sábado, 9 de maio de 2009


Os anos 50, os anos dourados
Emanoel Barreto
Os tempos passados são sempre os melhores: no calendário da memória estão as relíquias mais queridas, perfis mais amigos, um certo ar de inocência e graça. Até mesmo estado de graça. É assim que vejo os anos 50. Natal sem televisão, a Rádio Poti era a nossa TV Globo. Tinha até um cast de artistas, programas dominicais e uma programação imbatível.
Ainda me lembro de um programa "Telefone pedindo bis", em que uma menina, a depois minha amiga Nadja Lopes Cardoso, sempre telefonava pedindo que se tocasse mais uma vez "Is now or never", com Elvis Presley. No fim, as mais pedidas tocavam outra vez.
Tinha também o noticioso "O Galo informa". E, quando o galo cantava em edição extraordinária, Natal parava. Era o mesmo efeito que tem hoje o plantão do Jornal Nacional. Ao meio dia, um programa de humor, onde se destacava o personagem Toxó, bobo que só ele. Mas suas besteiras davam o tom da piada. Todo o roteiro era produzido por artistas da Poti.
A locutora Sandra Maria era uma das mais belas vozes. Na Rádio Nordeste, aos domingos, o "Balança mas não cai", produzido no Rio. Às sete da noite, na Poti, "Jerônimo, o herói do sertão", cujas fitas vinham da Rádio Nacional. TV chegou a Natal nos anos 60, por iniciativa do empresário Luis Cavalcanti, que tinha uma loja famosa a Casa das Máquinas.
Mexi um pouco nas gavetas da memória e esses personagens saltaram para me abraçar. Espero que abracem você também.

sexta-feira, 8 de maio de 2009


O ladrão atencioso: rouba, mas amanhã devolve
Emanoel Barreto

Deu na TV: nos Estados Unidos, um assaltante invadiu com calma e diplomacia uma loja e exigiu que o balconista lhe entregasse 50 dólares. O homem ouviu o anúncio de assalto, manteve-se calmo e... não entregou o dinheiro. Ao que vi, o assaltante não estava armado.


Ante a resistência, o assaltante pediu para falar com o gerente. O balconista ligou para o gerente e passou o telefone ao ladrão que, então, pediu... um empréstimo. O gerente atendeu e, dia seguinte, o homem voltou à loja e devolveu o dinheiro. Disse que precisava dos dólares para pagar um táxi. E, como estava sem dinheiro, resolveu fazer o assalto que se transformou em empréstimo.


É o que talvez se possa chamar de ética no crime. Na verdade, uma situação fantástica, que dá bem a dimensão do quanto a vida pode ser estranha, até mesmo bondosamente estranha. Trata-se de uma idiossincrasia, esse assalto. Da parte do assaltante, revela um drama íntimo, talvez um pedido de socorro, um discurso comportamental em que alguém, em meio aos seus dilemas internos, se socorre de situação-limite. É isso que ainda me faz acreditar no ser humano.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Tá ligado?
Emanoel Barreto

A manipulação, a alienação, o descolamento dos jovens frente à realidade é algo que preocupa. O consumismo, um hábito, estilo de vida. A tolice, quase um requisito.

No fim, quando se derem conta, estarão de costas para si mesmos e perderão a noção de que o tempo passou.

Vão para o orkut, usem o MSN. Depois, não digam mais nada. Afinal, vc pde sta flando so c a galera e naum ntar q a vda si passouuuu...


terça-feira, 5 de maio de 2009

Valha-me, minha Nossa Senhora!
Emanoel Barreto

Nos Estados Unidos, instituições bancárias foram submetidas a um "teste de estresse", para ver se suportariam a pressão da crise que eles mesmos, os bancos, criaram. Trata-se da mais inimaginável perversão econômica: bancos, veja só, estressados. Mais claramente: atribuiu-se a entidades jurídicas vorazes por dinheiro a condição de viventes, tornando-as sensíveis a choques emocionais. Como diriam os americanos: "Oh! My God!"

Logo os bancos, empresas que trabalham com o capital improdutivo e se regem pelos mais rígidos princípios da insensibilidade e crueldade para com a condição humana, têm, pelos seus donos, a desfaçatez de impetrar status igualitário ao Homem.

Daqui a pouco eles irão falar que os bancos estão com depressão - não a depressão em seu sentido econômico -, mas a depressão mesmo, aquela que se abate sobre aqueles que têm dívidas e prejuízos com as insânias cometidas por esses mesmos bancos.

Brasileiramente, digamos: "Valha-me, minha Nossa Senhora!"

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Conversando com Drummond
Emanoel Barreto

Bêbado, louco ou largamente humano?
Não sei. Não sei. Não sei.

Mas a estátua, com certeza, fala,
em seu silêncio de bronze eterno e sábio:
"Sei que tens razão. Mas, de qualquer forma,
também não sei, não sei, não sei..."

sábado, 2 de maio de 2009

O silêncio que se forma
Emanoel Barreto

Uma das formas de uma sociedade se reconhecer e se refletir é no seu jornalismo. Um jornal, uma emissora de TV, uma rádio, de alguma forma refletem essa sociedade, seja complexa ou mais simples. O que vem ocorrendo no jornalismo de Natal é algo assombroso, preocupante: uma espécie de desmanche em veículos tradicionais, em suas marcas e equipes, distanciando-os de sua verdadeira razão de ser: seus vínculos com a cidade, com o Estado, enfim, com a energia sócio-cultural pulsante.

Recentemente, o Diário de Natal promoveu demissões em massa, retirou de cena profissionais experientes e grandes promessas do jornalismo. Como o Diário agora é impresso em Pernambuco, foi demitido todo o pessoal gráfico. Comenta-se até que O Poti, tradicional título que publica aos domingos, será extinto para atender a questões mercadológicas.

O Poti faz parte dos afetos sociais de Natal e do Estado. É uma marca querida, é a cara dos domingos. A Rádio Poti, a primeira de Natal, dissolveu-se silenciosamente e agora tem outro nome - nem sei qual é, nem quero saber - advindo do grupo Associados, que detém controle sobre os veículos.

A TV Cabugi agora é InterTV, marca distante e fria, adstrita a grupo empresarial de fora. A Rádio Cabugi, vibrante rádio popular, inserida histórica e cotidianamente na vida do povo, cedeu lugar à Rádio Globo Natal e perdeu todos os liames com a cidade.

Um jornalismo ou uma programação que não refletem o dia a dia de sociedade sobre a qual se remete tornam-se, por isso mesmo, portadores de mensagens vazias. Que até podem atender aos interesses empresariais, mas que, inelutavelmente, são vazios de sentido social imediato, que só o telúrico e o emocional, providos e provedores de afeto com o seu público, podem garantir.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Dia do Trabalho
Emanoel Barreto

É..., hoje é teu dia. Tu podes parar.
Bebe tua cachaça. Não é bom parar?
Fica bebo, faz besteira. Pois hoje é teu dia.

Tem crise na praça e tu vais pagar.
Quem é o culpado, o dono da crise?

Já sei: não tem dono? O dono és tu.
Eles fizeram tudo, ganharam dinheiro.
Tão podres de ricos e assim vão ficar.

Então, pobre tolo, festeja este dia.
Mas depois vem a crise. Com cara de morte
e quer te abraçar.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Chá, vitamina C e cama
Emanoel Barreto

A iminente pandemia de gripe suína faz pensar: na fragilidade, pequenez humana. De repente um vírus surge, infecta pessoas e a humanidade toda começa a viver o temor global da ameaça invisível. Somos sim, pequenos, fracos, temerosos ante o desconhecido, como se inesperadamente estivéssemos vivendo um filme de terror.

Só que o monstro não é Drácula ou alguma entidade que apenas é perigosa nas telas. É um ator ou atriz e provoca um efeito de medo sob a direção de algum afamado cineasta. Agora, o personagem é algo minúsculo, mas que se espalha com ferocidade vertiginosa e nos põe aceso o sentimento da espera angustiante: "Serei eu atingido?"

É uma espécie de ser ou não ser, todos querendo não ser. É algo como "E agora?", todos querendo o depois. O medo é que, desta vez, não bastam chá, vitamina C e cama.

quarta-feira, 29 de abril de 2009


Alerta sobre a gripe suína
Emanoel Barreto

Cientistas amigos meus me informaram dos reais perigos e dimensões da gripe suína. Ao contrário do que diz a mídia, a doença não está assim tão longe dos brasileiros. Pode irromper a qualquer momento, em surto incontrolável. Motivo: a gripe teve origem aqui mesmo, no Brasil.

Explico: a gripe tem origem nos suínos - deputados e senadores - que viajaram com as passagens pagas pelo dinheiro público. Como estiveram em várias partes do mundo, por onde passaram foram contaminando as pessoas.

O problema é que voltaram e agora representam ameaça real e iminente de contaminação. Assim, cuidado: se você tiver contato com qualquer deputado ou senador envolvido no escândalo das passagens, acautele-se: poderá ser vítima do vírus existente em sua alma política.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Um amigo me mandou uma mensagem
Emanoel Barreto

Recebi do grande amigo Moisés de Lima mensagem que tentei publicar nos comentários da matéria sobre o uso indevido de passagens de avião pelos deputados e senadores. Não sei por que, mas não deu certo. Tentei responder ao e-mail dele. E também não deu certo. São essas coisas da internet, sabe?

Moisés é um desses amigos que já nascem irmãos da gente. Jornalista, músico dos bons, cidadão do mundo, toca seu contrabaixo invertido, como o velho Macca dos Beatles. Moisés e sua banda, Os Grogs, fazem um som bonito, forte, intenso. É bluesman e também homem de rock. E, acima de tudo, uma grande figura. Sim: Moisés é o primeiro, da esquerda para a direita, na foto de Alexandro Gurgel.
Segue a mensagem do Mosa, junto com um grande abraço.

.....Grande Barreto:

Soube através de um papo com tua filha Irma que tinhas este blog. Parabéns, mestre. Sou seu leitor, seguidor do teu trabalho e que agora estendo a este site. Tu és um grande texto, ético como poucos em teu ofício e um fantástico ser humano. Me lembro que fostes um dos primeiros a me acolher quando dei os primeiros passos na profissão lá na Tribuna do Norte em 1988.
Força sempre.
Abraços.
Moisés de Lima

PS. visite o site Som do Vialejo do teu brother Graco Medeiros, que sempre fala em ti.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

O progresso que fracassou
Emanoel Barreto

O governo americano poderia assumir o controle da fabricante de veículos GM (General Motors) em troca de oferecer outros US$ 11,6 bilhões em ajuda à montadora, segundo o plano da empresa para acelerar seu plano de reestruturação --que envolve ainda a extinção da marca Pontiac, o corte de de 21 mil empregos e o fechamento de 13 unidades nos EUA até o final de 2010. A notícia está na Folha Online e traz uma informação paralela: o Estado americano assumindo o papel que originariamente seria do capital.

Isso vem de encontro aos mais sacros princípios do capitalismo, que vê no Estado um ente que deve o mais possível ser mantido afastado do mercado que, por si só, encontraria "naturalmente" as suas próprias soluções. Na verdade, o que o mercado encontrou foi o seu próprio e angustiante problema. Tramou-o, executou-o com frieza exemplar e agora tem de se curvar à constatação: não é solução para problemas históricos da produção, muito menos para a solução social desses problemas.

Exige-se, por consequência, a presença estatal para disciplinar aqueles que queriam a desregulamentação total. A história não é algo que se construa linearmente. Nada garante que uma determinada situação implique necessariamente uma outra, sem que haja em sentido contrário algum movimento. Ou seja: o neoliberalismo apregoou aos quatro cantos do mundo que o capitalismo seria etapa insuperável do desenvolvimento, até mesmo como decorrrência do falido "socialismo real", quando caíram o Muro de Berlim e o império soviético.

Agora, uma nova situação se posta. O mundo caminha e mais do que nunca se exige ao mundo uma revisão de valores políticos e ideológicos, para a construção de um tempo onde o trabalhador não seja apenas mais uma peça da máquina empresarial. O mercado é criação perigosa e que pode fugir ao controle dos seus criadores, devorando-os quando não é contido.

sábado, 25 de abril de 2009


Vamos passear de avião?
Emanoel Barreto

O poder opinativo da charge é nada desprezível. Que o digam os políticos e outras personalidades de mídia. Eminentemente editorial, a charge é uma espécie de piada a partir do mundo real. Mas uma piada corrosiva, ácida, uma sátira, uma denúncia. Pela charge os políticos se tornam lamentáveis.

Dizem que Getúlio Vargas colecionava as que saíam com ele. Mais para fazer tipo, claro. Porque, com o Departamento de Imprensa e Propaganda, o famigerado DIP, publicar charge era uma concessão, uma liberalidade, que o ditador concedia até mesmo como forma de se auto-propagandear.

Mas ilustração como essa, publicada hoje pela Folha, funciona como petardo, míssil jornalístico a cair sobre o Congresso, onde verdeja a cultura da corrupção como coisa sagrada. Deputados e senadores, muitos deles, veneram a corrupção como algo sacro, respeitável, bento; querido e nascido do mais íntimo de suas almas escuras.

Por isso a importância das charges. Mas, para entendê-las, é preciso ser leitor, leitor diário de jornais. Acompanhar a vida da cidade, do Estado ou do País, do mundo até, a fim de compreender a piada impressa em seu contexto. No mais, é continuar fazendo carga sobre as imoralidades do Congresso, essa casa onde muitos são porcos.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Eles querem Santos Dumont
Emanoel Barreto

Causam perplexidade, senão indignação, as palavras do senador Epitácio Cafeteira(PTB-MA): "Daqui a pouco, estaremos recebendo vale-transporte", quando reclamava das medidas moralizadoras no uso das passagens aéreas pelos parlamentares. Não, ele não quer vale-transporte, quer mais. Se dessem chance, certamente iria querer até mesmo o Air Force One, o avião que transporta os presidentes americanos, com Santos Dumont como piloto .



O que no Brasil chamamos de classe política, além de sociologicamente ser um erro, incorre em outro deslize: na presença de desclassificados como portadores de diploma de legislador ou governador. Não é isso o que se tem visto, em mais um escândalo?



No Congresso há uma teia escusa, escura e sinistra aos interesses públicos, comerciando passagens, promovendo tramoias, enganando, ludibriando, furtando. Os jornais não devem nem podem parar de denunciar e expor seus nomes. É preciso punição pública, já que para eles não haverá punição penal.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Os detetives e o mundo real
Emanoel Barreto

Piratas virtuais invadiram os computadores do Pentágono e tiveram acesso a dados do projeto de construção do avião caça Joint Strike Fighter, um dos mais caros já empreendidos pelo Departamento de Defesa dos EUA, orçado em US$ 300 bilhões. A administração de Barack Obama está tomando medidas para conter essa escalada, inclusive contratando piratas virtuais. A ideia é contratar pessoas que exercem esse tipo de atividade para que elas ajudem a melhorar a segurança das redes de comunicação do país.

A informação saiu na Folha. Dá a impressão de que estamos falando de filme de espionagem. A vida imitando a ficção. O que mais estranho, todavia, é o fato de se estarem gastando 300 bilhões de dólares para a confecção de armas, quando o mundo precisa de alimentos, progresso e paz. A insanidade dos governantes alimenta a fome de guerra e ajuda a enriquecer os matadores.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

"Vossa Excelência me respeite!"
Emanoel Barreto
Deu na Folha: O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, e o ministro Joaquim Barbosa bateram boca nesta quarta-feira no plenário do tribunal. Barbosa acusou o presidente da Corte de estar "destruindo a credibilidade da Justiça brasileira" durante o julgamento de duas ações --referentes ao pagamento de previdência a servidores do Paraná e à prerrogativa de foro privilegiado. "Vossa excelência me respeite. Vossa Excelência está destruindo a Justiça deste país e vem agora dar lição de moral em mim. Saia à rua, ministro Gilmar. Faça o que eu faço", afirmou Barbosa.
Em resposta, Mendes disse que "está na rua". Barbosa, por sua vez, voltou a atacar o presidente do STF. "Vossa Excelência não está na rua, está na mídia destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro."
Irritado, Mendes também pediu "respeito" a Barbosa. "Vossa Excelência me respeite", afirmou. "Eu digo a mesma coisa", respondeu o ministro.
Os ministros Carlos Ayres Britto e Marco Aurélio Mello atuaram como "bombeiros" para tentar encerrar o bate boca. "A discussão está descambando para um campo que não coaduna com a disciplina do Supremo", disse Marco Aurélio ao pedir o encerramento da sessão.
Barbosa chegou a afirmar que Mendes não estava falando com os seus "capangas de Mato Grosso". O ministro disse que decidiu reagir depois que Mendes tomou decisões incorretas sobre os dois processos analisados pela Corte.
http://mais.uol.com.br/view/206350 - clique aqui para ver o vídeo.

......O ministro Joaquim Barbosa, um dos pilares morais desta nação, agiu como costuma agir: com força, vigor discursivo e ênfase em favor da coisa pública. Ao que pude perceber, vendo o vídeo, o que se discutia era a concessão de aposentadoria aos notários, ou seja: donos de cartórios. Cartórios são verdadeiras minas, fábricas de papéis com fé pública, vendidos a peso de ouro. Por que notários aposentados, como se fossem servidores comuns?

Eles devem ter sua própria aposentadoria. Sinceramente, não sei como isso se dá, mas, desamparados é que não ficam. Ao que percebi, tratava-se de manobra para beneficiar os notários. Coisa boa é que não era. Veja o vídeo e tire conclusões.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Agressão a uma criança
Emanoel Barreto

Maísa, a menininha encantadora que apresenta programa no SBT, está sofrendo assédio de dois paparazzi, o que obrigou a família a tomar precauções com ela até na escola, a fim de que não seja incomodada pelos dois fotógrafos.

Essa é uma das mais lamentáveis formas de jornalismo: fotógrafos que perseguem celebridades de forma impiedosa, tirando-lhes a privacidade e, se possível, intimidade. O jornalismo tem muitas formas perversas de manifestação, desde a distorção intencional de noticiário, opiniões enviesadas para ludibriar o leitor, até chegar a essa forma de nada recomendável de manifestação.

No caso, o desrespeito a uma criança assume proporções criminais, especialmente pelo fato de que se trata de alguém em fase de formação e cuja exposição de mídia, por si só, precisa ser bem monitorada pelos pais, a fim de que um muito compreensível deslumbre com a fama não venha a ter consequâncias desastrosas.

Paparazzi são pessoas que se voltam para o chamado jornalismo de faits divers, cuja essência são a banalidade e a frivolidade. Tudo o que alguém famoso faça e que puder ser captado pelas lentes se transforma em notícia, mesmo que não tenha importância alguma que não seja a exposição mesma de pessoa célebre. Chega à esfera criminal e como tal deve ser tratada.

domingo, 19 de abril de 2009

Um xerife na política
Emanoel Barreto

O delegado Protógenes Queiroz, que dirigiu a Operação Satiagraha, agora que está sob fogo nutrido, e buscam transformá-lo de investigador a investigado, admitiu que pode ser candidato. Só não disse a que cargo nem por qual partido. A Operação Satiagraha investiga o banqueiro Daniel Dantas por fraudes e outros atentados aos dinheiros públicos, além de tentativa de corrupção de investigadores da PF, a fim de que não o indiciassem.



Não é pouca coisa e as elites sabem que não é. Portanto, estão mobilizadas para a desestruturação moral e profissional de Protógenes. Segundo tem dito às coisas de jornal em todo o Brasil, estaria sendo chamado pela opinião pública a ingressar na política e, em pronunciamentos públicos, é chamado de "o delegado do povo".



Somente há uma coisa de que não gosto: a transformação de alguém em herói de ocasião, que passa a ser tido e havido como a essência da honradez e capaz de mudar tudo no ensombrado e viscoso mundo do Congresso Nacional. Nada mais reducionista. De qualquer forma, Protógenes parece ser um policial correto. Vamos ver no que vai dar.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Pensam que somos burros
Emanoel Barreto

Uma definição de notícia diz que notícia é tudo o que o jornalista queira que seja notícia. Ou seja: dotado do poder de publicar o que queira, basta selecionar um fato, um fato qualquer, mesmo o mais desimportante, que é possível elevá-lo a essa condição. A Folha on line terminou por confirmar isso: publicou essa foto, de ocorrência incidental, creio que no Afeganistão ou coisa que o valha, e mandou para a grande rede.

Não há dúvida de que, em sua essência, essa ou é uma confissão de total incompetência ou uma manifestação de idiotice. Outro aspecto, esse grave, que revela como as agências internacionais podem manipular o sentido do que seja notícia. A foto foi enviada por uma agência.

Do mesmo modo como essa briga de jumentos foi elevada à condição de notícia, e foi acriticamente aceita, é possível mandar informações deturpadas a respeito de determinado acontecimento importante, angulando-se a sua cobertura sob determinado enfoque. E o público, sem condições de avaliar o fato, saber de outras informações, termina por aceitá-lo como verdadeiro. Leia jornais, mas aprenda a ter comportamento que não seja ingênuo. Senão, vão pensar que o público é mesmo burro.

quinta-feira, 16 de abril de 2009


Os perversos, sempre eles
Emanoel Barreto

A Folha informa: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira que o cálculo do rendimento da poupança precisa e vai mudar, mas ponderou que o assunto será discutido "com carinho" para que os poupadores que têm seu dinheiro aplicado na modalidade não saiam prejudicados.
"Vou ter uma conversa com o ministro Guido [Mantega, da Fazenda] e vamos discutir sobre isso com carinho. Precisamos proteger os poupadores, mas não podemos permitir que pessoas que tenham muito dinheiro apliquem tudo na poupança", disse Lula durante solenidade de apresentação dos novos oficiais generais, em Brasília.
"A poupança é para salvaguardar os interesses da maioria da população que não tem muito dinheiro. Para que eles não tenham prejuízo, vamos fazer isso [mudança] com muito cuidado porque queremos preservar o que temos de mais sagrado, que são os poupadores", completou.

.... Em outras palavras, o pequeno poupador vai ser prejudicado - mais uma vez prejudicado - por causa da ganância, da fome financeira das elites. Uma iniciativa como a caderneta de poupança, única modalidade acessível ao investimento do trabalhador, uma forma de proteger seu limitado patrimônio financeiro, "precisa e deve", como disse Lula, ser modificada, exatamente em função dos que têm muito dinheiro.

Revela-se mais uma vez a cara perversa do capital, sua incompatibilidade com o social, seu desprezo pelo que seja humanidade. De sua ação ruinosa resultam malefícios os mais brutais, cujas repercussões mais sinistras se espalham a chegam aos arrabaldes mais distantes da pobreza, do desamparo, da solidão social que encobre a vida dos despossuídos.

É triste, mas é verdade: o pobre vai ficar mais pobre. E os ricos, não tenha dúvida, encontrarão mais formas de ficar mais ricos.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

12.out.2007/Marlene Bergamo/Folha Imagem
Que político é esse?
Emanoel Barreto


A Folha registra: Adriane Galisteu disse que achou "o fim do mundo" saber que seu ex-namorado, o deputado Fábio Faria (PMN-RN), havia usado verba da Câmara dos Deputados para comprar passagens aéreas para ela, sua mãe e um amigo.
"Pago meus impostos, e muito caro, e agora vejo meu nome envolvido nisso!", disse Galisteu.

.... O episódio é bem uma demonstração da mentalidade e, especialmente, do tipo de gente que se elege. Sim, se elege. Não são eleitos, fazem-se eleger por força do poderio econômico, manipulando a pobreza e ignorância semeadas socialmente. Temos uma sociedade civil frágil, poucos grupos se mobilizam e o resultado é esse: estamos pagando passagens para Adriane Galisteu.

Sinceramente: você acha que esse deputado representa algum interesse social? Tem seriedade, disposição, conteúdo ético, noção pelo menos do que seja um cargo público como o que ocupa? Pobre Brasil, pobre Rio Grande do Norte. E olhe que ele é "Faria". Já pensou no que poderia aprontar se fosse Fábio Faz? Aí sim, faria e aconteceria mesmo.

terça-feira, 14 de abril de 2009

24 horas
Emanoel Barreto

O agente Jack Bauer, da série 24 Horas, rides again. Na nova temporada enfrenta os costumeiros inimigos do mundo, vale dizer dos Estados Unidos. O conteúdo ético da série, as razões do agir do personagem, são profundamente questionáveis, mas numa coisa é perfeita: tecnicamente é irrepreensível. Sua atmosfera, o desenvolver da trama, os enquadramentos e movimentos de câmera não deixam o telespectador desviar a atenção da tela.

Vejo desde 2001, quando começou. Tudo é vertiginoso. Tudo sempre se passa em torno do Poder. Seja o poder do Estado americano ameaçado pelos terroristas, seja o poder de Bauer, sua violência e crueldade contra seus inimigos. De alguma forma percebe-se como age a máquina decisória suprema, suas claudicações, decisões imperativas e demonstrações de força, conchavos e conveniências políticas.

Acho que vale acompanhar. A Globo exibia a série. Agora, podemos vê-la na Fox.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Que se tornem todos santos
Emanoel Barreto

Deu no Estadão: O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu nesta segunda-feira, 13, a ocorrência de disputas entre o Executivo, o Congresso e o Judiciário. Segundo Lula, essas divergências são normais, pois fazem parte do processo de consolidação da democracia do País. "Ninguém aqui é freira e nós não estamos em um convento", afirmou o presidente durante cerimônia de lançamento do 2º Pacto Republicano de Estado. "E não me consta na história que num convento também não tem briga", acrescentou, arrancando risadas da plateia.



.... Oremos: talvez fosse melhor que estivéssemos todos num convento, absortos na mais pia meditação e movidos por sacros sentimentos. Os políticos todos de batina, circunspectos, genuflexos, humildes. Deixando de pensar em tramoias, jogos de poder, acertos e empreiteiras.

Como seria bom: todos movidos pelos mais altos sentimentos cristãos, não fariam discursos vazios, escorregadios. Mas orariam pelo bem-comum e talvez até mesmo um deles fosse eleito Papa. Já pensou Sarney I? Ou Maluf I?

Senhor, abrandai o coração daqueles vendilhões do templo. E dai ao povo o que tem ficado com os césares da política. Oremos. Oremos muito.

sexta-feira, 10 de abril de 2009


O Cordeiro de Deus e os pecados do mundo
Emanoel Barreto

Cordeiro de Deus, tireis os pecados do mundo: fome, desemprego, exploração do trabalhador, sem-teto, sem-terra, sem-nada, guerras, corrupção, infância desamparada, meninos de rua, tráfico de drogas, tráfico de armas, lágrimas, tortura, medo e dor.

Cordeiro de Deus: que Vossos sofrimentos venham a tocar o coração do homem e que este aprenda a Vos amar.

Cordeiro de Deus: perdão, mas Estavas enganado: eles sabem o que fazem.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Ficha de Dilma Rouseff nos porões da Oban (Operação Bandeirantes), desencadeada para prender "subversivos"

Os verdadeiros criminosos

Emanoel Barreto

Recente entrevista da Folha de S. Paulo com a ministra Dilma Rousseff buscou, em seu passado de guerrilheira, argumentos para apresentá-la jornalisticamente como "criminosa". Passados tantos anos, soa estranho, muito estranho. Não concordo com os métodos da guerrilha. A democracia deve ser conquistada em praça pública, na resistência tática e persistente frente a modelos autoritários, passo a passo.

Mas agora, quando seu nome desponta como provável candidata à presidência da República na eleição de 2010, reavivar tais lembranças é ato político que busca desmoralizar historicamente alguém que, de qualquer forma, agia pensando em ver no país uma outra realidade social, diversa da opressão econômico-militar vigente na ditadura de 64.

A Folha é adepta da candidatura do governador de São Paulo, José Serra. Assim, sob a empanada de estar praticando jornalismo, na verdade age como partido politico que visa atingir, e anular, a presença política de uma adversária.

Quem leu a entrevista percebe que ali não se passava um ato jornalístico de indagação esclarecedora. Perpetrava-se na verdade um interrogatório, cuja finalidade era, mediante proposição de perguntas capciosas, dela obter respostas que a incriminassem, como se fora criminosa comum, não militante política que praticava essa mesma política por meios de contencioso armado.

Por mais equivocados que fossem os métodos, é bastante suspeito que somente agora, às antevésperas de uma eleição, estes sejam relembrados. Detalhe: a entrevista não buscou resgatar as torturas e humilhações que ela sofreu. Voltou-se inteiramente para configurá-la como uma espécie de Joana d'Arc do mal, sectária e violenta.

Na contraface da moeda, entretanto, ela poderia relatar as brutalidades que sofreu como mulher e como ser humano. E aí, certamente, apareceriam os verdadeiros crimonsos.

terça-feira, 7 de abril de 2009


Nasceu Murilo, meu segundo Neto
Emanoel Barreto

Nasceu há pouco menos de uma hora* Murilo, meu segundo neto.
Que seja forte para viver o mundo que o nosso tempo nos legou.
Que seja belo para poder brilhar em meio à beleza imensa dos dias e das noites.

Que tenha coragem para desafiar as batalhas que vierem.
Que seja bom, para dar aos pais, Mirna e Edgar, a alegria terna que brota de todos os azuis.

Que seja travesso, peralta, corredor e inventivo, para brincar com Eduarda, a irmã que desenha estrelas todos os dias para esse avô.

E que nos dê a todos o seu olhar de inocência, e nos traga luz e paz.
Um grande abraço, meu pequeno menino. Vovô já o espera para grandes cavalgadas.
(Refiro às dez horas da noite do dia 7 de abril).

segunda-feira, 6 de abril de 2009

O Bicho
Deixo você com Manuel Bandeira. Um grito pasmo.
Emanoel Barreto


Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.

sábado, 4 de abril de 2009


Os terrores noturnos e a flecha que voa de dia

Emanoel Barreto

A morte do jornalista e ex-deputado federal Márcio Moreira Alves, uma das figuras icônicas da minha geração, a geração de 1968, transforma aos poucos a história ainda viva em seus personagens em lembrança. Quer dizer: história será sempre história; para mim é que é lembrança, vira saudade.

Pessoas e seus gestos largos de coragem começam a desaparecer. Logo para nós, uma geração que não acreditava em ninguém que tivesse mais de trinta anos. Estávamos todos liberados para viver a eterna juventude. Tolos e sublimes, como éramos.

Ainda me lembro das passeatas de 68, maio de 68. Um movimento que começou em Paris sob a liderança de um jovem, Daniel Cohen Bendit, Danny o Vermelho, espalhou-se pela Europa, ganhou os campi norte-americanos e explodiu como uma bomba de girassóis insurretos na América do Sul, Brasil. Natal, por consequência.

O lema: "Seja realista; peça o impossível." De alguma forma continuo pensando assim. O impossível será sempre a minha meta. Mesmo caminhando entre os terrores noturnos e sob as flechas que voam de dia.

(Na foto, Márcio faz seu tremendo discurso, em que conclama as mães a não deixar que seus filhos fossem assistir ao desfile de 7 de Setembro, lembrando que os militares que então desfilariam eram os mesmos que prendiam aqueles meninos e meninas e davam sustentação à ditadura).

sexta-feira, 3 de abril de 2009


Desejo de matar
Emanoel Barreto

Escorado por um desespero sem fim, um homem invadiu um prédio nos Estados Unidos e matou 13 pessoas. Está na net, nas coisas de jornal de todo o mundo. Não conheço qualquer estudo a respeito do motivo ou motivos para tais atos. Mas, qualquer pessoa medianamente informada, sabe que nos EUA tais comportamentos são uma espécie de recidiva social: algo doentio que, num ciclo de sazonalidade instável, acontece naquele país. E aparentemente só naquele país.

O que faz alguém, municiado por um incontrolável desejo de matar, atirar-se a essa aventura insana que termina com o agressor também morto, muitas vezes por suicídio? Estranho mundo esse nosso, estranho país aquele. Suponho que haja estudos sociológicos buscando esclarecer tais acontecimentos. Enquanto isso, fico supondo: é parte da condição humana chamar a atenção para si quando em estado de angústia. No caso, esse desespero é como se fora um grito, a denúncia desequilibrada de uma solidão intensa, tão intensa que precisa da morte, do vazio, do nada, para se completar. E, aí sim, ser solidão em estado puro.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Foto: Miguel Claro
Silêncios, sombras
Emanoel Barreto

Sombras solúveis irrompem lentamente
e se misturam plenas em si mesmas.

Em silêncio nós somos liquefeitos
e seguimos os passos do não-vir.

terça-feira, 31 de março de 2009

Ouvirus do Ipiranga às margens plácidas...
Emanoel Barreto
Não vamos falar do 31 de março. Não vale a pena. O espírito do mal que foi feito está vagando na treva amarga do ostracismo da História. Hoje, mais a vale a pena falar da ameaça que, dizem as coisas de net, está por desabar amanhã, Dia da Mentira. Um vírus que deverá ter sua força maliciosa exponencialmente aumentada, podendo atacar milhões de computadores em todo o mundo.

O mal de 1964 e o mal dos vírus de computadores têm algo em comum: a malignidade humana em suas manifestações mais nefastas. O primeiro no negror do medo do comunismo, o outro na resplendente tela do computador. No fundo, ambos vindos do mesmo vértice: a necessidade de poder imtimidar e de alguma forma dominar.

Então, cuidado com amanhã, para que a ditadura do vírus não pegue seu computador, como fizeram com nosso povo em primeiro de abril de 64.
PS: Terminei falando em 64. Mil perdões.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Dona da Daslu: poderosa, heim?
Emanoel Barreto

A Folha conta: A condenação de quase cem anos de prisão imposta a Eliana Tranchesi, dona da Daslu, e a seu irmão Antônio Carlos Piva de Albuquerque é um fato isolado ou pode ser o início de uma tendência da Justiça para punir quem é acusado de fugir do pagamento de tributos? Para advogados criminalistas, tributaristas e ex-dirigentes da Receita Federal, a pena determinada para Tranchesi e seu irmão - os dois conseguiram liminares da Justiça e já estão em liberdade - representa decisão isolada de uma juíza (Maria Isabel do Prado, da 2ª Vara Federal em Guarulhos) e não deve ser exemplo para outras sentenças que envolvam crimes de sonegação fiscal.

Detalhe: Para o ex-secretário da Receita Federal e consultor tributário Everardo Maciel, a sentença dada à dona da Daslu é "completamente desproporcional". "Não conheço o caso específico, mas sinto que existe uma espécie de má vontade e indisposição contra pessoas que têm boa situação financeira. A condição financeira não deve ser critério para proteger, muito menos para perseguir."

... A sra. Eliana Tranchesi e seu irmão são criminosos. Se foram condenados, são criminosos. E criminosos de alta periculosidade. São detentores de periculosidade social. O que quero dizer com isto? Simples: fazem um mal coletivo. Sonegam impostos, quer dizer, roubam dinheiro que deveria ser encaminhado aos cofres públicos, por conseguinte, dinheiro público, para uso a favor do público.

Com isso, configuram-se como indivíduos de periculosidade. Cavilosos, juristas entrevistados pela Folha minimizam a ação dos dois, alegando que não houve crime de sangue. Manipulam o repúdio histórico e ancestral ao provavelmente mais antigo delito do mundo: o homicídio. Com como não mataram, mas "apenas" se apoderaram de dinheiro público praticando, digamos assim, crimes delicados acham que não devem ser punidos. Maria Antonieta também, pensava assim, não? Perdeu a cabeça.

Detalhe Final: os dois irmãos já estão livres. Ganharam liminar e podem voltar às suas atividades.

quarta-feira, 25 de março de 2009

A "compaixão" de Pedro Bial
Emanoel Barreto

O jornalista e apresentador do BBB, Pedro Bial, disse "sentir compaixão" pelos participantes do programa, que explora a necessidade humana de busca do sucesso e dinheiro fácil, expondo suas vítimas a situações vexatórias.

Bial fala com a autoridade de quem participa da trama e manipula os BBBs. Certamente ninguém melhor que ele para sentir "compaixão", uma vez que integra o núcleo dos que levam aquelas pessoas a se expor em toda a sua fragilidade, indignidade, cupidez e degradação de valores.

O BBB é uma produção de mídia que pode ser vista sob diversos enquadramentos: sociológico, psicanalítico, político, filosófico, moral, etc... etc...etc...
É uma espécie de supra-sumo, cúmulo do quanto o ser humano pode ter despertados seus instintos mais baixos a troco de alguma forma de poder, de alguma forma de escapar do sofrimento. Ter dinheiro é uma delas.

A partir disso o programa foi formulado e ganhou adesão de mídia mundial, sendo apresentado em vários países. Quem o criou está milionário. Trata-se de um espetáculo lamentável, que imbeciliza a audiência e transforma idiotices em assunto cotidiano.
É uma forma de estupidificar as pessoas, que por momentos esquecem os problemas do mundo real e se ligam a um mundo fictício, onde os seus dilemas, vividos nesse mundo real, encontram-se representados de forma reducionista na performance dos BBBs.

A brutalidade da exploração das pessoas por um sistema social e econômico cruel ganha contornos embaçados na luta dos BBBs para alcançar o milhão a ser entregue ao vencedor. Não é assim também na vida? Não é assim, mês a mês, que o trabalhador se esforça, para afinal receber o salário? Não é um truque baixo a má divisão de renda? Pois se assim é, o que acontece no maior repete-se no menor.

No mundo da vida há a exploração da mão-de-obra. No BBB, há a exploração da condição humana. No fim, é tudo a mesma coisa.

terça-feira, 24 de março de 2009


A História do Brasil revista e ampliada (3)
Emanoel Barreto

A construção de Brasília não foi feita por Juscelino Kubitschek. Na verdade, foi um ator da Globo, na minissérie JK, quem levou a empreitada adiante. O objetivo era manter a audiência da emissora bem alta e enfrentar o crescimento da Record. Com a construção de Brasília deu-se andamento ao processo político, chegando à presidência Jânio Quadros. Mas, como a minissérie acabou, Jânio, que não havia conseguido emprego na Globo, entrou em pânico. Como iria continuar administrando se o programa havia acabado? Esse o motivo de sua renúncia.

Depois, veio o golpe de 64. Quando os militares assumiram o poder começou a construção da Transamazônica, uma estrada que, diziam os entendidos, levaria todo o povo ao Paraíso. Quando ficasse pronta todos poderiam chegar ao Céu facilmente, mas a pé. De carro não valia. O problema era que era muito difícil fazer uma estrada até o Céu, que fica muito alto. A Transamazônica ia virar uma ladeira extremamente inclinada.

Então, como estava já muito caro continuar com as obras, o projeto foi esquecido. Depois, os militares viram que esse negócio de administrar o Brasil é coisa de muita ciência e deixaram os civis voltar ao comando. Com isso voltou a democracia. Que, como se sabe, é o governo dos demos. E como os demos não gostam muito de trabalho, chamaram o Congresso. O Congresso também não gosta lá muito de trabalho. Assim, Brasília tornou-se infestada de mandriões que, entre um bocejo e outro, vão dormir. Isso quando não estão em tenebrosas transações.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Alma minha, gentil...
Emanoel Barreto

Alma minha, gentil, não vês que já há choro e ranger de dentes
e ainda nem chegou o Apocalipse?

Alma minha, gentil, não sabes dos dramas e pesares
que pesam sobre o mundo?
Alma minha, gentil, por que te calas?

Alma minha, gentil, será que és gentio?

sábado, 21 de março de 2009


A História do Brasil revista e ampliada (2)
Emanoel Barreto

Ao contrário do que dizem os livros escolares, quem proclamou a independência do Brasil não foi Dom Pedro I. A independência foi proclamada por Tarcísio Meira, em aclamado filme produzido durante a ditadura. O filme tinha por objetivo contar a vida e a obra de Dom Pedro, mas Tarcísio Meira, que pretendia uma vaga de senador biônico, aproveitou a oportunidade e praticou um ato heróico: deu-nos a independência e tomou o lugar de Dom Pedro. Esperto, não? Assim nos tornamos independentes.

Meira foi desafortunado. Não conseguiu sua pretendida vaga de senador biônico. Pegou um táxi e foi À Rede Globo pedir emprego. Conseguiu. Afinal, era de boa política para a Globo ter a seu serviço o campeão da Independência. E Tarcísio ficou. Ganhou muito dinheiro. Tempos depois ele participou da minissérie "A muralha".

Ali, ao longe, via-se uma massa escura. Todos pensavam que fosse uma muralha. Daí o nome da minissérie. Tarcísio liderou uma expedição para desvendar o mistério e, de olhos arregalados, descobriu: era São Paulo, já naquele tempo poluída. Assim São Paulo passou a ser do Brasil. Antes, era do Paraguai, motivo da Guerra do Paraguai.

........No próximo capítulo trataremos da fundação de Brasília.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Índio não quer apito
Emanoel Barreto

Com a demarcação contínua da reserva Raposa Serra do Sol, os índios, os verdadeiros donos do que hoje chamamos de Brasil, obtêm vitória histórica. Povos indígenas oprimidos, chacinados, contaminados pelos nossos piores vícios e indignidades foram, ao longo do tempo, perdendo identidade, cultura e terras. Especialmente terras, que são o que interessa aos poderosos.

Agora, de alguma forma isso se repõe e os indígenas, organicamente encaixados na sociedade branca, conseguem funcionar como sociedade civil e readquirem um patrimônio que sempre fora seu, embora conspurcado.

Há vozes discordantes, vozes que defendem o "progresso", o "desenvolvimento", ou seja: o uso da selva como região de plantio ou o que seja, qualquer coisa, desde que dê lucro. Diz-se que é terra demais para os índios. Mas esquecem o que foi feito com esses povos e o que a nossa sociedade fez com a chão da terra chamada Brasil.

quinta-feira, 19 de março de 2009

E no Senado, os senadores senam...
Emanoel Barreto

As coisas de jornal da Folha informam: 1) Senado "descobre" ter mais de 2 diretores para cada senador.

2) Nos últimos oito anos, número de cargos de direção na Casa saltou de 32 para 181.

3) Congressistas se disseram surpresos, mas criação de diretorias, algumas com só uma pessoa, foi aprovada por votação em plenário.

.......... Perplexidades filosóficas: a criação desses cargos significa que os senadores estão senando? Mas como senam, se não acenam com o lenço branco da verdade, mas se assentam sem assear-se de mãos que não se lavam? Não sei, não sei, não sei. Só sei que dessas mãos respingam gotas de um orvalho de imoralidade. E isso não se lava. Se leva e se esconde. Os senadores senam e essa cena querem manter no limbo. Escuro. Muito escuro.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Se não tem pão, coma brioche
Emanoel Barreto

Com as mudanças no mercado de capitais, a insegurança, como dizem "eles", os bancos agora estão querendo tirar muito de quem já tem pouco: agora "eles" estão querendo que o governo autorize a redução na renda das cadernetas de poupança, a fim de beneficiar quem?, quem?, quem? "Eles", naturalmente.

Os mecanismos de poder, as diversas formas de homens ou grupos de homens determinarem o que os demais devem ou podem fazer, são muitos. Um destes mecanismos é a posse, a propriedade e o controle do dinheiro.

E os bancos, agora, intentam mais uma manobra, a incidir diretamente sobre o pequeno poupador, aquele que não tem informações nem disponibilidade financeira para investir em fundos ou ações.

A redução no rendimento da poupança, que já baixo, corre o risco de cair ainda mais. "Eles" não querem e sequer cogitam de abrir mão de seus polpudos lucros, lucros advindos da usura social que desaba sobre os mais fracos. É histórico: sempre que as elites perdem, se é que perdem, mesmo que seja só um pouquinho, tratam de aumentar o fardo dos que trabalham para sustentar a sua inércia.

Não é justo. Mas é o que está posto. E se o povo não tem pão, como dizia a rainha Antonieta, que coma brioche.

terça-feira, 17 de março de 2009

Ele é um bom companheiro
Emanoel Barreto
Deu na Folha: O presidente dos EUA, Barack Obama, disse que o pagamento pela seguradora AIG de bônus de US$ 165 milhões aos seus funcionários é um "ultraje ao contribuinte americano" e afirmou que o governo fará de tudo para reverter a decisão. "Essa não é apenas uma questão de dinheiro, é sobre valores fundamentais.""Por todo o país, existem pessoas que trabalham duro e cumprem suas responsabilidades todos os dias, sem o benefício de resgates governamentais ou bônus multimilionários. E tudo o que eles pedem é que todo mundo, desde "Main Street" (rua principal, uma referência à economia real) até Wall Street e Washington, jogue com as mesmas regras. Essa é uma ética que nós temos que exigir."

.......Os gerentes, criadores e usufrutuários da crise, agora querem um home care para sair do choque. Procupadíssimos com sua aflitiva situação, não se cansam de encontrar novos meios para locupletar suas vontades de dinheiro, mais dinheiro.

As elites que geraram a atual situação encontram-se em plano privilegiado: após arrombar o cofre social, querem que desse mesmo cofre saia sua própria solução. Trata-se de um processo perverso em que a vítima, o mundo todo, é obrigada a ressarcir de uma de forma os seus algozes.

As economias cambaleiam, gente perde emprego em todo o mundo, mas os responsáveis exigem dinheiro, bônus cruel para atender a seus instintos. Oremos.

segunda-feira, 16 de março de 2009

A voz que então falava
Emanoel Barreto

É terror, é medo, é desespero?
É, é tudo isso e ainda desamparo.
Na boca presa o coração estala.
Na alma tensa o sol já se apagou.
Depois, vem mais um dia.
E quando o dia acaba a voz que falava é silêncio, cicio, noite mortiça, neblinas, negror.