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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Querem entornar o viaduto do Baldo


Leio estarrecido matéria do Diário de Natal (ver abaixo) e chego à conclusão: só podem estar com tipo de brincadeira sinistra ou realisticamente esperando o pior: um desastre, uma hecatombe para então "tomar providências". Mais claramente: o viaduto do Baldo tem tecnicamente a possibilidade de desabar e nenhuma autoridade faz nada. 

Segundo o jornal, o viaduto cedeu dez centímetros e sua estrutura tem internamente bolsões de água. Isso decorre de fato histórico na administração brasileira: a leniência, a inapetência para atuar preventivamente. É uma manifestação sui generis do laissez passer francês ou do let it be dos ingleses: deixa estar, deixa passar. Ou o brasileiríssimo deixa como está pra ver como é que fica. 

Só que o viaduto, do jeito que está, não fica: pode vir ao chão. Enquanto isso, no mundo virtual da propaganda dos governos está tudo muito bem; a saúde é socializada, a educação melhorou estupidamente, o calçamento das ruas é um primor, Natal até merece uma Copa do Mundo. Sabe como é...

O problema é quando um dia ou uma noite tenebrosa registrar o horror de um rugido de pedra. É o viaduto do Baldo escorrendo, escorrendo como um rio de concreto e ferros. Aí será tarde, eles conseguiram; com seu descaso e insensibilidade, entornaram o viaduto do Baldo.

Viaduto do Baldo já cedeu 10 centímetros e corre risco de desabamento
Publicação: 31/01/2012 10:56 Atualização: 31/01/2012 12:10

De Sérgio Henrique Santos, especial para o Diário de Natal

O caso mais crítico de falta de inspeção predial em Natal parece ser o Viaduto do Baldo, entre a Cidade Alta e o Alecrim, região central da capital. Por dia, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob) estima que trafegam no trecho aproximadamente 5 mil veículos. Mesmo sendo um fluxo relativamente pequeno (comparado à ponte de Igapó, por exemplo, onde circulam 50 mil carros), é preciso atenção. Construído no estilo caixão há 34 anos, o velho viaduto foi erguido em concreto protendido, onde cabos de proteção substituem armaduras de ferro. Por causa da ação do tempo e da falta de manutenção, o Viaduto do Baldo já cedeu dez centímetros, conforme constata o último laudo técnico feito no local, em 2009. Pior: sem manutenção, 98% de estruturas antigas como essas seriam reprovadas em uma vistoria predial, avalia especialista na área.
 (Fábio Cortez/DN/D.A.Press)
De acordo com o engenheiro civil que realizou o laudo, a pedido da Secretaria Municipal de Obras Públicas e Infraestrutura(Semopi), o problema ocorre por causa das infiltrações. "Esse viaduto é um buraco oco por dentro, onde só há cabos. A armação tem corrosão, os cabos estão expostos. Estruturas assim não podem ter fissuras. Ao longo da laje percebemos a estrutura deformada. Há barrigas, desnível. Essa parte da estrutura já cedeu cerca de 10 centímetros. Como não há drenagem para fora, a água entra, se aloja, causando corrosão das estruturas. Isso faz peso no viaduto", constata Fábio Sérgio da Costa Pereira, engenheiro civil especializado em avaliações e perícias de engenharia. Quando a equipe do engenheiro fez um buraco para averiguar a situação, em 2009, água acumulada ao longo de anos jorrou no chão. "Pode acontecer um colapso da estrutura".

Embaixo do viaduto, ferros estão expostos, manchas pretas decorrentes de água de chuva se formam nas juntas de dilatação, há diferença entre os pilares e as paredes de apoio à estrutura. Algumas juntas de dilatação estão abertas. Entre elas, caberiam dois ou três dedos de um adulto. Alguns elastômeros, espécie de placas (ou calções entre a laje e o pilar), foram esmagados com esse excesso de peso por cima do viaduto. "Há muita água acumulada. Plantas nasceram ao longo de toda a estrutura e só existem plantas onde há água. Passando de carro, por cima, a gente percebe um desnível. O carro dá um pulo", relata o engenheiro.

Falta legislação que obrigue realização de inspeções


A solução para problemas em grandes estruturas como o Viaduto do Baldo e outras obras antigas, como a Ponte de Igapó (inaugurada em 1970), prédios históricos como o do INSS na Ribeira e edifícios antigos no centro da cidade, seria a realização de inspeções prediais periódicas. Não existe, no Rio Grande do Norte, uma legislação que oriente órgãos públicos a realizar a inspeção predial em seus prédios ou em prédios particulares. A Câmara Municipal de Natal deve votar um projeto de lei em março tentando regulamentar a inspeção predial na capital. "Atualmente essa fiscalização está entregue às construtoras. Se uma construtora tiver má-fé, faz o que quer porque não tem quem fiscalize. Muitas, inclusive, terceirizam e deixam de arcar com a responsabilidade", explica o engenheiro Fábio Pereira.

Uma lei que regulasse a manutenção periódica de cinco anos, para prédios novos, e anual para prédios antigos, seguiria as diretrizes da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e do Instituto Brasileiro de Avaliações ePerícias (Ibeape), que orientam como devem ser feitas as inspeções prediais, desde a documentação até as vistorias na estrutura. O problema é que deve haver uma legislação específica para tornar a aplicação dessas normas uma obrigação. Hoje, o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA) fiscaliza o exercício da profissão e a responsabilidade de uma obra, normalmente um engenheiro. O Corpo de Bombeiros vistoria apenas itens de segurança. Falta algum órgão que faça a manutenção da estrutura dos prédios, avaliando, por exemplo, riscos de desabamentos.

O Diário de Natal tentou entrar em contato com o titular da Semopi, Sérgio Pinheiro, cuja secretaria é responsável por estruturas urbanas como o Viaduto na região do Baldo. Ele não atendeu às ligações da reportagem.

Na Ribeira, galpões são remodelados sem reforço

A iminência de Natal repetir tragédias como a vista nos desabamentos do Rio de Janeiro é real. Falta fiscalização para realizar vistorias periódicas em prédios e estruturas com mais de 15 anos de construção. Sem as inspeções, estruturas antigas como os prédios da Ribeira, a quarentona ponte de Igapó e o antigo viaduto do Baldo, na região central, correm riscos de desabar. "Numa vistoria de inspeção predial, acredito que 98% seriam reprovados de acordo com as normas do Ibeape, seja por falta de documentos da obra ou de problemas críticos estruturais mesmo", alerta o engenheiro civil Fábio Sérgio Pereira, especializado em avaliações e perícias de engenharia.

No bairro da Ribeira, um dos problemas reside no fato de que muitos proprietários fazem modificações na estrutura dos prédios e reformas, sem fazer avaliação nos projetos nem contar com o impacto acústico. Alguns galpões, por exemplo, se tornaram bares, boates e restaurantes. "As pessoas retiram vigas e paredes sem conhecer a planta do prédio. Querem salões grandes, dar mais espaço de circulação, e fazem a retirada desses pilares. É preciso um estudo para ver onde cabe ou não retirar paredes, ou caso sejam retiradas, haja um reforço. O problema não é a retirada, mas como será feito o reforço para evitar problemas".

Na Ribeira, os prédios também estão com estrutura comprometida, especialmente os imóveis da Rua Chile, uma das mais antigas da cidade, e as marquises da Rua Dr. Barata. "Não se fazem serviços de manutenção. Muitas marquises estão com corrosão e ferro exposto. Está prestes a haver um desabamento. O ideal seria um reforço e impermeabilização nessas marquises", relata o engenheiro Fábio Pereira. Outra preocupação é a estrutura de segurança para evitar incêndios, provocados comumente por causa de curto-circuitos. "Isso também está ligado à falta de manutenção por parte dos prédios, e também dos condomínios que existem aqui em Natal. Os síndicos é quem devem providenciar a vistoria anual dos Bombeiros". 

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011


Reproduzo carta do zootecnista Edgar Manso de Menezes ao  jornalista Marcos Aurélio de Sá, do Jornal de Hoje, em que analisa questões conjunturais da economia do Rio Grande do Norte. Abaixo:

Caro Marcos Aurélio,

Mais uma vez venho parabenizá-lo pelo O Jornal de Hoje, principalmente no tocante ao nosso agronegócio potiguar, tão judiado nos últimos anos.

Hoje estava arrumando alguns papéis e vi artigos que já te mandei, e que para meu grande orgulho foram publicados em seu jornal, e por isso são guardados com carinho. Para minha tristeza e reflexão mais profunda, notei que um deles era do ano de 2002 e eu comentava sobre “Dificuldades na produção de leite do RN”. Após lê-lo, vi que poderia ser republicado em 2011 sem nenhuma alteração, a não ser o preço pago pelo leite, que era de R$ 0,36 na fazenda que eu gerenciava em no mesmo ano da publicação.

Há meses que acompanhamos em todos os veículos da mídia, a falta de respeito para com os que fazem a cadeia da produção de leite no RN, com quatro, cinco quinzenas para receber do governo do Estado, e nada! O atual governo, através do novo secretário de Agricultura Betinho Rosado até que tem se mostrado sensibilizado e entendedor do problema, mas a proposta inicial de parcelamento da dívida em 24 parcelas quinzenais não vai resolver o problema deixado pelos desgovernos anteriores. 

Muito se falou e perdeu-se muito tempo na pendenga entre os órgãos que seriam responsáveis pelo não-pagamento aos produtores. Ora era a SETHAS, ora era a EMATER, mas sempre os atrasos foram permanentes.
Discutir sobre a importância social e para a pecuária leiteira do RN desse Programa do Leite é mais do que batido, é de domínio público as benesses do referido Programa.
Mas, meu caro Marcos, o que mais me chamou atenção nas páginas do seu vespertino do dia 24/01/2011 foram outras notas e notícias que paralelamente se assemelham a essa triste e repetitiva agrura dos produtores de leite. São pequenos agricultores, carcinicultores e piscicultores sendo impedidos de desenvolver suas culturas, e, consequentemente o nosso RN. E quem impede?
Hoje a Ministra da Pesca e da Aqüicultura, a petista Ideli Salvatti, teve o privilégio de conhecer uma pequena parcela do potencial do RN no setor em que a pasta dela se propõe a coordenar. Correndo os olhos nas notícias começo a fazer um paralelo com os produtores de leite e temo o desenrolar da trama. Há quantos anos os carcinicultores do RN brigam por melhores condições de produzir? Quantas e quantas vezes vimos Itamar Rocha dando entrevistas e batalhando por essa classe? Não só ele, mas como líder de um grupo ele é o porta-voz do mesmo. Quantas vezes já vimos absurdos relacionando carcinicultura com desmatamento do mangue? É importante deixar claro a sociedade que a carcinicultura não prejudica o meio ambiente, quem prejudica é o projeto mal elaborado e sem respeito às leis ambientais, quem prejudica é o homem de mau caráter. Hoje, por exemplo, temos trabalhos científicos de repercussão mundial, que provam que as águas que entram em uma fazenda de criação de camarões em cativeiro em João Pessoa, vindas do rio Paraíba, saem da fazenda após o ciclo de produção, com melhor qualidade do que entram, e a área de mangue na propriedade é a mesma há 14 anos, sem nenhum desmatamento. A população de caranguejos lá até aumentou nos últimos seis anos.

Na criação de tilápias em tanques-redes é que vejo o maior desperdício atual, pois é uma excelente oportunidade de renda para pequenos e médios produtores e as liberações das águas públicas no RN se arrastam há anos e não avançam em nada. A criação de tilápias é extremamente rentável. É possível um retorno de todo o investimento inicial em apenas seis meses, em se tratando de pequenos produtores. É uma atividade que se bem manejada não polui os mananciais. 
 
No Nordeste, são no Rio São Francisco os melhores exemplos da pujança da piscicultura em tanques-redes, desde a barragem de sobradinho, passando por Petrolina, na represa Luiz Gonzaga em Petrolândia, Paulo Afonso e seguindo até Penedo, já perto do encontro do Velho Chico com o mar, na divisa dos estados de Alagoas e Sergipe. A diferença desses municípios é que os gestores já definiram há muitos anos as políticas de liberação das águas, com medidas de preservação e sustentabilidade do ecossistema.

Seria uma utopia pensar em tilápias na merenda escolar? Proteína de altíssima qualidade produzida com baixo custo. Um quilo de tilápia é comercializado por cerca de R$ 5,00 nas fazendas. Dia desses alguém me falou em Programa da Tilápia... Confesso que achei uma boa idéia, mas esse nome é que dá medo...

Li ainda que os agricultores do RN já reclamam do atraso na entrega das sementes por parte do governo.

O agropecuarista Marcelo Abdon foi certeiro quando questiona se a EMPARN não divulga mais a previsão do tempo. Eu completaria dizendo que até divulga, e tem acertado até agora nesse ano, mas os elos são quebrados: A previsão do tempo que deveria servir para programar a entrega das sementes não é levada em consideração. Se fosse não haveria atrasos em anos de bom inverno e indicações errôneas de culturas inadequadas para anos com perspectivas de seca. Talvez o Seguro Safra seja uma repescagem para quem errou quando não podia.

O governo atual fala em revitalizar a fruticultura e criar a Secretaria de Pesca e Agricultura. São projetos importantíssimos, sem dúvida, desde que existam realmente “projetos”. Aliás, as duas secretarias terão bastante trabalho esse ano, pois de acordo com a EMPARN, a região do Vale do Açu corre sério risco de sofrer inundações novamente, prejudicando justamente carcinicultores, piscicultores e fruticultores.
Será que em 2012 veremos notícias diferentes? 

Sementes na época certa, previsão do tempo servindo de parâmetro, projetos de carcinicultura e piscicultura bem elaborados e acompanhados por técnicos competentes, proteína de qualidade na merenda de nossas crianças, produtores das diversas culturas supracitadas com a digna e justa recompensa pela sua produção.
A seca não é fenômeno novo!
Sempre me questiono o seguinte: DNOCS quer dizer Departamento Nacional de Obras Contra a Seca. Se esse “C” fosse sigla se CONVIVÊNCIA, será que alguma coisa mudava?
Eu sempre vou preferir conviver a ir contra qualquer coisa.

Edgar Manso
Zootecnista