segunda-feira, 8 de março de 2010

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A graça de mil deuses
Emanoel Barreto

A proximidade, quase iminência da eleição presidencial, intensificará o processo de espetacularização da política - atividade que sempre teve seu dado espetacular desde a ágora grega. Candidatos se apresentarão como a imagem viva da salvação, expressas suas mensagens em fragmentos televisivos cujos apelos ao emocional suplantarão em muito o racional e o político propriamente dito.

A campanha política, paradoxalmente, despolitiza a política, fulaniza a campanha: é Dilma ou não é? É Serra ou não é? - Marina, ao que se supõe, é que não é. Ciro, também.

Correligionários e simpatizantes ficarão com os ânimos exaltados e, de um lado e de outro, encontrarão mil motivos para encontrar na petista e no tucano as melhores e as piores qualidades do mundo, depende do olhar.

É claro que nenhum dos dois é o salvador; é óbvio que integram entidades partidárias onde militantes, detentores de mandados e outros quejandos são criminosos (corruptos, espertalhões, sabidinhos, etc...); é inegável que, eleito, um outro não conseguirá "salvar" o país. Nenhuma simples presença humana jamais o fará. Vide Obama e seu "yes, we can".

Mesmo assim o marketing de cada um o apresentará como a personificação da graça de mil deuses, devendo o eleitorado estar grato a cada um desses deuses por existirem Dilma e Serra.

Não voto nele por desconfiar de seus propósitos neoloberais, lesivos aos trabalhadores; tampouco acredito nela como se fora sacerdotisa. Voto, mas sem fé. Em matéria de fé política sou agnóstico.
Às minhas mulheres, no seu Dia
Emanoel Barreto

Há um gesto, que vai do inocente pedido de um brinquedo ou um sorvete, ao mais alentado e afetuoso abraço. É o gesto que brota e que se aninha nas mãos femininas que me cercam: minha neta feita de azul, minhas filhas sempre meninas e Minha Mulher e seus passos - em nossa secreta e delicada eternidade.

domingo, 7 de março de 2010

sexta-feira, 5 de março de 2010

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Carta de um animal à Promotora Gilka da Mata


O signatário desta missiva, para os fins a que se propõe, abdica de sua condição humana e se coloca sob a proteção do Estatuto de Proteção dos Animais, já que pelas leis humanas não foi assim tratado. A semiose do texto explicará à larga os motivos para tanto.


Anamnese social: o animal signatário vive no bioma urbano localizado na cidade do Natal, Nordeste do Brasil, mais especificamente à Rua Industrial João Mota, onde compartilha com semelhantes da espécie um tratamento bárbaro e desumano por parte da Prefeitura do Natal, atividade perpetrada por construtora que realiza obras de drenagem na área. O animal signatário, que se considera ameaçado em sua normalidade de vida durante períodos chuvosos, acusa os autores da obra de agir contra o interesse da preservação de seres silvestres como o mencionado signatário, já que o bom senso e a condição humana não foram suficientes para sensibilizar a Prefeitura, resultando daí o apelo ao Estatuto.


Requerimento: Requer o animal que Vossa Excelência, como defensora do meio ambiente, o que inclui flora e fauna, e consequentemente o missivista, tome providências visando embargar a citada e malsinada obra. A descrição da mesma, sucintamente, relata: meio-fio mais alto que as calçadas, pista de rolamento também mais alta que a calçada, acesso a garagens prejudicado por montes de areia, péssima qualidade urbanística, que fere até mesmo ao mais inculto olhar.


Consequências da obra: estima o ser silvestre ameaçado que os maléficos efeitos poderão ser sentidos durante os períodos chuvosos, pois a implacável lei da gravidade levará a água das chuvas às casas.


Desta forma, o animal que vos fala, respeitosamente, invoca vossa proteção e vossa graça no sentido de fazer Prefeitura e iniciativa privada sentirem o peso da lei humana sobre ambos e o amparo do Estatuto dos Animais voltar-se a favor de si. Fotos do desastre, recentes e mais antigas, podem ser encontradas no blog Coisas de Jornal (http://coisasdejornal.blogspot.com). Mas, uma visita seria extremamente benéfico a este animal, bem como aos seus assemelhados e co-partícipes da grotesca e terrível obra.


Sob as bênçãos de São Francisco, padroeiro dos animais a quem entrego a minha sorte, mas contando antes com a serenidade de vossa inteligência jurídica e sensibilidade de pessoa culta, requeiro: que as obras sejam paralisadas, desmanchadas e refeitas em parâmetros aceitáveis. Somente assim poderei sentir-me humano novamente, ao deixar de me sentir cercado por ambiente urbano perigoso e hostil.


Respeitosamente,


Emanoel Barreto

quinta-feira, 4 de março de 2010

Vereadores silenciam ante o terrremoto que a Prefeitura promove em Capim Macio
Emanoel Barreto

O post anterior é a transcrição de e-mail que mandei aos vereadores de Natal, hoje de manhã. Até agora, 15h47, não recebi qualquer telefonema ou resposta via net. Não sei os motivos, mas, temo, um deles deve ser falha nas assessorias de gabinete, que, por sinal, não é lugar para somente se beber cafezinho. Vou aguardar.
Carta aberta aos Vereadores de Natal

Sras. Vereadores,



Srs. Vereadores


É com indignação, e alguma esperança no trabalho e consciência cívica de Vossas Excelências, que lhes envio esta denúncia à ação que a Prefeitura do Natal perpetra contra os moradores da Rua Industrial João Mota, Capim Macio, a pretexto de acabar com as inundações na área – especificamente na citada rua, onde moro.


Trata-se de trabalho de engenharia vergonhoso, onde não se respeita a mais comezinha lei do mundo, inderrogável e apolítica: a lei da gravidade. Explico: a pista de rolamento ficará bem mais alta que as calçadas, o que sem dúvida encaminhará as enxurradas em período chuvoso para dentro de nossas casas. É uma possibilidade que, posso lhes assegurar, é aterradora.

Além disso, esteticamente é um desastre, pois o meio-fio, também muito alto em relação às mesmas calçadas é um insulto até mesmo ao mais ingênuo olhar sobre como que deveria ser um processo bem feito de urbanização. Um lugar bom para se morar. As fotos podem ser vistas neste blog e dão uma dimensão bem clara do que digo. 


Ontem (dia 3), ao chegar à minha casa, cerca de 17h, deparei-me, estarrecido, com um amontoado de areia jogado à entrada da garagem. Resultado: o carro, para entrar, encostava no chão. Se estiver com todos os ocupantes e se for sair não sai; da mesma forma, se for entrar, não entra. Outras casas também enfrentam problemas semelhantes. Só vendo para crer.


Trata-se de uma violência à cidadania. Repito: só vendo para crer. Assim, o motivo desta carta é cobrar desta Casa que tome posicionamento apartidário, sereno, firme e íntegro e, se necessário implacável, em defesa da comunidade. Aquilo não é uma obra de engenharia, antes é uma aberração brutal, grotesca, tosca e descabida.

O que temo? Temo que, caso a Câmara Municipal tenha comportamento de indiferentismo, omitindo-se, a construtora dará os trabalhos por terminados, a fiscalização das obras os aceitará como “excelentes” e ficaremos jogados à própria sorte. A iniciativa privada, claro, atenta apenas aos seus lucros, jamais irá refazer o trabalho se não for impedida a tempo por Vossas Excelências, que desta forma estariam em apoio inercial à complacência do Município.

Desta forma, como cidadão e como jornalista, cobro dos Srs. e Sras. Vereadores e Vereadoras alguma ação. É preciso embargar essa obra e obrigar Prefeitura a refazer tudo, rebaixando o nível da pista. Peço, inicialmente, que venham à Industrial João Mota presenciar o lastimável espetáculo a que estamos submetidos. Mas, se tiverem a sensibilidade ou pelo menos disposição de agir, que o façam logo, que o façam hoje, pois a pavimentação que está sendo implantada é um logro e uma brutalidade. Uma obra sem qualquer compromisso com atitude de governo municipal regida pelo mais elementar senso de compromisso e responsabilidade social. Aquilo não é uma obra, insisto: é um insulto.


Já denunciei à imprensa e a outros jornalistas que, como eu, têm blogs, Ricardo Rosado e Blog do Barbosa, são exemplos. Manifestaram indignação. Falta agora a palavra dos representantes do povo. Está sendo anunciada reunião com os moradores, às 19h30 de hoje, na Faculdade Maurício de Nassau. Cobro que algum representante da Câmara esteja presente.


Falo de sociedade civil organizada, entendem? E os vereadores têm obrigações para com esta. Sabem disso, não é?


Espero poder confiar na sinceridade de propósito de Vossas Excelências, tão vigorosamente exposta em vossas campanhas eleitorais.

Saudações,


Emanoel Barreto
Jornalista, professor do Curso de Comunicação Social da UFRN

quarta-feira, 3 de março de 2010


Cidadania ultrajada por uma obra grotesca
Emanoel Barreto

Varia entre a estupidez, o desrespeito e o grotesco o que a Prefeitura de Natal está fazendo com os moradores da Rua Industrial João Motta, em Capim Macio. As obras de drenagem não levam em conta a assimetria entre as calçadas e a pista de rolamento. Em outras palavras: a rua ficará mais alta que as calçadas. Não é preciso ser um gênio em engenharia para entender que uma lei inderrogável, a lei da gravidade, fará com que a enxurrada, em período de inverno, avance para dentro das casas.

Na minha casa, então, chegou-se ao nível da brutalidade: colocaram o meio-fio bem alto, largaram um monte de areia na entrada da minha casa e o resultado foi o seguinte: para entrar, o carro arrasta no chão. Se estiver com a lotação completa simplesmente não entra.

Já fui ao Ministério Público e lá, na presença da promotora Gilka da Mata, o engenheiro Demétrio Torres prometeu, há cerca de 15 dias, que enviaria um engenheiro para ver a situação: ninguém apareceu. A situação não estava tão clamorosa quanto hoje. Pior para mim: afinal, cidadão foi feito para isso mesmo: para ser achincalhado, agredido e desrespeitado em seus direitos. E isso mesmo pagando o IPTU em dia. E IPTU caro!

Paciência: estão prometendo para amanhã uma "reunião" com os moradores. Vou rezar. Sou um homem de fé. Acredito em Deus, quero bem a Nossa Senhora, tenho medo de lobisomem. Os dois primeiros são do Bem.  O problema, meu amigo, é o lobisomem...

terça-feira, 2 de março de 2010

Olá, não pude atualizar o blog nos últimos dias. Volto a escrever nesta quinta.
Emanoel Barreto

sábado, 27 de fevereiro de 2010

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O filho de Francisco ou ai-ooo-Silver, avante!
Emanoel Barreto

Quinta-feira passada tive a alegria de participar de banca de mestrado do jornalista Fagner Torres de França. Dono de texto precioso e belo, aliou estilo ao acadêmico e produziu obra importante a respeito da figura do ator político Wilma de Faria. Analisa sua participação na política do Estado, quando deixou de ser dona de casa para se transformar na figura midiática de "guerreira". Publicada a dissertação, será texto indispensável a quem quiser estudar Wilma como fenômeno político-midiático.

Fagner foi aprovado com louvor. À alegria de conhecer esse talento, juntou-se outra, retirada de uma das gavetas da memória afetiva: ele é filho de um grande amigo de infância, Francisco, menino comigo nos anos 60. Tínhamos, eu e Francisco, uma espécie de clube de leitura de revistas em quadrinhos. Antes de proceder à minha avaliação da dissertação, pedi permissão à banca para registrar esse momento de reencontro com o menino Francisco, ali presente e imensamente feliz.

Éramos amigos, veja só, de Roy Rogers, Tarzan, Super Homem, Fantasma, Zorro e Tondo, Príncipe Valente, Mandrake, Rex Allen, David Crockett e Daniel Boone, só para citar os que me vêm à memória.

E ali soube que Francisco, ao contrário de mim, preservou revistas, muitas revistas, que contam as aventuras dos nossos amigos caubóis, todos afinal "superes". Foi bom, muito bom, reencontrar o menino Francisco e saber que o filho de Francisco é um jornalista de talento e um estudioso das ciências sociais.

Estou certo de que nossa legião de amigos também vibrou e ganhou novo animo para continuar percorrendo as pradarias do Velho Oeste. Ai-OO- Silver, Avante!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

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A crise da razão política e a maldição de Brasília


Por Mauro Santayana
Todos os pensadores políticos, de Aristóteles a Hans Kelsen, passando por Maquiavel e os filósofos moralistas ingleses e franceses, advertem contra o mau exemplo dos grandes. Uma sociedade apodrece quando seus líderes perdem a virtude do mando. Perón usou – em meio à conspiração que o derrubaria – uma boa frase, quando descobriu que seu cunhado, depois da morte de Evita, estava praticando falcatruas: “Los gobiernos, como el pescado, empiezan a pudrirse por la cabeza”.


Aristóteles, em Ética a nicômaco, assegura que o comportamento ético se adquire com o hábito de agir corretamente. O habito da virtude fortalece e aumenta a virtude, qualquer virtude, e ele dá o exemplo da coragem: é com o hábito de enfrentar o perigo que nos tornamos corajosos; e é quando nos tornamos corajosos que nos encontramos no máximo grau de enfrentar qualquer perigo. A mesma ideia serve para o processo septicêmico das sociedades políticas. É quando nos sentimos covardes que tememos até mesmo os ratos: e é a ousadia dos grandes corruptos que torna as sociedades lenientes com a corrupção.


“Há muito tempo se diz que a boa-fé é a alma de um grande governo”, assim Montesquieu inicia uma de suas Cartas persas, que serviram de modelo às Cartas chilenas, de Tomás Antonio Gonzaga. Ele se refere, em seguida, a uma hipotética nação das Índias, naturalmente generosa, “pervertida em um instante, do menor de seus indivíduos ao maior deles, pelo mau exemplo de um ministro”. Montesquieu vai adiante: “Vi nascer, de repente, uma sede insaciável de riquezas. Vi formar-se, em um momento, detestável conjuração em busca do enriquecimento, não por um trabalho honesto e uma indústria generosa mas, sim, pela ruína do Estado e de seus concidadãos”.


O que define a ética de um homem de Estado é sua ação na defesa da sociedade que lidera, na busca da igualdade e da justiça. Mas, mesmo se for senhor das mais excelsas virtudes pessoais, ele terá que obedecer a uma vontade maior e acima de seus próprios valores: a lei.


Os legisladores estão fugindo dos princípios e valores aos quais se atavam. Esse é o caso, por exemplo, da situação de Brasília. Durante o governo militar, a cidade foi feudo de contubérnios entre os ditadores de turno, empreiteiros, jornalistas acomodados e servidores públicos de alto nível. O sistema de mordomias tornava a cidade a Ilha da Fantasia. Os grandes jantares, oferecidos pelos ministros, eram de invejar armadores gregos, com faisões, caviar Beluga, vinhos importados. Não havia limites para a ostentação. Um dos ministros, morando em residência do governo, mandou fazer uma piscina em forma de J, porque se chamava Jost.


Assim como o hábito da virtude consolida a virtude, o vício infla o vício, e Brasília se tornou cidade assolada pela corrupção. As “mordomias” deixaram de existir com a redemocratização de 1985, por prévia determinação de Tancredo. Só o presidente e o vice-presidente têm hoje sua despensa abastecida pelos contribuintes. Mesmo assim, durante seu curto governo, Itamar foi cuidadoso com esse direito. Quando seus auxiliares almoçavam com o presidente, as despesas eram quase sempre divididas. Seu governo só ofereceu jantares protocolares aos chefes de Estado estrangeiros, nas visitas e reuniões oficiais, como as do Mercosul.


O fato é que a Constituição de 1988, com a autonomia, facilitou o incremento da corrupção em Brasília. Durante os últimos 20 anos – e devemos excetuar o governo de Cristovam Buarque – a infecção aumentou, até chegar à calamidade atual. Só a intervenção, como primeiro passo, e o retorno da situação política de Brasília à Lei 3.751, de 13 de abril de 1960, que definiu os estatutos da nova capital, poderão recuperar a cidade e, assim, ajudar no saneamento ético da política brasileira. A lei, cujo cumprimento foi, em parte, interrompido pelo governo militar, determinava a nomeação de um prefeito pelo governo federal e a eleição de uma câmara municipal com 20 vereadores. Hoje, todos agem como se Brasília fosse um estado de plenos direitos federativos. Cresce o consenso nos meios políticos e jurídicos de Brasília que a intervenção é medida que se impõe na urgência, até que se revogue a amaldiçoada autonomia

Sandipan Mukherjee - cortesia da Sony World Picture Awards 2010


Essa estranha coisa chamada beleza*
Emanoel Barreto
Vamos fazer uma parada ante as coisas terríveis do mundo, para lançar um olhar sobre essa inesperada coisa chamada beleza. Mensagem de si mesma, signo ígneo, a beleza é uma espécie de tormento. Estranha e feroz às vezes, brilha com um chamamento de perplexidade e, por mais que seja tempestade, traz a difusa paz das grandes ondas.
*Foto que concorre Sony World Picture Awards 2010







quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Volto a atualizar Coisas de Jornal nesta quinta.
Emanoel Barreto

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010


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O perigo do comunismo ou uma ladra na presidência
Emanoel Barreto

A edição de domingo último da Folha e a Veja desta semana dão o parâmetro em que, na grande imprensa, se passará a campanha presidencial. A Folha revirou o passado da ex-guerrilheira Rousseff como uma folha corrida, enquanto a Veja a coloca como alguém autoritário, mas com pragmática suficiente para domar o petismo "mais vermelho". A capa da edição é sugestiva: a foto de Rousseff em preto e branco tem um poderoso efeito discursivo e insinua

Não vou entrar nos méritos dela ou do seu suposto próximo adversário, José Serra que, taticamente, não assume a candidatura, certamente esperando que a fortuna maquiaveliana o beneficie. O que vejo, a partir dos índices que mencionei, é o seguinte: o mais vulgar tratamento ideológico à figura da candidata, cujo passado será utilizado ad nauseam para traçar seu perfil como alguém que, chamada, atenderá pelo apodo de "comunista", termo vago frente ao senso comum, que não tem bem ideia do que isso seja, mas, "coisa boa não deve ser".

Em outras palavras, será ressuscitado todo um vocabulário precedente, com origens nas sendas, penumbras e nevoeiros da guerra-fria, insinuando o perigo de eleger-se alguém "suspeito", alguém com passado "comunista". Na verdade, mais que comunista, ela será atacada como alguém que participou da luta armada, uma espécie de assaltante ideológica, pior que isso, uma ladra. No popular, uma ladrona. Essa imagem pode ser arrasadora: uma ladra na presidência? Como pode?

O que tento dizer é que isso em nada beneficia a democracia. Substitui-se o debate, o hoje, pelo tempo que passou, foi superado historicamente e, como tal, deve ser vivido em plenitude. Contudo, acontecendo isso, a Folha também deverá ser interpelada pelo seu passado de empresa que colaborou com a repressão oriunda de 64.

É notório - e quem conhece alguma coisa da história recente sabe -, que o jornal facilitava o uso de viaturas de sua frota aos setores mais parrudos da ditadura para a captura e, sei lá mais o quê, de pessoas desalinhadas ao sistema. Matou-se muita gente em defesa da liberdade...

Creio que o obscurantismo vai imperar, num noticiário eivado de más intenções mas imunizado pela "objetividade". Não vejo grandes diferenças, em práxis, entre ela e Serra. Todavia, é sabido que o PSDB é um partido entreguista e temo que sua faina seja desencadeada novamente com seu ascenso ao poder. Não tenho dúvida de que o PMDB, derrotado com Roussef, venha a se aliar aos tucanos.

Quanto a ela, estimo, suponho, desejo, que tenha uma atitude que responda mais diretamente aos interesses históricos do País. A globalização não passa de uma rede de interesses do capital transnacional, massacrando o Homem, a humanidade, a dignidade, sob a consigna de uma malsinada modernidade. E acho até que comem criancinhas.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Se essa rua, se essa rua fosse minha... eu mandava, eu mandava drenar (de verdade)

Emanoel Barreto

Barreira contra alagamento, em pleno século 21, quando estamos, todo cidadão consciente, trabalhando para facilitar o acesso das pessoas com dificuldade de locomoção. Meu filho, após um acidente, andando de muletas, teve de saltar várias vezes para entrar e sair. Minha rua é a Industrial João Motta, Capim Macio.


Barreira contra alagamento


Alagamento carnaval 2009 - três dias ilhado


Alagamento carnaval 2009 - carro três dias ao relento

Depois do alagamento do carnaval 2009 - mesmo depois de tanta lama a rua ainda era mais baixa que a calçada, na casa ao lado ainda não tinham modificado a calçada


Obras na rua em dezembro 2009 - presos em casa - obstruíram os dois portões


Obras na rua em dezembro de 2009 - presos em casa - quem quis entrar ou sair escalou as dunas


Assim ficou o portão depois que largaram o serviço

Só coloquei o carro na garagem porque meu filho, às 22 horas, pegou uma enxada e liberou a entrada do portão.


Solicitei a presença de uma pessoa da empresa responsável pela obra, veio o Sr. Roberto. Reclamei que ao final da obra o calçamento vai ficar mais alto que a calçada. Ele disse que o problema era com a casa e que ele seguia um projeto. Veja que o vizinho já aumentou o nível da calçada.

Em vários pontos da rua a pavimentação está ou igual ou superior à altura da calçada. Quando for concluída, a pavimentação estará realmente acima da calçada.


Chuva de menos de 5 minutos: água rente à calçada


Hoje, 21/01/2010, rua alagada, os carros passam e a água faz marola na garagem


Onde está a rua? Onde está a calçada? A obra vai continuar sem alterações? Do outro do lado da rua já estão distribuindo os paralelepípedos. E as visitas que tenho hoje para o almoço? Cancelo ou mando colocar o pé na lama?

Depois da tempestade...

Almoço cancelado. Mãos à obra: lavar a calçada. O resultdo não podia ser pior.







sábado, 20 de fevereiro de 2010

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A homossexualidade de Cristo
Emanoel Barreto

O cantor e compositor Elton John anda dizendo por aí que "Jesus Cristo era um gay superinteligente que compreendia os problemas humanos." A afirmativa de Sir Elton Hercules John, claro, não deve ser levada a sério. A não ser o fato de que ele é um grande artista, que como pessoa de mídia busca a qualquer preço aparecer, sua assertiva não merece ser levada em conta. No máximo, uma esquisitice, na verdade uma jogada promocional, com a utilização de marketing disruptivo, voltado para criar um factoide. Um falso acontecimento.

Seja planejado ou fruto de um insight, um estalo durante entrevista, surtiu o efeito desejado. Tanto, que o estou reproduzindo aqui. É o que Bourdieu chamava de "circulação circular da notícia". Mais claramente: a reprodução da notícia de jornal em jornal. A notícia assumindo a condição de fato primário, em substituição à realidade que a gerou. No caso, a importância que até mesmo eu estou dando a esse factoide. Vale a importância jonalística atribuída, não a consideração de sua validade original, o momento da declaração por ator midiático privilegiado.

Mas, não me deixei levar, não por completo, pela indução advinda do artista globalizado. Não. O que me moveu é o fato de que, usualmente, homossexuais gostam de atribuir a personagens de destaque idêntica condição à sua, como forma de legitimar-se sejam como cidadãos, seja como homossexuais mesmo. 

Grande erro. Além de carrear a si antipatia, esquecem que não precisariam disso, uma vez que crescente parcela da sociedade reconhece, e faz muito bem, o homossexual como pessoa, cidadão e profissional. Claro, somente alguma mente obscurantista retira a outro ser humano tais atributos, em função de orientação sexual divergente da maioria.

O cantor foi esperto ao se promover, porque expert em tais tipos de comunicação. Mas tolo, para dizer o mínimo, enquanto pessoa que, assim agindo, apenas ganha espaço de mídia, sem quaisquer consequências de validade maior.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Glauco, na Folha, Edição de hoje
Patifes e pilantras, legítimos produtos da cultura nacional
Emanoel Barreto

O sórdido espétaculo da cena brasiliense leva à mais explícita e ad nauseam constatação de que tipo de política se pratica no Brasil. Um magote de políticos sem qualquer apreço pela ética e até pelo respeito próprio, apoderou-se dessa manifestação estatal que é o governo estadual, fazendo-o coisa própria e privada.

Todavia, o pior, neste contexto, é o seguinte: políticos não vêm do nada, não são largados aqui por alienígenas ou escaparam de alguma prisão especial de onde jamais deveriam ter saído. Não, políticos vêm da sociedade, nascem dos seus valores, de suas práticas, suas licenciosidades e liberdades sórdidas.

Os que exercem mandatos neste país são um retrato exato do nosso povo, do homem cordial de quem já falava Sérgio Buarque em sua magistral obra Raízes do Brasil, 1936. Não a cordialidade bem falante, prestativa, charmosa até, ou bajuladora e interesseira. Não. Cordialidade como uma espécie de estado de espírito que leva nossa sociedade a um estágio tal de informalidade que, chegando ao poder, ou alguma parcela do poder como nas repartições públicas, o indivíduo, a não ser os de caráter forte, pode permitir-se licenças que vão do chegar atrasado ao trabalho até mesmo aos conchavos e pilantragens mais sórdidos.

Está aí o nó górdio: somos uma sociedade de facilitações e tolerâncias. Os escândalos de Brasília, todos sabemos, darão em nada. Talvez alguém fique fora da vida pública por alguns anos e pronto. Esqueceremos que trata-se de um bandido, tão perigoso quando o traficante Elias Maluco, e até votaremos nele de novo se vier a candidatar-se.









quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Descoberta no Congresso Nacional a substância "Sangue de Midas"
Emanoel Barreto

A urina de deputados e senadores é dourada. Muito mais que a do comum dos mortais. Cientistas meus amigos, após largos anos de estudos, noites de ingentes pesquisas e profundos trabalhos alquímicos, descobriram o motivo: de tanto tratarem de assuntos que envolvem dinheiro, temas e coisas com este conexos, absorveram a essência áurea do mais nobre metal e agora têm suas veias a substância conhecida como "Sangue de Midas", inofensiva a seus portadores, mas altamente tóxica aos que, na taxonomia social, estão no grupo conhecido como "povo."

Trata-se de importante descoberta que, sem dúvida, contribuirá para o progresso da ciência que estuda os homens bons, especial categoria de seres humanos que se dedica a viver as delícias da vida. Talvez volte a falar do assunto numa próxima crônica.

É que as pesquisas continuam e os cientistas interromperam a entrevista para fazer novos estudos.
O trágico e sua risada terrível
Emanoel Barreto

O artista é uma espécie de danado, de maldito que a todos assola e por todos é assolado. Como praga benigna, às vezes maligna mesmo, ele não cresce: se alastra. O cartum do Angeli é o protótipo da vida como processo de decadência. O alfa e o ômega da nossa grandiosa e ridícula existência. O artista ri de si e de todos os todos que o habitamos, porque ele habita em todos nós. Não sou filósofo. Nada sei de altas indagações. Apenas convido você e ver e rir. Depois, talvez, quem sabe, um discreto choro...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

http://ojornalista.com/blog/wp-content/uploads/2009/03/jornalismo1.jpg
O jornalismo traiçoeiro
Emanoel Barreto

Vejo no JB:  RIO - Com o enredo "Do paraíso de Deus ao paraíso da loucura, cada um sabe o que procura", o desfile da Mocidade Independente de Padre Miguel, escola que abriu o segundo dia de desfiles do Grupo Especial, emocionou o prefeito Eduardo Paes.

- Foi um desfile emocionante, a escola já entrou empolgando. O refrão do samba é muito bom. Fiquei muito feliz com tanta garra, a Mocidade voltou ao Grupo Especial merecidamente – afirmou o prefeito, que cantou o samba da escola junto com os componentes das alas.

Paes assistiu ao desfile da Mocidade desde o início. Saudou a Comissão de Frente, os integrantes das alas, reverenciou o casal de mestra-sala e porta-bandeira e fez questão de beijar o pavilhão da escola. No recuo da bateria, tocou chocalho no meio dos ritmistas e cumprimentou a cantora Elza Soares, que desfilou como madrinha da bateria.


Sobre o desfile de domingo, Eduardo Paes disse que ficou entusiasmado com a Unidos da Tijuca.
- Minha opinião é igual à da maioria das pessoas. A Unidos da Tijuca fez um desfile maravilhoso. O carnavalesco Paulo Barros merece ganhar um Carnaval - ressaltou.

Logo após a passagem da Mocidade, o prefeito disse que há um projeto de ampliação do Sambódromo sendo negociado com a AmBev. Paes informou que essa é mais uma obra visando as Olimpíadas de 2016.
...........

As assessorias de imprensa  chamam de "mídia espontânea" a esse tipo de matéria que você acabou de ler. Ou seja: uma matéria cujo enquadramento mostra positivamente um determinado ator social - um político, por exemplo - sem que tenha havido, por parte de assessoria, qualquer gestão nesse sentido. "Espontaneamente", o jornal faz a matéria que deixa a pessoa pública "bem" na foto. Acontece. É raro, mas acontece.

Isso ocorre quando um determinado fato tem valoração positiva em si, e é tão forte, que o jornal é "obrigado" a noticiar. Ocorre, porém, que, muitas vezes, o jornal, para atender a interesses particulares, normalmente interesses econômicos da empresa jornalística, viabiliza acontecimentos como se fora mídia espontânea.

Parece ser o caso da matéria acima. Nada justifica o destaque dado ao prefeito do Rio pelo JB. São a declaração do óbvio, tentando mostrá-lo como um homem do povo, vibrador, um "carioca autêntico". As palavras são o que em jornalismo é chamado de entrevista ritual: tudo o que o declarante vai dizer faz parte daquilo que Nelson Rodrigues chamava de o óbvio ululante: ou alguém esperava que o prefeito fosse deplorar ou criticar alguma escola? Nem precisa responder.

A atitude do JB é uma forma de desrespeito ao leitor. Uma farsa, um lamentável e (mal) intencionado equívoco jornalístico. Uma vibração vazia, entrincheirada nos interesses cruzados do jornal.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

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O ladrão está dentro do cofre
Emanoel Barreto

O texto a seguir não é transcrição de alguma obra de Kafka. Nada disso. Está na Folha e não é ficção, é verdade. O sujeito que imprime o dinheiro do país é, vamos ser bem claros, um ladrão. Leia abaixo.

O presidente da Casa da Moeda, Luiz Felipe Denucci, tem no seu encalço o fisco, o Ministério Público e a Polícia Federal. A Receita Federal o autuou em R$ 3,5 milhões sob a suspeita de fraude no Imposto de Renda e de operação irregular de câmbio no valor de US$ 1 milhão.



Não bastassem as investigações dos três órgãos públicos, o responsável pela impressão de todo o dinheiro do país enfrenta agora também pressão do próprio partido que o apadrinhou, o PTB. Na terça-feira passada, os deputados Jovair Arantes (GO) e Nelson Marchezelli (SP) foram ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, pedir a cabeça de Denucci. Mantega afirmou que ele fica no cargo.
....
A charge de Angeli, na Folha, é o retrato do Congresso. (EB)*
*Nem precisava dizer.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010


O samba do crioulo doido também chega ao jornalismo
Emanoel Barreto

Uma das coisas que mais angustiam aos jornalistas é a necessidade imperiosa de ter notícias. É uma espécie de imperativo categórico, mesmo quando o mundo não nos oferece a nossa matéria primas. Pior que isso, ou pelo menos tão ruim quanto isso, é o fato de que, como vivemos da fragmentação do mundo, retirando daqui e dali acontecimentos que por nós sejam tidos como importantes ou interessantes, muitas vezes caímos no samba do crioulo doido.

Explico: já viu a primeira página da Folha aí em cima? Claro. Vamos à análise: como o assunto do momento é o carnaval, a Folha não tem como não dar um fotaço de carnaval na capa. É algo até mesmo ritual, uma reverência que mesmo um jornal que se diz "sério" tem que fazer ao hedonismo nacional.

Agora, veja uma coisa: seu olhar de leitor está treinado, treinado por nós, jornalistas, a ligar imediatamente a foto de destaque como o texto da manchete que lhe vem logo abaixo. E, no caso, o que temos? Apesar do esforço do editor da primeira página e do seu diagramador (ou paginador, como querem os modernos), você tenta fazer o link automaticamente e... o assunto nada tem a haver com carnaval.

É que o jornal viu-se diante de um dilema: como é um jornal "sério", não podia dar toda a capa aos festejos. Assim, à concessão de uma foto dos adoradores de Baco, tinha, também, que manter noticiário voltado para enquadramento mais ajustado ao dia a dia do jornal.

Haveria saída mais inteligente, dividindo o noditiciário? Haveria. Muitas. Mas o fato é que editor e diagramador falharam e você, até mesmo eu, quando buscamos o texto de carnaval abaixo da foto encontramos algo bem diverso. Tudo bem: é o samba do crioulo doido, mexendo até mesmo com as manchetes do cotidiano.


domingo, 14 de fevereiro de 2010

Samba exaltação
Emanoel Barreto

Este Brasil que canta
e é feliz.

Não é igual ao brasil
que não canta
nem é feliz.

Ou o Brasil que canta
o brasil nem sabe
que, na verdade,
não canta nem é feliz.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Volto a atualizar Coisas de Jornal neste domingo.
Emanoel Barreto

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010


 http://www.dgp.eb.mil.br/imagens/foto_GenSantaRosa.gif
General insubordinado é exonerado
Emanoel Barreto

A Agência Estado divulga: Brasília (AE) - Disposto a abafar o mais rápido possível novo foco de crise nas Forças Armadas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva endossou ontem a decisão do ministro da Defesa, Nelson Jobim, de exonerar o general Maynard Marques de Santa Rosa, do cargo de chefe do Departamento Geral de Pessoal do Exército. O general Santa Rosa criticou, em carta publicada na internet, a Comissão da Verdade, criada pelo governo para investigar crimes de violação aos direitos humanos durante o regime militar.



Ministro Nelson Jobim avalia que houve quebra de hierarquia e pediu a exoneração do militar que ocupa cargo no Exército Santa Rosa classificou-a como “comissão da calúnia”, dizendo que ela era composta por “fanáticos que, no passado recente, adotaram o terrorismo, o sequestro de inocentes e o assalto a bancos como meio de combate ao regime para alcançar o poder”.


Lula, que é comandante em chefe das Forças Armadas, afirmou que o afastamento do general era necessário para que “fique claro que não vai aceitar” este tipo de comportamento. O artigo do general Santa Rosa estava circulando na internet havia um mês e já era de conhecimento do ministro Jobim Mas ontem, com a divulgação de trechos da carta pelo jornal “Folha de S.Paulo”, Jobim entendeu que a opinião do general se tornara pública demais. Ou seja, não poderia mais ser considerado como opinião particular, como alegara o militar.
....
A exoneração do militar insubordinado deve servir de exemplo. Ele feria os princípios castrenses básicos disciplina e hierarquia. Forças Armadas, para funcionar como guardiãs da democracia devem, por princípio, respeitá-la, o que inclui necessariamente curvar-se ante as decisões de governo democraticamente eleito. Desviar-se de tal princípio é voltar-se contra o exemplo de Caxias.


A frágil democracia brasileira padece dos vícios da nossa sociedade, cuja licenciosidade cívica, por mais esdrúxula que possa ser esta formulação - em verdade a licenciosidade civil é anti-cívica - resulta nessa cultura de violência à sociedade. Violência aqui como equivalente de corrupção.


Agiu bem o governo, punindo na raiz problema que poderia eventualmente ter desdobramentos que, bem, prefiro nem pensar...

PENSANDO EM VOZ ALTA
(O preguiçoso)


Posso até nao ter realizado. Mas fui, sinceramente, quem mais pensou a respeito.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Madonna mia!!!!
Emanoel Barreto

A Folha informa que Madonna foi recebida em São paulo
pelo governador José Serra. Importantíssimo esse encontro.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u692250.shtml

É o que Nelson Rodrigues chamaria de complexo de vira lara. Um governador de estado
perdendo tempo em conversar com uma artista que não mantém qualquer contato sério com a
cultura nacional, nossos problemas e dilemas históricos.


Foi recebida apenas por ser americana e ter a seu dispor uma ciclópica máquina de propaganda que
 a coloca como uma espécie de deusa. Terá dado a Serra algum precioso ensinamento, quem sabe
o caminho para a felicidade geral da nação? Vai saber...
O terror como espetáculo remasterizado
Emanoel Barreto

A rede americana ABC News divulgou hoje novas fotos aéreas tiradas logo após os ataques de 11 de setembro de 2001, no World Trade Center, em Nova York.


As imagens foram obtidas por meio de um pedido judicial feito pela rede ao Instituto Nacional de Padrões Tecnológicos (Nist, na sigla em inglês) com base no Freedom of Information Act, ou lei sobre a liberdade de informação. Com o pedido, a rede disse ter obtido 2.779 fotos, em nove CDs. Muitas, tiradas de helicópteros, nunca tinham sido divulgadas.
O texto acima é da Folha.
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A necessidade de espetaculariz a realidade, mesmo em suas manifestações mais brutais, é uma das mais esquizofrênicas manifestações do jornalismo. A rigor, qual a utilidade, importância ou interesse na publicação dessas fotos? Ajudará na resolução de algum tipo de dúvida com relação ao ocorrido? Por suposto, não.

Todavia, uma auto-proclamada liberdade de informação serve de motivo para que tal ocorra. A sociedade do espetáculo, que traveste tudo em acontecimento de palco, tem na mídia sua maior manifestação.

Trata-se, no caso, de um processo de metalinguagem, em que o código do espetacular re-trata o que já fora espetáculo terrificante, esse, programado por artes da Al Qaeda, uma vez que o terrorismo age a fim de ocupar exatamente espaço e tempo no jornalismo.

A força do terrorismo está nos gritos que levanta a partir de uma ameaça contida em seus atos: o triste espetáculo da brutalidade não tem dia ou hora para acontecer, estabelecendo um processo de intimidação maior ou menor ante a possibilidade de sua repetição.

Reprisar as fotos é na verdade fazer renascer o que já é velho jornalisticamente, mas, como se diz, o show não pode parar.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

http://revolucionaria.files.wordpress.com/2009/02/corrupcao.jpg
A falência dos corruptos
Emanoel Barreto

A jornalista Marta Salomon, da Folha, registra na edição de hoje que o governo federal pretende fechar empresas flagradas em atos de corrupção. Diz a matéria:

Projeto de lei enviado ontem pelo presidente Lula ao Congresso para reprimir a corrupção contra a administração pública prevê multas de até R$ 6 milhões e o fechamento de empresas, em casos mais graves.


Caso o projeto seja aprovado como foi proposto pelo governo, pela primeira vez o patrimônio de empresas poderá ser atingido para ressarcir os prejuízos causados em fraudes de licitações, pagamento de propina a servidores públicos ou maquiagem de serviços e produtos vendidos ao governo.


No caso do fechamento da empresa, a punição dependerá de decisão da Justiça. Tratada no projeto como "dissolução compulsória", a medida poderá atingir empresas criadas para lavar dinheiro, por exemplo. A maior parte das punições poderá ser aplicada administrativamente, pelo próprio governo.


"Atualmente, a legislação prevê multas, mas os valores são muito baixos, não inibem a corrupção", observou o ministro Jorge Hage (Controladoria-Geral da União), que participou da elaboração do projeto. Segundo ele, hoje é "quase impossível", alcançar uma empresa flagrada em corrupção para recuperar o dano causado à administração pública.


Hoje, a punição mais pesada é a declaração de inidoneidade da empresa -o que bloqueia novos negócios com a administração pública. Foi o que aconteceu em 2007, por exemplo, com a construtora Gautama, flagrada pela Polícia Federal por fraude em licitação.


A CGU reúne, em cadastro disponível na internet, o nome de cerca de 1.400 empresas inidôneas ou que não podem celebrar contratos com a administração pública.


O projeto permitirá ao governo bloquear o acesso a incentivos fiscais ou a empréstimos em bancos oficiais a empresas flagradas em corrupção -além da cobrança de multas pesadas, que variam de 1% a 30% do patrimônio das empresas ou de R$ 6 mil a R$ 6 milhões. Os valores são semelhantes aos previstos em casos de formação de cartel ou práticas contrárias à concorrência.


Hage disse que a tarefa de flagrar empresas corruptas continuará difícil. "A corrupção não deixa gotas de sangue ou impressão digital. A identificação depende de todo um arsenal de inteligência da CGU, da PF e do Ministério Público, e de autorizações de escutas telefônicas e de quebra de sigilo, com todas as dificuldades que encontramos para isso no Judiciário."


O projeto de lei também é uma resposta a compromissos internacionais assumidos pelo Brasil em convenções contra a corrupção. A proposta que segue para o Congresso é semelhante à já adotada em países como Estados Unidos, Itália e, mais recentemente, Chile.


O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), disse que haverá empenho para que o projeto seja aprovado em ano eleitoral. "A maioria dos empresários e dos financiadores de campanha não quer corrupção", afirmou.


Relatório da Transparência Internacional divulgado no final do ano passado calcula que o pagamento de propinas movimente entre US$ 20 bilhões e US$ 40 bilhões por ano no mundo. Duas a cada cinco empresas entrevistadas afirmaram que os executivos foram convidados a pagar propina ao lidar com instituições públicas.


A Folha procurou a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base, mas a entidade não se manifestou até a conclusão desta edição.
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Ao que parece, trata-se de sábia e já muito tardia decisão. A corrupção não é algo que existe por si. Ela é uma relação social, um estado de ânimo cultural instalado historicamente e que historicamente naturalizou-se. Ou seja: tornou-se "normal" esse tipo de comportamento, uma extensão do jeitinho brasileiro.

A corrupção é crime grave, sujo. É uma crime social, um crime que tem desdobramentos os mais laastimáveis porque desvia dinheiro que deveria ser aplicado em ações administrativas, destinando-o aos sumidouros escusos de empresas dirigidas por salteadores.

Como é dito na matéria, porque não deixa rastros de sangue, dá a impressão de ser menos terrível que aqueles que envolvem matança ou dores físicas. Mas, o que se atinge, na verdade, é o coração social, o corpo coletivo que sofre nas filas e nos hospitais mal equipados e com médicos desmotivados.

O dinheiro que sobra para os corruptos, falta a esses setores essenciais, onde se incluem segurança, educação, urbanismo e políticas públicas em geral. Espero como alvíssaras o anúncio das medidas contra os corruptos, cuja falência é urgente, cuja cultura do oportunismo e impunidade os tem mantido acima da lei.



segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

http://1.bp.blogspot.com/_ssoFPFjpFJs/SvBq78NrIvI/AAAAAAAAAtY/mvNB-yKOCkg/s320/Tio+Patinhas.jpg
É preciso controlar Tio Patinhas
Emanoel Barreto

O editorial a seguir é da Folha: O SISTEMA financeiro do Brasil sairá reforçado com a normatização dos rendimentos dos altos executivos de bancos proposta pelo governo na semana passada.



Seguindo compromisso firmado pelos países do G20 (grupo dos principais países ricos e emergentes), o Banco Central brasileiro colocou em audiência pública uma sugestão de regulamentação do ganho variável dos administradores de instituições -os bônus dos executivos- com o objetivo de desestimular a assunção de riscos excessivos.


O sentido básico da proposta é vincular os rendimentos dos gestores ao desempenho das instituições a médio e longo prazos.


É verdade que a medida responde mais a situações verificadas em bancos europeus e americanos do que em brasileiros. Como se sabe, apostas em práticas altamente arriscadas na busca de lucros estiveram na raiz da crise financeira que culminou com a falência do banco de investimentos americano Lehman Brothers, em 2008. Trata-se, entretanto, de mudança bem-vinda pelo seu caráter preventivo.


O aspecto positivo da proposta não deve obscurecer o fato de que o principal problema a ser enfrentado pela regulação bancária são os custos que o funcionamento do sistema financeiro impõe ao país. No Brasil, os níveis de spread -diferença entre o custo pago na captação de recursos e os juros cobrados nas operações de empréstimos- ainda estão entre os mais elevados do mundo, o que representa uma desvantagem competitiva para as empresas nacionais.


As autoridades encarregadas de supervisionar os bancos ainda estão devendo medidas mais decisivas de intensificação da concorrência, que possam contribuir para que o custo financeiro do investimento se aproxime dos padrões internacionais.
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A necessária regulamentação dos bancos é medida urgente, a fim de por cobro à ação notoriamente maligna que essas instituições têm sobre o social. Exemplo recente e gritante foram ministrados pelos bancos americanos, cujos executivos, movidos pelo mais puro e louco desejo de lucrar a qualquer preço, resultou no terror financeiro que afinal atingiu a economia real e trouxe ao mundo momentos de incerteza - para colocar, digamos assim, a coisa, sem que eu recorra a palavras mais fortes.

Os banqueiros precisam ter sobre si a mão pesada do Estado, rastreando suas operações, detectanto seus intentos e suas tenebrosas transações. As consequências são a quebradeira dos setores produtivos, safando-se os banqueiros de pagar o preço por tudo o que fizeram.

Em suma, o que o Estado deseja é impedir a concupiscência financeira que habita a alma usurária dos banqueiros e os leva sempre a buscar nos trinta dinheiros do mercado mais e mais lucros, impondo à sociedade seu padrão negocial antiético e antissocial.

É que, no fundo, Tio Patinhas é, amigo, muito amigo dos Irmãos Metralha.