sábado, 10 de março de 2012

A história secreta da construção da Arena das Dunas

A Torre de Babel também constará dessa magnífica arrancada para o progresso

O Governo afinal poderia mostrar serviço: iria construir um hospital. Antes, porém, o Secretariado reuniu-se e decidiu que o hospital deveria funcionar numa nuvem. Assim poderia se deslocar por todo o estado e prestar um excelente serviço ao povo. Abriu-se a competente licitação. Grandes e conceituadas empresas nacionais e internacionais, com inesgotáveis currículos em construção de grandes obras em nuvens se apresentaram, e a mais graduada delas foi  escolhida.
http://www.google.com.br/imgres?hl=pt-BR&client=firefox-a&hs=J49&sa

A empresa montou seu canteiro de obras em grandes, enormes balões estratosféricos, mas surgiu um problema: não havia nuvens, ou melhor, uma nuvem suficientemente grande para dar-se início à grande obra. O Secretariado então se reuniu e chegou à conclusão de que seria necessário contratar empresa especializada na fabricação de nuvens especiais, nuvens que fossem capazes de sustentar um hospital como aquele, grandioso e altamente necessário à rede pública de saúde.

Foi novamente aberta licitação e grandes construtoras de nuvens compareceram ao certame, sendo escolhida sem dúvida a mais competente. Mas, houve outro problema: para construir nuvens seria necessário uma altíssima montanha, pois assim seria mais fácil a nuvem ser fabricada e ganhar altura. E, claro, veio a mais qualificada empresa de construção e erguimento de montanhas, e foi contratada.

Afinal, todas as empresas trabalharam, cada um em sua especialidade e o monumental nosocômio foi dado como pronto. Todavia, desde o início das obras até sua conclusão haviam se passado muitos anos, o Tesouro fora levado à falência e, o que é pior, todo o povo morrera por falta de assistência médica, já que não havia hospital para atendimento. E como não havia mais povo, muito menos os doentes, o hospital era agora desnecessário. O que fazer?

Resposta: o Governo tomou grandes empréstimos com um grande objetivo: iria importar doentes e afinal inaugurar seu hospital. Mas doentes, especialmente doentes importados, doentes fabricados em países distantes e de grande evolução industrial, custavam muito caro. Não deu para comprar. O Governo então tomou sua mais sábia decisão: contratou grande entidade especializada em fazer chover. E a empresa veio e fez chover, transformando em chuva a nuvem onde estava o hospital, que veio abaixo de forma estrepitosa para gáudio da equipe governamental.
https://www.google.com.br/search?q=torre+de+babel&hl=pt-BR&client

Houve uma grande, torrencial inundação. E quando a inundação passou, os olhos estarrecidos de quem sobrou puderam contemplar tudo de bom que fora feito pelo governo: dos escombros surgiram as formidáveis obras da Arena das Dunas. E, como o Governo não descansa, agora estamos esperando pelas obras de mobilidade urbana para a Copa de 2014.

Nota da Redação: ao encerrarmos esta edição fomos informados que, para acompanhamento das obras de mobilidade urbana, foram recuperadas as plantas da Torrre de Babel, cujas obras terão início em caráter de urgência urgentíssima. Lá de cima, os governantes - que teem grande visão -, poderão contemplar como serão grandiosas e vastas, a perder de vista, as obras de mobilidade urbana.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Complexo de vira-lata ou que entrem os palhaços

Quer dizer então que o Governo aceitou o pedido de desculpas do cartola Jérôme Valcke. Continuamos os mesmos: o velho complexo de vira-lata. Vamos receber com ademanes e tremeliques, luvas e salamaleques aquele que, apoiado na inteentona Copa do Mundo, nos mandou um chute no traseiro. 

http://rascunhosarrabiscado.blogspot.com/2009/02/os-palhacos-somos-nos.html
Se a Fifa já está impondo ao país uma despesa monumental, tirando do nosso povo um dinheiro que fará falta a hospitais, escolas, universidades, estradas e segurança pública, não seria de estranhar a sucumbência.

Afinal, somos mesmo o país do faz de conta. Sendo assim, nada a estranhar: primeiro porque há obras que estão mesmo atrasadas, as tais obras de mobilidade não se movem e no fim o que se quer mesmo é o circo, não é mesmo? Então, que entrem os palhaços, que somos nós mesmos. Estamos apenas reformando a fantasia, vamos sambar e ainda pagar para sambar.
O que somos

http://complaintsbook.blogspot.com/2008/10/rosa-azul.html
No Dia da Mulher um registro especial, com marcas de passos e gestos de afeto, a Minha Mulher. Que a meu lado é sempre um gesto de luz e a delicada sensação de que tudo o que vivemos e estamos a viver é a reafirmação de tudo o que somos: a divina coragem de estar.

Um beijo especial a Minhas Filhas e Minha Neta, as primeiras sempre meninas, a segunda criança ainda.



 
CORAGEM PARA VIVER
--- Walter Medeiros* – waltermedeiros@supercabo.com.br  
A cada ano - há alguns anos - no dia 8 de Março faço uma homenagem a uma mulher, para registrar de forma significativa o seu Dia Internacional. Já homenageei muitas mulheres, no seu dia ou fora dele, em função das lutas que travam diuturnamente por melhores dias para a humanidade. Neste ano de 2012 envolve-me um desejo de fazer um registro que vem se delineando através dos anos e que considero ser hora de fazê-lo, escolhendo uma amiga que nem conheço pessoalmente, mas que tem um significado imenso para a têmpera de luta dos brasileiros.

É uma mulher destemida, lutadora, que tem como maior referência o ânimo de superação. Conforme ela mesma conta, num dia qualquer da vida, sem aviso prévio, abruptamente uma mielite transversa meou-lhe o corpo, tornando-a paraplégica. Há 27 anos, usa uma cadeira de rodas para deambular e enfrenta um turbilhão de dificuldades. Uma limitação gritante, uma vez que se viu banida da locomoção e da sensibilidade tátil. Ficou reduzida a apenas braços e cabeça. Mesmo diante de todo esse quadro ela não se julga uma pessoa doente, pois o que tem é a seqüela do triste ocorrido.

Durante todos esses anos, a nossa amiga, que estava saindo da sua juventude, com 36 anos, precisou de alguns apetrechos e muito exercício de paciência, improviso e capacidade para se adaptar. Recorda que um dia uma emergente advogada, moça simpática, inteligente e bonita, ao sair do Tribunal deixou-lhe uma anotação: “Entra no Google e pesquisa auto-hemoterapia - trabalho do Dr. Luiz Moura”. Agradeceu e guardou a anotação. Fez a pesquisa e ficou encantada com o que leu e viu depois no DVD que a mesma advogada lhe passou. Convencida do efeito benfazejo da auto-hemoterapia, não obstante o ceticismo próprio do cargo de Delegado de Polícia que exerceu durante alguns anos, resolveu experimentar, convicta de que mal não faria.

Ficou estupefata ao fazer uma ultrassonografia e constatar que um cisto de ovário detectado em exame anterior e que deveria ser objeto de uma cirurgia, havia desaparecido. Vítima havia anos de uma trombose, que recidivara duas vezes, ficou com a perna esquerda mais grossa do que a outra, incluindo a nádega, o que lhe causava um grande problema postural. Qual não fora a surpresa ao notar que não mais precisava de um calço e que a perna que sofrera a trombose estava quase igual à outra. A sua lesão é medular, com ausência de locomoção e sensibilidade a partir do nível T-4 (4ª vértebra torácica), o que significa dizer que estava inerte do peito para baixo. Todas essas passagens estão documentadas com atestados e exames.


Empunhando a bandeira do otimismo, ela tem sucesso como mãe, como esposa e como profissional. Quatro filhos formados e bem endereçados na vida, além de um marido sempre encantado consigo. Depois de paraplégica ascendeu, por concurso, aos cargos de Delegado de Polícia e Analista Judiciário, reforçando a certeza de que luta é a sua palavra de comando. Agora as suas taxas estão excelentes. Tudo dentro da normalidade. A trombose que tinha na perna esquerda foi, totalmente, recanalizada, conforme exame recente. Sua estima está em alta. Nunca se sentiu tão bem. Afirma que “No meu sentimento de amor, gostaria que o tema AHT fosse estudado para melhorar a saúde de todos, principalmente daqueles mais carentes de recursos financeiros”.

Na declaração mais recente que fez, continua “encantada com a Auto-Hemoterapia. Encantada e agradecida! Faço-a regularmente”. Dentro da sua faixa etária, afirma que está ótima. Acha que não vai mais andar, mesmo por que nunca esperou por isso. Mas dá uma das maiores lições de vida, ao afirmar que “não se anda apenas com as pernas”. Genaura Tormin, Técnica Judiciária, escritora e poeta em Goiás, pronuncia palavras emocionantes: “Embora não marque o chão com minhas passadas, o meu coração é livre, altaneiro e ganha asas, alicerçado sempre na coragem e na alegria de viver”.
Por tudo isso, que é apenas uma pequena amostra da grandiosidade desta pessoa humana excepcional, rendo-lhe aqui a minha mais elevada homenagem neste Dia Internacional da Mulher.
*Jornalista
---
Saiba mais sobre Genaura Tormin no seu blog LEVE, LIVRE E SOLTA

segunda-feira, 5 de março de 2012

Desmatou? Precisa pagar multa não, ok?


http://naturezaecologica.com/tag/amazonia/impostas pelo Ibama por desmatamento ilegal.
O novo Código Florestal criou uma selva de incentivos aos desmatadores. Praticamente todos serão liberados de pagar as multas devidas não ao governo, mas à sociedade, aquela que deverá suportar as consequências desse tipo de ação criminosa. O país institui, cinicamente, a impunidade aos que ofenderam brutalmente a natureza.  Veja trecho de matéria da Folha a respeito:

A aprovação do novo Código Florestal, prevista para esta semana, deve levar à suspensão de três em cada quatro multas acima de R$ 1 milhão

A Folha obteve a lista sigilosa e atualizada das 150 maiores multas do tipo expedidas pelo órgão ambiental e separou as 139 que superam R$ 1 milhão. Dessas, 103 (ou pouco menos que 75%) serão suspensas se mantido na Câmara o texto do código aprovado no Senado. Depois, ele segue para a sanção da presidente Dilma Rousseff. 

Pelo texto, serão perdoadas todas as multas aplicadas até 22 de julho de 2008, desde que seus responsáveis se cadastrem num programa de regularização ambiental. As punições aplicadas depois disso continuarão a valer. 

Para conseguir o perdão, o produtor terá três alternativas: recompor a reserva legal (metade da área pode ser com espécies exóticas), permitir a regeneração natural ou comprar área de vegetação nativa de mesmo tamanho e bioma do terreno desmatado.

domingo, 4 de março de 2012

Samvel Yervinyan 3 (HD)

Bela foto de Cartier Bresson

Leio no L&PM Blog e compartilho ( http://www.lpm-blog.com.br/?p=14150 )

Marilyn Monroe por Cartier-Bresson

No set de filmagem de Os desajustados (The misfits), em 1960, as lentes do fotógrafo Henri Cartier-Bresson flagraram uma moça de ar melancólico e olhar distante. Cabisbaixa, nem parecia a estonteante musa do cinema, que despertava a cobiça dos homens mais poderosos do mundo com sua beleza irresistível. Altiva, nunca decepcionou diante das câmeras. Mas os instantes precisos capturados pelo mestre da fotografia deixam transparecer uma Marilyn Monroe que poucos conheciam. Seu brilho radiante era, às vezes, só uma fachada para o público quando, na verdade, seu estado de espírito era sombrio.
Em Cartier-Bresson: o olhar do século, o biógrafo Pierre Assouline comenta este episódio da gravação de Os desajustados:
Mesmo ao cobrir um evento muito bem organizado, também acompanhado por vários colegas, Cartier-Bresson sempre consegue tirar pelo menos uma foto com a sua marca pessoal. É o que acontece em 1960, quando John Huston filma “Os desajustados”, e seus fotógrafos da Magnum revezam-se nas filmagens, dois a dois. Apesar do excesso e da superabundância de imagens, tanto em qualidade quanto em quantidade, ele consegue tirar uma foto de Marilyn sob os olhares dos demais, única por sua composição, sua ironia e sua ternura. Talvez a atriz não estivesse totalmente alheia à magia do momento. Durante o jantar da equipe, o fotógrafo coloca sua Leica sobre uma cadeira vazia à sua direita. A atriz chega atrasada. Um olhar à máquina, outro a Cartier-Bresson, o tempo de associar um ao outro e ele já tira proveito da ocasião:
- Você gostaria de conceder-lhe sua bênção?
Ela faz que senta sobre a Leica, roça-a de leve com as nádegas, esboça um sorriso malicioso e pronto…
As fotos de Cartier-Bresson e sua Leica “abençoada” fazem parte da exposição “Quero ser Marilyn Monroe” que entra em cartaz na Cinemateca Brasileira, em São Paulo, a partir de 04 março. Serão 125 obras de 50 artistas distribuídas nos 500 m² da mostra. Uma oportunidade imperdível para ver de perto, além das fotografias de Cartier-Bresson, o trabalho de artistas como Andy Warhol, Douglas Kirkland, Cecil Beaton, Milton H. Greene, Richard Lindner, Kim Dong-Yoo, entre outros. 

O último gol de Garrincha pelo Botafogo mostrado pelo histórico "Canal 1...

Uma bela imagem

http://www.personal.psu.edu/wbs14/blogs/equine_breeds/Black%20and%20White%20Percheron%20Picture.jpg

sábado, 3 de março de 2012

Cena clássica - Blow-up - de Antonioni (Yardbirds Scene)


Cartola da Fifa diz que Arena das Dunas está com obras atrasadas

O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, agiu de forma grosseira ao se referir aos atrasos nas obras da Copa, quando citou que a construção de estádios está atrasada, e que assim o Brasil deve levar "um chute no traseiro", para aprender a cumprir prazos. Matéria da Folha registra quando ele diz: "O Beira-Rio está com obras paradas. Estádios como Maracanã e Arena das Dunas devem ser concluídos depois do previsto no cronograma".
http://www.google.com.br/imgres?q=jerome+valcke&hl=pt-BR&safe=off&client

Mais claramente, para quem pensa que está tudo bem com o estádio do RN: as obras estão atrasadas sim. Basta ver a mínima quantidade de operários e máquinas empenhados na obra. Mas, voltando ao cartola: ele age assim pelo fato mesmo de que nosso país se acocorou perante os dirigentes máximos do futebol mundial. Para ter aqui uma Copa o país fez concessões demais, se ajusta ao que determinam os grandes da Fifa. 

O maior erro é realizar aqui o campeonato mundial. Esse é abuso inaceitável. Qualquer pessoa de bom senso sabe que não precisamos de estádios, mas de hospitais, segurança, escolas, estradas dignas desse nome, cultura, qualidade de vida.  O segundo maior erro é um Estado sucumbir aos interesses de entidade privada, que vai lucrar bilhões em detrimento dos interesses nacionais, mais claramente do ser coletivo a quem chamamos povo. 

Para encerrar: o Rio Grande do Norte não tinha nada que ter puxado para cá a construção de um elefante-branco. Ou será que este riquíssimo estado pode ser dar a esse luxo? Sugestão: vá ao Walfredo Gurgel e encontre a resposta. 

Leia a matéria da Folha: 

Valcke sobe o tom para criticar Brasil


País está atrasado e precisa de 'chute no traseiro', afirma cartola

DE SÃO PAULO


A Fifa aumentou a pressão sobre o Brasil por conta de atrasos na Copa de 2014.
O secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, elevou o tom de reclamações contra o país, o que já tinha feito no início da semana. Recorreu até a termo chulo para expressar sua indignação. 

"Nós deveríamos ter recebido este documento [Lei Geral da Copa] assinado em 2007, estamos em 2012. Você tem que se empurrar, tem que receber um chute no traseiro e entregar a Copa do Mundo", afirmou o dirigente em evento da International Board, que decide as leis do futebol.
A Lei Geral da Copa chegou a ser aprovada em comissão no Congresso, mas, por um erro, será votada novamente. 

Ao contrário do que disse no ano passado, o cartola da Fifa agora entende que nem as obras nos estádios estão bem. "Não compreendo porque as coisas não avançam. A construção dos estádios não está nos prazos. Por que tantas coisas estão atrasadas?", indagou o dirigente. 

O Beira-Rio está com obras paradas. Estádios como Maracanã e Arena das Dunas devem ser concluídos depois do previsto no cronograma.
Sua críticas também se estenderam às áreas de hotelaria e aeroportos. Para ele, há quartos de hotéis suficientes no Rio de Janeiro e em São Paulo, mas não em Manaus. 

E pareceu lamentar o fato de ter aceitado acabar com a regionalização da Copa, o que aumenta as viagens.
"Tomamos a decisão de mover os times em só uma parte do Brasil para minimizar viagens, mas os organizadores explicaram que tinham que espalhar [os jogos] pelo país", contou. "Tendo apoiado a decisão do Brasil, temos que assegurar que os fãs e a mídia vão seguir seus times." 

Valcke ironizou o país por pensar mais em ganhar a Copa do que em organizá-la.
"A prioridade na África do Sul era organizar a Copa, e não ganhá-la. Parece que tudo que o Brasil quer é ganhar e isso tem que mudar."

Leio na Folha e compartilho

Exposição sobre Marilyn Monroe reúne 125 obras e filmes da diva

DE SÃO PAULO
Heidi Popovic
"Marilyn Contemporary" (2008 - foto) é uma das atrações expostas em "Quero Ser Marilyn Monroe!", montada na Cinemateca
"Marilyn Contemporary" (2008 - foto) é uma das atrações expostas em "Quero Ser Marilyn Monroe!", montada na Cinemateca

Pela primeira vez no Brasil, a exposição "Quero Ser Marilyn Monroe!" desembarca na Cinemateca Brasileira (zona sul de São Paulo) em 4 de março, celebrando os 50 anos da morte da diva.

Exposição sobre Elvis Presley vem a SP

Até 1º de abril, o público pode conferir gratuitamente 125 obras de arte e filmes de uma das principais estrelas do cinema. Entre as peças estão trabalhos de artistas consagrados como Andy Warhol, Allen Jones, Peter Blake e Henri Cartier-Bresson.

A exposição conta com a famosa foto "Red Velvet Pose", de Tom Kelley, para a "Playboy", e a atriz entre o lençóis de "One Night with Marilyn", do fotógrafo Douglas Kirkland, entre outras imagens.
A lendária foto da "sex symbol" sobre a grande de ventilação do metrô também faz parte da mostra, que inclui filmes como "Os Homens Preferem as Louras" e "O Pecado Mora ao Lado".

Acesse o site Catraca Livre para saber informações sobre eventos gratuitos ou populares.
Quero Ser Marilyn Monroe! - Cinemateca Brasileira - lgo. Sen. Raul Cardoso, 207, Vila Clementino, zona sul, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/3512-6111. De 4/3 a 1º/4. Seg. a sex.: 9h até o fim da última sessão de cinema. Sáb. e dom.: 10h até o fim da última sessão de cinema. Grátis.

Divulgação
Marilyn Monroe (foto) retratada por Douglas Kirkland, em 1961; exposição sobre a atriz começa em 4 de março
Marilyn Monroe (foto) retratada por Douglas Kirkland, em 1961; exposição sobre a atriz começa em 4 de março  

Mel Ramos/Licensed by VAGA, New York, NY
A partir de 4 de março, "Quero Ser Marilyn Monroe!" traz a obra em litografia "Peek-a-Boo", de Mel Ramos
A partir de 4 de março, "Quero Ser Marilyn Monroe!" traz a obra em litografia "Peek-a-Boo", de Mel Ramos
A menina que virou a cabeça dos alunos e do professor

Por Leide Franco


Mais uma sexta-feira à noite. Enquanto uns lotam os bares e festejam as happy hours, estávamos contemplando a vida acadêmica, no cumprimento da semana, nas últimas quatro aulas consecutivas que marcam a proximidade do fim e as poucas horas que faltam para o dia acabar. UFRN, setor II, bloco B, sala 3, esse é o caminho percorrido para chegar até o que seria só mais um dia de aulas da disciplina Oficina de Texto III, ministrada pelo “Velho Barreto” (professor Emanoel Barreto) e sua camisa lilás clarinho, sua calça jeans presa na cintura por seu cinto de couro marrom; conjunto esse que vestia os seus mais de trinta anos de vivência direta com o jornalismo.

Nada fora do normal. Sala de aula grande com em média trinta alunos, aparelhos de ar condicionado congelando a pele, o ranger da porta em consequência do entra e sai dos alunos com seus celulares nas mãos que teimam e escolhem tocar sempre durante as aulas. Cada um em seu canto, cada um ocupando seu espaço. Uns atraídos pelas exposições explicativas do professor e outros em outro mundo: O virtual. É a prova da inclusão digital e a chegada da rede Wi-Fi que se instalou por quase toda universidade, conectando mundos.

Repetindo: Até então nada diferente do habitual, a não ser uma menina aparentando uns 8 anos de idade, de pele cor de cravo ou canela, cabelos curtos, olhos decididos. Vestia calça cor de rosa, sapatilhas também rosa quase bailarina e uma blusa branca florida. Ela abriu a mesma porta que rangia, entrou vagarosamente pela sala de aula, “desfilou” leve, quase na ponta dos pés, fazendo um caminho em forma de “U” quadrado, carregando um aparelho de celular com as duas mãos, pronta para deixar em um endereço certo. 

Qual?
Quem? 

Essas eram as perguntas que todos faziam silenciosamente enquanto acompanhávamos com o movimento da cabeça os seus passos firmes. Todos pararam e olharam ao mesmo tempo o seu percurso que parecia ensaiado. Afinal, quem seria aquela pequena grande notável em um habitat tão diferente do seu?

Foi questão de uns dez segundos essa viagem na qual todos nós embarcamos. Ela chegou determinada, estava resolvida, confiante de que estava no lugar certo e de encontro à pessoa certa: Seu pai que estava sentado na última fila e na última cadeira, onde findava o “U” quadrado. Mas seria mesmo o pai dela? Foi o que imaginamos sem nem nos preocupar em perguntar se era isso mesmo. Ficamos um tanto tocados por aquela cena distinta. Continuando a sua missão, ela entregou o celular a ele, sentou-se na cadeira ao lado como se ela fosse sempre sua, nos ignorou e nem se incomodou em corar as bochechas de vergonha por causa da atenção que despertou em todos e que fez o professor Barreto calar por aqueles segundos. 

Depois de acomodada, com suas pequenas pernas suspensas na cadeira, pegou o laptop do “pai”, conferiu com atenção alguma coisa que se apresentava na tela do computador. Fuçava e digitava daquele jeito como todos da sua geração, como todos os que não sabem o significado da era não-digital. O que ela via naquele laptop era algo do tipo que exercia sobre ela e sobre seus olhos donos de cílios “impiscáveis” grande poder. De repente cansou, guardou o computador na mochila do “pai”; saiu pelo mesmo caminho que chegou. Poucos minutos depois voltou com a mesma desenvoltura de antes, sentou-se na mesma cadeira, prestou atenção de um jeito como uns não estavam fazendo, ouvia atentamente o que professor dizia e fazia aquela cara de menina que de tudo já entendia.

quinta-feira, 1 de março de 2012


"Estou doente, estou muito doente..."

No País havia um problema: uma grande epidemia de dengue destruía a saúde das pessoas, ocupava todas as manchetes e levava medo, democraticamente, a todos o pontos, mesmo os mais distantes. De repente, alguém se lembrou: "Vamos falar com a Autoridade. A Autoridade pode dar jeito nisso. Toda Autoridade dá jeito em tudo."

A repercussão foi a maior possível: todos os moradores do País se reuniram em praça pública e tomaram a decisão de procurar a Autoridade. Houve gritos de regozijo, palavras de apoio e alegria incontida: a Autoridade iria atender ao povo, mobilizar esforços, compor comissões de alto escalão e logo, logo, a dengue seria superada e expulsos por decreto todos os mosquitos.

De repente, porém, um do povo gritou: "Mas, onde encontraremos a Autoridade? Alguém viu a Autoridade por aí?" E a resposta unânime: "Não!"; ninguém tinha visto a Autoridade nos últimos vinte anos. Mistério. O que fazer? Rápido em sua ação, um homem sugeriu: "Vamos formar uma Comissão Popular de Insatisfação-CPI e assim, quem sabe, encontraremos a Autoridade." Outro completou: "Muito bem. Além do mais, será um trabalho de arqueologia, uma grande descoberta. Já pensou? Encontrar uma Autoridade? Ganharemos o Nobel da Ciência Arquelógica."

E a partir daí, toca a procurar. A CPI não media esforços e era acompanhada diariamente pela TV, rádios, jornais e internet. As manchetes diziam: "Autoridade foi vista viajando em jatinho particular"; "Autoridade desaparece em meio a uma nuvem de mosquitos da dengue"; "CPI invade favela procurando Autoridade, mas a recebida a bala por traficantes"; e afinal: "CPI descobre pista da Autoridade".

Quando essa última manchete saiu, causou grande comoção nacional. A dengue já havia matado milhares de pessoas e o possível sucesso da CPI era festejado nas ruas. A CPI empenhou-se ainda mais, até que enfim um grande jornal deu com exclusividade: "CPI descobriu casa da Autoridade e marca audiência para amanhã".

O País inteiro parou: amanhã, finalmente, a Autoridade iria ser acionada e iria tomar as providências cabíveis à gravidade do caso. No dia da reunião, a CPI chegou pontualmente e foi recebida por um mordono que, pondo o indicador sobre os lábios disse: "Psiu... Silêncio, a Autoridade está doente..." A CPI controlou seu pânico: "Será que a dengue pegou a Autoridade?"
Passou-se um tempinho, até que, afinal, a Comissão foi recebida pela Autoridade.

Pé ante pé, seus integrantes da CPI se aproximaram e seu Presidente disse: "Excelentíssima Autoridade: estais doente?"

"Siiim", respondeu a Autoridade com um fio de voz.

"E o que tendes?", foi a angustiosa pergunta do presidente da CPI.

"Ó, não queirais saber, meu justo cidadão", disse a Autoridade. E completou: "Estou gravemente doente. Gravamente doente de... caspa." Disse isso virou-se para o outro lado e declarou que tinha acabado de morrer.


Diante da reprovação da governadora Rosalba lembro o poeta Bosco Lopes. O poema é triste mas é verdade.

Riogrande

Rio grande da morte
Rio grande sem sorte
Rio grande sem forte
Rio Grande do Norte


Rio pequeno do Norte
Rio finito do corte
Rio seco de sorte
Rio Grande do Norte


Rio sem cais sem porto
Rio você já foi morto
Rio de leito torto


Rio chorando de fome
Rio triste sem nome
Rio cansado que some
Rosalba: quem promete, deve

No final do ano passado a desaprovação da governadora Rosalba Ciarlini estava em 59,6% e agora salta para 62%, segundo levantamento Sinduscon/Consult. Sou levado a crer que deve-se ao fato de que a então candidata prometeu demais, assumiu compromissos inalcançáveis e criou falsa expectativa quanto ao seu governo. Ou seja: campanha é uma coisa, governo é outra.

A prática incumbiu-se de esgarçar o devaneio. Não se viu nenhuma grande obra estruturante, a saúde não melhorou, a segurança idem, nada de bom na rede pública de educação. E tudo contribuiu para a realidade desoladora, até mesmo porque a governadora, logo ao início do mandato, fez campanha intensiva via TV para mostrar que herdava um estado em situação de terra devastada, deixando implícito que ela seria a entidade taumatúrgica que reporia o carro nos eixos. Não foi bem assim.
http://www.google.com.br/imgres?q=rosalba+ciarlini+fotos&hl=pt-BR&client

O fato de ter ficado olhando o retrovisor do tempo, tornando hiperbólica a situação em que dizia ter encontrado o estado, parecia confirmar a chegada de uma era de ouro ao Rio Grande do Norte com Rosalba Ciarlini. Afinal, se estávamos no fundo do poço, não haveria mais como afundar. Ocorre que a insistência em falar mal da adminstração passada terminou por estabelecer relação de grande proximidade midiática entre ela e seus antecessores.

 O próprio slogan do governo, "Reconstruir e avançar", se encarregava de estabelecer esse forte liame com a administração finda: ao insistir na tese da "reconstrução", Rosalba se vinculava terminantemente com o tempo que deplorava, ou seja: mesmo ao chegar ao último dia como governadora estaria "reconstruindo", jamais se libertando do estigna que ela própria criara; nunca vivendo midiaticamente seu próprio mandato, mas vivenciando situação político-administrativa que tinha o passado como referente. E isso é mau. Especialmente quando mudanças não houve.

Então, como nada há de bom com o novo governo, pelo menos não com a dimensão que ela fez supor, a reconstrução não foi ainda ativada e, consequentemente, o "avanço" não se deu. Creio ter razão no que afirmo: as pesquisas retratam o desalento da sociedade. Se há rejeição não houve reconstrução, muito menos avanço. Talvez valesse assim emplacar um "Meia-volta, volver" e recomeçar tudo. Dessa vez com os pés no chão.

Deu na Folha:

Dilma muda ministério para aplacar evangélicos
Ligado à Igreja Universal, senador Marcelo Crivella vira ministro da Pesca
Planalto espera que escolha ajude a conter críticas ao petista Fernando Haddad na corrida à prefeitura


DE BRASÍLIA
DE SÃO PAULO
Com o objetivo de blindar o petista Fernando Haddad contra críticas dos evangélicos na campanha à Prefeitura de São Paulo, a presidente Dilma Rousseff promoveu ontem mais uma mudança na Esplanada dos Ministérios. 

Dilma escolheu o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), ligado à Igreja Universal do Reino de Deus e um dos principais representantes dos evangélicos no Congresso, para substituir o petista Luiz Sérgio no comando do Ministério da Pesca e Aquicultura. 

A posse do novo ministro será amanhã. Em nota, a presidente disse estar "segura" de que Crivella "prestará relevantes serviços ao Brasil" e afirmou que a troca "permite a incorporação ao ministério de um importante partido aliado da base do governo". 

Para o Planalto, a nomeação de Crivella poderá conter críticas que evangélicos ameaçam fazer contra Haddad por causa do kit gay, material que o governo planejava entregar a alunos da rede pública para combater o preconceito contra homossexuais.
Encomendado pelo Ministério da Educação quando Haddad era o ministro, o kit teve sua distribuição suspensa pelo governo no ano passado, depois de receber críticas de líderes evangélicos. 

Em entrevista à Folha em fevereiro, o presidente do PRB, Marcos Pereira, que também é bispo da Igreja Universal, afirmou que o kit afastaria os evangélicos do candidato petista em São Paulo. 

Com a escolha de Crivella, o Planalto espera ainda fazer um agrado à direção da TV Record, que é controlada pela Igreja Universal. A emissora veiculou várias reportagens críticas sobre o kit gay. 

O novo ministro negou relação entre sua escolha e a disputa eleitoral. "Em nenhum momento, quando a presidente me convidou, isso foi aventado", afirmou Crivella. "Pelo contrário, só tivemos conversas técnicas."
O PRB lançou o deputado federal Celso Russomanno como candidato à Prefeitura de São Paulo. Ele afirmou ontem que continua no páreo. "Nosso acordo com o governo é na esfera federal", disse.

Recentemente, líderes evangélicos ficaram descontentes com o governo por causa de declarações do ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência, responsável pelo diálogo do Palácio do Planalto com igrejas e movimentos sociais.
Em palestra em fevereiro, Carvalho disse que o Estado deveria entrar numa disputa ideológica pela "nova classe média", que estaria sob hegemonia dos evangélicos.
Ele disse ter sido mal compreendido e pediu "perdão" pelo "sentimento" que suas declarações provocaram. 

Representantes dos evangélicos no Congresso também ficaram insatisfeitos com a nomeação da petista Eleonora Menicucci para o cargo de ministra de Políticas para as Mulheres há um mês. Ela defende a descriminalização do aborto e no passado admitiu ter feito dois abortos.
Na reta final da campanha presidencial de 2010, Dilma sofreu forte pressão dos evangélicos e assumiu o compromisso de que não mudaria o tratamento que a legislação brasileira dá ao aborto.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Deu na Folha:

Pelas costas

Álbuns embargados por João Gilberto há 20 anos estão disponíveis para venda na internet, em novas edições, produzidas fora do país
Tuca Vieira - 14.ago.08/Folhapress
O cantor João Gilberto, no palco do Auditório Ibirapuera, em São Paulo
O cantor João Gilberto, no palco do Auditório Ibirapuera, em São Paulo    
MARCUS PRETO
DE SÃO PAULO


Eles estão proibidos, mas podem ser comprados em um clique. E com nota fiscal.
Pilares da bossa nova lançados por João Gilberto pela Odeon, os álbuns "Chega de Saudade" (1959), "O Amor, o Sorriso e a Flor" (1960) e "João Gilberto" (1961) foram embargados na Justiça pelo cantor em 1992 e, ao menos oficialmente, nunca mais puderam ser reeditados. 

No Brasil, jamais foram. Mas edições novíssimas desses discos vêm sendo produzidas de maneira aparentemente irregular fora do país -sobretudo na Inglaterra, onde está instalada a sede da gravadora EMI, detentora do catálogo da finada Odeon. 

Estão disponíveis em todos os formatos em voga no mercado atualmente -CD, vinil e digital. Quem os vende? As duas principais lojas virtuais do mundo: a Amazon.com e a iTunes Store, da Apple.
"A EMI alega que essas versões são piratas. Mas eu própria os comprei na Amazon. Se a gravadora tem os direitos sobre esses discos, ela teria o dever de cuidar deles", diz a jornalista Cláudia Faissol, mãe da filha caçula de João, que há quatro anos tenta um acordo com a empresa. 

Faissol afirma que, há poucos meses, tentou reaver para João as masters originais dos três discos. Segundo ela, a EMI mandou vir um técnico de som americano para mostrar o material ao cantor.
"Mas o que mostraram não eram os originais. Eram rolos de fitas que pareciam ser os originais, mas já estavam manipulados. João reconheceu na hora que os finais estavam cortados", diz. "Para mim, eles não têm mais os masters. Se tivessem, teriam mostrado ao João. Até por medo." 

Procurada pela Folha, a EMI diz que seu departamento jurídico está em férias e não vai comentar o assunto.
Já o selo europeu Doxy Music e o inglês él (divisão da Cherry Red Record), que lançaram, respectivamente, as novas edições em vinil e CD da trilogia proibida, não responderam aos contatos até o fechamento desta edição. 

O EMBARGO
O imbróglio que envolve a EMI e João Gilberto se arrasta desde 1992, quando os três álbuns -mais as três faixas gravadas pelo cantor no compacto "Orfeu da Conceição" (1962)- foram lançados em um único CD, "O Mito".
João não gostou nada do que ouviu. E entrou na Justiça para que deixassem de ser fabricados. Nunca falou publicamente sobre o assunto, mas suas considerações estão registradas em cena de um documentário ainda inacabado que a própria Faissol vem fazendo sobre o músico. 

"No processo [de digitalização], tiram coisas, tiram frequências, fazem besteira. Mudam o som. É uma outra coisa. Eu não sei o que eles fazem, mas sei que fica diferente. Aí então eu me apresento, eu luto por isso", disse o cantor em uma das cenas a que a Folha teve acesso.

Depois de uma batalha que já durava 15 anos, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decretou, em dezembro passado, que João Gilberto terá que receber indenização por violação ao direito moral do autor em razão a "O Mito".
Segundo o laudo do STJ, "as canções originais de três discos gravados em vinil sofreram modificação substancial de apresentação após terem sido remasterizadas". 

"Mas João continua sem receber", diz Faissol. "Se o governo não está fazendo nada, é por questão de leviandade. O Juca [Ferreira, ex-ministro da Cultura] recebeu um memorial assinado por João. O governo dele passou e nada foi resolvido. Mais recentemente, falei com Ana de Hollanda. Ela me disse que a lei é lenta assim mesmo." 

A atual ministra é ex-cunhada de João Gilberto -o cantor foi casado com Miúcha, irmã de Ana, com quem teve a primeira filha, a cantora Bebel Gilberto. Procurada, a ministra disse, por meio da assessoria do MinC, que não vai comentar o caso.


O curso de Comunicação Social da UFRN dá as boas vindas aos calouros. Agora à tarde professores e veteranos recepcionam os novos futuros profissionais. Na foto, o professor Sebastião Faustino fala aos estudantes a respeito do funcionamento das habilitações de jornalismo, radialismo e publicidade e propaganda. Foto enviada pelo Centro Acadêmico Berilo Wanderley.
A retomada do Diário de Natal

Leio nas coisas de jornal da net que o Diário de Natal se organiza para voltar ao formato standard. Informações corriam a respeito de presumido fim do jornal. Ontem mesmo comentava com alunos de jornalismo a respeito. E dizíamos como seria importante uma retomada do velho matutino - onde comecei há 37 anos. Hoje, vejo que as coisas se passam ao contrário e que o jornal pretende reencontrar-se com sua história. 

O jornalismo impresso cumpre papel fundamental, a despeito da net. Entendo que os dois modelos não se excluem mutuamente, antes de completam. A internet pode simplesmente deixar de funcionar ao toque de um botão. Um jornal impresso, não. Mesmo sob censura tem como resistir.Vamos esperar pelas mudanças.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Durante a escuridão da noite

Somos sim a marca magistral de som e luz, silêncio pardo.
Somos sim a curva estreita no longo caminho ao lado do abismo; mas somos também a coragem de superar o abismo e sobre ele nos lançar em voo perfeito, elipse.
http://www.google.com.br/imgres?q=paisagem+azul&hl=pt-BR&safe=off&client=firefox-

Somos não o temor que para, a decisão que estagna, o calafrio. Somos o cala-frio.

Somos, assim, somos. E por sermos, somos somas; somamos o que multiplicamos, dividimos o que tememos e dessa sorte diminuímos o que nos enfraquece.

E então crescemos como o verde que brota no jardim durante a escuridão da noite.
Um poema de Gregório de Matos, o Boca do Inferno

1

Que falta nesta cidade? ..................Verdade.
Que mais por sua desonra? ............Honra.
Falta mais que se lhes ponha? ........Vergonha.

O demo a viver se exponha
Por mais que a fama a exalta,
Numa cidade onde falta
Verdade, honra, vergonha.

2

Quem a pôs no socrócio? ................Negócio.
Quem causa tal perdição? ..............Ambição.
E o maior desta loucura? ................Usura.

Notável desaventura
De um povo néscio e sandeu,
Que não sabe o que perdeu
Negócio, ambição, usura.


Gregório de Matos [1636-1695]

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Como construir uma cidade chamada Natal

Ó pobres, miseráveis e sofridos moradores desta cidade do Natal à beira-mar plantada. Eis que aqui venho e anuncio minha candidatura a prefeito, o que representa sem dúvida salvação e curso para este burgo. Faço o comunicado após muito meditar e receber chamamentos e convocatórias, e como sempre estive à disposição do povo, assumo esta missão.


E o faço com um grandioso programa de metas à semelhança do fez o saudoso presidente Juscelino Kubitschek. São, todas, metas monumentais, que muito atenderão aos reclamos de uma cidade grande e saudável como aqui a veremos. 

Teremos quatrocentos anos em quatro, o que levará nossa cidade à condição de grande metrópole que é o seu destino. Isto posto, seguem minhas metas e propostas:

1) Farei a inauguração de uma grande construção que se chamará Forte dos Reis Magos;

2) Da mesma forma mandarei cavar um grande buraco que será cheio de água. Esse buraco terá o nome de mar. Assim que der, vou inaugurar o mar;

3) Para conforto da nossa população o mar será dividido em praias. Praia do Forte, Praia dos Artistas, Redinha, Areia Preta, Ponta Negra e por aí vai;

4) Haverá grande festa quando, na praia de Ponta Negra, eu descerrar a fita de abertura de uma obra chamada Morro do Careca. Por minha própria conta já mandei buscar no Paraguai a areia para a construção do citado Morro;

5) Chegando a noite vou inaugurar a escuridão.

6) Determinarei que se junte um bocado de cajueiros em Pirangi - que não é de Natal, mas declararei guerra a quem quer que seja dono e o tomarei para nossa cidade. E que ali seja criado o maior cajueiro do mundo. Informo que este será inaugurado em seis meses de gestão. Meu primeiro ano de governo será comemorado com batida de caju;

7) Cavarei um buracão em forma de estrada, mandarei encher de água à semelhança do mar, e ali será chamado de rio Potengi. 

8) Promoverei grande poluição desse rio com os dejetos de milhares de casas, pois rios poluídos são prova de que estamos em obra e progresso;

9) Criarei uma grande instituição que será chamada Câmara Municipal de Natal para trabalhar em prol dos natalenses;

10) No centro da cidade haverá um grande templo, chamado de catedral. Vamos rezar para que tudo dê certo;

11) Sempre que chover, acredite, será obra de minha realização. E funcionários públicos estarão nas ruas e acompanharão as pessoas com guarda-chuvas para que ninguém se molhe;

12) Serão inaugurados o sol e as nuvens.As nuvens e o sol serão customizados e atrairão novos e mais turistas. O sol e as nuvens serão inaugurados a devido tempo;

13) Em todas ruas que não forem calçadas farei instalar grande quantidade de material chamado areia;

14) E em todas essas ruas farei implantar uma coisa chamada catabilho para auxiliar o tráfego;

15) Criarei algo importantíssimo chamado placa. Placas são objetos planos e largos onde se escrevem coisas. E em cada local onde houver obra de minha administração será colocada uma placa. E isso comprovará a tese de que placas também são grandes obras;

16)  Farei inaugurar uma coisa chamada chão. E haverá um grande programa de casas populares. A prefeitura dará o chão gratuitamente a cada morador. É só passar a pegar o seu;

17) Vou inaugurar também a maré e o mangue e construirei grande quantidade de buracos. 

18) Afinal, vou mandar derrubar o Forte dos Reis Magos e em seu lugar construir as pirâmides do Egito. Tenho dito.

Caríssimo, confio em você e em sua capacidade de escolher o melhor para nossa cidade. Afinal, serão obras assim que nos levarão ao futuro. Como prova de que quero botar para quebrar já derrubei o Machadão – não sei se você viu como ficou bacana. Não acredite em nenhum outro candidato. Tudo o que este disser serão mentiras e fabulações. Precisamos dar um banho de realidade em nossa cidade Natal.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Roy Orbison& Elvis Presley - Pretty Woman - Polk Salad Annie

Stand By Me | Playing For Change | Song Around the World

voodoo child jimi hendrix live

California Dreamin - Mamas & The Papas

À moda antiga

Recebo a visita de Nice, minha cunhada, vinda das Gerais, a terra das montanhas. Comemora hoje 34 anos de casamento com Cristiano, mineiro dos bons, conhecedor como poucos dos mistérios magníficos daquelas distâncias, vales e belezas. Por essas coisas da vida, não deu para viajar a tempo para a comemoração. Mas, em sua mineiridade criativa, improvisou: telefonou a Cristiano e se desejaram um feliz abraço. 
http://obrasilpordentro.blogspot.com/2011/07/ven-viola-ven-cantando.html

Mais que isso, ligou para uma rádio e seus amigos ali registraram aquela felicidade, com música dedicada ao velho e bom mineiro. Mais que isso, música para festejar o casal sólido e afetivo, música compartilhada por todos os amigos. 

Cristiano é um sábio dos prazeres simples da vida; descobre onde se escondem preciosas destilarias das mais puras cachaças de Minas e como poucos sabe fazer um efusivo brinde. Ela, senhora de mistérios da belíssima culinária mineira.

Aos dois o meu abraço, a eles que se vivem à moda antiga: ao som de música da terra e de felicidades no ar.