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sábado, 24 de dezembro de 2011

O tempo não destroi aquilo que ele mesmo ajudou a construir.

O rio turbulento é apenas o motivo para que a ponte que o supera seja mais forte e mais bela. 

Feliz natal.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A cidade e o rio: poema visual de João Maria Alves


O olhar do mestre alteou-se até não sei aonde e lá de cima viu Natal, a torre da igreja velha, os telhados rebatendo em barro a luz do sol. Ao fundo o Potengi e os matos e umas casas escondidas nos meios dos matos e uns navios descansando - uns escorados nos outros. Natal.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Ainda lembranças minhas sobre a Cooperativa dos Jornalista de Natal-Coojornat

Um dia de sol no Rio,um dia de azar para Henfil, um dia de reportagem em Natal

A Coojornat foi fundada em 1977. Cerca de um ano antes chegava a Natal Henrique de Sousa Filho. Henfil, sabe? Eu era repórter da Tribuna do Norte e o chefe de redação Djair Dantas me mandou entrevistar. Djair foi um dos mais completos repórteres que já conheci: corajoso, bom redator, íntegro, companheiro. Era correspondente do Jornal do Brasil. Morreu jovem, em consequência de acidente de moto.

Mas, eu falava de Henfil. Pois bem: fui para a entrevista, devo dizer, ansioso. No mínimo. Afinal, além de ser o primeiro repórter a entrevistá-lo em Natal, ia falar com uma lenda viva, vivíssima, do cartunismo brasileiro, uma das tintas mais criativas e agudas que se voltavam contra o que chamávamos de estado de coisas  de então: a ditabranda, seus medos, suas ameaças. 

Detalhando o que quero dizer com lenda: o homem era do Pasquim: famoso, respeitado, figura icônica da resistência jornalística à ditabranda. Enquanto isso, eu, veja só: meros três anos de jornal - nascido no jornalismo policial -, ainda catava palavras no teclado da máquina e ensaiava textos de aprendiz. Eu conhecia o trabalho de Henfil e o admirava; ele sequer sabia da minha existência. Por aí você já vê a diferença, a disparidade. É em situações assim que o repórter é testado. Se você sucumbe ao mito, se a admiração supera o profissional acabou-se a entrevista e esteja certo de que você fracassará. Será um bobo curvado ante Michelangelo.

E botei uma ideia na cabeça: eu não ia fracassar. Não deixaria que o mito suplantasse o pequeno repórter. Pois bem, mesmo assim, mesmo pensando na disparidade entre o repórter e a montanha fui. Henfil estava hospedado na casa do Comandante Graco Magalhães, veterano piloto da aviação de caça, grande figura, então piloto do avião que conduzia o governador do estado. 

Graco morava numa casa vasta, antiga, linda, na Avenida Getúlio Vargas de onde se tem uma visão literalmente deslumbrante da praia lá embaixo, areia e sol, mar e ondas tinindo na retina. Essa casa não existe mais. Foi tragada pelos luxuosos espigões à beira-mar plantados...

Outra coisa: para você ver a imensidão de Graco, imensão de ícaro: ele, militar da reserva, hospedava um cara do Pasquim...

Bom, cheguei ao casarão da Getúlio Vargas e fui recebido pelo Comandante. Sorridente, gestos largos, levou-me a uma espécie de estúdio, uma sala de enormes janelas, uma sala luminosa. E então veio Henfil. Eu esperava um tipo grande, um portento. A forma humana correspondendo à visão do mito. Mas eis que me chega alguém de estatura média, levemente encurvado. E mancando. Foi um choque: por momentos tive a impressão de que se aproximava um velhinho... - a barba acentuava essa visão.

Eu me apresentei e o mito terminou por tornar-se maior; maior porque o homem colocou-se acima do que dele o forasteiro, eu, pensava; a criatura forte, apesar de contida em corpo frágil quase vacilante, o aperto de mão firme, uma ligeira reverência. Mesmo mancando, demonstrava força de viver. O olhar radioso e arteiro. Tratou-me como se de há muito me conhecesse. "Vamos sentar". Fiquei a seu lado e conversamos antes da entrevista.

Exlicou: estava mancando devido a um pequeno acidente em meio ao trânsito do Rio. Um dia de sol para o carioca. Um dia de azar para Henfil. Foi assim: ele estava com o carro parado. Veio outro carro por trás e por algum motivo trombou no para-choque. Foi suficiente para atirar o carro de Henfil alguns metros à frente. Em meio ao susto do impacto inesperado, temendo bater em outro carro ou em alguém mais à frente, teve um ato reflexo: pressionou e manteve o pé no freio.

O outro carro seguia colado, empurrando, forçando, numa dessas situações estúpidas, típicas de acidentes. Afinal os dois carros pararam. E quando tudo terminou a perna direita estava inchada, doía muito. Para ele, hemofílico, sedentário, isso fora um esforço enorme. Provocou uma espécie de distensão muscular brutal. Resultado: agora estava Henfil em Natal, mancando, amargando os resultados de um pequeno e grosseiro acidente. 
(Continua)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Feli$ natal

Estamos re-vivendo a alegria sazonal, a alegria programada, o amor vendido em cada canto do comércio, pago em muitas prestações ao longo do ano que vem, cartões de crédito correndo como loucos, fatiando o grande bolo das festas de fim de ano. O noticiário funcionando como alavanca das vendas. Cada notícia sobre o natal é parte do esquema publicitário.

Viver o natal tornou-se uma espécie de alegria coletiva imposta. E não importa o sofrimento nas filas, o desespero para garantir que estamos todos alegres, mesmo sabendo que não é bem assim. As festas de fim de ano são uma grande purgação de tudo o que se sofreu, se pediu ou se perdeu durante o ano. As festas são um grito, uma espécie de pedido de socorro em meio ao grande deserto das cidades. Um deserto que é mar ao mesmo tempo.

Navegamos em nossas cidades e somos náufragos dos nossos próprios portos. Remamos contra as correntes e não percebemos que o natal é um território distante, uma terra de maravilhas, um lugar fantástico onde reina a felicidade, um país aonde nunca haveremos de chegar. Mas o anúncio diz que sim e corremos à loja mais próxima, de preferência no shopping onde o artifício da luzas e das corers garantem que, comprendo seremos felizes. Mesmo sabendo que não é bem assim. 

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A dengue e o campo de futebol
Emanoel Barreto

Leio na Folha que Natal está entre as 14 capitais brasileiras que estão sob ameaça de volta da dengue. A questão envolve não apenas falha no serviço de saúde preventivo, mas, e especialmente, omissão da própria sociedade, já que os cuidados preventivos são divulgados intensiva e sucessivamente em TV, rádio e jornal.

O problema é que somos um país onde pão e circo têm uma espécie de prioridade lamentável.

Fala-se em realizar-se uma Copa do Mundo, prometendo-se obras fabulosas a reboque de estádios colossais, verdadeiros jardins suspensos da era moderna. 

Pergunto: tais obras não poderiam ser feitas sem precisarmos gastar rios de dinheiro com estádios onde seleções de segunda categoria irão se enfrentar?

Em Natal o Walfredo Gurgel é um hospital doente, pessoas sofrendo em meio à falta de recursos. A dengue ameaçando voltar e todos pedindo, implorando um suntuoso campo de futebol. Melhor seria botar a dengue na marca do pênalti e tomar uma vacina de cidadania.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Mexendo nos arquivos do computador encontrei esta belíssima crônica de Augusto Severo Neto. Poeta, aviador, cronista, trato ameno, ótima conversa. Quando eu editava um caderno especial na Tribuna do Norte, idos dos anos 80, ele sempre me trazia belas crônicas, editadas para os domingos. Eu escolhia criteriosamente a ilustração e ele me dizia: "Barreto, só você sabe editar meus escritos." Bobagem, bondade dele. Mas eu me esforçava. Abaixo, o magnífico texto de um grande amigo que hoje é saudade.

Um sábado de maio
Augusto Severo Neto

Um sábado qualquer do mês de maio. Maio das flores e das noivas, de um tempo em que isso não significava apenas uma promoção a mais de diretores lojistas, das lojas de eletrodomésticos, dos magazines de confecções e outros como tais. Mês de maio inteiro e de vergonha, daqueles que, às vezes, ainda aparecem nos antigos filmes e nos romances de primavera e de amor.


Sendo sábado e principalmente sábado de maio, era dia de footing na Ribeira. Isso significava que a rua Doutor Barata, a rua das Virgens, a Duque de Caxias, a Tavares de Lira e principalmente a Praça Augusto Severo (cuja estátua ostentava um ar particularmente feliz), estavam floridas de mulheres bonitas, que desfilavam seus vestidos de melindrosas, suas meias de seda e seus sapatos de saltos altos e grossos, semelhantes aos das dançarinas de flamengo, até mesmo pela correia trespassada no peito do pé. Era um colorido macio de tons pastéis, que harmonizavam com os rubans de vlours em torno do pescoço onde se costumava prender uma flor, ou terminados em laço, cujas pontas pendiam adiante e atrás, sobre as espáduas. Somava-se a isso o brilho dos pendentifs de coral encastoado em ouro; de esmalte, com o retrato do ser querido, ou ainda tipo coffret ultra pequeno, contendo uma romântica mecha de cabelos. Além disso, os colares, os anéis, as pulseiras e os brincos de pérolas, rubis, esmeraldas ou brilhantes, igualmente encastoadas em ouro.

Também naquele sábado, os homens envergavam seus melhores ternos, duques ou jaquetões, ou blazers de mescla inglesa, cinza chumbo, com calças pretas, com riscas de giz. Podia ser que estivessem ainda de calças de flanela branca ou creme bem claro, com paletó azul, tipo comodoro, com botões de metal. Meias de seda ou de fio de Escóssia, cuidadosamente estiradas pelas ligas. Sapatos de duas cores (branco e marrom), ou então negro, de verniz ou pelica. O uso do colete era comum e havia uma predominância de gravatas-borboletas em seda, com petit-pois vermelhos, verdes ou de outras cores, mais ou menos graúdos. Se a gravata era de manta, trazia, quase sempre, um alfinete ou um prendedor de ouro, com uma pérola preciosa, ou o monograma de quem os usava.

João Alves de Melo, da Photografia Elite e João Galvão do Photo Chic eram os fotógrafos da cidade e estavam ali presentes, atendendo moças, moços ou casais que quisessem guardar, como lembrança, uma foto em uma das passarelas-pontes da praça; debruçados no belo coreto; junto a Erma com o medalhão de Nísia Floresta Brasileira Augusta; sentados em um dos bancos de ferro forjado e pinho-de-Riga; ou ao pé do chafariz com sua graciosa indiazinha apertando a cabeça da serpente, de cuja boca saía um jorro de água. A Erma, o Chafariz e os bancos sumiram; as pontes-passarelas e o coreto foram destruídos, para dar lugar a isso que vocês estão vendo.

Do primeiro andar da Escola Doméstica fundada pelo Doutor Henrique Castriciano (irmão de Eloy e de Auta de Souza), as alunas internas olhavam a paisagem festiva e respondiam aos acenos dos moços da praça. A loja Paris em Natal estava com as vitrinas iluminadas e expunha seus artigos mais finos. Por entre os pares, na praça, havia vendedores de flores e garotos que carregavam taboleiros, oferecendo açúcar candi, sequilhos, alfenins, chocolates, "Charuto" e confeitos "Baratinha". Ouvia-se também o retinir do triângulo do vendedor de cavaco chinês. A sorveteria Polyteama estava cheia e era grande o consumo dos sorvetes e dos "polys".

À noite a festa continuaria. Haveria o concerto de uma cantora lírica no Theatro Carlos Gomes e um baile a rigor no Aero Clube. Luxuosos longos, muitas jóias, casacas e fraques, além dos primeiros smokers que começavam a aparecer. João Galvão e João Alves estariam presentes, espoucando seus flashes de magnésio e documentando fotograficamente as belas e os elegantes. Depois tudo sairia publicado n’A Cigarra, do saudoso e inesquecível Adherbal de França, o Danilo, primeiro cronista social da cidade."
Foto: http://www.substantivoplural.com.br/%E2%80%9Chistoria-da-cidade-do-natal%E2%80%9D/
Uma cortina sem fim
--- Walter Medeiros - waltermedeiros@supercabo.com.br 

Nas manhãs ensolaradas que começam as minhas semanas costumo olhar em volta do
ambiente, aproveitando a benesse do ar mais puro das Américas, o ar da nossa cidade,
Natal, capital do Rio Grande do Norte, nordeste do Brasil. Por entre aquelas plantas
dos canteiros centrais da estrada de Ponta Negra vejo os grupos de prédios que vão
formando uma cortina, como costumam dizer os arquitetos nos seus estudos sobre o
desenvolvimento urbano. São prédios prontos e habitados e prédios em construção, dos
mais sofisticados aos mais simples, cada um com a sua elegância. Aí me vem aquela
foto na memória, da estrada de muitos anos atrás, quando o caminho para o litoral
sul era apenas uma estrada acanhada que servia a um reduzido número de veranistas.
Para Pirangi, havia um ônibus que saía da rodoviária velha cedo da manhã e voltava
no fim da tarde. Que tranqüilidade!

Esse meu pedaço é um detalhe da nossa cidade, tão pacata naquele tempo em que o seu
maior edifício tinha cinco andares: o Edifício São Miguel, ali na Avenida Rio
Branco, em frente ao Banco do Brasil, à época Mercado Municipal da Cidade Alta.
Começaram a surgir os famosos arranha-céus, começando pelo Edifício 21 de Março.
Depois veio o Salmar, na avenida Deodoro, o prédio do INSS e o Barão do Rio Branco.
Nos anos setenta, chegou o Ducal Palace, em cujo Sky Terrace (17º andar) assistimos
várias vezes o belo pôr-do-sol do rio Potengi. Dentre todos esses prédios, apenas o
Edifício Salmar se destinava a residência. O crescimento horizontal da cidade ainda
era o mais natural. Anos depois, com essa tendência, cheguei a Capim Macio,
inaugurando, em 1989, o então Village de Latouche, construído em meio a poucos
prédios, granjas e mato. Hoje quase não se vê mais terreno sem construção.

Mas essa cortina de edifícios que assola Natal chega à minha casa como assunto
obrigatório, pelo menos en passant, pois Firmino Neto, um dos meus filhos, está
concluindo Engenharia Civil e seu estágio se dá exatamente com a tarefa de
acompanhar, participar e até conduzir em boa parte a construção de um prédio de
vinte andares. Ele participa da obra desde o primeiro mato retirado pela
terraplenagem e já está com todos os andares erguidos. Em meio a planilhas e
notebooks - ferramentas naturais agora nos canteiros de obras - lá chega ele sempre
com aquelas botas e, no carro, capacete e tudo que faz parte do seu trabalho. Ele é
muito exigente consigo mesmo e com os outros, daí a certeza de que tão logo termine
a construção daquele prédio estará pronto e diplomado para construir outras partes
dessa longa cortina de concreto.

Não tenho tendência para morar em apartamento - embora não diga que dessa água não
beberei - e ainda vivo as vantagens de morar em casa. Mas como anda rápido essa
cortina, comparando-se àquele tempo em que Natal praticamente terminava na corrente
próxima da Guararapes, hoje Midway e fui aluno do IFRN no ano em que se mudou para
Morro Branco, em 1967, como Escola Industrial de Natal; em que a corrente das
Quintas era o limite para entrarmos no rumo da Ponte de Igapó, a ponte de ferro,
pois Monsenhor Walfredo não havia construído ainda aquela primeira ponte de concreto
e Geraldo Melo não havia inaugurado a segunda ponte, duplicando aquela outra.
Naquele tempo havia até uma música que dizia "Prédios tão grandes me invadem o
coração / Telefonista, por favor, complete a minha ligação". É o progresso. Para
conviver melhor com ele, basta olhá-lo com os olhos do amigo médico e professor de
Inglês Tarcísio Gurgel, principalmente no crepúsculo, no qual as luzes que anunciam
a noite formam uma bela "Sky line".    

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

http://www.google.com/images?hl=en&q=lisboa&um=1&ie=UTF-8&source=og&sa=N&tab=wi&biw=1003&bih=395
Natal em Lisboa

Walter Medeiros - waltermedeiros@supercabo.com.br


A Semana de Natal em Lisboa foi uma iniciativa importante para o turismo natalense e
potiguar, que certamente justificará o investimento feito, em vista do retorno que

veio e poderá ainda vir, caso os órgãos responsáveis tenham respostas qualificadas a

dar para as demandas. Coincidentemente eu estava de férias com minha mulher, Graça,

e nos encontrávamos em Lisboa durante aquele período. Éramos hospedes da nossa amiga

portuguesa Carol Lopes, cujo apartamento fica a três quarteirões do Shopping
Colombo, onde foi montado o estande de Natal. Aliás, foi a primeira pergunta que
Mirian de Sousa nos fez: - vocês estão na comitiva? Não estávamos, mas sentimos uma
emoção boa, ao ver as coisas de Natal sendo apresentadas aos lisboetas.

O fato de não termos nenhum vínculo com a Prefeitura de Natal nos deixou muito à

vontade para observar as ações naquele momento e ter uma avaliação isenta. Ao nosso ver, as gestões feitas junto às autoridades eram as que tinham de ser feitas e

deveriam gerar uma sintonia capaz de desencadear um interesse além do espontâneo dos

potugueses por nossa cidade. No estande, entretanto, acreditamos que o trabalho foi

meio apático. Não parecia que estavam oferecendo nossa cidade à visitação e amizade.


Os atrativos foram parcos, como algumas peças de artesanato que não enchiam duas

mesas, e uma folheteria na qual muitas outras cidades brasileiras pegaram carona,

como Salvador e Rio de Janeiro. Em meio aos folderes, revistas e jornais, duas ou

três demonstadoras pouco informadas. Aí estava um ponto não tão positivo, mas não
suficiente para dizer que a iniciativa não teria sido válida.

Por outro lado, a mídia portuguesa praticamente ignorou o evento, que tinha tudo
para repercutir e transformar-se em novas oportunidades para Natal, seu povo e seu
empresariado. Até porque em Lisboa poderia ter sido aprendida muita coisa que,
trazida para nossa capital, levasse outros benefícos à nossa população. Cito um
exemplo. Fomos fazer um tour com a nossa amiga Carol e outra amiga portuguesa, Ana
Maldonado. Na visita ao Castelo de São Jorge, uma agradável surpresa: a entrada é
paga, mas os moradores de Lisboa são isentos; basta apresentar qualquer documento
comprovando ser natural ou residente na cidade. Acredito que seria uma boa idéia
copiar a isenção, concedendo aos natalenses a gratuidade nas visitas a monumentos
como o Forte dos Reis Magos. Além de levar os conterrâneos a visitarem e valorizarem
o monumento, estimularia a que levassem os visitantes para aqueles pontos históricos
e turísticos.

Ainda em Lisboa tomamos conhecimento do burburinho em torno da viagem. Não sei se o
número de pessoas foi o mais adequado nem tenho elementos para achar que não teria

sido. Deixei por conta da suposição de lisura e boa intenção, para enxergar a viagem
do chamado Vôo Colombo como uma iniciativa valiosa para Natal. Sabe-se que na área
de turismo essas idéias de convescote são muito fluentes, mas é preciso conhecer
para poder trabalhar essa indústria tão importante para a nossa capital. Por tudo
isso não acredito que a Semana de Natal em Lisboa tenha sido um fracasso. Ela pode
não ter sido conduzida da melhor forma, pode ter sido perdida a oportundiade de
movimentar melhor o estande e até de aproveitar a mídia. Mas acredito que o evento
estava no caminho certo.

Além do mais, esta capital tem a sorte de contar com vôos diretos para Lisboa e
vice-versa, e isto também favorece a muita gente que se destina a Natal, vinda de
outros países da Europa. Trata-se, portanto, de um ponto importante para todos, que
podem incluir a capital portuguesa no roteiro. São variantes que não se delineiam
em meses ou mesmo apenas um ano. É preciso um perído maios de tempo para avaliar
esses resultados ou até mesmo as suas influências, por menores que possam ser.

Se a vinda de turistas estrangeiros diminuiu como um todo, e se o turismo em Natal ficou
mais caro, não acredito que se deva culpar somente essa origem - Lisboa. O fato é
que a iniciativa trouxe uma experiência a somar-se ao conjunto de oportunidades que
nossa cidade tem e que precisam ser bem trabalhadas e aproveitadas por todos. Para
tanto, é preciso promover uma sustentação dessa oferta junto aos portugueses, que
têm uma ótima idenficicação com Natal, não só para o turismo, mas também para
outros investimentos.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Imagem: Art Final
Um natal de paz.
E que todos os espíritos se voltem para o Alto.
Emanoel Barreto