Milton Nascimento, irreconhecível, balbucia "Love of my life" no Rock in Rio. Um momento lamentável na carreira do mestre. A voz sem força, o inglês de segundanista, um arranjo ralo. Triste, muito triste.
"Não é justo alguém ter o direito de ter uma empresa de aviação e outro não ter o direito de comer um pão." /////// JAMAIS IDE A UM LUGAR GRANDE DEMAIS. A UM LUGAR AONDE NÃO TENHAIS CORAGEM DA IMENSIDÃO - EMANOEL BARRETO - NATAL/RN
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sábado, 24 de setembro de 2011
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Leio na Folha e compartilho texto de Rui Castro a respeito do ódio que pessoas votam a Chico Buarque. Nem ele sabia.
RUY CASTRO
Ódio on-line
RIO DE JANEIRO - Na esteira de seu novo disco, à venda num site para o qual as pessoas podem escrever o que quiserem, Chico Buarque fez uma grave constatação. "Eu achava que era amado, porque as pessoas iam ao show, me aplaudiam, e, na rua, me cumprimentavam", ele disse. "Descobri, na internet, que sou odiado. As pessoas falam o que lhes vem à cabeça. Agora entendi as regras do jogo."
Sim, são as novas regras. Chico Buarque, possivelmente, nunca foi a unanimidade que se pensava -ao lado das multidões que lhe são gratas pela beleza que espalha em letra e música há quase 50 anos, sempre devem ter existido os inconformados com seu sucesso, com seu talento, com suas rimas, talvez até com seus olhos claros.
A diferença é que os que não gostavam dele não se dariam ao trabalho de ir a seus shows para hostilizá-lo e, se passassem por ele na rua, não se disporiam a desfeiteá-lo. A vida real tem seus códigos de convívio -nela, para melhor andamento dos trabalhos, somos mais tolerantes e evitamos dizer o que pensamos uns dos outros. Mas a internet está fora desses códigos.
Nesta, ao sermos convidados a "interagir" e a "postar" nossos comentários, podemos despejar tudo que pensamos contra ou a favor de quem quer que seja. Quase sempre, contra. Uma sequência de comentários -que, em poucas horas, são milhares- a respeito de qualquer coisa nas páginas on-line é uma saraivada de ódios, despeitos, rancores, recalques e ressentimentos. E, não raro, num português de quinta. Pode-se ofender, ameaçar e agredir sem receio, como numa covarde carta anônima coletiva.
Alguns dirão que isso tem um lado bom -com a internet, acabou a hipocrisia e, agora, as pessoas podem se revelar como realmente são. Que ótimo. Resta perguntar quando elas passarão à prática -do ódio on-line contra X ou Y para sua manifestação concreta na rua.
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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Como na música "eu não tenh'onde morar", João Gilberto vai ser despejado de apartamento. Deu na Folha:
Proprietária vai à Justiça para tirar João Gilberto de imóvel
MARCELO BORTOLOTI
DO RIO
DO RIO
O músico João Gilberto, que completa 80 anos em junho, está sendo despejado do apartamento onde mora no Leblon, zona sul do Rio.
O pedido judicial foi feito pela dona do imóvel, a condessa Georgina de Faucigny Lucinge Brandolini d'Adda.
Segundo seu advogado, ela quer o apartamento de volta em razão do comportamento excêntrico do cantor, que não permite a entrada de ninguém no imóvel.
A gota d'água foi o fato de ter colocado restrições ao acesso de pedreiros que iriam consertar uma janela.
"A proprietária é uma pessoa de posses, e não depende deste aluguel para sobreviver. Ela achou um desaforo o inquilino se apropriar desta forma do apartamento, onde passou parte da sua vida", afirma o advogado Paulo Roberto Pereira Mendes.
Georgina de Faucigny mora na Itália e é casada com Ruy Brandolini d'Adda, que tem título de conde e é um dos acionistas da Fiat.
| Rafael Andrade-24.ago.2008/Folhapress | ||
| O cantor João Gilberto, que aluga imóvel, pode ser despejado pela proprietária por comportamento "excêntrico" |
O músico baiano aluga o local há 15 anos, e a vigência do último contrato venceu em julho do ano passado.
A ordem de despejo é fundada em denúncia vazia, instrumento que permite ao proprietário pedir o imóvel de volta sem alegar motivo.
A partir do momento em que receber a notificação, o músico tem 15 dias para dizer se vai acatá-la ou refutá-la.
João Gilberto é conhecido por viver recluso e deixar pouco o apartamento. Ele costuma pedir suas refeições por telefone e recebe poucas visitas. Quando sai de casa, sempre de taxi, pede que o carro entre na garagem.
O cantor, que não tem assessoria de imprensa e rompeu com seu empresário, não atendeu as ligações da Folha. Sua filha, Bebel, não quis comentar o assunto.
Segundo o advogado da proprietária, as negociações para que João Gilberto entregasse o imóvel começaram há seis meses. Em princípio ele havia aceitado deixá-lo, mas, em dezembro, avisou que não sairia mais. "Esperamos que tudo acabe rápido e ele se aloje em outro local. Mas pelo jeito isto vai virar uma novela", diz Mendes.
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segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces
Elis Regina
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domingo, 21 de novembro de 2010
Vão tirar Odair José do esquecimento
Emanoel Barreto
Um cantor chamado de brega é "reavaliado" pelos cantores "cultos", aqueles de estética, forma e conteúdo dito "primorosos".
Ele mostrava a tragediazinha vulgar das empregadas domésticas, a vida das pessoas invisíveis, sua filosofia de boteco barato, mas - e aí é que afinal encontrou-se o detalhe importante - de alguma forma aludia também a angústia que atinge o mais refinado estilista ou o mais desgraçado estivador. A dor é o homem.
O problema é que os cultos sempre esquecem que muitas das manifestações culturais urbanas, das mais toscas às mais elaboradas, têm alguma simbolização da vida em suas manifestações de tragédia e espetáculo sem ensaio e sem fim. Vem assim o resgate do artista, assim como o mandato de deputado federal resgata a Tiririca o direito de o povo chão ser ouvido, engravatado e tudo o mais, no plenário da Câmara.
Uma coisa, entretanto, não está sendo levada em conta: a inserção impossível de Odair no espaço real dos compositores e cantores sérios. Quero dizer com isso que ele não tem vínculos intensos com tais espaços, que se referenciam por cantores como Zeca Baleiro. Pode ser até que alguém compre o disco a ser lançado por Odair. Mas daí a supor que ele lotaria um teatro com fãs de Baleiro é outra história.
A arqueologia do trabalho de Odair permitirá um olhar "sociológico" a respeito de sua obra, quem sabe até se arrisque alguém a uma tese. Mas, só isso. De qualquer forma, até que enfim tiraram Odair do tal lugar. Um lugar chamado esquecimento.
Sobre o assunto, leia abaixo matéria da Folha.
Odair José, agora cult, grava inéditas
Produzido por Zeca Baleiro, novo álbum faz parte de tentativa do cantor de receber reconhecimento artístico.
Rotulada de "cafona" no passado, obra do compositor é valorizada agora por artistas da nova música brasileira.
MARCUS PRETO
DE SÃO PAULO
Não é de hoje que o valor da obra de Odair José, 61, vem sendo reavaliado.
Quando, em 2006, o compositor foi homenageado com o tributo "Eu Vou Tirar Você Desse Lugar", em que artistas pop como Pato Fu, Paulo Miklos, Mundo Livre S/A e Mombojó regravaram suas canções, algumas pedras foram arrancadas do muro que o separa dos compositores "sérios" da MPB.
Agora, o cantor prepara álbum de canções inéditas que pode contribuir com esse movimento agregador.
Previsto para chegar às lojas no primeiro trimestre de 2011, "Praça Tiradentes" está sendo produzido por Zeca Baleiro e vai contar com repertório composto especialmente para Odair por artistas como Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Chico César.
Baleiro conta que a lista de candidatos a emplacar uma música na voz de Odair era grande, mas a ideia é que o próprio compositor colocasse suas canções na roda.
Trata-se de Odair José, agora entronizado senão à condição de culto, mas elevado ao altar de "cult". De repente descobrem que o velho rapaz trazia em suas músicas um tipo de representação da existência humana que vale a pena ser percebido como digno de atenção.
Emanoel Barreto
Um cantor chamado de brega é "reavaliado" pelos cantores "cultos", aqueles de estética, forma e conteúdo dito "primorosos".
Ele mostrava a tragediazinha vulgar das empregadas domésticas, a vida das pessoas invisíveis, sua filosofia de boteco barato, mas - e aí é que afinal encontrou-se o detalhe importante - de alguma forma aludia também a angústia que atinge o mais refinado estilista ou o mais desgraçado estivador. A dor é o homem.
O problema é que os cultos sempre esquecem que muitas das manifestações culturais urbanas, das mais toscas às mais elaboradas, têm alguma simbolização da vida em suas manifestações de tragédia e espetáculo sem ensaio e sem fim. Vem assim o resgate do artista, assim como o mandato de deputado federal resgata a Tiririca o direito de o povo chão ser ouvido, engravatado e tudo o mais, no plenário da Câmara.
Uma coisa, entretanto, não está sendo levada em conta: a inserção impossível de Odair no espaço real dos compositores e cantores sérios. Quero dizer com isso que ele não tem vínculos intensos com tais espaços, que se referenciam por cantores como Zeca Baleiro. Pode ser até que alguém compre o disco a ser lançado por Odair. Mas daí a supor que ele lotaria um teatro com fãs de Baleiro é outra história.
A arqueologia do trabalho de Odair permitirá um olhar "sociológico" a respeito de sua obra, quem sabe até se arrisque alguém a uma tese. Mas, só isso. De qualquer forma, até que enfim tiraram Odair do tal lugar. Um lugar chamado esquecimento.
Sobre o assunto, leia abaixo matéria da Folha.
Odair José, agora cult, grava inéditas
Produzido por Zeca Baleiro, novo álbum faz parte de tentativa do cantor de receber reconhecimento artístico.
Rotulada de "cafona" no passado, obra do compositor é valorizada agora por artistas da nova música brasileira.
MARCUS PRETO
DE SÃO PAULO
Não é de hoje que o valor da obra de Odair José, 61, vem sendo reavaliado.
Quando, em 2006, o compositor foi homenageado com o tributo "Eu Vou Tirar Você Desse Lugar", em que artistas pop como Pato Fu, Paulo Miklos, Mundo Livre S/A e Mombojó regravaram suas canções, algumas pedras foram arrancadas do muro que o separa dos compositores "sérios" da MPB.
Agora, o cantor prepara álbum de canções inéditas que pode contribuir com esse movimento agregador.
Previsto para chegar às lojas no primeiro trimestre de 2011, "Praça Tiradentes" está sendo produzido por Zeca Baleiro e vai contar com repertório composto especialmente para Odair por artistas como Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Chico César.
Baleiro conta que a lista de candidatos a emplacar uma música na voz de Odair era grande, mas a ideia é que o próprio compositor colocasse suas canções na roda.
Trata-se de Odair José, agora entronizado senão à condição de culto, mas elevado ao altar de "cult". De repente descobrem que o velho rapaz trazia em suas músicas um tipo de representação da existência humana que vale a pena ser percebido como digno de atenção.
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