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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Hoje tá muito hoje ou uma tenda em cada estrela

Ando sem tempo para escrever. Tenho esperado as chuvas que não chegam. Mas sempre tenho uma grande alegria quando meu neto me informa: "Vovô, hoje tá muito hoje."

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Sim, meu filho, graças a Deus hoje tá muito hoje e espero que permaneça assim por muito, muito tempo. É preciso que hoje continue muito hoje. Não sei bem porque, mas creio que é importante que hoje esteja muito hoje. 

Estarmos muito hoje talvez signifique que as chuvas nordestinas virão, mesmo que meio atrasadas, só para festejar o hoje muito hoje; estar muito hoje certamente quer dizer que todos os males, projetos e planos dos indignos e quejandos serão levados pela chuva às bocas de lobo do chão do tempo e lá se perderão para sempre; estar muito hoje certamente significa que o olhar faiscante de beleza do meu neto será para mim um luzeiro a dizer  que é preciso embarcar com ele em seus navios e em seus carros e partir para novas aventuras e dizer como o velho Antero: "A galope, a galope, ó fantasia! Plantemos uma tenda em cada estrela."

segunda-feira, 27 de junho de 2011

 A chuva em Natal

A chuva em Natal trocou a luz tropical da cidade por um cinza calmo, um silêncio salpicado pelo tamboril dos pingos e muitas vezes uma cachoeira que despeja litros de barulho no telhado. A chuva em Natal trouxe o inverno do sertão às ruas. A chuva em Natal trouxe a este meu início de férias a vontade de um bom livro e um pouco de descanso. A chuva em Natal aguou o meu jardim. A chuva em Natal vai fazer-me parar um pouco e ter tempo para escrever, mesmo que só um pouco.