segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010


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O perigo do comunismo ou uma ladra na presidência
Emanoel Barreto

A edição de domingo último da Folha e a Veja desta semana dão o parâmetro em que, na grande imprensa, se passará a campanha presidencial. A Folha revirou o passado da ex-guerrilheira Rousseff como uma folha corrida, enquanto a Veja a coloca como alguém autoritário, mas com pragmática suficiente para domar o petismo "mais vermelho". A capa da edição é sugestiva: a foto de Rousseff em preto e branco tem um poderoso efeito discursivo e insinua

Não vou entrar nos méritos dela ou do seu suposto próximo adversário, José Serra que, taticamente, não assume a candidatura, certamente esperando que a fortuna maquiaveliana o beneficie. O que vejo, a partir dos índices que mencionei, é o seguinte: o mais vulgar tratamento ideológico à figura da candidata, cujo passado será utilizado ad nauseam para traçar seu perfil como alguém que, chamada, atenderá pelo apodo de "comunista", termo vago frente ao senso comum, que não tem bem ideia do que isso seja, mas, "coisa boa não deve ser".

Em outras palavras, será ressuscitado todo um vocabulário precedente, com origens nas sendas, penumbras e nevoeiros da guerra-fria, insinuando o perigo de eleger-se alguém "suspeito", alguém com passado "comunista". Na verdade, mais que comunista, ela será atacada como alguém que participou da luta armada, uma espécie de assaltante ideológica, pior que isso, uma ladra. No popular, uma ladrona. Essa imagem pode ser arrasadora: uma ladra na presidência? Como pode?

O que tento dizer é que isso em nada beneficia a democracia. Substitui-se o debate, o hoje, pelo tempo que passou, foi superado historicamente e, como tal, deve ser vivido em plenitude. Contudo, acontecendo isso, a Folha também deverá ser interpelada pelo seu passado de empresa que colaborou com a repressão oriunda de 64.

É notório - e quem conhece alguma coisa da história recente sabe -, que o jornal facilitava o uso de viaturas de sua frota aos setores mais parrudos da ditadura para a captura e, sei lá mais o quê, de pessoas desalinhadas ao sistema. Matou-se muita gente em defesa da liberdade...

Creio que o obscurantismo vai imperar, num noticiário eivado de más intenções mas imunizado pela "objetividade". Não vejo grandes diferenças, em práxis, entre ela e Serra. Todavia, é sabido que o PSDB é um partido entreguista e temo que sua faina seja desencadeada novamente com seu ascenso ao poder. Não tenho dúvida de que o PMDB, derrotado com Roussef, venha a se aliar aos tucanos.

Quanto a ela, estimo, suponho, desejo, que tenha uma atitude que responda mais diretamente aos interesses históricos do País. A globalização não passa de uma rede de interesses do capital transnacional, massacrando o Homem, a humanidade, a dignidade, sob a consigna de uma malsinada modernidade. E acho até que comem criancinhas.

Um comentário:

Roberto disse...

Com relação a Dilma, não é preciso ir no passado tão distante, basta relembrar o episódio da ex Secretária da Receita Federal e também um currículo com informações mentirosas. Quanto a arrogância dela, basta ouví-la por cinco minutinhos.