quinta-feira, 3 de abril de 2008

Jornalismo grotesco. Jornalismo?

Caros Amigos,
A Folha Online está com uma enquete em que procura saber qual o melhor programa de jornalismo-deboche. Trata-se, evidentemente, de um paradoxo, senão uma espécie de equívoco mal-intencionado. No mínimo.

Como pode ser bom jornalismo aquele que se dedica ao deboche, ao achicalhe, a um certo tipo de humilhação grotesca, burlesca, cujo único objetivo é expor em situações ridículas, em rede nacional de TV, figuras públicas?

São elencados pelo jornal os programas "CQC" "Pânico na TV" "Casseta e Planeta", além da possibilidade "Nenhum dos anteriores". Esses programas, que em nada contribuem para o jornalismo em sentido estrito, não passam de grotesquerias arranjadas. Num deles, por acaso, vi uma "reportagem" com o ministro Gilberto Gil, que comparecera ao casamento de uma filha, Morena Marina. Tentou-se de todas as formas envolvê-lo com perguntas tolas, grosseiras, inúteis.

Calmo, com um olhar fulminante, Gil limitou-se a encarar seus detratores por alguns instantes. Notava-se perfeitamente o sentimento de alguém que se sente ofendido publicamente, uma pessoa que, por ser midiática, deveria, na ótica do programa, ter a obrigação de participar da farsesca representação.


Ele entrou calado e saiu mudo. A péssima qualidade da programação de TV aberta, que vem privilegiando de forma contumaz a estética do grotesco, abriu largos espaços temporais e tais produções, voltadas todas para o senso comum, o espectador sendo incentivado a agir como populacho, saco vazio a ser preenchido com esse tipo de lixo.

O Brasil já tem problemas demais. Não seria o caso de abrir-se um programa para os grandes cantores como Gil e Cia., em vez de dar larga às vozes fanhas que formam um coral de abusados?
Emanoel Barreto

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Assim caminha a humanidade

Caros Amigos,
Não sou dos que acreditam que uma imagem diz mais que mil palavras. A angulação, o uso de lentes especiais, o desfoque, enfim, técnicas de posicionamento e edição, podem performatizar uma foto de tal maneira que sua publicação venha a ser interpretada de forma totalmente diversa do acontecimento que a gerou.

A foto acima, entretanto, se encaixa perfeitamente na afirmativa generalizante de que a imagem fala mais que a palavra pronunciada ou redigida. Aí, cabe bem essa afirmativa do senso comum. Trata-se, inequivocamente, de um flagrante monstruoso da fome na África negra, abandonada e explorada pelos países centrais.

A imagem é um dado alarmente, pelo poder de síntese e argumentação imagética. É um grito e um protesto. Uma acusação à humanidade enquanto suposta instância ética coletiva; humanidade que se desetizou e se distanciou de sua essência de humanização e compaixão. Seria mesmo a denúncia da calamitosa situação dos povos africanos de um modo geral, não fora um problema: o fotógrafo, Kevin Carter, que ganhou o Pulitzer de fotografia em 1994, esperou friamente que o abutre se aproximasse da criança faminta, nas terras áridas do Sudão, para captar o momento. Depois, partiu e deixou a criança à própria sorte. O menino estava a, apenas, um quilômetro de um campo de atendimento a famintos, mantido pelas Nações Unidas.

Movido pelo objetivo de obter um grande flagrante, esqueceu que, antes de ser jornalista, ele, o fotógrafo, era um ser humano. Faltou-lhe a compaixão. Sua ação aética embasou-se unicamente na captação do instante preciso para a obtenção da foto. Com isso, aliou-se à grande indiferença aos deserdados, aos invisíveis que sofrem e caminham todos os dias em avenidas, ruas, becos, lama e territórios tórridos.

A indiferença, que se tornou sinônimo de insensibilidade e inumanidade, rege os destinos do mundo e dos que buscamapenas o lucro, o individualismo, o bem estar privativo e doce das bonanças e privilégios.

Do menino, não se sabe o que aconteceu, mas é fácil imaginar. De Carter, pode-se informar: suicidou-se três meses após ter feito a foto, sucumbindo a profunda depressão. Assim caminha a humanidade.
Emanoel Barreto

terça-feira, 1 de abril de 2008

O navio, o cais, a beleza...

Caros Amigos,
O poeta e jornalista Walter Medeiros, amigo de velhas datas, enviou este belo "O cais", que trago a vocês.
Abraços,
Emanoel Barreto

O cais

Walter Medeiros

Carregado de sonhos, o navio
Singra, leve, a barra potiguar;
E em seu branco silêncio secular
Atraca sob as bênçãos desse rio.

O Forte é a eterna testemunha
De tudo que a história aqui faz,
Aliado com o mais belo cais
Canguleiro sem qualquer alcunha.

E os encontros se sucedem, felizes,
Uns chegando, outros indo seu destino
Pelas águas do formoso Potengi;

Corações de amor e cicatrizes,
Qualquer adulto parece um menino,
Cá, olhando o navio a seguir.

segunda-feira, 31 de março de 2008

31 de março: o dia que aconteceu em 1º de abril

Caros Amigos,

Foi triste, foi feio,
foi sórdido demais.
Foi um tempo longo,
gelado, cruel.
Inumado, indecente,
brutal, lamacento.

Foi triste, foi feio,
foi dor, foi tormento.
Foram facas longas,
sangrentas, ferozes.

A morte a cavalo
pisou sobre a Vida.
E gritos contidos
percorreram prisões.

Lamentos selados
surgiam de corpos.
Despedaçados corpos
em tantos porões.

Foi triste, foi feio,
insano terror.
Instantes, instintos
estavam ali.

Carrascos escuros
tramavam nas trevas.
E faziam vítimas,
caladas, morrer.

Quanto horror.
Quanta desonra.
Carrascos armados; amados, não.
A Pátria não quis aqueles filhos.
Abortos pardacentos.

E a história guardou seus nomes
nos escaminhos
mais sujos
do esquecimento.
Emanoel Barreto
Foto: O jornalista Vladimir Herzog, morto nas dependências do Doi-Codi

sexta-feira, 28 de março de 2008

"Irne tana absus,tare met die mor"

Caros Amigos,
O País estava sendo varrido por uma enorme onda noticiosa, um tsunami informativo a respeito de um certo Banco de Dados, que revelaria casos e tramas de um governo passado e suas tenebrosas transações presidenciais. O Banco de Dados, entretanto, ninguém sabia aonde ficava. Não tinha registro no Banco Central, não tinha agências em nenhuma parte do território nacional, nem funcionários, nem correntistas. Tratava-se, assim, de um mistério.

Como ninguém, nem mesmo os mais experimentados repórteres conseguiam ter acesso ao Banco de Dados, e com o agravamento da situação - gente na rua pedindo para saber se por acaso não teria algum dinheirinho por lá, pessoas querendo pedir empréstimos, outros pensando em praticar algum assalto -, foi convocada uma comissão se sábios, para descobrir aonde e como funcionava o tal Banco.

Os sábios, então, começaram uma grande peregrinação pelo mundo, consultando centenários documentos, sítios arquelógicos antiquíssimos, inscrições em cavernas e furnas, tumbas e locais absolutamente secretos. Mas, até então, nada fora encontrado. Enquanto isso, o noticiário explodia, como se um terremoto político-nacional fosse acontecer: uma suposta reunião de acusações a um ex-presidente era transformado quase numa tragédia.

Mas os sábios continuavam sua árdua tarefa. A mulher, a única do grupo - eles eram três -, afinal conseguiu decifrar uma intrigante inscrição rupestre, que dizia assim: "Irne tane absus, tare met die mor." Imediatamente após a descoberta, eles puseram-se a voltar ao País.

Chegando, foram recebidos pelos políticos e pela imprensa. A mulher foi chamada a falar, e afirmou: "A inscrição diz que, irne tana absus, tare met die mor, quer dizer: 'Jos ert mat, buat dole mur'. Essa a grande realidade que eu constatei." E, então, os jornalistas perguntaram: "E o que significa a segunda frase?"

Ela virou-se para eles: "Trata-se de grande mistério e eu não sei dizer o que é." Mas, pelo sim, pelo não, vamos todos continuar a buscar o Banco de Dados; é bem provável que ele exista e a gente possa abrir, pelo menos, uma caderneta de poupança.
Emanoel Barreto

quinta-feira, 27 de março de 2008

A imensa paisagem do mundo

Caros Amigos,
A imensa paisagem
da dor dos homens é interna e,
mesmo habitando o território escuro
e oculto da alma de cada um,
entra em contato
com a grande paisagem livre,
a grande paisagem da vida
que vive fora de cada um de nós.

É isso que ainda nos faz crer na possibilidade,
no passo seguinte,
no próximo amanhecer...
Emanoel Barreto
Foto: Autor não identificado.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Poder e pudor

Caros Amigos,
A adorável Carla Bruni, cantora e ex-modelo, mulher do presidente francês Nicolas Sarkozy, volta às manchetes com a divulgação de uma foto sua feita em 1993, quando era era top model e uma das mais bem pagas do mundo. Na foto, ela não faz o extilo femme fatale; está mais para ninfeta, uma espécie de inocência postiça, um convite ao lobo-mau.


Seguinte: o casal está em Londres, em visita oficial; sua união foi formalizada exatamente para evitar problemas com o protocolo: como poderia, por exemplo, a Rainha receber em Buckingham e deixar dormir sob o mesmo teto um casal presidencial não casado? E mais: em viagem a um emirado, o chefe de governo árabe mandou claros sinais de sua insatisfação em ter sob a sombra de sua respeitável figura a visita de um presidente modernete e de sua irriqueata companheira. Então, às pressas, providenciou-se a cerimônia nupcial. E Nicolas e Carla passaram de amantes a nubentes e de nubentes a marido e mulher. Só que, agora, explode a foto, exatamente quando eles visitam a Rainha.

Então, o que proponho é o seguinte: examinar a difícil convivência entre o mundo da diplomacia e da política, com seus ademanes e regras de bom-tom, ditames e procedimentos fixados, gestualidades e casuísmos comportamentais cifrados, homenagens administradas e saudações calculadas, frente à realidade humana e falível dos mortais que ocupam, circunstancialmente os altos cargos, especialmente aqueles que, também circunstancialmente, poderão vir a ser chamados a decidir os destinos do mundo. É uma mistura de hipocrisia litúrgico-política, com a decadência inata ao homem.

So para lembrar: o governador de Nova Iorque, Eliot Spitzer, perdeu o cargo após ser descoberto seu envolvimento com uma rede de prostituição. Seu substituto, David Paterson, por precaução, já declarou que traiu e foi traído pela mulher e, um ou dois dias depois, revelou: já fomou maconha e usou cocaína. Foi uma ação preventiva, sem dúvida orientada por sua assessoria de imprensa, a fim de evitar males futuros.



Estados e Governos, sempre, cercaram as figuras de seus representantes máximos de pompa e rituais, liturgias do cargo, a fim de enaltecer sua heroicidade, representatividade e legitimidade para representar - e comandar - o comum dos mortais, a massa, a patuléia, a burguesia e as elites que os cercam. Com isso, naturalizou-se a suposição de que a tais figuras deveriam necessariamente estar impregnadas de uma situação moral personalíssima e impoluta, uma aura de respeitabilidade incontestável. Como se ali, naquela pessoa, não fervessem os mesmos sentidos, sentimentos, desejos - sempre os desejos - fraquezas e pulsões dos demais.


E então, quando ocorrem os escândalos, o mitos se desfazem, imagens se desmancham e pudor e poder se distanciam, revelando-se a condição humana dos dirigentes. Somos destinados à queda e, mesmo que não devamos nos distanciar da ética, da honradez e da moral, é preciso saber que os atos das pessoas públicas, quando não interferem em seu desempenho, em seu papel de dirigente, legislador, o que seja, é unicamente uma questão pessoal. Tudo bem que as coisas de jornal alardeem a falta de pudor. Mas, insisto, pudor e poder não são as duas faces da mesma moeda. Não, em se tratando de vida pessoal. Mas, por precaução, é melhor evitar o falariço...
Emanoel Barreto
Foto: AP
*A Foto, segundo o Estadão Online, será vendida em leilão, para o qual se espera lance máximo de quatro mil dólares.

sábado, 22 de março de 2008

No Dia da Água, um mundo de lágrima

Caros Amigos,
No Dia Mundial da Água,
vemos um mundo feito de lama.

No Dia Mundial da Água,
temos uma vida cheia de drama.

No Dia Mundial da Água,
os líderes do mundo trabalham
para transformar o mundo
em lágrima.

No Dia Mundial da Água,
vamos olhar o mundo com olhos
irrigados de coragem viva;
e de vida para viver e fazer
dessa coragem uma grande alegria.
Emanoel Barreto

sexta-feira, 21 de março de 2008

Eles não sabem o que fazem

Caros Amigos,
Quando as crenças religiosas ou políticas levam o homem a atitudes de, no mínimo, insensatez, pode-se entender que, pelo menos para quem assim age, as finalidades espirituais foram encaminhadas ao cume do desequilíbrio. O mundo já tem violência demais, sofrimento demais, para que se use uma data especial para uma religião como forma e meio de se propiciar outros comportamentos de desequilíbrio.

A foto flagrou auto-flagelação no México, mas esta existe também nas Filipinas, onde, anualmente, na Sexta-feira Santa, pessoas são crucificadas, em atitude penitencial. O obscurantismo já fez muitas vítimas ao longo da história, como durante o período tenebroso da Inquisição. Fome e guerra dão à Terra mártires todos os dias, e não há razão para que mentes que adoecem em nome da fé se atirem a atos sacrificiais perversos e de barbaridade inaceitável. O fundamentalismo é irmão gêmeo da loucura.
Emanoel Barreto
Foto: Hrney Romero/Reuters

quarta-feira, 19 de março de 2008

Fundamentalismo e loucura

Caros Amigos,
Informam as coisas de jornal que o presidente do Egito, Hosni Mubarak, está concitando os mulçumanos a protestar contra a republicação, por jornais dinamarqueses, de charges do profeta Maomé. A Folha Online, por exemplo, detalha que Mubarak afirmou: "É necessário que os países muçulmanos unam suas vozes em nome de seus povos contra qualquer um que tente ferir o profeta e subestimar os sentimentos da nação islâmica e seus santuários sagrados". Este ano, os seguidores do islamismo comemoram aniversário do seu profeta, diz a Folha.

Uma das charges que satirizam Maomé está acima; de autoria do artista Kurt Westergaard.

Sinceramente, não sei o porquê de tantos ânimos acirrados, ameaças de morte e pessoas enlouquecidas correndo pelas ruas, pois é inegável que o Corão influencia grupos fundamentalistas e estes, a partir da interpretação ao pé da letra do que ali encontam, desencadeiam atos de terrorismo e insanidade coletiva. Vide os homens-bomba.

O maometismo valoriza o sacrifício, o martírio, a devoção completa e ilimitada à religião, o fatalismo, os Estados teocráticos. Há uma palavra árabe, "maktub", que significa "estava escrito", ou seja: o que lhe aconteceu somente assim se deu pois foi permitido por Alá. Ao fiel, cumpre curvar-se e aceitar.

Entretanto, é inegável, também, que o mesmo livro permite que pessoas sensatas sigam os seus ensinamentos e não se atirem a atitudes socialmente, digamos, descompensadas. Alá, com certeza, ilumina os justos.

A questão é que jornais têm por finalidade, dentre outros aspectos, exercer a crítica e, por vezes, com firmeza e agudez, agressividade mesmo. No caso da imprensa dinamarquesa, entendo que as charges demonstram o repúdio às atitudes insanas dos radicais islâmicos. Aos olhos ocidentais, é completamente inaceitável idéias como, por exemplo, a de guerra santa. Aonde está a santidade de uma guerra? Sinceramente, não vejo nenhuma.
Se é preciso denunciar, que se denuncie. Está escrito.
Emanoel Barreto

terça-feira, 18 de março de 2008

Ei! Parece que vem aí a Lei Tio Patinhas...

Caros Amigos,
As coisas de jornal informam que o Governo está pensando em incluir, na reforma tributária, imposto sobre as grandes fortunas. O único problema, de ordem técnico-jurídica, é dimensionar o fato gerador da cobrança do tributo, ou seja: designar a partir de quanto, tem-se uma grande fortuna, além de aspectos como obras de arte de alto valor, investimentos, essas coisas...

Mas, no Brasil, isso é facílimo saber: são pouquíssimos os grandes milionários e estes podem ser facilmente encontrados, suponho, num certo jornalismo conhecido como coluna social. Mesmo que, admitamos, muitos que ali aparecem estão mesmo cheios de dívidas junto aos cheques especiais.

O importante é o sentido da legislação, caso venha a ser aprovada. É inadmissível que poucos tenham tanto, enquanto tantos, milhões, tenham tão pouco, quase nada, ou nada mesmo. Seria uma ação dura e pertinente do Estado, exigir de alguém que pague para ser rico, uma vez que está implítico que aquela fortuna foi construída sobre o infortúnio de milhares, milhões de outros brasileiros.

A Lei Tio Patinhas é necessária e já vem tarde. Caso o Governo tenha coragem para lançar sua discussão em plenário, com certeza haverá dinheiro, bastante dinheiro, para atender a setores como o de casas populares, propósito que setores do PT já defendem como objeto da aplicação do dinheiro a ser arrecadado. E o povo, que sempre pagou o pato, pode ser que, agora, tenha alguma forma de reparação.
Emanoel Barreto

segunda-feira, 17 de março de 2008

Como ganhar dinheiro sem fazer força

Caros amigos,
Nos anos 1960 falava-se - eu nunca li -, num livro lendário: "Como ganhar dinheiro sem fazer força". Sempre tive curiosidade sobre esta obra que hoje, suponho, seja uma lenda urbana surgida naqueles anos tão ruidosos. Mas, essa questão de ganhar dinheiro tem, suponho, algum tipo de formulação. Estou querendo dizer o seguinte: ganhar dinheiro envolve sempre algum tipo de esforço, não raro sofrimento, empenho sempre e, não há como esquecer, qualificação. Quem reunir o máximo desses itens tem maior possibilidade de ganhar dinheiro. Isso, numa abordagem simples, de texto jornalístico. Resumindo: tem que fazer força para ganhar dinheiro.

Mas, o grande toque de midas é o seguinte: ganhar dinheiro sem trabalho, e mais: ganhá-lo em quantidade tal, para não se ter, nunca mais, que trabalhar. Daí, o suposto surgimento do livro que mencionei: agir de tal forma que, numa sociedade com má divisão de renda, alguém seja esperto o suficiente para que, num arranjo de malandragem, consiga usar as forças cruéis do mercado para se beneficiar. Agora, vejo na net o anúncio de um livro milagroso, que levará, inelutavelmente, à condição de multimilionário àqueles que o lerem.

O autor é um certo Bob Proctor, que prega Sete Lições para o aprendizado que levará qualquer um de nós ao paraíso do Tio Patinhas. Pelo que li no anúncio, parece que a sete lições são as seguintes: Como colocar um Gerador de Poder em seu interior; Os pensamentos viram coisas - compreenda a Lei da Atração; Controle do Pensamento - como direcionar o master-mind em seu processo do pensamento; Pensar Grande - como expandir sua visão para estar onde você quer; Velocidade de Manifestação - o Processo da Poderosa Manifestação da Abundância; As Fontes do Poder - Crença, Solicitação e Resposta; o Segredo para a Riqueza - Idéias Inspiradas e Ação Definitiva.
Sen-sa-ci-o-nal. Não percam, não percam.

Pronto. Lendo a respeito de tais artifícios, com certeza, ficaremos ricos. Todos ricos. Afinal, creio que tomou forma o fabuloso "Como ganhar dinheiro sem fazer força". É que as pessoas sabem, de alguma maneira, que o trabalho na maioria expressiva dos casos mal dá para pagar as contas, manter o filho numa boa escola, entrar para um cursinho, chegar a um curso de universidade federal. Isso, só para falar num dado da questão. E, assim, atiram-se à busca da sorte grande, para suprir, pelo bilhete premiado, os escassos caminhos de ascensão social.

E, então, chegam essas figuras mirabolantes, prometendo que tudo mudará, bastando que se leia um certo livro, que contém a receita mágica do Tio Patinhas. Mas, nessa busca incessante, as pessoas são como a criança da foto acima, terrível metáfora de mundo: ingênuos homens e mulheres que buscam um dinheiro que sempre foge, enquanto os tubarões se satisfazem com a luta vã.
Emanoel Barreto

sexta-feira, 14 de março de 2008

Mé dá um dinheiro aí!

Caros Amigos,
A secretária de Estado americana Condoleeza Rice, em sua passagem por Salvador, diz o Estadão Online, foi abordada por um menino que lhe pediu um real. Logo depois de passar pelo esquema de segurança, o menino fez o pedido, ele não entendeu o que a criança queria e esta, logo em seguida, foi afastada pelos agentes. Depois, ela foi homenageada pelo Olodum.

Só um comentário: até quando ficaremos dançando e rendendo graças aos senhores do mundo?; até quando as nossas crianças ficarão pedindo esmolas a essa gente?; até quando veremos como um favor e uma honra que condoleezas venham aqui, como quem faz um favor?
Emanoel Barreto
Foto: EFE

quinta-feira, 13 de março de 2008

Spitz: o governador que ficou em maus lençóis


Caros amigos,
Os jogos eróticos do agora ex-governador de Nova Iorque, Eliot Spitzer, continham, além do dado afrodisíaco-hedonístico, um molho que, literalmente, penetra bem fundo nos interesses da sociedade norte-americana: o dinheiro. Os agentes federais que acompanhavam os depósitos do governador a favor de firmas fantasmas que financiavam prostituição, certamente vigiavam mais o destino do money que os arroubos, os êxtases e enlevos do fauno governante em seus encontros com Ashley Alexandra, a moça da foto.
A questão moral, de estar um político de alto escalão envolvido com uma vendeuse d'amour, ficaria, certamente, em segundo plano. O culto ao dinheiro, lá, é tamanho, que nas notas de dólar está a sugestiva declaração "In God we trust". A questão era o descaminho de dinheiro, sem que o fisco tivesse sua quota. Ou seja: dinheiro girando, alguém lucrando, mas o Tesouro nada recebendo, em termos de tributo.
O dado moralidade, entretanto, tem peso específico para os americanos. E, quanto esse ingrediente insinuou-se entre os ternos e macios estofos do casal clandestino, vindo então o caso a público, fez-se soar a voz estardalhaça da tradição anglo-saxã, branca e protestante: vade retro infidelis pater. O resultado, todos já sabemos.
Enquanto isso, numa sociedade como a brasileira, mestiça, liberal, febrilmente brilhante de bacante alegria, o então presidente Itamar Franco compareceu a uma festa carnavalesca na companhia de uma mulher, uma modelo, que não portava, sob o vestido curto, uma delicada pecinha do vestuário íntimo feminino. Foram feitas e publicadas fotos. Houve comentários, chacotas. Mas... deu em nada. O fato não foi tratado como escândalo; muito mais como uma patuscada, um ato burlesco, do folclórico político mineiro.
Na verdade, o caso é mais uma visão da hipocrisia da sociedade americana. A leniência de costumes é prática antiga - aqui e lá -, e o maior ou menor repúdio a tais comportamentos depende da sociedade onde tais ocorrências se dão e venham a conhecimento público. Vejamos: se nada disso viesse a público, o governador ainda estaria em pleno mandato. Sua imagem de pater familias estaria intata. E a de homem público também.
Resumindo: o caso extra-conjugal em si, em nada compromete sua competência administrativa. Ele deveria ser socialmente julgado, sim, por enviar dinheiro a empresas fantasmas, que davam respaldo à rede de prostituição. A questão moral deveria ser resolvida entre ele e sua família. De qualquer maneira, Spitzer acabou em maus lençóis.
Emanoel Barreto
* Para não dizer que o Terra Brasilis não deu sua contribuição erótico-emprersarial ao caso, quem dirigia o negócio era a brasileiríssima Andréia Sachwartz. E jovem a moça, heim? Tem 33 anos. Quer dizer: tinha que ter samba no meio.
Foto: MySpace

quarta-feira, 12 de março de 2008

Epa! Upa! Eita!

Caros Amigos,
Aristóteles ensinava que "o homem é um animal político", ou seja: habitava a pólis, a cidade-estado grega e, imerso nessa realidade, suas atividades eram "políticas" na medida em que, como cidadão, ele participasse das decisões debatidas na ágora, a praça pública. Detalhe: cidadão era apenas o homem livre, senhor de terras e da casa, sobre as quais exercia sua autoridade. Mulheres, crianças ou jovens, e escravos, além de estrangeiros, claro, estavam fora desse conceito de cidadania.

Pois muito bem. Chegado aos tempos de hoje em dia, política é coisa bem diferente e, de alguma forma, todos sabemos o que ela seja. Não é o caso de, aqui, serem discutidos extensos rasgos teóricos, conceituais ou ideológicos. Só para não deixar a coisa em branco, podemos dizer que política é a luta pelo poder estatal e a busca, por um homem ou grupo de homens, de ali permanecer, exercendo o governo. Pronto.

Outro detalhe: o animal político, o bicho político, é esperto como ele só. De esperto, passa a ser experto. No contato com os jornalistas, com o tempo aprende a emitir comportamentos que terão valor de notícia e, assim, rapidamente, se mimetiza aos tipos noticiosos e enquadramentos que os jornalistas acionam para dar destaque a um fato.

Na foto do presidente Lula, temos um exemplo clássico, típico, infalível, de comportamento que chama a atenção dos repórteres. Ele sabia que, agindo do modo como agiu. Estava em Dianópolis, Goiás e falaria para cerca de quatro mil pessoas, durante cerimônia realizada num projeto de irrigação.

Então, eis que surge aquele obstáculo arquitetônico e ele, pá!, não perdeu a oportunidade: passou por baixo, numa posição inenerravelmente difícil, para chamar a atenção. Mas, isso não é uma culpa: é um hábito. Não é de hoje que os políticos põem criancinhas no colo, andam de braços dados com jogadores famosos ou vão até favelas "inspecionar" obras de urbanização.

Faz parte do espetáculo da política e do espetáculo do jornalismo. Trata-se, no final, de uma distorção: aquilo que deveria ser informação, pelo inusitado, pelo inesperado, tornou-se em técnica de marketing, que no final de contas o jornalismo absorva porque, ao fim e ao cabo, não deixa de ser notícia.
Emanoel Barreto
Foto: Ed Ferreira/AE

terça-feira, 11 de março de 2008

Arrivederci, Nápoles

Caros Amigos,
A imagem é de Nápoles, mas sem o lirismo, a dolce vita, o dolce far niente, a beleza romântica e o encanto que o mundo já conheceu, da linda - linda? -, cidade italiana. Nápoles, dominada pela Camorra, convive há anos com o lixo e transformou-se, literalmente, em uma área de lamentos. Não há mais bandolins ou romances. A sujeira amanheceu no meio da rua.

A Camorra controla os serviços de coleta e, em determinados pontos, enterrou lixo tóxico, vindo de outras partes do país, dizem as coisas de jornal. Há corrupção na polícia e, ao que parece, não surgiu ninguém com autoridade suficiente, ou coragem, para enfrentar a situação.

Assim é o nosso mundo: no Rio, o lixo é a violência, criteriosamente espalhada, meticulosamente apta a atingir qualquer um, em qualquer lugar; na Itália, Nápoles sumerge no lixo sólido e transforma seus habitantes em estranhos personagens desse Inferno de Dante pós-moderno.
Emanoel Barreto

segunda-feira, 10 de março de 2008

Os Rubayat

Caros Amigos,
Hoje lembrei-me, não sei porquê, do grande poeta persa Omar Khayyam. Pesquisando na net, encontrei uma tradução do seu mágico e belo Rubayat. Compartilho com vocês alguns trechos, antecedidos por texto de Alfredo Braga, o tradutor:
"Omar Ibn Ibrahim El Khayyam nasceu em Nichapur, na Pérsia, em 1040 e morreu nessa mesma cidade em 1120. Khayyam significa, em persa, fabricante de tendas; ele adotou esse nome em memória do pai que era fabricante de tendas. Além de poeta, Omar Khayyam foi matemático e astrônomo. Dos seus livros de ciência chegaram até nós o Tratado de Algumas Dificuldades das Definições de Euclides e as Demonstrações dos problemas de Álgebra. Em 1074, diretor do Observatório de Merv, fez a reforma do calendário muçulmano. Rubaiyat é o plural da palavra persa rubai, e quer dizer quadras, quartetos. No rubai, o primeiro, o segundo e o quarto versos são rimados, o terceiro é branco. Nesta “tradução”, não mantivemos a rima, nem a métrica “originais".

Os Rubayat
Nunca murmurei uma prece, nem escondi os meus pecados.
Ignoro se existe uma Justiça, ou Misericórdia;
mas não desespero: sou um homem sincero.

O que vale mais? Meditar numa taverna,
ou prosternado na mesquita implorar o Céu?

Não sei se temos um Senhor, nem que destino me reservou.
Olha com indulgência aqueles que se embriagam;os teus defeitos não são menores.

Se queres paz e serenidade,
lembra-te da dor de tantos outros, e te julgarás feliz.

Que o teu saber não humilhe o teu próximo.
Cuidado, não deixes que a ira te domine.

Se esperas a paz, sorri ao destino que te fere;
não firas ninguém.

Busca a felicidade agora,
não sabes de amanhã.

Apanha um grande copo cheio de vinho,
senta-te ao luar, e pensa:
talvez amanhã a lua me procure em vão.

Não procures muitos amigos,
nem busques prolongar a simpatia que alguém te inspirou;

Antes de apertares a mão que te estendem,
considera se um dia ela não se erguerá contra ti.
Há muito tempo, esta ânfora foi um amante, como eu:sofria com a indiferença de uma mulher;
A asa curva no gargalo é o braço
que enlaçava os ombros lisos da bem amada.

Que pobre o coração que não sabe amar
e não conhece o delírio da paixão
Se não amas, que sol pode te aquecer,
ou que lua te consolar?

Hoje os meus anos reflorescem.
Quero o vinho que me dá calor.
Dizes que é amargo?
Vinho! Que seja amargo, como a vida.

É inútil a tua aflição; nada podes sobre o teu destino.
Se és prudente, toma o que tens à mão.
Amanhã... que sabes do amanhã?

Além da Terra, pelo Infinito,
procurei, em vão, o Céu e o Inferno.
Depois uma voz me disse:
Céu e Inferno estão em ti.

Não vamos falar agora, dá-me vinho.
Nesta noite a tua boca
é a mais linda rosa, e me basta.

Dá-me vinho, e que
seja vermelho como os teus lábios;
o meu remorso será leve como os teus cabelos.
Um abraço,
Emanoel Barreto
PS: O nome do poeta, completo, seria o seguinte, de acordo com a Wikipédia: Ghiyath Al Din Abul Fateh Omar Ibn Ibrahim Al Khayyam

sábado, 8 de março de 2008

A Mulher e a luz de Aldebarã

A Minha Mulher chega com passos de silêncio
e faz do nosso dia um longo instante de luz amanhecente.
Ela traz no olhar calmo, a serenidade de muitos plenilúnios.

E depois de muitos tempos que são nossos,
sorri com a claridade suave de Aldebarã.

A Minha Mulher sabe, entretanto,
que fora dos nossos muros
a Vida traz os sabres alerta e as lutas sempre.

E não teme o Mundo e me dá a mão.
E, no Luar e na luta, é, sempre, Minha Mulher.
Emanoel Barreto

quinta-feira, 6 de março de 2008

Paulicéia desvairada



Caros Amigos,

A foto de Caio Guatelli, da Folha Imagem,
mostra a poluição
que anoitece São Paulo em pleno dia.

A garoa da morte,
poeira do progresso deslavado,
resíduo maligno da riqueza de uns poucos,
se espraia pela cidade feroz e grande.
São Paulo.

A poeira,
a tosse,
o engasgo com o ar grosso,
pegajoso de metais e nuvens endêmicas de carvão,
sujam os pulmões e a vida.

Sobre a poeira quase sólida,
está erguida muita grana.
Dinheiro muito,
para as mãos de muito poucos.
Emanoel Barreto

quarta-feira, 5 de março de 2008

Bip! Bip!

Caros Amigos,
As coisas de jornal no Estadão Online apresentam uma amável invenção, o Smera, carrinho movido a eletricidade, para um só passageiro. Coisa futurista, para marinetti nenhum botar defeito. Pudera: o carro não polui, não faz barulho, é facílimo de estacionar e tem um jeito engraçadinho. Tecnologia, digamos, bonachona, para um mundo que parece se encaminhar para uma idade de barbárie sofisticada, quando a grande tecnologia volta-se com vigor inaudito para o belicismo cirúrgico e para um neoliberalismo onde valerão sempre e mais as leis do mercado, a competição imperativa.
Só que o carrinho, tão bonitinho - quase digo bonzinho -, tem um probleminha: está inserido nesse após cortina do futuro que já se achegou: ele produz e reproduz com eficácia singular a solidão, o individualismo, a pressa do condutor para trabalhar mais rápido e atender às exigências do mercado, a submissão da pessoa humana a um sistema de exploração que tem por objetivo usar o homem da maneira mais completa.
Acho que prefiro o calhambeque
da velha canção de Roberto Carlos.
Emanoel Barreto
Foto: Efe

sábado, 1 de março de 2008

Caros Amigos,
Tempos bons, antigos,
Tempos já passados,
Desbotados tempos,
Instantes esquecidos.

Na estrada da vida
Rolando eles vão,
Bela bicicleta,
Amiga, boa, amável,
Ela é pedalada,
Passos sem pisar.

Isso foi na França
Dá pra adivinhar.
O velho e o neto,
O chão por testemunha,
Vivem seus instantes
D'alegria calma.

Bom fim de semana,
Emanoel Barreto
Foto: não consegui identificar autoria

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Ele não é o Pequeno Príncipe


Caros Amigos,
Bilhetíssimo a vocês. Quando descobriu-se que o príncipe Harry estava combatendo contra os talibãs, o Estado inglês resolveu trazer de volta, são e salvo, o pimpolho guerreiro de volta à sua homeland. Acabou-se a brincadeira. Agora, em vez de atirar em religiosos amalucados do terceiro mundo, Harry deverá voltar ao seu quartel e cumprir, suponho, seu período militar em bases menos perigosas.
O que acho deplorável pode ser definido de maneira bem objetiva: é mandar-se um jovem, com licença para matar, como ele fosse encaminhado a algum tipo de jogo ou brincadeira, pelo fato de ele ter (será mesmo?) sangue azul. God save the Queen.
Emanoel Barreto

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Quantos o Príncipe já matou?

Caros Amigos,
O príncipe Harry, terceiro na sucessão do trono da Inglaterra, está há quase três meses combatendo os talibãs, no Afeganistão. Creio que deve fazer parte dos afazeres de um monarca o aprendizado da morte. Então, é assim que se formam os futuros dirigentes do mundo? As elites, sempre, têm desculpas e explicações para as suas atitudes, especialmente aquelas que dizem respeito ao exercícios do poder via brutalidade.

O discurso oficial, certamente, busca salientar que o príncipe está sendo tratado como qualquer outro jovem em idade de serviço militar. Seria, digamos assim, sua inserção na democracia pelos caminhos das armas. Sem dúvida, é bastante democrática a distribuição de balas contra os afegãos.

Não se trata, aqui, de uma defesa do regime dos talibãs, pela sua própria natureza cruel, desumano e opressor, uma vez que cimentado num fundamentalismo religioso bárbaro e implacável.

A questão volta-se para o fato de que um presuntivo futuro rei inglês seja chamado às armas como parte de sua educação. Segundo o Estadão Online "Harry está em solo afegão desde dezembro. O envio do príncipe não foi informado antes por causa de um acordo entre o Ministério da Defesa e organizações de mídia, entre elas a Associated Press."

E a mídia, para completar, entra em conluio, nesse processo de ocultação. Por que isso? Por que esconder que o Príncipe está na linha defrente e, segundo o jornal, tem-se saído muito bem e corrido os mesmos riscos que seus companheiros de combate? Quem furou o segredo foram uma revista australiana e um jornal alemão.

Detalhe, a foto acima e outras que podem ser vistas no Estadão, na net, não demonstram nada de ação militar. O flagrante é, claramente, posado.

Outro detalhe: Só não foi revelado quantos o Príncipe já matou.
Emanoel Barreto
Foto AP

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Ela não é Flowers que se cheire

Caros Amigos,
As coisas de jornal anunciam que uma cantora da cabaré, Gennifer Flowers, está levando a, digamos, leilão, fitas com gravações de conversas com o ex-presidente Bill Clinton, dos tempos em que ele era seu amante. À época, ele era governador do Arkansas. As fitas foram gravadas secretamente e em 1990 um colecionador japonês, dizem ainda as coisas de jornal, chegou a oferecer cinco milhões de dólares pelo material.

Trata-se, obviamente, de uma trapaça política das mais sujas, praticada exatamente quando a mulher de Bill, Hillary Clinton, enfrenta o senador Barack Obama, na busca de sua indicação como candidata à presidência dos EUA como representante dos democratas. Hillary, por sua vez, também pega pesado com Obama, que a acusa de ter divulgado fotos suas vestidos com trajes típicos da Somália, onde o senador tem suas origens, com raízes muçulmanas.

Como se vê, o ofidiário está cheio. Mas, o caso com Flowers é provavelmente o que expõe a indignidade humana em sua forma mais deplorável. Uma mulher, envolvida com um homem que ocupa posição de destaque na política, trama o uso futuro dessa relação como meio de ganhar dinheiro, muito dinheiro.

Sabe-se que faz parte das hipocrisias norte-americanas, que é tabu, a infidelidade conjugal. Ou seja: desde que fiquem ocultas, podem ocorrer. Gennifer, que não é Flowers que se cheire, esperou esses anos todos, até agora, quando trouxe à tona as gravações. O escândalo político, certamente espera, fará aquecer a temperatura eleitoral, dando preço ao seu produto.

Trata-se, a venda das fitas, de um discurso complicado, esquizofrênico. Vejam só: Flowers põe as fitas ao mercado, esperando que algum sujeito doentio as compre, só para ouvir conversas entre dois amantes; com isso, ela quer dizer que Bill Clinton não presta, pois traiu a mulher; e a traiu com uma cantora de cabaré - e quem era a cantora da cabaré? Ela mesma, Flowers; ou seja: um governador desrespeita seu cargo e sua família com uma mulher de cabaré; afinal, essa mesma cantora vem a público e expõe à respeitável família americana a rosa rubra da indignidade, como que num processo de redenção às avessas: ele era o governador, eu fazia o meu papel. Ele deveria se respeitar, não eu, que era uma mulher de cabaré.

Ela mesma é invadida pelo discurso do establishment e agora o usa para ganhar dinheiro. Encerrando: diz-me com quem andas, que dir-te-ei quem és. E Hillary, que já havia suportado o furacão Lewinski, agora está às voltas com uma Flowers que não se cheira.
Emanoel Barreto
Fonte da foto: Reuters/ Arquivo

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

A Eva do Ibama

Caros Amigos,
O Ibama de Goiás instalou comissão de sindicância para apurar o desvio de 23 mil reais, desde 2005, por uma funcionária que, ao longo desse período, gastou todo esse dinheiro com tratamento de beleza. A beldade, cujo nome, claro, não foi revelado, aplicou o dinheiro em rejuvenescimento facial e corporal.

Suponho que deve haver uma justificativa. É óbvio que, lidando com questões ecológicas, lutando pela preservação e manutenção da natureza em estado de plenitude e beleza, ela deve ter chegado à conclusão que o ser humano é também natureza. E sendo ela mulher, portanto ser humano, é também naturreza e deveria ser preservada. E, nada mais justo, que usar das verbas do Ibama, já que este tem por finalidade defender a natureza. Isso é claro como água que não foi poluída.

Assim sendo, a moça partiu para a luta: deve estar muy bela, guapa y gentil señorita. E agora, com o corpo escultural, poderá caminhar pela selva como a Eva do Ibama e, encontrando-se com a Mãe d'Água, dizer-lhe que não acredite em corrupção no Brasil. Como a Mãe d'Água, corrupção, aqui, também é uma lenda...
Emanoel Barreto

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Aleluia, Gretchen!

Caros Amigos,
Conga! Conga! Conga! A carnavalização da nossa política terá, ao que parece, mais duas insignes figuras: Gretchen, que pretende disputar a prefeitura de Itamaracá, em Pernambuco, e sua filha, Thammy, que intenta ser vereadora por São Paulo, após estrear como atriz pornográfica. Trata-se, como se pode perceber, de duas grandes presenças, cuja visão social e capacidade política são, efetivamente, de admirar.

Ironias à parte, a ocorrência dessas candidaturas, vindo a se confirmar, representará um dado sócio-político a ser levado a sério: a situação chegou a um ponto tal de relaxamento e frouxidão, que figuras típicas do submundo, do caricato e do burlesco encontram-se e sentem-se capacitadas ao exercício de mandatos.

E, eleita uma ou outra, significará um tapa na cara do que se chama de classe política. Todos tão honrados, cheios de moral e pundonor, estarão lado a lado com artistas, digamos assim, de vida livre. É o marginal ocupando um lugar no púlpito antes reservado aos senhores e senhoras do establishment - mas que, na primeira curva da estrada, são flagrados praticando - como direi?-, alcances nos dinheiros públicos.

Com isso, tornam-se iguais à marginália, gerada pelo tipo de sociedade que essas pessoas ajudam a engendrar. Entretanto, os espaços democráticos permitem que, legitimamente, o marginal possa disputar e, claro, desfrutar de um mandato. Não estou falando de bandido; marginal, aqui, é em sentido estrito, aquele que está à margem, que não integra os grupos de dominação.

E como a dança política se aproxima, Gretchen e sua filha poderão, quem sabe, chegar ao Poder. E tome-lhe conga, conga, conga.
Emanoel Barreto
Foto: Ernesto Rodrigues/Agência Estado

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

A luz no fim da dívida

Caros Amigos,
A foto que uso como metáfora do longo caminho que o País percorreu até pagar a dívida externa é de Jean Manzon, o genial fotógrafo francês que fez dupla memorável nos anos 1950 com David Nasser, nos tempos mais vibrantes de O Cruzeiro. O Governo anuncia que foi paga a dívida externa e o País passou, de devedor a credor de outras nações. Não sei se é motivo de orgulho saber que minha pátria agora passou a explorar outros povos. Mas, são as regras do mundo.

Mas a foto, que encontrei por acaso, deu-me a sensação perfeita de caminho percorrido, labirinto subterrâneo, cavernas insondáveis, gente, povo, nação, vidas se movendo no escuro. Fica agora a dívida social, que é cobrada pelas favelas, pelos famintos, pelos que jamais chegarão à universidade.

Na prática, essas pessoas se mantêm no túnel da pobreza e da miséria. E nesse túnel o tempo parou. Mas a foto, pela sua magnificência, é um belo instante do ser humano a caminho do seu próximo passo.
Emanoel Barreto
Fonte: http://fotosite.terra.com.br/novo_futuro/portfolio_pop.php?id=326

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

O momento preciso

Caros Amigos,
A foto acima é de Henry Cartier Bresson, um colecionador de momentos, que congelava em imagens magníficas; ao que sei, sempre em preto e branco, a partir de uma máquina sem maiores recursos técnicos. A ele, bastava o olhar atento, a situação ideal, o ato chamando o olhar, para que surgisse a foto. Coisas de jornal.

Era ele, a partir de seu olhar intenso e descobridor, que captava a vida, o humano ser, o mundo inteiro como que resumido numa foto só.

Foi dele que surgiu a teoria do momento preciso. E o que é isso? Simples: o instante precioso, no momento certo. Um fragmento de tempo, em conexão com um fragmento de espaço se encaixam de uma maneira tal, que permitem o flagrante da vida, a sagração da vida. A rapidez do fotógrafo, a precisão sensível, o momento preciso. É isso. A foto diz tudo.
Emanoel Barreto

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Eu chamo o carcará

Caros Amigos,
A águia americana busca motivos e oportunidades em todo o mundo para fazer valer sua ótica, seus pontos de vista, apetites, intenções e propósitos. Por que os Estados Unidos podem se colocar como paradigma do mundo, estabelecer seus pontos de vista e seu way of life como marco para o planeta? Por que seus agentes desconfiam de tudo, seu governo sente-se perseguido em todo o planeta e, a troco de tal esquizofrenia, passa a atacar qualquer país que seja visto pela águia como ameaça, mesmo que virtual?

É estranha a moldura ideológica que rege os grandes do mundo. EUA e assemelhados estão sempre preocupados, ofegantes perante a história, vendo inimigos em toda parte e, assim, atacando a todos. Aí, sim, os inimigos aparecem. E, à sua maneira, do jeito que podem, contra-atacam.

Aqui, da minha parte, prefiro lembrar nosso Brasilzinho, nossa patriazinha: "Minha terra tem palmeiras/ Onde canta o sabiá."

Mas acrescento:
Águia besta
Vá embora
Vá voando para lá
Pois se um dia for preciso
Eu chamo o carcará.

Emanoel Barreto
Foto: Luis M. Alvarez, AP/WWP

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Adios, Comandante...



Caros Amigos,

A renúncia de Fidel à presidência de Cuba coincide com a entropia do tempo. Ele sucumbe à condição humana, ao desgaste inexorável que corpo e mente são submetidos ao longo de nosso percurso neste planeta.Paralelamente a isso, o mundo mantinha seu processo de mudança: caía o Muro de Berlim; Moscou seguiu na derribada; a China introduzia novas facetas em seu socialismo oportunista e opressor; psicopatas como Pol Pot, no Camboja, iam à dèbâcle; Enver Hoxa e os Ceaucescu foram expurgados pela história. A Coréia do Norte é a Coréia do Norte. Ou seja, o socialismo, ou comunismo, como queiram, revelava sua inviabilidade - pelo menos na práxis que assumiu.

Cuba, ao lado do Grande Irmão, sofreu um brutal processo de estrangulamento econômico, cujas repercussões históricas impediram, disso não resta dúvida, o desenvolvimento de sua economia. Mesmo assim, em aspectos como educação básica e atenção à saúde, a ilha atende bem ao seu povo.

Não tenho qualquer simpatia por ditaduras, mas suponho que, não fora o garroteamento dos cubanos pelos americanos e países centrais europeus, a realiade sócio-econômica, lá, seria outra. Aquele povo demonstrou, no mínimo, capacidade de resistir; e resistir com dignidade.

Claro que, com a saída de Fidel haverá mudanças: primeiro, ele deixa a presidência para assumir a condição de mito, lenda viva cercada pela aura de ser o grande líder e o maior do povo. Morto, estará elevado ao panteão do socialialismso cubano, ao lado de Che e de Camilo Cienfuegos. Enquanto isso, os EUA estarão em compasso de espera, aguardando, em esquina lúgubre, a sua morte.

Seu substituto deverá estar pronto para as mudanças históricas que virão. Agora, e quando Fidel calar para sempre. O sonho do socialismo, que embalou a minha geração, deixou-nos cara a cara com aquilo que a hipocrisia de muitos hoje chama de socialismo real. Ou seja: deu no que deu e ainda não se quer admitir que fracassou. Pelo menos, nesta quadra da história e da maneira como o socialismo foi levado a efeito. Do outro lado, o capitalismo atroz comemora sua suposta vitória e diz que passou o tempo de se lutar por um sistema mais justo. Mas sei que liberdade vai muito além de ter direito a comprar uma TV digital.

Vejamos o tempo passar. O império do tempo nos dará a resposta, algum dia. Aguardemos.

Emanoel Barreto

Foto: Américo Vermelho-30.jun.1999/Folha Imagem

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Preso perigoso agente infiltrado


Caros Amigos,
Esta perigosíssima cobra é, na verdade, um agente político disfarçado, cujas iníquias finalidades eram penetrar no Congresso e influenciar negativamente deputados e senadores que integram a CPI dos cartões corporativos.
Como sabe-se que a CPI tem todo o interesse de apurar tudo e demonstrar à nação que seus integrantes têm os mais sérios compromissos, o agente infiltrado pôs-se a agir, mas seus planos foram descobertos.
Avisada, a polícia saiu à caça. Rápidos, os agentes da lei capturaram o perigoso agente, que, agora, sob guarda, será levado a um presídio federal e ali mantido sob regime disciplinar diferenciado.
Não serão permitidas visitas e celular. De celular, apenas a cela onde o agente infiltrado será mandito.
Com isso, dizem as autoridades, espera-se que senadores e deputados apurem toda a verdade da gastança com os cartões. Assim, a cobrança de dinheiro público estará resguardada, já que, livres de influenciações maléficas, os congressistas poderão agir com toda a sua pureza d'alma, movidos pelos mais altos sentimentos de cidadania. Todo o País verá isso, no decorrer dos trabalhos. É um momento de regozijo para todos nós.
Emanoel Barreto

sábado, 16 de fevereiro de 2008

E as chuteiras ficaram tristes

Caros Amigos,
As coisas de jornal têm possibilidades múltiplas, ampliando seu leque de abordagem, dando curvas na comunicação. A depender da notícia ou reportagem, as coisas da vida, como o título de um filme, de um livro ou de uma canção, um ditado popular ou algo assim, podem perfeitamente se encaixar no espírito da matéria.

Por exemplo: certa vez, ao fazer uma reportagem sobre depressão, titulei o texto com o seguinte verso de Chico Buarque: "Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu." Percebe? Isso dá mais força ao texto, uma vez que remete o leitor a uma circunstância já experienciada, que foi o contato prévio com a composição famosa de Chico e a situação cinzenta de quem esteja passando por uma depressão.

No caso das charges, como essa de Ique, acima, publicada hoje no JB, temos exemplo claro de como uma determinada manifestação jornalística pode ir além daquilo que dela se espera comumente, e partir para angulações outras.

Comumente a charge é irônica, marcadamente política, tem cunho opinativo e, portanto, editorial. Acontece que charge, por isso mesmo, é um a visão de mundo, uma contemplação que, sendo irônica, não deixa de ter seu conteúdo trágico, uma vez que deplora sarcasticamente a miséria humana na gestão dos negócios da política e do governo. E, sendo visão de mundo, pode alentar-se a abranger outros significados, tratar de outras pulsações do humano gesto nesta vida louca e bela, triste e ao mesmo tempo magnífica.

Ique utilizou o espaço da charge para, vamos dizer assim, uma reflexão sobre a condição humana: um jogador de futebol, rico e famoso, ainda em condições de desfrutar de suas condições de atleta, de repente vê-se lançado ao escanteio da vida, durante uma jogada infeliz. Mais uma, em sua atribulada carreira de quedas e contusões.

Ique conseguiu, com vigor incomum, captar o sentimento de Ronaldo a partir de imagens da TV que o mostravam cabisbaixo, as muletas conduzindo, trôpegas, os pés de quem um dia já foi o melhor do mundo. Veja o traço, perceba o sofrimento que a imagem transmite. E o detalhe: junto ao rosto do jogador, três tracinhos dão o toque que expressam a sua dor. É a vida cabisbaixa e o homem sucumbido a ela.

Tudo parece ser o indício do fim. E reconfirmo: tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu.
Emanoel Barreto

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Olhai este lírio do pranto



Caros Amigos,

Ai que triste momento da criança, a brincar de perigo sem temer. Com firmeza no olhar tão triste e pobre, ela mostra o troféu que é sua dor.

Sucumbido instante, lamentável proeza.

Aprenderam-lhe artes desumanas, ensinaram-lhe atos ribanceiros. Meio aos pais que lhe forjam vida suja, a criança corre a virar restolho.

E se a vida cobrar, nalgum instante, que lhe pague tão caro um preço vil, a menina terá sempre o direito de enroscar-se e matar quem a picou.

Emanoel Barreto

Fonte: http://www.picarelli.com.br/fotolegendas/fotolegenda012003d.htm

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Comissão para Produzir Inutilidades-CPI




Caros Amigos,
PT e PSDB, como na alegórica foto acima, estão às mil maravilhas. Não, não se trata de uma afirmativa paradoxal: os partidos agora deram para, veja só, brincar de CPI. Como num jogo de amarelinha político, vão ficar atirando pedrinhas e saltitando do plenário para salas de reuniões e de lá para o plenário e deste para as TVs, jornais, rádios e internet, fuxicos e tolices.


De um lado e de outro há telhados de vidro, e as pedrinhas da amarelinha política vão certamente estilhaçar os finos cristais de deslizes, malversações, cambalacho, patranhas, acertos, jogos de luz e sombra. Foi só a oposição falar em CPI, que o Governo entrou na brincadeira e quer também esmiuçar o uso dos cartões corporativos dos tempos de FHC.

Tal panorama, lamentável procedimento de políticos que deveriam ter mais o que fazer, é o mapa exato e perfeito do nosso Congresso: apenas magotes de deputados e senadores trocando acusações, mas deixando blindadas as figuras presidenciais de Lula e FHC. Isso é coisa séria? Francamente, o povo não deveria ser engodado com essa amarelinha. Todos sabemos que a CPI dará em nada; ninguém será preso, dinheiro não será devolvido aos cofres públicos, a sociedade nada terá a lucrar.

Lucrar, lucrar mesmo, somente os partícipes do festim do Poder, que vão jogar sua amarelinha e não vão amarelar quando seus nomes pipocarem nas manchetes das coisas de jornal. Trata-se apenas, como veremos, de uma Comissão para Produzir Inutilidades. No mais, tudo bem.
Emanoel Barreto
* Ah, sim... No You Tube há um filminho de uns 15 segundos, que flagra o presidente Lula dizendo um baita palavrão, ao reclamar de fotógrafos de jornais que, segundo diz, o assediam em demasia.
Foto - Fonte: http://www.radiobras.gov.br/brasilia45anos/brasilia45anos.htm

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Carona com a morte



Caros Amigos,
A guerra no Iraque, com sua ira que se espalha em todas as direções naquele país, é o demonstrativo exato da brutalidade humana que se repete ao infinito. Ao lado dos tanques, caravana de dor, não ladram os cães, mas inocente criança que parece pedir carona. É a ingênua vida estendendo a mão à morte que passa bem perto.

O poderio das caríssimas máquinas de matar passa solerte e vai cumprir com sua sina de destruir e vitimar. A ira que recobre o Iraque com seu véu escuro, de terrível transparência fria, segue. E deixa atrás de si o rastro dos que foram preparados para conduzir a morte, que de há muito pediu carona nas balas e nos canhões.
Emanoel Barreto

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Olha o Obama aí

Caros Amigos,
Sob a proteção do Superman, Barack Obama posa para o futuro. E surge uma pergunta: como reagirá a ultra-direita americana? Será inaceitável a segmentos conservadoress da sociedade norte-americana, a presença de um negro, veja só, na Casa Branca. Não creio que, com ele, haverá mudanças substanciais na política externa dos americanos. Mas, de alguma maneira, seria uma mudança, o surgimento de um novo discurso da presença afro, um embate com o racismo.

Obama, ao colocar-se em comparação com o Superman, atribui a esse comportamento, implicitamente, sua adesão ao establishment, empalmando os valores brancos e dizendo apenas que os negros têm direito a dirigir o país que ajudaram a construir, nada mudando em termos de estrutura ideológica.

De qualquer forma, valeria a tentativa histórica de fazer valer a presença negra e sua importância nas formulações de mundo. Há quem fale que, eleito, em algum ponto do seu mandato seria alvo de atentado. Como se já não bastasse o assassinato de Martin Luther King e a agressão à sua grande pregação em favor dos direitos civis, afinal conquistados pelos negros.

O tempo vai escrevendo a história e cada parte da história tem o seu próprio tempo. George W. Bush riscou o cristal da história com sua guerra e seus terríveis gestos. Obama bem pode ser um bom sinal. Olha o Obama aí, gente!
Emanoel Barreto