http://pluralidade.files.wordpress.com/2009/03/caso-nardoni.jpg
O silêncio dos desgraçados
Emanoel Barreto
Passsada a fase sencacionalista do julgamento e condenação de Alexandre Nardoni e Ana Carolina Jatobá, o casal entrará para o que poderia ser chamado de o silêncio dos desgraçados. Trata-se, em todos os casos, de um acontecimento perverso: das suas origens hediondas até o comportamento jornalístico, que elevou a níveis de histeria a comoção do senso comum.
De alguma forma houve uma catarse coletiva, quando todos os males da nossa sociedade foram como que purgados na condenação dos dois. Crime houve, punição deve haver. Todavia, não é papel do jornalismo exarcerbar o tumulto dos ânimos populares. Se o Direito é manifestação de civilidade, o grito das multidões não deve servir, como mercadoria, às empresas jornalísticas para faturar audiência.
O silêncio dos dois desgraçados, seu calabouço social, deveria ser a pena em si. Jamais a imprensa agindo como falsa consciência desse mesmo social.
"Não é justo alguém ter o direito de ter uma empresa de aviação e outro não ter o direito de comer um pão." /////// JAMAIS IDE A UM LUGAR GRANDE DEMAIS. A UM LUGAR AONDE NÃO TENHAIS CORAGEM DA IMENSIDÃO - EMANOEL BARRETO - NATAL/RN
domingo, 28 de março de 2010
quinta-feira, 25 de março de 2010
Amigas e Amigos,
Tenho andado muito ocupado. Assim, não posso atualizar o Coisas de Jornal diariamente. Espero voltar a fazê-lo a partir deste fim de semana.
Abraços,
Emanoel Barreto
Tenho andado muito ocupado. Assim, não posso atualizar o Coisas de Jornal diariamente. Espero voltar a fazê-lo a partir deste fim de semana.
Abraços,
Emanoel Barreto
terça-feira, 23 de março de 2010
Acredito
Emanoel Barreto
Acredito na força das mãos que trabalham
o silêncio cúmplice dos que querem viver a sós.
Acredito nesse silêncio que
fala vozes invisíveis.
domingo, 21 de março de 2010
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Caras Amigas,
Caros Amigos,
Era uma vez, Pobre. Pobre era um sem-teto, sem-tudo, sem-nada, sem lenço e, principalmente, sem documento. "Sem documento", terrível e essencial detalhe. Esse foi seu grande erro: nunca ter tirado documento. Mas também pra quê? Ninguém sabia mesmo quem era ele...
Mas foi assim que, certa noite, deitado ao lado de amigos, sentindo o cheiro forte da cachaça de Marimba, velho companheiro de dias de fome, noites de frio, relento e abandono, Pobre morreu. Simplesmente, morreu. Esquecido e anônimo, foi recolhido como indigente e despejado numa vala. Sem nome, sem choro nem vela.
Chegando ao Outro Lado, encaminhou-se ao Departamento de Recepção, onde uma simpática velhinha o recebeu. Deu-lhe as boas-vindas, garantiu que ali finalmente ele seria feliz e disse para ele se encaminhar ao Setor de Cadastro. Pobre obedeceu, cabisbaixo e calado, como sempre. Lá chegando, o funcionário, um fantasma grandão, olhar de desagrado, pediu:"Documento." O problema é que Pobre, lembram?, não tinha documento algum.
Disse: "Tenho não."
O homem insistiu:"Documento."
"Que documento o senhor quer?"
O outro repondeu: "Certidão de óbito. Sem isso, nem vem que não entra."
Pobre quis saber se poderia conseguir algo, um registro provisório, alguma coisa assim. A resposta foi "não. Aqui é a eternidade, sabia? A eternidade é o para sempre do nunca mais. Não tem meio termo, nada é provisório."
Pobre perguntou então o que deveria fazer. Era muito simples, disse o homem: "Você volta, e lá no mundo você consegue o atestado de óbito. Vem para cá e entra. Vá logo, que a eternidade não espera por ninguém."
Pobre fez um esforço enorme para sair da cova rasa e, quando conseguiu chegar à superfície, estava em meio a um temporal. Calado, acostumado ao sofrimento, sofrido e abatido, encaminhou-se a uma rua deserta e ali passou a noite, deitado sob uma marquise. Dia seguinte, saiu perambulando pela cidade, à procura de uma certidão de óbito.
Foi primeiro a uma repartição pública, onde eram atendidos mendigos e explicou sua situação. Disse que tinha morrido, estava com pressa para ir para o Outro Mundo, mas os funcionários disseram que, mesmo entendendo sua situação, nada podiam fazer. Não dava para atender quem já tinha morrido. Gente morta era com o pessoal da Prefeitura, que cuidava de enterrar desvalidos. Sentiam muito.
Pobre foi até um Departamento qualquer da Prefeitura e nada. Também ali não atendiam os mortos. Pobre saiu caminhando, caminhando, até chegar a outra repartição. Ali causou sensação. Uma funcionária, toda apressadinha, anunciou aos colegas que ali estava um "morto legítimo, já pensou? Juntou gente, formou-se confusão. Um vereador que ia passando manifestou-se sensibilizado e disse que faria um pronunciamento na Câmara, em favor dos mortos sem documento. O pessoal de uma ONG se propôs a fazer uma manifestação de protesto, pois os mortos também têm direitos humanos e não podem ficar por aí, largados.
O alarido era enorme, até que uma radiopatrulha que passava, parou. Os soldados queriam saber o que se passava e logo chegaram até Pobre, que já estava desesperado e queria fugir, pois o vereador já conclamava a multidão a uma passeata reivindicatória e gritrava: "Os mortos/Unidos/Jamais serão vencidos!" Gente já pensava em se suicidar para unir-se organicamente à mobilização mortuária.
Pobre entrou em pânico e dizia: "Eu só quero meu atestado de óbito." Mas de nada adiantava. As pessoas só queriam saber "como era do outro lado e como ele havia voltado." O sargento que comandava a radiopatrulha, vendo que se tratava de um morto e, pior, de um morto desordeiro, resolveu prendê-lo. Mas, foi advertido pelo pessoal da ONG de que Pobre não estava promovendo o tumulto, era vítima dele. Assim, não poderia ser preso. Se fosse em cana, tome protesto.
Nisso, o sargento teve uma idéia, a solução para prender Pobre e acabar com a confusão. E disse: "O senhor esteje preso."
"Mas como?", quis saber o vereador. Este morto não fez nada. Morrer é crime?"
O sargento insistiu: "Morrer, pode. Morrer não é crime. Mas, no caso, trata-se de um zumbi. Zumbi é proibido. Zumbi só é permitido no Haiti e nosso país não quebrou essa patente nem tem verba para comprar os direitos de produzir zumbis. O senhor é um zumbi. Está dando alteração. Portanto, esteje preso."
Emanoel Barreto
Caras Amigas,
Caros Amigos,
Era uma vez, Pobre. Pobre era um sem-teto, sem-tudo, sem-nada, sem lenço e, principalmente, sem documento. "Sem documento", terrível e essencial detalhe. Esse foi seu grande erro: nunca ter tirado documento. Mas também pra quê? Ninguém sabia mesmo quem era ele...
Mas foi assim que, certa noite, deitado ao lado de amigos, sentindo o cheiro forte da cachaça de Marimba, velho companheiro de dias de fome, noites de frio, relento e abandono, Pobre morreu. Simplesmente, morreu. Esquecido e anônimo, foi recolhido como indigente e despejado numa vala. Sem nome, sem choro nem vela.
Chegando ao Outro Lado, encaminhou-se ao Departamento de Recepção, onde uma simpática velhinha o recebeu. Deu-lhe as boas-vindas, garantiu que ali finalmente ele seria feliz e disse para ele se encaminhar ao Setor de Cadastro. Pobre obedeceu, cabisbaixo e calado, como sempre. Lá chegando, o funcionário, um fantasma grandão, olhar de desagrado, pediu:"Documento." O problema é que Pobre, lembram?, não tinha documento algum.
Disse: "Tenho não."
O homem insistiu:"Documento."
"Que documento o senhor quer?"
O outro repondeu: "Certidão de óbito. Sem isso, nem vem que não entra."
Pobre quis saber se poderia conseguir algo, um registro provisório, alguma coisa assim. A resposta foi "não. Aqui é a eternidade, sabia? A eternidade é o para sempre do nunca mais. Não tem meio termo, nada é provisório."
Pobre perguntou então o que deveria fazer. Era muito simples, disse o homem: "Você volta, e lá no mundo você consegue o atestado de óbito. Vem para cá e entra. Vá logo, que a eternidade não espera por ninguém."
Pobre fez um esforço enorme para sair da cova rasa e, quando conseguiu chegar à superfície, estava em meio a um temporal. Calado, acostumado ao sofrimento, sofrido e abatido, encaminhou-se a uma rua deserta e ali passou a noite, deitado sob uma marquise. Dia seguinte, saiu perambulando pela cidade, à procura de uma certidão de óbito.
Foi primeiro a uma repartição pública, onde eram atendidos mendigos e explicou sua situação. Disse que tinha morrido, estava com pressa para ir para o Outro Mundo, mas os funcionários disseram que, mesmo entendendo sua situação, nada podiam fazer. Não dava para atender quem já tinha morrido. Gente morta era com o pessoal da Prefeitura, que cuidava de enterrar desvalidos. Sentiam muito.
Pobre foi até um Departamento qualquer da Prefeitura e nada. Também ali não atendiam os mortos. Pobre saiu caminhando, caminhando, até chegar a outra repartição. Ali causou sensação. Uma funcionária, toda apressadinha, anunciou aos colegas que ali estava um "morto legítimo, já pensou? Juntou gente, formou-se confusão. Um vereador que ia passando manifestou-se sensibilizado e disse que faria um pronunciamento na Câmara, em favor dos mortos sem documento. O pessoal de uma ONG se propôs a fazer uma manifestação de protesto, pois os mortos também têm direitos humanos e não podem ficar por aí, largados.
O alarido era enorme, até que uma radiopatrulha que passava, parou. Os soldados queriam saber o que se passava e logo chegaram até Pobre, que já estava desesperado e queria fugir, pois o vereador já conclamava a multidão a uma passeata reivindicatória e gritrava: "Os mortos/Unidos/Jamais serão vencidos!" Gente já pensava em se suicidar para unir-se organicamente à mobilização mortuária.
Pobre entrou em pânico e dizia: "Eu só quero meu atestado de óbito." Mas de nada adiantava. As pessoas só queriam saber "como era do outro lado e como ele havia voltado." O sargento que comandava a radiopatrulha, vendo que se tratava de um morto e, pior, de um morto desordeiro, resolveu prendê-lo. Mas, foi advertido pelo pessoal da ONG de que Pobre não estava promovendo o tumulto, era vítima dele. Assim, não poderia ser preso. Se fosse em cana, tome protesto.
Nisso, o sargento teve uma idéia, a solução para prender Pobre e acabar com a confusão. E disse: "O senhor esteje preso."
"Mas como?", quis saber o vereador. Este morto não fez nada. Morrer é crime?"
O sargento insistiu: "Morrer, pode. Morrer não é crime. Mas, no caso, trata-se de um zumbi. Zumbi é proibido. Zumbi só é permitido no Haiti e nosso país não quebrou essa patente nem tem verba para comprar os direitos de produzir zumbis. O senhor é um zumbi. Está dando alteração. Portanto, esteje preso."
Emanoel Barreto
sexta-feira, 19 de março de 2010
Caras Amigas,
Caros Amigos,
Volto a escrever na próxima semana.
Emanoel Barreto
Caros Amigos,
Volto a escrever na próxima semana.
Emanoel Barreto
domingo, 14 de março de 2010
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A política é dama mobile
Emanoel Barreto
O anúncio de que quarta-feira próxima será divulgada pesquisa em Dilma está um ponto acima de Serra demonstra o quanto é fátua e volúvel a opinião social a respeito do que sejam a política e seus atores principais.
Tudo varia entre a visibilidade e reconhecimento de alguém no cenário como enquadrado a um perfil positivo, em detrimento de outrem antes visto como dotado de virtù, muito embora tal virtù fosse algo difuso e não bem especificado ante o olhar público.
Quero dizer: quando Dilma ainda era uma espécie de desconhecida coroada, Serra, por já contar com capital simbólico, estava na dianteira. Após, quando a mesma Dilma passou a ser ocupante do pálio presidencial, cujas virtù e fortuna a beneficiaram, ela ascende aos refletores principais e começa a cantar a sua ária.
Tudo, entretanto, é volúvel. A política, como na ária famosa, é dama mobile; e, claro, os embates estão apenas começando. Todavia, é preciso, quanto ao momento atual, a constatação: Dilma, imantada pelo prestígio de Lula, agora passa a encarnar um ator político onde o olhar social encontra refletido o prestígio e as qualidades que, do líder, passaram à liderada.
O ser coletivo chamado povo, com isso, encontra, de forma gasosa, não bem especificada, alguém com potencial de confiabilidade. Quanto a Serra, o que o levara até então a obter bons resultados nas pesquisas? O que já foi dito: capital simbólico, coisa que faltava a Dilma.
Serra detém exposição midiática reiterada e bem anterior à de Dilma. Por isso, ser famoso, tinha vantagem. Não por uma mensagem específica, que o apresentasse como um condottiero salvacionsta ante um governo de desacerto - até porque o governo tem-se saído bem no enfrentamento de crises.
Agora, quando ela ascende e traz agregada a si a figuração de um governo que, queiram ou não, vem dando certo, será preciso um discurso forte para fazer a sua contestação. É de conteúdo que estou falando. Vamos esperar os números da pesquisa e, o mais importante em termos de comunicação, uma nova pesquisa.
A política é dama mobile
Emanoel Barreto
O anúncio de que quarta-feira próxima será divulgada pesquisa em Dilma está um ponto acima de Serra demonstra o quanto é fátua e volúvel a opinião social a respeito do que sejam a política e seus atores principais.
Tudo varia entre a visibilidade e reconhecimento de alguém no cenário como enquadrado a um perfil positivo, em detrimento de outrem antes visto como dotado de virtù, muito embora tal virtù fosse algo difuso e não bem especificado ante o olhar público.
Quero dizer: quando Dilma ainda era uma espécie de desconhecida coroada, Serra, por já contar com capital simbólico, estava na dianteira. Após, quando a mesma Dilma passou a ser ocupante do pálio presidencial, cujas virtù e fortuna a beneficiaram, ela ascende aos refletores principais e começa a cantar a sua ária.
Tudo, entretanto, é volúvel. A política, como na ária famosa, é dama mobile; e, claro, os embates estão apenas começando. Todavia, é preciso, quanto ao momento atual, a constatação: Dilma, imantada pelo prestígio de Lula, agora passa a encarnar um ator político onde o olhar social encontra refletido o prestígio e as qualidades que, do líder, passaram à liderada.
O ser coletivo chamado povo, com isso, encontra, de forma gasosa, não bem especificada, alguém com potencial de confiabilidade. Quanto a Serra, o que o levara até então a obter bons resultados nas pesquisas? O que já foi dito: capital simbólico, coisa que faltava a Dilma.
Serra detém exposição midiática reiterada e bem anterior à de Dilma. Por isso, ser famoso, tinha vantagem. Não por uma mensagem específica, que o apresentasse como um condottiero salvacionsta ante um governo de desacerto - até porque o governo tem-se saído bem no enfrentamento de crises.
Agora, quando ela ascende e traz agregada a si a figuração de um governo que, queiram ou não, vem dando certo, será preciso um discurso forte para fazer a sua contestação. É de conteúdo que estou falando. Vamos esperar os números da pesquisa e, o mais importante em termos de comunicação, uma nova pesquisa.
sábado, 13 de março de 2010
Raphael Falavigna/Folha Imagem
A morte de Glauco
Emanoel Barreto
A Folha, onde editava seus cartuns, deixou em branco todos os espaços destinados a esse tipo de material, incluindo a charge editorial. Isso, num jornal cerebral como a Folha, não é pouco. Dá para avaliar o sentimento de perda. Sentimento também manifesto em editorial que, contrariando todos os padrões desse tipo de texto, manifestou-se em um olhar pungente, bastante próximo a uma crônica.
Perdeu-se o poeta, o homem religioso, seguidor do Santo Daime. Perdeu-se, enfim, um ator político. Sim, pois suas charges e cartuns eram pronunciamentos vigorosos, perplexos, revoltados. De alguma forma, como é comum ocorrer com todos os que sentem-se ligados a alguém a quem nunca vimos, mas de cuja convivência participamos na quase interação jornalística diária, sinto que perdi um amigo que sempre me brindava com o toque magistral do seu talento.
quinta-feira, 11 de março de 2010
http://amdpc.files.wordpress.com/2008/03/celular-robo.jpg
Tecnologia – Nokia e Samsung – Exemplos para o Brasil
Publicado por Arnobio Rocha em março 10, 2010
Chegamos mais uma vez a período eleitoral nacional e entramos no debate sobre projetos políticos, ideológicos, agora muito mais com a dupla queda dos muros:Berlim x Washington, abre-se uma oportunidade impar de discutirmos o futuro para nosso país. Gostaria de introduzir aqui uma reflexão que fiz em 2002,mas que vejo que está bem atualizada, sobre tecnologia e como o Brasil pode se inserir neste novo marco mundial, superando as mazelas de nosso passado recente.
Trago dois casos na área de Telecomunicações, em que tenho mais familiaridade.Para entarmos entender como países extremamente “secundário” no mercado mundial, conseguiram ter empresas tão importantes, tornando-se marcas vencedoras em determinados campos que olhando a bem pouco tempo nem se imaginaria ocuparem este espaço.
Nokia – A Finlândia no mundo
No início dos anos 90, a Nokia não passava de uma empresa secular de papel e celulose da fria e
distante Finlândia. Nem o país , muito menos esta empresa seria notícia em qualquer jornal de tecnologia. Como em poucos mais de 6 anos eles mudaram de foco e viraram a verdadeira força motriz deste país? A primeira sem dúvida foi a decisão estratégica do governo finlandês de focar boa parte do seu dinheiro de investimento em Pesquisa e Desenvolvimento, numa área que se
expandiria como nenhum outra na história da humanidade em tão pouco tempo,como foram a Telefonia Celular e a Internet. Com esta visão eles concentraram todo seu aporte na Nokia, com incentivos fiscais, ajuda logística e científica e transformou-a na empresa que todos nós conhecemos e admiramos, no caso onde governo e iniciativa privada, mudaram a realidade
de um país e de um povo em tão pouco tempo. Hoje a Finlândia e a Nokia são sinônimos de tecnologia, inovação, modernidade, esquecemos até o quanto é fria a realidade deles, eles estão presentes em praticamente em todo o mundo. Neste aspecto o GSM como padrão majoritário internacionalmente foi fundamental, mas principal lição é esta: O Governo Finlandês apostou no novo e transformou o país.
Samsung – A Coréia do Sul
O segundo caso, é o da Samsung, mais precisamente o caso Coréia do Sul, este país dividido, em semi-ocupação, vindo de uma guerra terrível, subjugado seguidamente por vários séculos, ou por ocupação chinesa ou japonesa, consegue finalmente ser “livre”, porém logo a seguir mergulha em nova guerra e se divide, surgindo duas Coreias. A do sul entra num modelo de acumulação de capital e desenvolvimento seguindo a “proteção” americana, porém com uma
profunda consciência nacional, de que só com a resolução de suas mazelas (fome, miséria extrema, pais atrasadíssimo, cuja única importância era localização geográfica, nas disputas geopolítica de outrora), fizeram uma verdadeira revolução. Ao contrário da Finlândia, lá eles não tinham desenvolvimento econômico que pudessem fazer aquela “virada” deles.
Aqui eles construiram passo-a-passo o seu modelo, gastaram todas as suas economias na educação, com suas jornadas de até 10 horas por dia de aula e 300 dias letivos. Os vários governos priorizaram os 10 maiores conglomerados econômicos do país e lá fundiram iniciativas públicas e privadas, para que a Coréia superasse a sua defasagem histórica em pouco mais de 20 anos eles hoje têm uma vida mais digna. Calma pessoal, estou dando o panorama geral coreano, porque muito nos lembra do nosso, estou chegando no caso Samsung.
Em 1993 houve uma profunda crise nos tigres asiáticos que quase abateu a experiência coreana, após grande ajuste o Governo e iniciativa privada voltam-se para escolher onde investir e com certeza de retorno para o país.
A Samsung é uma das Players eleita para esta nova fase, a empresa passa de apenas produção de manufaturados à grande desenvolvedora de chips e componentes. Sua virada mais significa se dará nas telecomunicações, a ação que o GSM teve para Nokia, o CDMA foi o motor para Samsung, eles rapidamente desenvolveram infraestrutura, e investiram em Aparelhos, com sofisticação e sempre à frente de todos os outros concorrente(CDMA), todo e qualquer novo chipset Qualcomn encontraram vida e função nos aparelhos da Samsung. O design ousado
a inventividade, a tecnologia com olhos no futuro, lembro que 2002 eles colocaram em funcionamento o EVDO(3G modelo americano), antes da copa do mundo, e foi uma jogada de mestre, porque eles foram vistos por todo o mundo como povo inovador, criativo, superando a imagem de produto “segunda linha” do Japão, e hoje com a perspectiva do CDMA (WCDMA, CDMA2000) ser a tecnologia da telefonia obviamente eles estão com um pé à frente.
Brasil: Qual caminho?
Apresentei dois casos apenas para mostrar que o Brasil pode também mudar sua realidade,nós juntamos num mesmo país características da Finlândia e da Coréia, temos que dar um “salto” para que possamos chegar no mesmo estágio deles, como???
Arriscaria umas 4 áreas de tecnologia de ponta:
Área de Telecomunicações ( TV Digital, Software aplicado);
Área química ( exploração e refino de petróleo);
Área de pesquisas Genéticas ( Projeto Genoma, medicina ortomulecular, células tronco,Biodiversidade);
Área ambiental (novamente a biodiversidade, água potável, turismo ecológico, produção agrícola com proteção ambienta)
Por fim vejo que sempre podemos ter lições mais profundas de fenômenos e se tivermos a ousadia de fazer diferente, em 20 anos este será um país muito mais desenvolvido e mais justo.
Tecnologia – Nokia e Samsung – Exemplos para o Brasil
Publicado por Arnobio Rocha em março 10, 2010
Chegamos mais uma vez a período eleitoral nacional e entramos no debate sobre projetos políticos, ideológicos, agora muito mais com a dupla queda dos muros:Berlim x Washington, abre-se uma oportunidade impar de discutirmos o futuro para nosso país. Gostaria de introduzir aqui uma reflexão que fiz em 2002,mas que vejo que está bem atualizada, sobre tecnologia e como o Brasil pode se inserir neste novo marco mundial, superando as mazelas de nosso passado recente.
Trago dois casos na área de Telecomunicações, em que tenho mais familiaridade.Para entarmos entender como países extremamente “secundário” no mercado mundial, conseguiram ter empresas tão importantes, tornando-se marcas vencedoras em determinados campos que olhando a bem pouco tempo nem se imaginaria ocuparem este espaço.
Nokia – A Finlândia no mundo
No início dos anos 90, a Nokia não passava de uma empresa secular de papel e celulose da fria e
distante Finlândia. Nem o país , muito menos esta empresa seria notícia em qualquer jornal de tecnologia. Como em poucos mais de 6 anos eles mudaram de foco e viraram a verdadeira força motriz deste país? A primeira sem dúvida foi a decisão estratégica do governo finlandês de focar boa parte do seu dinheiro de investimento em Pesquisa e Desenvolvimento, numa área que se
expandiria como nenhum outra na história da humanidade em tão pouco tempo,como foram a Telefonia Celular e a Internet. Com esta visão eles concentraram todo seu aporte na Nokia, com incentivos fiscais, ajuda logística e científica e transformou-a na empresa que todos nós conhecemos e admiramos, no caso onde governo e iniciativa privada, mudaram a realidade
de um país e de um povo em tão pouco tempo. Hoje a Finlândia e a Nokia são sinônimos de tecnologia, inovação, modernidade, esquecemos até o quanto é fria a realidade deles, eles estão presentes em praticamente em todo o mundo. Neste aspecto o GSM como padrão majoritário internacionalmente foi fundamental, mas principal lição é esta: O Governo Finlandês apostou no novo e transformou o país.
Samsung – A Coréia do Sul
O segundo caso, é o da Samsung, mais precisamente o caso Coréia do Sul, este país dividido, em semi-ocupação, vindo de uma guerra terrível, subjugado seguidamente por vários séculos, ou por ocupação chinesa ou japonesa, consegue finalmente ser “livre”, porém logo a seguir mergulha em nova guerra e se divide, surgindo duas Coreias. A do sul entra num modelo de acumulação de capital e desenvolvimento seguindo a “proteção” americana, porém com uma
profunda consciência nacional, de que só com a resolução de suas mazelas (fome, miséria extrema, pais atrasadíssimo, cuja única importância era localização geográfica, nas disputas geopolítica de outrora), fizeram uma verdadeira revolução. Ao contrário da Finlândia, lá eles não tinham desenvolvimento econômico que pudessem fazer aquela “virada” deles.
Aqui eles construiram passo-a-passo o seu modelo, gastaram todas as suas economias na educação, com suas jornadas de até 10 horas por dia de aula e 300 dias letivos. Os vários governos priorizaram os 10 maiores conglomerados econômicos do país e lá fundiram iniciativas públicas e privadas, para que a Coréia superasse a sua defasagem histórica em pouco mais de 20 anos eles hoje têm uma vida mais digna. Calma pessoal, estou dando o panorama geral coreano, porque muito nos lembra do nosso, estou chegando no caso Samsung.
Em 1993 houve uma profunda crise nos tigres asiáticos que quase abateu a experiência coreana, após grande ajuste o Governo e iniciativa privada voltam-se para escolher onde investir e com certeza de retorno para o país.
A Samsung é uma das Players eleita para esta nova fase, a empresa passa de apenas produção de manufaturados à grande desenvolvedora de chips e componentes. Sua virada mais significa se dará nas telecomunicações, a ação que o GSM teve para Nokia, o CDMA foi o motor para Samsung, eles rapidamente desenvolveram infraestrutura, e investiram em Aparelhos, com sofisticação e sempre à frente de todos os outros concorrente(CDMA), todo e qualquer novo chipset Qualcomn encontraram vida e função nos aparelhos da Samsung. O design ousado
a inventividade, a tecnologia com olhos no futuro, lembro que 2002 eles colocaram em funcionamento o EVDO(3G modelo americano), antes da copa do mundo, e foi uma jogada de mestre, porque eles foram vistos por todo o mundo como povo inovador, criativo, superando a imagem de produto “segunda linha” do Japão, e hoje com a perspectiva do CDMA (WCDMA, CDMA2000) ser a tecnologia da telefonia obviamente eles estão com um pé à frente.
Brasil: Qual caminho?
Apresentei dois casos apenas para mostrar que o Brasil pode também mudar sua realidade,nós juntamos num mesmo país características da Finlândia e da Coréia, temos que dar um “salto” para que possamos chegar no mesmo estágio deles, como???
Arriscaria umas 4 áreas de tecnologia de ponta:
Área de Telecomunicações ( TV Digital, Software aplicado);
Área química ( exploração e refino de petróleo);
Área de pesquisas Genéticas ( Projeto Genoma, medicina ortomulecular, células tronco,Biodiversidade);
Área ambiental (novamente a biodiversidade, água potável, turismo ecológico, produção agrícola com proteção ambienta)
Por fim vejo que sempre podemos ter lições mais profundas de fenômenos e se tivermos a ousadia de fazer diferente, em 20 anos este será um país muito mais desenvolvido e mais justo.
quarta-feira, 10 de março de 2010
Amigos, volto a escrever amanhã.
Emanoel Barreto
Emanoel Barreto
segunda-feira, 8 de março de 2010
http://arenapublica.files.wordpress.com/2009/08/serra.jpg
A graça de mil deuses
Emanoel Barreto
A proximidade, quase iminência da eleição presidencial, intensificará o processo de espetacularização da política - atividade que sempre teve seu dado espetacular desde a ágora grega. Candidatos se apresentarão como a imagem viva da salvação, expressas suas mensagens em fragmentos televisivos cujos apelos ao emocional suplantarão em muito o racional e o político propriamente dito.
A campanha política, paradoxalmente, despolitiza a política, fulaniza a campanha: é Dilma ou não é? É Serra ou não é? - Marina, ao que se supõe, é que não é. Ciro, também.
A graça de mil deuses
Emanoel Barreto
A proximidade, quase iminência da eleição presidencial, intensificará o processo de espetacularização da política - atividade que sempre teve seu dado espetacular desde a ágora grega. Candidatos se apresentarão como a imagem viva da salvação, expressas suas mensagens em fragmentos televisivos cujos apelos ao emocional suplantarão em muito o racional e o político propriamente dito.
A campanha política, paradoxalmente, despolitiza a política, fulaniza a campanha: é Dilma ou não é? É Serra ou não é? - Marina, ao que se supõe, é que não é. Ciro, também.
Correligionários e simpatizantes ficarão com os ânimos exaltados e, de um lado e de outro, encontrarão mil motivos para encontrar na petista e no tucano as melhores e as piores qualidades do mundo, depende do olhar.
É claro que nenhum dos dois é o salvador; é óbvio que integram entidades partidárias onde militantes, detentores de mandados e outros quejandos são criminosos (corruptos, espertalhões, sabidinhos, etc...); é inegável que, eleito, um outro não conseguirá "salvar" o país. Nenhuma simples presença humana jamais o fará. Vide Obama e seu "yes, we can".
Mesmo assim o marketing de cada um o apresentará como a personificação da graça de mil deuses, devendo o eleitorado estar grato a cada um desses deuses por existirem Dilma e Serra.
Não voto nele por desconfiar de seus propósitos neoloberais, lesivos aos trabalhadores; tampouco acredito nela como se fora sacerdotisa. Voto, mas sem fé. Em matéria de fé política sou agnóstico.
Às minhas mulheres, no seu Dia
Emanoel Barreto
Há um gesto, que vai do inocente pedido de um brinquedo ou um sorvete, ao mais alentado e afetuoso abraço. É o gesto que brota e que se aninha nas mãos femininas que me cercam: minha neta feita de azul, minhas filhas sempre meninas e Minha Mulher e seus passos - em nossa secreta e delicada eternidade.
Emanoel Barreto
Há um gesto, que vai do inocente pedido de um brinquedo ou um sorvete, ao mais alentado e afetuoso abraço. É o gesto que brota e que se aninha nas mãos femininas que me cercam: minha neta feita de azul, minhas filhas sempre meninas e Minha Mulher e seus passos - em nossa secreta e delicada eternidade.
domingo, 7 de março de 2010
Volto a escrever nesta segunda.
Emanoel Barreto
Emanoel Barreto
sexta-feira, 5 de março de 2010
http://www.assis.unesp.br/egalhard/imagens3/darwin2.gif
Carta de um animal à Promotora Gilka da Mata
O signatário desta missiva, para os fins a que se propõe, abdica de sua condição humana e se coloca sob a proteção do Estatuto de Proteção dos Animais, já que pelas leis humanas não foi assim tratado. A semiose do texto explicará à larga os motivos para tanto.
Anamnese social: o animal signatário vive no bioma urbano localizado na cidade do Natal, Nordeste do Brasil, mais especificamente à Rua Industrial João Mota, onde compartilha com semelhantes da espécie um tratamento bárbaro e desumano por parte da Prefeitura do Natal, atividade perpetrada por construtora que realiza obras de drenagem na área. O animal signatário, que se considera ameaçado em sua normalidade de vida durante períodos chuvosos, acusa os autores da obra de agir contra o interesse da preservação de seres silvestres como o mencionado signatário, já que o bom senso e a condição humana não foram suficientes para sensibilizar a Prefeitura, resultando daí o apelo ao Estatuto.
Requerimento: Requer o animal que Vossa Excelência, como defensora do meio ambiente, o que inclui flora e fauna, e consequentemente o missivista, tome providências visando embargar a citada e malsinada obra. A descrição da mesma, sucintamente, relata: meio-fio mais alto que as calçadas, pista de rolamento também mais alta que a calçada, acesso a garagens prejudicado por montes de areia, péssima qualidade urbanística, que fere até mesmo ao mais inculto olhar.
Consequências da obra: estima o ser silvestre ameaçado que os maléficos efeitos poderão ser sentidos durante os períodos chuvosos, pois a implacável lei da gravidade levará a água das chuvas às casas.
Desta forma, o animal que vos fala, respeitosamente, invoca vossa proteção e vossa graça no sentido de fazer Prefeitura e iniciativa privada sentirem o peso da lei humana sobre ambos e o amparo do Estatuto dos Animais voltar-se a favor de si. Fotos do desastre, recentes e mais antigas, podem ser encontradas no blog Coisas de Jornal (http://coisasdejornal.blogspot.com). Mas, uma visita seria extremamente benéfico a este animal, bem como aos seus assemelhados e co-partícipes da grotesca e terrível obra.
Sob as bênçãos de São Francisco, padroeiro dos animais a quem entrego a minha sorte, mas contando antes com a serenidade de vossa inteligência jurídica e sensibilidade de pessoa culta, requeiro: que as obras sejam paralisadas, desmanchadas e refeitas em parâmetros aceitáveis. Somente assim poderei sentir-me humano novamente, ao deixar de me sentir cercado por ambiente urbano perigoso e hostil.
Respeitosamente,
Emanoel Barreto
Carta de um animal à Promotora Gilka da Mata
O signatário desta missiva, para os fins a que se propõe, abdica de sua condição humana e se coloca sob a proteção do Estatuto de Proteção dos Animais, já que pelas leis humanas não foi assim tratado. A semiose do texto explicará à larga os motivos para tanto.
Anamnese social: o animal signatário vive no bioma urbano localizado na cidade do Natal, Nordeste do Brasil, mais especificamente à Rua Industrial João Mota, onde compartilha com semelhantes da espécie um tratamento bárbaro e desumano por parte da Prefeitura do Natal, atividade perpetrada por construtora que realiza obras de drenagem na área. O animal signatário, que se considera ameaçado em sua normalidade de vida durante períodos chuvosos, acusa os autores da obra de agir contra o interesse da preservação de seres silvestres como o mencionado signatário, já que o bom senso e a condição humana não foram suficientes para sensibilizar a Prefeitura, resultando daí o apelo ao Estatuto.
Requerimento: Requer o animal que Vossa Excelência, como defensora do meio ambiente, o que inclui flora e fauna, e consequentemente o missivista, tome providências visando embargar a citada e malsinada obra. A descrição da mesma, sucintamente, relata: meio-fio mais alto que as calçadas, pista de rolamento também mais alta que a calçada, acesso a garagens prejudicado por montes de areia, péssima qualidade urbanística, que fere até mesmo ao mais inculto olhar.
Consequências da obra: estima o ser silvestre ameaçado que os maléficos efeitos poderão ser sentidos durante os períodos chuvosos, pois a implacável lei da gravidade levará a água das chuvas às casas.
Desta forma, o animal que vos fala, respeitosamente, invoca vossa proteção e vossa graça no sentido de fazer Prefeitura e iniciativa privada sentirem o peso da lei humana sobre ambos e o amparo do Estatuto dos Animais voltar-se a favor de si. Fotos do desastre, recentes e mais antigas, podem ser encontradas no blog Coisas de Jornal (http://coisasdejornal.blogspot.com). Mas, uma visita seria extremamente benéfico a este animal, bem como aos seus assemelhados e co-partícipes da grotesca e terrível obra.
Sob as bênçãos de São Francisco, padroeiro dos animais a quem entrego a minha sorte, mas contando antes com a serenidade de vossa inteligência jurídica e sensibilidade de pessoa culta, requeiro: que as obras sejam paralisadas, desmanchadas e refeitas em parâmetros aceitáveis. Somente assim poderei sentir-me humano novamente, ao deixar de me sentir cercado por ambiente urbano perigoso e hostil.
Respeitosamente,
Emanoel Barreto
quinta-feira, 4 de março de 2010
Vereadores silenciam ante o terrremoto que a Prefeitura promove em Capim Macio
Emanoel Barreto
O post anterior é a transcrição de e-mail que mandei aos vereadores de Natal, hoje de manhã. Até agora, 15h47, não recebi qualquer telefonema ou resposta via net. Não sei os motivos, mas, temo, um deles deve ser falha nas assessorias de gabinete, que, por sinal, não é lugar para somente se beber cafezinho. Vou aguardar.
Emanoel Barreto
O post anterior é a transcrição de e-mail que mandei aos vereadores de Natal, hoje de manhã. Até agora, 15h47, não recebi qualquer telefonema ou resposta via net. Não sei os motivos, mas, temo, um deles deve ser falha nas assessorias de gabinete, que, por sinal, não é lugar para somente se beber cafezinho. Vou aguardar.
Carta aberta aos Vereadores de Natal
Sras. Vereadores,
Srs. Vereadores
É com indignação, e alguma esperança no trabalho e consciência cívica de Vossas Excelências, que lhes envio esta denúncia à ação que a Prefeitura do Natal perpetra contra os moradores da Rua Industrial João Mota, Capim Macio, a pretexto de acabar com as inundações na área – especificamente na citada rua, onde moro.
Trata-se de trabalho de engenharia vergonhoso, onde não se respeita a mais comezinha lei do mundo, inderrogável e apolítica: a lei da gravidade. Explico: a pista de rolamento ficará bem mais alta que as calçadas, o que sem dúvida encaminhará as enxurradas em período chuvoso para dentro de nossas casas. É uma possibilidade que, posso lhes assegurar, é aterradora.
Além disso, esteticamente é um desastre, pois o meio-fio, também muito alto em relação às mesmas calçadas é um insulto até mesmo ao mais ingênuo olhar sobre como que deveria ser um processo bem feito de urbanização. Um lugar bom para se morar. As fotos podem ser vistas neste blog e dão uma dimensão bem clara do que digo.
Ontem (dia 3), ao chegar à minha casa, cerca de 17h, deparei-me, estarrecido, com um amontoado de areia jogado à entrada da garagem. Resultado: o carro, para entrar, encostava no chão. Se estiver com todos os ocupantes e se for sair não sai; da mesma forma, se for entrar, não entra. Outras casas também enfrentam problemas semelhantes. Só vendo para crer.
Trata-se de uma violência à cidadania. Repito: só vendo para crer. Assim, o motivo desta carta é cobrar desta Casa que tome posicionamento apartidário, sereno, firme e íntegro e, se necessário implacável, em defesa da comunidade. Aquilo não é uma obra de engenharia, antes é uma aberração brutal, grotesca, tosca e descabida.
O que temo? Temo que, caso a Câmara Municipal tenha comportamento de indiferentismo, omitindo-se, a construtora dará os trabalhos por terminados, a fiscalização das obras os aceitará como “excelentes” e ficaremos jogados à própria sorte. A iniciativa privada, claro, atenta apenas aos seus lucros, jamais irá refazer o trabalho se não for impedida a tempo por Vossas Excelências, que desta forma estariam em apoio inercial à complacência do Município.
Desta forma, como cidadão e como jornalista, cobro dos Srs. e Sras. Vereadores e Vereadoras alguma ação. É preciso embargar essa obra e obrigar Prefeitura a refazer tudo, rebaixando o nível da pista. Peço, inicialmente, que venham à Industrial João Mota presenciar o lastimável espetáculo a que estamos submetidos. Mas, se tiverem a sensibilidade ou pelo menos disposição de agir, que o façam logo, que o façam hoje, pois a pavimentação que está sendo implantada é um logro e uma brutalidade. Uma obra sem qualquer compromisso com atitude de governo municipal regida pelo mais elementar senso de compromisso e responsabilidade social. Aquilo não é uma obra, insisto: é um insulto.
Já denunciei à imprensa e a outros jornalistas que, como eu, têm blogs, Ricardo Rosado e Blog do Barbosa, são exemplos. Manifestaram indignação. Falta agora a palavra dos representantes do povo. Está sendo anunciada reunião com os moradores, às 19h30 de hoje, na Faculdade Maurício de Nassau. Cobro que algum representante da Câmara esteja presente.
Falo de sociedade civil organizada, entendem? E os vereadores têm obrigações para com esta. Sabem disso, não é?
Espero poder confiar na sinceridade de propósito de Vossas Excelências, tão vigorosamente exposta em vossas campanhas eleitorais.
Saudações,
Emanoel Barreto
Jornalista, professor do Curso de Comunicação Social da UFRN
Sras. Vereadores,
Srs. Vereadores
É com indignação, e alguma esperança no trabalho e consciência cívica de Vossas Excelências, que lhes envio esta denúncia à ação que a Prefeitura do Natal perpetra contra os moradores da Rua Industrial João Mota, Capim Macio, a pretexto de acabar com as inundações na área – especificamente na citada rua, onde moro.
Trata-se de trabalho de engenharia vergonhoso, onde não se respeita a mais comezinha lei do mundo, inderrogável e apolítica: a lei da gravidade. Explico: a pista de rolamento ficará bem mais alta que as calçadas, o que sem dúvida encaminhará as enxurradas em período chuvoso para dentro de nossas casas. É uma possibilidade que, posso lhes assegurar, é aterradora.
Além disso, esteticamente é um desastre, pois o meio-fio, também muito alto em relação às mesmas calçadas é um insulto até mesmo ao mais ingênuo olhar sobre como que deveria ser um processo bem feito de urbanização. Um lugar bom para se morar. As fotos podem ser vistas neste blog e dão uma dimensão bem clara do que digo.
Ontem (dia 3), ao chegar à minha casa, cerca de 17h, deparei-me, estarrecido, com um amontoado de areia jogado à entrada da garagem. Resultado: o carro, para entrar, encostava no chão. Se estiver com todos os ocupantes e se for sair não sai; da mesma forma, se for entrar, não entra. Outras casas também enfrentam problemas semelhantes. Só vendo para crer.
Trata-se de uma violência à cidadania. Repito: só vendo para crer. Assim, o motivo desta carta é cobrar desta Casa que tome posicionamento apartidário, sereno, firme e íntegro e, se necessário implacável, em defesa da comunidade. Aquilo não é uma obra de engenharia, antes é uma aberração brutal, grotesca, tosca e descabida.
O que temo? Temo que, caso a Câmara Municipal tenha comportamento de indiferentismo, omitindo-se, a construtora dará os trabalhos por terminados, a fiscalização das obras os aceitará como “excelentes” e ficaremos jogados à própria sorte. A iniciativa privada, claro, atenta apenas aos seus lucros, jamais irá refazer o trabalho se não for impedida a tempo por Vossas Excelências, que desta forma estariam em apoio inercial à complacência do Município.
Desta forma, como cidadão e como jornalista, cobro dos Srs. e Sras. Vereadores e Vereadoras alguma ação. É preciso embargar essa obra e obrigar Prefeitura a refazer tudo, rebaixando o nível da pista. Peço, inicialmente, que venham à Industrial João Mota presenciar o lastimável espetáculo a que estamos submetidos. Mas, se tiverem a sensibilidade ou pelo menos disposição de agir, que o façam logo, que o façam hoje, pois a pavimentação que está sendo implantada é um logro e uma brutalidade. Uma obra sem qualquer compromisso com atitude de governo municipal regida pelo mais elementar senso de compromisso e responsabilidade social. Aquilo não é uma obra, insisto: é um insulto.
Já denunciei à imprensa e a outros jornalistas que, como eu, têm blogs, Ricardo Rosado e Blog do Barbosa, são exemplos. Manifestaram indignação. Falta agora a palavra dos representantes do povo. Está sendo anunciada reunião com os moradores, às 19h30 de hoje, na Faculdade Maurício de Nassau. Cobro que algum representante da Câmara esteja presente.
Falo de sociedade civil organizada, entendem? E os vereadores têm obrigações para com esta. Sabem disso, não é?
Espero poder confiar na sinceridade de propósito de Vossas Excelências, tão vigorosamente exposta em vossas campanhas eleitorais.
Saudações,
Emanoel Barreto
Jornalista, professor do Curso de Comunicação Social da UFRN
quarta-feira, 3 de março de 2010
Emanoel Barreto
Varia entre a estupidez, o desrespeito e o grotesco o que a Prefeitura de Natal está fazendo com os moradores da Rua Industrial João Motta, em Capim Macio. As obras de drenagem não levam em conta a assimetria entre as calçadas e a pista de rolamento. Em outras palavras: a rua ficará mais alta que as calçadas. Não é preciso ser um gênio em engenharia para entender que uma lei inderrogável, a lei da gravidade, fará com que a enxurrada, em período de inverno, avance para dentro das casas.
Na minha casa, então, chegou-se ao nível da brutalidade: colocaram o meio-fio bem alto, largaram um monte de areia na entrada da minha casa e o resultado foi o seguinte: para entrar, o carro arrasta no chão. Se estiver com a lotação completa simplesmente não entra.
Já fui ao Ministério Público e lá, na presença da promotora Gilka da Mata, o engenheiro Demétrio Torres prometeu, há cerca de 15 dias, que enviaria um engenheiro para ver a situação: ninguém apareceu. A situação não estava tão clamorosa quanto hoje. Pior para mim: afinal, cidadão foi feito para isso mesmo: para ser achincalhado, agredido e desrespeitado em seus direitos. E isso mesmo pagando o IPTU em dia. E IPTU caro!
Paciência: estão prometendo para amanhã uma "reunião" com os moradores. Vou rezar. Sou um homem de fé. Acredito em Deus, quero bem a Nossa Senhora, tenho medo de lobisomem. Os dois primeiros são do Bem. O problema, meu amigo, é o lobisomem...
terça-feira, 2 de março de 2010
Olá, não pude atualizar o blog nos últimos dias. Volto a escrever nesta quinta.
Emanoel Barreto
Emanoel Barreto
sábado, 27 de fevereiro de 2010
http://wrightpattersondui.com/images/common/lone-ranger.jpg
O filho de Francisco ou ai-ooo-Silver, avante!
Emanoel Barreto
Quinta-feira passada tive a alegria de participar de banca de mestrado do jornalista Fagner Torres de França. Dono de texto precioso e belo, aliou estilo ao acadêmico e produziu obra importante a respeito da figura do ator político Wilma de Faria. Analisa sua participação na política do Estado, quando deixou de ser dona de casa para se transformar na figura midiática de "guerreira". Publicada a dissertação, será texto indispensável a quem quiser estudar Wilma como fenômeno político-midiático.
Fagner foi aprovado com louvor. À alegria de conhecer esse talento, juntou-se outra, retirada de uma das gavetas da memória afetiva: ele é filho de um grande amigo de infância, Francisco, menino comigo nos anos 60. Tínhamos, eu e Francisco, uma espécie de clube de leitura de revistas em quadrinhos. Antes de proceder à minha avaliação da dissertação, pedi permissão à banca para registrar esse momento de reencontro com o menino Francisco, ali presente e imensamente feliz.
Éramos amigos, veja só, de Roy Rogers, Tarzan, Super Homem, Fantasma, Zorro e Tondo, Príncipe Valente, Mandrake, Rex Allen, David Crockett e Daniel Boone, só para citar os que me vêm à memória.
E ali soube que Francisco, ao contrário de mim, preservou revistas, muitas revistas, que contam as aventuras dos nossos amigos caubóis, todos afinal "superes". Foi bom, muito bom, reencontrar o menino Francisco e saber que o filho de Francisco é um jornalista de talento e um estudioso das ciências sociais.
Estou certo de que nossa legião de amigos também vibrou e ganhou novo animo para continuar percorrendo as pradarias do Velho Oeste. Ai-OO- Silver, Avante!
O filho de Francisco ou ai-ooo-Silver, avante!
Emanoel Barreto
Quinta-feira passada tive a alegria de participar de banca de mestrado do jornalista Fagner Torres de França. Dono de texto precioso e belo, aliou estilo ao acadêmico e produziu obra importante a respeito da figura do ator político Wilma de Faria. Analisa sua participação na política do Estado, quando deixou de ser dona de casa para se transformar na figura midiática de "guerreira". Publicada a dissertação, será texto indispensável a quem quiser estudar Wilma como fenômeno político-midiático.
Fagner foi aprovado com louvor. À alegria de conhecer esse talento, juntou-se outra, retirada de uma das gavetas da memória afetiva: ele é filho de um grande amigo de infância, Francisco, menino comigo nos anos 60. Tínhamos, eu e Francisco, uma espécie de clube de leitura de revistas em quadrinhos. Antes de proceder à minha avaliação da dissertação, pedi permissão à banca para registrar esse momento de reencontro com o menino Francisco, ali presente e imensamente feliz.
Éramos amigos, veja só, de Roy Rogers, Tarzan, Super Homem, Fantasma, Zorro e Tondo, Príncipe Valente, Mandrake, Rex Allen, David Crockett e Daniel Boone, só para citar os que me vêm à memória.
E ali soube que Francisco, ao contrário de mim, preservou revistas, muitas revistas, que contam as aventuras dos nossos amigos caubóis, todos afinal "superes". Foi bom, muito bom, reencontrar o menino Francisco e saber que o filho de Francisco é um jornalista de talento e um estudioso das ciências sociais.
Estou certo de que nossa legião de amigos também vibrou e ganhou novo animo para continuar percorrendo as pradarias do Velho Oeste. Ai-OO- Silver, Avante!
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
http://mywordpress2.files.wordpress.com/2006/12/adamastor_palaciopena.jpg
A crise da razão política e a maldição de Brasília
Por Mauro Santayana
Todos os pensadores políticos, de Aristóteles a Hans Kelsen, passando por Maquiavel e os filósofos moralistas ingleses e franceses, advertem contra o mau exemplo dos grandes. Uma sociedade apodrece quando seus líderes perdem a virtude do mando. Perón usou – em meio à conspiração que o derrubaria – uma boa frase, quando descobriu que seu cunhado, depois da morte de Evita, estava praticando falcatruas: “Los gobiernos, como el pescado, empiezan a pudrirse por la cabeza”.
Aristóteles, em Ética a nicômaco, assegura que o comportamento ético se adquire com o hábito de agir corretamente. O habito da virtude fortalece e aumenta a virtude, qualquer virtude, e ele dá o exemplo da coragem: é com o hábito de enfrentar o perigo que nos tornamos corajosos; e é quando nos tornamos corajosos que nos encontramos no máximo grau de enfrentar qualquer perigo. A mesma ideia serve para o processo septicêmico das sociedades políticas. É quando nos sentimos covardes que tememos até mesmo os ratos: e é a ousadia dos grandes corruptos que torna as sociedades lenientes com a corrupção.
“Há muito tempo se diz que a boa-fé é a alma de um grande governo”, assim Montesquieu inicia uma de suas Cartas persas, que serviram de modelo às Cartas chilenas, de Tomás Antonio Gonzaga. Ele se refere, em seguida, a uma hipotética nação das Índias, naturalmente generosa, “pervertida em um instante, do menor de seus indivíduos ao maior deles, pelo mau exemplo de um ministro”. Montesquieu vai adiante: “Vi nascer, de repente, uma sede insaciável de riquezas. Vi formar-se, em um momento, detestável conjuração em busca do enriquecimento, não por um trabalho honesto e uma indústria generosa mas, sim, pela ruína do Estado e de seus concidadãos”.
O que define a ética de um homem de Estado é sua ação na defesa da sociedade que lidera, na busca da igualdade e da justiça. Mas, mesmo se for senhor das mais excelsas virtudes pessoais, ele terá que obedecer a uma vontade maior e acima de seus próprios valores: a lei.
Os legisladores estão fugindo dos princípios e valores aos quais se atavam. Esse é o caso, por exemplo, da situação de Brasília. Durante o governo militar, a cidade foi feudo de contubérnios entre os ditadores de turno, empreiteiros, jornalistas acomodados e servidores públicos de alto nível. O sistema de mordomias tornava a cidade a Ilha da Fantasia. Os grandes jantares, oferecidos pelos ministros, eram de invejar armadores gregos, com faisões, caviar Beluga, vinhos importados. Não havia limites para a ostentação. Um dos ministros, morando em residência do governo, mandou fazer uma piscina em forma de J, porque se chamava Jost.
Assim como o hábito da virtude consolida a virtude, o vício infla o vício, e Brasília se tornou cidade assolada pela corrupção. As “mordomias” deixaram de existir com a redemocratização de 1985, por prévia determinação de Tancredo. Só o presidente e o vice-presidente têm hoje sua despensa abastecida pelos contribuintes. Mesmo assim, durante seu curto governo, Itamar foi cuidadoso com esse direito. Quando seus auxiliares almoçavam com o presidente, as despesas eram quase sempre divididas. Seu governo só ofereceu jantares protocolares aos chefes de Estado estrangeiros, nas visitas e reuniões oficiais, como as do Mercosul.
O fato é que a Constituição de 1988, com a autonomia, facilitou o incremento da corrupção em Brasília. Durante os últimos 20 anos – e devemos excetuar o governo de Cristovam Buarque – a infecção aumentou, até chegar à calamidade atual. Só a intervenção, como primeiro passo, e o retorno da situação política de Brasília à Lei 3.751, de 13 de abril de 1960, que definiu os estatutos da nova capital, poderão recuperar a cidade e, assim, ajudar no saneamento ético da política brasileira. A lei, cujo cumprimento foi, em parte, interrompido pelo governo militar, determinava a nomeação de um prefeito pelo governo federal e a eleição de uma câmara municipal com 20 vereadores. Hoje, todos agem como se Brasília fosse um estado de plenos direitos federativos. Cresce o consenso nos meios políticos e jurídicos de Brasília que a intervenção é medida que se impõe na urgência, até que se revogue a amaldiçoada autonomia
A crise da razão política e a maldição de Brasília
Por Mauro Santayana
Todos os pensadores políticos, de Aristóteles a Hans Kelsen, passando por Maquiavel e os filósofos moralistas ingleses e franceses, advertem contra o mau exemplo dos grandes. Uma sociedade apodrece quando seus líderes perdem a virtude do mando. Perón usou – em meio à conspiração que o derrubaria – uma boa frase, quando descobriu que seu cunhado, depois da morte de Evita, estava praticando falcatruas: “Los gobiernos, como el pescado, empiezan a pudrirse por la cabeza”.
Aristóteles, em Ética a nicômaco, assegura que o comportamento ético se adquire com o hábito de agir corretamente. O habito da virtude fortalece e aumenta a virtude, qualquer virtude, e ele dá o exemplo da coragem: é com o hábito de enfrentar o perigo que nos tornamos corajosos; e é quando nos tornamos corajosos que nos encontramos no máximo grau de enfrentar qualquer perigo. A mesma ideia serve para o processo septicêmico das sociedades políticas. É quando nos sentimos covardes que tememos até mesmo os ratos: e é a ousadia dos grandes corruptos que torna as sociedades lenientes com a corrupção.
“Há muito tempo se diz que a boa-fé é a alma de um grande governo”, assim Montesquieu inicia uma de suas Cartas persas, que serviram de modelo às Cartas chilenas, de Tomás Antonio Gonzaga. Ele se refere, em seguida, a uma hipotética nação das Índias, naturalmente generosa, “pervertida em um instante, do menor de seus indivíduos ao maior deles, pelo mau exemplo de um ministro”. Montesquieu vai adiante: “Vi nascer, de repente, uma sede insaciável de riquezas. Vi formar-se, em um momento, detestável conjuração em busca do enriquecimento, não por um trabalho honesto e uma indústria generosa mas, sim, pela ruína do Estado e de seus concidadãos”.
O que define a ética de um homem de Estado é sua ação na defesa da sociedade que lidera, na busca da igualdade e da justiça. Mas, mesmo se for senhor das mais excelsas virtudes pessoais, ele terá que obedecer a uma vontade maior e acima de seus próprios valores: a lei.
Os legisladores estão fugindo dos princípios e valores aos quais se atavam. Esse é o caso, por exemplo, da situação de Brasília. Durante o governo militar, a cidade foi feudo de contubérnios entre os ditadores de turno, empreiteiros, jornalistas acomodados e servidores públicos de alto nível. O sistema de mordomias tornava a cidade a Ilha da Fantasia. Os grandes jantares, oferecidos pelos ministros, eram de invejar armadores gregos, com faisões, caviar Beluga, vinhos importados. Não havia limites para a ostentação. Um dos ministros, morando em residência do governo, mandou fazer uma piscina em forma de J, porque se chamava Jost.
Assim como o hábito da virtude consolida a virtude, o vício infla o vício, e Brasília se tornou cidade assolada pela corrupção. As “mordomias” deixaram de existir com a redemocratização de 1985, por prévia determinação de Tancredo. Só o presidente e o vice-presidente têm hoje sua despensa abastecida pelos contribuintes. Mesmo assim, durante seu curto governo, Itamar foi cuidadoso com esse direito. Quando seus auxiliares almoçavam com o presidente, as despesas eram quase sempre divididas. Seu governo só ofereceu jantares protocolares aos chefes de Estado estrangeiros, nas visitas e reuniões oficiais, como as do Mercosul.
O fato é que a Constituição de 1988, com a autonomia, facilitou o incremento da corrupção em Brasília. Durante os últimos 20 anos – e devemos excetuar o governo de Cristovam Buarque – a infecção aumentou, até chegar à calamidade atual. Só a intervenção, como primeiro passo, e o retorno da situação política de Brasília à Lei 3.751, de 13 de abril de 1960, que definiu os estatutos da nova capital, poderão recuperar a cidade e, assim, ajudar no saneamento ético da política brasileira. A lei, cujo cumprimento foi, em parte, interrompido pelo governo militar, determinava a nomeação de um prefeito pelo governo federal e a eleição de uma câmara municipal com 20 vereadores. Hoje, todos agem como se Brasília fosse um estado de plenos direitos federativos. Cresce o consenso nos meios políticos e jurídicos de Brasília que a intervenção é medida que se impõe na urgência, até que se revogue a amaldiçoada autonomia
Sandipan Mukherjee - cortesia da Sony World Picture Awards 2010
Essa estranha coisa chamada beleza*
Emanoel Barreto
Vamos fazer uma parada ante as coisas terríveis do mundo, para lançar um olhar sobre essa inesperada coisa chamada beleza. Mensagem de si mesma, signo ígneo, a beleza é uma espécie de tormento. Estranha e feroz às vezes, brilha com um chamamento de perplexidade e, por mais que seja tempestade, traz a difusa paz das grandes ondas.
*Foto que concorre Sony World Picture Awards 2010
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Volto a atualizar Coisas de Jornal nesta quinta.
Emanoel Barreto
Emanoel Barreto
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
http://www.danielbueno.com.br/sitev2/wp-content/uploads/2009/11/dilma-roussef1.jpg
O perigo do comunismo ou uma ladra na presidência
Emanoel Barreto
A edição de domingo último da Folha e a Veja desta semana dão o parâmetro em que, na grande imprensa, se passará a campanha presidencial. A Folha revirou o passado da ex-guerrilheira Rousseff como uma folha corrida, enquanto a Veja a coloca como alguém autoritário, mas com pragmática suficiente para domar o petismo "mais vermelho". A capa da edição é sugestiva: a foto de Rousseff em preto e branco tem um poderoso efeito discursivo e insinua
Não vou entrar nos méritos dela ou do seu suposto próximo adversário, José Serra que, taticamente, não assume a candidatura, certamente esperando que a fortuna maquiaveliana o beneficie. O que vejo, a partir dos índices que mencionei, é o seguinte: o mais vulgar tratamento ideológico à figura da candidata, cujo passado será utilizado ad nauseam para traçar seu perfil como alguém que, chamada, atenderá pelo apodo de "comunista", termo vago frente ao senso comum, que não tem bem ideia do que isso seja, mas, "coisa boa não deve ser".
Em outras palavras, será ressuscitado todo um vocabulário precedente, com origens nas sendas, penumbras e nevoeiros da guerra-fria, insinuando o perigo de eleger-se alguém "suspeito", alguém com passado "comunista". Na verdade, mais que comunista, ela será atacada como alguém que participou da luta armada, uma espécie de assaltante ideológica, pior que isso, uma ladra. No popular, uma ladrona. Essa imagem pode ser arrasadora: uma ladra na presidência? Como pode?
O que tento dizer é que isso em nada beneficia a democracia. Substitui-se o debate, o hoje, pelo tempo que passou, foi superado historicamente e, como tal, deve ser vivido em plenitude. Contudo, acontecendo isso, a Folha também deverá ser interpelada pelo seu passado de empresa que colaborou com a repressão oriunda de 64.
É notório - e quem conhece alguma coisa da história recente sabe -, que o jornal facilitava o uso de viaturas de sua frota aos setores mais parrudos da ditadura para a captura e, sei lá mais o quê, de pessoas desalinhadas ao sistema. Matou-se muita gente em defesa da liberdade...
Creio que o obscurantismo vai imperar, num noticiário eivado de más intenções mas imunizado pela "objetividade". Não vejo grandes diferenças, em práxis, entre ela e Serra. Todavia, é sabido que o PSDB é um partido entreguista e temo que sua faina seja desencadeada novamente com seu ascenso ao poder. Não tenho dúvida de que o PMDB, derrotado com Roussef, venha a se aliar aos tucanos.
Quanto a ela, estimo, suponho, desejo, que tenha uma atitude que responda mais diretamente aos interesses históricos do País. A globalização não passa de uma rede de interesses do capital transnacional, massacrando o Homem, a humanidade, a dignidade, sob a consigna de uma malsinada modernidade. E acho até que comem criancinhas.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Se essa rua, se essa rua fosse minha... eu mandava, eu mandava drenar (de verdade)
Emanoel Barreto
Emanoel Barreto
Barreira contra alagamento, em pleno século 21, quando estamos, todo cidadão consciente, trabalhando para facilitar o acesso das pessoas com dificuldade de locomoção. Meu filho, após um acidente, andando de muletas, teve de saltar várias vezes para entrar e sair. Minha rua é a Industrial João Motta, Capim Macio.
Barreira contra alagamento
Alagamento carnaval 2009 - três dias ilhado
Alagamento carnaval 2009 - carro três dias ao relento
Depois do alagamento do carnaval 2009 - mesmo depois de tanta lama a rua ainda era mais baixa que a calçada, na casa ao lado ainda não tinham modificado a calçada
Obras na rua em dezembro 2009 - presos em casa - obstruíram os dois portões
Obras na rua em dezembro de 2009 - presos em casa - quem quis entrar ou sair escalou as dunas
Assim ficou o portão depois que largaram o serviço
Só coloquei o carro na garagem porque meu filho, às 22 horas, pegou uma enxada e liberou a entrada do portão.
Solicitei a presença de uma pessoa da empresa responsável pela obra, veio o Sr. Roberto. Reclamei que ao final da obra o calçamento vai ficar mais alto que a calçada. Ele disse que o problema era com a casa e que ele seguia um projeto. Veja que o vizinho já aumentou o nível da calçada.
Em vários pontos da rua a pavimentação está ou igual ou superior à altura da calçada. Quando for concluída, a pavimentação estará realmente acima da calçada.
Chuva de menos de 5 minutos: água rente à calçada
Hoje, 21/01/2010, rua alagada, os carros passam e a água faz marola na garagem
Onde está a rua? Onde está a calçada? A obra vai continuar sem alterações? Do outro do lado da rua já estão distribuindo os paralelepípedos. E as visitas que tenho hoje para o almoço? Cancelo ou mando colocar o pé na lama?
Depois da tempestade...
Almoço cancelado. Mãos à obra: lavar a calçada. O resultdo não podia ser pior.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
http://dentistrynews.files.wordpress.com/2009/03/elton-john.jpg
A homossexualidade de Cristo
Emanoel Barreto
O cantor e compositor Elton John anda dizendo por aí que "Jesus Cristo era um gay superinteligente que compreendia os problemas humanos." A afirmativa de Sir Elton Hercules John, claro, não deve ser levada a sério. A não ser o fato de que ele é um grande artista, que como pessoa de mídia busca a qualquer preço aparecer, sua assertiva não merece ser levada em conta. No máximo, uma esquisitice, na verdade uma jogada promocional, com a utilização de marketing disruptivo, voltado para criar um factoide. Um falso acontecimento.
Seja planejado ou fruto de um insight, um estalo durante entrevista, surtiu o efeito desejado. Tanto, que o estou reproduzindo aqui. É o que Bourdieu chamava de "circulação circular da notícia". Mais claramente: a reprodução da notícia de jornal em jornal. A notícia assumindo a condição de fato primário, em substituição à realidade que a gerou. No caso, a importância que até mesmo eu estou dando a esse factoide. Vale a importância jonalística atribuída, não a consideração de sua validade original, o momento da declaração por ator midiático privilegiado.
Mas, não me deixei levar, não por completo, pela indução advinda do artista globalizado. Não. O que me moveu é o fato de que, usualmente, homossexuais gostam de atribuir a personagens de destaque idêntica condição à sua, como forma de legitimar-se sejam como cidadãos, seja como homossexuais mesmo.
Grande erro. Além de carrear a si antipatia, esquecem que não precisariam disso, uma vez que crescente parcela da sociedade reconhece, e faz muito bem, o homossexual como pessoa, cidadão e profissional. Claro, somente alguma mente obscurantista retira a outro ser humano tais atributos, em função de orientação sexual divergente da maioria.
O cantor foi esperto ao se promover, porque expert em tais tipos de comunicação. Mas tolo, para dizer o mínimo, enquanto pessoa que, assim agindo, apenas ganha espaço de mídia, sem quaisquer consequências de validade maior.
A homossexualidade de Cristo
Emanoel Barreto
O cantor e compositor Elton John anda dizendo por aí que "Jesus Cristo era um gay superinteligente que compreendia os problemas humanos." A afirmativa de Sir Elton Hercules John, claro, não deve ser levada a sério. A não ser o fato de que ele é um grande artista, que como pessoa de mídia busca a qualquer preço aparecer, sua assertiva não merece ser levada em conta. No máximo, uma esquisitice, na verdade uma jogada promocional, com a utilização de marketing disruptivo, voltado para criar um factoide. Um falso acontecimento.
Seja planejado ou fruto de um insight, um estalo durante entrevista, surtiu o efeito desejado. Tanto, que o estou reproduzindo aqui. É o que Bourdieu chamava de "circulação circular da notícia". Mais claramente: a reprodução da notícia de jornal em jornal. A notícia assumindo a condição de fato primário, em substituição à realidade que a gerou. No caso, a importância que até mesmo eu estou dando a esse factoide. Vale a importância jonalística atribuída, não a consideração de sua validade original, o momento da declaração por ator midiático privilegiado.
Mas, não me deixei levar, não por completo, pela indução advinda do artista globalizado. Não. O que me moveu é o fato de que, usualmente, homossexuais gostam de atribuir a personagens de destaque idêntica condição à sua, como forma de legitimar-se sejam como cidadãos, seja como homossexuais mesmo.
Grande erro. Além de carrear a si antipatia, esquecem que não precisariam disso, uma vez que crescente parcela da sociedade reconhece, e faz muito bem, o homossexual como pessoa, cidadão e profissional. Claro, somente alguma mente obscurantista retira a outro ser humano tais atributos, em função de orientação sexual divergente da maioria.
O cantor foi esperto ao se promover, porque expert em tais tipos de comunicação. Mas tolo, para dizer o mínimo, enquanto pessoa que, assim agindo, apenas ganha espaço de mídia, sem quaisquer consequências de validade maior.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Glauco, na Folha, Edição de hoje
Patifes e pilantras, legítimos produtos da cultura nacional
Emanoel Barreto
O sórdido espétaculo da cena brasiliense leva à mais explícita e ad nauseam constatação de que tipo de política se pratica no Brasil. Um magote de políticos sem qualquer apreço pela ética e até pelo respeito próprio, apoderou-se dessa manifestação estatal que é o governo estadual, fazendo-o coisa própria e privada.
Todavia, o pior, neste contexto, é o seguinte: políticos não vêm do nada, não são largados aqui por alienígenas ou escaparam de alguma prisão especial de onde jamais deveriam ter saído. Não, políticos vêm da sociedade, nascem dos seus valores, de suas práticas, suas licenciosidades e liberdades sórdidas.
Os que exercem mandatos neste país são um retrato exato do nosso povo, do homem cordial de quem já falava Sérgio Buarque em sua magistral obra Raízes do Brasil, 1936. Não a cordialidade bem falante, prestativa, charmosa até, ou bajuladora e interesseira. Não. Cordialidade como uma espécie de estado de espírito que leva nossa sociedade a um estágio tal de informalidade que, chegando ao poder, ou alguma parcela do poder como nas repartições públicas, o indivíduo, a não ser os de caráter forte, pode permitir-se licenças que vão do chegar atrasado ao trabalho até mesmo aos conchavos e pilantragens mais sórdidos.
Está aí o nó górdio: somos uma sociedade de facilitações e tolerâncias. Os escândalos de Brasília, todos sabemos, darão em nada. Talvez alguém fique fora da vida pública por alguns anos e pronto. Esqueceremos que trata-se de um bandido, tão perigoso quando o traficante Elias Maluco, e até votaremos nele de novo se vier a candidatar-se.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Descoberta no Congresso Nacional a substância "Sangue de Midas"
Emanoel Barreto
A urina de deputados e senadores é dourada. Muito mais que a do comum dos mortais. Cientistas meus amigos, após largos anos de estudos, noites de ingentes pesquisas e profundos trabalhos alquímicos, descobriram o motivo: de tanto tratarem de assuntos que envolvem dinheiro, temas e coisas com este conexos, absorveram a essência áurea do mais nobre metal e agora têm suas veias a substância conhecida como "Sangue de Midas", inofensiva a seus portadores, mas altamente tóxica aos que, na taxonomia social, estão no grupo conhecido como "povo."
Trata-se de importante descoberta que, sem dúvida, contribuirá para o progresso da ciência que estuda os homens bons, especial categoria de seres humanos que se dedica a viver as delícias da vida. Talvez volte a falar do assunto numa próxima crônica.
É que as pesquisas continuam e os cientistas interromperam a entrevista para fazer novos estudos.
Emanoel Barreto
A urina de deputados e senadores é dourada. Muito mais que a do comum dos mortais. Cientistas meus amigos, após largos anos de estudos, noites de ingentes pesquisas e profundos trabalhos alquímicos, descobriram o motivo: de tanto tratarem de assuntos que envolvem dinheiro, temas e coisas com este conexos, absorveram a essência áurea do mais nobre metal e agora têm suas veias a substância conhecida como "Sangue de Midas", inofensiva a seus portadores, mas altamente tóxica aos que, na taxonomia social, estão no grupo conhecido como "povo."
Trata-se de importante descoberta que, sem dúvida, contribuirá para o progresso da ciência que estuda os homens bons, especial categoria de seres humanos que se dedica a viver as delícias da vida. Talvez volte a falar do assunto numa próxima crônica.
É que as pesquisas continuam e os cientistas interromperam a entrevista para fazer novos estudos.
O trágico e sua risada terrível
Emanoel Barreto
O artista é uma espécie de danado, de maldito que a todos assola e por todos é assolado. Como praga benigna, às vezes maligna mesmo, ele não cresce: se alastra. O cartum do Angeli é o protótipo da vida como processo de decadência. O alfa e o ômega da nossa grandiosa e ridícula existência. O artista ri de si e de todos os todos que o habitamos, porque ele habita em todos nós. Não sou filósofo. Nada sei de altas indagações. Apenas convido você e ver e rir. Depois, talvez, quem sabe, um discreto choro...
Emanoel Barreto
O artista é uma espécie de danado, de maldito que a todos assola e por todos é assolado. Como praga benigna, às vezes maligna mesmo, ele não cresce: se alastra. O cartum do Angeli é o protótipo da vida como processo de decadência. O alfa e o ômega da nossa grandiosa e ridícula existência. O artista ri de si e de todos os todos que o habitamos, porque ele habita em todos nós. Não sou filósofo. Nada sei de altas indagações. Apenas convido você e ver e rir. Depois, talvez, quem sabe, um discreto choro...
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
http://ojornalista.com/blog/wp-content/uploads/2009/03/jornalismo1.jpg
O jornalismo traiçoeiro
Emanoel Barreto
Vejo no JB: RIO - Com o enredo "Do paraíso de Deus ao paraíso da loucura, cada um sabe o que procura", o desfile da Mocidade Independente de Padre Miguel, escola que abriu o segundo dia de desfiles do Grupo Especial, emocionou o prefeito Eduardo Paes.
- Foi um desfile emocionante, a escola já entrou empolgando. O refrão do samba é muito bom. Fiquei muito feliz com tanta garra, a Mocidade voltou ao Grupo Especial merecidamente – afirmou o prefeito, que cantou o samba da escola junto com os componentes das alas.
Paes assistiu ao desfile da Mocidade desde o início. Saudou a Comissão de Frente, os integrantes das alas, reverenciou o casal de mestra-sala e porta-bandeira e fez questão de beijar o pavilhão da escola. No recuo da bateria, tocou chocalho no meio dos ritmistas e cumprimentou a cantora Elza Soares, que desfilou como madrinha da bateria.
Sobre o desfile de domingo, Eduardo Paes disse que ficou entusiasmado com a Unidos da Tijuca.
- Minha opinião é igual à da maioria das pessoas. A Unidos da Tijuca fez um desfile maravilhoso. O carnavalesco Paulo Barros merece ganhar um Carnaval - ressaltou.
Logo após a passagem da Mocidade, o prefeito disse que há um projeto de ampliação do Sambódromo sendo negociado com a AmBev. Paes informou que essa é mais uma obra visando as Olimpíadas de 2016.
...........
As assessorias de imprensa chamam de "mídia espontânea" a esse tipo de matéria que você acabou de ler. Ou seja: uma matéria cujo enquadramento mostra positivamente um determinado ator social - um político, por exemplo - sem que tenha havido, por parte de assessoria, qualquer gestão nesse sentido. "Espontaneamente", o jornal faz a matéria que deixa a pessoa pública "bem" na foto. Acontece. É raro, mas acontece.
Isso ocorre quando um determinado fato tem valoração positiva em si, e é tão forte, que o jornal é "obrigado" a noticiar. Ocorre, porém, que, muitas vezes, o jornal, para atender a interesses particulares, normalmente interesses econômicos da empresa jornalística, viabiliza acontecimentos como se fora mídia espontânea.
Parece ser o caso da matéria acima. Nada justifica o destaque dado ao prefeito do Rio pelo JB. São a declaração do óbvio, tentando mostrá-lo como um homem do povo, vibrador, um "carioca autêntico". As palavras são o que em jornalismo é chamado de entrevista ritual: tudo o que o declarante vai dizer faz parte daquilo que Nelson Rodrigues chamava de o óbvio ululante: ou alguém esperava que o prefeito fosse deplorar ou criticar alguma escola? Nem precisa responder.
A atitude do JB é uma forma de desrespeito ao leitor. Uma farsa, um lamentável e (mal) intencionado equívoco jornalístico. Uma vibração vazia, entrincheirada nos interesses cruzados do jornal.
O jornalismo traiçoeiro
Emanoel Barreto
Vejo no JB: RIO - Com o enredo "Do paraíso de Deus ao paraíso da loucura, cada um sabe o que procura", o desfile da Mocidade Independente de Padre Miguel, escola que abriu o segundo dia de desfiles do Grupo Especial, emocionou o prefeito Eduardo Paes.
- Foi um desfile emocionante, a escola já entrou empolgando. O refrão do samba é muito bom. Fiquei muito feliz com tanta garra, a Mocidade voltou ao Grupo Especial merecidamente – afirmou o prefeito, que cantou o samba da escola junto com os componentes das alas.
Paes assistiu ao desfile da Mocidade desde o início. Saudou a Comissão de Frente, os integrantes das alas, reverenciou o casal de mestra-sala e porta-bandeira e fez questão de beijar o pavilhão da escola. No recuo da bateria, tocou chocalho no meio dos ritmistas e cumprimentou a cantora Elza Soares, que desfilou como madrinha da bateria.
Sobre o desfile de domingo, Eduardo Paes disse que ficou entusiasmado com a Unidos da Tijuca.
- Minha opinião é igual à da maioria das pessoas. A Unidos da Tijuca fez um desfile maravilhoso. O carnavalesco Paulo Barros merece ganhar um Carnaval - ressaltou.
Logo após a passagem da Mocidade, o prefeito disse que há um projeto de ampliação do Sambódromo sendo negociado com a AmBev. Paes informou que essa é mais uma obra visando as Olimpíadas de 2016.
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As assessorias de imprensa chamam de "mídia espontânea" a esse tipo de matéria que você acabou de ler. Ou seja: uma matéria cujo enquadramento mostra positivamente um determinado ator social - um político, por exemplo - sem que tenha havido, por parte de assessoria, qualquer gestão nesse sentido. "Espontaneamente", o jornal faz a matéria que deixa a pessoa pública "bem" na foto. Acontece. É raro, mas acontece.
Isso ocorre quando um determinado fato tem valoração positiva em si, e é tão forte, que o jornal é "obrigado" a noticiar. Ocorre, porém, que, muitas vezes, o jornal, para atender a interesses particulares, normalmente interesses econômicos da empresa jornalística, viabiliza acontecimentos como se fora mídia espontânea.
Parece ser o caso da matéria acima. Nada justifica o destaque dado ao prefeito do Rio pelo JB. São a declaração do óbvio, tentando mostrá-lo como um homem do povo, vibrador, um "carioca autêntico". As palavras são o que em jornalismo é chamado de entrevista ritual: tudo o que o declarante vai dizer faz parte daquilo que Nelson Rodrigues chamava de o óbvio ululante: ou alguém esperava que o prefeito fosse deplorar ou criticar alguma escola? Nem precisa responder.
A atitude do JB é uma forma de desrespeito ao leitor. Uma farsa, um lamentável e (mal) intencionado equívoco jornalístico. Uma vibração vazia, entrincheirada nos interesses cruzados do jornal.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
http://www.brunolatini.com.br/blog/wp-content/uploads/2009/09/Bruno-Latini-Vitrine-do-Ladr%C3%A3o-BLOG.jpg
O ladrão está dentro do cofre
Emanoel Barreto
O texto a seguir não é transcrição de alguma obra de Kafka. Nada disso. Está na Folha e não é ficção, é verdade. O sujeito que imprime o dinheiro do país é, vamos ser bem claros, um ladrão. Leia abaixo.
O presidente da Casa da Moeda, Luiz Felipe Denucci, tem no seu encalço o fisco, o Ministério Público e a Polícia Federal. A Receita Federal o autuou em R$ 3,5 milhões sob a suspeita de fraude no Imposto de Renda e de operação irregular de câmbio no valor de US$ 1 milhão.
Não bastassem as investigações dos três órgãos públicos, o responsável pela impressão de todo o dinheiro do país enfrenta agora também pressão do próprio partido que o apadrinhou, o PTB. Na terça-feira passada, os deputados Jovair Arantes (GO) e Nelson Marchezelli (SP) foram ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, pedir a cabeça de Denucci. Mantega afirmou que ele fica no cargo.
....
O ladrão está dentro do cofre
Emanoel Barreto
O texto a seguir não é transcrição de alguma obra de Kafka. Nada disso. Está na Folha e não é ficção, é verdade. O sujeito que imprime o dinheiro do país é, vamos ser bem claros, um ladrão. Leia abaixo.
O presidente da Casa da Moeda, Luiz Felipe Denucci, tem no seu encalço o fisco, o Ministério Público e a Polícia Federal. A Receita Federal o autuou em R$ 3,5 milhões sob a suspeita de fraude no Imposto de Renda e de operação irregular de câmbio no valor de US$ 1 milhão.
Não bastassem as investigações dos três órgãos públicos, o responsável pela impressão de todo o dinheiro do país enfrenta agora também pressão do próprio partido que o apadrinhou, o PTB. Na terça-feira passada, os deputados Jovair Arantes (GO) e Nelson Marchezelli (SP) foram ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, pedir a cabeça de Denucci. Mantega afirmou que ele fica no cargo.
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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
O samba do crioulo doido também chega ao jornalismo
Emanoel Barreto
Uma das coisas que mais angustiam aos jornalistas é a necessidade imperiosa de ter notícias. É uma espécie de imperativo categórico, mesmo quando o mundo não nos oferece a nossa matéria primas. Pior que isso, ou pelo menos tão ruim quanto isso, é o fato de que, como vivemos da fragmentação do mundo, retirando daqui e dali acontecimentos que por nós sejam tidos como importantes ou interessantes, muitas vezes caímos no samba do crioulo doido.
Explico: já viu a primeira página da Folha aí em cima? Claro. Vamos à análise: como o assunto do momento é o carnaval, a Folha não tem como não dar um fotaço de carnaval na capa. É algo até mesmo ritual, uma reverência que mesmo um jornal que se diz "sério" tem que fazer ao hedonismo nacional.
Agora, veja uma coisa: seu olhar de leitor está treinado, treinado por nós, jornalistas, a ligar imediatamente a foto de destaque como o texto da manchete que lhe vem logo abaixo. E, no caso, o que temos? Apesar do esforço do editor da primeira página e do seu diagramador (ou paginador, como querem os modernos), você tenta fazer o link automaticamente e... o assunto nada tem a haver com carnaval.
É que o jornal viu-se diante de um dilema: como é um jornal "sério", não podia dar toda a capa aos festejos. Assim, à concessão de uma foto dos adoradores de Baco, tinha, também, que manter noticiário voltado para enquadramento mais ajustado ao dia a dia do jornal.
Haveria saída mais inteligente, dividindo o noditiciário? Haveria. Muitas. Mas o fato é que editor e diagramador falharam e você, até mesmo eu, quando buscamos o texto de carnaval abaixo da foto encontramos algo bem diverso. Tudo bem: é o samba do crioulo doido, mexendo até mesmo com as manchetes do cotidiano.
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Samba exaltação
Emanoel BarretoEste Brasil que canta
e é feliz.
Não é igual ao brasil
que não canta
nem é feliz.
Ou o Brasil que canta
o brasil nem sabe
que, na verdade,
não canta nem é feliz.
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