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terça-feira, 18 de outubro de 2016

Edificante exemplo de um digno corrupto

Historinha brasileira: de como entrar na política, roubar e ser muito feliz


´Zé Aproniano  trabalhava como pedreiro. Paulo Setts era sempre visto em seu consultório médico. Josepha Crescência era advogada. Anúbio Florentino contador e Malachias Petrônio escritório de venda de imóveis. Já Asclepíades trabalhava como corrupto. De todos era o que melhor vivia.
http://www.google.com.br/imgres?q=corrup%C3%A7%C3%A3o&hl=pt-
Tudo para ele começou assim: na juventude dava um duro danado como camelô para sustentar a família e até mesmo a sogra rabugenta e infame.

Um belo dia lhe arranjaram emprego como porteiro na Câmara Municipal. Ali, rapidamente aprendeu os hábitos da Casa e deu-se muito bem. A saber: fez pequenos favores a pessoas pobres, acobertou falhas de colegas e pagava chamadas de cana para bebos em botecos safados. Mais: arranjou fichas para atendimento médico, tickets a desempregados, conluios com líderes comunitários, etc..., etc..., etc...

Com isso, você queria o quê? Aparentou prestígio, angariou votos e, óbvio, foi eleito vereador. Teve, como seria de se esperar, excelente desempenho, ou seja: intermediou verbas, ganhou elegantes e justíssimas propinas, trocou favores, propiciou imoralidades e, pronto!, afirmou-se no ramo.

Mas, cruel, o povo que o elegera vereador exigiu dele mais e mais, e tornou-o deputado estadual. Coitado; como sofreu avançando horas e horas noite adentro, executando grandes planos para desviar dinheiro público e outras falcatruas. Resultado: o povo cobrou mais do pobre-diabo, que foi obrigado a ser deputado federal. Aí sim, foi sofrimento grande.

Muito lhe foi imposto em termos de manobras e conciliábulos, traficâncias e caixa dois. Cansadíssimo, viu-se depois frente a novo e grande percalço: foi com notável esforço que o convenceram, ou melhor, intimaram a novo e terrível tormento: chegar ao Senado. 

Desesperado, sem saber mais o que fazer para atender ao povo ("Acho que esse povo quer que eu morra..."), continuou a trabalhar como corrupto, sofrendo inomináveis suplícios tipo beber champanhe com grandes empresários, almoçar com doleiros, ouvir reclamos de operadores de propina, fazer ajustes em dinheiro desviado para fora do país . 

Todavia, o povo queria mais - veja como o povo é cruel - e agora vinha forçá-lo a ser governador. "Ó, Senhor, que atroz destino, fado e sina", lamentava-se o corrupto na solidão, ajoelhado ante um oratório; e se perguntava: "Por quê? Por quê? Por quê?". 
Afinal, eleito ao novo cargo entregou-se ao martírio de atuar duplamente: como governador e como corrupto. Imbatível.

Afinal, anos e anos depois de grandes serviços prestados à safadagem, sentiu-se cansado; melhor dizendo, estava exausto e decidiu-se: reuniu toda a família e anunciou sua retirada da vida pública. 

Disse: "Após anos e anos trabalhando em favor do povo e da corrupção, mas sempre injustiçado pela imprensa, injuriado pelos adversários e acusado sem provas, quero comunicar que, ao contrário de Dom Pedro, não fico."

"Por que, papai, por que não fica mais na corrupção?", quis saber o filho mais velho, justificadamente preocupado. 

Ele respondeu: "Estou muito cansado. Não trabalhe tanto como o seu velho pai, meu filho. Corrupção é coisa de muita responsabilidade. Arte finíssima. Cansa muito. Corrupção é uma sina, é missão altíssima e exigente. Assim, não insistam, pois não mais trabalharei como corrupto. Não peçam mais a mim tal sacrifício."

"E o senhor vai trabalhar com o quê, se somente sabe trabalhar como corrupto e corruptor?", rebateu uma filha, temerosa de que o pai, afastado de seus afazeres, entrasse em lamentável depressão.

"Meus filhinhos", disse ele com os olhos em lágrimas, "agora papai vai ficar mais em casa e dar total assistência à família. Agora papai não precisa mais trabalhar como corrupto. Acabaram-se meus dias de sofrimento."

"Agora", disse com um sorriso no olhar, "papai vai ser  empreiteiro." 

..............................
 
 ZOORÓSCOPO
cobra - Os estudos indicam que os nascidos neste zoosigno têm poderosa tendência a atacar de tocaia e agir de forma traiçoeira. Se você é um cobriano saiba que suas previsões encontram-se em confluência alvissareira. Está previsto um lucrativo encontro com alguém em Pavão. Como se sabe, os pavonianos são vaidosos e facilmente enganáveis. Você poderá obter grandes vantagens e tirar proveito dessa vaidosa ou vaidoso. Mas, cuidado: se ele ou ela forem alguém de carreira política existe grande possibilidade de você deixar de ser cobra e virar salsicha. Pense bem antes de tentara dar o golpe.



sábado, 24 de setembro de 2011

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O menino que virou anão de duas corcundas
O menino passeava pela Rua dos Mágicos, quando foi abordado por um deles. -Parabéns - disse o mágico. - Você acaba de pisar na pedra de calçamento de número 2.000.0000.1000.7000.777.999.000.888.7.98764.667879.0099/0988-9876 e assim ganhou o direito a ter um trilhão de bilhões de pedidos. Qual o primeiro?

- Pode ser para quando eu crescer?- quis saber a interessante criatura.
- Claro - garantiu o mágico. - O quer ser quando crescer?
- Quero ser - pediu o menino - um anão. Anão pode? Anão gigante?
- Obviamente, tudo o que quiser - aquiesceu o mago sorridente.

Então o menino cresceu e se tornou um magnífico anão de dois metros de altura. Era, portanto, enorme e anão ao mesmo tempo.

- Posso pedir mais?
- Você ainda tem muitos pedidos. O que quer ser mais?

- Um aleijado.
- Ótima escolha. Um anão gigantesco e ainda por cima aleijado é uma grande escolha. Terá aleijão em uma perna.

http://www.google.com.br/imgres?q=porco&hl=pt-BR&safe=off&client
E o menino tornou-se ao mesmo tempo anão e aleijado de uma perna.
- E o que mais. Quer mais algo? - acrescentou o mágico.
- Quero uma corcunda. Mas bem grande.

E veio-lhe a preciosa corcunda.
- Agora, quero um espelho para me ver.
E apareceu o espelho. Disse o menino: - Estou ótimo. Posso ter duas corcundas?

- Tudo o que você pedir.

E ele ganhou uma corcunda em cima da outra corcunda.

Então o mágico indagou: - E emprego? Não quer um bom emprego?
- Quero, quero quero. Quero o meu emprego já.
- O que deseja?
- Trabalhar num banco. Um banco internacional. Melhor, transnacional. Banco transnacional pode?

- Pode sim. Qual emprego deseja no banco: diretor, presidente, caixa, officeboy, ASG, devedor inadimplente, passador de cheques sem fundos, empresário falido mas rico, lobista, especulador da bolsa, corrupto, falsificador de dinheiro, desviador de dinheiro de fundos de velhinhas viúvas, vendedor de informações privilegiadas, manipulador de mercados, fraudador de documentos? São muitas as escolhas e todas elas muito futurosas, creia.

Disse então a alegre e virtuosa criatura: - Não, nada disso. Num banco, o melhor emprego é o de assaltante. Portanto, quero ser assaltante de banco.

- Excelente escolha - comentou o mágico. Mostra que é empreendedor e arrojado. Serás assaltante de bancos.

E o menino tornou-se o maior assaltante de bancos do mundo. Era recebido por todos os donos de bancos com champanhe e canapés de caviar. Assaltava e reinvestia o dinheiro no mercado de capitais. Com isso, todos saíam ganhando.

- E o que mais? O que mais quer ser?- quis saber o mágico.

- Ahaaaa! Agora quero algo muito importante.
- Diga.
- Quero ser uma bisteca suína.

E virou uma bisteca suína. Suculenta e muito cara. Feita de porco especial.
O mágico afinal perguntou: - Mais alguma coisa? Ainda tem bilhões de pedidos.

- Não estou gostando de ser uma bisteca. Estou me sentindo, digamos assim, incompleto. Transforme-me num porco. Assim estarei completo. Mas, um detalhe: o porco deverá ser um porco anão de dois metros de altura, ser torto e ter duas corcundas.Corcundas são importantíssimas.

E logo ele estava transformado na hedionda criatura que pedira.
- E então: satisfeito? 
- Não.
- O que mais?
- Libero você de todos os pedidos restantes se você agora me garantir que, além de porco anão com dois metros de altura, aleijado e com duas corcundas, serei senador. Quero ser tudo isso e mais quero ser político. Isso, e nada mais quero da vida.

E o mágico gritou Alakazan!
O menino porco anão com dois metros de altura, aleijado e com duas corcundas virou então um político. Fora eleito com mais de dez milhões de votos. A consequência de tudo isso você  sente na pele.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Veja só que texto encontrei na Folha. Abaixo, comento.

Fina Estampa" vai ter um assassinato a cada mês



João Fernando (interino)

Para movimentar ainda mais a trama da nove, Aguinaldo Silva vai matar um personagem a cada mês. De acordo com integrantes do elenco, o autor já tinha avisado aos atores de que haveria uma morte a cada 30 capítulos. A primeira vítima foi Zilá (Rosa Marya Collyn), que no sábado passado teve o corpo encontrado misteriosamente na mata. 
.........

Senador é tudo, menos zumbi

Ao ler a respeito da ficção quase delirante do gênio de Aguinaldo Silva, uma das mentes mais criativas e ácidas da -  vá lá -, teledramaturgia, veio-me à cabeça o seguinte: já pensou se alguém, um misterioso assassino agisse sorrateiramente no Congresso,  passando a eliminar senadores e deputados e transformando aquela Casa em palco de horror-show de grande impacto, um reality show exato e na essência da palavra?

Já pensou? Primeiro, apareceria um senador jogado sobre a bancada da presidência, o corpo exangue e muito branco. O corpo seria encontrado de manhã, o que levaria a supor que a eliminação fora feita durante a longa e escura noite do Congresso, templo sombrio de negócios e de lsis, local onde  acontece de tudo.

Já pensou a manchetaça da Folha, a circunspecta chamada do Estadão? E a coisa continuaria assim: senadores e senadoras, deputados e deputadas aparecendo mortos das mais diversas maneiras: pendurados no teto do congresso, boiando nos espelhos d'água de Brasilia, atirados sobre o teto dos palácios, espichados nos enormes leitos das mansões, jogados ao chão de alguma boate cara e reluzente. E tudo isso, sem  dúvida, dentro de prazos que faria estupefata a equipe de Criminal Minds: a cada semana um mandatário morto.

Brasília entraria em polvorosa: quem estaria matando aquelas nobres e candentes pessoas, todas dedicadas ao serviço público e ao bem-comum, à temperança dos costumes sóbrios e à prestação de relevantes serviços à pátria e a história. Quem? Mistério...

Enquanto isso, mais e mais vítimas iriam se acumulando até que um dia, como que por encanto, todos os mortos reapareceriam lampeiros e mais sôfregos que nunca: os jornais enlouqueceriam, os repórteres estariam à beira de um colapso, tal a profusão de pessoas - e pessoas ilustres - ressuscitadas. Uma revolução. Até na comprovação de vida após a morte.

Os ressuscitados, então, convocariam uma grande coletiva. Imprensa nacional e internacional. O mais velho deles, o presidente do Congresso então falaria, dizendo: tudo aquilo fora uma encenação com bons propósitos. Todos haviam participado de um grande show da Rede Globo como parte da campanha da campanha Seu Talão Vale um Milhão. Perdão, errei: tinham participado da campanha Criança Esperança, era o que queria dizer.

Todos haviam participado de graça, de graça, note, cedendo direitos de imagem a grande novela global a ser lançada sob o título: "Quem matou Carmélia?", sendo Carmélia uma pobre senadora que vendia ovos de páscoa para ajudar a seu lamentável irmão, semi-analfabeto e vereador mal remunerado em cidadezinha dos pampas. O dinheiro da novela iria para o Criança Esperança, entendeu leitor?

A trama era assim: Carmélia, desesperada por ser senadora, e pior que isso, pobre, pois seus pares não compravam os ovos de páscoa, fizera conjura com um caseiro que mataria congressistas a serviço de um feiticeiro do Haiti, muito necessitado de corpos para suas experiências na criação de neo-zumbis. Os corpos seriam entregues ao tal feiticeiro, que trabalhava para a CIA e pagava em dólar. Carmélia ficaria rica, igual a seus colegas.

Mas afinal o caseiro voltava-se contra Carmélia e seria ela também morta, apoderando-se o caseiro do pagamento milionário feito pelo feiticeiro a Carmélia. E a novela transcorreria sob a indagação: "Quem  matou Carmélia?". Ela reapareceria no último capítulo. Transformada em zumbi e fazendo justiça ao maléfico caseiro. Muito justo.

Quanto à presença dos congressistas na novela o presidente da Casa disse que, como a participação dos deputados e senadores havia terminado, todos haviam resolvido retornar ao trabalho, a fim de continuar prestando grandes serviços à nação, no que foi muito aplaudido.

Nisso, aconteceu o imprevisto: a atriz que havia feito o papel de Carmélia descobriu que havia participado de sessões do congresso ao entrar por acaso em plenário, e até havia votado a favor da destruição de dez por cento da floresta amazônica. Assim, queria porque queria receber o salário de senadora, cumulado de jeton e propinas de até 20 por cento conforme reza a Constituição.

Os senadores, é claro, repudiaram ato tão vil, pois propina é coisa séria. A ser negociada em restaurante de luxo e gabinetes fechados a sete chaves. Então, entraram em confronto com a atriz que foi surrada a golpes de látego e fugiu para junto de seu irmão semi-analfabeto, homiziando-se nos longínquos pampas. Dia seguinte, diante do acontecido, a Folha abriu manchetaço de três linhas, seis colunas: 

Acaba mistério dos senadores-zumbis;
sem jeton não dá pra ser feliz.
Senador é tudo, menos otário

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Um micróbio no Senado

Caminhava pela Deodoro ontem quando vi inusitada cena, momento indescritível quase. Meu amigo Pancrácio, que gosta de ser conhecido e reconhecido como o homem mais ocioso do mundo, passava por lá. Nada de mais não fosse o fato de estar deitado em enorme cama em cujos quatro cantos havia varais. Assim, a cama era na prática uma liteira. Em cada varal dez homens. Quarenta ao todo garantiam o sossego e a preguiça de Pancrácio. Seguiam em marcha lenta. De cada lado desse estranho veículo duas filas de lindas núbias sustentavam sobre Pancrácio enormes leques, daqueles que a gente vê em filme de paxá, lembra?
http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.monerohernandez.com

Mas o pior ainda estava por vir: atrás da cama ambulante vinha outra cama, essa completamente vazia. Pois bem: quando vi a arrumação gritei ao meu amigo e Pancrácio fez sinal a sua equipagam, que parou. Quis saber do que se tratava e ele fez um sinal. Isto posto, uma grandiosa cadeira, tipo um trono, apareceu como que por encanto, também levada por quarenta homens. Nela fui sentado e a louca procissão seguiu em frente. 

Gente de todo tipo nos olhava. Perguntei novamente a Pancrácio o que era aquilo e ele me explicou: estava ali em cortejo e se dirigia à Fortaleza dos Reis Magos a fim de pegar um avião para ir a Brasília, deixar um grande amigo seu que tomaria posse como senador. Tratava-se de um suplente que assumiria a vaga, por morte, do ocupante original. Onde está o suplente?, indaguei. Está ali, na cama que nos segue. Olhei só para confirmar e vi a cama vazia. 


Mas Pancrácio insistiu: o suplente de senador está ali e vai tomar posse. Deixei de lado por um momento essa questão do suplente e questionei: Mas a Fortaleza não é aeroporto. Como vai pousar um avião lá? 

Explicou Pancrácio: Não vão destruir o Machadão? Confirmei: Vão sim.

Pois bem, disse ele: ficaremos na Fortaleza para onde toda a metralha será levada. O Forte será todo coberto com a metralha e será um campo de aviação. Uma mente privilegiada descobriu que o Forte ou Fortaleza, como queira, é muito velho e não presta para nada. Assim, para algo servirá.


Mas vocês vão esperar até que o Forte seja coberto? A destruição do Machadão nem começou... 

Rebateu Pancrácio: Problema não: será construído um hotel onde nos hospedaremos até que a grande obra de destruição do Machadão esteja completa.

Mas, "nós quem", meu amigo? 

Disse Pancrácio: Naquela cama, colega, está um elogiável e digno ser. Ali está um micróbio. Por isso você não o vê. Mas ele foi eleito suplente de senador. Como é o micróbio da peste-negra é um homem de arroubos. Assim, não suportou a espera e infectou o senador. Pronto: o idiota morreu. Com a morte daquele, o micróbio tornou-se o legítimo dono do cargo. 

E o que fará um micróbio no Senado?, quis saber.


Grandes coisas, meu amigo. Grandes coisas. Fará leis que protegerão os micróbios, impedindo que os laboratórios fabriquem remédios ou vacinas. Os antibióticos serão banidos de todo o território nacional, haverá grande morticínio, peste e doenças de todo o tipo. Isso incentivará a criação de funerárias e muitos concursos para coveiros e isso é muito bom. Fará, da mesma forma, leis que vão equiparar os senadores corruptos aos micróbios e eles serão realmente intocáveis. 


Mas, Pancrácio, você acha isso bom? Um micróbio no Senado?


Meu caro, não se espante. Há mais micróbios no Senado do que sonha nossa vã filosofia. 


Eu desci da cadeira ambulante e Pancrácio seguiu em direção ao Forte. Dizem que, nesses dias, começam a destruir o Machadão.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Um cavalo no Senado e dois loucos trocando tapas
O senador Eduardo Suplicy resolveu "lutar" boxe com o ex-pugilista Acelino Popó, hoje deputado federal. 

Ao que parece, a miséria da política brasileira chegou ao cúmulo ou pelo menos ao prâmbulo da indignidade: Sarney presidente do Senado - mais uma vez - e um senador e um deputado se estapeando num ringue.

Então, é o seguinte: vamos deixar de ser sérios, perder de vez todos os pudores e sigamos os ensinamentos de Calígula, aquele imperador romano que nomeou Incitatus, seu cavalo, a uma cadeira no vetusto senado de Roma. 

É claro: como as coisas já estão se passando numa estrebaria onde muitos se espojam, ou  num circo de luta de boxe onde a indignidade não vai à lona, nada melhor que soltar em plenário um grande cavalo estabanado e louco. Até porque muita gente chegou ao Senado porque o cavalo tinha passado selado...

Sobre a luta, diz a Folha:

Suplicy vai cobrar R$ 1 pelo ingresso da luta com Popó

GABRIELA GUERREIRO
DE BRASÍLIA
Por sugestão do presidente do PT, José Eduardo Dutra, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) decidiu cobrar R$ 1 como ingresso para a luta de boxe que vai travar com o deputado Acelino Popó Freitas (PRB-BA), na quinta-feira. 

Suplicy disse que dinheiro arrecadado com as entradas vai ser usado para financiar a "Renda Básica de Cidadania", projeto idealizado pelo petista.
Folhapress
BRASÍLIA, DF, BRASIL, 31-01-2011, 13h00: Deputado Acelino Freitas, o Popó, que veio participar da reunião sobre como funciona o Congresso Nacional. (Foto: Marcelo Camargo/Folhapress, PODER) // BRASÍLIA, DF, BRASIL, 31-01-2011, 19h20: Senador Eduardo Suplicy imitando o ex-boxiador e deputado eleito Acelino Freitas, o Popo, no Congressso Nacional.. (Foto: Marcelo Camargo/Folhapress, PODER)
O deputado Popó e o senador Eduardo Suplicy vão se enfrentar nos ringues

"O presidente Dutra disse que, quando soube que aceitei o desafio do Popó, colocou no twitter a sugestão. Eu decidi aceitar", afirmou. 

A luta está marcada às 8h de quinta-feira no Clube Motonáutica (em Brasília).
Apesar de Popó estar aparentemente em melhor forma física que o senador, que não luta "para valer" desde a década de 60, Suplicy disse que tem fôlego para enfrentar o deputado. 

"Eu já estou em boa forma. Na segunda-feira, eu corri 41 minutos, tenho feito ginástica. Vocês vão ver. Me senti honrado por ele ter me chamado para este desafio", disse. 

Mal chegou à arena política, Popó sugeriu ontem uma luta com o senador. O parlamentar foi empossado hoje como deputado, ao lado de outros 512 colegas eleitos em outubro para um mandato na Câmara.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Os salários salafrários

"Em votação relâmpago, Senado aprova aumento de salários no Legislativo e Executivo". Esse é o título de matéria na Folha, onde se informa que " em menos de cinco minutos, o Senado Federal aprovou nesta quarta-feira (15) o projeto que aumenta o salário dos deputados, senadores, presidente, vice-presidente da República e dos ministros de Estado para R$ 26,7 mil. O texto será promulgado". 

 São notícias assim, decorrentes de fatos que tais, que nos caem na cabeça como uma torrencial, desabusada, insolente demonstração de como os salários dos parlamentares são, vejamos, salários salafrários.

Essas decisões nos fazem entortar a cabeça, dobrarmo-nos em genufleção ofendida ante sujeitos - e sujeitas - que fazem da política arte e fonte de enriquecimento. Aí, quando é para
que tais elementos ganhem mais e mais, não se medem distâncias financeiras, quilômetros e léguas de reprecussão sobre os chamados cofres públicos. Quando é o salário mínimo...

A estimativa que vi nas coisas de jornal da internet apontam para efeito cascata de mais de um bilhão e oitocentos mil reais. Mas, é isso. O relâmpago da decisão pode ser visto na previsão do tempo financeiro que essa tempestade sazonal será sempre a mesma, um tsunami que esta pátria mãe gentil terá que aturar de seus filhos mais enturmados com as tramoias do que se convencionou chamar de vida pública.

O que é pior é que, quem entra, adora cair na vida...

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

 Senado aprova perigosíssima lei: agora, bandidos de colarinho branco vão poder dar assessoria a criminosos comuns
Emanoel Barreto

http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.gentedeopiniao
O Senado aprovou o fim da prisão especial para quem tem curso superior. Fico preocupado: já pensou, um grande deputado - grande bandido, quero dizer - preso na mesma cela que Fernandinho Beira-mar ou Marcinho VP? Ou mesmo numa cela com um sujeito que roubou uma galinha? Vão ministrar todos os seus procedimentos e tramoias e os presos vão sair craques  em corrupção, desvio de verbas, concussão, peculato, maracutaias e quejandos.

Se sem título superior muitos bandidos já são perigosíssimos, imagine se passam por um curso completo de criminalidade de colarinho branco ministrado por elegante deputado, ínclito senador, fulgente empresário ou digníssimo juiz ladrão... os bandidos - os bandidos convencionais digamos assim -,  vão dar nó em pingo d'água. 

Será, literalmente, a universidade do crime. Pode até ter vestibular, sabia?

Gostei dessa lei não. Com essa lei os criminosos sem curso superior, agora muito bem assessorados, vão ser desvirtuados... Sim, porque, perto de muitos corruptos, eles são fichinha.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

PMDB faz indicação a Ministério

Garibaldi diz que Previdência não é do seu gosto, mas...
Emanoel Barreto

A sugestão de Garibaldi Filho para o Ministério da Previdência revela a consolidação em nível nacional de uma personalidade política tem sido o gesto ameno, o trato afável, a liderança tranquila. 

Garibaldi é aquele tipo de pessoa cujas atitudes cotidianas não sugerem a capacidade de liderança que tem. Exatamente pelo que acabei de afirmar: mas as aparências enganam e ele saiu de deputado estadual ao Senado, onde ocupou a presidência da Casa.

À época em que trabalhava na Tribuna do Norte, idos dos anos 70, dizia-se que Garibaldi tinha tudo para ser deputado federal. Mas, como isso podia prejudicar Henrique... Mas o tempo foi passando e Garibaldi não apenas firmando carreira no Legislativo como também assumindo espaços no Executivo, proeza que Henrique jamais conseguiu.

Li nas coisas de jornal da internet que a pasta não seria a de sua escolha, mas ele, mineiramente, já disse que, se for convidado...

Vamos ver a composição do novo ministério. Os Alves têm espaço garantido nas esferas mais altas; Henrique é considerado um dos grandes negociadores do PMDB, Garibaldi pode ser ministro. A seu lado, o amigo e escudeiro José Wilde já deve estar preparando a equipagem para o novo embate.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A descoberta de que há senadores honestos e o seu triste fim
Emanoel Barreto

A história a seguir passou-se em 1809 no requintado ambiente do English Cafe. Meu interlocutor, um velho senhor, nobre proprietário rural de ancestral família, buscou-me ali para uma conversa que de antemão confidenciou como "importantíssima". Eis o que se segue:
...
Meu bom amigo, obrigado por ter vindo. De nada, que é isso?, estou a seu dispor. Pois bem, informo ao amigo que após anos e anos de ingentes esforços investigativos que envolveram custosas investigações a cargo de competente equipe de detetives, descobri algo de que jamais se suspeitara. O que descobriu? Descobri que há senadores; senadores honestos; poucos, mas os há. Hummmm, isso é importante. Sim, muito importante.

E prosseguimos:
Pois bem, depois disso descobri algo que me aterrou. Por exemplo? Os senadores honestos estão sendo mortos, amigo, mortos. Como? Mortos? Sim, estão sendo mortos. Quem os mata? Os matadores são sequazes a soldo dos outros senadores, a banda podre. Meu Deus, mas como? Muito simples: os senadores honestos são atacados a golpes de clava pela Divisão Especial de Massacres, entidade secreta do senado, encarregada de tão vil missão.

E continuamos a conversa:
Mas, o pior ainda está por vir. O que mais de tão terrível poderia ainda acontecer, amigo? Os corpos, amigo; os corpos são vendidos aos chineses. Aos chineses? Sim, como não? Os chineses, e o informo disso de forma segredual, são uma raça mutante. Mas isso é incrível. Sim, incrível mas verdade. Os chineses foram criados pelos macacos mono-carvoeiros, sinistros cientistas, hábeis manipuladores de genes. Tais macacos criavam gatos da Bessarábia, que têm os olhos puxados, e os misturaram com marsupiais, num cruzamento avançado de genes, e obtiveram os chineses. Mas, com que finalidade? Não sei. Isso é segredo mantido a sete chaves. Só sei que os chineses foram criados pelos mono-carvoeiros, e o que é pior, saíram de controle, apoderaram-se de todos eles e agora são os chineses quem dão as cartas. Os mono-carvoeiros agora trabalham para os chineses, que importam os corpos dos senadores.


O Cafe fervilhava e nossa conversa fluía:
E os corpos, para que servem os corpos? Tenha paciência. Quero informá-lo que eu também faço experiências. O senhor? O senhor, tão calmo, tão... o senhor é um cientista? Um cientista e ainda por cima louco? Não, não sou um cientista louco, mas devo dizer que tenho alguns espécimes chineses em um biotério e ali os submeto a experiências. Que tipo de experiências? Quero saber se eles, com aqueles olhos apertadinhos, veem as coisas pela metade. Isso é importantíssimo, sabia? Sim, saber disso é algo importantíssimo, é claro. E quando eu tiver a certeza disso, sabe o que de bom acontecerá? Não, não sei. Economizaremos luz, amigo. Economizaremos luz, isso não é uma coisa boa? Quem vê só a metade precisa usar a metade da luz: em casa, nos escritórios, nas ruas, nas fábricas... Faremos operações em todas as pessoas e todos terão olhos amendoados. Mas isso é sensacional!

E continuamos:
Mas, e os corpos dos senadores? Bem, agora chegamos ao que eu queria: os chineses estão importando corpos para fazer zumbis. Sumbis assassinos! Já pensou, zumbis assassinos? Será o fim da humanidade. Sim, será o fim; soube disso pelos espécimes que tenho em meu poder. E agora? Agora, prepare-se para a maior revelação. Qual? Eu também sou senador, amigo. Sou um senador honesto e estou sendo perseguido pela Divisão Especial de Massacres. O senhor? Um senador? E, ainda mais, honesto? Sim, honesto; graças aos ensinamentos do meu velho e falecido avô.

E tudo terminou assim:
Agora, vamos depressa fugir. Por quê? Porque os membros da Divisão Especial de Massacres estão se aproximando. Vê aquele homem ali, bem vestido, cartola elegante?, ele é um sicário. Embaixo da mesa tem uma clava para me matar. E vai matar você também, pensando que é um senador honesto. Mas, se o senhor sabia disso, por que me convidou para essa reunião? Por um motivo simples: eu não queria morrer sozinho.

Último ato:
Então, o senhor elegante levantou-se da mesa e partiu para cima de nós com sua possante clava...
E o que aconteceu depois eu já não lembro...

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Maquiavel: a arte da política, a fortuna e a virtù
De como Maquiavel e Sun Tzu podem ensinar a Dona Wilma e aos senadores José Agripino e Garibaldi

Emanoel Barreto

A eleição para senador representará, para aquele ou aquela que não se eleja, ingresso no desafiante limiar de um território de pedregoso ostracismo político ou quase isso. Serão quatro longos anos de hibernação, quando poderá ver esgarçarem-se laços com correligionários, desfazerem-se ligações históricas com amigos até então tidos como fiéis, esquecerem-se raízes comuns, sobrevindo, presumivelmente, perda de influência, esquecimento, abandono até.

Em síntese: sem mandato, sem participação de caráter decisório, sem grupo, isso será igual a estar sem discurso para falar ao povo e em nome dele. E sem discurso nenhum político sobrevive. O discurso advém sempre de uma utopia. E utopias somente as podem ter, na pragmática política, aqueles ou aquelas que estão em alguma trincheira. O contrário é pregar no deserto um grito semeado em vão.

Wilma, Agripino e Garibaldi fazem parte de grupos poderosos e têm igualmente poder em seus respectivos intramuros. Mas o poder, Dâmocles já o sabia, é perigoso. Sua espada está sempre pendendo sobre a cabeça do poderoso. Senão vejamos: os três candidatos ao Senado são líderes máximos de seus respectivos acantonamentos. Uma derrota pode significar grande abalo nessa liderança. Sem mandato, a quem irão liderar?

Veja bem: a liga que une liderados a líder, neste país, é de má qualidade. Na ideologia e na práxis. Assim, nada garante que ao redor do líder permanecerão seus liderados, como os trezentos que ficaram, intrépidos, ao lado de Leônidas nas Termópilas.

Exemplos? Geraldo Melo, ex-governador e ex-senador. Fernando Bezerra, ex-ministro e ex-senador. Ambos depostos do seu capital político ao ser derrotados. Perderam espaço, perderam discurso, mesmo o tendo entre suas competências personalíssimas. Pois o líder somente fala bem quando a sua voz é a voz dos que os acompanham e, especialmente, quando esse líder ecoa a voz dos interesses - muitas vezes legítimos - dos que os acompanham. Quando não mais são seguidos, pela força de um insucesso, esgota-se a força do líder. Torna-se ele um mudo. É que o grande líder ou a grande líder, derrotado ou derrotada perde a aura, o halo de figura pater ou mater perante aqueles a quem supunha seus.

Maquiavel preceituava que o líder, o condottiero, tinha que ter fortuna, como sinônimo de situação política que lhe seja benfazeja por força das circunstâncias, e virtù, a capacidade pessoal, o carisma para lançar-se à grande aventura da política. Reunindo em si as duas causas, poderá promover as consequências de poder pretendidas.

Maquiavel ensinava também: "...os príncipes devem evitar o mais que possam a situação de estar à mercê de outrem." O gênio florentino referia aos aliados de um príncipe, à boa escolha de aliados leais para a hora difícil. Aqui, atrevo-me a traçar um inusitado e paradoxal paralelo: os príncipes, de alguma forma, estão reféns de seus próprios liderados. Pois se o poder perdem, vão-se nessa vertigem os aliados. Isso é típico da pequena política brasileira, onde praticamente não há políticos de causa, mas políticos por profissão. E os praticantes da pequena política logo se bandeiam para o lado do novo senhor. Qualquer novo senhor.

Sun Tzu, o lendário general chinês, clamava: "Lembra-te que defendes não interesses pessoais, mas os do teu país. Tuas virtudes e teus vícios, tuas qualidades e teus defeitos influem igualmente no ânimo daqueles que representas. Teus menores erros têm sempre nefastas consequências. Geralmente, os grandes são irreparáveis e funestos. É difícil sustentar um reino que terás levado à beira da ruína. Depois de destruí-lo, é impossível reerguê-lo. Tampouco se ressuscitam os mortos. "

Essa a mensagem que bem poderia ser levada em consideração pelos três candidatos que cito. Não a mensagem que seus marqueteiros irão elaborar nas câmaras secretas dos publicitários, nas ilhas de edição e nas mentes dos criativos da propaganda. Mas a mensagem essencial, bem intencionada e compromissada com a história. E que aquele ou aquela que perder, mesmo sabendo que poderá apear-se de sua figura de líder, de pater ou mater do povo, perdeu, mas combateu o bom combate. É o que espero. Como cidadão e como jornalista.