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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

O debate na TV como ritual de mídia
Emanoel Barreto

Vem aí um novo debate. Será na Record, segunda-feira. Somente com perguntas entre os dois candidatos. O espetáculo midiático está se transformando num ritual. Alguém duvida do que vai acontecer? Salvo fato de última hora e portanto imprevisível, Serra e Dilma vão se defrontar com as mesmas perguntas, mesmo que formuladas de maneira diversa da forma como já foram propostas.

O excesso de debates está cansando. O confronto, na verdade, é mais para atender aos interesses da grade de programação das emissoras que para tratar de assuntos e temas de grande política. E ai do candidato que não aceitar: o show tem de continuar.

Da forma como está é apenas o ritual. Tudo se passa segundo uma espécie de liturgia, com passos cerimoniais arbitrados pela TV, emoldurando o encontro segundo os termos e a lógica de um programa típico desse veículo

Suponho que uma ótima forma de debate seria aquele em que os dois candidatos entrassem no estúdio e, sem qualquer mediação, começassem a conversar, esgrimindo argumentos, discutindo civilizadamente o que pretendem fazer.

No máximo um jornalista faria a citação de um tema e eles, abertamente, passariam a se questionar, em três ou quadro blocos de 15 minutos.

Aí sim, teríamos um debate.

domingo, 12 de setembro de 2010

Dilma isso, Dilma aquilo, Dilma aquilo outro. E ela dominou a cena
Emanoel Barreto

O UOL, da Folha, está dizendo agora mesmo, depois do debate na Rede TV!, que Serra e Dilma "se atacaram". Não é verdade. O que ocorreu foi uma investida maciça de todos os demais participantes - Serra, Plínio e Marina - sobre Dilma, sem perceber que com isso a colocaram como protagonista da cena.

Criaram um ambiente de ação e reação, sobressaindo-se a reação da candidata tal a forma como foi pressionada. Essa questão do discurso, que já rendeu teses e teses, tem por base coisas como o que se afirma e os efeitos do que se afirma. Efeitos pretendidos e resultados não desejados.

Veja bem: quando uma afirmativa suscita vantagem para o interlocutor-oponente, essa mesma afirmativa revela-se falha em sua assertividade, especialmente quando em tom acusatório. Foi o que aconteceu. Obteve-se o efeito indesejado, quando o que se queria era abater a adversária.

Esse caso de sigilos violados, esse grande acontecimento-nada, foi usado por Serra, mas falhou. Até mesmo porque ele não tinha controle sobre seu pronunciamento e sempre terminava por ter o microfone cortado, uma vez que excedia o tempo de um minuto e meio para falar.

O debate começou com uma pergunta que antigamente era chamada de "pergunta de bolso", aquela em que o indagado dificilmente consegue se safar. O mediador da Folha pediu que Dilma falasse a respeito do maior sucesso e do maior fracasso do governo Lula.

O objetivo era nitidamente da espaço a uma manchete nesta segunda-feira, relatando "objetivamente" palavras de Dilma admitindo fracasso do governo ao qual está ligada. Falho a tentativa. Ela conseguiu se sair bem, falou do sucesso das obras sociais e afirmou que não houve fracassos.

Bom, o resto foi o resto. Um ritual de perguntas e respostas que o eleitor já está cansado de ouvir.