sábado, 26 de dezembro de 2009


De repente, do céu lá vem um tigre

Jornalista e professor universitário, Paulo Ramos, em seu Blog dos Quadrinhos repruduziu essa magnífica charge de Laerte, tirada da edição da Folha deste sábado. (EB)
Charge: http://images.google.com/imgres?
Deus é o diabo na Terra do Sol
Emanoel Barreto

Estarrecido com o astronômico preço cobrado pelo padre Fábio para fazer um showmissa em Natal, reuni-me secretamente agora à noite com sábios, adivinhos, profetas, áugures e eruditos. Todos velhíssimos, como é bom e desejável a pessoas que tais.

Perguntei-lhes, em reverente questionamento, o motivo de tão alta prebenda. Retiraram-se a um local reservado e o mais velho e sabedor deles, meia hora depois, me revelou: "Encontramos resposta à sua pergunta na arte cinematográfica."

"Como assim? , quis saber, ao que me responderam: "O filme de Glauber Rocha não era 'Deus e o diabo na terra do sol?'.

"Era sim", respondi.

Pois aqui, meu filho, a coisa foi diferente: "Deus é o Diabo na Terra do Sol. Por isso, o preço foi tão quente."

E nada mais disseram nem lhes perguntei...





Amanda Schwab/AP
Deus odeia Lady GaGa
Deu na Folha Online:
A ultraconservadora Igreja Batista de Westboro, baseada no estado de Kansas, nos EUA, afirmou que a cantora Lady GaGa "vai para o inferno" por supostamente liderar uma "rebelião contra Deus", informou o site Popcrunch.

Liderada pelo reverendo Fred Phelps a igreja, famosa por seus protestos em funerais de soldados norte-americanos mortos em guerras, e por se manifestar publicamente contra gays e lésbicas, emitiu um comunicado intitulado "DO documento, publicado no site da igreja, afirma que a cantora usa "moda" e "arte" como disfarce para ensinar os jovens "a se rebelar contra Deus."

A controversa igreja, que não é reconhecida por outras comunidades batistas dos EUA, promete realizar um protesto em frente ao teatro onde será realizado o show de Lady GaGa no Missouri, no próximo dia 7 de janeiro.

Alguns fãs da cantora acreditam que ela tenha sido alvo dos ataques por seu discurso na Marcha para a Igualdade Nacional, evento de promoção da defesa dos direitos dos homossexuais, realizada em Washington no início deste ano. A cantora terminou seu discurso com a frase: "Abençoemos a Deus e aos gays".
...
Não sei como as pessoas sabem o que Deus gosta ou não gosta, ou de quem gosta ou não gosta. No tempo em que se dizia que comunistas comiam criancinhas dizia-se que Ele não gostava dos comunistas. Nem por isso eu O vi ao lado de Pinochet ou aplaudindo a ditadura no Brasil...
Emanoel Barreto
Dinarte, Jânio Quadros e alguém que não consegui identificar / Foto: http://cache3.asset-cache.net/xc/50565551.jpg?v=1&c=IWSAsset&k=2&d=4996399091E83186B7C8D8E4F40F185CE7C3DB1D2EA1C136

Dinarte era adivinhão

Emanoel Barreto


"Depois dos 60 anos, o homem começa a adivinhar". A frase é do senador Dinarte Mariz, registrada em livro pelo escritor, poeta, advogado e ex-reitor da UFRN Diógenes da Cunha Lima. Está no livro "Solidão, solidões, uma biografia de Dinarte Mariz, publicado em 2002 pela Gráfica do Senado.

Talvez por ter mais de 60 anos quando a proferiu e por acreditar em suas premonições, - o restante deste texto publico amanhã. E, nele, abordo o que dizia o senador a respeito da governadora Wilma como a herdeira do seu legado.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Imagem: Art Final
Um natal de paz.
E que todos os espíritos se voltem para o Alto.
Emanoel Barreto

Kim Kyung-Hoon/Reuters
O samurai desonrado e o bacante escrachado
Emanoel Barreto

O premiê do Japão, Yukio Hatoyama, chorou nesta quinta-feira em entrevista a jornalistas ao falar do escândalo de recebimento de doações ilícitas de sua família e afirmou que não pretende renunciar ao cargo, a menos que a maioria esmagadora dos japoneses assim exija.
"Se a maioria esmagadora vocês exigir "Hatoyama, renuncia", então sentirei que tenho que respeitar a voz do povo, mas farei o possível para que isto não aconteça", disse o premiê.

A Promotoria de Tóquio investiga informações que apontam a que a mãe e a irmã de Hatoyama realizaram durante vários anos doações irregulares a um fundo político vinculado ao líder. O fundo Yuai Seikei Konwa-kai (Associação Fraternal de Política e Economia), vinculado ao partido do governo, deixou de declarar 6 milhões de ienes procedentes das duas mulheres.

Os dois trechos transcritos são da France Presse, publicados pela Folha Online. Revela, de alguma forma, como agem os corruptos no país dos samurais: penitenciam-se e se humilham publicamente, uma vez que é da rigidez da cultura japonesa o culto à lealdade e à honradez. E até para quem decaiu, tornando-se um desclassificado moral, há o necessário purgatório público. Detalhe de qualidade: o corrupto estava recebendo dinheiro da própria família, não dinheiro público.

Nossa cultura liberal, informal, fagueira e dionisíaca, faz justamente o contrário: permite que o corrupto, sem qualquer pudor, apareça em público em plena efervescência de escândalo que envolva o seu nome, como o faz o tal Arruda brasiliense, defenda-se e ainda ache que os bobos vão acreditar no que diz.

É só um comentário. É só a minha desolação. Só para a gente pensar um pouco a respeito.



Foto: http://escrevoapenas.blogs.sapo.pt/arquivo/amizade-thumb.jpg
O jornalista Walter Medeiros envia o texto que abaixo transcrevo. Obrigado, Walter.
Emanoel Barreto

EM BUSCA DE UM AMIGO
Walter Medeiroswaltermedeiros@supercabo.com.br

Vésperas do Natal, lembranças aflorando, vontade de rever amigos que fomos encontrando através dos anos. Amigos do Tirol, de quando moramos na Alberto Maranhão, em frente ao sítio onde hoje é o condomínio Jardim Tirol; da Praça Augusto Leite; do Externato Saturnino, onde fizemos o Admissão ao Ginásio em 1966; do Grupo Escolar Monsenhor Calazans Pinheiro, onde estudei em 1965; do Grupo Áurea Barros, do meu primário, em 1963/64, da Escola Industrial Federal do Rio Grande do Norte, onde estudamos de 1967 a 1970; da avenida Rafael Fernandes, onde moramos desde o tempo que se chamava Campo Santo, de 1965 a 1972; e de tantos outros lugares onde vivi, estudei, trabalhei.

Entre tantos, lembrei de um amigo cuja última vez que encontrei faz muitos anos, tocava num evento da Igreja do Candelária. Aí recorri à Internet, para reencontrá-lo. Ademaci Barbosa, músico, com dedicação extrema ao seu trabalho, à sua família e às comunidades, um missionário. Sempre conversamos muito, mas a geografia da cidade findou fazendo com que passássemos a nos encontrar muito esporadicamente. A Internet, no entanto, proporciona também a possibilidade de obtermos mais informações sobre as pessoas que se dispõem a divulgá-las. Assim fiquei sabendo que Ademaci nasceu em Ituiutaba, Minas Gerais e aos quatro anos veio para o Rio Grande do Norte, terra dos seus pais.

Morou na rua Benjamim Constant, exatamente no período em que nos conhecemos, na convivência com o Professor Saturnino que, além de ensinar as matérias mostrava as atualidades nas revistas e jornais que sempre conduzia. Lembro dele também como marinheiro, que foi. Depois o encontrei como funcionário da EMSERV (Empresa de Serviços de Vigilância), em serviços administrativos. A EMSERV funcionava onde hoje é a Delegacia Regional do Trabalho e onde eu também trabalhava, coincidentemente, no escritório do Dr. Paulo Viveiros.

Em sua atividade artística, naquele tempo o meu amigo já procurava divulgar seu trabalho como compositor e foi até o Rio de Janeiro, mostrando suas músicas nas igrejas. Chegou a encontrar com Roberto Carlos, a quem entregou em mãos algumas de suas composições românticas. Fez na época um concurso do Bandern, passou e logo foi chamado para trabalhar na agencia de Patú, onde ficou três anos também trabalhando na igreja e fazendo missões nos povoados, sítio e fazendas. Depois foi transferido Macau onde também desenvolveu intensa atividade musical. Depois foi transferido para agencia de São Tomé, Ceará-Mirim (lembro que me chamou uma vez para ser jurado em um programa de auditório que promoveu no Ginásio Esportivo) e, finalmente, Natal.

Está também na Internet que Ademaci deixou o BANDERN para viver dedicado à fé, à música e às missões, formando a banda Arco-Ìris. Irrequieto, fez concurso para professor do estado, passou e foi lotado na escola Isabel Gondim, para lecionar Química, Educação Artística e Matemática. Na paróquia sagrada família ele assumiu as missas com a Pastoral da Música, dando aulas de música e cultivando grande amizade com o padre Campos, também compositor. Ele introduziu nas igrejas os ritmos dos instrumentos e teclado, onde antes só se usava órgão.

Quanta informação, não? E tem muito mais, se continuarmos a busca, o suficiente para entender melhor o ser humano humilde e digno com quem convivi naquele período de escola primária e anos vibrantes da adolescência. Tratou-se de uma leitura muito emocionante, rever as fotos e encontrar informações sobre o amigo de tantos momentos. Naturalmente fui buscar a forma de reencontrar pessoalmente aquele amigo. Ao final, o mais surpreendente e chocante: Ademaci Barbosa de Moura, que nasceu em 1951, morreu em março de 2006. Senti, então, uma sensação de perda muito grande; é como se tivesse perdido um irmão.


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Foto: Robeto Vidal
Apenas uma noite a mais
Emanoel Barreto

Já comprou, já gastou, é feliz?
Essa é a lei que o mercado manda.É natal, e nessa lei todo mundo é obrigado a ser feliz.

Mas, em alguma esquina, um velho e sóbrio tocador de rabeca senta ao lado da sarjeta e toca a sua canção de acordes feitos em arame.

Depois, recolhe-se aos papelões de uma marquise e sabe que foi apenas uma noite a mais.


segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Maquiavel: a arte da política, a fortuna e a virtù
De como Maquiavel e Sun Tzu podem ensinar a Dona Wilma e aos senadores José Agripino e Garibaldi

Emanoel Barreto

A eleição para senador representará, para aquele ou aquela que não se eleja, ingresso no desafiante limiar de um território de pedregoso ostracismo político ou quase isso. Serão quatro longos anos de hibernação, quando poderá ver esgarçarem-se laços com correligionários, desfazerem-se ligações históricas com amigos até então tidos como fiéis, esquecerem-se raízes comuns, sobrevindo, presumivelmente, perda de influência, esquecimento, abandono até.

Em síntese: sem mandato, sem participação de caráter decisório, sem grupo, isso será igual a estar sem discurso para falar ao povo e em nome dele. E sem discurso nenhum político sobrevive. O discurso advém sempre de uma utopia. E utopias somente as podem ter, na pragmática política, aqueles ou aquelas que estão em alguma trincheira. O contrário é pregar no deserto um grito semeado em vão.

Wilma, Agripino e Garibaldi fazem parte de grupos poderosos e têm igualmente poder em seus respectivos intramuros. Mas o poder, Dâmocles já o sabia, é perigoso. Sua espada está sempre pendendo sobre a cabeça do poderoso. Senão vejamos: os três candidatos ao Senado são líderes máximos de seus respectivos acantonamentos. Uma derrota pode significar grande abalo nessa liderança. Sem mandato, a quem irão liderar?

Veja bem: a liga que une liderados a líder, neste país, é de má qualidade. Na ideologia e na práxis. Assim, nada garante que ao redor do líder permanecerão seus liderados, como os trezentos que ficaram, intrépidos, ao lado de Leônidas nas Termópilas.

Exemplos? Geraldo Melo, ex-governador e ex-senador. Fernando Bezerra, ex-ministro e ex-senador. Ambos depostos do seu capital político ao ser derrotados. Perderam espaço, perderam discurso, mesmo o tendo entre suas competências personalíssimas. Pois o líder somente fala bem quando a sua voz é a voz dos que os acompanham e, especialmente, quando esse líder ecoa a voz dos interesses - muitas vezes legítimos - dos que os acompanham. Quando não mais são seguidos, pela força de um insucesso, esgota-se a força do líder. Torna-se ele um mudo. É que o grande líder ou a grande líder, derrotado ou derrotada perde a aura, o halo de figura pater ou mater perante aqueles a quem supunha seus.

Maquiavel preceituava que o líder, o condottiero, tinha que ter fortuna, como sinônimo de situação política que lhe seja benfazeja por força das circunstâncias, e virtù, a capacidade pessoal, o carisma para lançar-se à grande aventura da política. Reunindo em si as duas causas, poderá promover as consequências de poder pretendidas.

Maquiavel ensinava também: "...os príncipes devem evitar o mais que possam a situação de estar à mercê de outrem." O gênio florentino referia aos aliados de um príncipe, à boa escolha de aliados leais para a hora difícil. Aqui, atrevo-me a traçar um inusitado e paradoxal paralelo: os príncipes, de alguma forma, estão reféns de seus próprios liderados. Pois se o poder perdem, vão-se nessa vertigem os aliados. Isso é típico da pequena política brasileira, onde praticamente não há políticos de causa, mas políticos por profissão. E os praticantes da pequena política logo se bandeiam para o lado do novo senhor. Qualquer novo senhor.

Sun Tzu, o lendário general chinês, clamava: "Lembra-te que defendes não interesses pessoais, mas os do teu país. Tuas virtudes e teus vícios, tuas qualidades e teus defeitos influem igualmente no ânimo daqueles que representas. Teus menores erros têm sempre nefastas consequências. Geralmente, os grandes são irreparáveis e funestos. É difícil sustentar um reino que terás levado à beira da ruína. Depois de destruí-lo, é impossível reerguê-lo. Tampouco se ressuscitam os mortos. "

Essa a mensagem que bem poderia ser levada em consideração pelos três candidatos que cito. Não a mensagem que seus marqueteiros irão elaborar nas câmaras secretas dos publicitários, nas ilhas de edição e nas mentes dos criativos da propaganda. Mas a mensagem essencial, bem intencionada e compromissada com a história. E que aquele ou aquela que perder, mesmo sabendo que poderá apear-se de sua figura de líder, de pater ou mater do povo, perdeu, mas combateu o bom combate. É o que espero. Como cidadão e como jornalista.



domingo, 20 de dezembro de 2009

Imagem: http://images.google.com/imgres?
"Então é natal, heim? Espere só o presente que eu tenho para o ano novo..."

Foto: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhAtPHuK8_CI9gJAolazRwNyQEVfk0IOKKwpqwxflBUwJzvJ9KXb-rAxj2BxIMncey1qnKFaSSbhE4eXbo3xSSVUAyIIvnesBdLZQk-k6-YZZqGScu6HOMpBYZYQ2eQNHROWpNLRA/s400/aecio.jpg
Aécio, Serra e o pó mágico da política
Emanoel Barreto

Com as repercussões na grande imprensa indicando que a suposta desistência de Aécio Neves à presidência é apenas manobra tática, para forçar Serra a se apresentar como candidato e ver-se atirado à erosão de seu nome em confronto com o teflon Lula, o governador paulista deve estar pensando: "Isso não me cheira bem. Essa jogada não me cheira bem...". Mas a Aécio cheira, e cheira muito bem.

Vejamos: a poeira levantada pelo mineiro, em tancredíssima jogada, poderá resultar, caso surta os supostamente pretendidos efeitos, numa carreira fácil para o ginete de BH. Tem jornalista até especulando que Serra seria prejudicado a tal ponto que o PSDB imploraria, a tempo futuro, pelo retorno de Aécio como candidato à presidência.

A jogada de Neves perante Serra tem o sabor de algo como "tu és pó e ao pó retornarás", numa alusão à derrota serrista em 2002, quando também candidato à presidência. E, em meio a esse pó de pirlimpimpim político, mágico, levíssimo, Aécio estaria se alevantando e dando a volta por cima, após o gesto de grandeza contido na renúncia teatral.

Todavia, num caso ou noutro, Aécio e Serra podem parodiar a composição de Erasmo Carlos, já que ambos querem mesmo é derrotar o PT: "Preciso acabar logo com Dilma/ Preciso lembrar que só eu existo...".

Mas isso é coisa rápida, é coisa de política, é coisa de jornal. Logo logo, tudo estará recoberto pelo pó implacável da história...


sábado, 19 de dezembro de 2009

Imagem: http://dramaticoblog.files.wordpress.com/2009/07/ocupacao2.jpg
Os marqueteiros, os candidatos, Antônio Conselheiro e o povo a dois passos do Paraíso
Emanoel Barreto

A proximidade das campanhas eleitorais trará de volta à cena a figura do marqueteiro. No Brasil e em outras plagas socialmente complexas como os Estados Unidos, esses personagens avultam como seres demiúrgicos. Apresentam-se como dotados de esotéricas sabenças de psicologia de massas e são tidos como dominadores de miraculosas técnicas de convencimento, acionadas a partir do conhecimento das necessidades e ansiedades do entidade coletivo-histórica a que se chama povo.

Dominam a tecnologia da informação propagandística e se apresentam como áugures, adivinhos do futuro próximo, podem nele influir e mudar os rumos da história. O marqueteiro é um deus ex machina. Os candidatos os reverenciam e os pagam a peso de ouro.

Vejamos dois registros.

Primeiro:"Por trás do sucesso da campanha do senador Barack Obama está David Axelrod, um marqueteiro político que se especializou em tornar candidatos negros atraentes para grandes fatias do eleitorado. Axelrod, com seu bigode farto e jeitão informal, é considerado o melhor estrategista político fora do eixo Washington-Nova York" - a campanha de Obama, antes de se consolidar como candidato, nas palavras de Patrícia Campos Mello em seu blog "Controvérsia.

Segundo: Lígia Hougland, no Portal Terra, detalha: "Até poucos anos atrás, o americano Ben Self era o típico nerd. Especialista em ciência da computação, trabalhava nos departamentos de tecnologia de companhias do setor bancário e de seguros. Em 2008, ele se uniu à equipe de Barack Obama e revolucionou o mundo das campanhas eleitorais ao usar a internet como principal ferramenta para promover o candidato democrata à Casa Branca. Self e sua empresa, a Blue State Digital, foram responsáveis por levantar mais de US$ 500 milhões online para a campanha do primeiro presidente americano negro - 66% do capital total arrecadado. Aos 32 anos, o especialista em ciência da computação é conhecido mundialmente por ser o mais eficaz marqueteiro para os políticos que sonham alto."

As duas transcrições traem um elogio profundo ao marketing eleitoral, reverência até mesmo de quem o deveria ver sob angulação crítica. O marqueteiro é um mago e estamos conversados. Sobre o taumaturgismo há pouco referido, diz o Houaiss: o taumaturgo é "o artesão divino ou o princípio organizador do universo que, sem criar de fato a realidade, modela e organiza a matéria caótica preexistente através da imitação de modelos eternos e perfeitos".

Sim, o marqueteiro, sem criar de fato a realidade, a modela e organiza de forma a que seu candidato seja visto como a solução do caos, uma vez que tal candidato é um modelo eterno e perfeito e a tudo resolverá. O marqueteiro convence a patuléia inculta e ignara que a simples eleição de uma pessoa reverterá para sempre todas as mazelas sociais e o povo, em alegre alarido, ingressará numa idade de ouro onde haverá nas torneiras leite e mel.

Prepare-se: logo logo, em 2010, que já está bem perto, surgirão na TV e na internet a realização de todos os sonhos. Os marqueteiros serão os novos antônios conselheiros. E a seus candidatos o povo deve seguir com fé, pois está a dois passos do Paraíso.


Charge de Gilmar
A pequena política do Rio Grande do Norte
Emanoel Barreto

O pensador italiano Antonio Gramsci, nos cárceres de Mussulini, construiu obra de análise política larga e profunda, que repassava ao mundo em anotações que hoje constituem-se em monumental trabalho cuja validez é incontestável, uma vez permanecentes as condições históricas entre exploradores e explorados.

Gramsci falava na existência de duas políticas: a grande política e a pequena política. A primeira diz respeito às ações de grande vulto, voltadas para a fundação de Estados, as medidas tomadas para mudanças estruturais; a outra, praticada na mesquinharia de corredores e câmaras secretas, atendentes aos interesses pequenos da politicalha.

Estamos às vésperas de novas eleições para cargos majoritários e proporcionais. E damos continuidade à pequena política. Ao disse-me-disse de noticiários episódicos, declarações de políticos que buscam se afirmar. No jornalismo não há análises de quadro, que poderia tomar como referente o fato de que são os mesmos atores que comparecem ao proscênio, com discursos semelhantes.

A fase pré-eleitoral mantém-se no velho estilo: a fulanização da campanha. Não diz respeito a projetos de governo, atitudes de mudanças estruturais, reversão de injustiças sociais históricas. O noticiário se contenta com o registro episódico de resultados de pesquisas que terminam por se tornar, elas mesmas, parte do discurso glorificador do candidato que esteja em vantagem momentânea.

Enfim, é isso: a pequena política, a microcefalia política, em que ao povo, aquele que sofre o resultado das ações, compete apenas o papel de fazer eleger um candidato, mais um. Gramsci dorme.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009



Twiggy em imagem nos anos 60 e, (acima), hoje (O Globo)
Quando era normal ser diferente e quando é normal ser falsificado
Emanoel Barreto

Twiggy, nos anos 1960, era um nome de modelo que acirrava discussões e estimulava um estilo de vida, cult entre as meninas. Afinal, estávamos em uma época em que ser divergente era ser normal. Muito mais que uma meninota que vendia vestidos e modismos ela era sinônimo de transgressão. Era uma pessoa icônica. Vendia moda? Sim. Mas, ela própria era uma espécie de marca comportamental, representava uma atitude.
O tempo passou; Twiggy, magérrima, envelheceu, sumiu, engordou. Agora, volta à cena como uma velhota de 60 anos assanhada. Só que, ao contrário do tempo em que representava transgressão, busca vender produtos que façam a mulher já entrada em anos sentir-se mais jovem - que ser jovem hoje é obrigação ditada pelo mercado. Para tanto, valem desde os enchimentos de silicone até produtos para a pele.
Nas fotos lado a lado, vê-se como ela está hoje. As imagens são parte de campanha publicitária de um creme antirruga. A comparação entre a da direita com a da esquerda sugere que basta seu uso para a mulher, milagrosamente, tornar-se mais jovem.
A veiculação estava sendo feita na Inglaterra e foi, claro, proibida por ser inegavelmente uma fraude, já que a Twiggy mais jovem é resultado de tratamento digital aplicado à foto. Síntese da questão: o mercado, o velho mercado, se utilizava da figura de uma jovem esguia para promover vendas mediante atitudes que pareciam discrepantes. Agora, pega a mesma jovem, envelhecida, para continuar a vender. A ilusão, ao que parece, é mesmo a essência nossa sobre a Terra.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Efe - 15/12/2009
A estupidez, a intentona dos fortes e o poder maligno
Emanoel Barreto

Vejo no Estadão: Presidente da COP-15, Connie Hedegaard, renunciou ao cargo nesta quarta-feiraCOPENHAGUE - A presidente da conferência das Nações Unidas para mudanças climáticas (COP-15) em Copenhague, Connie Hedegaard, renunciou ao cargo nesta quarta-feira, 16.

Hedegaard, que vinha sendo acusada por representantes de países em desenvolvimento de querer beneficiar os países ricos nas negociações, será substituída pelo primeiro-ministro da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen. As razões da renúncia ainda não estão claras. Hedegaard disse que seria mais apropriado que a conferência fosse presidida pelo primeiro-ministro tendo em vista a presença de tantos chefes de Estado nos estágios decisivos do evento, marcado para terminar na sexta-feira.

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Contra tudo o que poderia ser chamado de "bom senso", os ricos continuam em sua desvairada corrida para "fazer dinheiro". Os "líderes do mundo", já percebeu?, somente se reúnem para discutir coisas mesquinhas, garantir que os grandes grupos empresariais aumentem capital, mesmo que isso seja à custa da destruição da humanidade.



A corrida se faz nos trilhos do genocídio completo da humanidade. Os sinais apocalípticos, o armagedom ambiental gritante, não conseguem demover esses dirigentes de sua intentona. Chego a temer que sejamos dirigidos por mentes criminosas, malignamente inteligentes. Inteligentes para fabricar um progresso depravado, enquanto dão vazão à sua estupidez de lucrar.





Foto: capa do LP, sem créditos
Quando a canção vira sussurro e o piano chega em ondas marulhadas
Emanoel Barreto

Assinei, há muit'anos, 1994 para ser exato, uma revista especializada em música. Já não lembro o título da publicação. Mas era muito boa. Textos preciosos, temas seletos, bela diagramação. Os assinantes tinham direito a receber discos de jazz. Com a primeira e única edição que me chegou às mãos vieram sete CDs em capa de papelão, reproduzindo obras de Pinky Wainer, filha do jornalista Samuel Wainer, polêmico e genial.

Esses discos ficaram por aí, nos meus guardados. A bem dizer, ouvi-os poucas vezes. Há uns dias, resolvi reencontrar esses discos, esses amigos mágicos que, como os livros e os instrumentos musicais, são seres vivos, pelo menos para quem os sabe viver.

Encontrei, no CD destinado ao swing jazz, uma pequena pérola na voz de uma diva: Carmen McRae. Intensa, coleante. Interpretação tecnicamente perfeita, com exato, total, completo e infinito domínio de voz. Tons, semitons e síncopes. Tudo perfeito. As síncopes, essas então, chegam a ser vertigem; quem sabe, a voz de uma fada verde, absinto a meia-luz.

Falo da composição "Send in the Clowns", de S. Sondhein. Tema complexo, dificílimo, muitos e muitos acordes acompanhando uma voz felina. O piano, pianíssimo, soando como campânula de prata. Baixinho... Uma obra prima em sagração do êxtase, quando a canção vira sussurro...


segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

domingo, 13 de dezembro de 2009

Foto: AFP
O tabefe em Berlusconi e o fim da paciência do povo
Emanoel Barreto

A agressão sofrida pelo primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, à parte a questão do ato em si, como atitude de repúdio inapropriada, traz, em sua força discursiva, mensagem bastante vigorosa: há um limite para que se desrespeite, se humilhe e se ofenda o povo. As elites precisam compreender isso, ao encenar sua farsa de democracia.

O engodo, a mentira repetida dia após dia, ao contrário do que defendia Goebbels, não consegue se impor definitivamente como verdade. Berlusconi representa o que há de pior no pensamento neoliberal. Diariamente tem sido exposto como literalmente um vilão, manipulador e aético. Mesmo questionável a agressão, não o são os motivos que a ela levaram.

Os corruptos, como os há no Brasil, não podem ficar impunes. Vide o caso Arruda e os protestos diários. Quanto a Berlusconi, o golpe recebido é índice, ponta de ideberg a apontar as indignidades gerais impostas ao mundo.
Como exemplo, lembremos que as elites estão destruindo o planeta. Guiadas pelo perverso instinto do lucro a qualquer preço, negaceiam medidas para conter o aquecimento. Sejam as elites do Ocidente, sejam as da China, por exemplo. Elite é sempre elite, seja na democracia formal seja nas ditaduras.

O tabefe é bastante sintomático da insatisfação popular; na Itália ou em Brasília. E se essa insatisfação é difusa, há os momentos em que explode, lá e acá.

Kennedy, em discurso dúbio, já dizia: "Se a sociedade livre não conseguir ajudar os muitos que são pobres, não poderá igualmente salvar os poucos que são ricos."

A frase é da época da Guerra Fria. É um pronunciamento bifronte: a "sociedade livre" são exatamente os expoentes do capital, cujos desmandos terminam por colocar em xeque, em processo de engenharia social reversa, os pressupostos ideológicos desse mesmo capitalismo. Kennedy sabia o que estava dizendo...






Fotos: Emanoel Barreto
Isso é um insulto
Emanoel Barreto
No caso das fotos acima as imagens dizem mais que mil palavras. Em Capim Macio, onde são feitas obras de drenagem, os funcionários da empresa contratada pela Prefeitura, responsável pelas obras, largaram simplesmente uma montanha de areia em frente à minha casa, encerraram o expediente e foram embora. Isso foi sábado último.
Impedido de entrar e sair. O portão da garagem estava obstruído, como o portão pequeno. Fui obrigado a conseguir ajuda às 22h, pelo menos para desobstuir o portão e pôr o carro na garagem. Trata-se de flagrante desrespeito à cidadania. Um ultraje, ou como disse a minha neta de 10 anos: "Vovô, isso é um insulto. "


sábado, 12 de dezembro de 2009

Foto: Divulgação
Capitão Nascimento, o retorno
Emanoel Barreto

O ator Wagner Moura iniciou preparação especial, com aulas de jiu-jítsu e vale-tudo, para viver novamente o Capitão Nascimento, no filme "Tropa de Elite 2", informou a coluna Radar, de Lauro Jardim, publicada na revista "Veja" desta semana.
As aulas serão dadas por Rickson Gracie, que mora nos Estados Unidos, e é um dos principais nomes da lendária família de lutadores.
As filmagens começarão na terceira semana de janeiro. O filme "Tropa de Elite 2" tem estreia prevista para agosto de 2010.
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A informação é da Folha Online Ilustrada.
O Capitão Nascimento é uma espécie de figura urbano-mitológica tardia do senso comum. Prefigura e glorifica o perfil do policial que, ante os desmandos do crime organizado, reage com igual vigor e brutalidade, punindo por uma sociedade indefesa frente à fúria de traficantes e assaltantes.

Ele representa de forma vívida o repúdio de larga parcela da sociedade brasileira aos grupos de direitos humanos. As pessoas veem na ação desses grupos um paradoxo simplista: seus militantes se compadecem de criminosos e estão a favor dos bandidos, esquecendo suas brutalidades contra os indefesos. Na implicação contida em tal lógica esses militantes estão contra os cidadãos. Infelizmente, é isso o que acontece.

O personagem, assim, propicia o que os psicólogos chamam de ab-reação, comportamento assim descrito no Houaiss: "Descarga emocional pela qual um indivíduo se liberta do afeto que acompanha a recordação de um acontecimento traumático [Pode ser provocada, por exemplo, por hipnose, ou ocorrer de forma espontânea no decorrer do processo psicoterápico.]". Ou por outra: "Efeito liberador produzido pela encenação de certas ações esp. as que fazem apelo ao medo e à raiva, utilizado pelas terapias que se baseiam no método catártico."

O fato de o ator Wagner Moura estar tomando lições de luta sugere que o personagem entrará em combate corporal com antagonistas, o que não ocorreu quando da produção anterior. Isso, sem dúvida, ampliará o efeito de catarse, trazendo ao filme mais glamour à violência punitiva. O público sempre gosta quando os vilões são, literalmente, batidos pelos que pretensamente encarnam o "bem".

O brasileiro está cansado de ver o triunfo do mal no mundo vivido. Assim, pelo menos no cinema verá alguém ser punido. É a terrível compensação para quem vive um inferno e encontra, no pesadelo encenado, sua fugidia compensação.





Fotos: Emanoel Barreto

encontro com Djalma Maranhão
Emanoel Barreto

Hoje acordei numa espécie de déjà vu: máquinas na rua, em frente à minha casa. Homens trabalhando para instalar o sistema de drenagem, em Capim Macio. Mas, e o déjà vu? É o seguinte: certa vez, Djalma Maranhão prefeito de Natal, idos de 1961, 62, amanheci desperto por um barulho terrível, monstruoso ronco que, à minha sensação de menino, seria algo como um dragão atacando o meu castelo, quer dizer, a minha casa.

Na verdade, era o desvio dos ônibus, que deixavam de circular pela Rio Branco, que estava sendo asfaltada, atirando-se pela Princesa Isabel, onde eu morava. Dias e dias assim, até que a obra ficasse pronta e a minha pacífica rua voltasse a ser sinceramente calma e pacífica, como o eram as ruas de Natal nos anos 60.

Agora, o ronco de uma máquina rasgando o chão para soterrar as manilhas não me apavorou. Alegrou. Afinal, estarei livre das inundações, afinal deixarei de me sentir como Noé a cada inverno.

Mas o déjà vu levou-me a passear a memória até Djalma Maranhão. Nunca o vi, a não ser em fotos. Mas, dele, tenho sempre uma lembrança boa. Uma espécie de saudade mansa de alguém a quem não conheci, mas que me abraça e me diz que ele era um político para quem decência era sinônimo de essência, e isso o fazia ser um prefeito que amava, sem medo e sem mácula, a sua cidade Natal.

Sinto que encontrei Djalma hoje de manhã. Não, nada a haver com a "Ronda dos Fantasmas", radioteatro de terror que a Rádio Cabugi produzia magistralmente uma vez por semana. Nada disso. Foi uma espécie de reencontro com coisas, memórias, lembranças esquivas que moram em mim. E esse encontro foi como se ele estivesse dizendo: "Ei, menino! Não tenha medo. Dragões não existem. E eu continuo cuidando de Natal..."

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Foto: http://images.google.com/imgres?
Goodbye, Bat Masterson
Emanoel Barreto

Morreu Gene Barry, que interpretava na TV o personagem Bat Masterson. Morreu quinta-feira passada, aos 90 anos, mas somente hoje divulgaram. Quando a série passava no Brasil, entre 1958 a 1961, jamais a assisti: Natal não tinha repetidora. Mas, nas revistas em quadrinhos, eu sempre o encontrava. A capa tinha sempre uma foto sua. O desenhista repetia à perfeição, em traço, as feições do meu amigo. Sim, porque ele era meu amigo. E eu me sentia a seu lado naquelas aventuras.

As revistas eram para mim como uma espécie de jornal: cada edição era como um noticiáirio, coisas grandiosas e empolgantes que os meus amigos, Zorro, Batman, Príncipe Valente, Super Homem e Bat Masterson viviam, sem esquecer Tarzan, claro. A lista de amigos é enorme e não caberia aqui.

Agora, o meu amigo se foi. Na verdade já não nos encontrávamos há muitos e muitos anos, desde que deixei os quadrinhos como leitura preferencial. Mas valeu, Bat. De alguma forma, lendo suas histórias, aprendi de que lado ficar.



quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Foto:Reuters
"Eu prefio ser essa metamorfose ambulante" (Raul Seixas)

O presidente Obama encarna à perfeição a metamorfose ambulante. Ao receber o Nobel da Paz, ele, que estranhamente foi escolhido para a comenda, uma vez que nada fez pela paz, defende... a guerra. E ainda é aplaudido.

Norteia-se, sem dúvida, pelo apotegma romano: "Se queres a paz, prepara a guerra". É realmente estranho que o dirigente máximo da maior potência bélica e belicista do planeta, um país que vive de e para a guerra, seja eleito paladino da paz...

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Foto: Dida Sampaio
A vigilância cuida do normal, os automóveis ouvem a notícia, os homens a publicam no jornal (Zé Ramalho)
Emanoel Barreto

O fotoflagrante é da repressão da polícia a manifestantes que pedem o impeachment de Arruda, o arruaceiro, o governador do Distrito Federal. Nada demais: os soldados estão apenas cuidando do normal. Como a corrupção é normal neste país, a vigilância está cuidando meter o pau e de manter as coisas... dentro do normal.


Foto: http://www.estadao.com.br/fotos/explosao-p.jpg
Assim caminha a humanidade
Emanoel Barreto

A estratégia no Iraque serviu de base para o plano do presidente Barack Obama de enviar mais 30 mil soldados para o Afeganistão, seguindo a recomendação do comandante das forças americanas no território afegão, general Stanley McCrystal. Mas, assim como ocorreu com o conflito afegão, aos poucos a guerra iraquiana começa a ser esquecida, para voltar à tona apenas quando grandes atentados ocorrem, como os de ontem.

Os jornais e TVs americanos não cobrem mais Bagdá como faziam até o começo do ano. Os principais correspondentes foram deslocados para Cabul. Os centros de estudo em Washington dedicam seus principais eventos ao que ocorre no Afeganistão e no Paquistão, assim como optaram por contratar mais analistas especializados nestes dois países.

E a agenda da política externa de Obama foi dominada pelo Afeganistão nos últimos três meses. Ontem, depois dos ataques, a condenação ficou por conta dos representantes militares americanos no Iraque, sem grandes declarações de Obama ou da secretária de Estado Hillary Clinton.
...

A transcrição que faço, de trecho da matéria assinada pelo jornalista Gustavo Chacra, do Estadão, dá bem uma ideia de como os mandantes do mundo veem a guerra, a destruição, o horror: tudo isso está "do outro lado", "lá longe". É coisa que eles provocam, mas que não os atinge. Não diretamente. Assim, o que se passa no território do horror fica para lá. A "eles" não interessa muito.É isso. Assim caminha a humanidade. E todos os que a ela ofendem.
Foto: Ahmed Malik/Reuters
Somente os fotógrafos podem ver a Morte*
Emanoel Barreto


BAGDÁ - O primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, fez um pronunciamento na TV no qual pediu paciência e o apoio às forças de segurança do país após a onda de atentados que deixou 127 mortos em Bagdá na terça-feira, 8.

Maliki deve ir uma audiência no Parlamento nesta quarta. Ele vem sofrendo fortes críticas de parlamentares, que pedem a renúncia da cúpula de segurança no país. Nos últimos quatro meses, houve outros dois atentados contra prédios públicos no país.


No primeiro, em agosto, 100 pessoas morreram. Em outubro, um ataque deixou 155 vítimas. Insurgentes têm direcionado seus ataques a alvos do governo públicos. Analistas atribuem o ataque a militantes sunitas ligados ao antigo partido Baath, do ex-ditador Saddam Hussein, descontentes com o governo xiita pró-ocidental.
...
O texto acima é do Estadão. Mas o que me moveu mesmo foi a foto. Veja como caminham os parentes da vítima: elas levam o caixão como se levassem todo o peso da morte. Não a morte enquanto fenômeno de cessação da vida, mas a Morte, a grande Morte, o mistério sombrio de ter à vista e em mãos um corpo que perdeu seu anima.
A fotografia tem esse condão. Captar o instante, o momento preciso, como dizia Henry Cartier Bresson. É esse momento que resume tudo, toda a força, impacto, intensidade e representatividade de uma ação, que o jornalista-fotógrafo sabe figurar como ninguém. Só ele, esse mágico ao mesmo tempo sensato e louco.
Veja o esforço dos que levam o caixão. Eles carregam todas as dores do mundo. Ao contrário de nós, ocidentais, que levamos o - perdão pela palavra - féretro segurando suas alças laterais, eles o conduzem aos ombros. É o homem, em sua miserável universalidade, levando sobre si o peso maciço de todas as suas dores, um peso que é presidido pela grande, soturna, maciça e muito nossa Morte.
E, só os fotógrafos podem nos mostrar esses momentos...
* Esta crônica é dedicada a João Maria Alves, Giovanni Sérgio, Canindé Queiroz e Claudinei Bôas

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Foto: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhtecv9xk1tgFD_grz6SxGdfs86E7QIAhFpoCBAoHlY5SwbZCpTU2kAF79vWpaPY_NPJ31iqByqklh-OOhQtz4FAg2ZzRR2rGy_S41mLki6Zf65nuVhslWQMEyDvEHfBoVRB28/s400/10.jpg
As fotos de Bardot quando andava vestida de beleza
Emanoel Barreto

As coisas de jornal, em muitas bancas, anunciam que estarão à venda no Brasil fotos de Brigitte Bardot no esplendor da sua beleza. A Folha Online diz: A atriz francesa Brigitte Bardot, que comemora 75 anos, é tema de uma exposição fotográfica que começa amanhã (9), em São Paulo. A mostra "Brigitte Bardot" traz fotos inéditas e originais da diva, clicadas pelo renomado fotógrafo italiano Marcello Geppetti, um dos precursores do termo paparazzi nos anos 60 e amigo de Bardot. Destaque do site Catraca Livre o evento já passou por vários países e fica no Brasil até o dia 23 de dezembro, na galeria Lourdina Jean Rabieh. A entrada é gratuita e as fotos estarão à venda. Os preços devem variar entre 8 e 14 mil reais cada.

....

O Tempo, o velho Tempo, esconde na máscara da Vida os fios de sua trama imensa. E quando o Tempo - que também se chama Depois -, se torna Hoje, vemos que o Passar, que é pai do Tempo, não vem de fora, mas está dentro de nós e nos destroi.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Foto: Divulgação
É preciso cantar, é preciso pintar, é preciso vender...
Emanoel Barreto

"A foto é da obra 'Retrato de um homem, a meia distância, com as mãos na cintura', de Rembrandt, que pode ser arrematado por até R$ 70 milhões", dizia a legenda que transcrevo, tirada da net.

Agora, uma questão: a obra tem valor intrínseco, algo que vai muito além do valor que, miseravelmente, o dinheiro tenta mensurar ou os seus adoradores podem presumir, em suas minúsculas mentalidades que se guiam por cifras.

Nesses leilões ocorre um processo perverso: a obra de arte tem valor pelo valor do dinheiro que ela representa, não pelo seu conteúdo plástico ou visão de mundo imanente. Sei que os grandes pintores - a arte sempre aconteceu assim, ainda hoje é assim - precisa de um benefactor, um mecenas e um marchand. Afinal, a arte deve e precisa ser comercializada. O pintor também tem fome.

O problema é que, coisas bem da nossa condição humana, o processo assume as conotações malíssimas que mencionei quando o valor venal, por efeito ideológico, assume o valor ético da obra e o que se compra não e a obra em si, mas o valor financeiro-mercadológico agregado àquela. Infelizmente, é isso. Mas, adelante. É preciso pintar, é preciso cantar, é preciso vender...

O amigo jornalista Walter Medeiros manda artigo que abaixo publico. Obrigado, Walter.
Emanoel Barreto

Médicos precipitados
--- Walter Medeiros* – walterm.nat@terra.com.br

Um fato que se repete sempre chama a atenção e costumeiramente vira objeto de pesquisa, quando se busca um entendimento mais exato dos fenômenos. Nos últimos tempos vimos tomando conhecimento de afirmações de senso comum em consultórios médicos em reação imediata às pessoas que indagam sobre o uso da auto-hemoterapia. Em muitos casos, a primeira reação do médico ou médica é dizer que não conhece a técnica; e em seguida sentenciam: “deve ter alguém ganhando dinheiro com isso”. Mas quando informados, muitos ficam pletóricos** de vergonha pela afirmação precipitada e passam a se interessar pelo assunto.

A culpa pela ocorrência destas reações não é de todos os médicos, pois embora muitos deles ainda acreditam que são deuses – já que a vida das pessoas está em suas mãos, uma imensa parcela dos médicos já passou para o lado dos humanos. A falha ainda está em grande parte das faculdades de medicina, que preparam seus alunos para serem pessoas arrogantes, “superiores”, importantes (no sentido vulgar da palavra). Mas percebe-se que as próprias entidades representativas da categoria dão margem a um distanciamento da realidade para os seus associados ou filiados.

No caso do desconhecimento da técnica (Auto-hemoterapia é uma técnica que combate e cura doenças com a retirada de sangue da veia e aplicação imediata no músculo), vemos que as faculdades de medicina estão fora da realidade, pois deixam de fazer qualquer referência a uma técnica que tem mais de cem anos que é utilizada. Mesmo que não enquadradas totalmente nos padrões de reconhecimento acadêmicos, pelo menos em parte a auto-hemoterapia tem reconhecimento científico, no que se refere ao Tampão Sanguíneo Peridural, muito utilizado por ocasião de cirurgias.

Quanto ao fato de dizerem que “deve ter alguém ganhando dinheiro com isso”, os médicos refletem a realidade brasileira, onde se acostumaram a ver gente querendo levar vantagem em tudo. Mesmo assim é uma afirmação precipitada perante os ditos pacientes que procuram assistência e desejam saber a opinião daqueles profissionais que deveriam ter as respostas corretas. Mas o mais grave é que esta impressão foi passada para o público também pelo Presidente do Conselho Federal de Medicina, no Fantástico da Rede Globo.

A verdade, entretanto, é que a auto-hemoterapia vem sendo divulgada gratuitamente, através de usuários que se deram bem com o seu uso e reproduzem o DVD do Dr. Luiz Moura sobre o assunto. A reprodução e distribuição do DVD é autorizada com uma única condição: que a distribuição seja totalmente gratuita. Desta forma, quem ganha com a auto-hemoterapia são as pessoas que esbarraram nas limitações oficiais da medicina e experimentaram uma técnica que as livra das dores e das enfermidades. Em muitos casos orientados pelos seus médicos, que discordam da caça às bruxas feita pelas autoridades de saúde (CFM e ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em detrimento da saúde pública.
---
* Walter Medeiros é jornalista profissional

Leia mais sobre o assunto no link
http://www.rnsites.com.br/auto-hemoterapia.htm

sábado, 5 de dezembro de 2009

Foto: http://discernimentocristao.files.wordpress.com/2009/08/pobreza.jpg
Não é
Emanoel Barreto

Não é por ser comum que deve ser normal.
Não é por ser normal que deve virar lei.
Não é por ser lei que deve ser justo.
Não é por ser justo que deve ser prisão.
Não é por ser prisão que deve ser comum.
Não é por ser comum que deve ser normal.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Imagem: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjdFmSdXDHd77XbIqYaq0iHzj59Cs6u_CgHCWyFMX6cAT-nXUO5VP2y33jqWC1vSLYL5iK_x4ffYoUWZgVJEnkK3tBNakSes8TdUbAGXGvYeHugLWEwHsDIQ-VCJChNt3Hi8KxJGA/s400/baco.JPG
Carnatal: o perigoso tributo ao pai Baco, ou os pândegos e a pandemia

Emanoel Barreto

Um pequeno grupo de empresários vai lucrar, e muito, com o Carnatal. Autoridades, as omissas e as coniventes, o que de algum modo é a mesma coisa, estão permitindo que a festa, apesar da gripe suína, seja realizada.

O custo social do risco temo que seja altíssimo. O sistema de saúde de Natal, caso ocorra o pior, não terá condições de enfrentar um surto da pandemia. Mas, pândegos, empresários do Carnatal e autoridades não podem abrir mão do lucro. Os primeiros o lucro da pecúnia, os últimos o lucro político-populista de fazer o que sempre fazem anualmente: dar alarde a uma alegria empacotada, a um fuzuê de emoções que no final pode custar muito caro.

A lógica do lucro, que preside o Poder, não teme em arremessar a situação de risco caótico a toda uma população. Mas, convenhamos, é preciso pagar o tributo ao pai Baco. Afinal, é Carnatal...
PS: só para registro histórico: os hoje abadás, eram chamados, quando o Carnatal começou, de mortalhas...


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Foto: http://maurilioferreiralima.com.br/wp-content/uploads/2009/08/esgoto.jpg
O Brasil e a engenharia reversa
Emanoel Barreto

Não é preciso ser um grande cientista, algum luminar de engenharia reversa, para saber como funciona a política brasileira. Trata-se, a política brasileira, de um sistema tão claro de fraudes e manipulações que sequer é preciso o seu desmonte para entender-se o seu funcionamento.

Feita toda à base da pequena política, a política dos corredores, dos gabinetes ocultos e das tramas sussurradas, a vida pública nacional é impublicável. Jogos secretos e acertos recônditos são feitos sempre à meia-luz. Trata-se de uma reunião de tratantes, cujos tratados viscosos são acertos de contas, numa contabilidade vergonhosa e plenamente vazia do interesse público.

A propósito, somente a engenharia reversa, aí sim, pode explicar como um país, com tanta corrupção, ainda não afundou por completo no mar de lama em cujas praias se passa uma política de artes tão dolosas.

Como os pares de Arruda, o brasiliense, oremos.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Foto: http://palavrassussurradas.net/wp-content/uploads/porco.jpg
O Carnatal, a gripe suína e o cavalo de Troia
Emanoel Barreto

O Carnatal este ano não será uma festa. O Carnatal é uma ameaça. Ameaça à saúde pública e ninguém parece se dar conta. Ao que temo, estamos nos encaminhando para a realização de um evento de massa em período em que uma pandemia, a gripe suína, é uma ameaça real e iminente, sendo desaconselhada a realização de tais festejos.

Quem se responsabilizará se houver um agravamento de quadro: a Destaque, que promove a festa?; o Governo do Estado?; a Prefeitura? Não, não, ninguém se responsabilizará, esteja certo. As vítimas, sim, sofrerão as consequências.

A gripe suína é uma espécie de cavalo de Troia que estamos trazendo para Natal de forma inconsequente. Mesmo ante o perigo de contágio, que qualquer pessoa de bom senso mediano pode detectar. A rede hospitalar da cidade não está apta a atender massivamente. Os jornais precisam tomar um posicionamento, a sociedade civil deve se manifestar, a fim de impedir a realização do Carnatal. Antes que sejamos levados a uma pocilga de dor, desespero, sofrimento.
...

Transcrevo abaixo texto que me foi enviado por Newton Ramalho Junior, jornalista, relatando posição da Sociedade Riograndense do Norte de Infectologia. Segundo o jornalista, o documento diz:


Natal, 30 de novembro de 2009.


Em resposta à solicitação da Promotoria de Justiça e Defesa da Saúde Pública e
da Secretaria Estadual de Saúde Pública do Rio Grande do Norte, para um parecer técnico sobre os riscos da realização do Carnatal em relação à pandemia de Influenza A
H1N1, a Sociedade Riograndense do Norte de Infectologia (SRNI) reuniu-se às 17 horas
do dia 29 de novembro de 2009 e deliberou o seguinte documento:

Considerando o crescente número de casos graves e óbitos em âmbito regional a partir da semana epidemiológica 41 de 2009;

Considerando que muitos dos casos graves necessitam de assistência ventilatória e, consequentemente, internação em leitos de Unidades de Terapia Intensiva;

Considerando que todos os casos internados devem ter isolamento respiratório,
em quartos privativos, com vedação de portas, boa ventilação e, preferencialmente, com pressão negativa;

Considerando que a disponibilidade dos leitos supracitados é insuficiente para
atender a demanda atual e, portanto, não daria suporte a um aumento do número de casos;

Considerando que toda aglomeração humana é propícia para disseminação das
doenças de transmissão aérea;

Considerando que não há recomendação para o uso de máscaras em ambientes
abertos;

Considerando que o número de casos confirmados são referentes aos de maior
gravidade, já que não são realizados exames confirmatórios dos indivíduos sem critérios de gravidade e que, sendo assim, não sabemos a real taxa de ataque do vírus;
Considerando que o período de transmissibilidade da doença se inicia um dia
antes dos primeiros sintomas e persiste até o sétimo dia;

Considerando que a aplicação da vacina em massa é a mais eficaz forma de
prevenir o avanço da pandemia;

Considerando que todos os pontos levantados neste documento são condizentes
com as recomendações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial de Saúde, emitimos o seguinte parecer:

A realização do evento denominado Carnatal pode aumentar consideravelmente
o número de casos, assim como qualquer outra forma de aglomeração humana. Pelo
mecanismo de transmissão da doença, espera-se que o risco seja diretamente
proporcional à intensidade da aglomeração.

A rede assistencial do Rio Grande Norte é deficiente e necessita de melhorias
para atender a demanda atual, podendo a situação se agravar substancialmente com uma
possível elevação da incidência de doentes graves.

É essencial que os gestores locais adquiram vacina para proteger a população do RN imediatamente, pois o período anual de incidência da influenza sazonal local, difere das regiões Sul e Sudeste do país. Enquanto nessas regiões as vacinas poderão ser aplicadas em março ou abril de 2010, no nordeste brasileiro deveríamos ter iniciado a campanha vacinal em outubro.

Recomendamos ainda, que haja veiculação em massa nos meios de comunicação (tv, rádio, jornal, outdoor, etc), sobre as medidas de prevenção da Gripe.

Certos de estarmos cumprindo com nosso dever social, reiteramos a disposição
da Sociedade Riograndense do Norte de Infectologia em contribuir para os
esclarecimentos julgados necessários.
Atenciosamente,
Hênio Godeiro Lacerda
Presidente da SRNI