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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Do Jornal da Tarde:

Silvio Santos aprova novela que fala na ditadura de 64: "Amor e revolução"

Aline Nunes

O autor Tiago Santiago enviou um e-mail a a Silvio Santos explicando que gostaria de levar ao ar ‘Amor e Revolução’, uma trama ambientada na época da Ditadura do Brasil (1964 a 1985). Dez dias depois, Silvio respondeu com um ‘sim.’ Desde então, há 7 meses, Tiago tem estudado o tema. Até agora, já leu 30 livros e escreveu 22 capítulos. A novela, orçada em 30 milhões, terá 180 capítulos e estreia em março. 
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Mas não é só Tiago Santiago que irá se aprofundar no assunto Ditadura Militar do Brasil. O elenco, nos dias 3 e 4 de janeiro, irá fazer um workshop, nos estúdios do SBT, com convidados como Luiz Carlos Prestes Filho, Fernando Gabeira, Antonio Carlos Fon e Rose Nogueira – que sobreviveram aos anos de chumbo. O novelista e o diretor Reynaldo Boury também participará da discussão. 

E ao contrário das novelas anteriores do SBT, que entravam no ar totalmente gravadas, ‘Amor e Revolução’ será feita gradualmente. Além dos estúdios do SBT, a produção terá externas na Rua Maria Antônia, para mostrar o duelo entre as universidades Mackenzie e USP na época, e cenas na Pinacoteca
e no antigo prédio do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS).

domingo, 12 de dezembro de 2010

Faço registro de matéria do Estadão sobre os 80 anos de Silvio Santos. (EB)

Vamos sorrir e cantar

Cristina Padiglione e Alline Dauroiz



Se vale a máxima de que nenhum reality show é de fato real porque ninguém se comporta naturalmente diante de uma câmera, Silvio Santos, puro show, é exceção à regra. Não que Senor Abravanel estampe o tempo todo aquele sorriso contemplado pela TV. O caso é que o homem, 80 anos completados hoje, não tem como fugir daquela voz que tudo lhe deu, daquele timbre de quem venderia geladeira até no Polo Norte, e daquele senso de humor que nem as próprias desgraças perdoa.

Silvio sabe rir dos outros – mais do que de si. Ao fim daquele fatídico dia em que o sequestrador Fernando Dutra Pinto invadiu sua casa e lhe fez refém, diante de um exército de repórteres, fotógrafos e cinegrafistas, teve humor para contabilizar quantas horas a Rede Globo, sua rival, havia lhe dedicado em toda a programação.

Veja também:
linkE o Sílvio Santos... É coisa nossa (com galeria de fotos)

Avesso a entrevistas, mas vaidoso, adora posar para a Caras. Há coisa de dois anos, fotografou, feliz da vida, para a capa da revista, ao lado dos manequins de cera em tamanho natural que trouxe dos Estados Unidos. Como empresário, Silvio Santos é excelente animador, e tem ciência disso – há um mês, por ocasião do rombo anunciado no Banco Panamericano, admitiu que nunca havia pisado na instituição e que seu negócio, em todo o grupo de 44 empresas, é de fato a televisão. A seguir, o Estado revela histórias, manias e paixões de Senor Abravanel, o camelô que virou magnata, por quem o conheceu por trás do pancake.

Silvio por Luciano Callegari (ex-diretor artístico e de programação do SBT, foi seu braço direito por 43 anos): "Com aquela risada, quem vai falar mal dele? Ele começa a dar risada na hora em que entra no palco, aquilo é uma máscara. Quando corta, é outro cara, e depois dos 70 anos, ele perdeu o rumo. Ele administra por conflito, gosta de jogar um executivo contra o outro. A liderança dele é a liderança do terror. Ele não tem amigos, não sabe participar de roda de amigos. Conta piada só no palco. Não tem vida social. Está recluso em Celebration, município ligado a Orlando. Leva filmes do Brasil para assistir lá. É ‘Um pobre homem rico’."

Silvio por Boni (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, ex-vice-presidente de Operações da Rede Globo): "Silvio Santos e Senor Abravanel não são a mesma pessoa, como se pensa. Silvio Santos é o maior apresentador da televisão, em todos os tempos, comparável aos melhores do mundo. Senor Abravanel é um empresário centralizador que se orgulha de ter soluções próprias, quase sempre de bolso de colete, inesperadas e pouco convencionais. Às vezes dá certo, às vezes não. Mas temos que reconhecer que os dois são brilhantes, fato comprovado pela carreira deles."

Silvio por Roque (Gonçalo Roque, coordenador de auditório, fiel escudeiro há 47 anos): "Conheci Silvio Santos na Rua Sebastião Pereira, na Rádio Nacional, quando eu entregava correspondência e trabalhava na portaria. Acabei indo ajudá-lo nos programas de auditório, atendendo o público e entregando brindes. O segredo dele para encantar uma plateia é o coração. Uma vez ele me disse: ‘Meu público é o que tenho de mais importante.’ Um dia ele voltou dos EUA e falou: ‘Trouxe uma ideia: a partir de agora, quero os banheiros que recepcionam o público mais limpos que qualquer cozinha de casa.’ Hoje nossos banheiros têm o melhor papel higiênico, flores e até coqueiro. E ele inspeciona de vez em quando."

 

Microfone de lapela.
Por Callegari: "Era o tempo da TV Paulista ou já início da Globo. O Silvio mandou trazer dois microfones (de lapela) dos Estados Unidos, eram os únicos no Brasil. Chamou o Hélio Siqueira, e disse: ‘Você vai ser responsável por esses microfones.
Quando for gravar, quando for embora, você tem que estar junto com isso, não larga, é sua responsabilidade’. Um dia o Hélio pegou os microfones, colocou no carro, banco de trás, e saímos, eu, ele e o Neymar de Barros, com umas meninas. Fomos jantar e tal, e quando voltamos, 4h da manhã, tinham roubado os microfones. Foi na rua Major Diogo, na Bela Vista. O Hélio ficou tão apavorado que perdeu a memória e foi internado. O Silvio chamou a gente de moleque, ameaçou mandar embora, e o Hélio lá internado. O Silvio foi ver o Hélio e o Hélio dizia ‘quem é o senhor?’ (Luciano conta às gargalhadas). Ele ficou quatro dias no hospital. Quando voltou a trabalhar, o Silvio foi até ele: "Tá melhor? Ótimo. Não pense que eu esqueci, não: você vai pagar 200 cruzeiros por mês, que eu vou descontar do seu salário, até pagar tudo’."

Bebedeira. Por Boni: "Ainda na TV Paulista, aluguei uns quartos no Hotel Jequitimar no Guarujá, que muito tempo depois viria a ser comprado pelo Silvio. Por acaso encontrei o Silvio na praia e convidei-o a tomar uma caipirinha especial, feita por mim. Como se sabe, o Silvio não bebe. Mas, talvez para fazer uma média comigo, topou. Tomou a caipirinha de uma vez, como se fosse remédio, e caiu duro na areia. Tivemos que removê-lo para o quarto e arejá-lo. Chamamos um médico, mas antes ele voltou a si, dizendo: ‘Se você quer o meu horário eu dou, não precisa me matar’."

Rotina. Por Roque: "Dia sim, dia não ele está no SBT. Chega geralmente 8h30, 9h. Grava três vezes por semana. No camarim dele não tem luxo. Mas ele faz questão da grelha e do fogão lá, porque é ele mesmo quem cozinha, quase sempre bife. E adora os queijinhos dele, provolone... Quem cuida do camarim é a dona Raimunda, que está com ele há uns 15, 20 anos."

O artista. Por Callegari: Ele contratou a Carla Perez no auge. Aí dizia: ‘ela está fazendo muito sucesso, deixa esfriar um pouco pra gente colocar ela no ar’. Ela ficou quatro meses na geladeira. A minha leitura é a seguinte: ele vê em cada cara que faz sucesso uma concorrência pra ele. Quantas vezes ele prejudicou o Gugu porque o Gugu dava mais audiência que ele? Ele aumentava os breaks (comerciais ) do Gugu, colocava calhau (publicidade do Grupo SS)..."

Dica para o momento. Por Boni: "O Silvio Santos precisa de muitas dicas artísticas, mas antes o Senor Abravanel precisa de muitas dicas empresariais. Como os dois são rápidos e inteligentes, o SBT poderia reassumir logo a sua posição."

Demissão. Por Roque: O Silvio nunca gostou que dirigissem pra ele. Mas o Palito era um manobrista que trabalhava para o Silvio há anos. Ele só manobrava o carro do Silvio, não dirigia. Mandaram o Palito embora uma vez e, quando o Silvio descobriu, falou que tudo bem, mas que ele só voltaria a trabalhar quando o Palito estivesse de volta."

Silvio por Silvio. "Fui obrigado a ser dono de televisão, eu não nasci dono de televisão, eu nasci animador de programas e continuaria sendo animador de programas, se os homens não fossem tão vaidosos, tão poderosos." (em 1989, em seu programa)

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Folha trata assunto sério como caso de fofoca
Emanoel Barreto

Apesar de gabar-se da qualidade do seu jornalismo, a Folha de S. Paulo dá uma demonstração de como funciona sua Redação. Em entrevista como o empresário Sílvio Santos, encalacrado com as dívidas milionárias do seu banco, foi procurado por telefone para falar a respeito do assunto.

Errou o jornal ao tratar de assunto de tamanha importância por telefone. Qualquer foca sabe que esse tipo de entrevista só deve ser feita, em casos assim, se não houver outra forma de contato. Pelo telefone há um natural empecilho. É cansativo conceder entrevistas mais longas e a fonte pode cortar a qualquer momento a comunicação. 

Além disso, Santos transformou a conversa num bate-papo, tirando-lhe todo o caráter que uma entrevista desse tipo deve ter: seriedade. A jornalista não o questionou a respeito da quebradeira do banco, a qualidade da gestão, as consequências disso no mercado setorial. Nada. Ingressou no jogo do empresário e o resultado foi a "entrevista" que transcrevo abaixo. 

"Se pagar bem, claro que vendo o SBT"

MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA

O empresário Silvio Santos atendeu ontem à noite, em sua casa, a um telefonema da Folha. Ele disse que, se alguém pagar o que ele deve ao FGC (Fundo Garantidor de Crédito), que emprestou à sua holding dinheiro para cobrir o rombo do banco PanAmericano, pode comprar o SBT. Leia entrevista.

 
Folha - Eu gostaria que o sr. desse uma palavra para o público sobre tudo o que está acontecendo no banco.
Silvio Santos -
Não posso porque eu assinei um termo de confidencialidade. Eu assinei um termo de conf... confidencialidade... é até difícil de falar! Não posso comentar nada. Só quem pode falar é o Fundo Garantidor de Crédito. 

O sr. se encontrou com o Lula. Falou com ele sobre isso?
Que Lula? 

O presidente.
Estive com ele falando sobre o Teleton [programa que arrecada recursos para a AACD]. Ele está me devendo R$ 13 mil [risos]. Tive que dar por minha conta porque ele prometeu e não deu os R$ 13 mil [que disse que doaria]. Eu falei para ele: "Se você der R$ 13 mil, a Dilma pode ganhar a eleição". Porque é o número dela, não é? Não é 13 o número da Dilma? "Pode ser que Deus te ajude e ela ganhe a eleição." 

E ela ganhou do mesmo jeito.
Mas aí é que tá: agora tô preocupado [risos]. Ele fez a promessa e não cumpriu.
E o senhor votou nela?

Eu estou com 80 anos. Você acha que eu vou sair de casa para votar? Vou votar é em mim mesmo aqui em casa. 

E aquela história da bolinha [reportagem do SBT afirmou que o candidato tucano, José Serra, foi atingido, numa manifestação, por uma bolinha de papel, e não por um objeto mais pesado, como ele dizia]? Todo mundo está falando que o SBT fez a reportagem porque estava com problema no banco.
Mas que bolinha? 

A bolinha que caiu na cabeça do Serra.
Caiu alguma coisa na cabeça dele? [risos] Caiu alguma coisa na cabeça dele?

Na campanha.
Ah, não foi hoje? 

Não.
Ah, eu não sei desse negócio de bolinha, não. Isso aí, olha, eu não vejo TV. Televisão, para mim, é trabalho. Só vejo filme. Agora que você ligou para mim eu estava vendo a Fontana di Trevi. Você já viu esse filme, "A Fonte dos Desejos" (de Jean Negulesco)? Eu estava vendo agora. 

E essa informação de que o empresário Eike Batista quer comprar o SBT?
No duro? 

É.
Ah, me arranja! Arranja para mim que eu te dou uma comissão. 

O senhor venderia?
Se ele me pagar bem, por que não? Quem é? "Elque"? 

Eike, um dos homens mais ricos do Brasil.
Ele é americano? Eike? 

Brasileiro.
Não, não conheço. Mas, se ele pagar os R$ 2,5 bilhões que estou devendo, vendo, é claro que vendo. Não precisa nem pagar para mim, paga para o Fundo Garantidor de Crédito. Eu não posso vender nada sem passar pelo Fundo Garantidor de Crédito.