quarta-feira, 4 de julho de 2012

Recebo e repasso

O lingüista estadunidense Noam Chomsky elaborou a lista das “10 estratégias de manipulação” através da mídia:

1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.

2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.
Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.
Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.
Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.
A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? “Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestão, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.

6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…

7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.
Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossível para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.

8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.
Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.
Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!

10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.
No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.
Fonte: http://www.institutojoaogoulart.org Via: ongCEA

terça-feira, 3 de julho de 2012

Entre a alucinação e o delírio sempre cabe o pesadelo

Tenho acompanhado com crescente preocupação a propaganda do governo do estado. Na TV vivemos em situação de éden ou quase isso. Minha preocupação deve-se ao fato de que, pelo otimismo televisivo, sou levado a supor que alguém no governo esteja oscilado entre a alucinação e o delírio, o que é muito perigoso uma vez que trata-se de alguém com poder. Tanto que decidiu e pôs a público o processo de propaganda.

Detalhando: alucinação é quando você pensa que está vendo algo pomposo, grandioso, fora do comum para o bem ou para o mal e está plenamente convicto de que tem razão; delírio se dá quando o sujeito ingressa no território da fabulação, pensa adiante e vê diante de si um futuro glorioso, doce: um futuro rosado, delicioso. Em se tratando de um governo, insisto, é algo perigoso.

Sou tomado de suspeição exatamente em função do quadro de descalabro instalado, por exemplo, no Hospital Walfredo Gurgel, plenamente contrastante com os anúncios megalomaníacos. 


Minha preocupação aumenta, e muito, quando sou tomado por outro temor: se a situação, que já é ruim, é vista pelo governo como maravilhosa, o que será de nós se de repente as cabeças pensantes entrarem em processo de pesadelo, transferirem o pesadelo para a prática e quiserem que seu pesadelo seja a nossa realidade?


Se isso ocorrer é melhor chamar os holandeses de volta, pedir falência, instalar a recolonização batava e pedir a Deus que algum dia Natal volte a ser Nova Amsterdã. Caso contrário, é esperar o agravamento do quadro, até que o delírio e a alucinação se transformem em pesadelo. Depois, prepare-se: virá, tenho certeza, a Santa Inquisição.

sábado, 30 de junho de 2012

Atirar a primeira pedra

É preciso esperar, é preciso apurar. Tenho esse lema no jornalismo. O caso do humorista Mução tornou-se clássico: acusado de integrar rede de pedófilos, muitos foram os que o acusaram, apontando-o. Agora vem a Polícia Federal e anuncia que era um irmão dele quem se utilizava do seu nome para acessar sites criminosos. 

http://www.lastfm.com.br/music/Pegadinhas+do+Mu%C3%A7%C3%A3o
Em jornal não se deve escrever com raiva ou apressadamente. A raiva tolda o raciocínio, pode ser motivada por simples antipatia pessoal ou algum sentimento baixo; redigir apressadamente revela falta de acurácia ou pior que isso, inconsequência, maledicência. 

Ter pressa, para mim, é saber cumprir com precisão o deadline, a hora-limite de fechamento do jornal; é como um drible perfeito no tempo exato. Mas ser apressado é fazer de qualquer jeito e fim. É tascar um título, quem sabe uma manchete e acabar com a vida pública de um cidadão. 


Claro que o fato envolvendo Mução era noticiável, qualquer foca sabe disso. Mas é preciso dosar o texto, conter em rédea curta a emissão da mensagem. E a polícia não deve agir sob o signo do primeiro indício. É todo um complexo de fatos, ações e gestos, o que inclui a sociedade, que não deve reagir de forma cruel - e apressada - quando de repente surge alguém em quem se possa atirar a primeira pedra.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Coisas de Jornal agora está aceitando anúncios. Veja e aproveite os maravilhosos produtos:

Uma estranha realidade

Cansado de notar que o que chamamos de realidade nos reserva unicamente a sazonal repetição de fatos como as eleições, quando os discursos anunciam que o Paraíso está próximo, narro aqui a visita que recebi ontem de um ornitorrinco, notável e sábia criatura que teve a generosidade de visitar-me em minha oficina tipográfica. 


Segundo me disse, estou sob séria ameaça de ser preso devido a atividades de subversão e atos conspiratórios. Estranhei, pois não sou dado a conluios ou conchavos de qualquer natureza, nem atento contra a lei ou contra a ordem. Mas, para não cansar meu ocasional leitor, digo que após horas de edificante e elucidativa conversa aquele bom homem retirou-se, não sem antes advertir-me de que poderia ser preso a qualquer momento. 

Após sua saída voltei a trabalhar com meus tipos, compondo este coranto, quando ouço poderosas, raivosas batidas à porta. Corri a atender àquela confusão e eis que entram oficina adentro uns dez escaravelhos, todos homens de má catadura e péssimos modos, que em poucos minutos me manietaram e me puseram a ferros, levando-me em seguida a uma masmorra. 

Naquele miserável ambiente estavam recolhidos outros homens, todos acusados de sedição e ódio, motim e outras desobediências. Nenhum de nós entendeu nada daquelas acusações, a não ser quando  a figura alta de um magistrado nos apareceu. Era ele grande, um macaco-prego, e se dizia de ascendência alemã, coisa muito comum a tais símios. Explicou que todos estávamos ali - sendo aquele tempo o ano de 1795 -, sob suspeição de haver inventado o computador e o telefone, a energia elétrica e outras cousas malsinadas como o automóvel e a bomba atômica.

Todos os que estavam recolhidos dissemos que se travava da mais pura inverdade, uma vez que tais e perigosas maravilhas somente seriam criadas muitos anos depois, conforme explicamos. Contrariando as nossas palavras eis que chega o Sr. Ornitorrinco, para minha surpresa. Tão logo adentrou aquele lúgubre ambiente apresentou-se como espião e mostrou fotografias da minha oficina, fotografias tomadas à sorrelfa, onde eu era visto preparando uma bomba atômica. E todos os demais infelizes também eram vistos em seu ambiente de trabalho criando engenhos danosos e coisas terrificantes; as fotos eram a prova maior. 

Sob o choque das fotografias ficamos perplexos, uma vez que aquelas imagens eram inverídicas; sendo, claro, fruto de algum truque que desconhecíamos, uma vez que sequer sabíamos da existência da fotografia, que nem ao menos fora inventada. Em desespero pedimos para confabular, o que nos foi permitido, surgindo assim a nossa defesa: 1) nada daquilo existia; portanto, não poderíamos ser autores de tais e perigosos portentos; 2) sendo assim, deveríamos ser soltos imediatamente. 


O ornitorrinco e o macaco-prego, homens tinhosos, rebateram. Comprovando o que diziam abriram as portas da masmorra e nos atiraram em meio ao mundo. E o que vimos foi o que o leitor também vê: o descalabro, a loucura das ruas, o computador onde você lê este coranto. Atônitos, recuamos, voltando à masmorra. E agora, o que fazer? Não criamos nada disso, mas tudo o que não criamos está aqui. Até que ponto essa irrealidade vai nos assediar?


Sem resposta, corremos masmorra adentro, fugimos. Ao sair, num ponto bem distante, batemos e trancamos a porta. O futuro e todo o seu horror havia ficado para trás. Eu voltei à minha oficina, a fim de terminar este texto. Mas, para meu desespero, eis que está à minha porta um novo e estranho personagem: um grande, gigantesco mosquito se apresenta e temo que traga algo terrível em suas palavras.


sábado, 23 de junho de 2012

BARROCO SEVERINO
---Walter Medeiros –
 waltermedeiros@supercabo.com.br 
 
    O professor José Willington Germano falava para uma plateia que ocupava o espaço de lançamento de livros da Cooperativa Cultural Universitária da UFRN, nesta quinta-feira, 21 de Junho de 2012, aludindo a um novo livro que seria lançado, com o título “O Teatro da Morte e da vida – A Escrita Barroca de João Cabral de Melo Neto”. Ouvi atentamente, observando todos os presentes – intelectuais, professores, doutores, artistas e outras pessoas, que aguardava para aplacar a curiosidade do lançamento.
 
    Naquele momento fiz uma viagem no tempo, para lembrar de um amigo de turma do Ginásio Industrial que cursamos na Escola Industrial Federal do Rio Grande do Norte, de 1967 a 1970. Um colega humilde, simples, tímido, estudioso e caprichoso, que não revelava maiores sonhos para a sua vida, que não ambientados naquela realidade de pobreza estampada na maioria da nossa sala de aula, onde alguém com melhores condições de vida era exceção.
 
    Olhávamos para os amigos de turma e sabíamos das dificuldades que a maioria tinha para estudar, muitos deles com fardas surradas, famintos e andando quilômetros a pé para aprender a ser gente. Aí retornei àquele ambiente de elite cultural, onde ouvia um doutor explicar para o público as bases daquele novo trabalho, que descobria certas ligações nunca mostradas na literatura brasileira e nordestina, especificamente.
 
    O professor Willington falava de um novo trabalho que pode ter repercussão internacional, haja vista a abordagem que foi feita, mostrando importantes entrelinhas do poema de João Cabral de Melo Neto. E não poupava elogios ao seu autor, presente e ao seu lado, ouvindo atentamente as palavras do professor, que situava também todos sobre o conteúdo do novo trabalho.
 
    Quantas pessoas não gostariam de estar naquele lugar, recebendo menções elogiosas e vivendo momentos gloriosos, com respaldo de amigos e da sociedade, valorizando a nova obra acadêmica... Uma obra importante, de qualidade, cujo valor não tenho maiores qualidades para aquilatar que os membros da mesa de avaliação; mas basta estes terem aprovado e elogiado, como fizeram, ao analisarem o seu conteúdo.
 
    Estava ali como convidado e senti uma grande emoção ao participar do brilhante momento de lançamento daquele livro, com longa fila para autógrafos e uma performance onde o poema de João Cabral de Melo Neto – Morte e Vida Severina foi declamado, ao som de “Funeral do Lavrador”. Fui também à mesa buscar o autógrafo para o meu exemplar. E o autógrafo foi dado por um homem também muito emocionado, o autor: Francisco Israel de Carvalho. Aquela figura destacada no meio acadêmico vem a ser aquele mesmo menino da minha turma de ginásio industrial - humilde, simples, tímido, estudioso e caprichoso – como sempre. Parabéns, Israel!

quarta-feira, 20 de junho de 2012

PT e Maluf, quem é o mais sujo?

A aliança entre PT e Paulo Maluf, além de revelar como funciona o Partido dos Trabalhadores em termos de prática política, pode resultar num erro tático: não levou-se em consideração um efeito não-pretendido, qual seja o repúdio social a esse arranjo. Ao que parece, Lula valorizou apenas o suposto potencial de Maluf, o de grande eleitor que traria no vácuo de sua presença votação que garantiria a eleição do candidato Fernando Haddad.

http://o-mascate.blogspot.com.br/2011/09/stf-acata-denuncia-contra-paulo-maluf.html
O partido atira no lixo da história uma trajetória que, de resto, já vinha sendo arranhada interna corpore. Agora, o velho homem da pequena política dá sua contribuição para que o PT não possa mais de arrogar como representante dos trabalhadores. Perde-se legitimidade de sigla. 

O acerto como Maluf, que fez questão de posar ao lado de Lula, registrando a preço de manchete sua aliança com os antigos e figadais adversários, não dá garantia alguma de aporte de votos. A aliança não é um gatilho que automaticamente dispararia certeiro no alvo que é a prefeitura paulistana. 

Pode somar?, talvez possa. Mas da mesma maneira, e de forma exponencial, essa arrumação é também um ato de comunicação, cuja compreensão pública mais parece indicar em direção a perplexidade e repúdio que em favor de crescimento do capital político do partido. 

Sem dúvida o encontro de águas entre petistas e Maluf é, formalmente, um conluio de forças, mas, como no caso dos rios Negro e Amazonas, nota-se perfeitamente a divisão de águas. No caso da política, o que não se sabe é quem é o mais sujo.

terça-feira, 19 de junho de 2012

A pequena política, aquela mesquinhazinha, sorrateirazinha, bem estampada na foto de Moacir Lopes Jr. para a Folha. Lula e Maluf, lamentável forma de fazer a vida pública deste país.

Abaixo, a matéria da Folha:

Haddad sela apoio de Maluf e promete cargos na prefeitura

Para anunciar adesão à chapa petista, ex-prefeito exigiu foto ao lado de Lula
Erundina ataca aliança e diz que passado de Maluf é 'abominável'; Haddad chama pepista de 'nosso ilustre Maluf'

Moacyr Lopes Júnior/Folhapress
Lula observa cumprimento entre Haddad e Maluf; ao lado, o vereador Wadih Mutran (PP), vice-líder da gestão Celso Pitta (97-2000)
Lula observa cumprimento entre Haddad e Maluf; ao lado, o vereador Wadih Mutran (PP), vice-líder da gestão Celso Pitta (97-2000) 
 
BERNARDO MELLO FRANCO
DIÓGENES CAMPANHA
DE SÃO PAULO


Com foto conjunta, promessa de cargos e feijoada, o PT e o deputado Paulo Maluf (PP-SP) selaram ontem uma aliança inédita em apoio a Fernando Haddad na corrida à Prefeitura de São Paulo. 

O anúncio teve direito a pose do ex-prefeito com o ex-presidente Lula e terminou com o pré-candidato chamando malufistas históricos de "companheiros", em discurso na sede estadual do PP.
A vice de Haddad, deputada Luiza Erundina (PSB-SP), ameaçou abandonar a chapa em protesto. Ela afirmou que o passado de Maluf é "abominável" e disse que o petista vai perder votos por se aliar a ele. 

A aliança entre Maluf e PT já no primeiro turno (em 2002 e 2004 ele declarou apoio a petistas no segundo turno) foi formalizada três dias após o Ministério das Cidades nomear Osvaldo Garcia (apontado por pepistas como afilhado de Maluf) para a Secretaria de Saneamento Ambiental.
O ex-prefeito negou a troca do cargo por apoio. "Não conheço ele. Parece que é do Paraná. É do PP do Paraná." 

Maluf, que ensaiava apoiar José Serra (PSDB) e tem cargos no governo Alckmin, disse ter mudado de ideia pela ligação do petista com o governo Dilma: "É o nosso candidato porque eu amo São Paulo. E por amor a São Paulo eu tenho plena convicção de que São Paulo vai precisar do governo federal para resolver seus problemas".
"Não tem mais no mundo esquerda e direita", acrescentou Maluf. "O que tem hoje é "efficacité" [eficiência em francês]. Eu fiz a minha opção por uma parceria estratégica com o governo federal." 

O deputado disputou cinco das seis últimas eleições municipais. A exceção foi em 1996, quando apoiou Celso Pitta [1946-2009] pedindo a seu eleitor que não votasse mais nele caso o afilhado não fosse um bom prefeito. 

Ao ser lembrado da frase, ele deu risada e afirmou: "Este rapaz tem boa memória". Em seguida, foi questionado se Haddad seria melhor do que Pitta. Não respondeu.
Haddad justificou a aliança como "um pacto pela cidade". "Divergência é natural na política, mas também é natural buscar convergência." 

FEIJOADA
De última hora, Maluf exigiu a presença de Lula em sua casa, no Jardim América, para selar o acordo. "Ele disse que a foto fazia parte do pacote", relatou um petista. O ex-presidente ficou contrariado, mas foi. Posou para fotos e saiu sem dar entrevista. 

Haddad e Rui Falcão ficaram para o almoço. O ex-prefeito serviu feijoada ("prato internacional do Brasil", segundo ele), refrigerantes e pudim como sobremesa.
À mesa, malufistas históricos como o vereador Wadih Mutran (PP), vice-líder de Pitta na Câmara, e o deputado estadual Antonio Salim Curiati (PP), que foi prefeito nomeado na ditadura militar. 

Mais tarde, Haddad foi à sede do PP, onde chamou o ex-prefeito de "nosso ilustre Maluf" e seus aliados de "companheiros do PP".
O presidente do PT, Rui Falcão, disse aos malufistas que eles terão cargos na prefeitura em caso de vitória: "Vamos fazer campanha juntos, e como já me disse o Haddad, vamos fazer um governo juntos. Ele já me disse que quer fazer um governo de coalizão". 

Mutran saiu em defesa de Maluf e ironizou as críticas da imprensa à negociação de cargos: "Tenho certeza que o senhor acertou com quem dá mais... para São Paulo!"

Recebo e divulgo

Caos na saúde do RN continua sem solução

A população do Rio Grande do Norte continua sofrendo com o descaso da saúde pública no estado. O caos se espalha por todos os setores, faltam leitos, insumos e profissionais para atender as demandas nos hospitais. Os médicos continuam em greve (50 dias) e não recebem uma resposta do governo.

Hoje, 19/06, a situação gravíssima pôde ser vista no hospital psiquiátrico João Machado, onde existem 35 leitos e 50 pacientes internados. Fazendo as contas, sobram 15 pacientes sem leitos aguardando vaga. Enquanto isso, estes pacientes estão no conhecido leito-chão, deitados em colchão no chão.

A médica plantonista Louise Seabra entrou em contato com o Sinmed para denunciar a problemática enfrentada pelos profissionais que querem atender aos pacientes, mas não tem as condições necessárias para isto.

Hoje, devido a movimentação no hospital João Machado, a médica fechou as portas do pronto-socorro, atendendo apenas as emergências. “É difícil tomar uma atitude dessas, sei que quem procura o hospital realmente necessita de atendimento, mas não tenho como atender a tantos pacientes sozinha”, disse Louise.

A médica informou que nos turnos da manhã e noite só tem um plantonista e a tarde são dois. Segundo ela, número insuficiente de profissionais para atender a demanda. “Além disso, alguns pacientes poderiam estar em unidades clínicas, mas são trazidos para cá, superlotando o hospital”, relata.

Além dos fatos já relatados, foi informado ainda que até o momento foram encaminhados apenas 10 lençóis para a unidade hospitalar (para 50 pacientes) e não tem toalha ou sabão para os pacientes tomarem banho.

A situação que está acontecendo hoje tem se tornado rotina e é possível ser flagrada, no mínimo, duas vezes ao mês, de acordo com Louise Seabra.

O Sinmed está estudando o caso para identificar quais as medidas devem ser tomadas para dar suporte aos médicos e aos pacientes do João Machado.

domingo, 17 de junho de 2012

A louca e grandiosa construção do Estádio Monumental

Depois de haver tomado a decisão de que todos deveriam ter saúde e de que a prática de um esporte é a melhor maneira manter-se saudável, O Governo determinou por ato legal a construção do Estádio Monumental, a fim de que todos os cidadãos, também por lei, deveriam comparecer para a prática desportiva. 

Da mesma forma, foi estatuído que todos os recursos públicos deveriam ser aplicados na construção do Estádio Monumental, sendo portanto dispensáveis todos os hospitais. Apensa a tal fato, legislação especificou que todo aquele que apresentasse sintomas de doença seria preso, considerando-se, em consequência, hospitais como "casas suspeitas" de propagar o mal, a doença e os maus costumes.

Ou seja: se o cidadão estivesse doente o era em função de que não estava comparecendo ao Estádio Monumental, negligenciando assim os cuidados com a saúde. O Estado, ficava bem claro, estava cumprindo o seu papel; as pessoas, por implicação, é que estavam se inserindo em tipificação criminosa. 

Foram proibidas as faculdades de medicina, consultórios, postos de saúde e serviços de emergência. Enquanto isso, o Estádio Monumental crescia e se apresentava como obra magnífica. E as pessoas, apesar de comparecer ao esporte, continuavam a adoecer, e o que é pior: como todos eram obrigados à prática esportiva, logo juntaram-se grandes multidões e não havia como atender a todos, pois os campos não comportavam tanta gente.

O Governo anunciou então a inauguração do Estádio Monumental como solução para o problema, mas, antes, deveria haver a Copa do Mundo, para comemorar tão necessária obra. E veio a Copa e houve festejos. Todos, segundo a lei, compareceram ao Estádio Monumental, mas entre eles havia doentes, e competia à polícia sua captura segundo o que determinava a lei. Mas os doentes tentavam se esconder entre os que estavam sãos, e com isso estabeleceu-se grande tumulto.

A polícia foi obrigada a abrir fogo. As metralhadoras zumbiram durante muito tempo até que não restou ninguém de pé. Feito isso, tiveram início os jogos.

sábado, 16 de junho de 2012


CADÊ O FORRÓ?
Leide Franco

Tradição cultural deveria ser lei irrevogável. Patrimônio histórico que ninguém tem o direito de meter a mão. Deveria existir uma lei que protegesse todos os direitos da memória de um povo. Falo do forró [o legítimo]. Mas isso só seria coisa séria se morássemos em outro país. Ao falar em forró, por todo esse texto, leia-se ritmo musical típico da região Nordeste do Brasil, tirado do som da sanfona, zabumba e triângulo. Um som alegre com influências do xote, baião e xaxado, que tornou-se mais popular no Brasil por volta de 1950.

Brasil é um país sem memória. Por que? Porque vive reinventando os costumes numa tentativa de "neorrepaginar" o que existe. É impossível manter as origens. Inventou-se, na década de 90, o forró universitário. Pelo amor de Luiz Gonzaga, se o Sudeste quer curtir o forró, respeite-nos! Ah, é feio para o Sudeste, lado desenvolvido do país, reproduzir a cultura de nordestinos, é? Que seja ou não. Agora é inaceitável que peguem o nosso forró, arrasta-pé, bate-chinela e transformem nesse ritmo cheio de som de bateria e guitarra e ainda fazer a gente consumir esse produto industrialmente fabricado é um tanto demais. E ainda chamar de revitalização do forró é dar na cara da gente.

O pior não é ver o produto chegar enlatado de lá. Cruel é ver que nós mesmos reproduzimos. Junho é mês festeiro. É mês de festas juninas ou joaninas em homenagem a São João. É uma celebração trazida pelos portugueses, ainda durante o período colonial (época em que o Brasil foi colonizado e governado por Portugal). Danças, fogueira, fogos de artifício, comidas típicas, alegria e Zezé di Camargo e Luciano, Luan Santana, Leonardo, César Menotti e Fabiano, Fernando e Sorocaba e os Aviões do Forró e o Forró do Pegado, Cavaleiros do Forró, Calcinha Preta e o Grafith tocando nas principais cidades festeiras do Nordeste. 

O que diria Câmara Cascudo sobre o nosso presente?
Ah, meu povo, é triste ver como estamos perdendo o rumo, perdendo a noção e a importância que a força cultural de um povo exerce sobre a nossa história. Que memórias irá guardar a geração jovem? Serão lembranças descartáveis. 

Quem me conhece sabe que não tolero nenhum desses cantores/bandas citados acima, mas até respeito, pelo menos tenho tentado respeitar quem gosta. Impossível é aceitar a descaracterização da tradição e empurrar esse tipo de música goela abaixo quando o mês é do forró, é brincar com a nossa paciência. É só um mês, temos outros onze para todos os "tecnoneosertanejos" do mundo. Ah, mas as coisas mudam, avançam, evoluem. O que é evolução?

Produto bom é produto que vende. É claro. Essa é a prática adotada nesse sistema queorganiza as festas juninas. Prática fomentada pela mídia que visa o lucro. O forró autêntico, pé-de-serra, aquele que faz arrastar os pés parece não caber entre as atrações. É feio. Antigo. Ultrapassado. Démodé. Dançar forró hoje é fazer cambalhotas, pinotear. Ouvimos solos mal feitos na guitarra. Nem vou falar da qualidade das letras musicais, rende outro texto inteiro. Cadê as sanfonas de Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Sivuca? Cadê o ritmo de Elino Julião, Elba Ramalho, Genival Lacerda, Jackson do Pandeiro. Cadê o forró?
 
 Sindicato dos Corruptos
Nota Oficial

Ficam todos os associados a esta entidade avisados que a todo bom corrupto assiste o direito de corromper, usufruir, fraudar e desviar fundos públicos, sendo-se-lhes garantida impunidade absoluta, bem como o direito de não produzir provas contra si. 
 
Tal direito é consuetudinário e, portanto, o corrupto pode e acima tudo deve exigir seu cumprimento. Advertimos que qualquer corrupto que não exigir o que lhe é de direito será alvo de ação por parte deste Sindicato, que zela pelo bom nome e integridade das normas e bons procedimentos que assistem à nossa profissão. 

Enfatizamos que o descumprimento das leis é norma pétrea e basilar da corrupção e que o descumprimento do descumprimento é passível de punição, exigindo-se de cada associado adesão irrestrita a tais formalidades. A corrupção tem contribuído enormemente para a construção de obras faraônicas e atos conexos, o que comprova a importância de nossa presença na vida pública e na manutenção do bem-estar social. 

Destarte, este Sindicato reafirma seu apoio aos associados que estejam na mira da Justiça a fim de que, ao final do processo, saiam todos ilesos e bem dispostos, aptos, portanto, a dar continuidade a seus necessários e urgentes misteres.

A Presidência

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Candidato a vereador anuncia: Natal e todo o Estado serão transformados em gigantesco e formidável hospício

Fui procurado ontem em minha tipografia por um elegante corvo– informo que tipógrafo sou, tendo cumprido aprendizado com o mestre Gutenberg. 

Como cavalheiro elegante, aquele nobre homem vestia-se a caráter: fraque pretíssimo impecável, cartola e monóculo. Procurou-me para anunciar sua candidatura a vereador nas próximas eleições, garantindo que seu mandato muito enobrecerá a já muito nobre Câmara Municipal de Natal, este infeliz burgo.
http://arquivosdoinsolito.blogspot.com.br/2009/05/inteligencia-de-corvos-intriga.html
 Segundo disse, sua proposta gira em torno de dois projetos essenciais: a transmigração da ambiência legislativa e a transformação do Rio Grande do Norte em um hospício, onde, por efeito de alucinação midiática, todos os moradores serão felizes e viverão em paz e conforto.

Pedi-lhe explicação a respeito de tão doutas intentonas e mo explicou com graves ademanes jurídico-comunicacionais. Fiquei pasmo, como você, leitor deste pobre coranto, também o ficará. Eis o que me disse:

1)      Transmigração da ambiência legislativa é a nova doutrina jurídica a ser implementada por ele, quando eleito. Isso significa, explicou, que as leis que proporá terão âmbito ampliado para todo o Estado, deixando, portanto, de inscrever-se na jurisdição de Natal, disciplinando, assim, a esfera estadual;
2)    Isto feito, proporá a Lei da Alucinação Midiática e a imediata transformação de todo o Estado no almejado hospício.

Detalho agora: com a aplicação da doutrina da Transmigração da Ambiência Legislativa, e com sua vigência em todo o Estado, será determinada a criação do Hospício Único de Saúde. Com isso, todo o Rio Grande do Norte será cercado por altíssima muralha a fim de que nenhum, ninguém ou alguém possa escapar.

Isto feito, a propaganda oficial dos governos passará a ser a realidade oficial a ser aceita, proclamada e juridicamente imposta pela Lei da Alucinação Midiática.

Como todos estarão legalmente loucos, a alucinação será a verdade instituída e a ela todos estarão adstritos sob as penas da lei, penas essas que são: 1) Envio de todos os dissidentes a sala especial onde serão obrigados a assistir 24 horas por dia à propaganda oficial. 2) Os recalcitrantes serão lobotomizados. 3) E se mesmo assim os lobotomizados insistirem em que a propaganda oficial não é a verdade serão levados à pena capital. Após a execução, serão mandados ao Haiti, onde competente junta de feiticeiros os transformará em zumbis.

Somente após tal tratamento terão autorização para voltar a Natal ou, resistindo ainda, encaminhados a Hollywood a fim de que trabalhem em filmes de terror tipo “B”, proibidos eternamente de regressar à nossa cidade, então a mais feliz das metrópoles no mais feliz dos Estados.

A transmigração da ambiência legislativa, garantiu-me o corvo, será a maior prestação de serviço que a Câmara Municipal de Natal prestará ao infeliz Estado do Rio Grande do Norte, dentre tudo o que já fez de bom e de justo.

Ao perceber que ele me parecia um homem completamente louco, o corvo anunciou que, para cumprir seus intentos, conta com o magnífico apoio de grupos de pressão, cuja presença financeira garantirá que venha a ser eleito.

Argumentando em favor de suas pretensões disse, teorizando: “A realidade é complexa. Nela coabitam a realidade mesma, aquela onde estamos inseridos, e a realidade virtual, aquela dos anúncios. E sendo esta parte daquela, é realidade em si, uma vez que a propaganda nada mais é do que a simbolização do real. Ou seja: é verdade que a propaganda existe e, existindo dentro do real, é o real que deve imperar e orientar, viger e ser vivido.”

Quando argumentei que isso é loucura, rebateu: “Mas a loucura, a alucinação, será o real vivo. A alucinação que proponho será a realidade; realidade invertida, mas realidade vigente: portanto, a realidade melhor. E como quero o melhor para o povo, de Natal e do Rio Grande do Norte, devemos escolher o melhor: a loucura será esse melhor. E como todos os loucos devem ser confinados a bem da ordem pública, o Estado será elevado à condição de hospício, já que os loucos não podem ser soltos sob risco de graves transgressões, não concorda?.”

Dito isto, bateu asas e voou.

Tentei voltar a trabalhar, não consegui. Com muita dificuldade consegui compor este coranto. Por momentos temi pela minha sanidade mental. Teria eu visto mesmo um corvo em minha tipografia? Teria mesmo aquele elegante cavalheiro comparecido com tamanhas proposituras?
Então, liguei a TV e vi um anúncio oficial, garantindo que tudo está bem e que nossa realidade é a melhor, no melhor dos mundos.

Não, concluí. Não estou louco: o plano do Corvo é que já está em ação. Há muito tempo.  Eu é que não havia percebido...








quarta-feira, 13 de junho de 2012

Recebo e repasso

UFRN inicia instalação de internet gratuita e sem fio na Grande Natal

Vinte e uma instituições em cinco municípios e sete escolas estaduais sediadas na Grande Natal serão beneficiadas com a construção da Rede Metrópole Digital, uma Rede Metropolitana sem Fio, que prevê a instalação de 50 Telecentros e 60 pontos de acesso gratuito à Internet em municípios da Região Metropolitana de Natal.

Essa Rede sem Fio está sendo implantada pelo Instituto Metrópole Digital (IMD) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e tem o objetivo de dar suporte às atividades do Instituto e promover ações de inclusão digital junto à população do Estado. O suporte às atividades do Instituto inclui o atendimento aos alunos dos cursos oferecidos pelo IMD em horários de aula, através dos Telecentros.

Nos horários alternativos, os Telecentros irão atender à população e possibilitar a oferta de treinamentos e cursos de interesse geral, que venham a ser disponibilizados. Dessa forma, através dos pontos de acesso à Internet, afirmou o coordenador da Fase 2 do Metrópole Digital, Sergio Vianna Fialho, o projeto se propõe a contribuir para a inclusão digital da população.

O projeto da Rede Metrópole Digital recebeu R$ 3.974.898,05 do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) para instalação da infraestrutura de rede e compra de kits compostos de 11 computadores, mesas e cadeiras, equipamentos de rede para interligar esses computadores, estabilizadores, nobreaks, televisão e ar condicionado.

Esses kits se destinam à implantação dos Telecentros e estão sendo repassados para as prefeituras, que se responsabilizam pelas instalações físicas adequadas, além de disponibilizar um funcionário para acompanhar as atividades dos Telecentros.

Iniciada em junho de 2011, a Rede Metrópole Digital está concluindo a instalação de Telecentros e pontos de internet nos municípios de Parnamirim, Extremoz, São Gonçalo do Amarante, Vera Cruz e Monte Alegre.

Nas escolas estaduais Edgar Barbosa, Felizardo Moura e Berilo Wanderley, em Natal, o Governo do Estado, através da Secretaria de Educação, já concluiu a reforma dos espaços onde foram instalados os Telecentros. Ainda em fase de reforma, com previsão de conclusão em breve, estão as escolas 15 de outubro, Mirian Coeli, Floriano Cavalcanti e CENEP.

A UFRN deverá cancelar os convênios assinados com as prefeituras de Natal e São José de Mipibú por não terem cumprido sua parte na implantação do projeto, que era executar a adequação das salas selecionadas para receber os equipamentos dos Telecentros.

“A Prefeitura de Natal ultimamente sequer atende às ligações da Universidade para informar sobre o estado destas obras de adequação”, informou Sérgio Fialho.


Segundo Fialho, os municípios de Macaíba, Ceará-Mirim e Nísia Floresta, que também fazem parte da Região Metropolitana de Natal, não chegaram a celebrar os convênios de cooperação com a UFRN e perderam a chance de participar do projeto neste momento, pelo não cumprimento dos prazos concedidos pela UFRN.

“Os equipamentos previstos para esses municípios deverão ser relocados para outros Telecentros”, acrescentou Sergio Fialho.

Encontrei e compartilho Festival MPB 6 Caetano

terça-feira, 12 de junho de 2012

http://tabernadoveon.blogspot.com.br/2011/01/o-castelo-de-neuschwanstein.html

A minha namorada 
é especial: mora num castelo 
e tem sempre à mão 
um cálice de pétalas.

 A ela um brinde, 
uma vida 
e tudo o mais que eu possa fazer.

domingo, 10 de junho de 2012

Recebo e divulgo

Uma reflexão dobre a greve dos professores da UFRN

Caros,
Roberto Hugo Bielschowsky fez na lista de discussão Ciranda uma excelente reflexão sobre a conjuntura do movimento docente, que compartilho com vocês. É longa, mas é detalhada e profunda.
Vale ler porque ajuda a pensar na resposta que devemos dar ao plebiscito do dia 12 próximo e, no meu caso, reforça o "não" que vou responder.
Abs,
Josimey

---------- Mensagem encaminhada ----------
De: Roberto Hugo Bielschowsky <rhbiel@ccet.ufrn.br>
Data: 9 de junho de 2012 22:33
Assunto: Re: [Ciranda] A GREVE QUE SE DESENROLA NAS IFE
Para: ciranda@ufrn.br


Prezado Claudemir e demais colegas,  gostaria de saudar sua iniciativa ao deflagrar  um   debate a partir da nota do CNG do ANDES de 02/06/2012 que você  nos disponibilizou, ao mesmo tempo em que nela realizava  alguns destaques. Aproveito para fazer três destaques naquela nota do CNG, seguidos de alguns comentários e questionamentos:
I – Sobre o papel dos discentes. Diz a nota do CNG do ANDES:
“Destaca-se o papel dos discentes que, organizados, também entraram em greve em quase todo o país. Em 01 de junho, já existiam estudantes de 31 universidades públicas mobilizados, confirmando, em assembléias nas suas instituições, a importância da luta em defesa de 10% do PIB para a educação, uma universidade de qualidade, em que eles tenham acesso a uma formação voltada para o trabalho e não meramente por emprego. Para isso, necessitam de currículos adequados, professores em condições de orientá-los, com tempo disponível para estudo, acesso a laboratórios; uma política de assistência estudantil que garanta acesso a restaurantes universitários, residência universitária, bibliotecas equipadas. Os estudantes, ao engrossarem o movimento paredista, têm consciência que a greve pode trazer prejuízos eventuais, mas que prejuízos maiores ocorrerão se ficarem fingindo que a expansão da universidade é democrática e que garante direitos. Expansão sem qualidade é exclusão.”
Duas perguntinhas aí:
I.1 –  O que significa mesmo dizer que os discentes, “organizados, também entraram em greve em quase todo o país”?   Será assim?  
I.2 - Será que nossos estudantes na UFRN estão dispostos a “engrossarem o movimento paredista”, como diz a nota?
I.3 -  Que tal, na segunda-feira, cada um de nós disponibilizarmos esta observação do CNG do ANDES a nossos alunos em sala de aula, com o objetivo de consultá-los  acerca de nosso plebiscito de terça e desta disposição de que fala a nota do CNG?
II – Sobre estrutura de carreira. Diz a nota do CNG do ANDES:
“A manutenção de uma remuneração composta de vencimento básico e gratificações, proposta pelo governo, somada à introdução de uma retribuição por projeto (RP) contribui para a competição individualista e a mercantilização do conhecimento e aprofunda a quebra da isonomia e paridade. Não se trata de uma mera mudança de carreira. Trata-se de um projeto político de educação que pretende dar sustentabilidade a uma hegemonia burguesa do capital.”
Esclarecendo:
II.1 - A única gratificação mantida nas propostas que estão na mesa de negociação é por titulação. O ANDES entende que tem que ser incluída nos salários, a serem classificados por nível de titulação.
II.2 – O ANDES é contra retribuição por projetos institucionais (de ensino, pesquisa e extensão), em ambas as carreiras, assim como já se posicionou contra as bolsas de pesquisa do CNPq em outros momentos, sob a ótica que este tipo de remuneração “contribui para a competição individualista e a mercantilização do conhecimento e aprofunda a quebra da isonomia e paridade”. Será que os professores das IFES têm este   mesmo entendimento  acerca da possibilidade de retribuição por projetos institucionais?
II.3 – A proposta do ANDES, supostamente em contraposição a um “projeto político de educação que pretende dar sustentabilidade a uma hegemonia burguesa do capital” (??????!!!!!!!,rssssss......) prescreve uma carreira em 13 níveis, com 5% na passagem de um para o outro, por tempo de serviço, na prática e com entrada no nível I da carreira. Sem nenhuma exigência de avaliação  “produtivista”, ou de qualquer outra natureza e eliminando a categoria de titular (ou seja, qualquer professor sênior que queiramos contratar terá que entrar no nível I).  Com um salário inicial com base no salário mínimo do DIEESE para o professor 20 horas e sem nenhuma especialização. Isto corresponde a  mais de R$12.000,00 para o professor doutor com DE, no nível I e a mais de R# 23.000,00 no nível 13.
II.4 - Há quem entenda que a lógica da “carreira” proposta pelo ANDES tem sua racionalidade maior pautada em  facilitar a unificação das lutas dos servidores públicos federais por reajustes lineares. Pelo menos isto bate com a persistência na qual as entradas em greve do ANDES desde 1995 para cá,  com exceção desta de 2012, tinham como eixo central articular lutas conjuntas com as demais categorias de servidores públicos federais.
III –  Sobre a greve nacional dos demais SPF. Diz a nota do CNG do ANDES:
“Há uma mobilização nacional dos demais Servidores Públicos Federais que poderá culminar em uma greve nacional a ser deflagrada a partir do dia 11 de junho. É necessário manter mobilizados a todos os que aderiram ao movimento, continuar crescendo e ampliar o debate político com toda a sociedade.”

III.1 - O ANDES está na  “comissão de frente” da greve a ser deflagrada a partir de 11 de junho por reajustes lineares de salários para todos os servidores, como seria natural. Nada contra  uma luta conjunta por reajustes lineares de todos os servidores, muito pelo contrário.  Contudo, a maioria das categorias, que igualmente compõem a comissão de frente desta greve geral dos servidores,  como a dos servidores das IFES via FASUBRA,  já negociou suas carreiras com o governo nos últimos 10 anos, via de regra,  com grandes vantagens específicas. Por outro lado, o orçamento federal para reajuste salarial, obviamente tem limites. A pergunta natural aí seria, sobretudo pensando na hipótese da movimentação dos SPF vingar: “Alguém que acompanhou de perto as greves do ANDES de 95 para cá tem alguma dúvida sobre qual lado da equação “Pauta conjunta com demais servidores X Lutas específicas por categoria” pendem os corações e mentes de nossos comandantes do ANDES?

Conclusão: Honestamente, não tenho bola de cristal para saber  se toda esta movimentação de greve dos professores das IFES será positiva ou negativa, ao final das contas. Contudo, sobre alguns pontos tenho quase-certezas:
i - O espaço de negociação que está aberto com o governo até o fechamento do orçamento federal a ser enviado em meados de agosto ao Congresso Nacional  não será ocupado pelo CNG do ANDES com um mínimo de racionalidade visando o que é essencial nesta discussão específica de carreira.
ii – A possibilidade da negociação Proifes-Governo vir a bom termo não é algo dado, mas tem uma possibilidade importante de dar bons frutos e é onde acho que devamos depositar nossas fichas daqui até o final de julho.
iii – A  luta por uma estrutura de carreira nos moldes que propõe o PROIFES me parece perfeitamente adequada, se vier junto  com a vitamina indispensável para que seja atrativa aos jovens candidatos a ingressar na carreira. O fato do MEC ter chamado a si a bandeira da equiparação com MCT me parece uma variável importante aí, pois corresponde a um acréscimo de mais de 50% no volume de salários que nos são pagos atualmente.
iv - Não vejo a menor possibilidade da equiparação com MCT sair em 2013 numa só tacada. Tampouco vejo diferenças fundamentais entre ser   5% em 2013, 20% em 2014 e 20% em 2015 ou 15% em três parcelas, a ponto de justificar uma entrada em greve agora, no finalzinho do semestre letivo e relativamente longe de agosto. Até entendo que a disputa pelo orçamento de 2013 em agosto será muito mais acirrada que agora, e que isto favoreceria uma entrada em greve já, caso estivéssemos centrados em disputar exclusivamente o orçamento de 2013. Porém entendo também que, pela correlação de forças que enxergo no tabuleiro, bem como pelo fato que estamos disputando uma fatia do orçamento de 2014 e de 2015, e não apenas este de 2013, o timing mais correto para nossa  entrada em greve seria claramente  o início do próximo semestre, caso nada significativo se concretize na mesa de negociações com o governo até lá. Neste caso, provavelmente engrossaremos a greve do ANDES que, segundo os  comunicados de seus CNGs, continuará “firme, forte e coesa” até o fim dos tempos, sobretudo caso o movimento dos SPFs  tiver  algum vigor.
v - Cenário provável, caso o movimento dos SPFs se fortaleça até agosto e venha a pressionar significativamente o Congresso Nacional e o governo por ocasião da discussão do orçamento federal para 2013:    PROIFES,   de um lado, com  prioridade  na luta pela nossa carreira com as forças que souber acumular e ANDES, de outro,  com prioridade em botar seu bloco nas ruas junto  com os valorosos companheiros do movimento dos servidores públicos federais, visando pressionar Congresso Nacional e governo, possivelmente contabilizando algumas vidraças a mais quebradas,   na luta pelo  reajuste  linear de salários dos SPFs.  Como a esperança é a última que morre, espero que, ao menos em agosto, ANDES e PROIFES consigam ter o bom senso de sentar para articular minimamente o que realmente interessa aos seus representados naquela arena.

Professores da UFRN, façam as suas apostas... 

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Josimey Costa