quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Jornalismo de excelência ou jornal não é guardião da honra de ninguém

O caso dos precatórios no Tribunal de Justiça, exposto a plena carga pela imprensa, reconfirma o papel do jornal como instituição essencial à democracia e à transparência do funcionamento dos Poderes. Até onde me informa o bom senso, tem sido de importância capital a presença dos jornais para que o assunto, ganhando espaço e força nas manchetes, ênfase e saliência na opinião pública, venha a ser apurado às últimas consequências.

O que a imprensa tem noticiado revela como a máquina burocrática do Tribunal de Justiça tinha falhas que permitiam a prática do desvio de dinheiro público. Por essas brechas, segundo se diz, atuavam os acusados. Os jornais mostram isso com notável precisão: os arranjos, o processo de fraude, a manipulação de documentos que, aparentemente cumprindo os trâmites exigidos, sugeriam legalidade ao gesto peculatário. 

Lembro palavras de Luís Maria Alves, o velho comandante do Diário de Natal: "Jornal não é guardião da honra de ninguém." Queria com isso dizer que o jornalismo se atém aos fatos e simplesmente os reproduz à luz do que constatou e apurou; sendo assim, cada um que zelasse pela sua reputação, pois aos jornais caberia denunciá-lo em caso de abuso qualquer que fosse. 

Claro, tal consigna está alicerçada na visão de objetividade, com todos os questionamentos que a envolvem, uma vez que um mesmo fato pode ser apresentado de variadas formas. Questão acadêmica à parte, o caso do TJ está sendo apresentado de forma objetiva. Não há como recusar que algo aconteceu, e isso obriga a Justiça e se fazer dentro da própria Justiça.

Os jornais estão cumprindo com rigor e isenção o dever de informar. Apuração é feita e pode ser percebida fartamente na forma como o noticiário é apresentado: matérias longas,detalhadas, divididas em retrancas - retrancas são matérias complementares - explicando como tudo se passou.

É importantíssima a ação dos jornais em casos como esse, quando já existe neste país uma sociedade civil atenta e indignada. Jornalismo é uma parte desse processo a que se chama sociedade civil, esse espaço social, público, onde se confrontam ideias e se propugna pela moralidade, combatendo-se, por isso mesmo, ideias e comportamentos em campo contrário. 

Silenciar, em tais circunstâncias, significa ser caviloso e alcoviteiro da indecência; cometer por omissão apoio ao esgarçamento da rede ética que deve servir de liame à vida na polis. Frente e isso, o jornal é a praça social para onde converge o olhar da cidadania, imerso o próprio jornal no mundo que noticia. Age, assim, em processo de representação do teatro do mundo ao mesmo tempo em que participa da tragédia histórica desse mesmo mundo. A notícia como meta-acontecimento. 

Pode-se compreender o que digo com um exemplo simples: é do senso comum dizer "deu no jornal". Ou seja: está nas ruas, é parte do rumor social. Com isso o jornal se torna uma espécie de entidade, um sujeito que, em sua virtualidade de sujeito, está para o cidadão como se fora outro cidadão. O noticiado passa a ser uma nova notícia, pulsante como o antigo grito dos gazeteiros: "Olha o jornal!"

Chamo a isso, a esse capacidade de noticiar e representar o mundo, de eficácia editorial, ou seja: potencialidade de influir junto à sociedade, fazer valer sua informação e sua opinião. Assim, se tal opinião e informação estão em sintonia fina com o que deseja a sociedade, cujos valores éticos e morais devem ter acolhida nas folhas, encontramos aí a repercussão, encontramos assim a eficácia editorial manifesta na perplexidade e, desta, na indignação das ruas.

Os valores pétreos da sociedade preexistem ao noticiário, são seus referentes. Quando atacados merecem o petardo das manchetes. A imprensa tem o dever da verdade. Não vou entrar aqui no debate do que seja esse conceito, filosoficamente. Quero dizer verdade na acepção de relato que coincide com o objeto que foi relatado, suas características, causas e consequências. E sou levado a supor, pelo que li, que as coisas estão sendo contadas conforme ocorreram.

Os jornais estão corretos em seu trabalho. É preciso levar adiante a luta. As pessoas acusadas, se confirmada a sua culpa, seriam responsáveis por crime de grande perversidade. De alguma forma o dinheiro desviado para uso suntuário faltará numa escolinha de bairro, na segurança pública, numa casa de parto, num grande hospital público, na conservação de estradas e outros bens públicos. De forma também perversa, tal prática enuncia a cultura da corrupção como naturalizada na máquina pública, quase uma praxe. Desta forma, será preciso ir a fundo nesse abismo. Sem medo de se ferir.

*  Minhas congratulações a Anderson Barbosa, do Novo Jornal, Isaac Lira, Marco Carvalho e Ricardo Araújo, da Tribuna do Norte, e Allan Darlyson e Paulo de Sousa, do Diário de Natal.



terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Diego Cortijo/France Presse
A coragem desses índios

As coisas de jornal da Folha me mostram essa foto divulgada pela ONG Survival International. O registro é da tribo de índios peruanos Mascho-Piro. Minto: não são índios peruanos. Esse discurso de dizer que índio tem a nacionalidade do branco que os dominou é parte da mentira que justifica a dominação.
Esses guerreiros não são peruanos; moram numa terra que os brancos chamam de Peru.

Os chamados índios são homens e mulheres de outras culturas que não tiveram condições materiais de repelir com eficácia os brancos que chegaram há cerca de 500 anos e assim acabaram dominados, explorados, aculturados e humilhados. 

Isso não acontece com os Mascho-Piro; eles não têm contatos com o homem branco. Um fotógrafo que tentou se aproximar caiu fulminado por uma flecha. Do mesmo modo que os americanos fariam, por exemplo, se um árabe se aproximasse de suas praias num barco. Onde está a "civilização"? Quem é o "selvagem?"

Que esses guerreiros continuem a desfrutar de sua vida na selva, defendendo-se dos brancos.
Querem entornar o viaduto do Baldo


Leio estarrecido matéria do Diário de Natal (ver abaixo) e chego à conclusão: só podem estar com tipo de brincadeira sinistra ou realisticamente esperando o pior: um desastre, uma hecatombe para então "tomar providências". Mais claramente: o viaduto do Baldo tem tecnicamente a possibilidade de desabar e nenhuma autoridade faz nada. 

Segundo o jornal, o viaduto cedeu dez centímetros e sua estrutura tem internamente bolsões de água. Isso decorre de fato histórico na administração brasileira: a leniência, a inapetência para atuar preventivamente. É uma manifestação sui generis do laissez passer francês ou do let it be dos ingleses: deixa estar, deixa passar. Ou o brasileiríssimo deixa como está pra ver como é que fica. 

Só que o viaduto, do jeito que está, não fica: pode vir ao chão. Enquanto isso, no mundo virtual da propaganda dos governos está tudo muito bem; a saúde é socializada, a educação melhorou estupidamente, o calçamento das ruas é um primor, Natal até merece uma Copa do Mundo. Sabe como é...

O problema é quando um dia ou uma noite tenebrosa registrar o horror de um rugido de pedra. É o viaduto do Baldo escorrendo, escorrendo como um rio de concreto e ferros. Aí será tarde, eles conseguiram; com seu descaso e insensibilidade, entornaram o viaduto do Baldo.

Viaduto do Baldo já cedeu 10 centímetros e corre risco de desabamento
Publicação: 31/01/2012 10:56 Atualização: 31/01/2012 12:10

De Sérgio Henrique Santos, especial para o Diário de Natal

O caso mais crítico de falta de inspeção predial em Natal parece ser o Viaduto do Baldo, entre a Cidade Alta e o Alecrim, região central da capital. Por dia, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob) estima que trafegam no trecho aproximadamente 5 mil veículos. Mesmo sendo um fluxo relativamente pequeno (comparado à ponte de Igapó, por exemplo, onde circulam 50 mil carros), é preciso atenção. Construído no estilo caixão há 34 anos, o velho viaduto foi erguido em concreto protendido, onde cabos de proteção substituem armaduras de ferro. Por causa da ação do tempo e da falta de manutenção, o Viaduto do Baldo já cedeu dez centímetros, conforme constata o último laudo técnico feito no local, em 2009. Pior: sem manutenção, 98% de estruturas antigas como essas seriam reprovadas em uma vistoria predial, avalia especialista na área.
 (Fábio Cortez/DN/D.A.Press)
De acordo com o engenheiro civil que realizou o laudo, a pedido da Secretaria Municipal de Obras Públicas e Infraestrutura(Semopi), o problema ocorre por causa das infiltrações. "Esse viaduto é um buraco oco por dentro, onde só há cabos. A armação tem corrosão, os cabos estão expostos. Estruturas assim não podem ter fissuras. Ao longo da laje percebemos a estrutura deformada. Há barrigas, desnível. Essa parte da estrutura já cedeu cerca de 10 centímetros. Como não há drenagem para fora, a água entra, se aloja, causando corrosão das estruturas. Isso faz peso no viaduto", constata Fábio Sérgio da Costa Pereira, engenheiro civil especializado em avaliações e perícias de engenharia. Quando a equipe do engenheiro fez um buraco para averiguar a situação, em 2009, água acumulada ao longo de anos jorrou no chão. "Pode acontecer um colapso da estrutura".

Embaixo do viaduto, ferros estão expostos, manchas pretas decorrentes de água de chuva se formam nas juntas de dilatação, há diferença entre os pilares e as paredes de apoio à estrutura. Algumas juntas de dilatação estão abertas. Entre elas, caberiam dois ou três dedos de um adulto. Alguns elastômeros, espécie de placas (ou calções entre a laje e o pilar), foram esmagados com esse excesso de peso por cima do viaduto. "Há muita água acumulada. Plantas nasceram ao longo de toda a estrutura e só existem plantas onde há água. Passando de carro, por cima, a gente percebe um desnível. O carro dá um pulo", relata o engenheiro.

Falta legislação que obrigue realização de inspeções


A solução para problemas em grandes estruturas como o Viaduto do Baldo e outras obras antigas, como a Ponte de Igapó (inaugurada em 1970), prédios históricos como o do INSS na Ribeira e edifícios antigos no centro da cidade, seria a realização de inspeções prediais periódicas. Não existe, no Rio Grande do Norte, uma legislação que oriente órgãos públicos a realizar a inspeção predial em seus prédios ou em prédios particulares. A Câmara Municipal de Natal deve votar um projeto de lei em março tentando regulamentar a inspeção predial na capital. "Atualmente essa fiscalização está entregue às construtoras. Se uma construtora tiver má-fé, faz o que quer porque não tem quem fiscalize. Muitas, inclusive, terceirizam e deixam de arcar com a responsabilidade", explica o engenheiro Fábio Pereira.

Uma lei que regulasse a manutenção periódica de cinco anos, para prédios novos, e anual para prédios antigos, seguiria as diretrizes da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e do Instituto Brasileiro de Avaliações ePerícias (Ibeape), que orientam como devem ser feitas as inspeções prediais, desde a documentação até as vistorias na estrutura. O problema é que deve haver uma legislação específica para tornar a aplicação dessas normas uma obrigação. Hoje, o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA) fiscaliza o exercício da profissão e a responsabilidade de uma obra, normalmente um engenheiro. O Corpo de Bombeiros vistoria apenas itens de segurança. Falta algum órgão que faça a manutenção da estrutura dos prédios, avaliando, por exemplo, riscos de desabamentos.

O Diário de Natal tentou entrar em contato com o titular da Semopi, Sérgio Pinheiro, cuja secretaria é responsável por estruturas urbanas como o Viaduto na região do Baldo. Ele não atendeu às ligações da reportagem.

Na Ribeira, galpões são remodelados sem reforço

A iminência de Natal repetir tragédias como a vista nos desabamentos do Rio de Janeiro é real. Falta fiscalização para realizar vistorias periódicas em prédios e estruturas com mais de 15 anos de construção. Sem as inspeções, estruturas antigas como os prédios da Ribeira, a quarentona ponte de Igapó e o antigo viaduto do Baldo, na região central, correm riscos de desabar. "Numa vistoria de inspeção predial, acredito que 98% seriam reprovados de acordo com as normas do Ibeape, seja por falta de documentos da obra ou de problemas críticos estruturais mesmo", alerta o engenheiro civil Fábio Sérgio Pereira, especializado em avaliações e perícias de engenharia.

No bairro da Ribeira, um dos problemas reside no fato de que muitos proprietários fazem modificações na estrutura dos prédios e reformas, sem fazer avaliação nos projetos nem contar com o impacto acústico. Alguns galpões, por exemplo, se tornaram bares, boates e restaurantes. "As pessoas retiram vigas e paredes sem conhecer a planta do prédio. Querem salões grandes, dar mais espaço de circulação, e fazem a retirada desses pilares. É preciso um estudo para ver onde cabe ou não retirar paredes, ou caso sejam retiradas, haja um reforço. O problema não é a retirada, mas como será feito o reforço para evitar problemas".

Na Ribeira, os prédios também estão com estrutura comprometida, especialmente os imóveis da Rua Chile, uma das mais antigas da cidade, e as marquises da Rua Dr. Barata. "Não se fazem serviços de manutenção. Muitas marquises estão com corrosão e ferro exposto. Está prestes a haver um desabamento. O ideal seria um reforço e impermeabilização nessas marquises", relata o engenheiro Fábio Pereira. Outra preocupação é a estrutura de segurança para evitar incêndios, provocados comumente por causa de curto-circuitos. "Isso também está ligado à falta de manutenção por parte dos prédios, e também dos condomínios que existem aqui em Natal. Os síndicos é quem devem providenciar a vistoria anual dos Bombeiros". 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Um monte de monturos

http://www.google.com.br/imgres?q=pol%C3%ADtica+lixo&hl=pt-
Um pequeno título de matéria na capa da Folha me chama a atenção: em três linhas de 18 toques o jornalão dos Frias informa: "Justiça permite que vítimas do Rio acessem escombros". 
Escandindo o sentido do texto poderíamos supor que precisamos sim acessar os escombros desse país. Há montes de monturos. Todos sabemos disso. Há uma ruína política que somente cresce; e desse crescimento brotam novos e mais escombros. 

Talvez algum dia turistas de outros países venham conhecer nossas ruínas morais, desmoronamentos éticos e outras desgraças. A corrupção renderá um bom dinheiro...

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Leio no Estadão e compartilho

Twitter vai ajustar seu 'censor' de acordo com o país

Empresa anuncia ferramenta que pode bloquear mensagem de um país e deixá-la visível em outro.



O microblog Twitter anunciou nesta sexta-feira um mecanismo que irá bloquear algumas mensagens, de maneira seletiva, levando em conta o país em que elas podem ser exibidas.
Em seu blog, a empresa anunciou que poderia "reter conteúdo de usuários de um país específico".
Mas disse também que o que for bloqueado em um país pode seguir disponível no restante do mundo. Até então, quando o Twitter decide apagar uma mensagem, ela desaparece em todo o mundo. 

Expansão
A mudança vem à tona em um momento em que o site social está se expandindo para outros mercados globais.
A empresa explicou que esse crescimento internacional significa entrar em países que "têm idéias diferentes sobre liberdade de expressão" e citou como exemplos a França e a Alemanha, que vetam conteúdo pró-nazismo. 

"Começando hoje, agora temos podemos reter conteúdo de usuários em países específicos - enquanto ele permanece visível no restante do mundo", disse a empresa em seu blog. 

"Ainda não usamos essa ferramenta, mas se e quando ela for necessária, vamos tentar alertar o usuário e vamos deixar claro que determinado tweet foi bloqueado." 

Críticas
A decisão foi criticada pelo grupo Repórteres Sem Fronteiras. "Essa medida pode permitir que o Twitter ou outras empresas na internet censurem conteúdos, criando riscos para a liberdade de informação e da imprensa." 

"Seria interessante perguntar para eles que tipo de pesquisa eles fizeram para mostrar que benefícios teríamos ao censurar tweets em alguns países. Isso é algo problemático mesmo ou eles estão sendo pressionados por certas organizações ou certos regimes, para que possam continuar a funcionar nesses lugares?" 

Em resposta, o Twittter disse: "Nossas políticas e nossa filosofia em relação ao reconhecimento da liberdade de expressão não mudou. Este é simplesmente um esclarecimento sobre como respondemos a requisitos legais." 

Muitos usuários do Twitter também reclamaram da medida, com alguns destacando a possibilidade de um impacto negativo na liberdade de expressão, especialmente fora dos Estados Unidos. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
A política como patranha ou de homúnculos, alquimistas e faunos

Acompanhar o noticiário político é exercer uma espécie de dolorosa experiência civil: não se vê o anúncio dos grandes gestos históricos, as decisões que ficarão para repercutir no mundo e nas gerações; ao contrário, é quase interminável o noticiário a respeito de tipos roubadores, rapaces, espertos, de grande e eloquente desonradez.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedra_filosofal

A Câmara Municipal de Natal é em boa parte composta por condenados, só para ficarmos nesse exemplo minúsculo. Pensando em tais elementos vem-me à cabeça a palavra "homúnculo", que o Houaiss designa como "indivíduo insignificante e/ou de caráter mesquinho, vil" ou "ser artificial que os alquimistas gostariam de ter criado". 

Observando esta última acepção chega-me também a impressão de que os homúnculos, ao contrário do que afirma o dicionário,  realmente existem, foram criados e feitos. Começo a temer, assim, que os alquimistas criaram os homúnculos, mas falharam no seu aprisionamento em seus laboratórios secretos e doutos. Sendo assim, libertos, criados e ativos, tomaram como meta de vida outro propósito dos alquímicos: a obsessão pelo ouro. Aqueles queriam descobrir a pedra filosofal, que transformaria em ouro qualquer metal inferior. 
http://virtualia.blogs.sapo.pt/34007.html

Não movia os alquimistas, pelo menos não completamente, suponho, a cupidez pura e simples: eram movidos pelo processo,pelo interesse da descoberta, a manipulação dos metais, sua transmutação. Claro, o ouro era motivo também, mas seria consequência do engenho de mentes inquiridoras. Havia, sem dúvida havia, a miserável condição humana em busca da riqueza, mas existia algo elevado a dirigir as experiências sou levado a acreditar.

Agora, quanto aos homúnculos, após escapar dos laboratórios, meteram-se no mundo social, chegaram aos tempos de hoje e prescindindo do Lapis Philosophorum, encontraram outra maneira de fazer ouro: muito simples: basta assumir um cargo público, seja por mandato ou nomeação para chegar ao precioso metal e seus sucedâneos sociais - dinheiro, papéis de valor, contas em paraísos fiscais - sem precisar se expor às cansativas experiências dos medievos alquimistas. 

Desta forma os homúnculos pululam à solta e sortidos pelos gabinetes, tramas e tribunas. Amealham fortunas, tornam-se notáveis, engendram engenharias políticas, artificiam conciliábulos e fazem leis. Assim, temos hoje toda uma fauna de faunos insaciáveis, cheios de lascívia política, espojados nos leitos fartos e nas alcovas aconchegantes. Estão todos eretos e querem poder.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012


Livro do médico Tarcísio Gurgel é estímulo ao intercâmbio cultural
Gurgel: livro rico em valores culturais e humanos

Janela aberta para o mundo”, uma obra bilíngüe - português e inglês -  é o novo título que o médico, turista e escritor Tarcísio Gurgel de Sousa lança no próximo sábado, 28 de Janeiro de 2012, às 17 horas, na Livraria Siciliano do Shopping Midway Mall, em Natal-RN. O livro é um rico relato sobre intercâmbio estudantil e os valores sociais e humanos que o autor adquiriu e cultivou durante 45 anos, que é o espaço de tempo decorrido entre os estudos através do American Field Service (1965) e os dias atuais.

Com uma memória privilegiada e um senso de organização raro, o autor resgata momentos, fatos, informações e fotografias, que com o passar do tempo vão se revelando preciosidades, e que vale à pena ler e ver.  Mostra com riqueza de detalhes aquele ano que passou nos Estados Unidos e as experiências que vieram em seguida. Tarcísio Gurgel formou-se em medicina, foi Médico Perito do INSS e da Secretaria Estadual de Saúde. Sempre gostou de viajar e já conhece mais de cinqüenta países em todos os continentes. Em 2007 o autor lançou seu primeiro livro sobre viagens, intitulado “Batendo asas - onde e como”.

“Janela aberta para o mundo - Open window to the world” teve um lançamento comemorativo em outubro de 2011, em West Chicago ? EUA, durante evento que reuniu os participantes da turma de High School 1965/66. Tarcísio Gurgel foi o orador da turma e diz que foi um momento emocionante e inesquecível, pois ali reencontrou dezenas de amigos, 45 anos depois. E é sobre esse tipo de laços de amizade que o seu livro trata. Tarcísio deseja que sua obra sirva de estímulo aos estudantes que pretendem participar de programas de intercâmbio

A força da imaginação a força da imaginação, a força da imaginação

Foto: Emanoel Barreto

Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces Faces

A fotógrafa americana Joni Kabana realizou um autorretrato dela e do filho, segundo o curador da mostra. “A foto da criança sem cabelos mostra a crueldade de uma doença e ainda a tristeza e o amor de sua mãe, que é a própria fotógrafa”, afirmou (Folha de S. Psaulo)

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

UFRN anuncia livros grátis para bolsistas; sem explicação mexe no edital e acaba a gratuidade

A Pro-Reitoria de Gestão de Pessoas da UFRN publicou edital para concessão de 130 bolsas a professores e funcionários que queiram se aperfeiçoar em inglês ou espanhol. Quem desejar participar, se inscreve a processo de seleção. Até aí tudo bem e muito louvável. Só estranho que o edital, divulgado ontem, tenha sido retificado hoje no que diz respeito ao seguinte: o material, que seria gratuito, agora será vendido em livrarias. As inscrições terminam nesta quinta-feira.

Meu estranhamento diz respeito ao fato de que houve flagrante falha na organização do evento. Instituições federais, especialmente uma das melhores instituições de ensino superior do Brasil como é o caso da UFRN, não podem promover eventos dessa importância negligenciando aspecto de tamanha relevância. Pergunto: por que, de repente, o material passou a ser vendido? O que aconteceu? É preciso dar transparência a esse processo. Abaixo, reprodução da alteração nos documentos. É só clicar e ler a íntegra de um e de outro, observando como a gratuidade foi riscada.


Primeiro Edital, datado de 24/01/2012

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O mesmo edital, retificado, datado de 24/01/2012

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Violência contra a natureza em Acari


No Twitter recebo apelo de Rosália de Acari, onde árvores foram literalmente atacadas e com grande fúria.  Ela manifesta-se indignada com a agressão a algumas árvores daquela cidade, uma das mais belas do Estado e, se não me engano, durante muitos anos considerada como a mais limpa do Brasil. Limpeza urbana é civilidade. Mas, parece, as coisas estão refluindo.

Ela não informa quem foi o responsável pela ação, mas suponho que seja obra de alguma autoridade local a serviço do bom senso.  Se não foi uma autoridade, deve-se à falta disso.

Lamentável sob todos os aspectos; espera-se agora que deixem as árvores em paz e que voltem à sua antiga beleza.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

domingo, 22 de janeiro de 2012

Leio na Folha e compartilho

Carro da Globo é queimado em reintegração de posse em SP


 
Um veículo da TV Vanguarda, afiliada da Globo, foi queimado durante a reintegração de posse da invasão do Pinheirinho, em São José dos Campos (97 km de São Paulo), na manhã deste domingo. A ação da Polícia Militar deixou ao menos um ferido.
A área, onde vivem cerca de 6.000 pessoas, é alvo de uma disputa entre os invasores e a massa falida de uma empresa, proprietária do terreno. 

Procurada, a TV Vanguarda confirmou que o carro foi queimado e disse que não havia feridos. A emissora informou que ainda não tem detalhes da ocorrência.
Um outro veículo também foi queimado na entrada do bairro durante a reintegração na manhã deste domingo.

Mario Angelo/Sigmapress/Folhapress
Carra da TV Vanguarda, afiliada da Globo, é incendiado durante a reintegração de posse no Pinheirinho
Carra da TV Vanguarda, afiliada da Globo, é incendiado durante a reintegração de posse no Pinheirinho
FERIDO
Uma pessoa, ferida por bala, foi encaminhada para o hospital municipal, onde passou por uma cirurgia. De acordo com a Secretaria de Saúde, o estado do paciente é considerado estável.
A Polícia Militar chegou ao local por volta das 6h. Cerca de 1.800 agentes participam da ação, que conta com o apoio da tropa de choque, de helicópteros e de PMs da cidade de São Paulo. Segundo a polícia, os moradores montaram barricadas e estão resistindo à ação. 

As famílias afirmam que os policiais usaram balas de borracha e gás de pimenta. Ainda de acordo com o grupo, moradores de bairros vizinhos ao Pinheirinho entraram em confronto com a Guarda Civil, que está apoiando a PM, e quebraram o alambrado que cerca o Centro Poliesportivo do Campo dos Alemães. O local estava preparado para abrigar os moradores após a reintegração de posse. 


Lucas Lacaz Ruiz/A13/Folhapress
Tropa de choque da Polícia Militar chegou à área invadida por volta das 6h
Tropa de choque da Polícia Militar chegou à área invadida do Pinheirinho por volta das 6h
 
JUSTIÇA
 
O Tribunal Regional Federal da 3ª Região suspendeu na sexta-feira (20) a ordem de reintegração de posse da invasão Pinheirinho. A decisão também devolveu o caso para a Justiça Federal. 

O desembargador federal Antonio Cedenho, que analisou o caso, entendeu que a disputa envolve a União, já que o governo federal manifestou interesse em participar de uma solução do conflito. 

Ao longo da semana, um imbroglio entre diferentes esferas do Judiciário fez o caso ser transferido diversas vezes entre a Justiça Federal e estadual. Esta última foi a que concedeu para os proprietários a ordem de reintegração de posse.

Um elegante buraco em traje de gala para festa de black-tie

Obra de arte é parte das obras de mobilidade da Copa

Este elegante buraco está amalocado em frente à minha casa desde junho do ano passado. Segundo disse, aproveitou as chuvas de então para, em processo de geração espontânea, nascer e reivindicar direito de existir. Detalhou que, sendo um ser humanizado, direito tem a direitos humanos. E, caso intentem retirá-lo dali, promoverá atos de protesto reunindo a seu redor outros e maiores buracos de sua espécie humanizada. 

Vaidoso, o buraco. Ante a proximidade do carnaval, vestiu-se à moda dos grandes bailes de priscas eras e garante que fará um belo carnaval. Creio que meus vizinhos, profundamente honrados com a criatura, devam lhe prestar respeitos, honras e aplausos. 

Se você atentar bem verá que o buraco é também entendido em arte. Em processo de meta-apresentação se mostra como uma distinta entidade de escultura abstrata e reafirma sua sofisticação. Nada mau, não?

Para você ver: nos tempos hodiernos, as coisas se tornam fetiche e ganham vida. Assim, espero que o finíssimo buraco continue lá. Até porque, para mim, tem grande utilidade: posso manobrar tranquilamente meu carro quando vou sair de casa, uma vez que os motoristas que trafegam pela rua têm obrigatoriamente de desviar a fim de evitar colisão com a obra d'arte. Desta forma, o eminente buraco cumpre também papel de disciplinador do trânsito e assegura a minha tranquilidade, protegendo o meu carro. 

Creio  mesmo, diante disso, que o citado Sr. seja parte das obras de mobilidade urbana da Copa. Creio, não: estou convicto. Esse buraco é sim uma obra da Copa. Viva! Eu bem que sabia que a Copa iria deixar um grande legado. Sensacional.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O que é Anonymous? O que é o Plano?

Uma mensagem de não-conformidade. Para pensar sobre o tipo de mundo em que vivemos.
É livre, mas não é independente...

A pressão que o governo americano exerce sobre a internet como espaço libertário, e a eficácia com que essa pressão é exercida, vide o episódio Sopa, põem por terra a suposição de que esse campo seja livre, aberto, anárquico. Pode até ser em essência, intenção e prática. Todavia, algo não pode ser deixado de lado: pode até ser libertária, aberta, anárquica, mas a internet não é independente. Não é como um jornal impresso, que, a rigor, somente deixará de circular por falência, alguma forma pontual de censura como foi o caso do Estadão, ou ascenso de ditadura, algo bastante improvável. 

Quanto à internet, todos nós, usuários, somos sim dependentes de um sistema cujo controle, em última instância, está sob mãos que podem nos calar, e o que é pior: com inteiro amparo legal, por mais que essa legalidade tenha um profundo conteúdo antidemocrático. Lei é lei. A internet é controlada na China, em Cuba, Coreia do Norte e Mianmar, por exemplo. 

Certo que ali temos sistemas onde não há liberdade. Como é certo também que os poderes da democracia formal também são, para uso das elites, assemelhados aos poderes ditatoriais: quando o sistema de comunicação começa a se tornar liberto demais, quando prejudica interesses das grandes corporações, vem uma legislação que protege tais interesses e torna a liberdade na rede equiparada ao crime. É essa farsa, é essa atitude tático-jurídica que põe fim ou pelo menos mitiga a força do seu grande, massivo número de participantes.

Sabemos todos que os jornais impressos também são controlados por grandes corporações, mas, historicamente, foram os jornais que, quando da vigência de ditaduras, se voltaram contra estas, mesmo que as tenham apoiado em seu nascedouro. O Brasil que o diga. Não faço a defesa desse tipo de democracia, mas entendo que ela se torna terreno próprio às conquistas de sociedade civil, ocupação de espaços, avanço em direção a uma sociedade que busca justiça social. 


Suponho, desta forma, que o afã com que alguns  anteveem o fim do impresso, com um certo cântico alegre e juvenil, colocando o impresso como artefato jurássico, não analisam o perigo que é termos apenas a grande rede de computadores como forma e meio de comunicação, seja de massa ou interpessoal. Sei do fenômeno de mercado que cerca o impresso, sei de sua queda de vendas, sei dos que racionalmente estimam seu fim para dentro de mais alguns poucos anos. 

Sei também que a história não se escreve em linha reta. Fora assim, os romanos ainda estariam dominando o mundo, já que a reprodução do seu poder se daria naturalmente, a par do desenvolvimento tecnológico especialmente no plano bélico, o que lhes garantiria a força e o domínio. Domínio gerando mais domínio, estagnação dos dominados gerando mais estagnação. Não foi assim, como vimos. 

Como os donos de jornais também são em grande medida donos de sistemas de comunicação na net, veja-se o Grupo Folha, estimo que haja intenção de agregar a força de um e outro sistemas, consolidando assim seu poderio. Claro que isso pode não acontecer, a partir mesmo do meu argumento de que a história não se escreve em linha reta. Quanto ao fim ou não do impresso estamos todos no terreno das especulações.Vejamos o que vai acontecer.

Mas, voltando à questão central deste artigo, meu temor é que havendo o fim do impresso fiquemos sob o guante do Grande Irmão, dominador de toda a malha comunicativa, estabelecendo de forma planetária o totalitarismo de uma corporação ou de corporação de corporações aliada aos Estados, uma vez que os Estados são colonizados pelo interesse privado. Isso, esse domínio, se fará sem resistência? Creio que não, coletivos como o Anonymous são um demonstrativo disso. 

Seria importante a existência do impresso, como seria importante sua convergência com a net, que, aí sim, funcionaria como espaço privilegiado à sua crítica, denúncia e acusação de erros perpetrados pelos donos dos jornalões. 


Enfim, apresento este artigo ensaístico como forma de expor  perplexidade ante um grande século que ainda está ensaiando seus passos na história.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Uma viagem de 45 anos é o tema do
novo livro do médico Tarcísio Gurgel

Janela aberta para o mundo é o novo livro do médico e escritor Tarcísio Gurgel, que será lançado no próximo dia 28 de Janeiro, às 17 horas, na Livraria Siciliano do Shopping Midway Mall em Natal-RN. O livro, bilíngue – português e inglês - trata do ano que o autor passou nos Estados Unidos como estudante e das experiências que vieram em seguida. Ele mostra como conheceu outras partes daquele país, com o que traz importantes informações, orientações, vivências e fatos hilários que viveu no decorrer destes anos, que não são poucos: faz 45 anos que ele concluiu os estudos proporcionados através do intercâmbio do American Field Service.

Com uma memória privilegiada e um senso de organização raro, o autor resgata momentos, fatos, informações e fotografias, que com o passar do tempo vão se revelando preciosidades, e que vale à pena ler e ver. Cada pagina da obra traz uma síntese madura e qualificada do pensamento sobre intercâmbio estudantil e os valores sociais e humanos que o autor tão bem soube adquirir e cultivar durante todas essas décadas. Trata-se de uma leitura que com certeza vai valer à pena.

O livro é uma espécie de viagem no tempo e no espaço, que começa com a narração sobre “West Chicago - Intercâmbio em Illinois, EUA (1965/1966)”; descreve em seguida como se sentiu “Vivendo nos EEUU - Uma experiência ímpar, singular, exclusiva e diferente”; fala sobre “O American Field Service (AFS) - Promovendo a formação do cidadão pleno”; detalha a “Convivência na Família Americana - Morando com a minha família norte-americana e estudando em West Chicago”; cita – “Letras de Saudade - As cartas que enviava e recebia – palavras de parentes e amigos”; e conta viagens que fez posteriormente ao ano do intercâmbio, a Denver, que descreve como “Um retorno emocionante e compensador”; Nova Iorque e Flórida (Miami, Kennedy Space Center e Disney World).

Tarcísio Gurgel tem 63 anos, é médico e perito aposentado do INSS. Em fins do ano passado foi aos EUA, onde, em West Chicago, lançou o livro para colegas de High School e foi orador da festa, que reuniu estudantes da época. Foi da segunda turma de brasileiros a participar do American Field Service - AFS. Foi intérprete no navio americano HOPE, que passou um ano em Natal, nos idos de 1971. Depois da viagem aos EUA, onde ficou um ano, tomou gosto por viagem e em todas as férias ou recesso está de mala na mão. 
 
O autor já conhece mais de 50 países, de todos os continentes. Em suas viagens, viveu os episódios mais variados e surpreendentes. Na viagem mais recente, em Nova Iorque foi recebido pelo diretor do AFS, a quem entregou um exemplar do seu livro e deixou outros para a biblioteca. Em 2007, ao completar 60 anos, contava 32 países e lançou seu primeiro livro - Batendo asas, onde e como. Agora lança Uma janela para o mundo em português e inglês.
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Texto: Walter Medeiros – DRT/RN 468

A menina que não existe mais

http://virgula.uol.com.br/ver/noticia/inacreditavel/2012/01/19/292461-luiza-voltou-do-canada-e-foi-parar-na-tv
Menos Luíza, que está no Canadá

Voltou Luíza, que estava no Canadá. Desceu dos seus quinze minutos de fama, da nuvem da internet, do avião que veio do Canadá. Voltou Luíza, que estava no Canadá.

Na hipercomunicação sua vida foi assim: nasceu de um ato falho na TV e existia porque não era vista. Agora, voltou do Canadá e deixou de existir porque ela não era ela; ela era "menos Luíza, que está no Canadá"; foi vista e acabou a graça. 

O efeito viral dessa pandemia que se chama hipercomunicação é uma influenza cuja influência mata os seres microscópicos nascidos em seus muitos tubos de ensaio e, parece, não há vacina sendo fabricada. A não ser que haja uma vacina e eu não saiba. Talvez a vacina não esteja aqui: não está porque está no Canadá.

Leio no Correio da Paraíba, estarrecido; há dinheiro para esbanjar com a Fifa, mas falta atendimento a filha de trabalhador

Menina com doença rara fica sem remédios

Maria Fernanda, de quatro anos, sofre de dermatomiosite juvenil, doença rara que causa inflamação na pele e nos músculos. Por ser um problema crônico, o tratamento precisa ser feito sem interrupção, mas os pais da criança não têm condições de comprar os medicamentos, que custam por mês R$ 14 mil.

A família, que mora em Vigário Geral, na zona norte do Rio de Janeiro, recorreu à Justiça para que os remédios fossem fornecidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). No entanto, o parecer foi negativo.
O pai da menina, Luis Fernando Gonçalves, é técnico em elétrica e não tem condições financeiras de comprar os medicamentos para a filha que sonha em ser bailarina, mas devido a inflamações musculares,não pode fazer muito esforço.

- Eu me sinto um inútil como pai de família, que não consegue comprar remédio para a filha. Não sei por que a Justiça não nos atendeu, pois tínhamos todos os documentos comprovando o quanto a doença dela é grave.
A Defensoria Pública Federal entrou com um recurso no fim do ano passado e aguarda um novo julgamento para o caso.

Segundo Eraldo Silva Júnior, defensor público federal, esta não é uma decisão padrão da Justiça, mas a Prefeitura do Rio alegou que seria atribuição do Estado fornecer medicamento de alto custo que, por sua vez, informou que o medicamento não é padrão, não podendo então ser fornecido pelo SUS.
Segundo a Defensoria, o recurso será apresentado aos juízes que irão julgá-lo até o início de fevereiro.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O vídeo que deu origem a essa conversa de Luíza que está no Canadá é esse logo abaixo. Um efeito viral inesperado para a agência que criou o comercial de venda de apartamentos.

 Montagner e Maria Fernanda Cândido: o Brasil de presidente novo

 O brado retumbante

Impressionante a forma como a Câmara dos Deputados foi apresentada ontem na minissérie Brado Retumbante: tipos boçais aplicadíssimos em seus computadores, outros presos ao celular: são esses os nossos representantes. Com isso, a produção da Globo parece ser um desses raros instantes de inteligência nas coisas da emissora dos Marinho. 

O ator Domingos Montagner faz o papel de um novo presidente da república, e que república. Cercado por um ministério de tipos ávidos, inconfiáveis, homens de intenções rasteiras, o ator conseguiu assumir expressão facial de um homem inseguro, alguém pisando em gelo fino. 

Ressalte-se o aspecto existencial, bastante humano, do personagem: ao ser acordado por um amigo que o comunica que será o próximo presidente, Paulo Ventura, o deputado que vira presidente de uma hora para outra, está curtindo ressaca pesada - que o diga a garrafa de uísque quase vazia jogada a um canto. 

Vêm a seguir o choque, a perplexidade, o temor da nova responsabilidade por parte de Ventura, veja só: um homem separado, uma voz que prega no deserto da política das espertezas está envolvido com a mulher de um colega, um senador baiano, típico representante da política miúda, feita a retalhos, safada, brasileiríssima.

Temos então a mais pura realidade transposta à ficção. Temos, efetivamente, verossimilhança: representação exata, ou pelo menos aceitável do real pela ficção, que critica o real do qual é ilação. Ficção como realidade escandida, levada às consequências máximas da dramaturgia televisiva, cuja enunciação ganha força exatamente pelos liames firmes com aquilo que representa.

A minissérie é carnavalizada, aqui no sentido de uso do carnaval como elemento crítico e atuante em meio à condição dionisíaca que deflagra: o Brasil como pátria de pilantras - que preguiça. Creio que a série tem tudo para atender a um determinado tipo de público que, à falta de um brado retumbante na vida, ganha esse grito no meio da tragédia que nos chega pelas antenas de TV. A arte de viver com a fé, só não se sabe fé em quê.

FEMEN: Mulheres protestam tirando a roupa na Ucrania

Recebo e divulgo comunicado dos estudantes de Comunicação




O primeiro Encontro Nacional sobre o Direito à Comunicação (ENDC)  ocorre  entre os dias 09, 10 e 11 de fevereiro  de 2012 na Universidade Católica de Pernambuco, em Recife.  Ate lá estão ocorrendo uma série de atividades de formação sobre o evento em várias universidades do país. No dia 31/01 ( terça-feira) será a vez da UFRN sediar uma dessas prévias para o  ENDC, a atividade ocorrerá no  Auditório do  “B” CCHLAa partir das 14h30

Entre os temas abordados estão esclarecimentos sobre a construção e  importância do ENDC, a trajetória do Centro Cultural Luiz Freire  e ainda a exibição do documentário “ TV AlmaSebosa” que trata, entre outros temas,  da falta de respeito aos Direitos Humanos na TV brasileira.

 O debate promete ser interessante e o Centro Acadêmico Berilo Wanderley convida  todos os estudantes, professores, Comunicadores comunitários, pesquisadores, representantes de ONGs,  grupos da juventude, movimentos sociais e associações  para participar desse evento, que está sendo realizado pela organização do ENDC em parceria com o  CABW, DCE/UFRN  e o núcleo da Revista Viração aqui no estado.

Então marquem na agenda, no dia 31/01 a UFRN vai discutir  sobre Direito à comunicação e sua participação é mais do que fundamental nesse debate. Contamos com a presença de todos.

Se liga:

 O Que: Pré-encontro sobre o ENDC na UFRN

Quando: 31/01/2012, a partir das 14h30 no Auditório B do CCHLA

Onde: Auditório  B do CCHLA

Mais informações: 
Organização do Pré-Encontro local: Ticianne Perdigão e João Victor (C.A. UFRN)
Contatos: Ticianne 84 88757505 e João Victor 84  8865-942

Tudo sobre o ENDC em : http://endc.org.br

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012


Historinha brasileira: a sofrida vida de um corrupto


Aproniano trabalhava de pedreiro. Paulo trabalhava de médico. Josepha Crescência trabalhava de advogada. Asclepíades trabalhava de corrupto. Pobre-diabo. Dava um duro danado para sustentar a família e até mesmo aquela sogra rabugenta. Começou trabalhado na Câmara Municipal, onde teve excelente desempenho intermediando verbas. 

Insatisfeito, o povo exigiu mais dele e tornou-o deputado estadual. Coitado. Como sofreu, avançado horas e horas noite adentro, executando grandes planos. Resultado: o povo cobrou mais do pobre-diabo, que tornou-se deputado federal. Aí sim, foi sofrimento grande.
http://www.google.com.br/imgres?q=corrup%C3%A7%C3%A3o&hl=pt-

Mais e mais lhe foi cobrado. Cansadíssimo, foi com notável esforço que o convenceram, ou melhor, intimaram a novo e terrível tormento: chegar ao Senado. Desesperado, sem saber mais o que fazer para atender ao povo ("Acho que esse povo quer que eu morra..."), continuou a trabalhar de corrupto, com inomináveis suplícios. 

O povo queria mais - veja como o povo é cruel - agora vinha a forçá-lo a ser governador. "Ó, Senhor, que atroz destino, fado e sina", lementava-se na solidão, ajoelhado ante um oratório, e se perguntava: "Por quê? Por quê? Por quê?". Entregou-se ao martírio de trabalhar duplamente, como governador e como corrupto. 

Afinal, cansado, melhor dizendo, exausto, decidiu-se. Reuniu toda a família e anunciou sua retirada da vida pública. "Após anos e anos trabalhando em favor do povo e da corrupção, injustiçado pela imprensa, injuriado pelos advrsários, quero comunicar que, ao contrário de Dom Pedro, não fico."

"Por que, papai?", quis saber o filho mais velho. 

Ele respondeu: "Não trabalhe tanto como o seu velho pai. Corrupção é coisa de muita responsabilidade. Cansa muito. Não insistam, que não mais trabalharei de corrupto. Não peçam mais de mim tal sacrifício."

"E o senhor vai trabalhar de que, se somente sabe trabalhar de corrupto e corruptor?", rebateu uma filha.

"Meus filhinhos", disse, com os olhos em lágrimas, "agora papai vai estar mais em casa. Agora papai não precisa mais trabalhar de corrupto. Acabaram-se meus dias de sofrimento. "Agora", disse com um sorriso no olhar, "papai vai trabalhar de empreiteiro." 

E assim foi feliz para sempre ao lado dos seus entes queridos.