sábado, 25 de julho de 2009

Os ladravazes...
Emanoel Barreto

Os ladravazes, ah!, os ladravazes.
Os ladravazes são imunes, pois
impunes são.

Os ladravazes, ah!, os ladravazes.
Como são gordos, perfumados, cobiçosos.
Veem o mundo com seus óculos de alegria.
E riem, como riem os ladravazes.

Ganham milhões, bilhões, os ladravazes.
Estão no Congresso, nas empresas, em toda parte.
Os ladravazes, ah!, os ladravazes...

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Trabalho de redação
Emanoel Barreto


A Liberdade lá vem, guiando o povo.
Muita gente morre no caminho.
Gente que até perdeu a roupa.
Porque esse homem nu em meio à guerra?

A Liberdade, essa louquinha, pensa que a vão deixar ficar.
Mas, não. Eles nunca deixam o livre exercer a Liberdade.
A Liberdade é apenas uma moça.
Que, de tão tola, esqueceu de usar o sutiã.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Ouça, mas, depois, lave as mãos
Emanoel Barreto

O magnífico texto de Mauro Santayana, no Jornal do Brasil, ensina: "Há uma frase de Disraeli, o poderoso e controvertido primeiro-ministro britânico, que deveria servir para a nossa meditação. O filho de judeus convertidos ao cristianismo atribuiu a grandeza da Inglaterra ao fato de que, naquele país, os homens de bem têm (ou tinham naquele tempo) tanta ousadia quanto os canalhas. Falta essa ousadia à maioria dos homens de bem no Brasil, além de informação mais honesta. Muitos dos que, hipocritamente, berram, no Senado e pela imprensa, suas virtudes, não podem ser considerados homens honrados: basta examinar a sua vida conhecida."
........

É verdade. A indiferença das mulheres e homens honrados evolui malignamente para silêncio militante a favor dos canalhas. A indiferença da nossa sociedade civil para com os movimentos felínicos de políticos, empresários e quejandos, quando em sua manifestação corrupta, permite que todos eles, em movimento sistemático, e até diria orquestral, se apoderem da coisa pública e dela façam uso.

Parece que a formação bacante de nossa sociedade migrou para a política, encontrando ali campo vasto, faustoso e debochado, que sacia fome e sede dos que tiram da boca dos desvalidos. Nada contra a adoração de Baco, a sensualidade liberta e refletida - não. Somos um povo tropical a dionisíaco.

Mas, a transformação do que é público em orgia, a transfiguração do que é sério em devassidão argentária, revela o lado inaceitável e perverso de um sistema político que se transformou em lodo.

E, nesse mundo viscoso, o Estadão online traz hoje novas gravações sobre os negócios da família Sarney. Se não ouviu, ouça. Não é gripe suína, mas, depois de ouvir, lave as mãos como recomendam os médicos.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Da gripe à família Sarney
Emanoel Barreto

A Folha diz, em suas coisas de jornal, que a gripe suína matou mais seis em São Paulo; no país, já são 22 os mortos. O Estadão online traz áudio de conversas da família Sarney, se lambuzando com o dinheiro público. Assim, pendulamos de uma ameaça natural aos crimes. Esses eminentemente sociais, decorrentes de cultura política que mistura o público com o privado e faz do público coisa de uso particular.

No caso da gripe, não vejo ações de governo que venham de alguma forma assegurar que o problema seja enfrentado. A rede pública hospitalar está aos frangalhos, do Oiapoque ao Chuí. Medicação existe. E porque o Tamiflu não está sendo distribuído? É tão difícil assim? Mais difícil é a sociedade suportar o temor e as mortes decorrentes dessa pandemia que o governo mobilizar recursos para atender às emergências sociais. Lembrando que dinheiro, e muito, vai ser esbanjado com a Copa do Mundo.

Mas, é isso: de tragédia em tragédia vamos convivendo com uma e com outra. E então, pronto: tudo se torna tão comum que passa a ser normal. E sendo normal é natural. E fica tudo por isso mesmo. Nada muda e os erros somente fazem crescer.

terça-feira, 21 de julho de 2009

São Jorge, o dragão e a lua
Emanoel Barreto

Pois é: ontem foram comemorados os 40 anos da chegada do homem à lua. Preferi deixar para hoje comentário sobre o assunto. E isso porque, ontem, não consegui falar com São Jorge que, como se sabe, mora na lua, juntamente com seu cavalo branco e o dragão. Hoje falei com ele.

Demonstrou preocupação: Jorge é um cavaleiro medieval. Assim, está paramentado com sua armadura, espada, lança e escudo para enfrentar o dragão. O problema é que, desde a chegada do homem à lua, firmou-se um acordo entre as forças do mal, que uma parcela dos seres humanos representamos, e o dragão.

Agora, em vez de lançar fogo pela boca, ele dispara tiros de alto poder mortífero. E, se a armadura de S. Jorge não fosse tão poderosamente resistente, ele já teria sucumbido. Disso pode ter certeza.

Contou-me que, durante o último confronto, avançou corajosamente contra o dragão, mas ele, que agora voa, atirou-se sobre o cavaleiro numa metralha infernal. Se S. Jorge não fosse tão magnífico ginete não teria sobrevivido. Em meio ao fogo conseguiu, com a lança, atingir uma asa do dragão, que refugiou-se numa furna para tratar dos ferimentos.

Sou amigo de S. Jorge há muitos anos. Acho que desde meus oito ou nove anos nos conhecemos. Já cavalgamos juntos e participamos de grandes batalhas. Espero que meu amigo consiga continuar lutando contra o dragão. Que já abriu filial na Terra e transformou o mundo no que hoje dele conhecemos - e, pior, vivemos.


segunda-feira, 20 de julho de 2009


Psiu! Ei! Venha ser jornalista...
Emanoel Barreto

A arte de fazer jornalismo - Curso desenvolvido em parceria com a Faculdade Cásper Líbero. Direcionado a estudantes de graduação ou portadores de diploma de nível superior (de qualquer área do conhecimento) que queiram exercer ou se aperfeiçoar na profissão. A grade apresenta profissionais cuja competência permitirá esclarecimento teórico e debate de questões que se manifestam diariamente em relação à prática jornalística. Para tanto, o curso compreende desde metodologia e técnicas de redação, até os critérios de edição e implicações éticas. De 3 a 31 de agosto às segundas e quintas-feiras, das 19h30 às 22h.
.....

O texto acima chegou-me, enviado por colegas do Forum Nacional dos Professores de Jornalismo. É incrível, mas o que esse cursinho promete é formar um jornalista em apenas um mês. Nem corte e costura formaria em período tão, digamos, mixuruca, profissional qualificado. Trata-se, ao que sei, da primeira manifestação perversa, em termos práticos, do fim da exigência de diploma para o exercício do jornalismo.

A decisão do Supremo, que institucionalizou essa decisão mais parece resolução de um colegiado de dementes, decidindo pela revogação da lei da gravidade. Isso é grave, muito grave. E torna-se, por isso mesmo, a nova lei da gravidade a ameaçar a formação de jornalistas no país.

Agora, uma pergunta: por que em vez de fazer esse cursinho da Cásper Líbero, o pretendende a jornalista não faz vestibular e se forma numa universidade? Por quê?

domingo, 19 de julho de 2009


O novo davi... é você
Emanoel Barreto

Não, não, jamais, não é possível.
Não há davis. Jamais, só os golias.
Eles são gordos, lerdos, possessivos.
Ganham espaços à medida em que engordam.

Eles são ricos, preguiçosos, ociosos.
Estão aqui, ali, em toda parte.
Ditam leis, decretos e toda a ordem.

E neles, quando então se quer mexer,
pesam tanto, e oprimem tão maestros,
que se tornam em si a própria lei.

E você, pequeno, magro e fraco,
sucumbe - é que se curva ao peso do poder.
Não é gente; é só pequeno estorvo.
Que depois eles vão só esmagar.

sábado, 18 de julho de 2009

A luta, sempre a luta...
Emanoel Barreto

O vice-presidente José Alencar vem "lutando contra um câncer", como costumam dizer as coisas de jornal no cotidiano da imprensa. A expressão, lugar comum, é, todavia, suficientemente forte para sugerir algo de heroísmo pela resistência e capacidade pessoal de enfrentar a doença; ou martírio, pelo fato mesmo de sentir-se alguém atingido por mal terrível e do qual não há como libertar-se.

Num caso e noutro a condição humana de limitação, perplexidade e impotência perante as adversidades que, às vezes, invisivelmente nos cercam. E a possibilidade de que qualquer um de nós, eu e você incluídos, podemos sucumbir frente aos desvãos, terrores e medos da vida. Antecipadamente, espero que não.

Mas Alencar vem demonstrando, pelo que dizem as coisas de jornal, grande capacidade de luta. Uma espécie de resignação corajosa e persistente: internação após internação, cirurgia após cirurgia. O corpo invadido por medicação poderosa e ao mesmo tempo cruel; bisturis e pinças cumprindo com seu dever de maltratar para salvar.

Conheci o vice-presidente. Entrevistei-o no Xeque-Mate, TV Universitária, com meus alunos de jornalismo. Ele era candidato ao cargo. Então, perguntei se estaria numa espécie de sociedade com Lula e o PT. Uma sociedade de capital e trabalho, já que ele integra forças conservadoras em inusitada aliança com um partido de trabalhadores. Uma incoerência. Ele, como fiador junto aos segmentos conservadores, de que não havia "perigo" de se votar em Lula, cuja trajetória história o colocava como defensor do socialismo.

Descontraído, bonachão, disse que não. Que Lula podia se garantir por si só. Que não seria preciso aval dele, como empresário, para o petista conseguir chegar à eleição com o voto da conservação. Foi uma bela, instigante entrevista. Fiquei dele com a melhor das impressões. Como pessoa e como político bem-intencionado.

Dias depois do programa, recebi telegrama em que Alencar se congratulava com a iniciativa de existir um laboratório como o Xeque-Mate, e estimulava, a mim e aos jovens estudantes de jornalismo, a continuar com a proposta.

Espero que consiga superar as dificuldades. Que viva...

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Não é só com um chazinho
Emanoel Barreto

Não é só chá vitamina "C" e cama: a gripe suína está começando a se espalhar e as coisas de jornal da grande imprensa já falam em 11 mortos. Mais que isso, informam que a doença assumiu sua condição de "sustentada", em que a vítima não viajou a outros países em que há epidemia, nem entrou em contato com gente infectada. Ou seja: o vírus já circula no país.

O preocupante é que nossos serviços de atendimento médico-hospitalar, postos de saúde e desasistência a quem não tem plano de saúde formam quadro que podemos chamar de dramático. Caso a gripe suína se torne situação alastrada um expressivo contingente populacional estará literalmente ao abandono.

A frágil situação organizacional do Estado brasileiro o leva a colocar-se como instituição que falha na prestação de serviço público. Vamos mal na educação, segurança e saúde. O Estado não chega aos que mais precisam, aos que mais dependem do bom funcionamento de sua estrutura organizacional em termos de assistência.

Talvez seja o caso de se remeter o problema aos céus, esperando que o sobrenatural faça o que as autoridades com certeza não poderão fazer.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O castelão e seu castelo
Emanoel Barreto

Leio no Estadão: BRASÍLIA - O Conselho de Ética da Câmara arquivou nesta quarta-feira, 15, por 9 votos a 3, o processo contra o deputado Edmar Moreira (Sem partido-MG), que ficou conhecido por ser dono de um castelo. O arquivamento foi proposto pelo terceiro relator do caso, deputado Sérgio Brito (PDT-BA). As informações são da Agência Câmara. O arquivamento foi votado após duas tentativas infrutíferas de punição ao deputado do castelo.
.........
Há tempo, muito tempo, li o seguinte: "O lar de um homem é o seu castelo." Não sei a autoria da frase. Mas fica sugerido que ali o cidadão não poderá ser desrespeitado. E o peso da mão do Estado sobre ele não poderá se abater, desde que o senhor do castelo que se chama lar nada tenha feito de socialmente recriminável.

Agora a citação assume forma corpórea: trata-se mesmo de um castelo, e o castelão, em vez de respeitável senhor, trata-se de um arrivista, um aproveitador, protegido pelos seus iguais. É mais uma demonstração do tipo de gente que compõe o Congresso Nacional, cujas duas Casas notabilizam-se pela mais rasteira e solerte ação de rapina.

Aves de mau agouro cívico, muitos deputados e senadores dedicam seu tempo e energia a procurar formas e métodos para se locupletar, às custas de mais sofrimento ao povo a quem deveriam bem representar.

Mas a representação ali ocorre no sentido teatral do termo: eles encenam o espetáculo político em plenário. Baixado o pano, acorrem presurosos em busca das trinta moedas de Judas, que jorram de cofres apodrecidos.
Vergonha
Emanoel Barreto

Apenas para você comparar: na Noruega o ministro da Saúde foi demitido porque telefonou a um hospital público pedindo que amigo seu fosse atendido de forma preferencial. Pegou o telefone e fez o pedido. Isso causou tamanha indignação nacional que a saída foi a sua demissão imediata. A imprensa abriu manchetes, a população se indignou. E esse ato, lá entendido como de corrupção inaceitável, valeu, talvez, o fim da vida pública do envolvido.

Aqui, o presidente do Senado, José Sarney, faz contorcionismos incríveis. Está sob fogo cerrado da imprensa, a opinião pública nacional está perplexa, mas sabemos todos: nada lhe acontecerá. No máximo, talvez seja levado a renunciar ao cargo como estão pedindo as vozes mais honoráveis da Casa, como o senador Pedro Simon, do alto dos seus 80 anos, mais, muito mais da metade deles dedicados ao público.

Em conversas, tenho ouvido: para que serve o Senado? Talvez a indagação esteja fora de enquadramento. Na verdade, a pergunta seria: para que servem certos senadores? A legislação deveria contemplar com rigor esse tipo de gente, permitindo sua cassação de forma certeira e rápida, quando da ocorrência de indignidades como as perpetradas por Sarney.

sábado, 11 de julho de 2009

Diploma sim. E já!
Emanoel Barreto

Está para ser encaminhada proposta de emenda constitucional que restabelece a obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão. A proposta é do deputado Paulo Pimenta (PT). No Senado, tramita proposta do senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE).

Na Câmara o documento teve o apoio de 191 parlamentares.
Do Rio Grande do Norte, apenas Sandra Rosado (PSB) e Fátima Bezerra (PT). As informações relativas aos deputados me foram passadas por colega, integrante, como eu, do Forum Nacional dos Professores de Jornalismo.

Omitiram-se, pelo menos até agora, os deputados Henrique Alves, Betinho Rosado, Fábio Faria, Felipe Maia, João Maia, Rogério Marinho. A decisão do Supremo com relação ao diploma está eivada de um primarismo que desqualifica a condição intelectual e humanística da Corte. Revela os juristas como incapazes de entender a diferenciação palmar entre informação e opinião, sendo a primeira ato de relatar o que ocorreu, e a segunda gesto de emitir ponto de vista.

No segundo caso estaria, aí sim, o direito à livre expressão de pensamento. Os ministros confundiram tudo. Explico: quando um repórter sai à rua, ele busca encontrar no mundo acontecimento importante ou interessante, seja na rua mesmo, seja no parlamento ou locais onde se dá o confronto de ideias.

A responsabilidade, ou o direito, de manifestar opinião a respeito, está vedada ao repórter pelas próprias empresas. Em jornal somente opina quem a empresa deseja que opine, percebe? Somente pessoal da confiança da direção do jornal tem o direito, dentro da empresa jornalística, de manifestar opinião: colunistas, editorialistas, articulistas. A notícia, por sua vez, é apenas relato, sem opinião, do jornalista que a redigiu.

Colunistas e editorialistas são contradados para isso. Articulistas nem sempre são jornalistas, mas podem ser contradados, em razão de notório saber relativo a assunto ou tema, para que sobre estes façam comentários. Acho legítimo, por exemplo, Delfim Netto expor sobre economia e política, ou a filósofa Marilena Chaui tratar de questões também envolvendo o contencioso social, só para ficar nesses exemplos.

Agora, determinar que, para o exercício do jornalismo, uma pessoa não precisa ter qualquer qualificação, já que não se lhe exige o diploma, é pelo menos uma demonstração de alguma forma de ignorância ou má-fé.

Espero e confio que a legislação seja mudada e que nós, jornalistas, tomemos nosso destino em nossas mãos e passemos agir como corporação a fim de assegurar, no final do processo, o jovem estudante saia da universidade qualificado para o exercício profissional.


sexta-feira, 10 de julho de 2009


Texto para uma foto estranha
Emanoel Barreto

Devia cantar, mas, antes, não fez nada.
Devia dizer, mas, depois, calou-se.
Deveria saltar?


quinta-feira, 9 de julho de 2009

quarta-feira, 8 de julho de 2009

O cansaço do pequeno brasil
Emanoel Barreto

O pequeno brasil cansou.
Se não de tudo, pelo menos de andar.
E depois, para aonde os passos o levarem,
chegará sempre e sempre a mais cansaço.


segunda-feira, 6 de julho de 2009

Confirmada existência de funcionários-fantasmas
Emanoel Barreto

A Folha informa: Único instrumento de fiscalização das contas bancárias mantidas em sigilo no Senado, a comissão interna formada por um senador e dez servidores é uma peça de ficção. O grupo, que não se reúne há pelo menos cinco anos, é integrado por funcionários que não mais pertencem aos quadros do Senado e até por um servidor morto em 2005. Trata-se de Celso Aparecido Rodrigues, diretor financeiro do Senado. Ele foi designado para o Conselho de Supervisão do SIS (Sistema Integrado de Saúde) em agosto de 2003. Morreu dois anos depois.
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Comprovado: funcionários-fantasmas existem. Eles andam à noite pelas salas, ântecâmaras, corredores e escaninhos do Poder. Participam, influem, opinam e decidem coisas relativas aos vivos. No Senado, sabia?, têm até livro de ponto e cumprem fielmente com o seu dever, ou seja: fazer nada. Coisa que já faziam, e muito bem, quando estavam vivos. E somente porque eram vivos, "muito vivos", que conseguiram, já mesmo em vida, ser funcionários-fantasmas.

O Senado é o cenáculo onde se espicham, se espojam e vicejam tipos os mais condenáveis, que achincalham, na esbórnia de suas vidas lodosas, o dinheiro que falta ao posto de saúde, à escolinha de bairro, aos mais pobres da nação.

PS: Se você digitar neste blog a palavra "zumbi" saberá como surgiram os funcionários-fantasmas e a incrível história do seu surgimento. É de arrepiar.

domingo, 5 de julho de 2009

Ó Deus, ele morreu...
Emanoel Barreto

Deu na Folha: Mais de um milhão de pessoas se registraram na internet para o sorteio das apenas 17.500 entradas que permitirão acesso ao funeral de Michael Jackson na próxima terça-feira (7), em Los Angeles, informou neste sábado (4) em comunicado a empresa porta-voz da família do cantor.
Um total de 1.223.978 pessoas tinham se inscrito na página do ginásio Staples Center, que receberá a cerimônia, até as 17h (hora em Brasília) deste sábado.
Na sexta-feira, a empresa AEG, responsável pela organização do funeral, assinalou que abriu o processo de registro a pessoas que não vivem nos Estados Unidos, uma modificação ao anúncio realizado na manhã de quinta em Los Angeles.
Os que quiserem assistir ao memorial terão a sua disposição 11 mil entradas para o Staples Center e outras 6.500 para o teatro Nokia, a poucos metros do ginásio, onde a cerimônia será transmitida.
O funeral do rei do pop será transmitido para todo o mundo.

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A orgia midiática em torno da morte do cantor bem merece um estudo acadêmico. Há algo de profundamente histérico nesse concerto de insanidade. Histeria social pré-fabricada a partir e em torno da indústria de discos e da TV. Jackcon, um ídolo pop, um produto dessa indústria, conseguiu como que fazer a catarse da nossa idade, a idade da loucura administrada com fins de lucro.

É lamentável a sua morte, como assim também o é a morte dos que nos são próximos e nos deixarão saudades e até mesmo um dor pungente. A primeira morte, a morte do anônimo, causa a devastação amorosa dos que o querem bem. Vem o luto e a sua necessária superação. Não é o caso do saltitante artista.

A partir dela, o sistema de lucro da indústria cultural vai estabelecer seu esquema de ação: virão discos com músicas inéditas, CDs com últimas imagens, imagens raras de Jackson falando com amigos, Jackson andando, Jackson pensando, Jackcon isso, Jackson aquilo, Jackson aquilo outro...

Tudo uma manipulação até mesmo macabra, explorando até à última gota a vida de um ser humano que viveu disso e para isso: escândalos, frivolidades, bizarrices. Ah.!, dirão, mas era um artista, um ser sensível, pleno de virtudes, complexidades, problemas que somente a sua poética idissoncrática poderia fazer e se auto-compreender.

Pode até ser, mas, menos. Por favor, menos. Por trás de tudo estava o dinheiro, a narcísica e doentia necessidade da fama, o peter pan que gostava de meninos. Michael Jackson sim. Mas, por favor, menos...






sexta-feira, 3 de julho de 2009

Não há remorso
Emanoel Barreto

Não, não, não há remorso.
No vilão, no cínico, no trapaceiro.
Ele está sempre por perto, rondando os locais de oportunidade.
Audacioso e nato conspirador, atira-se sempre a maquinar intentos, levar vantagem, descobrir vítimas, fraudar a vida e viver às custas.
Não, não, não há remorso. O ladravaz terá sempre em sua mira aquele que se presta a ser roubado.


quinta-feira, 2 de julho de 2009

Vamos viajar
Emanoel Barreto

Vamos viajar, seguir do cais ao mar aberto.
E mesmo não sendo certo um porto de chegada,
pois é vão nosso saber insano, é preciso partir
a cada hora e chegar a sempre novos mares.



terça-feira, 30 de junho de 2009

O diabo no Senado
Emanoel Barreto

Amigos meus, versados em altos estudos, magia e grandes mistérios, acudiram a um e-mail que lhes enviei. Indagava eu a respeito da degradação moral dos senadores e seus cupinchas. Dizia estar perplexo e indignado com a fúria com que a sujeira explode dos esgotos senatoriais. Queria saber o motivo. Eles, após intensos e profundos estudos, depois de consultas as mais instigantes, cumpridos herméticos e antiquíssimos rituais, enviaram-me a seguinte mensagem:

"Barreto,

Vossas perguntas têm fundamentos que vão além do matafísico. Entendei o seguinte: os atos agora descobertos - e muitos outros virão - resultam de fenômeno jamais visto por nossos iniciados. Após lucubrarmos com grande labor, descobrimos que trata-se de coisa do Cão. Eis o que se passou nas profundas do Hades: um grupo de rezadores invadiu o inferno e começou a exorcizar todos os capetas. Os diabos entraram em pânico. Como não podiam mais ficar em suas instalações habituais, fizeram o quê? Partiram para a Terra.

"E o Senado, vale dizer, o Congresso Nacional, seria o melhor local para seu acolhimento. Chegaram a se deram bem. Assumiram postos elevados. Tornaram-se assessores, ou melhor, comparsas e ganharam muito dinheiro. Agora mesmo estão mantendo negociações com senadores. Objetivo? Garantir aos eleitores que, quem votar neles, irá para o Céu quando morrer. Claro que o pobre irá para o inferno, já que os demos estão criando um inferno novinho em folha, onde ficarão escondidos e lá receberão as novas e tolas almas.

"E os senadores, reeleitos, voltarão às patranhas, maracutaias e safadagens. Só que esquecem o seguinte: como estão negociando com diabos, com eles terão de se haver depois de passar para o outro lado...

"Cordiais Saudações,

Círculo Iniciático de Estudos Herméticos"

sábado, 27 de junho de 2009

Foto: Alize Freudenthal
Pátria amada
Emanoel Barreto

A Pátria é a mãe, o seio amado.
Aqui, de antemão o peito é morto.
E sabe-se lá quem lhe dá ao seio
a serpente que um dia a matará.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A morte de Michael Jackson
Emanoel Barreto

Vou contra a maré e sei disso: a morte de Michael Jackson mereceu destaque excessivo das coisas de jornal. Refiro-me a destaque de primeira página. Pelo tipo de pessoa que era, ou seja artista voltado para comportamentos escandalosos, sempre em busca de autopromoção, a TV seria o veículo típico para repercussão deste teor. O jornalismo impresso, mesmo devendo registrar o fato, que tem seu valor noticioso, deveria estar voltado para questões de maior essencialidade, como política e problemas sociais.

Isso demonstra o quando o formato televisivo contaminou o fazer do impresso, impregando-o com seus valores e enquadramentos. Parto de uma questão que sempre me faço se sou encarregado de determinar uma pauta aos repórteres: até que ponto esse notícia influirá na vida das pessoas? Qual o seu potencial de mudança socialmente positiva ? No caso de Jackson, nada.

Claro é de de lamentar a morte de alguém ainda jovem; claro que foi um artista importante. Mas, daí a ocupar radicalmente o lugar de uma manchete voltada para o social, vai uma larga distância. Que ele, depois de tudo o que fez e do que foi acusado, descanse em paz.

quinta-feira, 25 de junho de 2009






A resistência dos maus
Emanoel Barreto


O Estadão diz: Alvo de investigação da Polícia Federal, o esquema do crédito consignado no Senado inclui entre seus operadores José Adriano Cordeiro Sarney - neto do presidente da Casa, o senador José Sarney (PMDB-AP). De 2007 até hoje, a Sarcris Consultoria, Serviços e Participações Ltda, empresa de José Adriano, recebeu autorização de seis bancos para intermediar a concessão de empréstimos aos servidores com desconto na folha de pagamento. Ao Estado, o neto de Sarney disse que seu "carro-chefe" no Senado é o banco HSBC. Indagado sobre o faturamento anual da empresa, ele resistiu a dar a informação, mas depois, lacônico, afirmou: "Menos de R$ 5 milhões."
...
Impressiona-me ao nível da perplexidade como o poder nas mãos dos corruptos chega a pontos tão elevados. O velho soba Sarney pai é uma espécie de ente tentaculado, a espalhar suas más influências de tal forma que torna a coisa pública algo privado.
Resiste com inenarrável capacidade a todas as pressões, oculta-se, move-se, age, dribla acusações e agora diz: está sendo alvo de campanha midiática que visa sua destituição do cargo de presidente da Casa.

Sarney é apenas um ator político, apenas a parte do iceberg que avulta no mar de lama em que flutua o Senado. A Casa é corrupta medularmente. Sarney e seus iguais, que são muitos, representam o que há de pior da cena política brasileira. E ao que parece, isso não vai mudar tão cedo.


terça-feira, 23 de junho de 2009

...e aí, em Mossoró ficou todo mundo com cara de otário...
Emanoel Barreto

Vi estarrecido, no YouTube, a presença de dois atores do Pânico na TV exopondo ao ridículo a cidade de Mossoró. O pior é que foram pagos pela Prefeitura para "fazer a divulgação" do evento Mossoró Cidade Junina. Fizeram e fizeram bem feito: a cidade foi escrachada como sendo o "inferno", "ovo podre" e distante da "civilização".

Caracterizados como o presidente Lula e como Cristian Pior (referência a Cristian Dior), deram um espetáculo de grosseria e brutalização dos valores de um povo. O ator que representava Lula desfazia e degradava qualquer pessoa com quem falasse. Cristian Pior, uma figura ridícula e efeminada, perpetrava cenas degradantes, ofendia as pessoas, agredia a dignidade de quem caísse sob as lentes de sua produção.

Acho que caberia à Prefeitura alguma atitude. Afinal, os atores agiram de má-fé e desprezaram qualquer resquício de ética. Suponho que algum advogado encontrará em seu comportamento alguma tipificação criminal que os faça receber punição.
Quanto à Prefeitura, pagou caro pela humilhação que ela própria mandou chamar.


segunda-feira, 22 de junho de 2009

O Senado vomita
Emanoel Barreto

O senador Cristovam Buarque propôs há pouco que o presidente do Senado, José Sarney, se licencie do cargo por cerca de 60 dias, a fim de que as investigações a respeito dos atos secretos administrados pelo diretor da Casa, Agaciel Maia, sejam apurados. Buarque afirma que a "velocidade de Sarney" não coincide com a "velocidade da opinião pública", que exige medidas drásticas no enfrentamento da crise moral, mais uma, que brota nos pântanos da Casa.

Ao que parece, começa a ficar insustentável a posição de Sarney. Para amanhã, está previsto pronunciamento do senador Eduardo Suplicy, também relativo ao assunto. Está na hora, está bem na hora, de que aquela Casa comece a entender-se como Legislativo, em vez de ambiente espúrio, cheio de tramas e tenebrosas transações.

Alguém precisa ser punido. Há corrupção demais ali. Perdoe-me talvez pela grosseria, mas o vômito que jorra do Senado precisa ser tratado com remédio amargo.

sábado, 20 de junho de 2009



Mesmo que nada mude
Emanoel Barreto

Veja o que o Estadão publicou: O Congresso abriga mais um exemplo ilustrativo do uso de dinheiro público para bancar despesas privadas da família do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). O mordomo da casa de sua filha, Roseana Sarney, ex-senadora e atual governadora do Maranhão, é um servidor pago pelo Senado. Amaury de Jesus Machado, de 51 anos, conhecido como "Secreta", é funcionário efetivo da instituição. Ganha, com gratificações, em torno de R$ 12 mil. Deveria trabalhar no Congresso, mas de 2003 para cá dá expediente a sete quilômetros dali, na residência que Roseana mantém no Lago Sul de Brasília.
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A família Sarney é um dos exemplos mais claros, fortes e elucidativos do tipo de político que se abriga no público para satisfazer seus, digamos, instintos privados. Sinuoso, ardiloso, o soba da família vem há muitos anos nutrido - e bem nutrido - pelo dinheiro público.

As coisas de jornal da grande imprensa vêm desmontando ou pelo menos desmascarando as tramas e tramoias do Congresso, especialmente no Senado, onde se acolchoam, se espicham e se espojam espécimes os mais lamentáveis da vida pública nacional.

Agora, entra em cena o tal "Secreta", que ganha do povo para atender a seu patroado. Os jornais devem continuar a investigar e a publicar os atos do Senado. Têm a obrigação de prestar esse serviço ao público, para o bem social. Mesmo que nada mude, mesmo que tudo permaneça.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Ei! Quer ser jornalista?
Emanoel Barreto

O Supremo Tribunal Federal determinou o fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo. A alegação formal foi a defesa da liberdade de expressão. Digo formal porque a verdade está oculta: trata-se unicamente de atender aos interesses dos donos de jornais, TVs e emissoras de rádio, que exigem ter um exército de reserva.

A decisão terá profundas repercussões. As empresas poderão instituir cursinhos rápidos e "formar" jornalistas que irão se guiar unicamente pelos seus ditames. Gente sem formação humanista, que o curso superior prepara. Gente sem qualificação teórica, gente que vai querer apenas estar empregada.

Como professor e como jornalista somente tenho a lamentar. Já vai longe o tempo em que o jornalista nascia na Redação. Tempo em que não havia os cursos superiores. Foi, na verdade, a vitória da mentalidade utilitarista e usufrutuária do trabalhador de jornal. Foi, na verdade, um golpe na representatividade de toda uma categoria.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Jornalismo e espetáculo
Emanoel Barreto

A Rede Record cumpre projeto de longo curso para se contrapor à Globo. A jornalista Mylena Ciribelli estreia programa esportivo em mais algumas semanas e Gugu Liberato também está nos planos da empresa do bispo Macedo. Além deles, a Record tentou atrair Faustão e Luciano Huck. Sim, sem esquecer Ana Paula Padrão, que logo logo estará por lá.

O que se percebe é uma bifurcação perigosa: por um lado, a busca de gente para apresentar progamas de baixíssima qualidade de conteúdo, salvo, se tanto, o apenas bem intencionado "Soletrando", imitação de coisa que já se faz nos Estados Unidos há décadas.

Por outro aspecto, jornalistas elevados à condição de estrelas, o que de plano retira a esse jornalismo dado essencial: seriedade. Jornalistas não deveriam funcionar como se fossem atores, mas cumprir com a responsabilidade de informar com precisão e credibilidade e opinar, se for o caso.

A informação ou opinião não ganham maior importância como decorrência do estrelismo, mas tendo como origem a importância do fato noticiado. A notoriedade de repórteres, isso é admissível, advém de sua exposição seja em rádio, jornal ou TV. É claro que torna-se impossível alguém não se tornar famoso. É decorrência lógica e clara. Mas, daí a um profissional assumir a condição que seria típica de atores, cantores ou outros profissionais do palco, há uma grande distância.

O jornalismo vira espetáculo e, como todo espetáculo, há algo de teatral. Isso não combina com boa informação.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Não, não. A culpa não é dele...
Emanoel Barreto

As coisas de jornal do país inteiro constatam: temos um Senado secreto. Ou pelo menos um Senado com segredos. E todos voltados para a ocultação de atos indignos de uso da coisa pública em benefício privado: promoções indevidas, pagamento de horas extras não cumpridas, cargos criados para beneficiar nepotes, privilégios, bonanças imorais.

O presidente da Casa, José Sarney, ocupou a tribuna para defender-se e dizer que a culpa não é dele, é do Senado. Ou seja: a instituição é viciosa, perdulária. É fruto de nossa cultura política desmazelada e ávida pelos prazeres escuros do Poder.

Com isso admite que trata-se de situação posta de tal maneira que não há como ser reconvertida em plano melhor. Afirma-se como participante de instituição indecente, que exibe sua imoralidade como troféu apodrecido.

Tristes tempos. Triste povo. Oremos.



segunda-feira, 15 de junho de 2009

Na foto da AP, Mir lidera protesto
No país dos aiatolás
Emanoel Barreto

Supostas fraudes na eleição presidencial do Irã estão mobilizando França, Alemanha e Reino Unido, que cobram investigação a respeito da reeleição surpreendente de Mahmoud Ahmadinejad com a expressiva votação de 63% dos 25 milhões de votos aos candidatos. A comunidade internacional estranha, exatamente, o número, considerado expressivo demais, não retratando a realidade da campanha, que permitia suposição de vitória do seu principal adversário, Mir Hossein Mousavi

A reação internacional ocorre em boa hora. O Irã é uma teocracia republicana. Assim, os ditames religiosos imperam como leis gerais, para tratarmos a coisa de forma simplificada. Lá, o presidente não é o chefe supremo das forças armadas, como acontece no Ocidente. Isso é coisa que fica adstrita ao ailtolá Khamanei, sucessor do trevoso aiatolá Khomeini.

Além disso, o presidente eleito, para assumir, tem que passar pelo crivo do Conselho de Guardiães. Se não for aceito, ganha mas não leva. A eleição do reformista Mir Hossein Mousavi seria sem dúvida um avanço e poderia significar mudança no relacionamento do Irã, que está a exigir alterações para melhor no relacionamento dos antigos persas com a sociedade civil internacional.

domingo, 14 de junho de 2009

Voltarei a atualizar o blog nesta segunda.
Emanoel Barreto

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Os robos? Os robôs somos nós
Emanoel Barreto

Diz a Folha: Esta sexta-feira (12) é emblemática para o mercado de TV nos Estados Unidos: redes do país vão desligar a transmissão do sinal analógico e passar a usar apenas o digital. O problema é que 2,8 milhões de domicílios americanos --2,5% do mercado-- ainda estão completamente despreparados para o processo.
Isso é preocupante porque os proprietários de televisores analógicos não poderão ver TV, a menos que assinem serviços de TV digital por cabo, substituam seu televisor por um modelo com "set-top box" (necessário para receber o novo sinal) embutido ou adquiram um conversor.

No Brasil, medida semelhante está marcada para 2016, segundo o cronograma oficial, mas o governo já falou em adiar a medida. Quando o sistema analógico for desligado, para assistir à televisão, será preciso comprar pelo menos o conversor.
.....

Vivemos um mundo onde o sistema eletrônico de comunicação assume mais e mais centralidade. TV e internet tornaram-se condição essencial à existência das sociedades. Já imaginou um mundo sem os dois? A violência desse choque revolucionaria à ré nossa realidade. Desmantelaria por completo o sistema de vida do planeta, que teria de voltar ao telégrafo, ao rádio e ao jornal impresso como únicos meios de comunicação interpessoal ou de massa, sem esquecer a telefonia.

É óbvio que jornal e rádio ganhariam impulso e rafariam sua importância como nunca, suprindo-nos de informação e lazer. Mas a ausência da TV e da internet nos daria uma sensação de vazio, pois tornamo-nos seres televisivos e, mais e mais, internéticos. Ou seja: como dizia McLuhan nos anos 1960, o meio transformou-se na mensagem.

Agora, com a iminência do fim da TV analógica, estamos ao limiar de um novo tempo, para o bem ou para o mal. Isso significa dizer que teremos a modernidade de um aparelhamento televisivo sofisticado. Mas implica também o crescimento de poder das corporações setoriais, que mais e mais obtêm domínio e direção, influindo, não há dúvida, nas decisões de sociedade civil pela massificação de suas mensagens, que mais tratam de um mundo paralelo que da vida real.

Estamos nos encaminhando a passos largos para uma sociedade planetarizada, onde informação e entretenimento, que os acadêmicos chamam de infotainment, formam uma realidade que transita do real para a fantasia e não há delimitação mais explícita. Isso termina tendo um forte peso político, pois obscurece o anúncio de fatos de importância para tratar de realidade mais doce e, portanto, fantasista e aliciante.

Certamente você já ouviu alguém dizer: "Não suporto mais ver o noticiário da televisão. Só tem coisa ruim." Não deixa de ser verdade. Mas é aí, perigosamente, que entra o infotainment para dopar o telespectador. A novela é o exemplo mais antigo. De alguma forma isso também ocorre na internet, onde você tende a buscar o YouTube ou o MSN.






quinta-feira, 11 de junho de 2009


Pandemia e pandemônio
Emanoel Barreto

O pandemônio, dizem sábios que vivem no Himalaia, é o pandeiro do demônio. Com ele o capeta faz balançar a economia do mundo e ajuda a loucos como o ditador da Coreia do Norte a se armar com bombas nucleares. Claro, o pandemônio também fuzila seus ritmos quando os Estados Unidos cumprem idênticos propósitos.

E a pandemia? Dizem os mesmos sábios que pandemia é o pandeiro da agonia. Ele é tocado, por exemplo, por larga margem dos integrantes do congresso nacional, que, diga-se de passagem, não perdem nem para o pessoal da bateria da Mangueira.

Enquanto isso, pandeiro por pandeiro, ficamos nós, reles mortais, às voltas com tanta musicalidade infernal. Depois, quando não gostamos, eles nos dizem: "Vá reclamar ao bispo."
No fim, ficamos mesmo na cuíca. Pandeiro toca. Mas cuíca, chora...


quarta-feira, 10 de junho de 2009


A foto é de campanha publicitária da Benetton
Pureza insolente
Emanoel Barreto

O amor pode devassar, sem ser devasso,
as várias visões do conceito - regra, norma, império.
E se devassa os recônditos, se chega os arrabaldes mais distantes da ordem, essa quimera, pode fazer feliz quem o quer ser.

A pureza insolente, petulante,
está no gesto de quem não teme
nem pede para ser compreendido.

O homem, a mulher, o amor,
são três seres.
Que, como Deus,
formam uma única e só pessoa.


terça-feira, 9 de junho de 2009

A viagem
Emanoel Barreto

O vinho, o chapeu, a viagem.
A vinha, quem vinha, viu.
E, depois do que veio fazer
Virou o leme da vida
para a o próxima viagem.

domingo, 7 de junho de 2009


Homens de malíssima índole
Emanoel Barreto

A respeito da palavra "perverso" ensina o Aurélio: "Adjetivo. Que tem malíssima índole; muito mau; malvado."
O texto da jornalista Sabrina Lorenzi, do Jornal do Brasil, coloca as coisas em exemplo prático:

RIO DE JANEIRO - A viúva Geralda das Graças Milagres recorreu aos sobrenomes para enfrentar a demissão dos três filhos de uma só vez. A fé em Deus e em dias melhores tem sido o conforto da aposentada nos últimos cinco meses, depois que a Perdigão desativou a produção de laticínios de uma fábrica da Cotochés – adquirida pela empresa no ano passado. O drama da matriarca, que abriga na mesma casa filhos, noras e netos, se repete em cada 10 famílias de Rio Casca, localizada a 250 quilômetros de Belo Horizonte.

O fechamento de fábricas que competem entre si, bem como sinergias no sistema de distribuição e de gestão da Sadia e da Perdigão podem eliminar 10 mil postos de trabalho diretos e 20 mil indiretos, de acordo com mapeamento que será divulgado nesta semana pela Confederação Nacional de Trabalhadores na Indústria de Alimentos (CNTA).

Procuradas, Sadia e Perdigão não comentam planos futuros, pois estão em período de silêncio. Mas lembram que os donos das empresas, quando anunciaram a Brasil Foods, descartaram que haverá demissões. É esperar para ver quem diz a verdade.

... Como os donos da empresa, também não vou comentar. Apenas compreendo: tais seres humanos têm malíssima índole e, a meu juízo, são extremamente perigosos.

sábado, 6 de junho de 2009

Voltarei a atualizar o blog neste domingo.
Emanoel Barreto

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Espelho, espelho meu...
Emanoel Barreto

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu, dizia Chico Buarque.

Se estás no cansaço assentado.
Se te para o coração um só instante.

E se o blog é espelho de repente.
E te olhas no espelho e te vês.

Ainda terias coragem, como a Bruxa,
De dizer "espelho, espelho meu?"


quinta-feira, 4 de junho de 2009

A esmola de um pão no sinal de trânsito
Emanoel Barreto

O noticiário internacional das coisas de jornal relembra os 20 anos do massacre na Praça da Paz Celestiam, Pequim. O flagrante, de autoria de Jeff Widener, repórter fotográfico da Associated Press, registra o momento em que um jovem colocou-se à frente dos tanques e impediu o seu avanço. É um dos registros jornalísticos mais fortes, dramáticos e pulsantes. Metáfora perfeita da democracia como ideal ético, em oposição à brutalidade de uma ditadura. A fragilidade humana enfrentando o descomunal poderio de um sistema de poder alucinado por suas próprias pregações.



O homem jamais foi identificado. Lembro-me bem do episódio, divulgado mundialmente pela TV. Aquele homem, minúsculo, detendo, com sua determinação, o avanço de uma máquina dirigida por uma mente de psicopata. Quando o tanque era manobrado para a esquerda, tentando passar, ele seguia na mesma direção. Virando-se em sentido contrário, o ativista fazia o mesmo.

Percebia-se algo inusitado: a fera de ferro sendo dobrada pela força de vontade de alguém desarmado, mas dotado de coragem incomum. Sem dúvida, movido por algo a que chamamos dignidade, desprendimento, arrojo. Não digo martírio porque entendo o mártir como alguém que se deixa abater. No fundo, há algo de covardia no martírio passivo.

No caso, se foi martírio, foi o martírio do forte. Valeu como um grito. Mais que isso, um brado, resistência. Jamais se deve compactuar com ditaduras. Nem mesmo com a ditadura do neoliberalismo que, sob o manto do seu discurso falsamente democrático, nos tem a todos presos em sua realidade tentacular e sufocante. Há democracia quando alguém esmola um pão em sinal de trânsito? Não, é a minha resposta. Não, deve ser a sua resposta também. Posso contar com isso?