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"Não é justo alguém ter o direito de ter uma empresa de aviação e outro não ter o direito de comer um pão." /////// JAMAIS IDE A UM LUGAR GRANDE DEMAIS. A UM LUGAR AONDE NÃO TENHAIS CORAGEM DA IMENSIDÃO - EMANOEL BARRETO - NATAL/RN
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
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sábado, 10 de outubro de 2009
Encabulada em dó maiorEmanoel Barreto
Ela chegou. Veio em passos de pantera e de veludo azul.
Atravessou o grande salão e, fazendo isso, a música parou. Atravessou o salão e, fazendo isso, deu-se a descobrir.
Estava ali uma mulher completa, intensa, inteira, farta, doidivanas;
Petulante, sólida, perfeita;
Camarada, amiga, doce solidão a dois;
Feminina, forte, descobridora;
Caminhante, sã, insana primavera;
Distante, pertíssimo, misteriosa, bela;
Felina, feliz, atraente, difícil;
Viajante, indagadora; senhora de respostas, autora de dúvidas.
Um romance inscrito em corpo de mulher.
A festa como que parou, só para vê-la. Dirigiu-se a uma mesa, sentou-se: - Dança? A pergunta havia partido de uma voz masculina em dó maior, grave. - Sim, foi a resposta que ela deu, pondo-se de pé. Com a orquestra o cantor discorria um bolero. Os passos dos casais coleavam em meio ao claro-escuro do salão. Maracas e bongôs pontuavam a música com seu remexido côncavo-convexo.
A voz de dó maior perguntou: - Qual o seu nome? Ela respondeu em surdina: - Encabulada.- Como? - foi a dúvida seguinte, ante a resposta inesperada. - Encabulada - ela disse com um sorriso de meia lua, as costas da mão encostadas na nuca do dó maior.
- Você, encabulada? - o dó maior quis saber, pois, naquela mulher, não havia espaços de silêncio.- Eu não disse que estou encabulada. Eu disse que sou Encabulada. É diferente. Sou diferente de todos e igual a mim mesma. E como não sou resposta, mas proposta, espero sempre as perguntas. As perguntas certas. Daí, porque sou Encabulada. Não vou às pessoas, elas têm que vir até a mim. Dou a impressão de estar retraída, distante do mundo, para que me descubram o caminho. Poucos descobrem... Daí, dou a impressão de estar encabulada. Mas quando alguém me descobre, está com Encabulada. Dá para entender?
O dó maior fez que sim e continuaram a dançar boleros firmes, ajustados, justos, encaixados, mínimas, semínimas, colcheias e acordes. Os violões agudos perfuravam a noite: flores e floretes, enigma de passos.Aí, foi ela quem perguntou: - Seu nome? O dó maior pensou um pouco e respondeu: - Pode me chamar de Colecionador. Sou um colecionador. Um colecionador de situações, as mais inesperadas, estranhas, belas, difíceis, lamentáveis, boas. Situações que às vezes procuro, outras não; um tempo lamento, outro tanto gosto. Como agora, que descobri você, essa mensagem cifrada, num código que ainda desconheço, mas que vou aprender. Ficou encabulada, Encabulada?
Ela voltou com seu sorriso de meia-lua e respondeu: Não. Ela não havia ficado encabulada. Afinal, disse, uma situação se constrói a dois, passo a passo, gesto a gesto, ato a ato, palavra-por-palavra. Até que, como a brisa marinha, se transforme numa lembrança. Mas, isso, já é outra situação...
E, Encabulada e Dó Maior ficaram assim, colecionados de si, pasmos e presos ao bolero que dizia as coisas que todos os boleros dizem. E no depois do tempo, fizeram-se um só, fazendo-se brotar no meio do salão.
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
O medo do corpo quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Emanoel Barreto
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Cavalo de TróiaEmanoel Barreto
De Tróia virá grande cavalo
que passará por sobre nós
com suas patas de aço.
E o louvaremos com cânticos e guirlandas.
Depois, do cavalo saltarão Eles.
E nos levarão até o último florim.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Foto: vita-passione-amore-emotu.blogspot.comA estranha procissão de lêmures
Emanoel Barreto
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
SE SE CALA O CANTOR
--- Walter Medeiros – walterm.nat@terra.com.br *
Uma música em espanhol chegava pelas ondas do rádio para quem sintonizava a Rádio Havana às 6:00 horas da manhã, naquele tempo em que a censura imposta pelo regime militar proibia tudo, e a cada proibição causava um prejuízo inestimável e irrecuperável ao povo brasileiro. A voz de Mercedes Sosa se juntava às de Juan Baez, Pablo Milanez, Milton Nascimento e Elis Regina, em gritos revolucionários desenhados pelas letras de Violeta Parra, entre elas Gracias a la vida.
Pela manhã, os estudantes repetiam baixinho aquelas músicas, junto com o “Vai levando” de Chico Buarque, “Apenas um rapaz latino-americano” de Belchior e um “Argumento” (Ta legal, eu aceito o argumento / mas não me altere o samba tanto assim) de Paulinho da Viola. E seguiam para a noite aonde, nos bares da vida podiam conversar, mesmo que sob olhares dos agentes da ditadura, gritando pelo garçom que apelidaram de “I me free”, para sentir, pelo menos na imaginação, alguma sensação de liberdade.
Faltava liberdade naqueles bares, naqueles campi e nas ruas, pelas quais circulavam revolucionários em atos clandestinos, na luta por dias melhores na Argentina, no Brasil, na Nicarágua, no Chile, na Espanha, em Portugal, Angola, Moçambique e tantos outros países dominados pelos regimes de exceção. Luta que terminou vitoriosa em todos esses lugares, com a retomada dos processos democráticos a partir de bandeiras que reafirmavam: “O povo unido jamais será vencido”.
Eram momentos de vida ou morte, mas que comportavam versos inesquecíveis na voz de Mercedes Sosa propagando os poemas de Pablo Neruda: “Me gusta cuando calas” e era somente aí que se sentia bem com o silêncio. Não o silêncio imposto pela censura, mas o silêncio do amor. Eram versos daquelas belas páginas de “Vinte poemas de amor e uma canção desesperada”, na qual Neruda mostrava um dos maiores gritos da história do homem: “Posso escrever os versos mais tristes esta noite”.
A tristeza veio da truculência, quando Juan Baez foi probida de cantar no Brasil, sob alegação de que sua música era subversiva. Ela que planejava trazer gande prestígio à música brasileira, gravando um disco completo com músicas de Chico Buarque de Holanda. Da mesma forma que nos carnavais brasileiros a censura proibia até ouvirmos a marcha “Bandeira Branca” com Dalva de Oliveira, confundindo-a com a música “Bandeira Branca” de Geraldo Vandré.
Nesta manhã de outubro chega a notícia da morte de Mercedes Sosa. Aquela lutadora que percorreu continentes em nome das mães argentinas e dos povos oprimidos, transformando-se numa cidadã do mundo. Que escreveu belíssimas páginas da música popular, cantando sempre com seu imenso coração e enfeitando o mundo com sua voz forte e poderosa. Com a morte de Mercedes Sosa – como diz a música “Se se cala el cantor” - cala-se um pouco a vida.
*Walter Medeiros é jornalista
domingo, 4 de outubro de 2009
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sábado, 3 de outubro de 2009
Foto: Estadãoquinta-feira, 1 de outubro de 2009
Kevork Djansezian/APA Folha diz: A galeria de arte Tate Modern, de Londres, retirou de uma exposição sobre arte pop uma foto da atriz Brooke Shields nua aos dez anos de idade que estava provocando polêmica.
A obra do artista Richard Prince foi feita em 1983 a partir de uma imagem capturada pelo fotógrafo Gary Gross, e mostra a atriz de "Lagoa Azul" nua, enquadrada do joelho para cima, usando maquiagem carregada e olhando diretamente para a câmera.
A polícia metropolitana de Londres aconselhou a galeria na decisão de não incluir a foto na mostra "Pop Life: Art in a Material World" (Vida Pop: Arte em um Mundo Material), que será inaugurada hoje.
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quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Ilustração: Seu Estranho Blogspotterça-feira, 29 de setembro de 2009
Emanoel Barreto
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Tudo, menos Serra...O importante, nesta quadra histórica, é impedir a volta de um tucano ao Poder, seja ele Serra ou Aécio. O temor, o meu temor, é que um dos dois, eleitos, venham a leiloar o petróleo ao capital internacional, especialmente o pré-sal, reserva que tem ativado o olho-gordo dos países ricos.
sábado, 26 de setembro de 2009
Os tempos escuros e o Homem-lutosexta-feira, 25 de setembro de 2009
A Ribeira e os loucos intermitentesquinta-feira, 24 de setembro de 2009
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Imagem: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhRCrHZPt8Mee6LIaytP70s-J9u_68GOXlNCTZiCTf_NVMvDRHFexgUxkEjL3NFRWug44iP-j3JCix0vmrEH2KRxN8oPmxX947348XBR2qoYOofCbgl1FOPNXb2INCaG15ZvN_9ZA/s400/caras-de-susto.jpg
O evangelho dos maus
Emanoel Barreto
Ora, naquele tempo disse um corrupto a seus discípulos: "Ide e pregai, pregai peças quero dizer, a todos e a cada um. E de todos e de cada um tirai vosso sustento, sem que para tanto tenhais de trabalhar. Que não é dado ao injusto ser justo, e sendo injusto que traga sempre para si o prato mais pesado da balança e dele engorde."
"Mas, Mestre", perguntou um deles, "como faremos para burlar os demais, se há tantas leis?"
"Então", respondeu o Mestre dos corruptos, "apoderarmo-nos-emos dos órgãos que fazem as leis e as faremos injustas à nossa igualdade e mostra. Ide."
E os discípulos do corrupto foram e fizeram as leis. E as fizeram tão bem feitas, que hoje imperam no mundo a inoperância, a fome e os privilégios. E vendo que as leis eram boas para si, eles se banquetearam. Mas, um voltou-se para o Conselho dos Corruptos e questionou: "O que faremos com as prisões, que são a nossa maior obra e embelezamento?"
Eis a resposta: "Já que as leis são nossas e assim sendo nos privilegiam, e a elas estamos todos adequados, metamos na prisão os que são contra, pois são eles os culpados e os monstros e teremos boa obra feito ao mundo. "
E assim foi dito e assim foi feito. E até hoje os comuns e os desgaçados estão atirados nas prisões e calabouços, enquanto os corruptos uivam seu hedonismo e seu muito dinheiro.
ZOORÓSCOPO
BÚFALO - Brutos e agressivos, são encontradiços entre os que têm na estupidez seu mérito maior e sua força e razão. Andam em carrões enormes e riem dos que ficam ao lado, cobertos pela lama que os de Búfalo pisoteiam.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Emanoel Barreto
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
--- Walter Medeiros Filho*
Começava em 1994 a saga da série juvenil “Malhação”, com historinhas que agradavam aos jovens e aos pais dos adolescentes. Os temas abordados eram diversos e tratavam de assuntos cotidianos da vida das famílias brasileiras, assim como ajudava em temas polêmicos na construção do caráter e da boa índole, como dependência química e doenças sexualmente transmissíveis. Guardo ainda as lembranças de anos não muito distantes, de quando meu pai assistia à série, por ter interesse em temas relacionados ao alcoolismo.
Hoje, o seriado não passa de uma mera “novelinha”, apenas um programa de entrada para as diversas novelas da Rede Globo de televisão. O programa não trata mais de temas interessantes, mas sim, de problemas inerentes à vida de quaisquer grupinhos de jovens com desvio de conduta: tramas para ver um colega preso, gravidez forjada para evitar uma separação – ou para fazer voltar atrás dela, “filhinhos de papai” tendo seus comportamentos apoiados pelos pais que não dão boa educação etc.
Infelizmente, estes problemas retratados pela Malhação existem na sociedade, e o ponto chave da questão é: o programa se passa em um colégio, e neste não há respeito algum pelos Professores e Mestres. Este problema está presente em todos os tipos de instituições, desde escolas públicas – onde alunos usam drogas ou levam armas para dentro de sala de aula, até escolas particulares – onde se imagina que haja um controle mais rigoroso, mas é o local onde se verifica o maior índice de descontrole por parte dos pais, que em matéria de “limites”, tiram zero!
Hoje a profissão de professor deveria ser coberta por um gordo adicional de insalubridade – salas sujas, barulhentas e recheadas de falta de respeito fazem mal à saúde; acho que é a posição mais perigosa da sociedade e que é a mais propensa a infartos e acidentes vasculares cerebrais decorrentes do estresse. É um trabalho extremamente árduo, visto que ninguém gosta de falar só. E é isso o que acontece: professores falam para platéias voltadas para a mais nova “resenha” da hora ou para o mais novo modelo de tênis lançado ou, ainda, para o local da festa do próximo final de semana.
O que fazer para solucionar um problema desta magnitude? Falar com a direção do colégio ou instituição não resolve, garanto! Tenho experiência em colégio particular, apenas, e posso garantir que o interesse que rege instituições deste tipo é o lucro gerado pelos pais dos alunos no final de cada mês, com o pagamento de mensalidades cada vez mais caras. É a obrigatoriedade do silêncio. Passei também três anos de minha vida em cursos pré-vestibulares e posso afirmar que, como querem, alunos saem ou entram nas salas de aula para o que quer que seja, sem o famoso “professor posso ir tomar água?”. Os professores para a maioria dos alunos, neste tipo de ambiente, são meros empregados assalariados, que têm que deixar os seus “patrões” saírem na hora que eles quiserem.
Não há, para os professores, como serem ouvidos nestas instituições – ambas particulares. No caso de públicas, a situação é ainda pior. Famosos são os relatos de professores que são obrigados a trabalhar sob a ameaça da presença de armas de fogo em sala de aula, e que convivem com alunos que além de não prestarem atenção ao que dizem, usam drogas em sala – reina a impunidade no Brasil. Este Brasil que vive numa sociedade acuada, com medo de dizer a verdade e de ser repreendida por aqueles que mandam – verdadeiramente – nas pessoas, os criminosos. Mas, para não me alongar no assunto, quero dizer que não há como os profissionais reclamarem estas condições de trabalho, pois polícia e sociedade sabem os focos do problema, mas nada podem fazer. Ou se podem, não fazem.
Como defender os direitos de uma profissão como a de Professor, uma posição tão nobre, importante e imprescindível para todas as pessoas? Quem consegue ter um pouco de dignidade na vida sem passar por uma sala de aula, e pelo aprendizado com estes mestres que têm como trabalho o fornecimento do único bem que não é possível que roubem de nós: o conhecimento? A importância dessas pessoas na vida da sociedade é inegável. Mas, as más condições de trabalho, e de salários também, estão tornando a profissão algo não mais desejado. Hoje é necessário que o Governo Federal lance na TV propagandas que incentivem pessoas a buscarem esta vida profissional.
Porém, como pessoas vão ter interesse se não há respeito!? A mais nova sensação da internet, no sítio dos desocupados – Youtube, é uma banda que faz danças em que o vocalista levanta a saia das mulheres para mostrar suas calcinhas. Esta banda fez vítima em vídeo que foi veiculado na internet, uma mulher que trabalhava como professora e perdeu o emprego pela dança. Hoje a banda contratou a dita cuja, que faz performances em palcos do Brasil “fantasiada” de professora. Quem tomou providências contra isto? As autoridades proibiram a banda de usar a imagem de uma professora que dança e mostra a calcinha? E as crianças que recebiam aulas desta pessoa que agora vende sua imagem, como ficam? Não há respeito pelo Professor no Brasil.
A única arma para categorias de trabalhadores termina sendo as greves. Então, sindicatos organizados vão às ruas reclamar melhores salários e condições de trabalho. Resultado: são mal interpretados pela população, e não atendidos pelo poder público. Em resumo vê-se: professores, quando não são os próprios donos do colégio, sofrem para serem ouvidos. E o pior, não é só pelos alunos.
* Estudante universitário do Instituto Federal do Rio Grande do Norte
domingo, 20 de setembro de 2009
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Se o tempo acá já não me diz
sábado, 19 de setembro de 2009
"Eu sou um homem de bem"sexta-feira, 18 de setembro de 2009
E partiu a voz lindíssima
Um violão de ouro, ou a vida triste de um pobre cantorquinta-feira, 17 de setembro de 2009
"Muito prazer, eu sou uma puta"Emanoel Barreto
Hoje, conversei com meus alunos-colegas de jornalismo impresso sobre uma crônica que publiquei aqui, há tempos. "Helenita, Helenita", era o título. Como a crônica do cego de ontem, também se passava na Ribeira, velha estação rodoviária.
Ali vi e vivi muitos momentos com as gentes e a vida. O tempo e seus descaminhos. Agora, lembro-me de outro caso. Uma situação tão inesperada como a do cego e da louca que chamava por Helenita, sua amiga invisível. Chovia um pouco. O relógio pendendo já para a meia-noite.
Uns poucos desocupados andavam a esmo. Uma mulher, meio bêbada, aproximou-se de mim sem que eu a visse. Meus olhos estavam ocupados com as páginas da Folha de S. Paulo, único interesse para um repórter já cansado de mais de dez horas de trabalho. No jornal onde eu trabalhava, a Tribuna do Norte, as coisas ficavam muito centralizadas em mim e eu acabava assim: na Ribeira, esperando um ônibus, altas horas.
Fazia por gosto, pois deixava o carro em casa. Pois bem: a mulher chegou, puxou o jornal das minhas mãos. E da sua boca bêbada disse: "Muito prazer, eu sou uma puta." Repórter é um bicho que com o tempo fica amestrado pelo mundo. E aprende a não se surpreender. Minha reação foi a mais natural possível: "Muito prazer, dona puta."
Esse diálogo surreal terminou logo. E aí eu fui surpreendido. A mulher... agradeceu: "Muito obrigado. Até hoje, ninguém tinha me chamado de dona. Se sou dona, sou mulher de respeito." Soltou o jornal em minhas mãos e saiu dizendo alto: "Eu sou uma puta. E se sou uma puta, sou uma mulher de respeito."
Abraçou-se com um tipo malandro que ia passando, seu conhecido certamente, e perdeu-se lá para os lados da Confeitaria Delícia, um lugar de que falarei amanhã.
ZOORÓSCOPO
PATO - Quem é desse zoosigno, prepare-se: os patianos são pessoas bondosas, pessoas de bons gestois. São os que os pilantras de todos os níveis chamam de otário. Os de Tubarão e de Percevejo adoram explorar. São, os patianos, geralmente encarregados dos pequenos ofícios, trabalhadores e prestativos. Não é incomum que colegas e chefes tirem deles o máximo, repassando-lhes tarefas as mais chatas. E ainda são alvo de zombarias. Os de Pato devem procurar homens ou mulheres de Beija-flor ou Formiga. Formarão casal perfeito, pois receberão carinho e apoio. Beija-flor é zoosigno de quem é amoroso e delicado. Formiga é trabalhadora e não explora ninguém.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Emanoel Barreto
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Brincando com o povosábado, 12 de setembro de 2009
Porque os ricos roubamsexta-feira, 11 de setembro de 2009
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quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Emanoel Barreto
Emanoel Barreto
Emanoel Barreto
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
A dolce vitaterça-feira, 8 de setembro de 2009
Os não-livres e o 7 de SetembroEmanoel Barreto
Ontem foi o 7 de Setembro.
Liberdade pra uns sim, pra outros não.
Separados pela cerca da miséia,
os não livres serão sempre os outros não.
ZOORÓSCOPO
CARRAPATO - Quem está sob a influência desse zoosigno é o pequeno espertalhão. Incapaz de fazer-se por si próprio, gruda-se alguém poderoso para com este subir, ou, por outra, agarram-se a quem tem talento para deste se aproveitar. Devem ter cuidado quando estiverem lidando com Lobo, pois os nascidos sob tais influências sabem muito bem como tratar os de carrapato.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Emanoel Barreto
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Uma historinha...quinta-feira, 3 de setembro de 2009
De como a Justiça desapareceu no mundoEmanoel Barreto
Disseram-me certa vez homens muito sábios, desses conhecedores dos mais recônditos segredos e das mais herméticas ciências: "Themis, a deusa da Justiça, não mais age entre os mortais, pois está presa. Castigada por nudez impudente, foi levada a cárcere secreto e lá é mantida fora do olhar e da vista de todos. Se tentar fugir, será submetida ao garrote vil. "
Apesar de confiar muito nos sábios - tenho sempre essa mania de confiar em sábios -, pus-me a investigar e eis o que descobri: Themis precisou vir da Grécia ao Brasil, mas, ao descer do Olimpo, viu que o mundo estava tomado por mar de lama. Como queria sentir de perto as injustiças, que haviam provocado o mar de lama, despiu-se e começou a nadar.
Suas brancas vestes deixou a cargo das ninfas, que viriam voando e lhas entregariam quando aqui chegasse. Enfrentou tubarões, moreias e outros monstros marinhos. A pegajosa lama recobria todo o seu belo corpo.
Afinal, aqui chegou. Pisando a praia, dirigiu-se uma ducha e a lama caiu de sobre o seu corpo. Ficou linda e nua em praia que não era de nudismo. Patrulha que passava a capturou imediatamente. Levada a um juiz, apresentou-se como Themis, a deusa da Justiça.
O juiz, desconfiado como todos os juízes, não acreditou na história e sentenciou: "Sou um magistrado. E porque sou um magisatrado sei muito bem que a Justiça não existe. É apenas uma lenda grega." Ela foi prontamente agarrada, posta a ferros e até hoje insiste em se dizer a Justiça. Mas a pena foi comutada e ela foi internada, como louca, num hospício onde todos se dizem Napoleão.
ZOORÓSCOPO
CAVALO - Conhecidos pelo temperamento digamos, forte, para não dizer outra coisa, o cavaliano atrita-se facilmente. Mesmo que o parceiro não o tenha provocado. Cavalo, no entanto, não deve brincar com Hiena. A mulher em Hiena não leva desaforo para casa e ainda sai rindo, depois de armar a confusão.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009

terça-feira, 1 de setembro de 2009
Emanoel Barreto
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Vou depois...domingo, 30 de agosto de 2009
Patriamada, salve, salve...
Emanoel Barreto
Só um registro: veja só como a cantora Vanusa mandou ver com o hino nacional. De alguma forma é a representação mambembe, na voz de alguém, de como as coisas andam na política brasileira.
http://www.youtube.com/watch?v=TfzyqxWHrQo
ZOORÓSCOPO
CARNEIRO - Os que são dessa casa zooastrológica vivem dando cabeçadas. E não aprendem. São enganados pelos de Cascavel, iludidos por quem é de Gata Mansa, explorados pelos de Tubarão, mas, mesmo assim, não se emendam. Acreditam em tudo o que lhes dizem ou prometem, terminam até mesmo investindo dinheiro e só levam prejuízo. No outro dia acordam, pensam que foi tudo um sonho e voltam a ser vítimas de sua própria insensatez.
