sábado, 29 de novembro de 2008

Os piratas e a crueldade dos civilizados
Emanoel Barreto


É lamentável - Os recentes episódios envolvendo piratas somális trazem às coisas de jornal a evocação de tempos nebulosos, nuvens do passado aventureiro, brumas e canhões. Tempos em que os galeões eram mina de ouro navegantes e os velejantes bandidos eram o terror dos mares.

Agora, todavia, temos uma realidade dramática, que o noticiário das coisas de jornal não aborda: a terrível e desumana condição do povo somáli, uma nação onde o Estado praticamente não mais existe e a sociedade se rege pelo terror e pela força sem controle. Brutalidade. E ali, a pirataria, como que num passe de mágica macabro, está de volta.

Não há dúvida de que o criminosos devem ser combatidos. Duramente. Mas o mundo não pode esquecer que eles são o indício de que todo um povo, historicamente explorado, agora está à deriva. A fome grassa descontroladamente, a criminalidade se impõe com desenvoltura; doenças, angústia e total descontrole assolam tudo por lá.

E o mundo ocidental, "civilizado" está de costas não apenas para a Somália, mas para a África como um todo. Os países africanos não têm importância geopolítica e, assim, aqueles negrinhos devem ser deixados à sua própria sorte. Ou azar.

A África é um grande clamor a céu acerto. A África é um mergulho no inferno. Seus piratas são, nada mais, nada menos, que a folha-corrida da injustiça, da degradação que ali foi implantada pelas grandes potências coloniais, que agora lhes dão o esquecimento e o estupor. Nem Barba Negra teria praticado tanta estupidez.

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ZOORÓSCOPO

PULGA - Cara ou caro consulente: se você tem uma incontrolável tendência a aferrar-se às pessoas, ficar insistindo em coisinhas miúdas, medíocres, piadinhas que humilham e enojam, discutir trivialidades como se fosse coisas importantes e gosta, mas gosta messo de ferir, fincar-se em alguém, esteja certa ou certo: você é de Pulga, com ascendente em Carrapato. Faça um exame de consciência e, se possível, evolua. Quem sabe, poderá migrar de casa zooastrológica e chegar a ser de Beija-Flor.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Quando a guerra é santa, quem vence é o diabo
Emanoel Barreto
É isso - Os acontecimentos na Índia mostram o quanto o fundamentalismo pode levar o mundo a atitudes de loucura, Não é o primeiro nem será o último perpetrado por terroristas islâmicos, certos de que estão em guerra santa contra o Ocidente.

A rigor, matar em nome de Deus é algo tão velho quanto a própria humanidade. Os povos antigos atiravam-se a guerras de conquistas e uma das conseqüências de domínio sobre outros povos era o banimento dos deuses dos vencidos.

As Cruzadas não tinham por propósito "libertar das mãos dos infiéis a Terra Santa"? Pra você ver...

O fundamentalismo diversificado, a servidão a deuses tão loucos quanto seus adoradores, são uma marca dos nossos tempos. Por exemplo: a crise monetária que está corroendo as grandes economias resultou, não tenho dúvida, da adoração de fundamentalistas financeiros ao deus dinheiro.

Sua adoração, com o vende-que-vende de papéis que não valiam nada, acabou na crise. E o ídolo dos pés de barro, o mercado, mostrou-se um deus miserável e indigno; e atirou seus adoradores ao abismo.

Na verdade, não é bem assim: os adoradores, que são os banqueiros, vão se dar vem, já estão se dando. O inferno do deus dinheiro ficará para a sociedade. E assim, de loucura em loucura, caminhamos. E a cada tiro, explosão ou medo, a serenidade continua ao deus-dará.

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ZOORÓSCOPO

POMBO - Pessoas sociáveis, amáveis, gostam de fazer amigos e participar de grandes grupos, como fazem os pombos nas praças. São prestativos como os pombos-correio e necessários como a pomba da paz. O problema é que os nascidos em Falcão, ou pior, Abutre, os perseguem sem trégua. Um conselho: se você é de Pombo, reúna-se a quem seja de Andorinha ou Golfinho e, neste fim de semana, seja muito feliz.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Me dá um dinheiro aí!
Emanoel Barreto

Para meditar - Não existe o bom médico, o bom engenheiro, o bom advogado, etc... etc... etc...? Pois bem, existe também o bom ladrão. Os estudos sociológicos mais recentes informam essa nova tendência e em Oxford, Cambridge e Coimbra, diligentes estudiosos debruçam-se sobre tal tema com a dedicação de sábios e diligentes doutores.

Ao que fui informado, o bom ladrão deve inscrever-se no perfil abaixo. Quanto mais próximo do padrão, maior sua qualificação, destreza, apuro técnico, confiabilidade, presteza e, veja só, ética. Já pensou, um ladrão ético? Isso é bom, muito bom. Abaixo, veremos porquê.

Agora, os tópicos que definem um bom ladrão:
Agilidade: o bom ladrão, especialmente se for batedor de carteira, deve ser rápido, imperceptível e apoderar-se da bolsa sem que a vítima perceba. Agindo assim, terá menos chances de ser notado e preso e, melhor, a vítima não ficará traumatizada por uma ação contundente. Só depois perceberá o furto e agradecerá aos céus por não ter sido espancada.

Objetividade: tem objetividade o ladrão que, sendo assaltante, não usa de meios termos e surpreende seu alvo de forma clara, precisa e, em alto e bom som, anuncia: "Assalto!". Isso assegura que a ação será rápida, reduzindo em muito a possibilidade de agressão. Bom para o assaltado, que logo, logo, se verá livre da situação.

Frieza: pode ser medida pelo domínio que o ladrão tenha da situação. Deve ser considerado frio aquele que a despeito do perigo de ser capturado auxilia sua vítima e orienta como deve agir. Podem ser encontrados entre os que atacam motoristas em sinal de trânsito e dizem: "Passa a carteira! Mas, devagar, que o sinal ainda demora a abrir..."

Confiabilidade: decorrência imediata da frieza, é confiável o ladrão que age segundo aquele padrão e, portanto, deixa implícito ao assaltado que ele não será molestado, desde que (o desde que é importantíssimo!) aja segundo o que determina o profissional.

Ética: é ético o ladrão que jamais assalta outro ladrão ou não maltrata os infelizes que, circunstancialmente, mantenha em cativeiro após seqüestro. É essencial que, nesse caso, liberte o aprisionado após receber o resgate.

Seriedade: sério é todo ladrão que, estando em conluio com policiais, repasse a estes aquilo que foi acertado. Afinal, trata-se de uma organização. E, como hoje todas as empresas, portanto organizações, se apresentam como "tendo uma missão" o crime organizado também precisa de uma missão, qual seja: trabalhar ininterruptamente para manter os policiais honestos em ação. Caso desapareçam os ladrões, a polícia deixa de ser necessária. Portanto, um bom ladrão precisa continuar trabalhando, a fim de assegurar o emprego desses funcionários públicos armados. Em conseqüência, também terão empregabilidade garantida juízes, promotores, serventuários da justiça, carcereiros, pedreiros que trabalham na construção de presídios, engenheiros que projetam os presídios e empregados de fábricas que produzem armas. A continuar, a lista seria praticamente interminável.

Como vimos, do aperfeiçoamento dessa inestimável categoria profissional depende muito o bom funcionamento da sociedade como um todo. Afinal, uma esperança de luz no fim do túnel, quando eu já pensava que tudo estava perdido. Se encontrar um bom ladrão, dê-lhe os parabéns e, se for o caso, até mesmo uma goa gorjeta.

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ZOORÓSCOPO

Pavão - São aquelas ou aqueles que se julgam os maiorais. Se homens, são metrossexuais, meticulosos, pernósticos, abusados. Se mulheres, gastam fortunas com perfume, roupas de grife, futilidades. Em ambos os casos, têm o destino dos fogos de artifício: brilham muito por poucos instantes e depois ninguém sabe aonde foram parar. São facilmente encontráveis nas fotos de colunas sociais. Nascidas ou nascidos em formiga, não devem com aqueles manter vínculo demorado.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

A aranha que vai salvar o mundo

Emanoel Barreto
A Folha informa: Parece que os atuais moradores da ISS (Estação Espacial Internacional) perderam um convidado para a festa de dez anos do projeto. A cerca de 350 quilômetros da Terra, os astronautas não sabem onde uma aranha foi parar.

No alto, à direita, uma das aranhas que foram enviadas para a Estação Espacial Internacional como parte de uma experiência.

Dois aracnídeos foram mandados para o laboratório da ISS pela Endeavour, há cerca de dez dias, para experimentos científicos. Mas um deles desapareceu.

O sumiço foi notado quando astronautas abriram o recipiente em que a aranha deveria estar, informa o "The Times". Segundo funcionários da Nasa, a aranha não está perdida, apenas "não pôde ser encontrada".

"Não acreditamos que ela tenha deixado o módulo", disse Kirk Shireman, da Nasa, ao jornal. "Estou certo de que a encontraremos nos próximos dias."

A equipe que está na ISS suspeita que a aranha esteja junto da outra, no recipiente vizinho --que ficou repleto de uma densa teia, provavelmente construída como proteção devido à confusão da aranha com a gravidade zero.

Sally Magnus, uma das oficiais da missão, destacou que a estrutura criada pelo animal é diferente da que ele fazia em terra. "A teia formada é mais ou menos tridimensional e toma todo o recipiente da aranha", disse. Os controladores em Houston descreveram a estrutura como "uma teia complicada e desorganizada".
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Questão de alta indagação - Com certeza, não há com o que nos preocuparmos. Sem dúvida, a aranha deve estar, nesse momento, oculta em algum canto, absorta em profundos pensamentos sobre como salvar a Terra.
O negócio foi o seguinte, informou-me um cientista amigo: deslumbrada com a gravidade zero, certamente medita em como trazê-la para cá. Imagine: com a Terra sem gravidade, acabarão todos os problemas, pois todos serão reduzidos a... gravidade zero. E, quando algo não tem gravidade, não tem problema, pois todo problema tem algum tipo de gravidade. É só uma questão de implicação, percebe?
Assim, essa bondosa aranha, ao trazer a gravidade zero, aliviará o peso na consciência de todos os culpados, vilões, mandriões e escroques. Sem culpa, todos serão bons e trabalharão pelo bem-comum. Isso desencadeará um círculo virtuoso o qual, por sua vez, elevará os bons pensamentos, hoje presos ao chão por nossa velha e pesada gravidade. É isso: um pequeno passo para a aranha, um grande salto para a humanidade.
...ZOORÓSCOPO
Galinha - É preciso entender, galiniano amigo, que o mundo não é só o seu terreiro, poleiro, milho. O mundo, vasto mundo, é composto também por gaviões, carcarás, cobras e lagartos. Quem nasce em Galinha é pacífico, meio bobo, prestativo.Sua ingenuidade poderá levá-lo ao alçapão e daí à panela.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O luxo não está nem aí para a crise
Emanoel Barreto
Deu na Folha - Os dois maiores centros de comércio de luxo do país, a Daslu e o shopping Iguatemi, prevêem desaceleração de consumo no ano que vem como conseqüência dos desdobramentos da crise financeira mundial.

A Daslu planeja trabalhar com estoques mais baixos, reduzir a oferta de importados e se concentrar nos produtos com mais saída. Já o presidente do grupo que controla o Iguatemi diz que em um primeiro momento o setor sai beneficiado pela crise, com a troca de despesas de longo prazo pelas de médio e curto, e pretende atrair clientes com grifes cobiçadas no país.

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O que a Daslu e o Iguatemi não previram, nem lhes interessava, foi a redução da oferta de empregos ao mundo, aos habitantes do mundo real, que a jogada malandra dos banqueiros americanos provocou. Mas, para eles, tudo, parece, está de ajustando. E, no fim, cada coisa estará no seu lugar.

É chocante como as elites atuam: seu cinismo sádico e devorador, comprador, adquirente, parece não levar em conta que a vida não se resume a seu nicho de mercado, estreito e privilegiado. As elites parecem não entender que, para manter sua usura, preguiça e improdutividade, milhões têm que trabalhar em todo o mundo. Muitos sofrem para que uma madame use seu diamante.

Aos pobres, aos muitos pobres, cabe o exercício do subemprego, da venda de produtos baratos, até mesmo de lixo, que, para eles, é, ironia, luxo: a única coisa que conseguiram fazer na vida, para se tornar necessários. E o fazem com tanta dignidade, tanto empenho e senso de dever, que tornam-se exemplo, merecem respeito e, de fato, se fazem respeitar.

..ZOORÓSCOPO
POLVO - É aquela pessoa pegajosa, que cola, gruda em você. É invejosa, má e sempre tem tentáculos espalhados. De tal forma, que sempre estarão pegando no seu pé. Podem ser vistas em todos os ambientes, desde reuniões familiares, até os mais altos escalões de empresas, públicas ou privadas. O polvolino é rápido, desloca-se com facilidade por todos os ambientes, e ninguém melhor que ele para espalhar uma fofoca. Mas são covardes e, com sua grande habilidade em se esconder, fogem, sempre que são confrontados. Homens nascidos em Tigre não devem se meter com mulheres em Polvo.

domingo, 23 de novembro de 2008

A moça tão bonita e o belo gato azul
Emanoel Barreto

O domingo era belo por inteiro.
Só faltava uma moça e um gato azul.
E de tanto chegarem reluzentes.
Fizeram o mundo ser melhor.
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..Zooróscopo
Formiga - Zoosigno que predomina entre os trabalhadores, o formiguiano é diligente, ativo, prestativo, obediente, cumpridor de horários, de regras, respeita as leis e paga suas dívidas. Sem dúvida, pelo seu próprio fazer, o formiguiano sempre é levado para o buraco pelos nascidos em Tubarão e Onça, zoosignos dos sabidões e quejandos. Mulheres nascidas em Pavão, que desejem ter uma vida de perfume e prazer, não devem jamais se casar com homens de Formiga. Serão levadas ao mais atroz desespero e acabarão completamente loucas.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

O Inferno Verde e sua folhagem de dor
Emanoel Barreto

As coisas de jornal da Folha informam: A floresta amazônica deixará de existir se mais 30% dela forem destruídos. A afirmação foi feita ontem em Manaus, durante a conferência científica Amazônia em Perspectiva."O número agora está consolidado. Se 50% de toda a Amazônia for desmatada, um novo estado de equilíbrio vai existir no bioma", afirma Gilvan Sampaio, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Hoje, aproximadamente 20% de toda a floresta amazônica, que tem mais de 8 milhões de quilômetros quadrados, já sumiram "No Brasil, esse número está ao redor de 17%."E pode chegar aos 50% até o meio do século. Um estudo de 2006 da Universidade Federal de Minas Gerais prevê que, se o ritmo do corte raso continuar, quase metade da floresta que sobra hoje, tombará até 2050.

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O relacionamento do homem com a natureza nos encaminha a passos largos para uma hecatombe. Trata-se de uma ação predatória, insana e voltada para a exploração de tudo o que for possível: árvores, animais, rios, metais preciosos.

O que deveria ser um estado de espírito, um ato reverencial frente às forças naturais, convivência pacífica do homem com o seu meio, torna-se uma ação de barbárie, um ato coletivo de incivilidade e desrespeito.

Nossa civilização pautou-se historicamente pela visão da natureza como "recurso natural", ou seja: um patrimônio a ser utilizado economicamente, sem levar-se em conta que somos parte desse meio; e se o destruímos, destruimo-nos conseqüentemente.

Os governos, as grandes corporações empresariais, não têm qualquer atitude ética perante o planeta. A beleza natural não inspira comportamentos voltados para que a presença do animal homem se ajuste ao delicado sistema que somente agride. E o que vemos, no final, é um ato invasivo, cruel e danoso. E que se dane a Vida, o Bem, o grandioso instante de reverência à selva e todos os seus habitantes.

..ZOORÓSCOPO

Crocodilo - Os nascidos sob esse zoosigno são espertalhões. Têm ascendente em Tubarão e sabem como ninguém postar-se nas águas calmas da preguiça, somente com os olhos de fora, para atacar no momento exato. São encontradiços especialmente às margens de rios e lagos governamentais, de onde retiram sua dieta: dinheiro fraudado. Recomenda-se a mulheres nascidas sob Beija-Flor a não contrair matrimônio com homens em Crocodilo. Conselho: prezado crocodiliano, se em suas investidas der de cara com gente de Dragão, faça meia volta: já entrou na disputa perdendo.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Nem adianta flauta: no fim, o rato sempre vence
Emanoel Barreto
Ironias da vida: A cidade de Hamelin, no norte da Alemanha, poderá precisar novamente dos serviços do lendário flautista para afastar uma nova infestação de ratos.

O problema agora se concentra em um lote de terra abandonado nos limites da cidade que se transformou no foco da infestação, com ratos passeando por alimentos jogados fora e pelo lixo que está no local.

Ao invés de atrair os ratos para o rio da cidade com música, como o flautista teria feito segundo a lenda, as autoridades municipais pretendem colocar armadilhas em volta do lote abandonado.

Segundo a lenda, em 1284 a cidade de Hamelin foi invadida por ratos, mas um flautista os atraiu com sua música para o rio. O flautista também teria atraído para o rio as crianças da cidade, pois a cidade não pagou pelo serviço.

Em 2009, a cidade planeja marcar o 725º aniversário da lenda do flautista de Hamelin com vários eventos, incluindo um grande desfile de crianças pelas ruas da cidade. (informação da BBC-Brasil)
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No Brasil, assim como em Hamelin, também estamos com falta de flautistas. Nossa orquestra da moralidade está desafinada e ratos de todos os tamanhos rondam, penetram, roem, fazem túneis e sempre dão um jeito de chegar aos cofres públicos.
Espertos, esses ratos. Quando um deles cai na ratoeira, é tão rico que consegue torcer, ou distorcer a realidade de suas ações funestas, que chega a se apresentar como vítima. E o policial que o prendeu, esse passa a ser visto como o criminoso.
Este país sofre com uma histórica e vasta epidemia de ratos. São falazes, alguns são cultos, vestem-se com roupas de grife, têm sempre planos ousados para surrupiar verbas e têm muitos, mas muitos contatos no Poder. Às vezes, até fazem parte dele. É..., são ratos respeitáveis.
Soube que, certa vez, alguém tentou contratar o flautista para erradicar a ratunagem no Brasil. Foi infeliz: o músico já havia sido subornado pelos ratos. E aí, dizem as lendas, aproximou-se do pobre sujeito que o havia chamado e tocou a flauta, tão linda e docemente, que o homem ficou enfeitiçado.
E de tal maneira foi alumbrado, que assinou papéis em branco. O flautista foi embora. Passado o encantamento, o homem voltou a si: tinha perdido tudo. Com os papéis assinados, os ratos foram a cartório e passaram todas as propriedades do homem para eles.
Desesperado, o homem tornou-se o primeiro sem-teto deste país. E hoje, quando tenta provar que ratos tomaram tudo o que ele tinha, é tido como louco. "Como é que um rato pode roubar um homem?", é o que lhe perguntam
Soube que ontem, depois de um ataque de nervos tentando provar que fora roubado por ratos, foi internado. Atacou um médico e meteram-lhe uma camisa-de-força. Moral da história: jamais desafie um rato...
..Zooróscopo
Tubarão - Os nascidos em Tubarão são gananciosos, astutos e sabem como ninguém agir em proveito próprio. É signo fartamente encontrado entre políticos, empresários inescrupulosos e até mesmo em funcionários de baixo escalão. Seu salário chama-se propina, comissão ou "por fora". Seus bancos trabalham com o caixa dois e jamais fecham para balanço.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008


Luzes de mentira

Emanoel Barreto

Eles querem ver você feliz com o décimo-terceiro. Eles querem ver você contente gastando, sentindo-se alegre, de uma alegria saltitante e súbita. E tão forte e contagiante, que você fica a se perguntar: "Mas por que, de repente, todas a lojas ficaram tão boazinhas, lembrando que somos irmãos e devemos festejar essa fraternidade?"

É porque Eles, viu bem?, Eles querem que todos estejamos contaminados pelo espírito do Natal, na verdade um velho e rabugento fantasma que gosta de amealhar alegrias artificiais, que transforma em lucro; efusão em todas as lojas de departamento, o que Eles chamam de aquecimento de mercado.

Há toda uma farsa em andamento. Um mundo em crise porque alguns banqueiros americanos perderam o controle sobre sua ganância e, enlouquecidos como tios patinhas, queriam porque queriam ganhar rios de dinheiro sem produzir nada. Deu no que deu.

Mas, é isso: assim caminha a humanidade. Malignos e corruptos berram dizendo que todos devem ser felizes. Sim, desde que deixem dinheiro, e muito, nas mãos do velho e avaro fantasma que acende nas ruas luzes de mentira.

terça-feira, 18 de novembro de 2008


Coisas de Jornal será atualizado amanhã.
Emanoel Barreto

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

O olhar, o velho e o seu tempo
Emanoel Barreto

No olhar, o tempo paralítico.
Na vida, o homem se perdeu
Desbotado num canto do passado.

Para ele, uma vida cancelada.
Numa vida, a visão despedaçada.
Seu caminho desceu lento, inexorável.

E depois, seu depois foi todo ontem.
E em torno dessa reta re-tornou.
E tornou-se tanto, tanto pesaroso,
Que sequer se quer se relembrar.

sábado, 15 de novembro de 2008




Ele queria liberdade; a família, dinheiro
Emanoel Barreto

Tornou-se bastante comum a utilização, pelo establishment, da memória de pessoas que lhes foram contestatárias, em proveito ideológico ou econômico do próprio sistema. O caso mais evidente é Guevara, na foto imortal de Alberto Korda, em 5 de março de 1960, Cuba. A reprodução que você vê acima é da foto original, da qual foi realçada unicamente a imagem de Guevara, excluindo-se a figura do homem a seu lado.
O guerrilheiro teve a imagem ampliada, ganhou discursividade visual, tornou-se penetrante, enigmática, desafiadora às interpretações. Expressa uma grandeza humana e trágica, um destino brotado na alma e palmilhado à força da coragem e doação. Guevara, o olhar perdido, encarnando o mito rebelde. O comandante traz um semblante crístico, revestido de aura heroicizada; o homem cara a cara com os desafios de sua existência e da sina de existir e combater - paixão.
Hoje, essa foto pode ser vista em milhares de camisetas e posters em todo o mundo. Como já se distancia no tempo sua epopéia guerrilheira, muitos não sabem exatamente quem foi, o que fez, como se desenrolou o seu calvário. Mas, mesmo assim, jovens o vestem como uma figura enigmática; vestígio de algo que não compreendem, mas, maquinalmente, cultuam; é moda, é fashion. Rende lucro a tudo o que ele combateu.
Quanto à outra foto, a de Martin Luther King, diga-se: ele, que foi um lutador pelos direitos civis dos negros americanos, certamente estaria cabisbaixo e meditando a respeito do que os seus familiares estão fazendo: como muitas fotos suas estão sendo estampadas em buttons e camisetas pelos Estados Unidos, ao lado de fotos de Obama, seus filhos, ao invés de verem nisso uma reverência à figura histórica do pai, reclamam: querem direitos de herança sobre a sua imagem, literalmente direitos autorais, querem... dinheiro.
É sempre assim: pessoas exponenciais, revolucionárias, são transformadas em ícones de causas que historicamente já não mais se postam e não mais ameaçam o sistema. Isso se dá porque os objetivos de tais causas ou foram alcançadas, como é o caso dos direitos civis dos negros, ou não mais se justificam, como é a questão de Guevara, uma vez que a questão da luta pelos direitos dos oprimidos se faz por outras vias que não a da luta armada.
Assim, esses vultos são anexados, indexados aos valores da sociedade de mercado e de consumo, e passam a ser vendidas fotos ou outras representações suas, estimulando os apetites até mesmo de quem lhes deve respeito, como é o caso dos familiares de King.
Mas é assim mesmo: o que é transgressão hoje, passa amanhã a ser algo institucionalizado, rende lucros, dividendos e ganância remunerada de quem sabe com isso lidar.
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República e Liberdade Walter Medeiros
O auditório do Centro de Convenções de Natal repleto de advogados e convidados, todos de pé aplaudindo emocionadamente. No ar uma mensagem ecoava alvissareiramente; o Estado Brasileiro acabara de pedir desculpas pelo que foi feito ao cidadão perseguido número um na ditadura militar. E nos telões espalhados naquele imenso salão uma voz latina cantava em tom de bravura, enquanto eram exibidas imagens através das quais a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça homenageava o ex-presidente Jango.
Bela forma de comemorar o aniversário da Proclamação da República. Era o evento que precedia o encerramento da XX Conferência Nacional dos Advogados do Brasil, uma reunião da Comissão de Anistia com a presença do Ministro da Justiça, o Presidente do Congresso Nacional, o Presidente da Câmara dos Deputados, a Governadora do Rio Grande do Norte e o Prefeito de Natal, cidade tão presente nas lutas libertárias. A Caravana da Anistia fazia-se presente agora entre advogados, depois de passar por momentos importantes na ABI, UNE e CNBB, entre outras entidades.
Momento histórico, uma aula prática de História do Brasil. João Belchior Marques Goulart e Maria Tereza Fontella Goulart seriam anistiados na forma do conceito de Justiça da Transição, que subentende a idéia da verdade, a reparação do Estado pelas perseguições e injustiças, aplicação do princípio da justiça e reforma das instituições, tudo através da incorporação dos valores dos Direitos Humanos e da Democracia.
O processo de anistia de Jango registra as marcas do seu governo, destacadamente as reformas de base e o fortalecimento das empresas nacionais. Mostra que ele foi deposto e banido, tendo de deixar o país de forma precária e arriscada, com a mulher e dois filhos menores. E propõe a reparação pelo que ele passou no exílio, vivendo no Uruguai e na Argentina. O requerimento foi acatado pelo relator, conselheiro Egmar José de Oliveira e a anistia concedida por unanimidade.
Ao proclamar o resultado do julgamento, o presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão asseverou que “valor nenhum paga a dor e o sofrimento do cidadão banido”. Recebeu aplausos demorados de uma platéia que viu em seguida o Ministro Tarso Genro formalizar o pedido de desculpas no qual o Estado Brasileiro reconhece os erros do passado perante a família de Jango, diante do seu neto Christopher Goulart, de 32 anos, também advogado. “Um dia dos mais importantes para a nossa história”, considerou o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Cezar Britto.
Naquele auditório encontravam-se pessoas emocionadas, olhos marcados pelo fato vivo, que as remetia ao passado de arbítrio, deportações, banimentos, perseguições, prisões, tortura, demissões. Um passado de incertezas para quem lutava pelas liberdades democráticas e pelo Estado de Direito. Um passado que mudou pela violência o rumo da vida de tantos brasileiros. Um passado, segundo o documentário da Comissão de Anistia, para não esquecer, um passado para nunca se repetir. Um passado no qual era proibido cantar o Hino da República, porque nele é feito o apelo maior: “Liberdade, Liberdade, abre as asas sobre nós”.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Xuxa, estranha Xuxa
Emanoel Barreto
Xuxa está movendo ação em que cobra à Band indenização de cinco milhões, alegando danos morais pelo fato de que a emissora veiculou imagens dela nua no programa "Atualíssima". As imagens fazem parte de ensaio fotográfico da época em que ela posava para revistas masculinas.
A Band recorreu e a Justiça acatou pedido da TV para que ela se submeta a exame psicológico, a fim de constatar se, realmente, ficou tão abalada como afirma na ação. Ela pode negar-se a fazer os exames.
A foto acima é de cena do filme "Amor, estranho amor", produção de 1982 do cineasta Walter Hugo Khoury, onde Xuxa contracena com um menino. Xuxa, há tempos, conseguiu na Justiça que a fita não mais seja exibida. No mercado pirata de DVDs, entretanto, é possível encontrar cópias da produção, bem como no You Tube.
É estranho esse comportamento: ela efetivamente participou de produções eróticas (cinema e revista), até encontrar o filão do mercado infantil, projetando-se como a "Rainha dos Baixinhos". Não há como renegar o seu passado, fugir do que fez, até mesmo pelo fato de que isso não prejudicou sua ascensão em seu atual segmento de mercado.
Agora, quando isso é mencionado, ela se apresenta como vítima. Xuxa encarna com perfeição a hipocrisia: busca encarnar a figura de alguém que as crianças idealizam como sendo angelical, quando na verdade é apenas um ente de mercado, um produto que vende outros produtos, com a marca Xuxa.
Há tempos deu entrevista a Amaury Jr., quando disse que, no filme, seu personagem ganhou preeminência sobre os de Vera Fischer e Tarcício Meira, atores principais. Reclama disso, sem razão. Os dois atores não fogem de sua atuação no filme, jamais reclamaram de sua exibição.
Ora, se ela não era a personagem principal, por que reclamar? O problema é unicamente de mercado: ela não quer mesclar seu passado com seu presente. Mas, se ela não mais participa de produções eróticas, por que a preocupação? O que foi feito, foi feito; passou, acabou.
Estranha, essa Xuxa: renega seu passado de ninfa, sua cena libidinosa com um menino, enquanto manipula milhões de crianças para quem comprem seus produtos. Xuxa, estranha Xuxa.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Mãos ao alto, cidadão!
Emanoel Barreto
A polícia civil de São Paulo encerrou greve que já durava 59 dias. Uma cidade como aquela, complexa, violenta como um tornado, perigosa como um escorpião, deixada de lado por uma categoria que trabalha com serviço essencial.
São compreensíveis os motivos, mas inaceitáveis os procedimentos para a obtenção de reajuste salarial. O Estado precisa e deve acionar mecanismos de reajuste aos policiais; sem trocadilhos, uma espécie de gatilho salarial justo sério, disparado sempre e quando a categoria reivindicar.
Seria algo como uma mesa de negociação permanente, dialogando com a categoria e sensibilizando-se com seus reclamos. Não seria uma sucumbência prévia do Estado perante a sua Força. Não, mas uma atitude de bom senso, frente às características salariais das polícias civil e militar.
O que não se pode admitir é que uma categoria funcional armada entre em estado de greve, permitindo que criminosos de todos os tipos venham a agir com impunidade e desenvoltura.
Mas este país é assim: juiz faz greve, promotor faz greve e, no fim, obtêm, com a criação de um estado de coisas descontrolado, aquilo que pretendem. Quando os policiais fazem greve, quem fica de mãos ao alto é a sociedade.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008


Acaba a guerra do Iraque
Emanoel Barreto

Ativistas de um grupo auto-intitulado Yes Man, distribuíram hoje, em Nova Iorque e Los Angeles, uma edição falsa do New York Times. Nada menos que 1,5 milhão de exemplares, mesma tiragem do jornal.

O título é impactante, diz: "Acaba a guerra do Iraque". O jornal vem com a data de 4 de julho de 2009 e traz notícias indicando que o Tesouro anuncia um plano justo de impostos, a revogação do Ato Patriota e, pasme, George W. Bush sendo julgado como autor de crimes de guerra.

Quatro de julho é o dia da independência dos Estados Unidos. O Ato Patriota "é uma lei dos Estados Unidos que foi aprovada após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Seus objetivos são reforçar a segurança interna e aumentar os poderes das agências de cumprimento da lei para identificar e parar os terroristas. A aprovação e a renovação do Ato Patriota foram extremamente controversas", é o que explica o site "Como tudo funciona".

Quanto aos impostos e a Bush, é óbvio: não há mais quem agüente a ação de um Estado que taxa seus cidadãos com voracidade, nem um presidente como aquele.

O ato é uma manifestação de que parcela da sociedade civil está atenta e tem condições, sim, de manifestar seu descontentamento ante o cinismo e a hipocrisia de um sistema de poder voltado para a impiedade e a barbárie.

A história não se repete, mas irrupções de rebeldia e insatisfação brotam sempre e quanto as circunstâncias de poder chegam a limites do inaceitável. Vivemos este dilema hoje: interesses das grandes corporações mesclam-se com decisões de Estado, promovendo guerras e devastação ambiental, insegurança e horror.

As sociedades convivem com o fenômeno do banditismo, comércio ilegal de armas como nunca se viu e com o crime organizado, especialmente em torno das drogas. O protesto do Yes Man deve ser levado em conta. É um grito que deverá tornar-se suficientemente forte para atrair para seu lado outras vozes e outros clamores.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Cansados e feridos
Emanoel Barreto

Nesta terça, o presidente-eleito Barack Obama fez uma parada em seu trabalho com a equipe de transição para prestar homenagens aos soldados americanos mortos, feridos ou mutilados nas muitas guerras que o país protagonizou ou leva adiante.

É que hoje, nos EUA, é o Dia do Veterano. Ou seja: um ser humano que, sob o lema de amor à pátria-mãe, é levado literalmente a carregar armas e bagagens e atirar-se a lutas onde a crueldade é norma básica e a desumanidade linha mestra. Depois, voltando para casa, é um homem ou mulher destroçado física e emocionalmente.

Como compensação é chamado de herói, defensor da pátria, guerreiro que retorna ao lar...

É esse o legado, a herança maldita das guerras, de todas as guerras: envolver pessoas em conflitos que somente atendem aos interesses das elites, sob o véu de que estarão defendendo relevante valor moral. Quando as guerras são, em essência, imorais, uma degenesrescência histórica, uma contra-mão no processo civilizatório.

Quanto aos americanos, a ideologia que os norteia vale-se de um patriotismo tornado socialmente genético e a partir daí alastram, cobertos pela artilharia do terror, o sangue, a brutalidade, o morticínio.

Ao final, o ser humano, solitário em sua condição de mutilado ou emocionalmente desfeito, volta ao silêncio de sua vida, às indagações sobre o seu sofrimento em campo de batalha, e se queda em meio aos demônios que foi levado a cultivar.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Coisas de Jornal voltará a ser atualizado amanhã.
Emanoel Barreto

sábado, 8 de novembro de 2008


Vamos parar, um pouco...
Emanoel Barreto

Vamos parar um pouco, por um instante, o tédio.
Vamos olhar com vista de marfim.

Quem sabe, um pouco, a claridade
nos chame a viver em tendas nas estrelas.

Vamos sentir, sem medo, a lua mansa.
Vamos chamar, sem grito, o sol nascente.

Quem sabe, em pouco, a noite nacarada
nos chame a viver em meio a um jardim.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Obama, o benigno, é o senhor dos jornais
Emanoel Barreto

A assunção de Obama à presidência do grande império do Norte colocou-o não apenas como o homem mais poderoso do mundo. Ele galga o cargo envolvido por uma tal torrente de mídia, que passa a ocupar o papel de algo como um messias, um enviado que vai mudar tudo na face da Terra.

Isso é reflexo bastante explícito da situação que hoje se vive: o mundo chegou a um patamar de inseguranças e incertezas tamanhas, que ao surgir alguém cujo perfil destoa completamente do padrão étnico dos presidentes americanos, essa condição étnica passou a ser vista como status ético; um novo modelo estruturante, uma nova mentalidade e, especialmente, um novo modo de encarar o mundo por parte do sistema americano de poder.

Obama seria o sinal de que os Estados Unidos abandonariam sua política de polícia do mundo - e polícia voltada para a preservação dos interesses americanos -, passando a exercer uma liderança voltada para a paz e a conciliação entre os povos.

É que a angústia dos nossos tempos clama por um avatar e visualizou nele um taumaturgo, um ser superior capaz de, pela serenidade, humanidade e propósitos inatacáveis, nos encaminhar a uma era fabulosa de paz e bem.

Obama, carismático, culto, refinado, tornou-se um fenômeno de mídia. O jornal Washington Post, frente à avalanche de leitores em busca de exemplares, imprimiu nesta sexta-feira 350 mil exemplares adicionais à edição comemorativa, veiculada dia anterior. Mais: o site de leilão eBay está vendendo exemplares a 100 dólares, enquanto o site Craigslist vende cópias do jornal a 50, ainda no saco plástico.

Trtata-se, evidentemente, de um fenômeno de comunicação. Uma grande catarse coletiva, uma exultação, um fùlmine como dizem os italianos, para designar algo extraordinário e alumbrante, paralisante pela sensação magnífica que domina, encanta e sensibiliza.

Mas Obama pouco a pouco adentra o mundo dos mortais. Já despacha com a CIA e mantém seus primeiros contatos com relatórios do serviço secreto estadunidense. E estes, dizem as coisas de jornais que li, apontam para um mundo que tende sempre e mais à tensão e à guerra - sempre com a participãção dos EUA.

É que o mundo real não parou. O que é preciso é as pessoas começarem a sair do sonho para voltar a trilhar o dia-a-dia. Logo, logo ele tomará posse. E as pessoas serão levadas e admitir, como John Lennon, quando disse à dissolução dos Beatles: "O sonho acabou."

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Ku Klux Klan: terrorista e genocida
Emanoel Barreto

A Folha informa:O pastor protestante e diretor da Ku Klux Klan, Thomas Robb, declarou após a vitória democrata na corrida à Casa Branca que o presidente eleito dos EUA é "só metade negro". A KKK é a associação racista mais famosa do planeta, identificada historicamente por seus capuzes brancos, cruzes incandescentes e crimes raciais.

Em um texto publicado no
site do grupo supremacista branco, Robb afirma que "Barack Obama se tornou o primeiro presidente mulato dos Estados Unidos", e não negro, já que "ele não foi criado em um ambiente negro". "Ele foi criado por sua mãe [branca]", argumenta, na nota intitulada "América, nossa nação está sob julgamento de Deus!".

Robb interpreta que, com a eleição de Obama, o "povo branco" dos EUA vai perceber que é hora de se unir contra aqueles que odeiam seu modo de vida --estrangeiros e negros, de acordo com a KKK. "Essa eleição de Obama nos chocou? Nem um pouco! Nós vinhamos avisando ao nosso povo que, ao menos que os brancos se juntassem, seria exatamente isso que aconteceria", incitou."
....
A KKK é um dado político-racial a não ser desprezado. Talvez não sobrelevado, mas nunca desprezado. Os extremistas são o resíduo mais lamentável e desprezível da cultura norte-americana - aquele grupo reacionário, perigoso, agressivo que pode, sim, circunatancialmente acionar algo como um ataque ou atentado ao presidente eleito.

Alicerçada num fundamentalismo racista irracional e insano, a KKK representa a intolerância e o lado violento de uma sociedade branca, que não admite a humanidade como formada por seres iguais, cidadãos que podem e devem participar da sociedade, dos seus problemas e do compartilhamento de direitos.

Obama assumirá o poder em meio a uma situação difícil, não apenas pela guerra no Iraque e Afeganistão, mas especialmente pela crise econômica que desestabiliza a vida e o bem-estar de milhões de americanos. Esse condimento social pode muito bem ser acionado pelos extremistas, a fim de fazer valer os seus propósitos.

Preservar o equilíbrio é algo essencial para assegurar a democracia. E democracia não é algo que se esgota no simples e puro direito de votar e ser votado. A democracia é patrimônio ideológico e, portanto, imaterial, que assegura a mulheres e homens uma vida pautada pelo respeito a valores básicos da sida em sociedade; uma vida digna, honrada e assegurada em todos os planos pelo Estado. A democracia deve ter sempre como meta o ser humano, e sua valorização sob todos os aspectos.

A intransigência de racistas precisa receber todo o peso da mão do Estado. A KKK, desta forma, é um grupo terrorista, anti-democrático e, se deixarem, genocida. Tudo o que nenhum povo precisa.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O futuro americano é negro

Impedido de publicar postagens devido a problemas no meu computador volto agora, quando Obama é o presidente eleito. A eleição tem algo de essencialmente simbólico: a Casa Branca dirigida por um negro.
Não é um mero trocadilho, um drible que a história dá no segregacionismo, na exclusão, na pobreza que lá existe, e muita. Não se trata de, enfim, de uma cambalhota ideológica, uma surpresa do processo político: o que se vê é a ponta de um iceberg, a possibilidade lenta de uma mudança social e étnica. Um primeiro passo.
A ascensão de Obama é simbólica em função de outro aspecto: ele surge como uma espécie de antídoto para tudo o que a nação americana vive em seu momento histórico. Representa o recuo de uma corrente de pensamento reacionária, belicista e bronca, o declínio, pelo menos atualmente, do que há de pior na política dos Estados Unidos.
Estiolada por um governo que meteu o país em mais uma guerra, permitiu que o sistema financeiro agisse às cegas e gananciosamente, e incapaz de garantir a segurança interna com os ataques do 11 de setembro de 2001, a nação pede arreglo pelos erros e injustiças raciais e elege um negro.
Obama foi eleito sob a proteção das asas de um sonho: reerguer o país e sua auto-estima, seu orgulho imperial e seu patriotismo quase seminal; estilhaçar a crise econômica e o dilema do Iraque e fazer despertar um olhar novo sobre a presença e importância dos negros na construção do país. Isso foi o que o marketing vendeu. Isso foi o que prevaleceu. É bom que tenha sido assim, muito melhor que MacCain.
Obama, todavia, assumirá sob o peso da realidade. Do homem ideal, do líder, do condottiero, restará a figura humana que é, em si, falha e limitada. E virão, agora sim, os problemas, o mundo real, o presidente em ação.
O mundo inteiro vibrou a favor do jovem, do negro, do intelectual carismático. Agora, virá o americano, que não poderá - ninguém pode -, cumprir todos os compromissos de campanha. De qualquer forma, espera-se que se inaugure algo de novo, mais humano - aí no sentido de solidariedade ou compaixão -, para que se amenize o imperialismo e o torniquete que os americanos aplicam àqueles sobre quem se impõem.
Falando assim, parece que quem está sonhando sou eu. Vamos ver até que ponto. De qualquer forma, nessa quadra da história o futuro americano é negro. E, pelo menos isso, é bom, muito bom.
Emanoel Barreto

sábado, 1 de novembro de 2008

A Mulher inteira e bela

A Mulher inteira, o corpo belo.
O instante, o abraço, o olhar querendo...

Ela.

Terna, bela, completamente plena.

O momento que é só de nós dois,
numa manhã que se fez luz. E plenilúnio.
Emanoel Barreto

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

E a turma toda pede Obama

A quatro dias da eleição presidencial dos Estados Unidos, o mundo conspira Obama, espera e pede pela sua eleição. Um sentimento de que algo de podre no reino da Coca-Cola precisa e pode ser levado ao charco da história. É como se alguma coisa nova, essencialmente nova, estivesse por acontecer. Especificando: retirada das tropas do Iraque, redução do imperialismo americano, bondade distribuída à mancheia.

Melhor seguir em marcha lenta: a rigor, as pessoas não sabem exatamente o que ele pensa. Seu discurso foi programado para abranger o máximo possível de público, tornando-o simpático à eleição daquele que poderá vir a ser o primeiro presidente negro dos EUA.

"Obama é o candidato favorito de 42% da população de várias cidades do mundo, enquanto apenas 12% votariam em seu adversário republicano, John McCain, segundo pesquisa da rede de TV britânica BBC." Essa informação está nas coisas de jornal da Folha.

De alguma forma, Obama é visto como a antítese de Bush, que por sua vez é, socialmente, a encarnação do mal. Nesse jogo de dualidade bem/mal, a balança pende para o lado do "bem". E quem "é" o "bem"? Obama, claro. O raciocínio maniqueísta e simplificador do senso comum funciona sempre assim: de maneira a reduzir tudo a oito ou oitenta.

Esquecem as pessoas que ele é, antes de tudo americano, antes mesmo de ser negro. Tanto que está aí, candidato com chances reais de vitória. É irrecusável que sua presença será sempre melhor que a de Bush. Mas não se pode esquecer que sua alma é a de um norte-americano. E todo americano pensa assim: "God bless America...". Do mesmo modo que nós dizemos: "Deus é brasileiro..."

O trabalho de marketing é exatamente esse: produzir um personagem. Personagem que, depois de eleito, dará lugar ao pragmatismo do homem, o que nos remete a representante do establishment, da velha ordem americana.

Também espero que seja eleito. Mas tenhamos paciência para o que trará em termos de política externa. Será positiva a presença de um negro na presidência; como símbolo, como indício de um princípio de mudança. Mas, daí à sua idealização, heroicização, caímos no terreno da fantasia. E isso não é bom. Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.
Emanoel Barreto

A rua de um lado só

Meu amigo, poeta e jornalista Walter Medeiros, envia este desabafo. O registro do descaso da prefeitura de Natal.
Emanoel Barreto

Os moradores da rua Neuza Farache receberam com alegria a visita de emissoras de TV, para mostrarem como andam obras da Prefeitura em Capim Macio. As equipes chegaram sem alguns problemas, porque estamos num período sem chuvas, pois no inverno a rua fica inacessível, ilhada por lagoas de todos os lados. No momento, entretanto, o problema é outro.

A rua Neuza Farache nunca tinha enfrentado problema além da poeira do período seco, embora pela ausência de pavimentação tenha sido há décadas uma rua de um lado só, pois os veículos só trafegam pelo lado direito no rumo oeste-leste.

Há cerca de seis meses, a Prefeitura escavacou tudo, fazendo uma vala de 2,5 m de profundidade por 1,2 m de largura, para instalar canos que se supõe para esgoto e drenagem. Escavacou e deixou tudo fofo, areia solta, casas inacessíveis. Cada morador teve de se virar para improvisar acessos dos mais diversos formatos.

Há dez dias uma equipe de obras chegou para fazer o mesmo serviço novamente. Emitiram a ordem de serviço e já estavam escavacando novamente, até que os moradores alertaram e suspenderam a repetição da “obra”. Mesmo assim, já era tarde, pois passaram uma máquina para aplainar, que piorou a situação.

Como se não bastasse, agora os caminhões carregados de areia trafegam sem parar, afundando o caminho dos carros, rompendo encanações da CAERN, fazendo atolar carros, ônibus, micro-ônibus, caminhões. De nada adianta contato, mensagem, telefonema para a SEMOV. Damião Pita atende, promete, mas não manda fazer nada.

Hoje amanheceu com um trecho compactado. Nada mais, nada menos que dois canos que romperam ontem e passaram a tarde jorrando água no leito da rua, o que amenizou a situação em um pequeno percurso. Mas os caminhões já voltaram a trafegar, o sol começa a secar a areia e mais tarde tudo volta àquela normalidade horrorosa.

O pior de tudo é o desrespeito aos moradores, pois a Prefeitura não informa nada sobre o que está sendo feito. Enterrou os canos, mas nada diz sobre o possível próximo passo. Ao invés de resolver os problemas da comunidade, sua presença com os serviços em ruas adjacentes causa novos problemas aos moradores da rua Neuza Farache.
Walter Medeiros

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

O Neto que virá

A Vida surge, doce e calma,
no corpo da mulher-menina, eternamente filha.

O Neto começa a ser antes mesmo de existir, e faz
brotar no rosto do Avô uma alegria terna.

É, já, uma beleza imensa.
Há música no ar, e a cor suave da noite em Natal
prenuncia uma nova alegria que virá.
Emanoel Barreto

Conversar com Cascudo

Conversar com Cascudo era descobrir o tempo velho passando à sua frente. Era mergulhar na história arcaica escrita pelo povo. Era virar páginas e páginas inteiras de cores, fandangos, jangadas, bichos e gentes; vozes de acá, nascidas ibéricas ou africanas. Conversar com Cascudo era perscrutar a vida no seu mais íntimo significado de coisa humana.

Conversar com Cascudo era descobrir um homem feito de sabedoria. Conversar com Cascudo era viajar o chão do sertão, a noite, a brenha secreta; cruviana esfriando o passo do cavalo do vaqueiro em noite de plenilúnio: arrepio com medo de lobisomem.

Conversar com Caascudo era alumbrar-se com as visagens, os cantos todos, os aboios, a comida da terra; caçuás, canga e cantiga de botar menino para dormir. Conversar com Cascudo era ouvir o tempo severo do Nordeste em sua eterna e serena espera pela chuva criadeira.

Conversar com Cascudo era ouvir o sábio da aldeia, tão dele e tão canguleira. Conversar com Cascudo agora é uma saudade, quando a vida já não anda em cavalo baixeiro e estamos todos à mercê e ao léu do não-sei-mais.
Emanoel Barreto

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Morreu o filho

Luquinha passava em frente a uma mansão, onde havia uma grande multidão. Luquinha, desempregado, morador de palafita; somente ele e a mulher. O único filho morrera por falta de um remédio, que ele não pudera comprar. Ficou meio louco deste então. Andava a esmo, passava dias sem ir em casa.

E Luquinha parou: queria saber o que acontecia. A polícia cercava a casa. Era um seqüestro. Dentro da mansão, um bandido que fugira dos policiais mantinha sob mira arma um menino, filho do dono da casa. Como se chamava o homem, o dono da casa? Seu Macieira, alguém disse.

Luquinha calou. Rodeou a casa. O cerco fora mal feito e ele encontrou um jeito de entrar na casa. Saltou o muro alto, correu ao lado da deliciosa piscina, entrou pela porta dos fundos. Caminhou em silêncio e viu que o bandido e o menino estavam na sala, ele falando ao celular com a polícia.

Luquinha foi ao primeiro andar, mexeu numas gavetas no quarto do casal e encontrou uma arma.
Atirou-se escada abaixo. Parou, mirou no bandido e mandou:

- Se vira pra mim! Se vira, vagabundo! Se vira, que é pra morrer!

O homem tremeu. Empurrou o menino de lado e voltou-se para Luquinha. Queria se defender. Inútil. A bala do 38 pegou-0 na testa e ele desabou. A polícia então invadiu a casa. Quando os agentes entraram, encontraram a seguinte cena: Luquinha deitado de bruços, demonstrando rendição, o bandido morto e morto também o menino.
Seu Macieira entrou e seu rosto assumiu a feição de uma máscara da morte. Dirigiu-se a Luquinha e quis saber:

- Quem é você? Como entrou aqui? Matou o bandido depois que ele matou meu filho?- Não - respondeu Luquinha. - Matei o bandido e matei seu filho.
Seu Macieira estava perplexo: - Por quê?

Luquinha respondeu: - Se lembra aquele remédio que você me negou, naquele dia em que fui lá na sua farmácia? Eu ia receber dinheiro no outro dia e ia lhe pagar. Mas não, você não podia esperar. Morreu meu filho. Agora morreu o seu.

Emanoel Barreto

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Lado negro, não: lado branco

O preconceito e a brutalidade estão fundamente atracados no mar da extrema direita americana. Os skinheads, neonazistas, sociopatas, planejavam uma onda de morticínio a negros, culminando com um atendado a Barack Obama, informam as coisas de jornal.

A sociedade norte-americana, em suas neuroses, loucuras e obsessões, cultiva comportamentos sombrios: o de alguém que se arma e sai atirando a esmo, matando sem distinção; o de matar o presidente da república; o de não aceitar a igualdade entre negros e brancos.

A aparentemente próxima vitória de Obama está fazendo estremecer os cânones dos ultra-conservadores, tocando as cordas mais sensíveis do preconceito: não há como admitir um negro dirigindo o maior império da Terra.

Desde o início da campanha jornais já estimavam atentados a Obama, especialmente quando e se eleito. Agora, o FBI desarma essa trama. Na foto, Daniuel Cowart, um dos presoso.

As investigações, caso sejam aprofundadas e, se aprofundadas, trazidas a público, poderão desvelar se haveria alguém, alguém em posição mais alta, a guiar as mãos sangrentas que agiriam.

Uma possível eleição de Obama será um marco, um dado essencial a superar a condição de conjuntura e assimilar-se à estrutura sócio-política norte-americana. Será somente um golpe assestado a essa estrutura, não significando seu desmanche. Mas será simbólico o suficiente para ampliar espaços mais democráticos e ares políticos menos esfumaçados.

A ação dos neonazistas, todavia, não deixa dúvida: ainda é forte o lado negro no gigante do norte. Lado negro, não, desculpe: lado branco.

Emanoel Barreto

Idioma português: navegar sem rumo, ao léu, não sei, talvez...

A Folha traz a seguinte informação:

"Faltando apenas dois meses para que as novas regras ortográficas entrem em vigor no Brasil, nem mesmo os especialistas em língua portuguesa conseguem chegar a um consenso sobre como determinadas palavras serão escritas a partir de 1º de janeiro de 2009.
As divergências aparecem nos dicionários "Houaiss" (ed. Objetiva) e "Aurélio" (ed. Positivo), nas recém-lançadas versões de bolso, que já contemplam as mudanças ortográficas. O "pára-raios" de hoje, por exemplo, virou "para-raios" no primeiro e "pararraios" no segundo.
A lista de diferenças continua. A versão mini do "Houaiss" grafa "sub-reptício" e "para-lama". Em outra direção, o novo "Aurélio" traz "subreptício" e "paralama".
Prevendo o impasse, antes mesmo do lançamento dos dicionários, a ABL (Academia Brasileira de Letras) tomou para si a difícil missão de dirimir essas e outras dúvidas. A palavra final da entidade deverá sair apenas em fevereiro, quando as novas regras ortográficas já estiverem valendo."
.....
Não vejo qualquer praticidade nessa mudança. Em nada vai facilitar a escrita ou compreensão dos textos. A não ser alguma mudança na escritura dos patrícios, que deixarão, por exemplo, de escrever direcção para grafar direção. Dará, podemos dizer, um ar mais moderno ao textos dos portugueses. Do jeito que eles escrevem, parecem estar sempre em 1500.




No mais, não vejo qualquer vantagem. Trocamos seis por meia dúzia e ainda temos três mais três de troco.


Emanoel Barreto

sábado, 25 de outubro de 2008

"Comportamento Geral"



Só para meditar: o governo brasileiro já está pensando em premiar banqueiro desonesto, caso seja atingido pela crise. Ou seja: eles raspam o tacho do nosso dinheiro e ainda terão um prêmio. Só para pensar, neste fim de semana, deixo você com Gonzaguinha e a letra de "Comportamento Geral".

Emanoel Barreto

.......

Você deve notar que não tem mais tutu
e dizer que não está preocupado
Você deve lutar pela xepa da feira
e dizer que está recompensado

Você deve estampar sempre um ar de alegria
e dizer: tudo tem melhorado
Você deve rezar pelo bem do patrão
e esquecer que está desempregado


Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé
Se acabar em teu Carnaval


Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal
Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé
Se acabar em teu Carnaval


Você deve aprender a baixar a cabeça
E dizer sempre: "Muito obrigado"
São palavras que ainda te deixam dizer
Por ser homem bem disciplinado
Deve pois só fazer pelo bem da Nação
Tudo aquilo que for ordenado

Pra ganhar um Fuscão no juízo final
E diploma de bem comportado
Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal

Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé
Se acabar em teu Carnaval
Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal

Cerveja, samba, e amanhã, seu Zé
Se acabarem com teu Carnaval?
Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal

E um Fuscão no juízo final
Você merece, você merece
E diploma de bem comportado
Você merece, você merece

Esqueça que está desempregado
Você merece, você merece
Tudo vai bem, tudo legal