas que não podem beber controladamente, por serem portadores da doença alcoolismo.
*Jornalista – Natal/RN
sábado, 7 de março de 2009
O crime do arcebispoEmanoel Barreto
A Igreja revelou sua face mais reacionária e trevosa no caso da menina de nove anos estuprada pelo padastro. Grávida, a criança precisou passar pelo abortamento. O arcebispo de Olinda e Recife, d. José Cardoso Sobrinho, como nos tempos da Santa Inquisição excomungou a mãe da menina que autorizou e os médicos que fizeram o aborto. Naqueles tempos, ele os teria condenado à fogueira.
Tacanho, mesquinho, moralmente velhado, o minúsculo cérebro do sacerdote não se comoveu com o drama da criança: uma menina que deveria estar brincando de boneca, pela visão demencial do arcebispo, deveria ser obrigada a cumprir com todo o trajeto da gravidez, para a qual seu corpo infantil não estava preparado.
Alegou que o abortamento é pecado pior que o do estupramento.
Nada entendo da graduação dos pecados. Qual a lógica que determina que a brutalização do corpo de uma criança menina seja pecado menor que a salvação desse mesmo corpo, por atitude piedosa, condoída e protetora.
Pobre, miserável arcebispo. Em nome de Deus faz o elogio do estupro; em nome da Vida, quer que uma vida seja mais violada do que já o fora. Lato sensu, sou contra o aborto. Mas, cada caso é um caso. E, com relação à criança menina de Recife, gostaria que a Igreja fosse mais piedosa. Cristo perdoava. E muito. Mas, tenho para mim, não perdoaria o crime do arcebispo.
quinta-feira, 5 de março de 2009
Peraí, chuva. Se você vier, agora eu chamomesmo o Cacique Cobra Coral
Emanoel Barreto
Há uns dias fiquei ilhado em casa. Postei a foto no blog e falei que pediria ajuda ao Cacique Cobra Coral, se as coisas não se resolvessem. As poderosas chuvas que se abateram sobre Natal transformaram os muros de minha casa em barragem. Detalhe: para conter a enxurrada tenho também duas muretas, já dentro do jardim. Caso contrário...
Agora temos, eu e os vizinhos de Capim Macio, reunião marcada com o secretário da Semov, Demétrio Torres, para que se chegue a uma solução. Da minha parte, venho pedindo apenas o paliativo de retirar-se a areia do leito da rua. Isso seria suficiente para que o grande lago em que se transforma a Industrial João Motta diminuisse.
Em contato telefônico o secretário, como sempre cordial, garantiu-me que sábado, dia da reunião, todo será resolvido. Já tem até umas máquinas trabalhando lá na frente, mas distante da minha casa. E isso seria, segundo ele, indício de que as coisas vão melhorar.
Recomendou-me paciência. Paciência que só precisa durar até sábado, garantiu. Respondi: "Secretário, nós temos, digamos assim, nosso cronograma de obras e reunião. Mas a chuva, secretário, não trabalha segundo o nosso cronograma, o senhor entende?"
Ele respondeu: "Tem razão. A chuva não trabalha segundo o nosso cronograma." E pronto. Agora, é o seguinte: espero que a chuva acate a decisão e não chova. Se não, e se nada for feito, agora sim: vou chamar mesmo o Cacique Cobra Coral.
quarta-feira, 4 de março de 2009
E aí, vai encarar?Emanoel Barreto
Moleque travesso, tinhoso, peralta.
Saiu da favela disposto a brigar.
Exibe sua força, que é magra e rasteira.
Ele é um brasilzinho de muque raquítico.
Moleque travesso, pertinaz, assanhado.
Tem jogo de perna é bamba na vida.
De becos escuros, briga com a fome.
Ele é um brasilzinho. Que dó que ele dá.
terça-feira, 3 de março de 2009

Agaciel, o dono da mansão própria
Emanoel Barreto
O sonho do brasileiro se divide em dois: ter seu próprio negócio e ter a casa própria. O diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, foi mais além: não tem negócio próprio, mas tem mansão própria, só que escondidinha em nome do irmão, o deputado João Maia. Agaciel perdeu o cargo, mas continua funcionário do Senado.
É assim na Terra Brasilis: o poder assegura o próprio poder: o poder de permanecer, o poder de dispor de fortunas, o escárnio com aquele pobre que sofre nas filas dos postos de saúde e amarga o dinheiro curto, pouco demais para um mês tão grande.
As elites são um sistema altamente sofisticado, que se re-produz e cria suas próprias instâncias de sobrevivência, assegurando a seus integrantes que, mesmo punidos, essa punição não doa muito. É como injeção: dói, mas passa logo.
domingo, 1 de março de 2009
É a corrupa meu irmão, é a corrupa...Emanoel Barreto
As coisas de jornal da Folha informam neste domingo: Agaciel Maia, o vice-rei do Senado, o homem que autoriza despesas de até 80 mil sem necessidade de aprovação da Mesa, teve descoberto um segredo que mantinha a sete chaves em seu cofre de Ali-Babá: é dono de uma mansão que vale cinco milhões.
Como quando comprou a casa estava com os bens indisponíveis, usou o cérebro e, claro, fez de conta que ela não era sua. Assim, o imóvel foi estrategicamente colocado no nome do deputado João Maia, seu irmão e candidato ao governo do Rio Grande do Norte.
Diz a Folha: "A indisponibilidade dos bens de Agaciel foi decretada pela Justiça na esteira do escândalo da gráfica, em 1994.
Naquele ano, o então senador Humberto Lucena (PMDB-PB) teve sua candidatura à reeleição cassada pela Justiça Eleitoral por uso ilegal da gráfica para impressão de material de campanha. Também enfrentaram representação na Justiça Eleitoral, acusados da mesma prática, os políticos pelo então PFL maranhense Roseana Sarney (deputada e candidata vencedora a governadora) e os postulantes ao Senado Alexandre Costa e o hoje ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.
Eles tiveram cadernos escolares com propaganda eleitoral impressos na gráfica encomendados por Costa, candidato à reeleição. Suas candidaturas, contudo, não foram cassadas."
É isso: é a corrupa meu irmão; é a corrupa. É a corrupa como marca forte e tempero picante da vida política. Como pode um homem que tem bens bloqueados pela Justiça assumir posto vital no Senado? Permanecerá no cargo após esse flagrante? E o deputado João Maia: a imprensa daqui vai questioná-lo eticamente? Deveria ter atendido aos apetites ecônomicos do irmão, assumindo a mansão como se fosse sua? Tinha ou não tinha consciência de que estava praticando algo moralmente pegajoso, sujo, repulsivo?
E de onde saiu tanto dinheiro para a compra dessa casa?
As respostas virão com o tempo. E creio que serão ambos perdoados. É a corrupa, meu irmão; é a corrupa...
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Tsvangirayi Mukwazhi/APA cara feia do poder sem limites
Emanoel Barreto
Robert Mugabe, ditador-presidente do Zimbábue, comemora seus 85 anos. A expressão da face é o retrato do íntimo. Não concordo com a afirmação de que uma imagem diz mais que mil palavras, mas, neste caso, sim. A manifestação corporal como um todo traz, da sua mais íntima e deplorável essência, a figura moral que lá habita e a apresenta em toda a sua perversidade.
Explorador histórico do seu povo, gestor de prebendas e corrupção, sinecurista do poder, ávido de muita fome por dinheiro e espoliação, de há muito ele é a encarnação, sem dúvida, do que há de mais baixo no político.
A África sofre com o abandono, a miséria e o desrespeito aos direitos humanos. O Ocidente a esqueceu depois de dela tirar muito. E homens como aquele somente asseguram que tal estado de coisas vai perdurar.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Eu vou chamar Jerônino, o herói do sertãoEmanoel Barreto
Não adianta Brasil, não adianta.
Esforços e luta de nada valem.
A única maneira é chamar Jerônimo, o herói do sertão.
Os perigos são muitos, altos, largos, abismos extensos,
buracões profundos.
Estou decidido: vamos chamar Jerônimo, o herói do sertão.
Não adianta Brasil, não adianta.
Enormes teias, perigosas tramas nos envolvem a todos,
a todo instante.
Somente Jerônimo, o herói, poderá
prender o Caveira que reina em
cada mente de político criminoso.
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009
RessacaEmanoel Barreto
Pronto, terminou a festa.
Acabou a alegria, o carnaval passou.
Aos poucos o último acorde vai perdendo força, dobra a esquina do tempo e se perde no território da lembrança. Longe, longe, longe...
A Alegria, deusa solar de cores e repiques, musa vulcânica, moça de todos os agogôs, segue para o seu olimpo a descansar.
O carnaval passou.
E todos os bacantes agora estarão às voltas com o mundo real. Que é todo feito só de quartas-feiras; quartas-feiras de cinzas e das saudades curtas de quem se encontrou e se perdeu no meio da multidão.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Ô abre águas, que eu quero passar...Emanoel Barreto
Em meio ao carnaval estou ilhado em casa. Como a Prefeitura não tomou qualquer providência para prevenir o descalabro, mesmo depois de eu falar com deus-e-o-mundo, mandei email a colegas jornalistas para que divulgem. Quem sabe, com isso alguém toma alguma providência. Segue a íntegra:
Se não der, chamo
o Cacique Cobra Coral
Caros Amigos jornalistas,
Escrevo na segunda-feira de carnaval ilhado em minha casa,
cujos muros transformei em represa. Estou literalmente como
na marchinha: "Daqui não saio, daqui ninguém me tira." Assim,
improviso também outra marchinha: "Ô abre águas, que eu quero passar."
Mas, enquanto as águas não se abrem, a situação é essa: garagens alagadas,
casas prestes a ser invadidas pela água e gente preocupada.
É isso: a Rua Industrial João Motta, Capim Macio, onde moro, com as últimas
chuvas assumiu aspecto de dilúvio. Por instantes tive a impressão
de ver a arca de Noé. Não era: era um carro quase tragado
pelo dilúvio urbano.
Na Prefeitura, já falei com deus-e-o-mundo, mas ninguém atendeu
ao meu alerta. Dias antes do aguaceiro entrei em contato com
a administração municipal, pedindo que uma máquina fizesse
retirada da areia do leito da rua. Adverti que, sem isso, haveria
perigo de casas serem alagadas. A Prefeitura não deu atenção.
O IPTU, aqui, é de mais de mil reais. A Prefeitura não me deu atenção.
Alagamento é assunto para a Semov, a Semov é da Prefeitura.
Só que há um problema: a Semov não se move...
Carros que tentam superar o açude enguiçam, gente entra em
desespero, pessoas ficam no prejuízo. O meu carro está
há três dias ao relento. Tive que tirá-lo da garagem
para dar espaço à água.
Agora, só me resta pedir apoio aos amigos da imprensa. Espero
com isso sensibilizar alguém da Prefeitura. Espero sensibilizar Micarla.
Mas, se nem ela me der atenção, voltarei meus pedidos para o
Cacique Cobra Coral, entidade espiritual que cuida dos ventos e
das tempestades. Tem até uma Fundação, a Fundação
Cacique Cobra Coral, que trata desses assuntos: mandar chuva a quem precisa
e tirá-la de quem esteja em meio às ondas.
Quem sabe, dele tenha alguma ajuda.
Um grande abraço,
Emanoel Barreto
PS: Aos ambientalistas fundamentalistas: como
fica o bicho-homem? Gente também é parte da natureza.
domingo, 22 de fevereiro de 2009
Tem portuguesa no sambaEmanoel Barreto
Descobri ontem por acaso, na RTP Internacional, que Portugal também tem carnaval. Rima pobre à parte, é isso: tem escolas de samba e desfile na Ilha da Madeira, ou Madaira, como eles dizem por lá.
Uma das escolas chama-se "Os Cariocas" e apresentava um desfile esforçado que só ele, mas faltava a força dos orixás, o sangue negro chamando as raízes mais ancestrais da noite mais profunda da África, tambores, braseiro e fogueira.
O mais interessante é que as escolas tinham sambistas e samba-enredo de verdade. Pareceu-me que eles contratam bambas do Rio para preparar a escola. Uma agremiação tinha música de Iveten Sangalo fazendo as vezes de semba-enredo.
As portuguesinhas, tão bonitinhas, eram menininhas disciplinadas e tentavam, mas tentavam mesmo, fazer de conta que sambavam. Umas até buscavam aqueles passos em que a cabrocha se transforma em jóia-mulher de irrelutável beleza. Tadinhas...
Mas, gostei. Gostei de ver nossa cultura chegando aos nossos avós, que por instantes trocam as chorosas guitarras do fado pela força trigueira do tambor.
Sabe o que faltava aos patrícios? Faltava efusão, festa, brilho, intensidade, grandeza. Que vão passar, eu sei. Mas que de alguma forma ressalta, nesse tipo de ópera popular, o grande mistério de ser Brasil. Axé babá, meu pai!
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Esquentai vossos pandeirosEmanoel Barreto
Chegou a festa, a cuíca zurra sua sua cantiga bárbara, lúbrica, luxuriosa - e geme; o cavaco solta acordes finíssimos, agudos como ponta de florete; surdos marcam, profundos, o ritmo que alucina; tamborins são sopranos em ária sensual; caixas atiram-se para a frente cantando a liturgia do prazer e mulatas flertam com o desejo agarrado às suas ancas. É o Brasil em festa. É o carnaval como fascinante sagração do desvario. E os pandeiros entoam seu ritmo feiticeiro.
Chegou a festa. Somos a civilização de Baco, somos o povo feliz. Feliz por quatro dias, feliz pela ilusão criada de sermos felizes por exatamente quatro dias.
Samba, suor e cerveja são nossos deuses lascivos; com eles iremos até o fim. Até que o último arquejo licensioso se cale, até que a última gota esgote o jato libertino. Vamos ser felizes, vamos ser felizes por quatro dias.
Viva o Brasil. Viva essa alegria louca que confunde mas aplaca, que excita mas acalma, palpitando o coração por mais loucura. Viva o Brasil. Viva o carnaval. Viva a mulata que esconde nos quadris a imoderação e todas as suas delícias.
........
E Walter Medeiros chega, da cavaco e tamborim.
Zé Pereira
Walter Medeiros
Português danado,
Cabra sem enfado,
Pela vida inteira.
Viva o Carnaval,
Que tanto admiro,
Mas já me retiro,
Não me levem a mal.
Viva aquele samba,
Feito por Martinho,
Que canto baixinho,
Querendo ser bamba.
Viva a lembrança,
Do pó, do confetti,
Caetano, Zé Kéti,
Serpentina e lança.
Viva Paulo Maux,
Nosso eterno Rei,
Nunca esquecerei,
Mas sei que passou.
Viva nossos clubes,
De lindo passado,
Que está gravado,
Não há quem derrube.
Viva uma saudade,
Cá neste meu peito,
De amores sem jeito,
E de felicidade.
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
O capital quer dinheiroEmanoel Barreto
Trabalhadores e pobres do mundo inteiro estão apreensivos: o capital tem fome. Depois da farra financeira dos bancos americanos, gente que não tem nada a haver com isso está pagando a conta. Paga com desemprego, medo de perda do emprego e paga com dinheiro que o Estado encaminha às empresas para sustentar exatamente o culpado pela crise instalada: o capital.
Do mesmo modo que o chamado socialismo real apresentou a face cruel daquela formulação socialista, os fundamentalistas do mercado agora são chamados pela história a dar seu depoimento: está desfeita a máscara e o mercado mostra que não é nada daquilo que se dizia: elemento resolutivo para qualquer imprevisto econômico, agente coletivo dinâmico cujas forças internas tinham condições quase divinas para demarcar rumos.
O que se vê é uma situação mundial perversa, com o Estado sendo chamado às pressas pelas empresas a fim de lhes garantir sobrevivência. É uma espécie de chantagem: se isso não for feito, a falência do sistema levará de roldão milhões de pessoas ao desespero e estará instalado o caos total. Ou seja: é preciso salvar os muito ricos, a fim de que os pobres consigam pelo menos uma tábua de salvação - já que o transatlântico do capital não comporta ocupantes de segunda classe.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
Os podres PoderesEmanoel Barreto
A genial charge de Angeli, na Folha, representa literalmente a perversa e monstruosa política brasileira. Câmara e Senado formam uma entidade acima, além e adversa ao ser coletivo a que chamamos povo. Muitos homens e mulheres bem remunerados, mimados por privilégios que envergonhariam a qualquer pessoa decente, trabalham ininterruptamente em proveito próprio.
Alguém dirá: "Ah! Mas não são todos." Claro que não são todos. Mas a estrutura, o cerne congressual é embolorado por outro ser também muito nosso conhecido, a corrupção e esta, de alguma forma, inclui em seu abraço largo até os bem intencionados. Corrupção aqui em sentido amplo, abrangendo decisões que beneficiam grupos, toldam direitos dos trabalhadores e enegrecem o sentido ético da política.
Quer ver? Basta lembrar as decisões partidárias que obrigam até mesmo os bons a se curvar ante interesses tenebrosos, estarrecedores. As elites e seus interesses dominam o Congresso e dele se valem como coisa própria. Daí porque a validade da charge, com alto poder de fogo editorial.
Com a intenção típica das charges, ela se utiliza do humor sátiro e corrosivo para demonstrar os podres dos Poderes. Faz-nos rir, mas faz-nos também lamentar.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O lindo perigo de viver
Emanoel Barreto
Ele ali,
ante tão grande
e belo abismo.
A perplexa
manifestação
do que é viver.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Mistério
Emanoel Barreto
No silêncio da noite em abandono,
na pegadas dos pés que ali passaram,
eles se encontram na grande solidão,
no abraço calado do carinho.
E as sombras guardam todos os segredos.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Os maus e a maldadeEmanoel Barreto
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Burocracia
Emanoel Barreto
Você quer soluções? Nós temos problemas.
Quer a felicidade? Temos angústia.
Busca trabalho? Oferecemos desemprego.
Deseja ser com? Transformamos você em inimigo.
É honesto? Levamos você para a corrupção.
Tem fé na humanidade? Ensinamos como destruí-la.
Acredita na perseverança? Lhe daremos preguiça.
Defende a Justiça? Nós ministramos o crime.
Paz? Fará a guerra.
Amor? Apreenderá a odiar.
Depois, estará pronto para entrar para o sistema.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

O direito de morrer
Emanoel Barreto
A italiana Eluana Englaro, em estado vegetativo havia 17 anos e pivô de uma disputa que opôs o governo conservador do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, apoiado pelo Vaticano, ao Judiciário e ao presidente da República da Itália, morreu ontem, aos 38 anos (Folha de S. Paulo).
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Dita assim, na fria linguagem das coisas de jornal, o drama da jovem é apenas um registro taquigráfico da vida. O caso, todavia, envolve questões éticas, emocionais e, de fundo, um aspecto a que não se pode recusar respeito: o de que alguém em estado vegetativo está passando por um profundo sofrimento, do qual talvez sequer tenha consciência.
O drama da jovem assume conotações que vão bem ao âmago da condição humana: a angústia da família, a dor de ver alguém que já foi bela, alegre e certamente cheia de sonhos, murchar, definhar lenta e dolorosamente.
Após 17 anos em tal situação, qual ser humano deveria ser obrigado a permanecer vivo? O direito de morrer, a eutanásia, deveria ser considerado, estudado e compreendido em sua amplitude. A morte pode ser a solução para uma vida que, em si, já não existia socialmente.
Viver não é apenas estar vivo: é agir, lutar, ganhar, perder, arrojar-se a empreitadas e sentir a pulsação da vida enquanto ânimo projetar-se na vida enquanto participação. Uma vida em silêncio é já uma vida morta, ausente da própria vida. A moça tinha o direito de morrer e, morrendo, resgatou a sua dignidade humana.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Senão, como vamos viver?Emanoel Barreto
Vamos, vamos, vamos.
Vamos continuar matando,
destruindo casas,
arruinando esperanças,
saqueando plantas,
trucidando gente.
Vamos e vamos bem depressa,
que ainda há muito o que matar.
Vamos tragar para a escuridão
qualquer réstia,
qualquer resto,
qualquer rastro de luz.
Afinal, é preciso fazer dinheiro.
Senão, como vamos viver?