domingo, 13 de dezembro de 2009

Foto: AFP
O tabefe em Berlusconi e o fim da paciência do povo
Emanoel Barreto

A agressão sofrida pelo primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, à parte a questão do ato em si, como atitude de repúdio inapropriada, traz, em sua força discursiva, mensagem bastante vigorosa: há um limite para que se desrespeite, se humilhe e se ofenda o povo. As elites precisam compreender isso, ao encenar sua farsa de democracia.

O engodo, a mentira repetida dia após dia, ao contrário do que defendia Goebbels, não consegue se impor definitivamente como verdade. Berlusconi representa o que há de pior no pensamento neoliberal. Diariamente tem sido exposto como literalmente um vilão, manipulador e aético. Mesmo questionável a agressão, não o são os motivos que a ela levaram.

Os corruptos, como os há no Brasil, não podem ficar impunes. Vide o caso Arruda e os protestos diários. Quanto a Berlusconi, o golpe recebido é índice, ponta de ideberg a apontar as indignidades gerais impostas ao mundo.
Como exemplo, lembremos que as elites estão destruindo o planeta. Guiadas pelo perverso instinto do lucro a qualquer preço, negaceiam medidas para conter o aquecimento. Sejam as elites do Ocidente, sejam as da China, por exemplo. Elite é sempre elite, seja na democracia formal seja nas ditaduras.

O tabefe é bastante sintomático da insatisfação popular; na Itália ou em Brasília. E se essa insatisfação é difusa, há os momentos em que explode, lá e acá.

Kennedy, em discurso dúbio, já dizia: "Se a sociedade livre não conseguir ajudar os muitos que são pobres, não poderá igualmente salvar os poucos que são ricos."

A frase é da época da Guerra Fria. É um pronunciamento bifronte: a "sociedade livre" são exatamente os expoentes do capital, cujos desmandos terminam por colocar em xeque, em processo de engenharia social reversa, os pressupostos ideológicos desse mesmo capitalismo. Kennedy sabia o que estava dizendo...






Fotos: Emanoel Barreto
Isso é um insulto
Emanoel Barreto
No caso das fotos acima as imagens dizem mais que mil palavras. Em Capim Macio, onde são feitas obras de drenagem, os funcionários da empresa contratada pela Prefeitura, responsável pelas obras, largaram simplesmente uma montanha de areia em frente à minha casa, encerraram o expediente e foram embora. Isso foi sábado último.
Impedido de entrar e sair. O portão da garagem estava obstruído, como o portão pequeno. Fui obrigado a conseguir ajuda às 22h, pelo menos para desobstuir o portão e pôr o carro na garagem. Trata-se de flagrante desrespeito à cidadania. Um ultraje, ou como disse a minha neta de 10 anos: "Vovô, isso é um insulto. "


sábado, 12 de dezembro de 2009

Foto: Divulgação
Capitão Nascimento, o retorno
Emanoel Barreto

O ator Wagner Moura iniciou preparação especial, com aulas de jiu-jítsu e vale-tudo, para viver novamente o Capitão Nascimento, no filme "Tropa de Elite 2", informou a coluna Radar, de Lauro Jardim, publicada na revista "Veja" desta semana.
As aulas serão dadas por Rickson Gracie, que mora nos Estados Unidos, e é um dos principais nomes da lendária família de lutadores.
As filmagens começarão na terceira semana de janeiro. O filme "Tropa de Elite 2" tem estreia prevista para agosto de 2010.
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A informação é da Folha Online Ilustrada.
O Capitão Nascimento é uma espécie de figura urbano-mitológica tardia do senso comum. Prefigura e glorifica o perfil do policial que, ante os desmandos do crime organizado, reage com igual vigor e brutalidade, punindo por uma sociedade indefesa frente à fúria de traficantes e assaltantes.

Ele representa de forma vívida o repúdio de larga parcela da sociedade brasileira aos grupos de direitos humanos. As pessoas veem na ação desses grupos um paradoxo simplista: seus militantes se compadecem de criminosos e estão a favor dos bandidos, esquecendo suas brutalidades contra os indefesos. Na implicação contida em tal lógica esses militantes estão contra os cidadãos. Infelizmente, é isso o que acontece.

O personagem, assim, propicia o que os psicólogos chamam de ab-reação, comportamento assim descrito no Houaiss: "Descarga emocional pela qual um indivíduo se liberta do afeto que acompanha a recordação de um acontecimento traumático [Pode ser provocada, por exemplo, por hipnose, ou ocorrer de forma espontânea no decorrer do processo psicoterápico.]". Ou por outra: "Efeito liberador produzido pela encenação de certas ações esp. as que fazem apelo ao medo e à raiva, utilizado pelas terapias que se baseiam no método catártico."

O fato de o ator Wagner Moura estar tomando lições de luta sugere que o personagem entrará em combate corporal com antagonistas, o que não ocorreu quando da produção anterior. Isso, sem dúvida, ampliará o efeito de catarse, trazendo ao filme mais glamour à violência punitiva. O público sempre gosta quando os vilões são, literalmente, batidos pelos que pretensamente encarnam o "bem".

O brasileiro está cansado de ver o triunfo do mal no mundo vivido. Assim, pelo menos no cinema verá alguém ser punido. É a terrível compensação para quem vive um inferno e encontra, no pesadelo encenado, sua fugidia compensação.





Fotos: Emanoel Barreto

encontro com Djalma Maranhão
Emanoel Barreto

Hoje acordei numa espécie de déjà vu: máquinas na rua, em frente à minha casa. Homens trabalhando para instalar o sistema de drenagem, em Capim Macio. Mas, e o déjà vu? É o seguinte: certa vez, Djalma Maranhão prefeito de Natal, idos de 1961, 62, amanheci desperto por um barulho terrível, monstruoso ronco que, à minha sensação de menino, seria algo como um dragão atacando o meu castelo, quer dizer, a minha casa.

Na verdade, era o desvio dos ônibus, que deixavam de circular pela Rio Branco, que estava sendo asfaltada, atirando-se pela Princesa Isabel, onde eu morava. Dias e dias assim, até que a obra ficasse pronta e a minha pacífica rua voltasse a ser sinceramente calma e pacífica, como o eram as ruas de Natal nos anos 60.

Agora, o ronco de uma máquina rasgando o chão para soterrar as manilhas não me apavorou. Alegrou. Afinal, estarei livre das inundações, afinal deixarei de me sentir como Noé a cada inverno.

Mas o déjà vu levou-me a passear a memória até Djalma Maranhão. Nunca o vi, a não ser em fotos. Mas, dele, tenho sempre uma lembrança boa. Uma espécie de saudade mansa de alguém a quem não conheci, mas que me abraça e me diz que ele era um político para quem decência era sinônimo de essência, e isso o fazia ser um prefeito que amava, sem medo e sem mácula, a sua cidade Natal.

Sinto que encontrei Djalma hoje de manhã. Não, nada a haver com a "Ronda dos Fantasmas", radioteatro de terror que a Rádio Cabugi produzia magistralmente uma vez por semana. Nada disso. Foi uma espécie de reencontro com coisas, memórias, lembranças esquivas que moram em mim. E esse encontro foi como se ele estivesse dizendo: "Ei, menino! Não tenha medo. Dragões não existem. E eu continuo cuidando de Natal..."

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Foto: http://images.google.com/imgres?
Goodbye, Bat Masterson
Emanoel Barreto

Morreu Gene Barry, que interpretava na TV o personagem Bat Masterson. Morreu quinta-feira passada, aos 90 anos, mas somente hoje divulgaram. Quando a série passava no Brasil, entre 1958 a 1961, jamais a assisti: Natal não tinha repetidora. Mas, nas revistas em quadrinhos, eu sempre o encontrava. A capa tinha sempre uma foto sua. O desenhista repetia à perfeição, em traço, as feições do meu amigo. Sim, porque ele era meu amigo. E eu me sentia a seu lado naquelas aventuras.

As revistas eram para mim como uma espécie de jornal: cada edição era como um noticiáirio, coisas grandiosas e empolgantes que os meus amigos, Zorro, Batman, Príncipe Valente, Super Homem e Bat Masterson viviam, sem esquecer Tarzan, claro. A lista de amigos é enorme e não caberia aqui.

Agora, o meu amigo se foi. Na verdade já não nos encontrávamos há muitos e muitos anos, desde que deixei os quadrinhos como leitura preferencial. Mas valeu, Bat. De alguma forma, lendo suas histórias, aprendi de que lado ficar.



quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Foto:Reuters
"Eu prefio ser essa metamorfose ambulante" (Raul Seixas)

O presidente Obama encarna à perfeição a metamorfose ambulante. Ao receber o Nobel da Paz, ele, que estranhamente foi escolhido para a comenda, uma vez que nada fez pela paz, defende... a guerra. E ainda é aplaudido.

Norteia-se, sem dúvida, pelo apotegma romano: "Se queres a paz, prepara a guerra". É realmente estranho que o dirigente máximo da maior potência bélica e belicista do planeta, um país que vive de e para a guerra, seja eleito paladino da paz...

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Foto: Dida Sampaio
A vigilância cuida do normal, os automóveis ouvem a notícia, os homens a publicam no jornal (Zé Ramalho)
Emanoel Barreto

O fotoflagrante é da repressão da polícia a manifestantes que pedem o impeachment de Arruda, o arruaceiro, o governador do Distrito Federal. Nada demais: os soldados estão apenas cuidando do normal. Como a corrupção é normal neste país, a vigilância está cuidando meter o pau e de manter as coisas... dentro do normal.


Foto: http://www.estadao.com.br/fotos/explosao-p.jpg
Assim caminha a humanidade
Emanoel Barreto

A estratégia no Iraque serviu de base para o plano do presidente Barack Obama de enviar mais 30 mil soldados para o Afeganistão, seguindo a recomendação do comandante das forças americanas no território afegão, general Stanley McCrystal. Mas, assim como ocorreu com o conflito afegão, aos poucos a guerra iraquiana começa a ser esquecida, para voltar à tona apenas quando grandes atentados ocorrem, como os de ontem.

Os jornais e TVs americanos não cobrem mais Bagdá como faziam até o começo do ano. Os principais correspondentes foram deslocados para Cabul. Os centros de estudo em Washington dedicam seus principais eventos ao que ocorre no Afeganistão e no Paquistão, assim como optaram por contratar mais analistas especializados nestes dois países.

E a agenda da política externa de Obama foi dominada pelo Afeganistão nos últimos três meses. Ontem, depois dos ataques, a condenação ficou por conta dos representantes militares americanos no Iraque, sem grandes declarações de Obama ou da secretária de Estado Hillary Clinton.
...

A transcrição que faço, de trecho da matéria assinada pelo jornalista Gustavo Chacra, do Estadão, dá bem uma ideia de como os mandantes do mundo veem a guerra, a destruição, o horror: tudo isso está "do outro lado", "lá longe". É coisa que eles provocam, mas que não os atinge. Não diretamente. Assim, o que se passa no território do horror fica para lá. A "eles" não interessa muito.É isso. Assim caminha a humanidade. E todos os que a ela ofendem.
Foto: Ahmed Malik/Reuters
Somente os fotógrafos podem ver a Morte*
Emanoel Barreto


BAGDÁ - O primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, fez um pronunciamento na TV no qual pediu paciência e o apoio às forças de segurança do país após a onda de atentados que deixou 127 mortos em Bagdá na terça-feira, 8.

Maliki deve ir uma audiência no Parlamento nesta quarta. Ele vem sofrendo fortes críticas de parlamentares, que pedem a renúncia da cúpula de segurança no país. Nos últimos quatro meses, houve outros dois atentados contra prédios públicos no país.


No primeiro, em agosto, 100 pessoas morreram. Em outubro, um ataque deixou 155 vítimas. Insurgentes têm direcionado seus ataques a alvos do governo públicos. Analistas atribuem o ataque a militantes sunitas ligados ao antigo partido Baath, do ex-ditador Saddam Hussein, descontentes com o governo xiita pró-ocidental.
...
O texto acima é do Estadão. Mas o que me moveu mesmo foi a foto. Veja como caminham os parentes da vítima: elas levam o caixão como se levassem todo o peso da morte. Não a morte enquanto fenômeno de cessação da vida, mas a Morte, a grande Morte, o mistério sombrio de ter à vista e em mãos um corpo que perdeu seu anima.
A fotografia tem esse condão. Captar o instante, o momento preciso, como dizia Henry Cartier Bresson. É esse momento que resume tudo, toda a força, impacto, intensidade e representatividade de uma ação, que o jornalista-fotógrafo sabe figurar como ninguém. Só ele, esse mágico ao mesmo tempo sensato e louco.
Veja o esforço dos que levam o caixão. Eles carregam todas as dores do mundo. Ao contrário de nós, ocidentais, que levamos o - perdão pela palavra - féretro segurando suas alças laterais, eles o conduzem aos ombros. É o homem, em sua miserável universalidade, levando sobre si o peso maciço de todas as suas dores, um peso que é presidido pela grande, soturna, maciça e muito nossa Morte.
E, só os fotógrafos podem nos mostrar esses momentos...
* Esta crônica é dedicada a João Maria Alves, Giovanni Sérgio, Canindé Queiroz e Claudinei Bôas

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Foto: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhtecv9xk1tgFD_grz6SxGdfs86E7QIAhFpoCBAoHlY5SwbZCpTU2kAF79vWpaPY_NPJ31iqByqklh-OOhQtz4FAg2ZzRR2rGy_S41mLki6Zf65nuVhslWQMEyDvEHfBoVRB28/s400/10.jpg
As fotos de Bardot quando andava vestida de beleza
Emanoel Barreto

As coisas de jornal, em muitas bancas, anunciam que estarão à venda no Brasil fotos de Brigitte Bardot no esplendor da sua beleza. A Folha Online diz: A atriz francesa Brigitte Bardot, que comemora 75 anos, é tema de uma exposição fotográfica que começa amanhã (9), em São Paulo. A mostra "Brigitte Bardot" traz fotos inéditas e originais da diva, clicadas pelo renomado fotógrafo italiano Marcello Geppetti, um dos precursores do termo paparazzi nos anos 60 e amigo de Bardot. Destaque do site Catraca Livre o evento já passou por vários países e fica no Brasil até o dia 23 de dezembro, na galeria Lourdina Jean Rabieh. A entrada é gratuita e as fotos estarão à venda. Os preços devem variar entre 8 e 14 mil reais cada.

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O Tempo, o velho Tempo, esconde na máscara da Vida os fios de sua trama imensa. E quando o Tempo - que também se chama Depois -, se torna Hoje, vemos que o Passar, que é pai do Tempo, não vem de fora, mas está dentro de nós e nos destroi.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Foto: Divulgação
É preciso cantar, é preciso pintar, é preciso vender...
Emanoel Barreto

"A foto é da obra 'Retrato de um homem, a meia distância, com as mãos na cintura', de Rembrandt, que pode ser arrematado por até R$ 70 milhões", dizia a legenda que transcrevo, tirada da net.

Agora, uma questão: a obra tem valor intrínseco, algo que vai muito além do valor que, miseravelmente, o dinheiro tenta mensurar ou os seus adoradores podem presumir, em suas minúsculas mentalidades que se guiam por cifras.

Nesses leilões ocorre um processo perverso: a obra de arte tem valor pelo valor do dinheiro que ela representa, não pelo seu conteúdo plástico ou visão de mundo imanente. Sei que os grandes pintores - a arte sempre aconteceu assim, ainda hoje é assim - precisa de um benefactor, um mecenas e um marchand. Afinal, a arte deve e precisa ser comercializada. O pintor também tem fome.

O problema é que, coisas bem da nossa condição humana, o processo assume as conotações malíssimas que mencionei quando o valor venal, por efeito ideológico, assume o valor ético da obra e o que se compra não e a obra em si, mas o valor financeiro-mercadológico agregado àquela. Infelizmente, é isso. Mas, adelante. É preciso pintar, é preciso cantar, é preciso vender...

O amigo jornalista Walter Medeiros manda artigo que abaixo publico. Obrigado, Walter.
Emanoel Barreto

Médicos precipitados
--- Walter Medeiros* – walterm.nat@terra.com.br

Um fato que se repete sempre chama a atenção e costumeiramente vira objeto de pesquisa, quando se busca um entendimento mais exato dos fenômenos. Nos últimos tempos vimos tomando conhecimento de afirmações de senso comum em consultórios médicos em reação imediata às pessoas que indagam sobre o uso da auto-hemoterapia. Em muitos casos, a primeira reação do médico ou médica é dizer que não conhece a técnica; e em seguida sentenciam: “deve ter alguém ganhando dinheiro com isso”. Mas quando informados, muitos ficam pletóricos** de vergonha pela afirmação precipitada e passam a se interessar pelo assunto.

A culpa pela ocorrência destas reações não é de todos os médicos, pois embora muitos deles ainda acreditam que são deuses – já que a vida das pessoas está em suas mãos, uma imensa parcela dos médicos já passou para o lado dos humanos. A falha ainda está em grande parte das faculdades de medicina, que preparam seus alunos para serem pessoas arrogantes, “superiores”, importantes (no sentido vulgar da palavra). Mas percebe-se que as próprias entidades representativas da categoria dão margem a um distanciamento da realidade para os seus associados ou filiados.

No caso do desconhecimento da técnica (Auto-hemoterapia é uma técnica que combate e cura doenças com a retirada de sangue da veia e aplicação imediata no músculo), vemos que as faculdades de medicina estão fora da realidade, pois deixam de fazer qualquer referência a uma técnica que tem mais de cem anos que é utilizada. Mesmo que não enquadradas totalmente nos padrões de reconhecimento acadêmicos, pelo menos em parte a auto-hemoterapia tem reconhecimento científico, no que se refere ao Tampão Sanguíneo Peridural, muito utilizado por ocasião de cirurgias.

Quanto ao fato de dizerem que “deve ter alguém ganhando dinheiro com isso”, os médicos refletem a realidade brasileira, onde se acostumaram a ver gente querendo levar vantagem em tudo. Mesmo assim é uma afirmação precipitada perante os ditos pacientes que procuram assistência e desejam saber a opinião daqueles profissionais que deveriam ter as respostas corretas. Mas o mais grave é que esta impressão foi passada para o público também pelo Presidente do Conselho Federal de Medicina, no Fantástico da Rede Globo.

A verdade, entretanto, é que a auto-hemoterapia vem sendo divulgada gratuitamente, através de usuários que se deram bem com o seu uso e reproduzem o DVD do Dr. Luiz Moura sobre o assunto. A reprodução e distribuição do DVD é autorizada com uma única condição: que a distribuição seja totalmente gratuita. Desta forma, quem ganha com a auto-hemoterapia são as pessoas que esbarraram nas limitações oficiais da medicina e experimentaram uma técnica que as livra das dores e das enfermidades. Em muitos casos orientados pelos seus médicos, que discordam da caça às bruxas feita pelas autoridades de saúde (CFM e ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em detrimento da saúde pública.
---
* Walter Medeiros é jornalista profissional

Leia mais sobre o assunto no link
http://www.rnsites.com.br/auto-hemoterapia.htm

sábado, 5 de dezembro de 2009

Foto: http://discernimentocristao.files.wordpress.com/2009/08/pobreza.jpg
Não é
Emanoel Barreto

Não é por ser comum que deve ser normal.
Não é por ser normal que deve virar lei.
Não é por ser lei que deve ser justo.
Não é por ser justo que deve ser prisão.
Não é por ser prisão que deve ser comum.
Não é por ser comum que deve ser normal.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Imagem: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjdFmSdXDHd77XbIqYaq0iHzj59Cs6u_CgHCWyFMX6cAT-nXUO5VP2y33jqWC1vSLYL5iK_x4ffYoUWZgVJEnkK3tBNakSes8TdUbAGXGvYeHugLWEwHsDIQ-VCJChNt3Hi8KxJGA/s400/baco.JPG
Carnatal: o perigoso tributo ao pai Baco, ou os pândegos e a pandemia

Emanoel Barreto

Um pequeno grupo de empresários vai lucrar, e muito, com o Carnatal. Autoridades, as omissas e as coniventes, o que de algum modo é a mesma coisa, estão permitindo que a festa, apesar da gripe suína, seja realizada.

O custo social do risco temo que seja altíssimo. O sistema de saúde de Natal, caso ocorra o pior, não terá condições de enfrentar um surto da pandemia. Mas, pândegos, empresários do Carnatal e autoridades não podem abrir mão do lucro. Os primeiros o lucro da pecúnia, os últimos o lucro político-populista de fazer o que sempre fazem anualmente: dar alarde a uma alegria empacotada, a um fuzuê de emoções que no final pode custar muito caro.

A lógica do lucro, que preside o Poder, não teme em arremessar a situação de risco caótico a toda uma população. Mas, convenhamos, é preciso pagar o tributo ao pai Baco. Afinal, é Carnatal...
PS: só para registro histórico: os hoje abadás, eram chamados, quando o Carnatal começou, de mortalhas...


quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Foto: http://maurilioferreiralima.com.br/wp-content/uploads/2009/08/esgoto.jpg
O Brasil e a engenharia reversa
Emanoel Barreto

Não é preciso ser um grande cientista, algum luminar de engenharia reversa, para saber como funciona a política brasileira. Trata-se, a política brasileira, de um sistema tão claro de fraudes e manipulações que sequer é preciso o seu desmonte para entender-se o seu funcionamento.

Feita toda à base da pequena política, a política dos corredores, dos gabinetes ocultos e das tramas sussurradas, a vida pública nacional é impublicável. Jogos secretos e acertos recônditos são feitos sempre à meia-luz. Trata-se de uma reunião de tratantes, cujos tratados viscosos são acertos de contas, numa contabilidade vergonhosa e plenamente vazia do interesse público.

A propósito, somente a engenharia reversa, aí sim, pode explicar como um país, com tanta corrupção, ainda não afundou por completo no mar de lama em cujas praias se passa uma política de artes tão dolosas.

Como os pares de Arruda, o brasiliense, oremos.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Foto: http://palavrassussurradas.net/wp-content/uploads/porco.jpg
O Carnatal, a gripe suína e o cavalo de Troia
Emanoel Barreto

O Carnatal este ano não será uma festa. O Carnatal é uma ameaça. Ameaça à saúde pública e ninguém parece se dar conta. Ao que temo, estamos nos encaminhando para a realização de um evento de massa em período em que uma pandemia, a gripe suína, é uma ameaça real e iminente, sendo desaconselhada a realização de tais festejos.

Quem se responsabilizará se houver um agravamento de quadro: a Destaque, que promove a festa?; o Governo do Estado?; a Prefeitura? Não, não, ninguém se responsabilizará, esteja certo. As vítimas, sim, sofrerão as consequências.

A gripe suína é uma espécie de cavalo de Troia que estamos trazendo para Natal de forma inconsequente. Mesmo ante o perigo de contágio, que qualquer pessoa de bom senso mediano pode detectar. A rede hospitalar da cidade não está apta a atender massivamente. Os jornais precisam tomar um posicionamento, a sociedade civil deve se manifestar, a fim de impedir a realização do Carnatal. Antes que sejamos levados a uma pocilga de dor, desespero, sofrimento.
...

Transcrevo abaixo texto que me foi enviado por Newton Ramalho Junior, jornalista, relatando posição da Sociedade Riograndense do Norte de Infectologia. Segundo o jornalista, o documento diz:


Natal, 30 de novembro de 2009.


Em resposta à solicitação da Promotoria de Justiça e Defesa da Saúde Pública e
da Secretaria Estadual de Saúde Pública do Rio Grande do Norte, para um parecer técnico sobre os riscos da realização do Carnatal em relação à pandemia de Influenza A
H1N1, a Sociedade Riograndense do Norte de Infectologia (SRNI) reuniu-se às 17 horas
do dia 29 de novembro de 2009 e deliberou o seguinte documento:

Considerando o crescente número de casos graves e óbitos em âmbito regional a partir da semana epidemiológica 41 de 2009;

Considerando que muitos dos casos graves necessitam de assistência ventilatória e, consequentemente, internação em leitos de Unidades de Terapia Intensiva;

Considerando que todos os casos internados devem ter isolamento respiratório,
em quartos privativos, com vedação de portas, boa ventilação e, preferencialmente, com pressão negativa;

Considerando que a disponibilidade dos leitos supracitados é insuficiente para
atender a demanda atual e, portanto, não daria suporte a um aumento do número de casos;

Considerando que toda aglomeração humana é propícia para disseminação das
doenças de transmissão aérea;

Considerando que não há recomendação para o uso de máscaras em ambientes
abertos;

Considerando que o número de casos confirmados são referentes aos de maior
gravidade, já que não são realizados exames confirmatórios dos indivíduos sem critérios de gravidade e que, sendo assim, não sabemos a real taxa de ataque do vírus;
Considerando que o período de transmissibilidade da doença se inicia um dia
antes dos primeiros sintomas e persiste até o sétimo dia;

Considerando que a aplicação da vacina em massa é a mais eficaz forma de
prevenir o avanço da pandemia;

Considerando que todos os pontos levantados neste documento são condizentes
com as recomendações do Ministério da Saúde e da Organização Mundial de Saúde, emitimos o seguinte parecer:

A realização do evento denominado Carnatal pode aumentar consideravelmente
o número de casos, assim como qualquer outra forma de aglomeração humana. Pelo
mecanismo de transmissão da doença, espera-se que o risco seja diretamente
proporcional à intensidade da aglomeração.

A rede assistencial do Rio Grande Norte é deficiente e necessita de melhorias
para atender a demanda atual, podendo a situação se agravar substancialmente com uma
possível elevação da incidência de doentes graves.

É essencial que os gestores locais adquiram vacina para proteger a população do RN imediatamente, pois o período anual de incidência da influenza sazonal local, difere das regiões Sul e Sudeste do país. Enquanto nessas regiões as vacinas poderão ser aplicadas em março ou abril de 2010, no nordeste brasileiro deveríamos ter iniciado a campanha vacinal em outubro.

Recomendamos ainda, que haja veiculação em massa nos meios de comunicação (tv, rádio, jornal, outdoor, etc), sobre as medidas de prevenção da Gripe.

Certos de estarmos cumprindo com nosso dever social, reiteramos a disposição
da Sociedade Riograndense do Norte de Infectologia em contribuir para os
esclarecimentos julgados necessários.
Atenciosamente,
Hênio Godeiro Lacerda
Presidente da SRNI

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Foto: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEi7eozpP3ZoER4dPIFQ-quJzgqTHOxDtn4TWWTpGxtW9L0UUaX3GccMLA8kwNmk2Yww4zt7cbFTA-Ur5-qEn8bCCc4WMtudvynekwJ23VBA7d-EJX6iUS3NdI-s3jxXGqNvaX9k1w/s320/709866-1391-cp.jpg
Coisa pública, cosa nostra
Emanoel Barreto

O desmascaramento de um sistema corrupto liderado pelo governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, reconfirma e requenta o caldo de nossa cultura política. Não há santos nem demônios seja em governo ou oposição: todos são o resultado, em algum grau, do esquema mental vivido por este país: a coisa pública é cosa nostra.

É cosa nostra dos que se valem do Poder para beneficiar-se, tirando proveito do dinheiro que corre à tripa forra nos meios mais altos e mais decisórios. O povo..., o povo? O povo é o povo, ora. E não há oração, nem santo, que salve o povo. Assim sendo, salve a corrupção.

O resultado disso já sabemos todos: ninguém será punido. As imagens de um governador e altos assessores, veiculadas em TV e internet não são verdadeiras. Ah, não? Claro que não: são falsificações, são alucinações, são fatos forjados, mentirosos e a eles não se deve dar crédito.

A coisa pública é cosa nostra. Coisa nossa. Coisa nossa de quem? Deles, ora. Deles, meu santo, deles...

domingo, 29 de novembro de 2009

Foto: Horst P. Horst
Depois que esse tempo passar...
Emanoel Barreto

Uma beleza de letra de Paulinho da Viola.

A razão porque mando um sorriso
E não corro
É que andei levando a vida
Quase morto

Quero fechar a ferida
Quero estancar o sangue
E sepultar bem longe
O que restou da camisa
Colorida que cobria minha dor

Meu amor eu não esqueço
Não se esqueça por favor
Que eu voltarei depressa
Tão logo a noite acabe
Tão logo esse tempo passe
Para beijar você




Imagem: http://www.brasilescola.com/upload/e/Regencia%20de%20DOM%20PEDRO%20BR%20ESCOLA.jpg
Heróico brado retumbante
Emanoel Barreto

Diz a Folha Online: A operação deflagrada ontem pela Polícia Federal para investigar irregularidades no governo do Distrito Federal e o suposto envolvimento do governador José Roberto Arruda (DEM) no esquema de propina para a base aliada na Câmara Legislativa provocou um clima de apreensão em toda a cúpula nacional do DEM.

Único governador do partido, Arruda estava com a exposição em alta na mídia nos últimos meses. Dava entrevistas a grandes veículos de comunicação, com o intuito de valorizar a imagem da legenda em todo o país. Comandará os festejos dos 50 anos da capital
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............

Digo eu, citando o Hino Nacional: você sabe qual foi o "brado retumbante" do povo heróico de que nos fala o hino? É o seguinte: "Dá pra acabar com tanta roubalheira?!!!!"

Resposta: "Dá não! Já estamos muito acostumados, ou melhor, viciados. E esse vício de roubar é coisa incurável. E dane-se o heroísmo do povo..."

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Foto: http://veja.abril.com.br/130900/imagens/veja_essa1.jpg
A mulher como fêmea lasciva
Emanoel Barreto

A modelo Joana Prado, que viveu a Feiticeira na Band, não deixou que um programa exibido em Fortaleza (CE) mostrasse vídeos seus como a personagem ou imagens do ensaio que fez para a revista "Playboy". Joana, que participava do programa ao lado do marido, Vitor Belfort, disse que se sentia mal vendo imagens da época.

"Eu me sinto constrangida quando me vejo dançando porque minha história hoje em dia é totalmente diferente. (...) Se vocês pudessem me respeitar eu gostaria que não mostrassem imagem de Feiticeira ou foto de 'Playboy' porque eu vou me sentir mal", disse a modelo, com a voz embargada, ao apresentador João Inácio, da TV Diário.

Joana falou sobre o seu passado após o apresentador explicar à plateia que uma parte do programa havia sido cancelada a pedido da modelo. "Eu achei que já tinha sido feito um acerto entre a produção e vocês, mas como não houve..."

"Eu tenho coisas mais legais pra falar. Eu tenho três filhos e eu não quero que a referência deles seja essa. Outro dia meu filho falou pra mim: 'Ah mamãe, você dançava de biquíni.' Eu falei, 'eu dançava filho, mas hoje em dia a mamãe vive outra história'", disse Joana.

Na entrevista, Joana ainda disse que a "Casa dos Artistas", reality show do SBT, foi um marco em sua vida. "Foi um momento em que as pessoas puderam ver a Joana pessoa. Eu não ganhei o prêmio de R$ 1 milhão, mas ganhei um prêmio muito maior, que foi esse reconhecimento das pessoas."
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O texto acima é da Folha Ilustrada Online. A personagem da notícia bem poderia ser enquadrada naquele estilo de Nelson Rodrigues de "meu passado me condena". Esse seria o óbvio ululante, do mesno Nelson. Contudo, reconfigurando o olhar sobre a ex-Feiticeira, o que temos? Encontramos um ser humano que em período de juventude, por imaturidade e alienação, deixou-se manipular pela indústria cultural, exibindo sua condição de mulher reduzida ao comportamento de fêmea lasciva.

Hoje como modelo, e apesar do olhar compreensivo, podemos encontrar no seu discurso, de alguma forma, o mesmo discurso dos que pensam pela fórmula meu passado me condena. A repulsa ao que foi, pelo menos ao que fez, é a exposição da vergonha do ser na TV Diário, uma emissora que explora as mais baixas e degradantes filigranas da condição humana.

As atitudes do passado repercutem no presente, e tudo o que fomos ou fizemos é vívido em algum momento do futuro. Não há como escapar. Nosso passado, assim como a sombra, caminha ao nosso lado. Podemos fugir de muitas coisas. Da nossa sombra, não. Mas, não temos culpa de ter uma sombra...


terça-feira, 24 de novembro de 2009

Noturno
Emanoel Barreto

É noite.
Um corvo se mistura, em silêncio, à escuridão, sua amiga.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Foto: http://images.google.com/imgres?
O sol morto de preguiça e a chuva que não quer cair
Emanoel Barreto

Ideias rarefeitas, pensamento quase parado. O mundo está cansado e velho. As novidades das coisas de jornal estão amarrotadas de tanto se repetir: tragédias, bombas, insultos, tramas.

O tempo se esvai e vai em seu passo. Às vezes de tartaruga; noutras, corrida de guepardo.

A tarde está mansinha e o céu meio sonolento de sol, que é quando o sol, por capricho, quer deixar de iluminar para dar lugar a alguma chuva. Dessas chuvas que não têm vontade de chover, entende?
Dessas chuvas miudinhas. E tímidas como meninas que vão se apresentar em seu primeiro recital na escola. Enfim, é isso: estou com ideias rarefeitas e pensamento quase parado. Melhor assim que comentar as velhas e volutas coisas de jornal. Amanhã eu volto.

domingo, 22 de novembro de 2009

Imagem: http://images.google.com/imgres?
O mundo não acaba em 2012. O mundo já acabou. Ou quase isso
Emanoel Barreto

Não, não creio que o mundo acabe em 2012. Seja por objetiva racionalidade, seja porque entendo que não se pode acabar aquilo que já se extinguiu. Às vezes acho que é isso mesmo: o mundo acabou. Por preguiça de se banir o mal, desordem ética, repetição da brutalidade e consumo diário da adrenalina da crueldade e da desumanização. Aí, penso: acho que o mundo acabou.

Veja só: a interminável e inúmera repetição das barbaridades dos governantes, as massas oprimidas pela fome e pelo desespero do existir e pela ansioso temor do que virá dia seguinte, isso não é indicativo de que o mundo acabou? O que não se renova, o que permanece estático na dinâmica da estupdez isso é ou não é o fim mesmo?

A rigor nada há de novo nos jornais, nas coisas de jornal. Talvez até mesmo os jornais devessem deixar de ser veiculados, até segunda ordem. Seja em impresso, TV, rádio ou internet. Por quê? Pelo fato mesmo de que nada há de novo na face da Terra. Cada tragédia, cada grito é apenas o eco de outros milhares de gritos, gritos já antigos, cansados, gritos anciãos, lamentos langorosos de um tempo que se repete.

Sim: o mundo acabou. Nós é que não percebemos. E ficamos a vagar como almas perdidas, deambulando numa eternidade diária que criamos. Enquanto isso não mudar, o mundo continuará acabado. Ou quase isso.


sábado, 21 de novembro de 2009

Rogério Cassimiro - 22.jul.2008/Folha Imagem
Quanto vale e biografia de um homem
Emanoel Barreto

O ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta (PTB) morreu na noite desta sexta-feira aos 63 anos. Ele estava internado no hospital Sírio-Libanês, onde fazia tratamento contra um câncer no intestino.

Celso Pitta foi prefeito de 1997 a 2000 e sua gestão foi marcado por várias denúncias
Em janeiro deste ano, o ex-prefeito foi submetido a uma cirurgia para retirada de um tumor no intestino e, desde então, fazia tratamento com quimioterapia no hospital.


Afilhado político do deputado Paulo Maluf (PP), Pitta administrou a Prefeitura de São Paulo no período de 1997 a 2000. Sua gestão foi marcada por uma série de denúncias. A principal delas foi o esquema de corrupção batizado de "escândalo dos precatórios".

Ele acabou afastado do cargo por 18 dias --sendo substituído por seu vice-prefeito, Regis de Oliveira--, mas retomou o cargo em seguida. Concorreu a deputado federal e perdeu em duas ocasiões, mas manteve sua filiação ao PTB.

Em julho do ano passado, Pitta foi preso pela Polícia Federal durante as investigações da Operação Satiagraha, que investiga crimes financeiros atribuídos ao banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. O ex-prefeito e os demais investigados presos foram soltos depois.

A investigação da PF resultou em uma denúncia do Ministério Público Federal, que acusou Pitta por corrupção passiva, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e organização criminosa. Todos os pedidos foram integralmente aceitos pela Justiça Federal.
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Construímos nossa biografia e nossa imagem cotidianamente. O que fazemos, especialmente aquilo que socialmente se torna exposto em nosso comportamento, e no que dizem a respeito delo, constituem uma espécie de patrimônio pessoal socialmente apropriado. Nossa vida de alguma forma passa a pertencer aos outros, ao juízo coletivo, que é um misto de severidade e leviandade.

Severo, tal juízo o é quando opinião pública injusta incide sobre alguém. Leviano, quando o disse-me-disse espalha rumores, confusões, mentiras a respeito de alguém, seja figura de relevo ou simples mortais sem vida midiática.

A leitura do perfil biográfico de Pitta, que transcrevi da Folha Online, é um deplorável legado à sua memória. O homem, plenamente imantado da condição do político, morre, deixando aos seus filhos a acabrunhada missão de defender um pai que, à nação, era sinônimo de corrupto.

Temos, de alguma forma, uma espécie de missão: agir segundo a ética. Não apenas por ser algo necessário; melhor diria, essencial, ao convívio social, mas também por apreço a si próprio. Quem age em sentido contrário termina por lavar-se com a pegajosa substância que impregna, na política, o gesto feio, a coisa feia, da qual, e todos sabem disso, jamais será possível se livrar.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009


Foto: reprodução
A mulher do presidente ficou nua. Mas ninguém comprou a foto
Emanoel Barreto

Deu na Folha Online: Uma foto da primeira-dama da França, Carla Bruni, posando nua em 1993, tirada pelo fotógrafo de moda Michel Comte, não encontrou comprador em um leilão organizado nesta sexta-feira em Paris, uma vez que o preço máximo oferecido ficou abaixo do preço de reserva.

O preço inicial da fotografia de Bruni, que na época trabalhava como modelo para destacados estilistas, foi fixado em 4.000 euros.

O preço de venda estimado da imagem, leiloada na casa Druot por um colecionador alemão, foi estimado entre 6.000 e 9.000 euros.

No entanto, o maior valor oferecido pelos participantes do leilão foi 5.800 euros, em menos de 90 segundos.


Como era inferior ao preço de reserva, a oferta não foi aceita.
Em abril de 2008, uma fotografia idêntica de Bruni foi vendida na casa Christie's de Nova York por US$ 91 mil.


Dois meses depois de se casar com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, a foto de Carla Bruni gerou enorme interesse entre os meios de comunicação e colecionadores.
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Vivemos, como dizia Guy Debord, a sociedade do espetáculo, da vivência do cotidiano como uma espécie de encenação, comportamentos cifrados, atitudes regidas, expressas em ações inconscientemente mecanizadas.

A rigor, qual o valor, qual a importância essencial da foto de uma mulher nua? Nenhum, pode-se responder sem qualquer reflexão, por mínima que seja. Então, por que a foto, à época de sua divulgação, causou tando alarido? Simples, porque se trata de mulher de presidente de uma das potências mundiais.

Como não é comum que primeiras-damas sejam expostas em situação de nudez, o voyeurismo público tornou-se ávido pela imagem. A suposição implícita de leviandade, de quebra de um presuntivo decoro do papel social de uma primeira-dama, foi o toque de cristal que disparou a curiosidade da mídia, que contrastava seu passado profissional com sua situação posterior.

Passada a onda vem a realidade: é apenas uma foto, mais uma, de beldade expondo seus dotes finamente captados por fotógrafo competente, um artista. Que compôs, como um pintor, o retrato encantador da beleza feminina.

A imagem, que traduz uma espécie de tímida sensualidade - observe a posição dos pés lembrando uma menininha, a contida voluptuosidade da imagem como um todo - sugere encanto, evanescência, sedução maravilhada, alumbramento da modelo e do seu observador.

Artisticamente, é isso. Midiaticamente, apenas uma jogada que, como se viu, não valeu a pena. Ela já declarou que não renega o passado e o marido parece estar muito bem com a mulher. Afinal, como dizia antigo ditado, tanto faz ver como saber que tem.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Foto: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhyXqt72NeNWDqKmgsPVuYgZ3C3SSACPLSWMAImCYJi3DRVoi-fk1KE1_Ouj9Bi5omHuVM-UKNIZtdJds0GKo5VjI1aJH1eVY2XZTwwmqrmxZ23uLrKBA6_q69JHwsF6fH8lboi/s400/Cascavel_sul2.jpg

O fim da peçonha
Emanoel Barreto

O Brasil quer valorizar suas credenciais diplomáticas promovendo a reconciliação no Oriente Médio, ao receber na semana que vem o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, apenas duas semanas depois de uma visita do presidente de Israel, Shimon Peres.

O diálogo Brasil-Irã conta com o apoio do governo americano, já que, segundo autoridades brasileiras, o presidente Barack Obama pediu em março ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que conversasse com Ahmadinejad.

"Acreditamos que é muito mais importante manter um diálogo com o Irã do que simplesmente dizer não, deixá-los estigmatizados e isolados", disse Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, semana passada a jornalistas no Rio. "Obama disse que um diálogo entre o Irã e o Brasil é importante."

Obama tem dito que o tempo está se esgotando para que a diplomacia resolva o impasse em torno do programa nuclear iraniano, que potências ocidentais suspeitam estar voltado para a produção de armas atômicas. Teerã afirma que seu objetivo é gerar eletricidade para fins civis.
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Pincei os trechos acima da Folha Online. Ali está indicado, por implicação, que a diplomacia brasileira aproveita o momento histórico favorável para alavancar a presença do país como ator proativo no cenário internacional. Por decorrência da gravidade política, afigura-se o presidente Lula como figura central na tratativa de impasses entre as nações.

Os jornalões afirmam que Lula, após cumprido o mandato, teria interesses em passar a integrar os quadros da ONU como interlocutor privilegiado, tornando sua figura histórica bastante sobrelevada. Lula estaria também sonhando em ser o próximo Prêmio Nobel da Paz, é o que dizem as ilações dos grandes jornais brasileiros.

Especulações à parte, há um dado concreto. E este vem dos Estados Unidos: a preocupação de Obama com o arsenal nuclear do Irã. É válida a preocupação, pois o mundo está precisando de civilização, o que pode-se ler como paz, respeito humano, alimentos, equilíbrio, justiça social...

Mas, por outro aspecto, há um dado paradoxal: por que os Estados Unidos têm tal preocupação? Afinal, são o país como o maior potencial destrutivo do planeta. Desmanche do enigma: os EUA sim, podem ter armas nucleares, os outros, não. Percebe o paradoxo? Eles são o bem, as armas em seu poder estão em mãos responsáveis. O "perigo" está nos outros...

O discurso, em si, é vazio, pois não implica destruição das armas atômicas, mas, tão-somente, o desarme dos demais países. Assim, fica mesmo difícil conversar. As bombas devem ser varridas da face da Terra, claro. Mas, o discurso americano é falso. Seria como a cascavel pregando o fim da peçonha.


quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Foto: http://anyg.on/Guest/
Mais que mil palavras
Emanoel Barreto

Não concordo, pelo menos não inteiramente, que uma foto diz mais que mil palavras. Todavia, esta encerra, à perfeição, o sentido da frase. A partir dela, pode-se estimar como vive e a que tipo de pessoa este homem foi reduzido. Estima-se todo o sistema de brutalidade econômica que o levou a tal situação.

Ele traz a reboque todas as suas dores, sua fome de justiça, sua alma, quem sabe, em desalento. Alma que, apesar de tudo, o faz ter forças para caminhar por um mundo em desumanização e fartamente vazio de respeito ao Homem.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Imagem: http://static.blogstorage.hi-pi.com/photos/vidareal.spaceblog.com.br/images/gd/1207314884/
O olhar
Emanoel Barreto

O olhar é o além do visto.
O olhar é a visão do que se oculta ao plenamente visto.
O olhar é perplexidade, alumbramento, pergunta...
O olhar é parte do enigma.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Foto: http://stream.agenciabrasil.gov.br/media/imagens/2008/10/28/1800JM8864.image_media_horizontal.jpg
Folha de S. Paulo: apagão informativo
Emanoel Barreto

A Folha insiste em manter na agenda pública o apagão. Mas coloca em segundo plano a queda de parte das obras do Rodoanel em São Paulo. Trata-se de manipulação do noticiário. Há uma busca permanente de colocar a questão da energia como em situação de perigo continuado, enquanto se coloca para baixo do tapete noticioso a situação - essa sim, perigosa - de construção malfeita.

O mesmo aconteceu em 2007, quando ruíram parte das obras do Metrô de S. Paulo e o fato teve tratamento editorial benevolente. É sumamente perigoso quando o maior jornal nacional de referência assume, de forma dissimulada, uma falsa objetividade e insiste em atacar um problema, em si uma eventualidade, em vez de voltar sua artilharia de imprensa contra algo, esse sim, lamentável, uma vez que envolve corrupção: a obra está sendo feita fora dos padrões da boa engenharia, é o que informa o próprio jornal, sem, contudo, cobrar em editorial firme uma resposta do governo Serra.
Enquanto isso, o apagão continua ob os holofotes do jornal.

domingo, 15 de novembro de 2009

Foto: http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2040/imagens/i79739.jpg
Um ciúme muçulmano
Emanoel Barreto

Tinha da Mulher um ciúme muçulmano. Um ciúme feito de lençóis. Fino e enlaçante como um abraço no silêncio cúmplice da noite. Noite de plenilúnio. Um ciúme delicado, tecido ao longo das páginas de um pergaminho construído de tempo. Tinha da Mulher um ciúme muçulmano. Daqueles que são feitos de aparições contínuas. Um ciúme namorado, diferente, protetor como uma tenda. Oásis.

Tinha da Mulher um ciúme muçulmano. Um ciúme que não segue os passos, porque já conhece e confia em todos os caminhos. Às vezes ficava parado, sentado à sombra de uma palmeira marroquina, observando o caminhar das caravanas que seguem caminhos feitos de distante.

A Mulher era feita de princesa e paz, gestos no ar fino da manhã de aurora. Depois, Ela se compunha, feita de acordes. Acordes em perfeito maior. O estranho naquele Casal era o seu silêncio calmo. Um silêncio que seguia sempre. E surgia nas curvas da vida como um momento que não tem minutos, como um instante que não tem segundos. A pausa do violino que espera um lá. Gesto de maestro que virou semínimas.

Para o Casal o tempo não passava, pois seu todo tempo era eternidade e eternidade é um tempo sem fim. Como nave grega que procura Ítaca. A Mulher, menina, estava companheira. Fazia-se de tarde, quando se queria a noite; sentia-se manhã, quando se queria dia. Um dia inteiro, permanente instante. E o sol, amigo, só tinha estrelas. Como se fosse lua, crisálida de luar.



O amigo, jornalista e poeta Walter Medeiros me envia e publico abaixo o que se lê.
Obrigado, Walter.


SEMENTES
Walter Medeiros

Um dia as traças comeram um livro
E o livro foi embora para sempre
Deixando cá em mim uma semente,
Algo bem forte, duradouro e vivo.

Neste amanhecer que chega diferente
Hoje busco na memória um lenitivo
Pra rever certo passado tão ativo,
Animando vez por outra minha mente.

Nem a Internet me traz em um arquivo
Sobre amor e amizade, um incentivo
Nesta tela tão bela em minha frente;

Pois queria encontrar aqui, latente,
Aquele texto que se foi em frente
E nunca mais o li, mas bem cativo.