domingo, 29 de abril de 2012

Recebo e divulgo

História do Jornalismo – José Marques de Melo
 (São Paulo, Paulus, 2012, 447 p.)



Prefácio

Disciplina integrante do currículo dos cursos de jornalismo, no mundo inteiro, a História do Jornalismo procura situar os futuros praticantes do ofício diante dos acontecimentos que marcaram o desenvolvimento das rotinas de produção, estimulando as novas gerações a registrar com fidedignidade os fatos de interesse público, contextualizando-os no tempo e no espaço.
Para subsidiar o trabalho didático dos mestres e o aprendizado dos estudantes, foi sendo constituído um acervo historiográfico que se tornou referência internacional, influindo no modo de compreensão dos fenômenos jornalísticos. Como adverte claramente Georges Weill em seu clássico ensaio Le Journal: origines, évolution et role de la presse periodique (1934), essa ótica dominante atrela o conhecimento histórico do jornalismo a quatro nações – Alemanha, Estados Unidos, França e Inglaterra -  que desfrutam de hegemonia cognitiva nesse e em outros campos do saber. Tanto assim que ao providenciar sua tradução para a língua espanhola  (1941), a editora mexicana Fondo de Cultura Económica viu-se na contingência de acrescentar um apêndice sobre “Jornalismo e Jornalistas da América Espanhola”. Numa perspectiva pedagógica, o referido autor anota também que é “complexa e difícil” a tarefa dos seus historiadores,  pois o jornalismo “não pode isolar-se da história geral da civilização”.
Compreende-se, portanto, o cuidado dos narradores dos episódios e das circunstâncias que configuram o desenvolvimento do jornalismo, limitando sua abrangência ao panorama nacional. Essa orientação nacionalista turva a compreensão dos fatos históricos pelos futuros jornalistas, exigindo prontidão intelectual dos professores da matéria para interpretar os relatos procedentes da bibliografia forânea. Obras consagradas como as de Pierre Albert e Fernand Terrou (França), Harold Herd (Inglaterra), Giuliano Gaeta (Itália) ou Edwin Emery (Estados Unidos) devem ser lidas com muita atenção e acurácia redobrada para evitar transposições literais das narrativas ao contexto doméstico.
Existem naturalmente incursões historiográficas  bem sucedidas, buscando construir narrativas holísticas ou panoramas comparativos, como as que foram empreendidas precocemente na América Latina por historiadores do calibre do brasileiro Carlos Rizzini (1946), do cubano Octavio de la Suarée (1948) e do boliviano Gustavo Adolfo Otero (1959). Elas se antecipam às exigências  dos tempos presentes, correspondendo às obras preparadas pelo inglês Anthony Smith (1979), pelo italiano Giovanni Giovanini (1984), pelo norte-americano Mitchell Stephens (1988) ou pelo espanhol Alejandro Pizzaro Quintero (1994).
Lamentavelmente, o cenário brasileiro mostrou-se desalentador, na última década do século passado, com a indigência dos estudos históricos nos cursos superiores de jornalismo. Trata-se de um tipo de conhecimento que foi praticamente minimizado e em alguns casos suprimido da formação curricular dos futuros jornalistas. Não só o estudo histórico da civilização, mas até mesmo a valorização da história profissional. Em boa hora, a cruzada empreendida pela Rede Alfredo de Carvalho logrou incluir a História da Imprensa na agenda das celebrações do bicentenário de 2008 (quando o Brasil supera o estatuto colonial e se converte em Reino Unido a Portugal, episódio que conduziu à independência nacional em 1822).
Os efeitos dessa ofensiva já se fazem sentir claramente. O relatório da pesquisa posdoutoral de Aline Strelow (2011) comprova que o interesse pela História do Jornalismo não apenas retornou ao campus, mas vem crescendo significativamente. Sua análise do conteúdo de uma amostra de periódicos da área de Comunicação Social, no período 2000 a 2010, demonstra que a História do Jornalismo ocupa o primeiro lugar na lista dos “campos teóricos”  referidos e o terceiro lugar na lista dos “temas”  estudados.
Tais evidências motivaram a publicação do livro História do Jornalismo  de José Marques de Melo(São Paulo, Paulus, 2012, 447 p.), que reúne três conjuntos de análises críticas do Jornalismo: os processos, as conjunturas e os narradores. Sem pretender reduzir a historicidade dos fenômenos jornalísticos ao panorama nacional, foi inevitável tomar o espaço brasileiro como ponto de referência. Tenho a convicção, como já adverti em obras anteriores, de que, apesar de sua vocação universal, o jornalismo, tal qual praticado no presente, ainda permanece ancorado nas realidades nacionais que lhe dão sentido e das quais se nutre cotidianamente.
O autor não tem a pretensão de contrapor-se às obras analíticas que conquistaram reconhecimento nacional, nem tampouco substituir os manuais didáticos recém lançados, almejando servir como fonte de apoio para a interpretação comparativa e o aprofundamento dos registros didáticos ou investigativos.
Modestamente, sua aspiração é estimular a pesquisa histórica do jornalismo, tanto nos cursos de graduação quanto nos programas de pós-graduação, restabelecendo a indispensável articulação com as demandas sociais.
Tal paradoxo está explicado com clareza e sensibilidade nas conclusões do estudo de Aline Strelow:
  As rotinas produtivas em jornalismo constituem a base de um número representativo de trabalhos, em uma tentativa de fazer dialogar academia e mercado, de produzir ciência olhando para a realidade.”
Mas o arremate da jovem pesquisadora é contundente e convincente:
 “Embora tenha crescido o interesse pelo estudo das rotinas produtivas, a pesquisa em jornalismo no Brasil segue com escassa relação com o mercado de trabalho. Intensificar essa relação para fazer valer a prática científica é um dos principais desafios os quais precisamos nos impor”.
Coisas potencialmente perigosas

Assoberbado por aulas e trabalhos com estudantes na UFRN, estou sem tempo de escrever diariamente. Mas hoje, quando me sobraram alguns minutos - porque hoje é sábado - o computador, essa máquina envaidecida, arrogante e louca, me diz que não.

Qualquer site é "potencialmente perigoso". Assim, para chegar até aqui, tive que inventar mil dribles para que a irritante máquina abrisse a página de nova postagem, até então incluída nos entes potencialmente perigosos.

Páginas de jornais também estão no índex, Twitter idem e agora torço para pelo menos publicar este texto, que já foi redigido e perdido várias vezes. 

Cansei. 

Vou parar, senão temo também ser considerado potencialmente perigoso.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Complexo de vira-lata

Quando começou a febre em torno do campeonato espanhol tive e nítida impressão de que estávamos voltando ao complexo de vira-lata; aquele que Nelson Rodrigues havia diagnosticado nos idos dos anos 50 ao dizer que a Seleção, mesmo sendo formada por grande jogadores, tremia frente aos europeus numa espécie de complexo de inferioridade caboclo.

Quando vi o pantim em torno de Messi, europeizado a partir da Argentina, tive pena de nós, aparentemente condenados a não ter identidade, a imitar sempre "o que vem de fora", "o de fora é melhor", o "importado" , o "benfeito". Agora até mesmo o futebol, mesmo que só em imagem televisiva, teria de ser o "importado". 

Notei o perigo se avolumando quando vi a Globo transmitindo jogos que não têm nada a haver com a realidade brasileira. Por quê? Porque a Globo não perde tempo. E mesmo à custa de despersonalizar o futebol brasileiro, dizer por vias indiretas que nosso futebol se esgotou ou quase isso, e que agora o "espetáculo" o "encantamento" está lá fora,  investe em qualquer coisa que dê retorno - e audiência, claro.

Quando a Globo passa a avalizar um jogo lá não sei aonde, esteja certo: busca dominar aquele segmento e transformá-lo numa "necessidade". Portanto, é necessário assistir jogos até no inferno porque a Globo está dizendo. Além do mais, ela passa a assumir esse entretenimento como patrimônio, do mesmo modo como se tornou dona da Seleção. A Seleção é parte da grade de programação da Globo. Isso naturalizou-se e é normal somente a emissora dos Marinho transmitir seus jogos. 

Agrega-se a isso o fato de que a Globo termina por dizer ao brasileiro que, tendo domínio de jogos na Europa, predominando com a Seleção e sendo hegemônica na produção de ícones e representações que calam fundo do imaginário nacional, ela é a melhor TV do Brasil. E sendo a melhor é preciso que seja assistida, mesmo passando um jogo de times que, a rigor, não nos interessam. 

Mas, foi bom que o Barcelona tenha sido desclassificado. Messe caiu dos seus pés de barro. Tanto que a folha o saudou com uma manchetinha: "Ex-imbatível."

terça-feira, 24 de abril de 2012


A ilha flutuante

Certa vez exilei-me numa ilha flutuante. Exílio não é, a rigor, a palavra certa uma vez que fora contratado por seu dono e senhor para a ocupar e fiscalizar. Fiscalizar o quê?, perguntei-lhe, já que estaria ali sozinho e ao largo do mundo. Fiscalizar tudo, disse-me ele. E se não acontecer nada?, insisti. Então, fiscalize o nada, exigiu. E assim foi determinado e assim foi feito, conforme vos contarei. A ilha estava ancorada a cem metros da praia e a ela um barco me levou. Tão logo soltei a âncora, a ilha se pôs a navegar. 


Devo dizer que é emocionante, comovente e glorioso habitar uma ilha flutuante. Selvática e bela, uma ilha flutuante não pode afundar, pois não é barco; grande e larga, floresta a ocupa de lado a lado, sem que seja habitada por selvagens ou outros homens agressivos e perigosos; livre, pois flutua, torna-se um país sem estar presa a um continente.

Tão logo parti o céu se fez escuro e poderosa tempestade se abateu sobre o oceano e sobre a ilha. Para escapar da perturbação dos elementos atirei-me em linha reta, correndo pela mata em busca de abrigo, que surgiu na forma de caverna acolhedora e vasta. E como estava ali para fiscalizar entrei na gruta enorme e me pus a esquadrinhá-la. Havia enormes salões e declives que me levaram bem a fundo. Estranhamente, uma suave claridade se espalhava pelos ambientes, mesmo os mais distantes, nos quais me internava. Ouvia, bem fraco, o troar da tempestade.

Não sei quantos dias passei fiscalizando a caverna, mas é preciso informar que, quando de lá saí, após longo sono, contava com a idade de 70 anos. Ao chegar à ilha, contava com a idade de 20 anos. Ao sair, descobri que não me encontrava só: a ilha era agora habitada por animais, todos sábios e ponderados, segundo se diziam. 
Informaram-me que não se haviam apresentado ao momento de minha chegada porque, jovem e tolo, não os compreenderia e assim esperaram meu amadurecimento. E o que fazeis aqui?, indaguei. Nada, garantiram. Nada, a não ser colocarem-se à minha disposição para ser fiscalizados. Mas eu, como não podia fiscalizar o nada, nada fiscalizei e, ao não fazer isso, estava trabalhando intensamente em nada.

Os animais regozijaram-se ante minha proficiência vazia. Perguntaram então o que desejava que fizessem. Disse-lhes que deveríamos todos seguir em direção à praia, a fim de observar o navego da ilha. Ali chegamos rapidamente e veio então nova tempestade. Corri para a caverna. Os animais fugiram para o centro da mata.

Cumpri na caverna o mesmo périplo fiscal e adormeci. Ao acordar, contava com 20 anos. Isso quer dizer que num processo de engenharia temporal reversa, haviam se passado 50 anos. E a ilha estava de volta ao mesmo lugar de onde eu partira. O seu senhor e dono pediu-me as contas do que fiscalizara e apresentei-lhe a história que ora vos relato. Ele aprovou com louvor o meu relatório e mandou-me embarcar novamente, a fim de continuar fiscalizando o nada. 

Destarte, nada me resta, a mim e a vós que ledes meu canto, que continuar a flutuar sem rumo ou prumo, ao léu e ao nada, que é a herdade que de há anos recebemos. E nada mais havendo a tratar, encerro este texto, que vem aí nova tempestade.

Recebo e divulgo

Docentes das Universidades Federais realizam um Dia Nacional de Mobilização em defesa da Carreira


Nesta quarta-feira, 25 de abril, docentes das Instituições Federais de Ensino Superior de todo o Brasil realizam um dia de mobilização e protestos em defesa Carreira e contra a morosidade do Governo Federal no atendimento à pauta de reivindicações da categoria. Entre os principais pontos, o atraso no pagamento do reajuste de 4% e incorporação ao salário base das gratificações do Magistério Superior e do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico, acordados para vigorar a partir do dia 1º de março.

A data faz parte da agenda de atividades do PROIFES-Federação, e inclui uma pauta propositiva desenvolvida em conjunto com os sindicatos federados. “A mobilização dos docentes em todo o Brasil será fundamental para assegurar avanços importantes e investimentos adequados para a nossa Carreira”, avalia João Bosco Araújo, presidente do ADURN-Sindicato, entidade filiada ao PROIFES.

O ADURN-Sindicato e os sindicatos federados ao PROIFES protestam, ainda, contra a inclusão de itens não negociados com as entidades no PL 2203/11 e pelo cumprimento do acordo de 2011. “Não podemos permitir que os professores das IFES sofram com políticas que querem restringir o necessário avanço do Ensino Público gratuito e de qualidade”, ressalta o diretor de Política Sindical do ADURN-Sindicato, Wellington Duarte.

Apesar dos recordes de arrecadação e da política de melhoria da infraestrutura e expansão das Universidades Federais do país, os professores reivindicam a valorização da profissão e defendem mudanças na construção da Carreira.

Há consenso entre as entidades dos Servidores Públicos Federais de que o cenário econômico segue apontando para uma sequência de recordes de arrecadação. O superávit primário tem superado as expectativas do próprio governo, e o entendimento é de que há condição para assegurar avanços importantes na administração pública.

Agenda

Nesta terça (24), o PROIFES-Federação participa de encontro com o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), como integrante do Fórum Nacional dos Servidores Públicos Federais, para discutir pautas que interessam diferentes categorias do funcionalismo público, entre elas, o PL 2203/11, data base, orçamento 2013, e regulamentação da Convenção 151 da OIT.

Já na quarta-feira (25), será a vez de dar sequência às negociações específicas sobre as carreiras do Magistério Superior e do EBTT, quando serão aprofundados os debates da estrutura interna das Carreiras (número de classes, níveis e diferenças percentuais remuneratórias respectivas; relação entre Retribuição de Titulação e Vencimento Básico); desenvolvimento nas carreiras, e enquadramento.


domingo, 22 de abril de 2012

Leio na Veja e compartilho

Procura-se Shirley MacLaine de Oliveira

Tenho nos últimos dias atendido a umas estranhas ligações que dizem, em voz feminina gravada:"Se você é Shirley MacLaine de Oliveira favor ligar com urgência para..." e logo em seguida dá um telefone 0800, cujo número completo não memorizei.

Como não sou Shirley MacLaine de Oliveira não liguei para o número sugerido, mas temo que esteja sendo procurada desesperadamente. Sei lá o que está esperando por Shirley MacLaine de Oliveira: será uma fortuna deixada por uma velha tia-avó escocesa, milhões de antigas moedas escondidas num baú perdido nas ruínas de um castelo? Quem sabe algum apaixonado a busca desse jeito tão estabanado, divulgando a meio mundo sua paixão e seu amor? Ou, o que seria terrível, a Máfia põe em prática uma armadilha para capturá-la e matá-la por causa de dívidas em algum cassino em Las Vegas? Ou então, meu Deus, Shirley MacLaine de Oliveira é da CIA e seus inimigos a querem morta, o corpo encontrado em uma piscina chaia de champanhe? 

Será que ela -  e isso seria malíssino -, deu meu telefone a seus amigos perigosíssimos e eles vão querer me matar sob acusação de não-sei-o-quê? Enfim, não sei o que se passa. Só sei que alguem busca Shirley MacLaine de Oliveira desesperadamente. E se alguém puder ajudar ajude. Não aguento mais esses telefonemas para minha casa: "Se você é Shirley MacLaine de Oliveira, favor ligar com urgência para..."

terça-feira, 17 de abril de 2012

Prever para prevaricar

A cachaça, o termo cachaça passou a ser respeitado no mercado norte-americano, depois de muita luta, como designação de produto tipicamente brasileiro. Quer dizer, respeita-se um bem imaterial, seu preparo, a cultura, o debruçar espiritual do artífice sobre a sua obra, a arte enfim. Do mesmo modo que o francês defende seu champanha.
Guto Cassiano


Temos porém, além da cachaça, outro produto bem brasileiro, possivelmente jamais igualado por qualquer outro país: a corrupção. Chegamos, pelo menos quase, à perfeição: trata-se de elaborado processo. Que vai do planejamento, conhecimento jurídico-burocrático dos meandros e das leis a serem burladas e manipuladas a favor do corrupto e seus corrompidos, até a execução na certeza de, falhado o plano espetacular, nada acontecerá. A impunidade faz parte do processo. Não impede uma nova intentona, está no gen da cultura política - política aqui em sentido amplo, de pólis.

E ficam os partidos se acusando mutuamente, manchados e moralmente trôpegos, mas acusando-se sem parar, o que dá à vida pública da a sensação de que a finalidade da política, aqui política partidária, é unicamente troca de desaforos e blasfêmias contra o bem social.

Assim, urge que se tomem as providências para registrar a corrupção nacional, a fim de que lá fora não nos tentem tomar esse licor, patenteando-o. E o que é pior: que tenhamos de comprar no mercado internacional algum caderno de métodos e técnicas de corromper. Não tenho dúvida de que, ocorrendo isso, se formariam imediatamente grupos e lobbies. Todos cobrando seus vinte por cento de comissão, alegando que seria muito importante o país importar esse bem como commodity, sob o lema positivista: prever para prover. Ou melhor: prever para prevaricar.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Deu no Observatório da Imprensa e reproduzo

O jornalista que ajudou a contar a história do século 20

Por Cláudia Carvalho em 10/04/2012 na edição 689
Reproduzido do Público (Lisboa), 9/4/2012; intertítulos do OI

Com uma carreira de mais de 60 anos, Mike Wallace, que morreu no sábado (7/4) aos 93 anos, é lembrado não apenas pela sua carreira como pelo seu estilo jornalístico tão característico, apelidado pelo Los Angeles Times de “estilo pit bull”. À sua frente sentaram-se alguns dos principais presidentes e líderes mundiais, políticos, desportistas e artistas. As suas entrevistas traçaram parte da história do século 20.

Depois da notícia da morte de Wallace, que ainda hoje é conhecido como a cara do programa de informação 60 Minutes, criado em 1968, são muitos os jornalistas que têm expressado a sua admiração pelo norte-americano, que criou um estilo jornalístico próprio seguido por muitos profissionais no meio.

“Ele adorava ser o Mike Wallace. Adorava o facto de saber que quando aparecia para uma entrevista, as pessoas ficavam nervosas. Ele sabia, e sabia que toda a gente sabia, que ele ia conseguir a verdade. E isso era o que o motivava”, disse Jeff Fager, presidente da CBS News e produtor executivo do 60 Minutes, lembrando a postura destemida e dura do jornalista, que nunca se intimidou com os seus entrevistados.

Para Roger Ailes, presidente da Fox News, Mike Wallace foi único. “Eu não me lembro de ninguém me dizer que ele fez o óbvio, ou que estava a fazer algum tipo de jogo. Ele sempre tentou servir a audiência e isso foi o que o tornou formidável”, disse Ailes ao Huffington Post. “Wallace estará sempre no panteão dos melhores da televisão e do jornalismo.”

Estilo único
Ao longo da sua carreira, Mike Wallace trabalhou em mais de 800 investigações. Entrevistou todos os presidentes norte-americanos desde John F Kennedy, com excepção de George W Bush, assim como vários líderes mundiais, entre os quais o russo Vladimir Putin, o ayatola iraniano Khomeini, o líder chinês Deng Xiaoping e o palestiniano Yasser Arafat.

Teve ainda como entrevistados Malcom X, pouco antes de ter sido assassinado, e Martin Luther King, a quem chamava de “herói”. No mundo das artes também foram muitos os nomes entrevistados por si, desde Janis Joplin, Hugh Hefner e Tina Turner, passando por Salvador Dali e Barbra Streisand.

“Ele foi um jornalista intrépido que usou a televisão para fins poderosos. Todos os domingos à noite a América sintonizava-se para ver que questões ele colocaria e quem seria exposto na sua difícil missão da procura da verdade. A sua forma difícil de questionar inspirou gerações de jornalistas”, escreveu Ben Sherwood, presidente do ABC News.

Para Jeff Fager não existe ninguém com uma carreira como a de Mike Wallace. “Se não fosse ele e o seu estilo icónico, provavelmente não existiria o 60 Minutes. Simplesmente não tem existido outro jornalista televisivo com tanto talento como o dele. Com ele, quase que o assunto das histórias que cobria não interessava, as pessoas só queriam ouvir o que ele perguntaria a seguir”, escreveu em comunicado o presidente da CBS News, que entretanto já anunciou que no dia 15 vai para o ar uma emissão especial de homenagem ao jornalista.
O jornalista Morley Safer, colega e amigo de Mike Wallace, publicou também um vídeo de tributo, no qual em oito minutos relembra a carreira e algumas das entrevistas mais marcantes de Wallace.
***
Hoje tá muito hoje ou uma tenda em cada estrela

Ando sem tempo para escrever. Tenho esperado as chuvas que não chegam. Mas sempre tenho uma grande alegria quando meu neto me informa: "Vovô, hoje tá muito hoje."

http://es.dreamstime.com/
Sim, meu filho, graças a Deus hoje tá muito hoje e espero que permaneça assim por muito, muito tempo. É preciso que hoje continue muito hoje. Não sei bem porque, mas creio que é importante que hoje esteja muito hoje. 

Estarmos muito hoje talvez signifique que as chuvas nordestinas virão, mesmo que meio atrasadas, só para festejar o hoje muito hoje; estar muito hoje certamente quer dizer que todos os males, projetos e planos dos indignos e quejandos serão levados pela chuva às bocas de lobo do chão do tempo e lá se perderão para sempre; estar muito hoje certamente significa que o olhar faiscante de beleza do meu neto será para mim um luzeiro a dizer  que é preciso embarcar com ele em seus navios e em seus carros e partir para novas aventuras e dizer como o velho Antero: "A galope, a galope, ó fantasia! Plantemos uma tenda em cada estrela."

sábado, 14 de abril de 2012

Acabou-se o tempo e todos se tornaram imortais

E como o tempo havia passado não havia mais tempo. Explico melhor: por haver-se passado o tempo não mais existia - da mesma forma como uma pessoa que morre não existe mais. 
http://www.simplesmentebeijaflor.com/o_tempo.html

E assim, acabado o tempo, não havendo mais começo, meio e fim, todos tornaram-se imortais. E o tempo somente era uma lembrança. E como lembranças não têm consequências tudo passou a se repetir. 

E assim, por não terem mais o tempo, as pessoas ficaram sem tempo para existir e, do mesmo jeito de quando havia tempo, todos morreram e acabou-se a história.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Genial Jean Galvão na Folha

Leio e compartilho

A imprensa e Paulo Freire    

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/a_imprensa_e_paulo_freire

Por Alfredo Vizeu 
em 04/08/2009 na edição nº 549
 
O jornalismo tem muito a aprender com Paulo Freire, tanto no que diz respeito à compreensão do mundo, bem como no processo de produção da notícia. A investigação é da essência do jornalismo porque diminui a possibilidade do erro e do equívoco. Caso isso ocorra, ainda dentro das práticas jornalísticas, faz-se necessário retificar a informação publicada que se revela inexata. No entanto, uma das tarefas centrais do rigor do método, do conhecimento do jornalismo, é evitar a ambigüidade na informação. Outro aspecto importante no atual processo de produção da notícia é estar sob a ditadura da audiência, da concorrência, a pressa que pode tornar mais precária a qualidade da informação noticiosa.
 
Por isso, apropriando-me dos ensinamentos de Paulo Freire, é importante nas práticas sociais do jornalismo ir além da mera captação dos fatos, buscando não só a interdependência entre eles, mas também o que há entre as parcialidades constitutivas da totalidade de cada um. Nesse sentido, o jornalismo necessita estabelecer uma vigilância constante sobre a sua própria atividade.
Ainda dentro da perspectiva de Freire, consideramos que a comparação que o autor faz entre a ingenuidade e a criticidade pode contribuir para entendermos o conhecimento do jornalismo – que trata dos acontecimentos do mundo, dos diversos saberes, dos campos da experiência e do cotidiano. O autor esclarece que não há diferença e nem distância entre a ingenuidade e a criticidade. Para Freire, entre o saber da pura experiência e dos procedimentos metodicamente rigorosos ocorre uma superação.
 
Abrir a "alma" da cultura
Freire argumenta que não acontece uma ruptura porque a curiosidade ingênua, sem deixar de ser curiosidade, continuando a ser curiosidade, se criticiza. Continuando a explicação, diz que ao criticizar-se, tornando-se curiosidade epistemológica, metodicamente "rigorizando-se" na sua aproximação ao objeto, conota seus achados de maior exatidão. A curiosidade metodicamente rigorosa do método cognoscível se torna curiosidade epistemológica, mudando de qualidade, mas não na essência.
 
É dentro desse quadro que opera o conhecimento do jornalismo. Na produção da notícia, o jornalista trabalha constantemente dentro dessa perspectiva de superação. Não é permitido ao jornalista que seja ingênuo na cobertura dos fatos. A tomada de consciência é o ponto de partida da sua atividade. Como é possível dar conta da cobertura dos acontecimentos, da mediação entre eles e a sociedade, se antes de construir a informação não conheço o objeto? É tomando consciência dele que me dou conta do objeto, que é conhecido por mim.
 
A eficácia da atividade jornalística e o conhecimento do jornalismo estão intimamente ligados ao que Freire colocava como a capacidade de abrir a "alma" da cultura, de aprender a racionalidade da experiência por meio de caminhos múltiplos, deixando-se "molhar, ensopar" das águas culturais e históricas dos indivíduos envolvidos na experiência. É dimensão crítica do conhecimento jornalístico, num imbricamento entre teoria e prática.
 
Utopia de um compromisso histórico
 
Por fim, não custa lembrar que esses ensinamentos a partir da leitura da obra de Paulo Freire têm como preocupação mostrar que o jornalista que seja tentado a abrir mão do rigor do método esquece o respeito ao outro, vítima, testemunha, parente, espezinha o respeito que deve a si mesmo: não é mais que um instrumento – um meio! – da informação.
É ainda o mestre Freire quem ensina. E isso é básico para o jornalismo. O trabalho humanizante não poderá ser outro senão o trabalho de desmistificação. Por isso, a conscientização é o olhar mais crítico possível da realidade, que a "desvela" para conhecê-la e para conhecer os mitos que enganam e que ajudam a manter a realidade da estrutura dominante.
 
É o dever do jornalismo a busca da verdade e a ética como singularidade. Uma utopia a ser perseguida diariamente. Um jornalismo de frontes levantadas. Dentro desse contexto, concluo com Paulo Freire: "...o utópico não é o irrealizável; a utopia não é o idealismo, é a dialetização dos atos de denunciar a estrutura desumanizante e anunciar a estrutura humanizante. Por esta razão, a utopia é também um compromisso histórico." O jornalismo é utopia realizável de um compromisso histórico com a verdade, a ética, a liberdade e a democracia.

Recebo e divulgo



Sebo online promove encontro no Parque das Dunas

O “Sebo Desapego” reúne no próximo dia 14 (sábado) seus participantes para confraternizar leituras no Parque das Dunas, às 16h. O sebo é um grupo online do Facebook, que com menos de vinte dias no ar, já conta com mais de 2.600 pessoas compartilhando literaturas. Lá é possível buscar, comprar e trocar livros, revistas, CDs, DVDs e vinis.

As Redes Sociais vêm deixando o trivial de lado e inovando frequentemente, prova disso é o sucesso do “Sebo Desapego”, no qual pessoas de diferentes idades e diferentes gostos de leitura divulgam materiais que estavam guardados em suas estantes, praticando o desapego. Compartilhamento é a palavra-chave da era digital e da conectividade, pensando nisso, e reforçando o lado social das mídias sociais, o Sebo Desapego promove o I Encontro dos Desapegados, uma ocasião para aproximar as pessoas e incentivar a leitura.

Além da parte cultural do evento, que também vai contar com sorteio de livros, na oportunidade será organizado um piquenique com a contribuição dos participantes. Diversão, cultura e literatura andando de mãos juntas no on e offline.


quarta-feira, 11 de abril de 2012

O gol do centrefó

De repente veio a lembrança do Colégio São João. O colégio e seus dois campos de futebol. Anos 60. O colégio era uma lembrança grande, larga como o passado. O primeiro campo, verdadeiro forno com seu chão de areia calcinada, servia para partidas improvisadas. O outro campo, não: gramado, com medidas oficiais, era usado para prélios renhidos, jogadores com posições definidas. Os professores eram os técnicos. 

Era o tempo de Pelé, Vavá, Zagalo, Garrincha, Gilmar, Djalma Santos, Didi, Nilton Santos. O Brasil bicampeão. Goleiros eram chamados de goalkeeper, valendo também guarda-valas, mas também se aceitava dizer arqueiros. 

O menino tinha uma decisão: entrar para o time da classe e disputar o campeonato do colégio. Munido de uma vontade secreta e firme começou a treinar. Depois de muito esforço, foi aceito no time. E mais: ia ser o “centrefó”. Quando o professor anunciou sua posição no time, ele quase caiu. Já pensou? Ele ia ser o centrefó. Era o máximo. A palavra inglesa center for ward, absolutamente impronunciável para aqueles meninos dos anos 60, acabou virando isso mesmo, centrefó. Ele jamais imaginaria que, anos depois, todos estariam chamando centrefó de... centro-avante.

E ele ia ser o centrefó. A posição na equipe, vista como algo quase heróico, o jogador avançado que rompia defesas com seus dribles mágicos, era o sonho afinal realizado. Chegou em casa, contou aos pais, riu e, na rua, com os colegas, gritou: – Eu sou o centrefó! Eu sou o centrefó! Era o sonho calçando chuteiras. Sentiu-se completo. A vitória antecipada. O gol, guardado na gaveta das vontades, afinal iria brotar dos seus pés.

Veio então o jogo. Antes de entrar para a equipe principal, ele somente havia jogado no campo de areia. Era o que os meninos chamavam de futebol de poeira. Ali, ninguém tinha posição definida, os pés afundavam e cada chute levantava uma nuvem, daí o nome futebol de poeira. Detalhe: naquele campinho de areia, ele jamais havia marcado o “seu gol.” Mas agora, não: faria muitos gols, e gols de classe, gols marcados num campo de verdade.

O juiz apitou. Na tela das lembranças a partida foi lembrada quadro a quadro. Os lances duros, as jogadas corajosas, até mesmo aquela bicicleta que quase vira um gol. Tudo, tudo foi devidamente revisto com os olhar retrasado da saudade. Seu time ganhou. Cinco a um. Mas não deu para ele fazer o “seu gol”. Nem naquele jogo, nem nos outros. Jogava bem, mas não conseguiu o gol.

A vida escorreu sob os seus pés, acabou o ano, acabou-se o tempo de colégio, tudo passou. O colégio São João virou aquela lembrança travada na alma. Um dia, tomou uma decisão: aquele gol não podia ser apenas uma vontade com sabor de derrota, um passe malfeito num jogo que, dentro dele, nunca tinha fim. Então, num final de tarde, entrou numa loja de material esportivo, comprou a melhor bola e dirigiu-se ao colégio.

Ali, todos estranharam ao ver aquele senhor de paletó e gravata, cabelos grisalhos, entrando colégio adentro, segurando uma bola. Ele escolhera o momento de maior movimentação no colégio. Era final de aula. Centenas de meninos deixavam as salas em meio a gritos de estopim.

Ele cruzou a curiosidade geral como um tiro de meta e dirigiu-se ao campo. Todos o acompanharam. Mais e mais gente o seguia. Ele passou pelo campo de futebol de poeira, já seguido por uma multidão. Pronto. Chegou ao campo gramado.

Dirigiu-se à marca do pênalti e ajeitou a bola. Os meninos ficaram ao redor, deixando a trave ao fundo. Ele estava em meio a um largo círculo de expectativa. Estranhamente todos perceberam que viviam ali um momento especial e intenso. O rigor na face severa daquele homem, a luz do crepúsculo, a seriedade de cada gesto seu, tudo dava à cena uma composição litúrgica, ritual. Todos respiravam compassadamente; ninguém entendia nada, mas havia respeito em todos os olhares.

Ele afastou-se da bola, esperou um pouco e correu. O chute bateu na bola com força, uma força de raiva alegre e solene. A bola partiu. Como se fosse em câmera lenta, foi bem no ângulo direito. Balançou a rede e desceu, belíssima, até se esconder lá no fundo.

Ele saltou e deu um soco no ar. Nesse instante, uma fagulha de emoção. Todos os meninos gritaram: – Gooooooooool! – e se abraçaram. Em silêncio, tal como chegara, ele retirou-se. Deixou a bola lá no cantinho da rede. Ao sair, ouvia aplausos, aplausos antigos, ecos que somente agora chegavam, tão tarde, depois de tanto tempo...

Nunca mais foi visto no Colégio São João; mas agora ele era realmente, o centrefó.

terça-feira, 10 de abril de 2012

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PECADORES - ABEPEC
NOTA OFICIAL DE FUNDAÇÃO

Ficam por meio desta convocados a se filiar a esta augusta e responsável entidade todos os pecadores deste País a fim de que possam gozar dos direitos e prerrogativas atinentes à condição de pecador e assemelhados. Todo bom pecador deverá filiar-se à Associação, passando a ter os seguintes direitos:

1) Será reconhecido e louvado em praça pública;

2) Quanto mais pecar, maior será o reconhecimento;

3) Será estabelecido o Mercado Nacional e Internacional do Pecado, com preço e cotação na Bolsa;

4) O pecador poderá negociar seus pecados ou fazer a sua acumulação;

5) A acumulação de pecados, morto o pecador, será revertida em benefício dos seus familiares;

6) Em função dos direitos e aquisições acima, todo pecador terá direito a pagar dízimo.

7) O pecador poderá pagar seu dízimo até mesmo na hora da morte; 

8) Em caso de pagamento nas condições acima, incidirá imposto de transmissão de pecados;

9) Para efeito de associação na Abepec haverá a condição de assmelhados - como mencionado acima -, devendo em tal caso ser reconhecidos como pecadores todos os que se encontram nas seguintes categorias: corruptos, usurpadores, salafrários, fraudadores e quejandos.

10) A Abepec faz saber que serão instaurados cursos rápidos de treinamento em pecados por pensamentos, palavras ou obras. Acreditamos que, frente à grande ocorrência de pecadores, esta entidade terá um largo papel a cumprir.

11) Informamos que se algum não-pecador se inscerver nesta Associação será severamente punido por fraude e falsidade ideológica.


domingo, 8 de abril de 2012

É natural ser político e ser ladrão

Os sucessivos escândalos envolvendo personalidades da vida pública nacional, a incessante repetição de atos de imoralidade administrativa ocupando as manchetes, terminou por imbricar no senso comum que fazer política no Brasil é tão-somente uma troca de acusações entre homens e mulheres e que, culpados todos, já que os acusadores de hoje amanhã serão os réus, o que se passa é apenas um racha, um desentendimento entre vilões, parceiros e pares de sua própria indignidade.
http://tamancolargo.blogspot.com.br/2012/02/politicos-esposas-e-amantes.html


Isso, é claro, não é de hoje. O último escândalo será sempre e apenas o mais recente; outro virá sucedê-lo. A história é pródiga em denúncias de corrupção. Sua prática foi naturalizada e  suas diversas formas de manifestação passam a ser tidas como sendo a essência mesma da política. 

Ou seja: para o chamado homem comum a compreensão que resta é a de que fazer política não é tratar das coisas importantes, essenciais para o provimento do social; para ele, fazer política é apenas a gestão de um conluio, a organização de quadrilheiros que, sob o manto dos mandatos, roubam o mais que podem. 

Obviamente o senso comum espera que o político "trabalhe", realize, administre, legisle bem e dignamente. A questão é que o inverso tornou-se a realidade - a realidade coditiana e contundente das manchetes -, e a prevalência dos atos de bigamia entre o público e o privado, tornando dúbia a relação do político com seus atos de pessoa e ator social, termina por formular a convicção de que fazer política é roubar o mais que puder e, se possível, sair-se bem, jamais ser pego.




 

sábado, 7 de abril de 2012

Um bar escuro, música da boa e o motor de uma espaçonave

Edvaldo da Quinze
Há uns poucos dias, saindo do Sebo Cata-Livros, ali na Salgado Filho, imediações do Midway, passei em frente a um ambiente meio escuro de onde saía, poderosa, uma música de Creedence Clearwater Revival. Isso é coisa pouco comum e entro. A música inundava o salão e de repente meus olhos dão em cima de uma máquina estranhíssima, parecida com o motor de uma espaçonave. As paredes cobertas de quadros, uma moto descansando a um canto, um bocado de coisas amontoadas em outro. Decididamente, eu estava na caverna de um louco, um louco sublime, descubro logo depois.

Esse louco era Edvaldo da Quinze, pintor e homem do mundo. Ele logo apareceu e eu indago sobre o que era aquilo: "É um bar?", quis saber. Fiz a pergunta porque, para completar, havia um balcão de servir bebida. Ele respondeu que era "um bar para receber os amigos". Pronto, em poucos segundos firmava-se ali uma convivência de muitos anos. 

Falamos de sua pintura, de sua vida de pintor e da minha surpresa. Pedi para que me explicasse o que era o motor de espaçonave e ele me explicou, ligando a estranha geringonça: era uma máquina de caldo de cana que, ao funcionar, era iluminada por luzinhas piscantes. Definitivamente, estava eu diante de um alienígena improvável. 

Sabe o que é a gente ficar impressionado com o inesperado, aquele inesperado bom, tão diverso das coisas terríveis que o mundo oferece? Pois foi o caso de conhecer Edvaldo da Quinze, nome que adotou em homenagem à rua mora há milhares de anos. 

Já ia saindo quando ele me ofereceu um cafezinho. Voltei e fiquei mais um pouco. Depois parti, mas tenho o compromisso de, um sábado desses, aparecer por lá. A música é boa, a conversa idem. E tenho certeza, o bar dos amigos é ainda melhor. 

Um grande abraço, Edvaldo da Quinze.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

O que é de Deus

Nunca os trinta dinheiros foram tão disputados como agora. 

http://imagensbiblicas.wordpress.com
Dos púlpitos de católicos e protestantes às telas de TV há uma corrida à bolsa. À bolsa do fiel. 

Milagres são prometidos, bênçãos são apregoadas, relíquias são distribuídas à mancheia.
Os vendilhões do templo evoluíram muito: de magarefes de feira agora estão dentro do templo. E o que é de César passou a ser prioritário e essencial. Todos devem estar muito felizes: o Mestre não está mais aqui para novamente os expulsar.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Casamento perfeito: gastronomia mineira e potiguar no

 Carne de sol na brasa

Carne de sol com feijão verde, arroz,farofa, salada, e macaxeira frita

Feijoada Mineira

Feijoada Mineira - (feijoada, arroz, farofa, couve, laranja e torresmo)
É só conferir, aqui e lá, no Bar do Kartódromo, Av. Prudente de Morais, 6157 - Lagoa Nova, Natal - RN - dirigido pelo meu filho André.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

O Brasil tem excesso de pouco

http://paidajulianocdc.blogspot.com.br/2010/06/vitoria-do-brasil.html
Sem dúvida, nosso país tem excesso de pouco: falta comportamento ético e moral ao que se costuma chamar de classe política; falta atendimento médico no sistema de saúde pública; rareiam escolas para os filhos de quem não tem dinheiro para pagar uma escola particular; inexiste ação firme e decidida para punir corruptos e corruptores; ausentou-se, nas ruas, nos atos mais simples da vida, senso de cidadania: tem total vigência a Lei de Gerson, falta respeito aos direitos dos outros e até em fila alguém sempre busca levar vantagem.

Há excesso de pouco nas favelas, onde o traficante impera impune; há muito pouco futuro para centenas de milhares de crianças; há excesso de pouco para aqueles que estão abaixo de linha de pobreza; há excesso de poucos ricos, que escondem, só para si, os milhões que deixam de chegar à mesa do pobre.

Há excesso de falta em quase tudo. E quando tudo passa a ser sinônimo de nada, nada mais há a fazer, a não ser esperar que esse tudo se acabe e, quem sabe, venha a surgir, muito e muito mais, seriedade, trabalho, justiça e pão.