quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O Poço
Pablo Neruda

Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.

Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?

Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.

Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.
Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.

Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.

Forbidden Images (higher resolution)

Xuxa vaiada no Chile em fevereiro de 2000. Público trocou o refrão ô-ô-ô, da composição Ilariê, por expressão chula. Encontrei o vídeo e compartilho

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Twiggy
http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://unitmagazine.com/blog/wp-content/uploads/2009/11
Do Jornal da Tarde:

Silvio Santos aprova novela que fala na ditadura de 64: "Amor e revolução"

Aline Nunes

O autor Tiago Santiago enviou um e-mail a a Silvio Santos explicando que gostaria de levar ao ar ‘Amor e Revolução’, uma trama ambientada na época da Ditadura do Brasil (1964 a 1985). Dez dias depois, Silvio respondeu com um ‘sim.’ Desde então, há 7 meses, Tiago tem estudado o tema. Até agora, já leu 30 livros e escreveu 22 capítulos. A novela, orçada em 30 milhões, terá 180 capítulos e estreia em março. 
http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http:  

Mas não é só Tiago Santiago que irá se aprofundar no assunto Ditadura Militar do Brasil. O elenco, nos dias 3 e 4 de janeiro, irá fazer um workshop, nos estúdios do SBT, com convidados como Luiz Carlos Prestes Filho, Fernando Gabeira, Antonio Carlos Fon e Rose Nogueira – que sobreviveram aos anos de chumbo. O novelista e o diretor Reynaldo Boury também participará da discussão. 

E ao contrário das novelas anteriores do SBT, que entravam no ar totalmente gravadas, ‘Amor e Revolução’ será feita gradualmente. Além dos estúdios do SBT, a produção terá externas na Rua Maria Antônia, para mostrar o duelo entre as universidades Mackenzie e USP na época, e cenas na Pinacoteca
e no antigo prédio do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS).

Uma marca que deu certo num país que vem dando certo


As armas da República (ao lado) são o símbolo oficial do Brasil, representam seu estatuto de Estado e definem, segundo as normas da heráldica, a personalidade visual do ente nação, sugerindo, a partir daí, a entidade pátria, sentido de pertença, liame cultural fincado na evocação de passado arcaico e heroico, território que alumbra e enternece; lendas, sonhos e grandeza.

Todavia, a simbologia heráldica, sisuda, nada tem do poder atrativo e sedutor de símbolos e ícones encontrados nas peças publicitário-propagandísticas, formuladas segundo estritos cânones comunicacionais de poderoso apelo emotivo. 

As armas da República são institucionais e pétreas; representam o país e a pátria como poder. Sua mensagem é reverencial, quase castrense. Inisinua, portanto, situação assimétrica  entre o estatuído e a cidadania que se rege segundo leis. Resumindo, Estado, país, pátria, nação ali representados devem ser respeitados. 

Por sua vez, a publicidade visual é apelo com charme, magnetismo e cordialidade social que supostamente desarticula a assimetria entre povo e Poder. As armas republicanas são um conjunto sígnico que tem como dado essencial a ordem, o establishment civil, enquanto a publicidade se encaminha à condição de marca e aí contém mensagem de convencimento agregador superpondo-se à noção de Poder contido na formulação heráldica.


O governo Lula foi, possivelmente, o que melhor produziu uma marca. Suficientemente sólida e massificada, legitimou-se como verdadeiro símbolo nacional. Sua formulação é tão perfeita que sugere um grafitti pintado às pressas num muro, um certo traço ingênuo mas produto de estudos de formas e cores que remetem ao imaginário nacional, o que lhe confere credibilidade como se fora autêntica.


Sem querer buscar argumentações teóricas mais aprofundadas, que não seriam cabíveis num texto jornalístico, valho-me de uma citação da Wikipedia a respeito do grafitti para esclarecer minhas observações: Grafite ou grafito (do italiano graffiti, plural de graffito) é o nome dado às inscrições feitas em paredes, desde o Império Romano. Considera-se grafite uma inscrição caligrafada ou um desenho pintado ou gravado sobre um suporte que não é normalmente previsto para esta finalidade.Por muito tempo visto como um assunto irrelevante ou mera contravenção, atualmente o grafite já é considerado como forma de expressão incluída no âmbito das artes visuais, [1] mais especificamente, da street art ou arte urbana - em que o artista aproveita os espaços públicos, criando uma linguagem intencional para interferir na cidade.

Foi isso mesmo o pretendido com a criação da marca do governo Lula: dar a impressão de coisa criada pelo povo com o intuito de, representando o Brasil, ser também ele, povo, igualmente representado. Isso cria um processo de empatia com o olhar brasileiro, tal a competência com que foi criada a marca.

Observe a escritura das letras, suas cores, a formulação ingênua da bandeira nacional na letra "A", idêntica a qualquer uma encontrada em paredes ou muros de qualquer parte do Brasil profundo. Esta é uma marca que deu certo. Se o marketing de Dilma for esperto, deverá conservá-la. Afinal, é marca também de um país que, nos últimos oito anos, vem dando certo. 

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Não sei porquê, mas esses jornais japoneses me parecem meio confusos...
Vamos passear no Bosque?

Ao caminhar hoje à tarde no Bosque dos Namorados quase fui atropelado por carro dirigido por funcionária que lá trabalha. Tomado de surpresa não anotei a placa, mas comuniquei o fato a um soldado que se postava ao lado do grande portão por onde saiu a criatura em seu veículo. Isso ocorreu cerca de 16h40. 

Perguntei e o soldado confirmou que o carro era de funcionária do parque. Dois homens que conversavam com o militar, integrante do batalhão que cuida da preservação do local, ouvindo meu relato disseram: "A gente tava agora mesmo conversando sobre isso", o perigo de atropelamento de pessoas em área que é frequentada por público que vai de crianças a idosos.

A questão é que ali existe estacionamento para carros de servidores do parque, o que propicia, com essa circulação, a possibilidade de acidentes.

Tudo se passou assim: caminhando sem pressa ouvi, inesperadamente e já bem próximo a mim, o ruído de um motor. A mulher que dirigia o automóvel não buzinou nem fez qualquer outra tentativa de chamar a minha atenção.  Os "cuidados" da dita, em área tão frequentada, foram os seguintes: manter o carro a baixa velocidade, seguindo decididamente adiante, com os piscadores ligados. Como não costumo andar com retrovisores, não pude notar a sua presença. Quando percebi, o automóvel estava perigosamente próximo e fui obrigado a dar pequeno salto a fim de não ser atingido. 

Ela sequer olhou para mim e continuou. Alguma autoridade precisa proibir que os funcionários, incluindo os policiais, entrem ali com seus automóveis. Seria aceitável, no máximo, a circulação cuidadosa das viaturas do batalhão.

Do contrário, vai ser sempre perigoso passear no Bosque. Seu Lobo pode vir a qualquer momento.

SHINING scene at the bar - Cena antológica.

o iluminado stephen kind dublado 1980 -

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Pablo Picasso
Imagem: http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://static.blogo.it/travelblog/picasso
Secretos e veneráveis estudos sobre o Homus Corruptus

Um amigo, alquimista, filósofo e metafísico, envia-me rascunho de obra que escreve há pelo menos dez anos, onde estuda uma espécie humana que habita o nosso meio há centenas de milhares de anos, nada tem de diverso fisicamente do comum dos mortais, mas cujo comportamento configura sim, garante-me, seu estatuto de espécie,merecedora portanto de estudos pertinazes, pertinentes e acurados. Eis o que se lê:


Caro amigo,
Solene par,

Freakingnews.com
É do vosso conhecimento que há muit'anos tenho destinado meu tempo e minha vida a ingentes esforços voltados ao estudo de espécie humana que a nosso meio habita e cujos procedimentos somente mal têm causado, sem que seja possível expungi-la do social; seja por extermínio puro e simples, o que configuraria genocídio, seja pelo peso da mão do Estado, uma vez que tais seres encontram-se àquele adstritos e sabem como ninguém manipular leis e tratados, juízos e sentenças.
Dedico-me, meu caro, ao estudo do Homus Corruptus, essa perigosa e furtiva espécie humana, trânsfuga da honradez, serva do que seja hediondo, filha primaz da exploração e do escárnio. Assomam o poder e fazem dos demais seus servos e sofredores como se animais de coleira fossem.
Para o desenvolvimento dos meus enérgicos estudos assumi atitude de anacoreta, pois que do mundo preciso me afastar a fim de que não se me perturbem os pensamentos científicos ou sejam afetadas as minhas faculdades que, caso contrário, poderiam acorrer ao chamamento da noite e suas refregas de delícias.

Para tanto, adquri vetusto castelo em paragens distantes desta Terra Brasilis e nele acomodei meu interesse, meu tirocínio e minha decisão de analisar tal criatura. Cerrei as portas de minha cidadela, enchi de água profunda o fosso protetor da fortaleza, assuvi a ponte levadiça e estudo à luz de velas apostas em candelabros que têm algo de monumentalidade, tal o seu tamanho e capacidade lucente. E assim, retirado e preso à mais austera sobriedade, dou-me a meus estudos. O ambiente severo me acicata o trabalho penoso de pensar em tais barbaridades manifestas em humana forma.

Devo dizer que o Homus Corruptus é criatura antiga, surgida em tempos que a escuridão do passado de há muito esconde. Tomei como marco zero, como como figura preliminar e primeva, a pessoa lamentável de Caim, que corrompeu a fraternidade em ganância, aproveitou-se do irmão e o matou. Começou aí, creio eu, mas ainda sem certeza, que meus escrutínios ainda desvenderão, a existência do Homus Corruptos. 
Seus exemplos, os de Caim, foram e são seguidos; a evolução fez espalhar-se em todas as atividades humanas tão impróprios proceimentos. Detalho que tais atos malissimos podem ser encontrados, em especial, nos serviços do Estado desde suas mais essenciais e básicas formulações. Destarte, após Caim, cito outro ser corrupto, esse já então integrado à corrupção na forma como hoje a conhecemos. 
Refiro a indivíduo, coletor de impostos na Roma dos Césares, que se assinava Lucius Rufus Publius Plinius Apius. Para facilitar suas ações e não perder tempo com a assinatura dessse quase quilométrico onomástico, tantos eram seus atos abomináveis na manipulação do dinheiro so Estado passou a firmar-se Larapius, cuja latinidade deu origem ao tão conhecido larápio.

 Hoje, o Homus Corruptus, a exemplo de Larapius, veste-se bem, tem em sua maioria elegância nos gestos e falar fácil. Têm, não se engane, inteligência prodigiosa para tudo o que seja fraudar, descaminhar, falsificar, lesar e lidibriar; bem como espoliar e despir do que seja digno ou belo o convívio humano, além de todas e quaisquer formas de ações e práticas que resultem em dano social maldoso.

 Fisicamente em nada se distinguem dos outros seres humanos. Mas, é na intiidade das alcovas do Poder, onde se apresentam em forma plena, identitária e total: é pelos gestos de conúbio argentário que se conhece o Homus Corruptus.  


Assim, é preciso salientar que o Homus Corruptos é facilmente encontrável em plenários que deveriam ser respeitáveis, nas empresas que cumpririam funções excelsas de labor proveitoso. bem como orgânicos aos tribunais, até mesmo os mais ilustres em aparência. 


Meu grande problema agora é conseguir exemplares para experiência em laboratório; tal se faz necessário uma vez que tal método, o estudo em biotério de tais seres, é parte da mente científica na busca de deslindar como funcionam seu cérebro e sua mente. 

 Minha pergunta básica é: se são homens que já têm de tudo, se são pessoas cujas posses fazem inveja à mais expressiva maioria dos mortais, por que se dedicam com tal afinco a afanar do social o que lhe é de direito? 

A partir de tal questionamento formulei a seguinte hipótese, que atualmente está a me exaurir até altas horas, quando a noite viceja cansaço e as aves noturnas flutuam no escuro do éter: tais indivíduos são talvez aquela parcela da humanidade que sobreviverá à hacatombe que já perpetram, assim como o Homo Sapiens sobrelevou-se ao Neanderthal.


Assim, temo que em mais alguns séculos, o que para a História nada significa, somente esta espécie habitará a Terra, o que muito me apavora. Eis o meu drama de alquimista e minha dura perquirição; angústia, medo e certeza: somente os réprobos sobreviverão.


Espero em breve voltar a este espaço a dizer que estava enganado. Mas temo que me engano ao esperar que esteja enganado.


Saudações,
Augustus Livius Perestrelo


segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Toccata & Fugue in d minor (BACH, J.S.)

Caso encerrado

Não, não. É impróprio, é impróprio ser justo ou digno ou bom.
É impróprio, é pecado, é feio. É impróprio... é impróprio... é impróprio...

É impróprio; merece prisão, galé e todo o sofrimento previsto em lei.

Caso encerrado.
Próximo caso.

Diana Krall, Elvis Costello & Willie Nelson - Crazy (Live)

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Elis Regina
http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://killbill.blog.uol.com.br/images/elis_regina_

Na noite de Natal, um milagre terrível 

Em notícia da Folha, que transcrevo abaixo, é relato que oscila entre um conto de Edgar Allan Poe e a crua realidade, o que indica que a realidade é o grande e terrífico conto da vida mesma: aterrorizada, desesperada por estar grávida, mulher atira filho recém-nascido de altura de mais de dois metros. Contra todas as possibilidades o menino escapa do horrendo sacrifício. Isso ocorreu em Belém, Pará. Era noite de Natal e uma maria desgraçada, abandonada por algum josé malandro, se livra do filho em meio a sangue e dor de parto numa noite suja. É o que se poderia chamar de um milagre terrível: terrível porque, agora, o menino vai enfrentar no mundo as coisas do mundo; para as quais, de alguma forma, é preciso ter dom e gana para escapar com vida.

Recém-nascido é abandonado pela mãe e sobrevive a queda de 2 metros em Belém

JOÃO CARLOS MAGALHÃES
DE BELÉM
Na noite de Natal, um recém-nascido sobreviveu em Belém (PA) após ser colocado num saco plástico e arremessado de uma altura de quase dois metros pela mãe, que acabara de parir.
 
A mãe, de 20 anos, e o filho estão internados na Santa Casa de Misericórdia de Belém (PA) e não correm risco de morrer.

Segundo a versão da mãe, a criança nasceu por volta das 20h do dia 24. Ela mesma cortou o cordão umbilical, colocou o recém-nascido no saco e o jogou, por cima do muro de quase dois metros, na casa vizinha.

O motivo alegado foi o medo de ser descoberta por sua família, que é do Maranhão e não queria que ela engravidasse, e pelos patrões em Belém, que a contrataram para ser babá e de quem escondia a gravidez, disse a Polícia Civil.

Um inquérito foi aberto para investigar o caso. Ela pode ser indiciada até por tentativa de homicídio. 

O bebê foi encontrado algumas horas depois pelos vizinhos, que ouviram o choro da criança. O recém-nascido foi levado pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) à Santa Casa. Ele tinha apenas ferimentos leves e está em observação.
Uma boa matéria essa da Folha:
A vingança de Billy the Kid


Perdão ao lendário caubói, quase 130 anos após sua morte, está nas mãos do governador do Novo México


GABRIELA MANZINI
DE SÃO PAULO

O lendário caubói americano conhecido no mundo todo, e há várias gerações, como Billy the Kid poderá receber nesta semana o perdão do Estado do Novo México, onde viveu. O pedido está nas mãos do governador Bill Richardson, que promete analisá-lo antes de deixar o cargo, no dia 31.


Quase 130 anos depois de sua morte, o maior mito do Velho Oeste gera polêmica porque continua dividido entre a fama de impiedoso matador e a de uma espécie de Robin Hood americano.


De um lado estão, principalmente, os distantes descendentes do xerife que Billy teria assassinado em 1878, William Brady, e do xerife que o assassinou, dois anos mais tarde, Pat Garrett.


De outro estão pesquisadores como o criminalista Joel Jacobsen, autor de "Such Men as Billy the Kid" (algo como "Homens Como Billy the Kid").


Segundo ele, há evidências "fortes, mesmo irrefutáveis" de que, em 1879, o então governador Lew Wallace concordou em perdoar o caubói, que estava preso, em troca de seu testemunho em outro caso.


Os registros mostram que Billy serviu de testemunha, cumprindo a sua parte do acordo, mas o governador, não. "O fora-da-lei foi mais honrado", diz Jacobsen.


Billy aguardava julgamento pela morte do xerife Brady, a quem ele e seus amigos acusavam de corrupção por ter soltado capangas que mataram seu chefe a mando da elite da região.


Os mais ricos, acostumados a acossar pequenos produtores e comerciantes, teriam visto no chefe -e amigo- de Billy uma ameaça a seu monopólio.


O caubói foi solto mesmo sem o perdão formal, mas, dois anos depois, se viu à mercê da perseguição do xerife Garrett.


Preso, ele escreveu ao menos quatro cartas ao governador, pedindo que ele fizesse valer o acordo, mas de nada adiantou. Foi condenado à forca.


Transferido de volta a Lincoln, onde iniciara carreira, ele conseguiu se livrar das algemas nas mãos e pés e fugir, matando dois policiais. Para Jacobsen, a fuga mostra que Billy contava com grande apoio entre a população.


"E os assassinatos ocorreram depois que o governador quebrou sua promessa. Se ele a tivesse mantido, esses dois policiais não teriam sido mortos", completa a advogada Randi McGinn, 55, que cresceu perto de Lincoln e é a autora do pedido de perdão.


"Ouvi a história de Billy a vida toda e nunca soube do acordo. Normalmente, são descendentes que movem pedidos de perdão póstumos, mas Billy não possui herdeiros legítimos. Daí, me voluntariei", ela explica.


"Quando o governador promete retirar acusações em troca de você arriscar sua vida para testemunhar, ele precisa manter a palavra."


VILÃO


Mas o neto do xerife Garrett, JP Garrett, diz que o personagem não passa de um "ladrão, mentiroso, aterrorizador de pessoas comuns e matador de policiais".


"O Kid era um notório fora-da-lei. Eu acho que Lew Wallace fez o que planejou, que era fazê-lo testemunhar e, daí, enforcá-lo", disse recentemente em entrevista ao britânico "Telegraph".


Para William Wallace, tataraneto do governador, a concessão do perdão equivaleria a tachar de "um mentiroso desonrado" o seu célebre ancestral, que serviu como general na Guerra Civil.


"O que houve foi que os poderosos ganharam. E foram eles que escreveram a história de Billy the Kid, deixando-o muito mais perigoso do que ele realmente era", argumenta McGinn.


"Muito do que se sabe sobre ele não é verdade. O número de assassinatos que ele cometeu, por exemplo, é cerca de metade do que se diz na internet."


De acordo com a advogada, das 20 a 21 mortes de que ele costuma ser culpado, só quatro foram comprovadas, incluindo as dos policiais.


Há outras cinco, reações à morte do chefe, que podem ter sido cometidas por aliados de Billy e atribuídas a ele por engano. McGinn destaca que, mesmo que Billy seja o autor dessas mortes, elas somariam, no máximo, nove.


"Claro que ainda é muito para alguém com 20 anos, mas eram tempos diferentes", justifica.



domingo, 26 de dezembro de 2010

Compartilho esta crônica de Drummond

Como comecei a escrever
Carlos Drummond de Andrade

por volta de 1910 não havia rádio nem televisão, e o cinema chegava ao interior do Brasil uma vez por semana aos domingos. As notícias do mundo vinham pelo jornal, três dias depois de publicadas no Rio de Janeiro. Se chovia a potes, a mala do correio aparecia ensopada, uns sete dias mais tarde. Não dava para ler o papel transformado em mingau.

Papai era assinante da Gazeta de Notícias, e antes de aprender a ler eu me sentia fascinado pelas gravuras coloridas do suplemento de Domingo. Tentava decifrar o mistério das letras em redor das figuras, e mamãe me ajudava nisso. Quando fui para a escola pública, já tinha a noção vaga de um universo de palavras que era preciso conquistar.

Durante o curso, minhas professoras costumavam passar exercícios de redação. Cada um de nós tinha de escrever uma carta, narra um passeio, coisas assim. Criei gosto por esse dever, que me permitia aplicar para determinado fim o conhecimento que ia adquirindo do poder de expressão contido nos sinais reunidos em palavras.

Daí por diante as experiências foram se acumulando, sem que eu percebesse que estava descobrindo a leitura. Alguns elogios da professora me animavam a continuar. Ninguém falava em conto ou poesia, mas a semente dessas coisas estavam germinando. Meu irmão, estudante na Capital, mandava-me revistas e livros, e me habituei a viver entre eles. Depois, já rapaz, tive sorte de conhecer outros rapazes que também gostavam de ler e escrever.

Então começou uma fase muito boa de troca de experiências e impressões. Na mesa do café-sentado ( pois tomava-se café sentado nos bares, e podia-se conversar horas e horas sem incomodar nem ser incomodado ) eu tirava do bolso o que escrevera durante o dia, e meus colegas criticavam. Eles também sacavam seus escritos, e eu tomava parte nos comentários. Tudo com naturalidade e franqueza. Aprendi muito com os amigos, e tenho pena dos jovens de hoje que não desfrutam desse tipo de amizade crítica.

Bezerra da Silva - Candidato Caô Caô - Um retrato da política brasileira

Tem gente que dá câncer

Assistindo ontem à noite entrevista do jornalista Sebastião Nery, como sempre uma prosa boa, a palavra fluindo como chuva, dessas que o sertanejo chama de chuva criadeira, as palavras estalando a história recente deste país, ele disse algo, frase de escritor cujo nome não consigo lembrar agora. O sujeito se autodefinia: "A modéstia é a maior das virtudes e eu a tenho em sua forma mais elevada".
Nery riu ao fazer a citação. Por um motivo muito simples: quem diz isso nada tem de modesto. Antes, é um pavão de festa, portador de empáfia himalaica. Pois bem: pego o gancho de entrevista de Nery para lembrar que há pessoas assim: pessoas onde a modéstia nunca habitou. Buscam o poder, qualquer forma de poder. Exibem-se, porém conhecem e muito bem suas limitações portentosamente mesquinhas; mas isso é difícil de admitir publicamente, e compensando a talta de modéstia, agitam bandeiras fulgurantes de autoadoração. Buscam aplausos, reverências e reconhecimento.

 Como não têm modéstia - porque a modéstia é típica de quem tem grandeza; a modéstia é a humildade de quem tem a generosidade como segunda natureza - buscam se impor. Crescem pelo medo que possam impor, mas não lideram; se afirmam pelo sistema que possam controlar, mas não recebem respeito; dominam pelas regras que possam manipular, mas não são queridos. 

É horrível conviver com pessoas assim. É uma provação ser obrigado a compartilhar, mesmo que seja o ar, com essas pessoas. Mas é gratificante não ser contaminado por tal convivência. É bom sair de perto delas. Mas, mesmo assim, mesmo longe, é preciso tomar cuidado. Tais tipos não deixam ninguém em paz. São como uma epidemia e só sabem fazer o mal. Cuidado: tem gente que dá câncer.


Leio na Tribuna:

Corpo de Noilde Ramalho será sepultado nessa segunda

O corpo da professora Noilde Ramalho será sepultado no final da tarde dessa segunda-feira no cemitério Morada da Paz, em Emaús. As homenagens à professora ocorrerão durante toda a manhã dessa segunda-feira, na Catedral Metropolitana, e às 15h, será celebrada missa de corpo presente.

Diretora da Escola Doméstica de Natal, Noilde Ramalho morreu nesse sábado, aos 90 anos, na cidade de São Francisdo do Sul, em Santa Catarina. Noilde participava de um cruzeiro marítimo por Punta Del Leste quando sentiu-se mal. Acompanhada do presidente do Sindicato das Escolas Particulares do RN, Alexandre Marinho, Noilde foi autorizado a descer na cidade São Francisco do Sul (SC), onde ela teve parada cardíaca e não resistiu.

A Liga de Ensino do Rio Grande do Norte divulgou nota oficial, abaixo:


A Liga de Ensino do Rio Grande do Norte, entidade mantenedora da Escola Doméstica de Natal, do Complexo Educacional Henrique Castriciano e da FARN, cumpre o dever de informar o falecimento da professora Noilde Ramalho, ocorrido no dia 25 de dezembro de 2010, na cidade de São Francisco do Sul, Santa Catarina. A profunda tristeza que domina a todos os componentes do Complexo de Ensino, dirigentes, funcionários, professores e alunos, deve-se não somente à perda de uma grande líder, mas, sobretudo, à perda de uma grande amiga. Todo o Rio Grande do Norte chora o falecimento da professora Noilde Ramalho, cuja grandeza humana transformou-a no maior ícone da Educação do Estado.

As homenagens de corpo presente ocorrerão na Catedral Metropolitana a partir das primeiras horas do dia 27 de dezembro, com visita durante todo o dia e missa às 15 horas, seguida de sepultamento no Cemitério Morada da Paz, em Emaús.

Natal, 26 de dezembro de 2010.

Manoel de Medeiros Brito
Presidente da Liga de Ensin
Retrato

Cecília Meireles

http://4.bp.blogspot.com/_CkVFIcuIxkA/TNdUOnTUm-I/
AAAAAAAAAPk/PXIe7khsSj0/s320/7-Cec%C3%ADlia-Meireles.jpg
Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.


Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.


Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida a minha face?



A pequena floresta onde agora vou morar


O bonsai que ganhei de presente; a floresta que Minha Neta me deu

Ganhei de presente neste natal uma pequena floresta, minúsculo mundo arbóreo por onde o olhar passeia e se perde em veredas insondáveis onde me imagino como se fosse alguém com milimétrica figura a caminhar essa magia. Minha Filha e Minha Neta mo presentearam, já habitado por um pequeno pássaro feito em material quase intangível, uma borboleta que insinua flutuar e um cãozinho estatuado em cerâmica.

Ganhei de presente um bonsai. Desde menino desenvolvo esse pensar: andar a esmo, como uma espécie de ser elemental em meio a plantas que frente à minha mínima pessoa seriam como desafios misteriosos, encantamento. Sempre faço isso, principalmente quanto estou em ambientes onde haja jardins internos, essas preciosidades cultivadas.

O bonsai, agora, habita o mundo da minha casa. E dele serei também habitante, caminhando nessa floresta pequena e cheia de vida.
Uma beleza de crônica que vejo na Folha e compartilho:

FERREIRA GULLAR


E continua chovendo...

 
http://2.bp.blogspot.com/_-WU2zHSKXsw/T
JT5a5rQoCI/AAAAAAAADj0
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EM 1975, em Buenos Aires, dei a Vinicius de Moraes um quadro pintado por mim. Mas foi o de menos, tantas outras coisas que aconteceram naquela época. Embora já conhecesse Vinicius de antes, em Buenos Aires, quase dez anos depois, é que nos tornamos amigos.

E a amizade se consolidou mesmo depois da manjada leitura do "Poema Sujo", que fiz, a pedido dele, na casa de Augusto Boal. Como se sabe, me fez gravar o poema numa fita e o trouxe para o Brasil.


Naquela ocasião, Vinícius começava a namorar uma argentina, bem mais jovem que ele e, por causa disso, mudou-se provisoriamente para Buenos Aires, instalando-se num apart-hotel, no centro da cidade. Desse modo, mantinha-se a salvo de qualquer reação da outra namorada, uma bela mulata baiana, com quem vivia em Salvador.

Essa permanência do poetinha na Argentina tornou frequentes nossos encontros e, mais ainda, porque recebeu a encomenda de uma editora francesa para fazer o texto de um álbum fotográfico do Rio de Janeiro. Sabendo de minha situação financeira periclitante, convidou-me para escrever o livro com ele.

Foi então que os militares derrubaram o governo de Isabelita Perón e instauraram mais uma ditadura na América Latina.

Dias depois, Tenório Júnior, o pianista do show que Vinicius apresentava ali, desapareceu.


Embora casado, Tenório Júnior viera com uma namoradinha, que conheci no apart-hotel de Vinicius, naquele dia em que me falou do sumiço do pianista. Pedira a ajuda do ex-genro, alto funcionário da embaixada brasileira, que nada conseguira. É que a ditadura militar recém instaurada prendera e executara muita gente e mantinha esses fatos em sigilo.


Diante disso, ofereci a ajuda que estava a meu alcance: consultar uma vidente que havia localizado um filho meu, desaparecido, um ano atrás. Como o telefone da vidente não estava comigo, teria que ir a meu apartamento e, de lá, ligar para ela. Assim, acompanhado de Maria Julieta, filha do poeta Carlos Drummond, que naquela época trabalhava na Argentina, e da namoradinha de Tenório Júnior, segui para lá e liguei para dona Haydé, a vidente.


Após dizer-lhe o nome completo do desaparecido, ela me informou que o pianista deveria estar inconsciente ou morto, uma vez que não conseguia contatá-lo .(É que esse tipo de comunicação se faz de mente a mente). Em seguida, para meu espanto, advertiu: "Diga a essa mocinha, namorada dele, que está aí com o senhor, que trate de ir embora para o Brasil, enquanto é tempo".

Como ela podia saber da moça? Mistério que a razão não explica. No dia seguinte, me deu a notícia final: Tenório Júnior tinha sido espancado até a morte por policiais, numa boca de fumo, onde fora comprar cocaína. Disse isso a Vinicius, que chorou.


Enquanto isso, sua namorada baiana recorria às entidades do candomblé para ver se o separava da rival argentina. Como os pais de santo não conseguiram resolver o problema, viajou para o Rio, entrou no apartamento do poeta e, lá, sobre a cama de casal, fez rezas e depositou fetiches, que também de nada adiantaram.

Vinícius trouxe a argentina para o Rio e com ela viveu um intenso, ainda que efêmero, romance.
 

Mas foi numa visita que me fez, ainda em Buenos Aires, que lhe mostrei o autorretrato e, como ele disse ter gostado, dei-lhe de presente. Nunca mais vi o quadro, que ele trouxe para o Brasil. Se o deu alguém, não sei.


A verdade é que, recentemente, minha amiga Guguta Brandão me informou que o cineasta Ruy Solberg era o atual proprietário do quadro e decidira dá-lo a mim de presente. E o fez num almoço com muitos amigos, na casa de Vera e Zelito Viana, há umas três semanas.


 
Quase uma solenidade, que me comoveu. Foi como se uma estrela, que se extraviara, voltasse do fundo da vida e me pousasse nas mãos. "Ao ouvir você na Flip, pensei: tenho que devolver o quadro ao Gullar, que é seu legítimo dono", disse-me ele. Gente fina, esse Ruy Solberg. E Zelito, de gozação: "Se fosse eu, não devolvia".


Outro dia foi a revista de Artaud, que voltou a minhas mãos, agora o autorretrato. Continua a chover na minha horta