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domingo, 2 de janeiro de 2011

ADEUS 2010, FELIZ 2011
--- Walter Medeiros –

Os raios da manhã surgiram mansos e amistosos com a brisa que vinha da praia, pelas dunas da minha cidade, Natal. Acordado, confiro o Céu azul que prenuncia um 31 de dezembro ameno, em 2010. E ando para esperar a chegada de 2011. É hora de ir à rodoviária deixar o filho Breno, a nora Danielle e a neta Letícia (seis meses) que embarcariam para João Pessoal, pois é lá que mora o pai dela; o Natal, passaram conosco. As ruas ainda estavam pouco movimentadas e a rodoviária em obras, mas repleta de gente, cada pessoa com seu semblante único. 

No adeus à neta e seus pais, a reflexão daquele local de onde parti tantas vezes para tantos lugares: São Paulo, Brasília, Salvador, Fortaleza, João Pessoa. Numa dessas viagens, tarde da noite de domingo, lembro que o ônibus passou por uma rua cheia de bares, onde se via grupos embriagados com trejeitos do ridículo do pseudo-prazer. Na calçada escura, a fila de mendigos dormindo o sono dolorido dos mais excluídos. No Céu, uma estrela anunciando o fim de dezembro do Menino Jesus, como que guiando ainda hoje os Três Reis Magos.
Naquela reflexão pensei: como aquele chão de rodoviária guarda tantas emoções vividas, histórias sentidas, tristes despedidas. Quantos sonhos na chegada, sonhos na partida, histórias de vida, quantas pessoas ali. Lembro que na primeira despedida guardava cada instante daquela viagem elegante, e um momento tão sofrido. Lembrei da tristeza que senti no embarque do meu irmão, quando morava tão longe; não há maior solidão. De repente, vemos cenas daquelas de Casablanca, paixões, entregas francas, cheias de vida... povo enchendo toda área, momentos que se passam, tantos destinos se traçam no chão da Rodoviária.
Ali lembrei de certo 31 de dezembro em que umas nuvens branco-rosa passaram no fim da tarde, enquanto os passarinhos voam alvoroçados, em meio ao colorido das flores dos jardins. Numa esquina, um carro caridoso, de mala aberta, saciava a fome dos miseráveis dos canteiros, que mostram a injustiça social oficializada. O Ano Novo já chegou em alguns lugares, talvez levando novas esperanças aos lares, apesar de ameaçarem tanto à paz. Quando o novo dia despontar, festivo, quem sabe se um sino não vem anunciar uma nova vida, com grande motivo, para que surja o mundo melhor, onde a paz e o amor estejam bem vivos.

Aquelas mãos acenando, o ônibus seguindo no rumo da BR, agora é hora de dar adeus também para 2010, esperando que as reflexões sobre ele se façam lentamente, se for preciso. Mas a hora é de apresentar os nossos votos de Feliz Ano Novo em cada canto e das mais variadas formas. Para os parentes, amigos, vizinhos, conhecidos e desconhecidos, o desejo de que 2011 seja um ano bom, que cada um consiga dias melhores, conquiste seus sonhos, realiza suas aspirações, viva um período de muita prosperidade, felicidade, alegria e paz.
*Jornalista

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Bela página musical
Walter Medeiros*
 
Um momento muito emocionante da música potiguar foi exibido na quinta-feira, 11.11.2010, quando a TV-U apresentou o belo programa Memória Viva com a entrevista de Terezinha de Jesus a Tarcísio Gurgel, Leide Câmara e Enock Domingos. Uma trajetória de vida digna de registro, da menina do interior que na capital descobriu seus dotes musicais e na cidade grande transformou-se em musa do Brasil inteiro.

Aquelas canções dos sucessivos discos de Terezinha de Jesus (que tinha o apelido, entre os amigos, de “Tiazinha” ainda nos anos setenta) têm um significado único na história da música brasileira. Trata-se de um padrão que só ela, com a sua voz encantadora e aquele vigor estonteante poderia soltar e embalar tantas platéias.
Terezinha de Jesus fez parte de um momento musical muito frutífero, no qual ela garantiu presença entre os melhores. Em alguns instantes, inclusive, teve seu apogeu, tornando-se o destaque em todo o país. Tivemos a sorte de observar atentamente aqueles dias de maior glória da nossa conterrânea, cujas qualidade musicais não a fizeram um simples produto, mas sim uma artista de verdade.

Durante a entrevista, Tarcísio Gurgel fez uma pergunta cuja resposta já sabia que não seria tão fácil: por que Terezinha de Jesus resolveu deixar o Rio de Janeiro em voltar a morar em Natal, onde reside até hoje? Tranquila, simples e humilde, a entrevistada explicou que depois de um tempo diminuíram as apresentações, acabou o contrato com gravadora e, espelhando-se em exemplo de artistas que voltam para suas terras e ficam viajando para realizar os trabalhos, resolveu voltar. E completou que os convites não apareceram mais.
Depois dessas explicações, no entanto, a cantora de “Vento Nordeste”, “Prá incendiar teu coração” e tantos outros sucessos foi incisiva e expôs aquele mesmo vigor de quando animava as multidões com imensa energia, para dizer da sua certeza de que desejava fazer muito mais na sua profissão. E disse que ainda deseja fazer muito mais, tanto que continua cantando e agora é também, compositora.

Diante daquela revelação, a pesquisadora e entrevistadora Leide Câmara registrou que o sucesso de Terezinha de Jesus foi todo calcado em discos de vinil. Por isto, aproveitou para defender que é hora de gravar um CD, uma nova peça que falta na carreira da artista. Uma idéia oportuna e que precisa ser posta em prática. Terezinha de Jesus merece viver esse novo momento, com novos sucessos. Seu público também merece e espera. E sua trajetória nos deixa a certeza de que estará, com essa gravação, escrevendo mais uma bela página da história da música.
*Jornalista

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

História do rádio
Walter Medeiros* – waltermedeiros@supercabo.com.br

A vida de Natal e do Rio Grande do Norte através de muitas décadas, contada pelas próprias pessoas que a viveram, num emocionante exercício de história, recordação, emoção e saudade. Talvez assim possamos definir o trabalho dedicado, contínuo e de valor inestimável dos profissionais que compõem o quadro do programa Memória Viva da TV Universitária, que vai ao ar às quintas-feiras, a partir das 19:00 horas e aos domingos, a partir das 16:00 horas.

Sob o comando do escritor, professor de Letras da UFRN e jornalista Tarcísio Gurgel, uma hora é sempre pouco para os convidados contarem suas vidas e suas histórias, de forma descontraída. Esses convidados são sempre selecionados entre pessoas que tiveram e têm destacada participação nos mais variados setores da sociedade potiguar. São pessoas de todos os extratos, que formam um verdadeiro quebra-cabeça do tempo, e ao final deixam sempre uma sensação de harmonia, beleza e vitalidade.
 Através daquele programa podemos ter acesso privilegiado a muitas histórias, que certamente corriam o risco de se perder no tempo pela falta de registro, muitas delas em vista do fato de seus próprios protagonistas não lhes atribuírem o grande valor que têm. 

Como pequenos detalhes de aspectos da cidade em cada época. Através dos anos, dos bairros, das ruas, de tantos logradouros e monumentos, vamos conhecendo a vida de Natal, com seus encantos, seus dramas, suas divergências e convergências, sua importância universal.

Assim já vimos contar suas histórias: políticos, profissionais liberais, esportistas, artistas, comerciantes, industriais, educadores e uma sequência bastante qualificada de pessoas, que sempre prendem a atenção do telespectador. Esta curiosidade é aguçada pelo formato do programa, que inclui a participação de dois convidados escolhidos por cada entrevistado, normalmente pessoas com as quais conviveram muitos dos episódios que são narrados.

Fui surpreendido pelo convite para entrevistar o jornalista e radialista Adamires Furtado, ao lado do também jornalista e radialista Wellington Medeiros, meu irmão, e de Tarcísio Gurgel. Uma concatenação da natureza findou me colocando nessa condição de entrevistador. Mas alguém que acompanhou a amizade que sempre tivemos eu e Adamires, nos tempos da Rádio Cabugi, ao saber da gravação, exclamou: “Tinha de ser você!”.

A entrevista vai ao ar nos dias 18 de novembro, a partir das 19:00 horas e 21 de novembro, a partir das 16:00 horas. Aí, por mais que tenhamos vontade de adiantar os assuntos que foram abordados na entrevista, Wellington e eu não podemos revelar nada. 

Nem precisou Tarcísio pedir, pois é assim mesmo que funcionam esses compromissos tácitos do embargo jornalístico. Mas podemos garantir que Adamires contou muitas passagens interessantes e até engraçadas da sua vida e que sua entrevista será uma importante página da história do rádio potiguar.
*Jornalista

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Mensagem deixada no orkut de Nilo Santos, que aniversariaria hoje, mas faleceu
recentemente.


Nilo Santos
--- Walter Medeiros


Que mistério, esta vida, esta grande via,
Tempo que muda de cara, qual magia,

Tempo de mudanças, de tecnologia,

Tempo que a gente nem imaginou um dia.


Um dia achamos fascinante a tipografia,
Que o off set aposentou sem piedade,

Pois cada tempo traz as suas novidades,
Como a fascinante informática, que viria.

E a nossa maquininha de escrever,

Que não era arma, mas sagacidade

Para nossas lutas pela liberdade,

Que um dia afinal vimos nascer.


Mas agora, nesse dia, mais surpresa,
Para quem a internet agora curte,

Você está aqui no seu Orkut,

Que na convivência é uma beleza.

 Mas não responde mais nossas mensagens,

Está mudado, construindo outra história,

Restando a nós apenas a memória

Daquelas tuas belas reportagens.